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segunda-feira, maio 28, 2018

Zagreb, visite-a. É bem interessante. Parte 2


                                                    Sobre o que iremos escrever neste post?


Creio que, entre  os cemitérios mais famosos ou conhecidos, estão na França, em Paris, o Père Lachaise; na Argentina, em Buenos Aires, o  da Recoleta; nos Estados Unidos, em Washington DC, o de Arlington; na República Tcheca, em Praga, o  Old Jewish. entre outros.... A Arte Cemiterial, portanto, vem fazendo parte dos roteiros turísticos há  alguns anos...



Arte Cemiterial
 

Costumo incluir cemitérios nos meus roteiros, desde que eu encontre, previamente, a informação de que há neles obras de arte para serem contempladas e admiradas. Cheguei em Zagreb já com essa informação. O Cemitério de Mirogoj ( Groblje Mirogoj em croata ) , que teve sua construção iniciada em 1876 e concluída em 1929, é realmente monumental.



Muitas flores e esculturas

A concepção do Mirogoj tem a assinatura de um  arquiteto  austríaco - Hermann Bollé. Ao longo do tempo, muitas obras foram sendo acrescentadas, o que pode ser verificado nas datas expostas. A mais construção mais recente foi do crematório, em 1984, seguindo uma tendência mundial.



Mais uma das centenas de esculturas daqui...

Para se chegar ao Mirogoj, tem-se algumas alternativas. A partir da Catedral, no Centro, ir de ônibus em , mais ou menos, 10 minutos. Fazer uma caminhada de pouco mais de meia hora, por bonitas ruas arborizadas - dependendo de seu preparo físico para enfrentar uma leve subida. A minha solução preferida é,  pagando ao redor de 7 euros, ir de táxi e descer direto no portão de entrada.


Acesso

Embora meu foco sejam as esculturas, a arquitetura e as artísticas decorações, é difícil não perceber a paz de um lugar, com árvores bem cuidadas e com a beleza dos túmulos, das igrejas e das majestosas e bem cuidadas arcadas de mármore. Para mim não é um lugar de tristeza - a tristeza vem, por conta da saudade,  quando nos deparamos com a morada de pessoas amadas - é um lugar de certeza: ou alguém tem esperança de ser esquecido pela morte?



Gostei da combinação de cores....




Esse cemitério foi construído num terreno de propriedade do linguista Lujdevit Gaj, localizado nas ladeiras da montanha Medvednica e se caracteriza por receber pessoas de todos os grupos religiosas, sejam católicos, ortodoxos, muçulmanos, judeus e protestantes. Abrigam também túmulos de pessoas não religiosas.


Folhagens ainda sem a brotação da primavera...


É um cemitério onde se podem ter belas lições de história. Ali se encontram túmulos de croatas famosos, como músicos, escritores, arquitetos, pintores, escritores, compositores e esportistas, como Matija Llubecko, ganhadores de Prêmio Nobel e, ainda, Franjo Tudman, o primeiro presidente da República da Croácia.



Uma das capelas


Acompanhamos duas cerimônias fúnebres no tempo em que lá estivemos. Uma em que havia profusão de flores, cerimônia religiosa com cortejo acompanhado pelo badalar dos sinos das igrejas: enfim, todo um aparato para ir da capela ao interior do cemitério. Pequeno intervalo, e havia outra, realmente clean ...  mas as duas com coral masculino à capela. Até chorei.


Levar  rosas vermelhas para as cerimônias fúnebres: tradição em alguns grupos


Tenho feito fotos bastante originais - como as cremações na beira do Ganjes - e outras com rituais bem diferentes dos nossos. Tenho, porém, a decisão de nunca publicar essas fotos.

PS. Este post foi escrito há vários dias e , por uma triste coincidência, publicado no dia de hoje - um dia que eu daria a minha vida para que ele não existisse. 





sábado, novembro 05, 2011

Letônia : cemitérios e memoriais




















Letônia  também tem, nos seus cemitérios, locais interessantes de visitar. No Cemitério dos Irmãos , as esculturas mais famosas são Dois irmãos, O Cavaleiro Perdido e Mãe Letã, trabalhos do escultor Kärlis Zäle. Nele, estão enterrados os letões que morreram em defesa do País na Primeira Guerra Mundial e na Guerra da Independência. No Cemitério Rainis, estão enterrados, entre outras pessoas, escritores, escultores, artistas plásticos e músicos.




















No Cemitério Florestal, iniciado em 1913, a escultura mais famosa é Mãe Chorosa, que assinala a morte de um ministro das relações exteriores do País, ocorrida em 1925, em circunstâncias nunca esclarecidas. O autor dessa escultura – Janis Rozentäls - também está aí sepultado. Eu queria muito ver o Memorial do Holocausto , na Floresta Bikernieki. Por sorte, depois de visitarmos o Museu do Automóvel, chamamos um táxi para retornar ao centro e, ao comentar com o motorista minha vontade de ver o Memorial, ele imediatamente prontificou-se a levar-nos, já que íamos passar perto, e esperar-nos na estrada próxima à Bikernieki. Assim fez, demonstrando emoção com o nosso interesse.






















Caminhamos uns cem metros para dentro da Floresta e lá estava esse Memorial, inaugurado em 2001, no lugar onde os nazistas executaram e enterraram quarenta mil judeus, trazidos da Alemanha e de outros países europeus ocupados entre 1941 e 1944. No centro do pavilhão, na entrada do Memorial, numa grande pedra escura, está escrito ( tradução): “Ó terra, não cubras o meu sangue, e não haja lugar em que seja abafado o meu clamor.” ( Jô 16: 18).





















Esta foi a visita que mais me abalou emocionalmente na Letônia. Eu via setores com o nome de cidades que conheço, como, por exemplo, Brno, Praga, Frankfurt e Colônia, e que considero pacíficas e bonitas e pensava no que o ser humano é capaz quando encontra um grupo e um ambiente afins com suas idéias – ainda que de destruição, morte e dor. Nessas horas sempre penso na dor de pais que perdem filhos, dor maior que alguém pode ter.