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domingo, dezembro 18, 2016

Viagens/2016 : Momentos Especiais: 2a. Parte

Praga - agosto 2016

Impossível estar na Europa e não revisitar lugares tão emblemáticos como Praga e  Budapest. De Madrid, Pedro, Adriana e eu voamos direto à capital da República Tcheca. Em nosso roteiro, além das cidades mencionadas, estava Kutná Hora, Wroclaw, Posnan, Varsóvia, Cracóvia, Estergon e Viena - de onde retornamos à Espanha.


Praga - friozinho mesmo em agosto


Praga é conhecida no mundo todo como uma das cidades mais bonitas da Europa. Desenvolveu-se às margens do rio Vltava, tendo alcançado, nas  pontes que atravessam esse rio, um de seus quesitos de beleza. Se não fosse conhecida por seu patrimônio arquitetônico, seria por seus filhos ilustres, como Milan Kundera e Kafka.






De Praga, viajando em ônibus convencional, entramos na Polônia com o objetivo de visitar Wroclaw, cidade que sabíamos ser encantadora. Visita fantástica! Daqui para Pósnan, fomos de trem, partindo da estação acima - Wroclaw Glowny.

Gnomos em Wroclow - Polônia

Pelo centro de Wroclow, ao redor de duzentos gnomos ( em bronze ) estão distribuídos - alguns disfarçadamente, em espaços inusitados Aqui, no correndomundo, fiz um post sobre essa particularidade que tanto encanta, em especial, a todas as idades, mas, em especial, a meninada: http://correndomundo.blogspot.com.br/search/label/Wroclaw


Posnam - Polônia

Duas atrações belíssimas marcaram para nós esta antiga capital da Polônia: a Praça do Centro Histórico - antiga Praça do Mercado - onde tudo parece acontecer, nela e ao redor dela; e a Catedral, a mais antiga da Polônia, que nos levou a uma caminhada de  dois quilômetros. Percurso bonito, incluindo a visão do rio. http://correndomundo.blogspot.com.br/search/label/Poznan


Varsóvia - Detalhe de um conjunto de esculturas

Difícil ver Varsóvia sem admirar o trabalho, a dedicação, a competência e a sensibilidade do povo polonês, que, em pouco tempo, reconstruíram cidades - entre elas Varsóvia - que foram arrasadas na Segunda Guerra. Muitos monumentos lembram esse passado recente e  doloroso.


Varsóvia

Esta foi a quinta vez que visitei a capital da Polônia sem , entretanto, superar uma certa tristeza que tenho lá, como se a dor tivesse impregnado pedras, tijolos, muros e paredes. Este é um país que nos faz valorizar a vida e desejar a paz.


Cracóvia - Polônia

" Deixem, antes de eu partir, que olhe ainda deste lugar para Cracóvia, essa Cracóvia em que cada pedra e cada tijolo me são tão caros, e que olhe de cá para a Polônia....E , portanto, antes da partida, rogo-vos que aceitem de novo este patrimônio espiritual que se chama Polônia, com fé, esperança e amor (...) "   João Paulo II, Cracóvia, 10 de junho de 1979. http://correndomundo.blogspot.com.br/search/label/Cracovia


Cracóvia
Mas nem só de igreja e religiosidade vive Cracóvia. No grande mercado da praça principal, podem ser encontrados maravilhosos presentes, como esculturas e muitos objetos mais em madeira, roupas bordadas e até finas joias. Lembrar o filme A Lista de Schindler - Steven Spielberg - é um motivo para percorrer o bairro onde se passou a narrativa de tristeza e esperança.


Budapest - Hungria
Amo Budapest! Cidade bonita, limpa, bem cuidada ( até aí como muitas outras! ), com a particularidade de serem duas-em-uma : Buda, de um lado do rio Danúbio; Pest, do outro lado. E para unir as duas e torná - las uma só, estão as pontes - simplesmente fantásticas.


Budapest
A música húngara é alegre como o povo do país; a comida, deliciosa; a arte está por todo o lado, em espaços públicos; artesanato, principalmente em bordados, de boa qualidade e diferenciado de outros países. Tem uma história rica e uma arquitetura que a reflete. Com exceção dos táxis, é uma cidade impossível de não se encantar com ela.


Viena

Viena  é deslumbrante - sempre e toda ela. Neste ano, eu a vi branquinha de neve em janeiro e totalmente florida no verão. Seus parques e jardins públicos são lugares para esquecer o relógio e procurar enxergar os detalhes. Palácios , museus , igrejas e monumentos já bastariam - mas tem a musicalidade e....os doces...as mais doces tentações.


Jardins de Viena

Dos países visitados em 2016, somente Budapest está programado, outra vez, para 2017 - antes de um recorrido à Romênia e  às  cidades que  que estão no espaço da antiga  Yugoslávia. Pretendo investir mais também na América Central. Que o Universo conspire a meu favor.


Gustav Klimt - O Beijo
Obs. A 3a. e última parte de Viagens/2016 : Momentos Especiais será sobre os três da América do Sul - Peru, Colômbia e Equador - para onde fizemos , durante o mês de novembro, nossa última viagem deste ano.

sexta-feira, agosto 19, 2016

A Religiosidade de Cracóvia


" Deixem, antes de eu partir, que olhe ainda deste lugar para Cracóvia, essa Cracóvia em que cada pedra e cada tijolo me são tão caros, e que olhe de cá para a Polônia....E , portanto, antes da partida, rogo-vos que aceitem de novo este patrimônio espiritual que se chama Polônia, com fé, esperança e amor (...) "   João Paulo II, Cracóvia, 10 de junho de 1979.


Igreja e Mosteiro da Ordem dos Dominicanos

Incrementando meu Curriculum Espiritual - aquele que não tenho a menor urgência em  apresentar, mas é certo que apresentarei um dia - voltei a religiosa Cracóvia. Visitei  igrejas, túmulos de santos e beatos, mosteiros e conventos. Visitei também sinagogas e cemitérios e percorri Kazimierz, a dramática e comovente cidade antiga, onde estava  o bairro dos judeus.


Antigo Bairro Judeu de Kazimierz

Curto templos religiosos - os melhores museus interdisciplinares que se pode ver e admirar. Têm beleza, história, arte, música - já asssti a concertos fantásticos em igrejas - e pessoas locais em rituais, cerimônias e atos de fé .  Já assisti também a casamentos, missas, funerais e batizados. Acompanho, com respeito e algumas vezes com emoção, o que nos templos sucede ...por essa razão faço pouquíssimas fotos. A religiosidade alheia me comove.


Igreja e Mosteiro da Ordem dos Franciscanos

São imponentes e belas as Igrejas e Mosteiros de duas Ordens bastante conhecidas no mundo: a dos Dominicanos e a dos Franciscanos. São duas igrejas góticas com histórias diferentes. A primeira sofreu um grande incêncio no século XIX ( 1850 ) Seus móveis, no entanto,  foram salvos e se encontram na igreja atual, recuperada e com estilo neo-gótico.


Detalhe da Igreja anterior

A segunda, também gótica, Igreja e Monastério da Ordem  dos Franciscanos, foi fundada no século XIII, pelo príncipe Boleslaw Wstydliwy ( não me peçam para falar esse nome corretamente!!!) O príncipe, sua mãe de nome Grzymislawa e sua irmã Salomea estão enterrados nessa igreja. Em todo o recinto, encontram-se vitrais belíssimos.


Basílica de Santa Maria

Igreja gótica, fundada no século XIII, está localizada Praça Central, em frente ao Mercado que foi construído no mesmo século. Denominada Basílica de Santa Maria, tem como monumento mais valioso o altar, com 13 metros de altura e 11 metros de largura, sendo o maior altar medieval, de madeira, na Europa. É, seguramente, uma das mais belas igrejas góticas da Polônia.


Basílica de Santa Maria - Foto by Adriana Fuganti Wagner

O altar é composto de 200 figuras, algumas muito pequenas, outras que chegam até três metros de altura. O artista que as criou, trabalhou nelas durante 12 anos. A maior torre dessa Basílica mede  81 hora metros e é de onde, a cada hora cheia, ouve-se um toque de clarim, repentinamente nterrompido. Conta-se que, assim, com essa interrupção, relembra-se e homenageia-se um soldado que , enquanto tocava, para avisar seus  companheiros de um iminente ataque, foi assassinado.


Igreja de St. Wojciech - Santo Adalberto

Na foto seguinte, a Igreja de St. Wojciech - Santo Adalberto -  um dos monumentos mais antigos da Cracóvia. Segundo a lenda, ela foi construída no local onde esse Santo costumava fazer seus sermões. Em estilo românico, sua história remonta ao século X. Foi reconstruída no século XVIII, quando passou a ter o aspecto atual. Está localizada na Praça do Mercado.


Porta principal da Igreja de Santo Adalberto




Fizemos um comovente passeio por Kazimierz, antiga cidade, fundada no século XVI por Casemiro o Grande. Atualmente, é um histórico - e visitadíssimo - bairro de Cracóvia. Desde o século XV até a II Guerra Mundial, na sua parte norte, era o Bairro Judeu, com intensa vida cultural e social. Foi completamente destruído pelos alemães, mas hoje está recuperado e mostra um conjunto valioso de monumentos judaicos.


Basílica de Corpus Christi

A Basílica de Corpus Christi é uma das maiores igrejas de Cracóvia. Combina diferentes estilos arquitetônicos: gótico, renascentista e barroco. Foi fundada pelo rei Casimiro, o Grande. Numa de suas naves, está o altar-túmulo de São Estanslau de Kazimierz ( 1433 - 1489 ), considerado milagroso.


Um dos acessos à Basílica de Corpus Christi

São Estanislau de Kazimierz foi pregador, abade e confessor no Mosteiro dos Cônegos Regulares Lateranenses. Na Igreja de Corpus Christi, ela fazia sermões que o tornaram famoso pela sua fé e pela sua forma convincente de pregar. Seu últmo pedido foi para ser enterrado no chão dessa igreja. O túmulo dele tornou-se lugar de culto e peregrinação.


Detalhe da Sinagoga de Isaac

Parte importante do Conjunto Judaico no bairro de Kazimierz são as Sinagogas, entre elas, a Sinagoga Antiga, construída no século XV por judes tchecos, destruída pelos nazistas na Segunda Guerra, hoje transformada em um Museu de Cultura Judaica; a Sinagoga e Cemitério Remu, construída no século XVI e ainda usada como templo; a Sinagoga de Isaac, um belo edifício barroco, construído no século XVII, reconstruído nos anos 80. Visita aconselhada.



Detalhe da Catedral

Impossível visitar Cracóvia sem pensar na religiosidade do povo polonês. Todos os caminhos nos remetem a eventos religiosos, sejam os Caminhos ( assim designados ) de João Paulo II, o Caminho Cracoviense dos Santos, o Caminho da Santa Irmã Faustina.


Beleza das cores em diferentes igrejas.


Prometo que, ao retornar ao Brasil, num dia de paciência, procurarei, entre milhares de fotos, algumas muito especiais, que estão relacionadas ao tema superficialmente abordado agora. A Catedral de Sal  - na mina de sal de Wieliczka - e a devoção a Virgem de Czçstochowa serão temas de postagens posteriores - com fotos de Adriana Fuganti Wagner. 

Catedral de Sal - foto by Adriana Fuganti Wagner

Basílica de São Floriano

segunda-feira, agosto 15, 2016

Roteiro pela Polônia


Varsóvia 

A decisão de visitar a  Polônia incluía conhecer mais o  interior deste país tão bonito e tão diverso, com um povo corajoso e    trabalhador, resistente e  nacionalista, culto e  amante de sua história e de sua arte. Cabia, portanto, nessa decisão, uma visita a outras cidades, além de Varsóvia, a capital, e de Cracóvia, a segunda maior cidade polonesa.


Varsóvia

Escolha difícil, já que são muitas as cidades que atraem viajantes do mundo todo. Destacamos algumas, como Torún, a gótica cidade de Copérnico; Czestochowa, o mais importante centro religioso da País; Zelazowa Wola, onde nasceu e foi batizado Frederic Chopin. 


Posnán

Gdansk, onde não iremos desta vez , é conhecida por ter sido o local de início da Segunda Guerra e por ser a cidade-berço do Sindicato Solidariedade, liderado por Lech Walesa, que encabeçou as mudanças políticas e fez com que a Polônia iniciasse à saída do bloco da União Soviética. Está distante de Varsóvia 345 km. 


Posnán

Já que estaríamos na República Tcheca, nossa decisão foi tomada na visão do mapa, principalmente para otimizar o tempo disponível. Iríamos de ônibus desde Praga até a belíssima Wroclaw, cidade fascinante e lúdica, que muito nos encantou.  


Posnán

Após dois dias, iríamos para Posnán, cidade com mais de 600 mil habitantes e muitos anos de história. De Posnán para Varsóvia, onde ainda estamos,  são 303 km. Daqui,  iremos para Cracóvia. Tudo aconteceu em conformidade com o planejado - uma viagem bonita e tranquila.


Wroclaw

Cada uma das cidades visitadas - Wroclaw, Posnán, Varsóvia e Cracóvia - terão, separadamente, postagens no Correndomundo. Em Cracóvia, acompanharei meu neto a Auschwitz/Birkenau, para que ele veja um dos lugares mais dramáticos que conheço.


Wroclaw

Após a Polônia, seguiremos para Hungria - Budapest -  e para Áustria, fazendo , ainda, um bate-e-volta à Slovakia. O problema do mês de agosto é o número excessivo de turistas. Fora isso, a temperatura é agradabilíssima, e os campos e jardins estão bem bonitos. Bom mesmo que meus companheiros de viagem são maravilhosos. Obrigada, Adriana e Pedro. Dzie Kuje! Tomara que eu possa viajar mais com vocês.



Wroclaw

"Outrora eu era daqui, e hoje regresso estrangeiro,
Forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim.
Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei.
Eu reinei no que nunca fui"...


Fernando Pessoa


Wroclaw

terça-feira, novembro 15, 2011

Polônia : Varsóvia e Cracóvia

Varsovia:Centro Histórico reconstruído




















Quanto mais visito a Polônia, quanto mais leio sobre ela, mais admiro os poloneses - povo gentil, educado, batalhador e forte. Imaginem um País que , na Segunda Guerra Mundial, teve dois terços de sua capital completamente destruída , transformada em escombros, e que está agora totalmente reconstruída. Esse País também  parece ter - e manter - forte liderança na região. Foi o primeiro do Leste Europeu e dos Bálcãs a opor-se - e a derrubar em 1989 - o regime soviético que os oprimia.

Centro Histórico de Cracóvia




















A Polônia é um dos maiores países da Europa Central. Tem uma população em torno de quarenta milhões de habitantes e quase mil anos de história. Suas principais cidades são Varsóvia - capital atual - Cracóvia - antiga capital - Gdansk e Poznan - uma das mais antigas cidades polonesas, com mais de mil anos. Merecem todas elas uma visita , mas é melhor visitá-las fora de seu período de inverno porque é uma região bastante fria. Na escrita polonesa, vale observar,  predominam as consoantes e , ao contrário da Língua Portuguesa, o centro silábico não é vocálico. Gosto muito da língua polonesa, língua eslava ocidental, muito parecida com o slovaco e com o tcheco.


Cracóvia: Torre da Prefeitura


























Varsóvia é uma explícita declaração da capacidade que tem esse povo de reconstruir seu patrimônio.
Sua  reconstrução  foi feita tendo como base documentos , pinturas, fotografias e memórias pessoais, tornando-se como era antes da entrada dos nazistas. Com certeza, o resultado impressiona muito a qualquer visitante. O centro da cidade foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Varsóvia está localizada no centro do país, às margens do rio Vístula e distante trezentos quilômetros de Cracóvia. Há muito o que ver e onde passear nesta cidade com tantas ruas específicas para pedestres. É possível percorrer a pé grandes atrações como teatros, museus, igrejas, edifícios históricos, praças - a Praça do Mercado da Cidade Velha é um encanto - palácios, monumentos e Castelo real. Melhor evitar táxi, um dos grandes problemas do Leste.





















Quando eu passava férias na Slovakia, costumava ir a Cracóvia frequentemente. Para mim, ela é uma das cidades mais lindas do Leste Europeu. Costumo hospedar-me no Hotel Polônia (: Basztowa 25, Stare Miasto, 31-156 ), um três estrelas simples e agradável,  localizado quase em frente à Estação Central de Trens, num sólido edifício antigo, bem perto do Centro Histórico, onde eu costumo ir por um caminho mais longo - através de um parque belíssimo. Nessa cidade, Karol Wojtyla viveu durante trinta anos, antes de tornar-se João Paulo II. Assisti, nesta viagem,  a uma missa na Catedral de Santa Maria, onde ele também rezou por muito tempo. Impressiona a beleza e a imponência dessa igreja bem como a beleza do ritual e das músicas entoadas pelas fiéis. Há muito o que ver em Cracóvia. Sobre ela , já escrevi outras vezes neste mesmo blog.






















Comecei a visitar o Leste Europeu quando ainda era difícil conseguir visto para essa visita. Aos poucos, os países que o integram, foram-se tornando destaque no turismo internacional. Hoje o turismo é uma de suas maiores fontes de riqueza; não houve, entretanto, perda de identidade de nenhum deles. A Polônia , muito respeitosa com símbolos e bastante religiosa, é toda bonita - suas cores, seu artesanato de madeira , suas inúmeras igrejas e capelas, suas obras de arte, enfim, sua história, sua geografia e sua cultura.  Amo as montanhas Tatry, que formam uma cordilheira na fronteira da Polônia e Eslováquia. São pouco conhecidas e muito bonitas - um lugar a que se deseja sempre retornar.


terça-feira, julho 10, 2007

Revendo Cracovia e Varsovia


Meu filho em Cracóvia

Eu vivi minha infancia e parte da minha adolescencia numa fazenda, num meio rural de onde as mulheres soh saiam quando casavam, naturalmente com filhos de fazendeiros locais, exatamente como aconteceu com minha irma mais velha.


Cracóvia

Tia Antonia, irma de meu pai, era casada com tio Mario Conczwisky , filho de poloneses imigrantes. Parece-me que ele nasceu no navio que os transportava ao Brasil. Quando crianca, muitas vezes fui aa casa dos polacos, como eram chamados. Eu gostava muito deles, dos meus tios e dos meus oito primos.


A bela arquitetura polonesa

Fui uma crianca muito curiosa e apaixonada por mapas. Ouvia fascinada historias desses mundos distantes que eu sonhava conhecer . Sabia da existencia de poucos paises, um deles, eh claro, a Polonia desses meus parentes. Eles eram os unicos na regiao que plantavam alfafa, deixavam-na secar e faziam fardos para dar aos animais no periodo de inverno. Heranca cultural de antepassados...



Varsóvia

Faz onze anos que conheci a Polonia. Gostei. Com mais calma e conhecendo agora um pouco das linguas eslavas, retornei . Saimos de Kosice aa 23h, em trem leito, com camas macias, limpas e confortaveis, numa cabina para tres pessoas. Dormimos superbem. Chegamos aas 5h40min. Eu ainda me recordava bem da cidade, mas, ao mostra – la para meu filho, comecei a conhece-la melhor. Permanecemos quatro dias em Cracovia. Fomos depois para Varsovia, numa viagem de 2h45minutos , em trem direto.



Parques de Cracóvia


Cracovia tem aproximadamente mil anos de História e oitocentos mil habitantes. Conhecida como cidade de intelectuais e artistas, sofreu um pouco , enquanto vigorou no Pais o regime comunista. Tem hoje 70 museus, belissimos parques e jardins e muita musica nas ruas.  Sua Universidade eh a mais antiga da Polonia. Eh uma cidade catolica, com mais de 100 igrejas – inclusive uma de arrojada arquitetura moderna . Eh a cidade onde viveu Joao Paulo II - Padre Karol Wojtyla - durante trinta anos.


Bela música tradicional da Polônia

Visitamos a antiga cidade  de Kasimier, hoje um bairro de Cracovia. Ali morou Oskar Schindler, aquele  da Lista de Schindler, transformado num grande filme. Oskar era um tcheco, natural  da regiao de Moravia . Sua fabrica de utensilhos esmaltados possibilitou a fuga e a salvacao da vida de mais de mil judeus.



Cadeiras vazias: emocionante instalação

O cenario, entretanto, que mais me emociona eh uma praca que existe hoje no lugar em que havia um gueto de onde levavam os judeus para os campos de concentracao. Essa praca hoje tem, sobre ela, fixadas em pedras, muitas cadeiras pretas, dramaticamente distribuidas, porque os habitantes daquele lugar foram todos mortos e sobre elas nao mais sentaram. Apesar de tudo, eu acredito que a Humanidade eh boa ( Anne Frank).


 
Varsóvia

Varsovia eh uma cidade simpatia, bonita mesmo, embora nao tenha - para mim - o charme e o fascínio de Cracovia. Caminhei pela cidade seguramente uns 10 km! Vi muitos musicos e muitas flores . Tem uma arquitetura interessante , principalmente se a gente pensar que Varsovia foi 85% destruida durante a Segunda Guerra.





Centro de Cracóvia


PS. Se voces procurarem, neste blog, no ano de 1996 e em outros, vao encontrar uma fotografia minha com o mesmo casaco que apareco agora nas fotografias. O casaco estah tao velho , que rasgou nos bolsos e soh a paciencia da Cibele conseguiu recupera-lo para que ele fizesse mais esta viagem, seguramente comemorando seus 15 anos! Faco esse parentese apenas para dizer aas minhas criancas que, se teem como meta viajar, precisam economizar naquilo que eh superfluo, como roupas e mais roupas.

«Nunca altero o que escrevi», disse-me uma vez o meu mestre Caeiro. «Se o escrevi assim é porque o senti assim, e nada tem para o caso que eu hoje sinta de um modo diferente. Os meus poemas contradizem-se muitas vezes, bem sei, mas que importa, se eu me não contradigo? Há coisas nalguns dos meus poemas, sabe?, que eu não seria capaz de escrever agora, em ocasião nenhuma. Mas escrevi-as então, e essa é que foi a ocasião em que as escrevi. Por isso ficam como  estão.»

Fernando Pessoa