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segunda-feira, março 09, 2015

Malta - anseio por conhecê-la!




Há muito tempo, desejo ir  à  República de Malta,  interessante arquipélago do Mediterrâneo. Partir do Brasil e estar lá por pouco mais de uma semana, não me parecia sensato e produtivo. Estando em Madri, entretanto , essa andarilhada  se tornou  bem mais viável e econômica.


Map of Malta



Como é minha primeira visita ao lugar, estou, então,  estudando essas ilhas  minuciosamente - a geografia, por onde sempre começo, a história, a cultura e a arte. Já estou convencida de que fiz uma boa escolha. Li que cinco dias eram suficientes para conhecer Malta. Como sou mais lerda que minuciosa,  optei por permanecer oito dias.




A República de Malta está muito próxima do sul da Sicília - apenas 93 km. É um dos menores países da Europa, mas com alta densidade populacional. Tornou-se independente do Reino Unido em 1964. Atualmente, é membro das Nações Unidas e pertence à zona do Euro. Faz parte do Acordo de Schengen - necessita-se portar um seguro-saúde. Brasileiros não precisam de visto.




Pelas fotos que vi, a costa maltês é bastante recortada, com muitos portos e baías, apesar da pequena dimensão das ilhas. A capital do arquipélago é Valetta, declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Pode-se dizer que é um país bilingue - fala-se lá tanto o maltês, língua com forte influência árabe, como o inglês.






O Arquipélago de Malta - que também é conhecido como Terra do Mel pela excelente qualidade desse produto - tem atualmente uma população de 425 mil pessoas.  Tem uma história bastante rica e muito antiga - 4 mil anos a.C. Já serviu como cenário de alguns filmes, como Popeye, protagonizado por Robn Williams.




Já listei algumas atrações que, pelas leituras que fiz e pelas fotos que vi, pareceram-me imperdíveis. Entre elas estão: as paisagens costeiras; as ilhas de Malta,Gozo e Comino; os templos com idade entre 3000 e 2200 a.C.; as fortificações de Valetta e o Porto; Mdina, a antiga capital de Malta; os mosaicos de uma antiga vila romana, perto de Mdina.




Quero ver também o Museu da Segunda Guerra, o Museu Nacional e o Museu de Belas Artes; Rabat, que conserva os restos de uma cidade romana que foi sua origem; Vitória, a capital de Gozo; a Catedral de São João, rica em obras de arte; Senglea, Vittoriosa e Cospimas, cidadezinhas do outro lado do porto, em frente a Valetta; a Mdna Glass, que faz obras de arte em vidro.



Quero caminhar muito; fazer travessias de barco; ver o por-do-sol na praia, que é sempre bonito; olhar os jardins, que devem estar lindos na primavera. Quero, ainda, encontrar um povo que valorize a paz porque já viveu e sofreu com a guerra. Faz tempo que não vou a um país pela primeira vez. Estou curiosa e ansiosa em relação à Malta. Que meu Anjo da Guarda esteja espertíssimo....porque eu já não estou tanto assim.



" Ter pressa é não saber chegar.
Vou devagar.
Vou devagar porque o que é sorte,
E o que é morte,
Não as busco, não as evito,
Vem-me buscar.
Por isso vou sob o infinito
Sem me apressar."

Fernando Pessoa

PS As fotos eu as fiz no Parco Giardino Sigurtà, na Itália , no Vêneto , em 2014.

quarta-feira, abril 23, 2014

Parco Giardino Sigurtà : um milhão de tulipas.

Suavidade do verde e  forte cor da tulipa

Sou campesina por origem e natureza. Amo hortas, pomares, jardins. Seguramente, herança familiar dos Menini/Menine. Meu pai - que morreu aos 44 anos - deixou muitas árvores na Bela União, algumas delas pouco comuns na região, como maçã, caqui e ameixa.

Minhas tulipas preferidas

Tio Estêvão Menine, irmão de meu pai, colecionava variedade de flores na sua chácara, em Rosário do Sul. Lembro-me de que ele nos presenteava com sementes, bulbos e mudas de papoulas, cravos, tulipas e roseiras, que minha mãe as plantava  no jardim da casa. Na minha memória , as roseiras eram arbustos muito grandes e tinham flores bastante perfumadas. Talvez esses arbustos me parecessem tão grandes porque eu era muito pequena.

Combinações de altura e cor das tulipas

Preciso, por minha história de vida,  de terra para sentir-me plena, mesmo que seja um pequeno espaço como o que tenho em Torres. Parques e jardins constam sempre nos meus roteiros de viagem. Imaginem, pois, minha euforia ao saber que , perto do Lago di Garda, no Valeggio sul Mincio ( Via Cavour 1 - 37067 Valeggio sul Mincio (Verona) havia um mega - super - famoso parque e jardim, chamado Parco Giardino Sigurta (www.sigurta.it ) com 600 000 metros quadrados de extensão.
Composições lindas

E justamente, no mês de abril, o Sigurtà estava promovendo a Tulipanomania, um espetáculo considerado o mais importante da Itália e o mais rico do Sul da Europa. Milhares de visitantes vêm  apreciar nada menos que um milhão de tulipas floridas, com as mais variadas e raras cores e formas. Para quem gosta de fotografia, concursos em diferentes níveis e uma fantástica mostra de câmeras em mãos de apaixonados fotógrafos profissionais, amadores  e principiantes.

Um dos 18 espelhos de água do Giardino

Em 2013, recebeu o prêmio de Parco più bello d' Italia.  Além do milhão de tulipas, com 300 variedades, pode-se, ainda, admirar 18 espelhos de água onde proliferam flores de lótus;  um labirinto com 1500 plantas, articuladas num percurso de 2500 metros quadrados; 30 mil roseiras que formam a Vialle delle Rose e muitas outras plantas, como dálias, hortênsias, jacintos, narcisos, lírios ,muscaris e amores-perfeitos.

Cores alternadas em todo o Giardino

O Parque teve seu início em 1417, quando Contarini, um nobre homem italiano, construiu uma Domus Magna - Casa do Patrão - num campo de fazenda. Em 1616, a propriedade passou à familia Guarienti que começou a construção de um jardim com uma estrada panorâmica. Em 1776, a família Maffei obtém o direito de usar as águas do vizinho rio Mincio para irrigar as terras, constroi um pequeno castelo e modifica o jardim, inspirando-se no modelo inglês.
Alegria dos fotógrafos

Em 1836, a propriedade passa para a família Nuvoloni. Em 1859, Francesco I da Áustria e Napoleão III da França foram hóspedes dos Nuvoloni.  E , em diferentes momentos, assistiram às sangrentas  batalhas de Solferino e San Martino, que atingiram 40 mil pessoas , entre mortos e feridos. Depois desse terrível conflito, veio  a assinatura do armistício que pôs fim a Segunda Guerra de Independência Italiana.

Verdadeiras raridades em cores e formas
Há um fato interessante de relembrar que está relacionado com essa Segunda Guerra de Independência Italiana e as batalhas mencionadas.O suíço  Henry Dunant, observando a generosidade das mulheres da região, que amorosamente socorriam todos os feridos, sem distinção de nacionalidade ou divisão interna, teve a inspiração para gestar a base de uma organização humanitária, que se tornou depois a conhecida Cruz Vermelha Internacional.
Combinações diversas e harmoniosas

Em 1929, o complexo foi adquirido por Maria Paulon, esposa de um conhecido médico da localidade. Doze anos depois, em 1941, vendeu a propriedade toda a Carlo Sigurtà, um industrial  farmacêutico de Milano. Em 1978, Sigurtà abre o Parque Jardim ao público e continua a aprimorar o investimento, ampliando-o e mantendo-o ecologicamente viável e protegido.

Rio Mincio
Ainda hoje a gestão do Parque pertence à família Sigurtà. Magda e Giuseppe Sigurtà , netos de Carlo, cuidam, cotidianamente, com esmero e paixão, desse complexo, cumprindo, assim , promessa feita aos seus pais. A expressão de reconhecimento desse trabalho veio com o prêmio de Parco più bello d`Italia, em 2013.
Fonte com água potável

Todo o Parco Giardino Sigurtà, distante 25 km de Verona , 25 km de Mantova e 150 km de Milano,  contribui para o estudo da arte e da história , hospedando tesouros arquitetônicos, como o castelinho, o labirinto, a ponte sobre o rio Mincio e uma admirável coleção de fontes.

Arvore com mais de 400 anos
A árvore mais antiga , entre as existentes no Parco Giardino, é esta quercia - em português, carvalho - que tem mais de 400 anos e seis metros de circunferência. Sua copa, que lembra a cúpula de uma catedral, sustentada apenas por uma pilastra, cobre uma superfície de mil metros quadrados. Espetacular presente da natureza e de quem a cuidou e conservou.

Difícil selecionar as fotos - todas lindas!

Nossa ida ao Giardino,  a partir de Sirmione, foi feita em táxi. Nosso retorno, após almoçar num excelente restaurante em Valeggio sul Mincio ( La Borsa ) foi bem mais interessante  e informativo. De ônibus , fomos até Peschiera sul Garda, onde, após um passeio, percorrendo as principais vias dessa pequena cidade, tomamos outro ônibus que nos deixou em casa.

Detalhes avistados no percurso do Parque
O Parque fica aberto ao público de 8 de março a 2 de novembro. A exposição de tulipas, em 2014, realiza-se no período de 8 de março a 20 de abril , das 09h às 18h. Ao comprar ingresso, recebe-se mapa do local e informações de como locomover-se em seu interior, seja a pé, de bicicleta, em trenzinho ou em golf car.Há lojinhas que vendem , além de postais e souvenirs, sementes e mudas de plantas diversas. Este é um passeio que eu aconselho para quem curte natureza e belos cenários.

Passeio bem recomendado!

" Debaixo de onde altos ramos
Fazem grande o arvoredo,
Solitariamente vamos,
Num colóquio que calamos,
Cada um com seu segredo."

Fernando Pessoa
De onde vem essa beleza toda?