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sexta-feira, janeiro 02, 2009

É!


Chamba Valley - India




"Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz."
Caetano Veloso

domingo, agosto 17, 2008

Síntese 03



O que muito me impressionou nesta viagem:



















. a beleza e o colorido dos Templos ; 

. o número de trabalhadores, na Índia, para a execução de qualquer tarefa: por exemplo, dois funcionários por guichê, em alguns pedágios. Um recebia o dinheiro e passava para o outro, que emitia o ticket e o entregava para o primeiro, que o entregava para o motorista. A distância entre o carro e o guichê mal permitia ao primeiro funcionário mover-se - mas eram dois;

. o número de pessoas em qualquer meio de transporte: vi um rikishaw transportando 12 pessoas, camadas de pessoas sobre os ônibus e trens com pessoas penduradas nas portas e laterais;
.





















o profissionalismo do “fazedor de pacotes para o correio”, em Pondycherry – além de organizar minhas compras, colocá-las ordenadamente numa caixa, envolver essa caixa primeiro num plástico e depois no pano branco de seda ( obrigatório) , costurava-a com perfeição e escrevia destinatário e remetente com letra perfeita. Cobrou oito reais por tudo;

. o convite, entregue a Fabrício e Krithika por uma mãe, para a cerimônia de recebimento do nome que, no dia do primeiro aniversário, sua filha teria;

. a gruta de Nossa Senhora de Fátima , num estilo ocidental e português, com adereços de flores típicos colocados por indianos;



























. a lindeza da comida, no Sul da Índia, colocada sobre folhas de bananeira – para ser comida com as mãos - não precisando, portanto, lavar pratos e talheres;
.            
todas as histórias de São Tomé , na Índia, inclusive seu assassinato;

. o medo que senti , na Fronteira Índia - Paquistão, quando milhares de pessoas forçaram a passagem por um portão, guardado pela polícia . Eu me senti “prensada” em meio à multidão.Um policial , que retirava dali as mães com filhos no colo, abriu caminho para que eu saísse também;























. a cesta de frutas que comprei e dei, no Chamba Valley, para uma família de macacos – em pouco tempo , havia muitas famílias ali. Todos estavam tranqüilos porque as pessoas não os agridem. Foi uma festa que rendeu fotos para muitos turistas;

. a beleza das inúmeras cascatas nas estradas de montanha do Chamba Valley e o verde exuberante do lugar;

. as pastas e malas "acorrentadas "nos trens;
. as comprinhas em Auroville, Kanchiporan e Mysore;
. a beleza das Montanhas Azuis;

 






















 .como o nosso dinheiro "rende" na Índia : refeições custam três ou quatro dólares - comida indiana naturalmente porque restaurantes internacionais são mais caros;

. a grandiosidade das árvores, especialmente no Sul da Índia, a beleza das flores e a doçura das frutas;

. a gentileza de meus amigos indianos e as boas lembranças que muitos têm do Gugu;

. o quanto me emociona e encanta a Índia.

Bardejov




















. A beleza de Presov e Bardejov  na Slovakia;

. as lavouras de girassol florido;

. como gostei de ter visitado Miskolc ,na Hungria;

. o desejo de retornar sempre à Europa.

sexta-feira, julho 11, 2008

Índia : sobre fotografias e imagens

Chamba Valley

Foram quatro as fotografias que eu gostaria de ter feito hoje, mas não consegui fazer. E não as fiz porque sempre me sinto constrangida quando vou fotografar pessoas sem lhes pedir licença – para mim , é como lhes roubar a imagem.

As fotos, entretanto, que eu não fiz , estão feitas e gravadas na minha mente. Lamento , apenas, a impossibilidade de compartilhá-las com outras pessoas.

Faço um parênteses para contar , principalmente a Rosana e Fabianinha, o quanto pensei nelas e nas pessoas que fotografam bem, durante a viagem de Dalhousie a Amritsia.Os cenários estão prontos – e são belíssimos. As imperfeições, representadas por plásticos jogados na estrada ou construções feias, são ações do homem e não da natureza. É justo, no entanto, lembrar que a Índia controlar e motivar os habitantes para o não uso do plástico, existindo inclusive a cobiçada certificação de " Cidade Livre do Plástico".


A caminho de Dalhousie
                     
A primeira fotografia era de grupos de crianças que iam para a escola ou voltavam para a casa. Conforme a escola, penso eu, era a cor da roupa que usavam, sempre em tom-sobre-tom – às vezes com a echarpe branca. Vi um grupo com a roupa em tons de violeta : a calça mais escura, a túnica um pouco mais clara e a echarpe mais clara ainda. Belíssima. Vi conjuntos em tons de rosa, outros em tons de verde , azul ou vermelho. Todos lindos. E as meninas caminham com elegância e classe! Os meninos , bem limpos e bem penteados, usavam, em geral, conjuntos em tons de azul ou cinza. Caminhavam em grupos separados, meninos e meninas. Imaginem que o cenário de fundo eram montanhas, com o verde exuberante das árvores, ou rios que descem por entre caminhos de pedras ou cascatas que vêm de montanhas mais altas.Lindo!




Longa viagem: média 50 km /h

A segunda fotografia durou o tempo suficiente para ficar gravada na minha memória. Passei de carro por uma mulher, que pastoreava um rebanho de cabras. Naquele momento, as cabras pastavam tranqüilamente, e a mulher estava sentada à sombra de uma árvore , bordando um pano de seda . Ela, muito concentrada, olhava seu bordado; eu, esteticamente deslumbrada, olhava aquela cena.


Bem que eu gostaria de ter uma câmera " decente"...


A terceira fotografia também foi de uma mulher. Essa caminhava descalça, ao longo da estrada da montanha , com muita beleza e elegância. Usava uma roupa de seda azul – marinho, com duas estampadas florais, uma na calça e outra na túnica, em tons de rosa, e uma echarpe que combinava essas duas estampas. Usava brincos , colares e pulseiras de ouro, como é costume aqui. E na mão direita, levava uma foice! Certamente ia cortar feno para os animais.



Mac Load - Dalhousie

A quarta fotografia me mostrava uma cena de trabalho em família. Um homem, duas mulheres e uma menina plantavam arroz em “canteiros” perto de casa. Vi uma mulher portando um pequeno feixe de mudas, parecido com um maço de cebolinha – desses que a gente compra no mercado ou na feira. A outra mulher e a menina plantavam as mudinhas, enquanto o homem preparava o terreno. Todas usavam a roupa tradicional, em cores e estampas diversas, com suas belas echarpes. Estavam descalças e se moviam no alagado espaço da plantação de arroz. 



Próximo a Dalhousie, no Chamba Valley

É assim a Índia. A todo momento, surpreende e emociona com “fotografias” lindas, todavia não materializadas – mas que me deixa hipersensível.




Graça e elegância




quarta-feira, julho 09, 2008

Chamba Valley





















É difícil para mim pensar em Mc Leod Ganj como Índia. É Tibete. E eu ainda cheguei lá no dia do aniversario do Dalai Lama. Muitas bandeiras coloridas nas montanhas, ao vento, para espalhar mantras, marcavam esse dia tão especial para os tibetanos. Fiquei dois dias lá. Fui ver Fabrício , Krithika e as crianças. Afetivos, maravilhosos.





















Revi também outras pessoas, como o gerente do Green Hotel, que é tão meu amigo, e os muitos meninos tibetanos, que trabalham ali e que me aguardavam com alegria e espontaneidade. Não me cobraram a primeira refeição que fiz , como sinal de boas vindas.Fui ao templo budista, fiz compras em lugares que eu conhecia, passeei apesar da chuva persistente.























Saí de lá hoje cedo, em direção a Chamba Valley, passando por Dharmsala. Como viajei por estradas de montanhas, foram 7h para percorrer 140 km – uma média, portanto, de 20 km/h. Ótimo que tenha sido assim porque o panorama que se vê é belíssimo...o tempo todo. As estradas são estreitas, feitas para um carro só. Quando vem outro carro, o que tiver melhores condições pára, às vezes dá ré, e procura ajudar o outro carro a passar. Mesmo assim, a distância entre um espelho e outro não deve ultrapassar a três cm. Sempre me surpreende essa precisão e solidariedade e ajuda mútua; entendo, entretanto, que é questão de sobrevivência.






















Muito bonito ver as elegantes mulheres indianas, com suas roupas de seda, coloridas, às vezes com muitos bordados, pastoreando animais ou carregando comida para eles. Também vi muitas crianças saindo da escola – as meninas vestindo “salwar , kamiz & chunni “ ( calça, túnica e echarpe ) em tons de rosa. Lindas! Aproximando-se de Dalhousie, surgem as casas entre as florestas das montanhas. São casas de duas águas, com telhado em pedra azul acinzentada. Dalhousie está espalhada entre cinco montanhas ,com alturas entre 1300 e 2400 metros. Onde estou, no centro da cidade, predominam os prédio de hotel, que estão espalhados também nas montanhas e são pintados com cores fortes, principalmente vermelho e verde, proporcionando fantástico panorama.























Estou, sem preconceito, conhecendo a parte “moderna”da Índia. Dalhousie foi fundada em 1853, por Lorde Dalhousie, governador geral , nesse período. Cheguei aqui pela leitura da biografia de Rabindranath Tagore, prêmio Nobel de Literatura, que veio , em 1873, passar , com seus pais, alguns meses em Dalhousie “ alternando estudos e orações com passeios por lugares esplêndidos dessa parte do Himalaya “. Dele, estou lendo agora “Lipika”, em italiano, um texto de comovente beleza. Lembro-me , agora, que meu contato inicial com textos de Tagore, ainda na Faculdade de Letras em Alegrete. Foi nas aulas de Débora Merten, professora e pessoa de quem eu gostava muito - e ela gostava muito de mim tamb'em. Como um professor inteligente e de personalidade forte pode marcar uma aluna e tornar-se lembrada mesmo depois de tanto tempo - e com saudades.