Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

domingo, fevereiro 16, 2020

Passeios perto de Torres/RS

Balneário Gaivota


Continuo pensando que gostar de viajar  é mais  movimentar-se do que vencer distância. É mais simplicidade do que sofisticação.  É mais surpreender-se do que extasiar-se. É olho limpo para fazer descobertas e ver detalhes. É  transformar passeios rápidos em alegres viagens, mesmo que seja ao redor de onde se vive - ir de Alegrete a Rivera;  de Santa Maria a Vale Vêneto; de Salvador a Itaparica; de Torres a Sombrio...



Balneário Gaivota


Com minha maravilhosa e grande amiga Adriana Wagner,  fiz ontem a concretização do que referi acima. Passando pela ponte que conecta Torres (RS) a Passo de Torres (SC) , cerca de 500 metros da minha casa, fomos ao Balneário Gaivota, pequeno, limpo, arrumadinho, com amplitude de areia e mar e restrito número de pessoas -  belo panorama com tudo que a paz deseja. 



Ainda a paz de Gaivota...


Conhecido por suas praias e lagoas, Balneário Gaivota,  com  aproximadamente 12 mil habitantes, é município limítrofe com Sombrio, para onde fomos na continuidade desse passeio. A primeira curiosidade que desperta Sombrio, está relacionada com sua denominação, ainda mais porque se faz logo a referência a dois outros municípios da região : Ermo e Turvo..



Igreja Matriz de Sombrio


Parece mesmo que a denominação de Sombrio vem de quando havia  ali, onde hoje é a cidade, apenas um lugar  de passagem, com muitas figueiras gigantes que projetam densas sombras e, por isso, bastante úteis para fuga do calor e descanso dos tropeiros que traziam gado de Laguna para Viamão - antigamente, como se diz, na minha região, referindo a tempo passado.



Centro de Sombrio


Sombrio está no extremo Sul de Santa Catarina, distante 7 km do mar e 24 km de Araranguá, a maior cidade dessa região. Tem cerca de 27 mil habitantes - basicamente açorianos, italianos e alemães. Conhecido por sua natureza exuberante e por ser lugar de turismo de compras, Sombrio recebe, em especial,  lojistas e atacadistas principalmente do Rio Grande do Sul. 



Rio Araranguá chegando ao Oceano


Após um café e algumas comprinhas - atração local em Sombrio -  novamente pela BR 101, seguimos em direção a Araranguá para ver Morro dos Conventos, bela praia e espaço de saudade na minha vida, especialmente da saudade da infância de minhas crianças. Já escrevi. no Correndomundo, sobre o Morro dos Conventos. Podem ver esse relato em https://correndomundo.blogspot.com/search/label/Morro%20dos%20Conventos





                                                                                      Adri, no Morro do Farol



Retornamos, à noite, para Torres. Diversidade observada. Bonitos lugares visitados.  Intermináveis conversas - dessas que só se têm com amigas e amigos verdadeiros.  Reminiscências de vida, explicitação de projetos, memórias de viagens, preocupações, planos e sonhos. Comidinhas, cafés, comprinhas, fotos. Um bate-e-volta perfeito. 




                                                         Morro dos Conventos


"Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no Inverno os arvoredos,
Nem pela Primavera
Têm branco frio os campos."

Fernando Pessoa


                                                                                Morro dos Conventos

sexta-feira, janeiro 12, 2018

Serra Gaúcha: Passeios e Natal Luz

Pedro , em  2012 e em  2018, na Serra Gaúcha.



Texto de Maria Gessi Bento



Para quem vive no Sul do Brasil, passear na Serra Gaúcha é programa rotineiro : no verão, Natal Luz;  na Páscoa, chocolates;  no inverno, expectativa de neve; na primavera, mar de flores; em todas as estações, passeios e divertimentos para a criançada e gastronomia excelente para a família inteira. É  local também para a gente levar visitas e exibir-se com a beleza da região.




Igreja Matriz de Gramado


Estive na Serra e nos vinhedos de Bento Gonçalves, na semana passada. Fui, com Pedro, mostrar a região para Flávia e Cláudio Zoppi, meus - como se diz em Salvador  - sobrinhos da alegria.  Vimos , ainda, os últimos dias do  Natal Luz, cuja decoração este ano, nem em Canela, nem em Gramado,  foi a mais bonita que vi. Fala-se  muito na semelhança desse evento com similares da  Europa... embora , de europeu mesmo, só me pareceram os preços. 




                                                                     Rua Coberta - Gramado



Muitos, mas muitos mesmo, visitantes. Gente de todas as idades por todo lado onde se ia - estava como Torres nas festas de fim de ano. A programação de Gramado/Canela inclui show de luzes, espetáculos de teatro relacionados ao Natal, música ao vivo na rua e em restaurantes, decorações natalinas por toda parte e as belezas que a Serra mostra sempre.





                                                                      Centro de Gramado



Como disse Cláudio, a região parece cenário de contos de fada. Além das cidades serem lindas, as estradas parecem jardins continuados. Além das flores e dos pinheiros, vêem-se amiúde árvores frutíferas e ornamentais muito bem cuidadas. Compram-se , nessas estradas, pêssegos, ameixas, figos e uvas - novinhos, sadios e recém colhidos por preços bem abaixo dos mercados das cidades. 




                                                           Araucárias típicas da região serrana




Araucárias  são árvores muito altas, características de lugares mais frios, como a região a região da Serra.Têm o desenho bem característico, que se pode observar na foto acima, exibindo uma copa arredondada e majestosa. Sua altura pode superar cinquenta metros. Nos meses mais frios, seu fruto, o delicioso pinhão, que se come cozido, é abundante e bastante apreciado - atualmente incluído em alguns pratos típicos da região.




                                                             Cascata do Caracol em Canela
                                                           


O que ver na região da Serra Gaúcha está minuciosamente descrito em revistas de viagem e turismo, blogs e publicações diversas. As atrações todas são mostradas em fotos e reportagens exibidas em todo o Brasil e em muitos países estrangeiros. Há lugares de visita obrigatória, como a Cascata do Caracol e o Lago Negro, mas há muitos outros a descobrir e desfrutar.




                                              Igreja Matriz de Canela vestida para o Natal
                                                                    


" É bastante fácil ir de Torres à Serra Gaúcha. Basta ir pela BR 101 até Terra de Areia, entrar na Rota do Sol e , depois, na RS 020. Estradas boas e com paisagens fantásticas - em torno de 170 km (...) Ostentando o título de roteiro turístico mais seguro do Brasil, Gramado é realmente uma cidade para visitar com família, sejam adolescentes ou crianças, em qualquer estação...."   http://correndomundo.blogspot.com.br/2015/08/vamos-gramado.html





                                                    Gramado: decoração de Natal em 2018




Quem visita a Serra Gaúcha - ao menos aqueles que o fazem pela primeira vez - experimentam o seu já conhecido Café Colonial, um desses exageros que não aconselho repetir, em que são oferecidas mais de cinquenta especialidades típicas da região e de cada Café, entre pães, geleias, carnes, salgados e doces em variedades e quantidades exageradamente fartas. Além disso , é óbvio, café, chocolate, suco de uva e vinho. 




                                        Detalhe do que é servido num típico Café Colonial



Para jantar, minha sugestão é Sequência de Fondue,  prato suiço, originalmente preparado à base de queijo.  Na Serra, em geral,  a Sequência começa com fondue de queijo, servido principalmente com vegetais. Depois, muitos molhos acompanham o fondue de carne, com frango e filé. Para a sobremesa, fondue de chocolate com frutas diversas. Come-se bem - sem os exageros do Café Colonial. 



                                                                Fondue de Carne



Para ir à Serra Gaúcha, é aconselhável reservar hospedagem com antecedência, principalmente no mês de julho e nos meses de verão. Desta vez, ficamos hospedados na tranquila Pousada Caminhos do Caracol, na estrada que vai à Cascata - um estabelecimento  em que o conforto está aliado à simplicidade. Atendimento ótimo, apartamento agradável. Café da manhã muito bom. Tem o site www.pousadacaminhosdocaracol.com.br




                                                               Pousada Caminhos do Caracol



Na Serra Gaúcha, as cidades são muito bonitas embora tão preparadas para o turismo que, por vezes, parecem artificias. São salva pela natureza que as impregnam e tomam conta de seu entorno. Elas estão sempre entre araucárias e flores, que seguem a ronda das estações. São os amores-perfeitos, as camélias e as magnólias; depois, vêm as azaleas; e , em novembro e dezembro, o reino das belas hortênsias. Lugares para visitar em qualquer estação do ano.



                                                               Região das Hortênsias



Depois da visita a Gramado e Canela, passando pela bonita Nova Petrópolis, fomos aos Vinhedos de Bento Gonçalves - uma visita rápida com gosto de quero mais. Selecionei apenas uma foto para postar aqui e me lembrar do quanto esse local se parece com a Toscana. Certamente voltarei aos Vinhedos e à Toscana. Saudades...


                                                          Vinhedos de Bento Gonçalves




segunda-feira, janeiro 01, 2018

Torres: 2018 chegando...




Todas as fotos deste post são de Fabiana Menine. Foram feitas na Praia Grande, durante a tradicional e fantástica queima de fogos, com que , à meia noite, o Ano Novo é recebido. Fabiana não trouxe suas câmeras. Ela  usou, então,  a minha Canon SX50 HS, que não tem muitos recursos.






Torres , a cidade praiana onde moro , está localizada no extremo norte do litoral Atlântico do Rio Grande do Sul. Suas extensas praias foram agraciadas com  bonitas paisagens, incluindo paredões rochosos à beira - mar e a visão da única ilha marítima do Estado, a Ilha dos Lobos.







As praias de Torres estendem-se a partir do rio Mampituba, divisa natural entre  Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No Mampituba, há duas pontes, em local central da cidade, que faz a ligação  entre  Torres e  Passo de Torres, cidade catarinense : uma ponte  pênsil ( que Deus me livre de usá-la ! ) e uma ponte nova que garante o trajeto de pessoas e carros.








De março a final de novembro, Torres é a cidade dos meus sonhos - embora eu não permaneça nela por muito tempo. Com cerca de 40 mil habitantes, é tranquila, razoavelmente bem cuidada, com boa infraestrutura de cafeterias, restaurantes, supermercados, atendimento médico e , principalmente, luz, água, esgoto e rede de internet  suficientes para seus moradores.








Dezembro, janeiro e fevereiro instala-se o caos, especialmente  no período de Natal e no Ano Novo. A cidade recebe cerca de 300 mil pessoas - lembrem que sua população fixa está ao redor de 40 mil.  Passamos a ter problemas como falta de luz e falta de água todos os outros desses decorrentes. Estacionamento no centro...nem pensar. Por que a prefeitura ainda não instituiu  áreas com estacionamento pago? Isso evitaria, ao menos, que pessoas deixassem seus carros horas e horas no mesmo lugar...








Apesar de enfrentar problemas decorrentes de uma especulação por vezes predatória e da falta de conscientização patrimonial e ambiental,  Torres conta com quatro áreas de preservação: a reserva ecológica da Ilha dos Lobos, pertencente à União; o Parque Estadual de Torres; o Parque Estadual de Itapeva e o Parque Estadual Da Guarita. Algumas ONGs trabalham para proteger esses espaços, evitando invasões e degradações. 








As atrações oferecidas pela cidade aos seus moradores e visitantes estão relacionadas à natureza, como os Parques, acima enumerados, e as praias: Praia Grande, Prainha, Praia da Cal, Praia dos Molhes, Praia da Guarita - a mais famosa - Praia de Itapeva e Praia Paraíso. Bem interessante também é uma visita ao Morro do Farol e à Lagoa do Violão. Fora isso, o clima é agradável e a violência, controlada.









Além desta grande festa que saúda a entrada do Ano Novo, Torres tem o Festival do Balonismo, um espetáculo de plasticidade e beleza, bastante conhecido no Brasil, quando mais de 50 balões enfeitam os céus, propiciando belas fotos e encantamento à população local e aos visitantes. Em dezembro, a abertura oficial da temporada de praia tem contado com belíssimas apresentações da Orquestra Sinfônica De Porto Alegre, na Praia da Guarita. 








Pela sua localização, Torres propicia fácil acesso a  outros lugares que merecem ser visitados tanto no Rio Grande do Sul,  quanto  em Santa Catarina. Menciono alguns como  Gramado, Canela, São Francisco de Paula, Cambará do Sul, Serra do Rio do Rastro, Região dos Cânions, Laguna e Morro dos Conventos. É, ainda, de fácil acesso a Porto Alegre, de onde está distante um pouco menos de 200 km. Certamente você gostará de visitar Torres, conhecida como a mais bela praia gaúcha.





x

domingo, outubro 22, 2017

Alegrete: 75ª Exposição Agropecuária/2017

Parque Dr. Lauro Dornelles

" O município de Alegrete possui o maior rebanho bovino do Estado e o segundo maior rebanho de ovinos, sendo que o produto desses animais são apresentados nas cinco feiras oficiais promovidas pelo Sindicato...


Parque Dr. Lauro Dornelles

...É com este cenário que,  há muitas décadas, no mês de outubro, o Sindicato Rural de Alegrete promove a Exposição Agropecuária de Alegrete, marca forte no campo (...) em sua 75ª edição (...), a expofeira representa tradição, inovação e qualidade..."  Reproduzido de material de divulgação do evento.


Parque Dr. Lauro Dornelles

A Exposição Agropecuária de Alegrete, com seus 75 anos de existência, mostrando mais de cinquenta raças criadas na região, é um evento que recebe tradicionalmente a visita de muita gente, mesmo de pessoas como eu, que nada vão expor e nada vão comprar.


Ovelha Crioula

Um passeio bem recomendado, tanto para adultos quanto para crianças, mesmo para aqueles que não tem, diretamente, suas raízes no campo. Para quem é da região, um evento que possibilita encontrar amigos de longa data. Encontrei lá, por exemplo,  Airton e Antônio Ângelo Amaral, Adalberto Brum Siqueira, conceituado professor da Universidade Federal de Santa Maria, de quem fui colega em 4+4 anos na Reitoria da UFSM.


Vestuário típico da Região 


Observei interessante presença de famílias - homens e mulheres,  crianças, jovens, adultos e idosos - participando do trato e do cuidado com os animais de diferentes propriedades. Muitos empregados rurais lá estavam trabalhando, usando suas elegante e tradicionais pilchas ( senti falta dos fofos nas bombachas, artesanato que parece estar desaparecendo no sul).



Aprendendo a laçar - ou começando a  pialar ou pealar..

Pareceu-me um pouco estranha a seleção de artesanatos, exibidos em setor específico da  Feira. Pouca valorização do artesanato gaúcho - pouca ou inexistente presença de tradicionais trabalhos feitos com couro e lã ( se estão desaparecendo, talvez seja o momento de incentivo ou recuperação desse item da genuína cultura gaúcha, seguindo, assim,  uma tendência mundial de valorização das peculiaridades locais. Triste ver cópias de personagens de Walt Disney entre os trabalhos artesanais mostrados.


Queria um desses! Gostei muito.

No site do Sindicato Rural ( www.conexaorural.com.br ), leio que os remates de bovinos e ovinos, realizados, na Expofeira, de 11 a 14 de outubro, já haviam movimentado cerca de 1 milhão e 300 mil reais e que o remate da raça Braford, realizado no dia 14, foi o recordista em números com a venda de 52 touros, totalizando R$ 427.920,00 com uma média de R$ 8.229,23. Não consigo avaliar se foram bons os negócios...Desculpem.


Adalberto Jr. e Simone
Do ponto de vista turístico, considero Alegrete um dos municípios gaúchos com grande potencial. Já há dois eventos que podem atrair muitos visitantes: a Exposição Agropecuária, referida nesta postagem, e a Semana Farroupilha ( penso que se deveria denominar Semana do Gaúcho ), referida em outras postagens, como : http://correndomundo.blogspot.com.br/2012/09/foi-o-vinte-de-setembro.html

Folder da Exposição Agropecuária de Alegrete e mais algumas fotos

Costumo dar indicações de acesso ao lugar indicado nas postagens do Correndomundo. Aqui está!

"Não me perguntes onde fica o alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e de violão
Pra quem chega de rosário ao fim da tarde
Ou quem vem de uruguaiana de manhã
Tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhado no rio Ibirapuitã..."

Nico Fagundes e Bagre Fagundes



Atenção e Cuidados
Atenção e Cuidados 2

quinta-feira, março 23, 2017

Cultura Gaúcha: Ritual de Visitas


                                                                     Bela União - todas as fotos

Com ensino, pesquisa e extensão,  atuei em meio rural, principalmente com formação de professores para áreas indígenas e para áreas de fronteira, por mais de 30 anos. Convivi com a realidade de professores leigos, e/ou com classes multisseriadas, ou com o isolamento de escolas bem distantes de centros urbanos. Desenvolvi projetos em seis estados brasileiros e  busquei informações em cinco países de área de fronteira. Realidade dura em lugares lindos.




Fui bastante próxima das comunidades e das famílias - fiz amigos de quem lembro com carinho e saudade. Difícil  separar educação e cultura. Difícil pensar em processos educativos sem considerar a cultura do grupo com que se trabalha. Impossível excluir cultura de qualquer lugar que se visite. Já escrevi que um viajante precisa ter olho limpo para perceber as nuances culturais de diferentes grupos, sem comparar ou sobrepor imagens. Comparações limitam o olhar - muitas vezes disse isso a meus alunos.




Estando agora, por um mês, em casa, na região da fronteira do Rio Grande do Sul - alegretense eu me considero - voltei a pensar sobre aspectos bem particulares da cultura gaúcha, no meio rural em que vivi, localizado entre Rosário do Sul e Alegrete, nas vizinhanças do Uruguai e da Argentina. Optei por escrever sobre o ritual de visitas, que tanto me impressionava na Bela União, antiga propriedade da minha família, lugar onde nasci e onde vivi até 15 anos de idade.





Visitas de parentes ou de amigos consolidavam laços interpessoais e aprofundavam vínculos afetivos. Possibilitavam  troca de informações, relatos de novidades e até confidências e comentários da vida alheia. Caprichavam-se nas roupas, tanto de quem recebia quanto de quem visitava. Arrumava-se a casa para dar boa impressão aos visitantes e desenrolar com bons modos o ritual todo - da chegada à partida.





Os visitantes usualmente chegavam aos domingos, pela manhã, se morassem um pouco longe; ou pela tarde, se fossem de vizinhos de perto. Eram recebidas pelos donos da casa - na falta deles, por algum adulto. Posteriormente, as crianças eram chamadas para dizer adeus - ou dar adeus - aos visitantes. Se fosse inverno, um licor de frutas, caseiro, era servido. Logo depois, fosse calor ou fosse frio, servia-se o chimarrão, que a pessoa tomava e devolvia a cuia, sem agradecer - o agradecimento significava que não queria mais mates.




Lembro-me que, após o chimarrão, vinha o momento em que se levavam as visitas para mostrar o jardim, a horta, o pomar ( arvoredo) e até alguns animais domésticos. Ofereciam-se mudas de plantas, sementes, algumas frutas - em pequenas quantidades, com elegância, para ser gentil, pois não se tratava de matar a fome de ninguém : muitas vezes ouvi essa explicação também na troca de presentes.





Ao retornar desse passeio ao entorno da casa, se fosse à tarde, servia-se  o café, sempre acompanhado de pães caseiros, roscas de farinha de milho, bolos ou bolinhos. Manteiga, mel,  geleias e queijos eram parte desse simples café, que se prolongava bastante, pela comida, que era muita, e pelas conversas bastante animadas.




Tenho bem presente a lembrança do pós-café. Os homens iam para mangueiras ou galpões ver as novidades agropecuárias, e às mulheres, mostravam-se álbuns de fotografia ou compras recentemente feitas na cidade. As conversas adultas aconteciam nesse momento. Era a hora em que as crianças saíam a correr e a brincar.




Nas despedidas, as visitas recebiam algum presente, que podia ser abóboras, mandiocas, batatas, verduras, frutas ou até mesmo charque ou linguiça. Não sei por quê esses presentes maiores eu os chamava  de presentes para estreitar relacionamento...Não sei se era desejo meu de conviver com a pessoa ou uma certa mesquinhez infantil. Sou mais pela mesquinhez - visitas me pareciam opressoras. Era bem mais divertido brincar com minhas irmãs, ainda que fizéssemos às vezes maldades umas para as outras....




Um dia talvez eu escreva sobre rituais de visita em comunidades bem diferentes da minha. Recordo-me, por exemplo, que, em alguns lugares do interior do Mato Grosso, assim que a visita chegava, perguntavam se ela queria tomar  banho - oferta divina naquele calorão! Acostumei-me, por isso , a carregar um vidrinho com shampoo na bolsa. 



Alguém lembra de simpatias para que a(s) visita(s) não demorasse( m ) ? A pequena e fugaz lembrança que tenho disso, faz-me crer que nem toda visita era bem-vinda.