terça-feira, setembro 07, 2021

Família Menini/Menine - no.10 - Filhos de Tobias/ Tobias Menini Filho

     

                                        
               Tobias Menini (filho)
                                                            

Conheci muito todos os filhos de Tio Tobias, o irmão de meu pai. Eram eles Ely , Tobias Freitas Menini, Irene , Noêmia e Pérsio. Meu tio, entretanto,  eu não o conheci. Acredito que ele tenha falecido bastante jovem. Como quase todos os outros Menini, ele tinha uma propriedade, numa parte das terras que foram de meu avô, onde criava gado, ovelhas e cavalos. Era casado com Tia Etelvina Freitas, que depois de viúva teve mais dois filhos. Não sei se por necessidade ou por gostar, Tio Tobias costumava mascatear. Isso  era bem comum naquele tempo. Tio Tobias revendia na região o que trazia da Fronteira e de outros lugares próximos. Contam que seus principais produtos para venda eram o fumo e os cigarros. Contaram-me que era uma pessoa bastante reservada. Acredito que sim, pelo pouco que ouvi falar nele. 


                   
                                                                   Ely Menini


Na fotografia acima, a foto mais antiga que encontrei, vê-se Ely, a primeira filha de Tio Tobias. Ela tornou-se Ely Menini Machado por ter casado com Tobias Menini Machado, filho de Tia Maria Rosa e de Tio Antônio Machado. Como se pode observar , era muito comum, naquele  tempo, o casamento entre primos - esse fato pode ser observado em muitos relatos familiares. Tobias Freitas  Menine, conhecido como "Seu" Freitas, casou com Edith de quem tenho boas lembranças - criança que era, lembro mesmo dos doces e pães deliciosos que ela fazia. Eles construíram uma casa e fizeram o maior pomar de pessegueiros que eu conheci. Eram caprichosos e organizados. Irene, uma moça belíssima, morou um tempo na minha casa - ela fez minha iniciação ao tricô, quando eu devia ter 6 ou 7 anos. Noêmia casou com Modesto e morou um tempo na antiga casa de Tio Tobias. Ali eu a visitava. Depois que eles se mudaram, penso que nunca mais os vi. Pérsio esteve sempre próximo a nós. Segundo familiares e amigos  era o mais inteligente da família. No exército, fez concurso para sargento, foi aprovado, mas desistiu de continuar a carreira militar. Conhecia muito de plantas e gostava de hortas, pomares e jardins. Passou por problemas grandes que o transtornaram muito. Morreu cedo.




                                                                     Pérsio, esquilando 


Amigos meus do Norte da Itália me falam - brincando -  que são marcas da Família Menini serem muito inteligentes e terem especial interesse por dinheiro, grandes amores e jogos diversos - não necessariamente  nesta ordem! Brincadeira que ouvi calada, mas que muito me fez pensar.

"Quando é tempo de tosquia já clareia o dia com outro sabor.
As tesouras cortam em um só compasso enrijecendo o braço do esquilador

Um descascarreia, o outro já maneia e vai levantando para o tosador .

Avental de estopa, faixa na cintura e um gole de pura pra espantar o calor
Alma branca igual ao velo, tosando a martelo quase envelheceu

Hoje perguntando para a própria vida pr'onde foi a lida que ele conheceu..."


( http://letras.terra.com.br/telmo-de-lima-freitas/740284/ )
 

domingo, setembro 05, 2021

Família Menini/Menine - no.09 - Filhos de Tobias/Joaquim Luís Menini

 

         
                                                            Joaquim Luís Menini

Joaquim Luís Menini  -  conhecido como  Quincas - nasceu em 22 de julho de 1903 e, como os demais irmãos, ele nasceu no Touro Passo, no município de Rosário do Sul. Muito pouco o conheci. Lembro-me, entretanto, de alguns de seus filhos, os de idade mais próxima à minha. Lembro, ainda, de histórias de Tio Quincas, frequentemente contadas na região. Sua primeira mulher chamava-se Judith, dela nada sei. Conheci a segunda, Leonor, que contam ter sido muito bonita. Tio Quincas era um rezador - seria como um capelão, um substituto do padre católico que, evidentemente, não adentrava a essa inóspita região. Ele era chamado para fazer orações e rezar terços no Dia de Finados. Também era chamado  para rezar em velórios e sepultamentos. Considerava-se - dizem - como um Sacerdote!



                                                 Deny Menine, Filho de Quincas e Leonor



Como bom gaúcho, tinha um belo cavalo, um tordilho, bem cuidado e bem encilhado. Ouvi contar que ele gostava de boas comidas, de iguarias, palavra que ele gostava de usar. Era imponente, mesmo depois de  ter  passado por períodos difíceis. Morou na casa que antes pertencera a tia Pina, depois foi morar no Durasnal, município de Alegrete e , por último, numa Fazenda , não sei se no Saicã ou nos Três Cerros. Trabalhou como capataz de tio Alberto Menini. Morreu antes dos sessenta anos - como outros da família, parece que o alcoolismo foi determinante para essa morte prematura.



                                           Luiz Alberto Severo Menine - neto de tio Quincas

Os filhos de Tio Quincas  são Ary, Dari ( meu grande amigo, de quem contarei divertidas histórias mais tarde)  Deri, Clementina, Izaltina, Demir, Deny e Dair - Dari e Clementina já são falecidos. Ary, muito pequeno, foi adotado por tio Alberto e tia Salustia. Tornou-se um filho único, muito amado e mimado - era um dos meus primos preferidos.  Pode-se observar, na última foto, que os descendentes de Tobias Menini, onde quer que estejam, continuam a ter suas plantações, sejam em jardins, hortas, pomares  ou cercados.


                                                            Pátio da casa do Deny

"Difícil fotografar o silêncio.
 Entretanto tentei...."

 Manoel de Barros

sexta-feira, setembro 03, 2021

Família Menini/Menine - no.08 - Filhos de Tobias/Constantino Sereno Menini

 

                                                
                                                Constantino Sereno Menini  aos 18 anos. 


Constâncio, como era conhecido, nasceu no dia 8 de dezembro de 1905. Das minhas memórias de criança , ele surge como o mais agradável e divertido dos tios que eu conheci. Sabia conversar  com os pequenos;  era afetivo e simpático; era alegre e  cordial. Lembro que ele fazia leitura de mãos. Eu sentia medo das " adivinhações" dele, porque, arteira como era, estava sempre aprontando algo escondido, fosse fugir para galopar no campo, em animais ainda não bem mansos, fosse quebrar melancias para ver se estavam maduras ou fazer o cavalo saltar em obstáculos e valetas. Quando eu estendia as mãos para que ele as lesse, ele começava dizendo: que artes tu andou fazendo? Eu permanecia quieta, e ele nada dizia. Eu entendia o silêncio como compreensão e cumplicidade. Era um gordinho vivaz e simpático. Meu primeiro passeio de carro foi com ele... Na hora em que ele ia embora, minhas irmãs e eu  íamos  no carro, de casa até a porteira, ...e voltávamos , a pé, correndo.Uma grande aventura!



                                                  
                                                                       Tio Constâncio


O nome Constantino significa constante, perseverante e indica uma pessoa predestinada ao sucesso, pois está sempre se preparando para aproveitar as boas oportunidades e sabe reconhecê-las, quando elas surgem. Um antigo médico de Alegrete, que foi colega de tio Constâncio e de meu pai , no Colégio Marista, internato de padres em Santa Maria, contou-me que os dois - Constâncio e Abrelino - eram muito inteligentes e muito boas pessoas, mas que desejavam realmente vir embora para o campo. A foto seguinte é bastante informativa, pois foi feita,   em  uma festa de ano novo, na minha casa, por Dom Manuel, aquele fotógrafo espanhol a que já me referi.
 


                                                         Festa ainda nos anos 40!


Na fotografia acima, identifico meu pai ( ao lado de minha mãe, que está com Alda no colo ), ao lado estou eu, no colo da minha madrinha, Joana Menezes, sentados, mais à frente,  Manuel Inácio ( um vizinho que contava e representava as histórias contadas ),  Tio Pedro ( de barba branca ), Alcides Santos ( de lenço preto ) e, ao lado dele, Tio Constâncio. Os meninos... não consegui identificá-los...quem conseguir, por favor, avise-me. 

  

 
No verso desta foto, que me foi doada pela minha irmã mais velha, Maria Aldina Menine Severo, estava escrito somente " à esquerda, Quincas; à direita, Constâncio ". Não havia outras identificações ou datas, portanto não sei quem são as outras três pessoas que aparecem - a senhora, a criancinha e o menino. Quem conseguir identificar, avise por favor, antes da impressão do livro que é nosso, da família. São filhos de Constantino Sereno Menini:  Agripino, Darcy ( Cica),Dercy, Dely ( Mosa) e Sady. 





Na fotografia acima, Schirlei Menine, linda neta de Tio Constâncio, assim identificou: 
"Meu avó Constantino Sereno Menini, minha avó Maria do Carmo Rodrigues, meu primo (mais velho) Milton   Conczeviz  Menine (filho da Juraci e do Agripino) e a prima mais velha Vera Maria Menini Fernandes (filha da tia Darci - Cica)"  Muito obrigada, Schirlei


 "Não quero a noite
senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir."


Fernando Pessoa


quinta-feira, setembro 02, 2021

Família Menini/Menine - no.07 - Filhos de Tobias/Tia Maria Rosa Menini

 

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                                                                 Tia Maria Rosa Menini


Ainda não consegui saber a data de nascimento da Tia Maria Rosa Menini - espero descobrir para incluir neste texto antes de sua revisão e  publicação impressa.  Tia Maria Rosa, depois de casada com Antônio Machado, passou a chamar-se Maria Rosa Menini Machado. Ela era a mais velha das filhas de meu avô. Lembro de tê-la encontrado uma única vez - eu era criança ; ela era uma velhinha doce e amorosa ( não esqueçam a idade que pode ter  uma velhinha para uma criança). Penso que meu afastamento, quando criança, da família Menini Machado, tem a ver com o fato de que meu pai não era amigo de Tio Antônio, a quem eu não conheci. Ainda hoje se escuta uma expressão típica de meio  rural - refiro-me ao "de mal", usado como antônimo do "de bem"...fossem eles estados transitórios ou permanentes. Meu pai e o cunhado estavam, portanto, de mal, mas - ainda bem! -  isso não nos afastou dos primos. Fui muito amiga da Genecy, neta da Tia Maria Rosa, filha da Erondina, e ambas moradoras na casa antiga, junto aos pais e ao  restante da família. Genecy morreu cedo - foi uma morte que senti muito. Alencastro, casado com uma sobrinha da minha mãe, vinha sempre nos visitar. Tobias, casado com Ely, também sobrinha de meu pai, vinha muito à nossa casa, assim como Aparício e João. Não consigo me lembrar claramente dos outros. Meu grande amigo, no entanto,  foi Olídio. Dele contarei histórias lindas quando escrever sobre os netos  de meu avô.


                                     Genecy, filha de Erondina Menine Machado                          


Olídio Menine Machado me contou que a primeira filha de Tia Maria Rosa - Izaltina Menine Machado - foi a única neta que Tobias Menini conheceu, já que ele morreu bastante cedo. Arnaldo Menine Conczviz  também me repetiu esse fato. Conheci Izaltina em Rosário do Sul. Era ela casada com João Raimundo de Castro.  e  mãe de Eneas e Isolete. Lamentávelmente, naquele tempo, eu não pensava em coletar memórias da família - e perdi muitas oportunidades. Maria Rosa e João Machado foram os pais de Tobias, Izaltina, Alencastro, Erandina, Ernestina, Napoleão, João, Antônio, Aparício e Olídio, todos com o sobrenome Menine Machado.  A família morava no Touro Passo, numa casa grande, de pedra, onde foi, mais tarde, residência  de Olídio e Jandira.  Como em toda casa de Menini, havia muitas plantas, gatos e cachorros.  Perto da casa, há um jazigo familiar onde estão sepultados meus tios.   

                                                                                             

Olídio Menine Machado e Aldiva Menine Guedes


"Quando eu era pequeno não sabia
Que cresceria.
Pelo menos não o sentia.

Naquela idade o tempo não existe.
Cada dia é a mesma mesa
Com o mesmo quintal ao fundo;
E quando se sente tristeza
Está tristeza, mas não se está triste.

Eu era assim
E todas as crianças deste mundo
Assim foram antes de mim."

Fernando Pessoa


terça-feira, agosto 31, 2021

Correspondência às pessoas da Família Menini/Menine e aos amigos de nossos familiares

 


                                        Romênia, 2019 ( não bebo, foi só um brinde para a foto.

Queridos parentes, 

Continuo escrevendo a versão preliminar do Livro  de nossa família. Ao mesmo tempo, faço contatos com profissionais da área de edição para saber detalhes técnicos necessários à formatação dele. Gostaria muito que já estivesse impresso no primeiro trimestre de 2022. Após concluir o " copião", devo fazer uma revisão bem cuidadosa - já descobri erros meus tanto na escrita quanto na identificação das fotografias.

Sobre as fotos, sei que muitas terão de ser trocadas por outras mais nítidas ou mais coerentes com o texto escrito. As próximas postagens serão da tia Maria Rosa, do tio Quincas ( Joaquim Luís ), do tio Alberto, do tio Constâncio e do meu pai, concluindo, assim, o capítulo sobre os filhos do meu avô. O foco do capítulo seguinte  abordará os netos de Tobias Menini. A postagem constará do nome de cada filho de meu avó , seguido do nome dos netos Tobias. Não tenho fotografias de todos os meus primos-irmãos, e de alguns, não sei como localizá-las.  Como tenho algumas fotos muito bonitas e informativas dos bisnetos ( de Tobias ) penso postar uma sequência de fotografias dessa outra geração. Estou ainda pensando como fazer essa última parte.

Não necessito de fotos originais - as originais devolverei todas aos parentes que me as enviaram. Podem copiar e colar, ou fotografar a fotografia e mandarem para meu e-mail: aldemamenini@gmail.com. Ajudem-me, por favor, a localizar fotos e informações preciosas, como data de nascimento e nome com o qual foram registrados. Assim o livro ficará mais informativo para as próximas gerações.

Reafirmo que esse livro tem como objetivo oferecer às crianças e aos adolescentes informações da história de sua família - sabemos todos nós o quanto é relevante essa noção de pertencimento, que não se transmite com bens materiais, mas com historicidade e afeto. 

Está sendo uma alegria grande para mim este tempo de escrita do Família/Menini/Menine. Espontaneamente, muitos parentes me procuram e me ajudam na coleta de material. A eles, o reconhecimento da generosidade e a minha particular gratidão.

Carinhoso abraço,

Aldema Menini Mckinney

Torres, 31 de agosto de 2021 ( dia do aniversário de meu pai, Abrelino Abreu Menini )

segunda-feira, agosto 30, 2021

Família Menini/Menine - no.06 - Filhos de Tobias/João Menini

 

                                                                    Tio João Menini


Fui criança de meio rural. Saí da Campanha com quinze anos, depois de haver frequentado um único ano de escola regular. Estudei sozinha, fiz exame de admissão ao ginásio com sucesso. Por sorte, havia livros de meu pai, em casa - e eu, muito cedo, descobri o prazer da leitura. Adolescente, já havia lido José de Alencar, Érico Veríssimo e outros cronistas e poetas brasileiros. Enxergava o mundo com lentes do literatura - produzida, obviamente, no Romantismo. Aqui entram minhas memórias que se referem a Tio João Menini. Mais com sussurros do que com alardes, escutei histórias da vida dele, que me soavam como um envolvente  romance romântico. Um homem rural, com uma companheira, um filho e uma filha, desloca-se para outro município - Jaguari - e lá encontra uma jovem linda por quem se apaixona, sendo correspondido. À moda Romeu e Julieta, a família dela se opõe, e eles fogem para  Os Três Serros, onde tiveram duas lindas filhas e onde residiram até a morte, sem nunca mais terem contatos com familiares de Ana Scalcon -  que era seu nome. Assim me contaram . Assim a internalizei como a primeira história romântica da minha família . Verdade ou ficção, meu tio deu vida aos contos amorosos que eu lia.  Sou-lhe grata!


                                                                       Tio João Menini

Penso que Tio João morreu cedo. Penso também que Ana era muito querida na Família Menini - na minha casa, a única cunhada de meu pai que teve um retrato pintado a óleo e exposto junto com os demais familiares, foi ela. Do primeiro relacionamento de João, nasceram Francisca de Souza  Menini , a minha comadre Chica,  e Higino Menini - um querido primo, que era conhecido pelo apelido de Noco e que, por decisão própria, trocou seu próprio  nome, passando a chamar-se Higino  Rodrigues dos Santos - Higino, nome originário da Itália, pertenceu ao quinto Papa da Ordem de São Pedro.  Do relacionamento com Ana, nasceram Eva Menine, que casou com Elpídio Menine, filho de Tio Estêvão, e Santa Menini, que casou com Izaguirre, sobrinho da tia Salustia, esposa de Tio Alberto. Eva e Santa foram as primas mais bonitas entre as que eu conheci. Escreverei sobre o filho e as filhas de João Menini no capítulo dedicado aos netos de Tobias.



                                                                           Ana Scalcon


"O amor é uma companhia. 
Já não sei andar só pelos caminhos, 
Porque já não posso andar só. 
.........................................................

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas. 
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela. 
Todo eu sou qualquer força que me abandona. 
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio. 

Fernando Pessoa

                                   Santa, filha de Tio João e eu com 9 anos



domingo, agosto 29, 2021

Família Menini/Menine - no.05 - Filhos de Tobias/ Bernardo Menini

 

                                                                  Tio Bernardo Menini


Não conheci Tio Bernardo, porque nos "desencontramos" na vida. Ele estava entre os irmãos mais velhos de meus tios, e meu pai era o caçula. Sei que morreu muito cedo, com pouco mais de vinte anos. Ouvi, no entanto, algumas histórias dele.  Casou com Mercedes Barroso ( a Tia Mercedes Barroso Menini ), que, quando ele morreu, estava grávida do primeiro e único filho deles , Bernardo Barroso Menini. Tio Bernardo era muito respeitado pelos irmãos. Li, nos guardados da minha família, ainda quando eu era criança, a carta que ele mandou a meu pai, recriminando por abandonar o Colégio Santa Maria, em Santa Maria, depois da briga com um padre, durante uma greve de alunos pela melhoria da alimentação. Era uma bonita carta -  um paternal conselho de irmão mais velho. Bernardo era um jovem muito educado, bonito e elegante, segundo me contaram.



                     
                                                            Bernardo Barroso Menini          



O nome Bernardo  transporta lembranças da Suíça por mais de uma razão. É formado por duas palavras germânicas: ber, que significa urso e art , que significa forte, resultando no significado forte como um urso. O alemão é uma das quatro línguas faladas na Svizzera.  O nome Bernardo se popularizou por pertencer a São Bernardo, o fundador de um asilo na região dos Alpes Suíços, no século XII. O Santo,  mais o fato de ter ele relação com os Alpes da Suíça, inspirou o nome de uma raça de cachorros - os São Bernardo - que procura e auxilia pessoas perdidas nas montanhas. Bernardo Menini recebeu o  nome de um dos irmãos de Tobias Menini. 



                                            
                                                                    Tio Bernardo Menini                                                                     
                                                   

                                                                              

Não lembro de ter conhecido a Tia Mercedes. De ouvir contar, sei que era uma mulher forte e corajosa. Conheci bem meu primo-irmão, Bernardo Barroso Menine, o Moso Barroso, como era conhecido. Ele morava próximo da nossa casa, era um bonito e encantador rapaz. Sei que era um dos bons partidos na sua época de jovem. Quando meu pai morreu, foi ele que levou  a mim - eu tinha 11 anos -  e as minhas duas irmãs menores da Bela União para Rosário do Sul, onde meu pai fora hospitalizado com tétano. Gratidão a ele.


                                                  Tia Mercedes e Bernardo Barroso Menine


quarta-feira, agosto 25, 2021

Família Menini/Menine - no.04 - Filhos de Tobias/ Tia Antônia

 

                                            À esquerda, tia Antônia; à direita, tia Maria Rosa.


Tia Antônia Constantina nasceu em 12 de julho de 1900 e faleceu em 25 de novembro de 1979. Para mim, desde que eu era bem criança, ela foi a personificação da afetividade : amorosa, doce, afável - acredito que essa era também a opinião de todos os sobrinhos que com ela conviveram. Seu nome, Antônia, corresponde ao significado da origem grega: inestimável, sem preço; corresponde também ao significado do latim: o que não tem preço, muito valioso. Visitá-la era reabastecer-se de afeto em forma de acolhida, conversas, docinhos, bolinhos, demonstrações de alegria pela visita e de carinho pelo visitante. Em qualquer idade - criança, adolescente, adulta -  encantava-me  visitar os parentes Menini/Conczviz. 


                                                             Tio Mário Conczviz e filhos


Tia Antônia casou com tio Mário Conczviz,  descendente de poloneses imigrantes. Ele era bem amigo de meus pais e costumava visitá-los frequentemente. Tio Mário alimentava minhas fantasias de ver o mundo, quando contava sobre a Polônia e sobre as dificuldades que seus pais passaram na vinda para o Brasil - contava inclusive que um de seus pequenos irmãos morrera no navio, e tivera seu corpo jogado ao mar.  Meu tio e o irmão dele trabalhavam muito bem com selas e cordas diversas, aprendizado tipicamente da Polônia.   Pela presença de tantas consoantes no sobrenome já se pode ver que a língua deles era originada da eslava ocidental - a língua polaca ou polonesa tem algumas semelhanças com a eslovaca e a checa. Polônia é um dos país de que gosto muito. Visitei-o diversas vezes. Estive em Varsóvia, Cracóvia, Posnan, Wroclaw, Czestochowa; andei por Auschwitz - Birkenau... e pelas Minas de Sal de Wieliczka. Uma vez, em Cracóvia, comprei um broche típico da Polônia para presentear à Jandira - ela sempre me pedia para eu contar como era o país de seus antepassados paternos.


                                              Jurema e Jandira Menine Conczviz 


Os Menine/Conczviz sempre foram trabalhadores e caprichosos. Moravam em estabelecimentos rurais grandes e bem cuidados. Lembro dos pomares, jardins, hortas e algo mais que, fora da casa deles, só conheci na Europa: galpões onde armazenavam alimentação para os animais, durante o inverno - eram muitos os fardos de alfafa, bem amarrados e empilhados. A família criava bovinos, ovinos, porcos e galinhas; faziam deliciosos pães, doces e queijos. Recordo que o café da casa deles era delicioso. Eram oito os filhos de tia Antônia e tio Mário: Arnaldo, Aristóbolo, Adil, Alberto, Julieta, Jurema, Juracy e Jandira. Sobre eles, escreverei no capítulo destinada aos netos de Tobias Menini.


                                                           Alberto Menine Conczviz

Em 2007 , eu escrevi, no meu blog, Correndomundo: "  Tia Antonia, irma de meu pai, era casada com tio Mario Conczwisky , filho de poloneses imigrantes. Parece-me que ele nasceu no navio que os transportava ao Brasil. Quando crianca, muitas vezes fui aa casa dos polacos, como eram chamados. Eu gostava muito deles, dos meus tios e dos meus oito primos (,,,) Fui uma crianca muito curiosa e apaixonada por mapas. Ouvia fascinada historias desses mundos distantes que eu sonhava conhecer . Sabia da existencia de poucos paises, um deles, eh claro, a Polonia desses meus parentes. Eles eram os unicos na regiao que plantavam alfafa, deixavam-na secar e faziam fardos para dar aos animais no periodo de inverno. Heranca cultural de antepassados (...) Faz onze anos que conheci a Polonia. Gostei. Com mais calma e conhecendo agora um pouco das linguas eslavas, retornei . Saimos de Kosice aas 23h, em trem leito, com camas macias, limpas e confortaveis, numa cabina para tres pessoas. Dormimos superbem. Chegamos aas 5h40min. Eu ainda me recordava bem da cidade, mas, ao mostra – la para meu filho Juliano, comecei a conhece-la melhor. Permanecemos quatro dias em Cracovia. Fomos depois para Varsovia, numa viagem de 2h45minutos , em trem direto...." Meus parentes sempre foram  bem presentes na minha vida.

  

                                                                Pedro, meu neto, na Polônia comigo em 2016.


domingo, agosto 22, 2021

Família Menini/Menine - no.03 - Filhos de Tobias/ Napoleão Menini ( texto ainda sem revisão)


                                
                                                                Tio Napoleão Menini


Tio Napoleão, penso eu, era dos filhos mais velhos de Tobias Menini. Tenho vaga lembrança dele e penso nele como uma pessoa muito doce, acolhedora, simples. Muito amigo de tio Pedro - a quem costumava visitar semanalmente. Como era costume na região, para as visitas, ele usava roupas de domingo - as melhores! - lenço branco e chapéu preto. O cavalo, bem encilhado, com pelegão claro e badana escura. Conversavam, tomavam mate, almoçavam, sesteavam, tomavam café, conversavam mais um pouco e o visitante retornava para sua casa ao anoitecer.  A propriedade de Napoleão era perto da casa do Tio Mário e da Tia Maria Antônia -  um bonito lugar, com cerca de 200 hectares e com rochedos nas proximidades. Ali, ele criava bovinos  e ovinos  e plantava milho, mandioca, batata doce e abóbora. Contam que meu tio gostava muito de garnizés - uma minigalinha, barulhenta e bonita -  e que tinha muitas dessas aves. Contam que seu último momento de lucidez, na noite em que morreu, foi quando ouviu o canto  de um garnizé e falou para os amigos que o estavam cuidando: Meu galinho está cantando  e, assim contam, ele sorriu pela última vez. 


                                                                         Tio Napoleão


A casa original da família de meu tio era de capim, com uma cozinha fora da casa principal - decisão de distância oriunda do medo de incêndio. A comida era feita em fogo de chão. Sua companheira, tia Ana, era muito gentil com amigos e parentes que os visitavam. Assim que chegavam, ela ia para a cozinha fazer pipoca - com milho produzido na propriedade - a finalidade era obsequiar ( como se dizia na região) as visitas. Tia Ana e Tio Napoleão tiveram um filho, cujo nome era Leovegildo, e uma filha,  Maria Mássima Menini, que, depois de casada com Claudino, passou a chamar-se Maria Mássima Menini Soares. O filho Leovegildo morreu muito jovem - diziam que a causa da morte seria um pasmo, por sair de um lugar muito quente e abrigado e ir para o campo, onde estava frio e chovendo. Esse diagnóstico de pasmo foi muito comum na campanha.



                                           
                                                                Maria Mássima Menini 


Meu primo Gildo ( Leovegildo de Ávila Ribeiro ), neto de Tio Pedro, era afilhado de Tio Napoleão e recebeu esse nome em homenagem ao filho do padrinho, prematuramente falecido. Ouvi contar, sem, entretanto, ter encontrado documentos, como usualmente ocorria em tempos antigos, que a mãe de Pedro era irmã da mãe  de Napoleão. Essas duas irmãs seriam paraguaias, descendentes de índios. Como escrevi no início deste livro, a mãe de Pedro teria morrido no parto, deixando esse único filho.



                          Na foto, tio Pedro, meu pai, tio Constâncio e .. Quem identifica outros?
                                                                  1o. de janeiro de 1947


Conforme costumava acontecer no meio rural, Tio Napoleão ficou doente em sua casa e não foi levado para a cidade. Sofria de um problema nas pernas e , em pouco tempo, não mais  podia  mover -se . Os parentes e amigos buscavam remédios para ele na cidade. Os vizinhos também se revezavam para cuidá-lo. Ele morreu assim, em casa, cuidado por parentes e amigos, como era comum naquela época, e ouvindo o cantar do galinho garnizé.


                                                                           Touro Passo

Meu agradecimento a Alberto Menine Conczviz, Rita Lisandra Doyle Conczviz e Leovegildo de Ávila Ribeiro pelas informações e fotos.


quinta-feira, agosto 19, 2021

Família Menini/Menine - no.02 - Filhos de Tobias/Constância Menini ( Tia Pina)

                                                                        

                                                            Tia Pina - Constância Menini

 
Aqui está a tia com quem me diziam ser parecida  quando eu era adolescente - gordinha, com cabelos muito lisos e fininhos. Eu a conheci  como Pina,  apelido muito comum na Itália para quem tem o nome de Constanza, em italiano. Esse era o nome da avó dela, mãe de Tobias Menini,  que ficara na Europa. Constanza,  no entanto  foi abrasileirado para Constancia - tanto Constância, em português, como Constanza, em italiano, têm a origem latina,  e o significado de firme, perseverante, inabalável. Tia Pina nasceu no dia 3 de junho de 1900, no Touro Passo,  e foi registrada, pelo próprio pai, Tobias Menini, no dia 8 de junho do mesmo ano. Quando se casou com tio Maurelino Pedroso de Aguiar, passou a chamar-se Constancia Menine de Aguiar (  tive dúvidas se o Menini  continuava sendo com   "i " ...  mas, não - passaram para "e " ). Após o casamento, eles continuaram  residindo no 6o. subdistrito de Rosário do Sul, até se transferirem para o município de Alegrete e posteriormente para a cidade de Alegrete , onde eu os visitei algumas vezes. Tio Maurelino de Aguiar e Tia Pina Menine de Aguiar são os pais de Sari, Élio, Ênio, Ary, Aracy, Oly e Dileta.



                                                     Tia Pina, seus filhos e uma sobrinha



Quando tia Pina vinha do município de Alegrete ao Touro Passo, ela costumava visitar todos os parentes e, obviamente, sempre nos visitava. Sua visita à Bela União era um acontecimento - a última visita de que me lembro, foi logo após a morte de meu pai, o irmão caçula dela. Tenho nítida lembrança da Tia  chegando em nossa casa, em uma carruagem - chamada de aranha - carruagem muito bem apresentada, com duas rodas grandes, assento para duas ou três pessoas  e puxada por um cavalo  bonito e lustroso. 



Os gêmeos da Tia Pina: Ary e Aracy



Era uma senhora que primava pela elegância e pelas boas maneiras. Andava bem vestida e  bastante urbana.       Ao saber que ela viria em nossa casa, as crianças eram alertadas para terem bom comportamento e bons modos durante a visita dela. Eu era tinhosa, como diziam na região, mas cuidava para seguir determinadas regras sociais   -   por exemplo, não gritar dentro de casa, não raspar o prato, lavar as mãos antes de ir para mesa, não se intrometer na conversa dos grandes, não ficar perguntando sobre a vida dos outros...Lembro,    ainda, 
que as conversas preferidas da Tia Pina eram sobre o sucesso que fazia a Dileta, sua filha, por ser tão bonita e elegante. Dileta e minha irmã mais velha, Maria Aldina,   tinham idades semelhantes.


Dileta Menine de Aguiar e Maria Aldina Pinto Menine



Conheci a casa antiga, próxima da casa de meus pais,  onde viveram tia Pina e tio Maurelino, antes de transferirem residência para o município de Alegrete. Como até hoje me acontece, da casa pouco lembro; lembro, no entanto, do entorno dela, com jardim e pomar. Perto da porta de entrada da sala, via-se um jasmineiro grande e , claro, com flores brancas muito perfumadas( o jasmim da minha região é a mesma gardênia dos boleros espanhois antigos?) Havia, no pomar,  uma árvore com uma fruta pequena, semelhante a uma bergamota, que denominavam laranja - araçá...Era muito doce, mas difícil de descascar. Havia, também no arvoredo, como chamávamos o pomar, um pessegueiro - que talvez não fosse esse o nome, mas que dava um fruto semelhante a pêssego. Seria nectarina? Fui sempre encantada com a casas de cada um de meus tios e tias por terem abundância de árvores e flores - certamente uma herança europeia. Herdei o gosto por flores e arvoredos - animais de quatro patas, só gosto de cavalos e cachorros - embora eu tenha escutado muito que os Menini são gateiros Verdade mesmo que toda a família gosta de cavalos. A foto seguinte é de Oly Menini Aguiar, filho da Tia Pina,  que muito se dedicou ao hipismo ( um esporte olímpico; modalidade da arte de montar a cavalo que compreende todas as práticas desportivas que envolvam este animal ). Concordo e vou além : nós amamos é a natureza ...




                                  Oly Menini Aguiar, meu primo que praticava hipismo

 

" Durmo. Regresso ou espero?
Não sei. Um outro flui
Entre o que sou e o que quero
Entre o que sou e o que fui."

Fernando Pessoa