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terça-feira, dezembro 10, 2019

Marraquexe : Pérola do Sul de Marrocos

Marraquexe - Palácio Baía

Como Meknes, Fez e Rabat, Marraquexe ( Marrakesh ) é uma das quatro cidades imperiais de Marrocos, sendo a segunda mais antiga delas. Fundada em 1062 pelos Almorávides, foi capital de Império Islâmico. Está situada na parte meridional do país, ao pé do Atlas, entre ele o Saara. Possui cerca de um milhão, quinhentos e cinquenta mil habitantes. Detém muitas inclusões como Patrimônio da Humanidade nas listas da UNESCO.


Marraquexe - deslumbrante decoração

É realmente uma grande metrópole bérbere, que conserva a estrutura medieval da época de sua fundação. Passear pela cidade já é uma de suas grandes atrações. Há , entretanto, visitas obrigatórias, como a Praça Djemaa el Fna, o coração da cidade; o magnífico palácio da  Baía; o Palácio  Dar Si Said, hoje Museu de Arte Marroquina; a Mesquita La Koutoubia; as Fontes do Mouazin e, ainda, jardins, mercados ( Souks), palácios e avenidas.


Mesquita La Koutoubia vista da Praça Jemaa El- Fna
D`jemma El Fnna, significa Praça dos Mortos. É  assim chamada porque nela, antigamente, eram executados os condenados à morte. Tornou-se um dos lugares mais festivos e movimentados da cidade, que consegue reunir tradição e modernidade - a parte antiga da cidade com a parte nova. No final da tarde, é ponto de encontro entre moradores, turistas e viajantes. É muito movimentada até a meia-noite. https://correndomundo.blogspot.com/2015/06/marrakech-tradicao-e-modernidade.html



Perto da Praça...


"Há um grande café e restaurante, onde se pode ficar de frente para a Praça D´Jemaa El Fnna e apreciar a diversidade de eventos que  diariamente são oferecidos. As pessoas, por exemplo, formam círculos ao redor de equilibristas e saltibancos, encantadores de serpentes, músicos, contadores de histórias, mágicos, e lutadores de box. Os vendedores de água são figuras tradicionais também. Todos eles mostram suas habilidades em troca de moedas que esperam receber após o espetáculo ou a fotografia em que apareceram " https://correndomundo.blogspot.com/2015/06/marrakech-tradicao-e-modernidade.html


Detalhe da Praça Jemaa El Fna

Perto da Praça Jemaa al Fna,  está o Palácio da Baía ( Bahia) , que se  localiza na parte antiga da cidade, no lado norte do Bairro Judeu ( mellah). Foi construído no final do século XIX em estilo árabe-andalusino. Seus  jardins são magníficos. Eles ocupam uma área de oito hectares , onde se podem ver, além da variedade de palmeiras, arbustos e flores, muitas árvores frutíferas.


Detalhe do teto do Palácio Bahia

O Palácio tem salas ricamente decoradas, tetos de impressionante beleza, todos de madeira pintada. Impressionante também a beleza e a riqueza dos azulejos marroquinos coloridos. Precisa-se, ao menos, da metade de um dia para ver esse Palácio - só para ver as portas que ele exibe, eu gostaria de disponibilizar três horas... Deixo-lhes uma pequena amostra!






                                                                  Portas do Palácio da Baía

Numa postagem que fiz em 2015, há um texto sobre Marraquexe bem mais completo do que este . Basta clicar no link a seguir para acessá-lo. https://correndomundo.blogspot.com/2015/06/marrakech-tradicao-e-modernidade.html  As novidades desta viagem a forma de locomoção, a autonomia na escolha das visitas, a noite no deserto, as cidades de Chefchauen e Ouarzazate e, ainda, passeio fantásticos, como, por exemplo,  ao Kasbah do Pacha Glaoui, ao Kasbah de Taourirt, ao Kasbah Ait-Ben-Haddou e às Gargantas de Todra.


Pausa para comprar creminhos de Arkan...

Pareceu-me bem acertada a decisão de voar até Marraquexe e, de lá, ir retornando de carro, com paragens diversas,  até o Porto de Tânger, de onde,  através do estreito de Gibraltar, alcançamos  a Espanha, chegando por Algeciras. É preciosa uma viagem a Marrocos - e bem mais econômica se considerarmos o custo das principais cidades europeias. Pedro, meu neto adolescente, considerou essa uma das viagens mais interessantes que fizemos. Concordo!


Mercado rural
Agradecendo ao meu amigo Cassiano Scherner, indico-lhes este vídeo sobre Marraquexe ( preferi adotar a escrita de Portugal): https://www.youtube.com/watch?v=B7nqEOgV77E



sábado, junho 20, 2015

Marrakech : Tradição e Modernidade

Na Medina de Marrakech

Li - e achei curioso - que o nome Marrakech significa, na língua berbere,  Marra Kech! que quer dizer Anda Depressa. A origem do nome seria anterior à fundação da cidade. O local era, então, habitado por bandidos muito perigosos, que costumavam roubar os cavalos dos viajantes que por ali passavam. Para conseguir escapar dos ladrões , gritavam Marra Kech! Marra Kech! Com esse nome, mais tarde, a nova cidade foi batizada.


Produção tradicional de Óleo  de Arkan

Reconhecendo o potencial estratégico do lugar, já que muitas caravanas do deserto o atravessavam, um líder berebere  - Yusuf ibn Tasfin - construiu, em 1062,  muralhas ao redor do   acampamento   e canalizações subterrâneas. Foi também ele que começou a utilizar,  no local , a típica arquitetura de adobe de cor levemente rosada. Desenvolveu-se até que a cidade , outra vez,  foi invadida e parcialmente destruída. 


Medina

Foi recuperada , tempos depois,  por Yacub Al-Mansur, que construiu mercados cobertos, magníficos jardins e uma Porta Triunfal -  e ainda reconstruiu a Mesquita. Com o passar do tempo, entretanto, as atenções reais voltaram-se para Meknés e Fez e só retornaram a Marrakech no século XVI, ao estabelecerem nela um importante ponto comercial na rota de venda de açúcar. Em 1558, foi criado um Mellah, bairro judeu protegido, que muito contribuiu com a cidade.



À espera ...

Por muitos anos, houve idas-e-vindas históricas importantes para /em Marrakech,incluindo a triste retirada de tesouros daqui para levar a outras cidades. Em 1912, o Protetorado francês outorgou ao pachá Glaui poder sobre o sul de Marrocos, enquanto os colonizadores franceses e espanhois construíam a Ville Nouvelle, ampliando,assim, a cidade e melhorando as condições de vida da população.


Detalhes do interior da Medina


Depois da Independência de Marrocos, a cidade ficou sem um projeto definido. Houve, a seguir, um ressurgimento inesperado e sem precedentes: Hippies  impulsionaram a cidade, fazendo dela um mito, durante as décadas de 1960 e 1970. Foram relevantes, nesses anos, as visitas dos Rolling Stones, dos Beatles e de Led Zeppelin. Na década de 90, mansões particulares transformaram-se em B&B e começaram também os voos low cost, em finais de semana, para Marrakech. A situação se manteve boa até 2008, quando a crise mundial atingiu os mercados europeus, responsáveis por 80% dos visitantes.


Artesanato tradicional: luminárias


Em abril de 2011, um militante islamista colocou duas bombas num café, na praça El Fnna, que mataram 17 pessoas. A cidade foi muito prejudicada: turistas cancelaram suas reservas e investidores cancelaram negócios. Em 2013, começou um retorno gradual do turismo e dos investimentos. Para 2016, está prevista a inauguração do maior museu de arte contemporânea da África, aqui em Marrakech. Aposta-se na divulgação da cidade e no consequente aumento do turismo e do crescimento da economia.



Artesanato típico

O artesanato desta região é cuidadosamente feito e de muito boa qualidade. Misturam-se, algumas vezes, elementos inovadores com elementos tradicionais. Surgem galerias de arte que mostram e vendem trabalhos originais, que vão muito além de antigas figuras, como as mulheres de harém. Procurei endereços de galerias novas; faltou-me, porém, tempo para percorrê-las. Informaram-me que a Galeria Rê ( www.galeriere.com) e a Matisse Art Gallery ( www.matisseartegallery.com) têm um acervo bem interessante.


Google + mudou minha foto para P&B.Gostei

Em relação a compras, é um lugar bastante tentador. Gostaria de ter visitado a Assouss Cooperative d`Argane,  a Cooperative Artisanale des Femmes de Marrakech e a L´Art du Bain Savonnerie Artisanale. Mencionando cooperativas,  lembrei-me de ter visto um grande forno comunitário onde as pessoas preparam  o pão e levam ali para assar - parece que a cultura associativista é bem desenvolvida no País.


Interior da Medina


A Medina de Marrakech é a maior do Norte da África. Alberga hoje mais de 250 mil pessoas. As ruas, assim como em Fez, são também um labirinto, embora sejam mais largas e com a luz do sol mais presente. Está dividida em zonas ( ou bairros ) tal como funcionavam as cidades da Idade Média. Em cada zona, há Souks ( mercados) onde predomina a comercialização de um tipo de produtos. No concorrido Souk Smarine ,por exemplo, os tecidos constituem o produto principal à venda.


Ruelas da Medina

Há outros Souks bem  interessantes. O Larzal é o mercado de lãs; o Btana comercializa as peles, principalmente as peles de ovelha de cheiro muito desagradável. Mas eu gostei mesmo foi dos boticários, profissão muito antiga e variada no oriente. Todas as Boticas oferecem cosméticos tradicionais para serem usados nos lábios e nos olhos. A henna , muito procurada, é o único cosmético que as mulheres solteiras podem usar. O óleo de Arkan é a estrela da temporada - faz sucesso entre os estrangeiros.Vendem-se também componentes necessários para os feiticeiros, curandeiros ou magos, indivíduos bem respeitados, já que a magia é parte do cotidiano do país.



Praça de D´jemmaa El Fnna

D`jemma El Fnna, significa Praça dos Mortos. É  assim chamada porque nela, antigamente, eram executados os condenados à morte. Tornou-se um dos lugares mais festivos e movimentados da cidade, que consegue reunir tradição e modernidade - a parte antiga da cidade com a parte nova. No final da tarde, é ponto de encontro entre moradores, turistas e viajantes.É movimentada até a meia-noite.


Feira na Praça D´Jemma El Fnna









Há um grande café e restaurante, onde se pode ficar de frente para a Praça D´Jemma El Fnna e apreciar a diversidade de eventos que  diariamente são oferecidos. As pessoas, por exemplo, formam círculos ao redor de equilibristas e saltibancos, encantadores de serpentes, músicos, contadores de histórias, mágicos, e  lutadores de box. Os vendedores de água são figuras tradicionais também. Todos eles mostram suas habilidades em troca de moedas que esperam receber após o espetáculo ou a fotografia em que apareceram.





Os jardins, que sempre tiveram muita importância na cultura árabe, são locais de reflexão, repouso e tranquilidade.Desta vez, não visitei a nenhum deles. Costumam ter , no seu centro, um pequeno lago ou tanque, como reservatório de água para as plantas. O mais famoso é o da Menara, que tem a extensão de 88 hectares com 88 mil oliveiras, que foram inicialmente plantadas no século XII. O Olival da Menara era reservado para o sultão. Atualmente é um jardim aberto ao público.






Encontrei essas fotos antigas , em Marrocos, que muito bem mostram a minha antiguidade...São do tempo em que eu conseguia carregar, no ombro, em viagens, uma bolsa grande assim. A primeira foto é no majestoso e requintado Palácio da Baía. Desta vez, entretanto, no dia em que o grupo foi conhecê-lo, eu fiz um programa solo, caminhando pela Cidade Nova e vendo suas alterações. Gostei das cafeterias - cafeterias mesmo, onde não se oferece apenas chá de menta ( hortelã ).


Duda, minha amiga,  e eu na represa, a caminho de Marrakech.

Passados quase 20 anos da primeira vez que fui a Marrocos, senti - e vi - que ocorreram algumas mudanças no País. Não estou fazendo juízo de valor, nem consigo opinar sobre países onde não vivo cotidianamente. As mudanças mais simples e aparentes  para mim, no entanto, referem-se às mulheres, frequentando cafeterias, bares e restaurantes - algo que era inadimissível; mulheres dirigindo carros e motos; casais passeando lado-a-lado; além de flexibilização das leis de modo a dar condições e oportunidades a todos. As estradas estão bem cuidadas, há muitos hoteis e restaurantes considerados bons. Marrakech é uma interessante cidade - mas  eu continuo preferindo Fez.



Represa que abastece grande área de Marrocos


Viajei a Marrocos com a parte terrestre comprada na KTOUR, em Santa Maria. Comprei o pacote, que incluía as viagens internas, numa van com motorista e guia turístico: um senhor marroquino, bastante competente, fluente em português, inglês e italiano - as três línguas faladas no grupo, que era composto por 11 pessoas de três nacionalidades. Incluía, ainda, 8 diárias de hoteis 4 ou 5 estrelas e duas refeições por dia - mais os ingressos para todas as visitas e um jantar de encerramento com espetáculo folclórico. Excelente  custo-benefício. A parte aérea fiz pela Ibéria, desde Madrid, em 1h20min de viagem. Considerei boa a exceção de ter viajado com grupo desta vez, já que não costumo viajar empacotada. Gostei. Recomendo.



Feira  à margem da estrada

"O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta...

Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer coisa no sol de modo a ele ficar mais belo..."

Fernando Pessoa

Vista do Médio Atlas a caminho de Marrakech