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quinta-feira, dezembro 23, 2021

Mensagem à Família Menini(e) e aos meus amigos




                                                                             Torres 2021


O ano de 2020 foi triste, com muitas perdas de vida, poucas esperanças e nada de viagens. O 2021 foi triste como o ano anterior - no meu caso, acrescido da descoberta de outro câncer. Importa, no entanto, que há lutas de que podemos participar e há pessoas com quem gostamos de conviver. Que, em 2022, haja também mais beleza, solidariedade, gratidão, afeto e alteridade. Agradeço-lhes o tanto que recebi. Feliz Natal. 

Aldema M McKinney


                                                             Porto Alegre, 2020



sábado, outubro 02, 2021

Família Menini/Menine - 2a. Parte - Netos de Tobias

 

                                           
                                                              Minhas orquídeas

Como anunciei anteriormente, esta segunda parte do Família Menini/Menine  terá, como foco, os netos de Tobias MeniniA ordem de apresentação  será a mesma que foi usada no capítulo  relativo aos filhos dele, ou seja : Estêvão, Constância, Napoleão, Antônia Constantina, Bernardo, João, Maria Rosa, Constantino Sereno, Joaquim Luís, Tobias, Alberto e Abrelino Abreu.  Começarei, portanto,  pelos filhos de tio Estêvão, se possível, em ordem cronológica, do mais velho ao caçula obviamente. De todos eles,  procurarei  relacionar  nomes e incluir fotografias - lamentavelmente são poucas as que possuo.  Após as fotos,  será escrito  um texto sobre esse grupo. Importante observar que , não tendo todas as  certidões de nascimento de meus tios, a cronologia está comprometida tanto dos tios, quanto dos primos. Entrem em contato comigo, por favor, se encontrarem outros erros ou tiverem dúvidas - ou se quiserem me enviar novas fotos. Ressalva igual, serve para os filhos de meus primos, que será a última parte.  Bom domingo.


                                        
                                            Portugal - 2019

terça-feira, agosto 31, 2021

Correspondência às pessoas da Família Menini/Menine e aos amigos de nossos familiares

 


                                        Romênia, 2019 ( não bebo, foi só um brinde para a foto.

Queridos parentes, 

Continuo escrevendo a versão preliminar do Livro  de nossa família. Ao mesmo tempo, faço contatos com profissionais da área de edição para saber detalhes técnicos necessários à formatação dele. Gostaria muito que já estivesse impresso no primeiro trimestre de 2022. Após concluir o " copião", devo fazer uma revisão bem cuidadosa - já descobri erros meus tanto na escrita quanto na identificação das fotografias.

Sobre as fotos, sei que muitas terão de ser trocadas por outras mais nítidas ou mais coerentes com o texto escrito. As próximas postagens serão da tia Maria Rosa, do tio Quincas ( Joaquim Luís ), do tio Alberto, do tio Constâncio e do meu pai, concluindo, assim, o capítulo sobre os filhos do meu avô. O foco do capítulo seguinte  abordará os netos de Tobias Menini. A postagem constará do nome de cada filho de meu avó , seguido do nome dos netos Tobias. Não tenho fotografias de todos os meus primos-irmãos, e de alguns, não sei como localizá-las.  Como tenho algumas fotos muito bonitas e informativas dos bisnetos ( de Tobias ) penso postar uma sequência de fotografias dessa outra geração. Estou ainda pensando como fazer essa última parte.

Não necessito de fotos originais - as originais devolverei todas aos parentes que me as enviaram. Podem copiar e colar, ou fotografar a fotografia e mandarem para meu e-mail: aldemamenini@gmail.com. Ajudem-me, por favor, a localizar fotos e informações preciosas, como data de nascimento e nome com o qual foram registrados. Assim o livro ficará mais informativo para as próximas gerações.

Reafirmo que esse livro tem como objetivo oferecer às crianças e aos adolescentes informações da história de sua família - sabemos todos nós o quanto é relevante essa noção de pertencimento, que não se transmite com bens materiais, mas com historicidade e afeto. 

Está sendo uma alegria grande para mim este tempo de escrita do Família/Menini/Menine. Espontaneamente, muitos parentes me procuram e me ajudam na coleta de material. A eles, o reconhecimento da generosidade e a minha particular gratidão.

Carinhoso abraço,

Aldema Menini Mckinney

Torres, 31 de agosto de 2021 ( dia do aniversário de meu pai, Abrelino Abreu Menini )

domingo, julho 18, 2021

Família Menini/Menine -Tobias Menini / Texto 4/Parte 1

 

                                         Trabalho de Ronald Mckinney- Bela União


Recadinho para a família:

Os textos que estão recebendo através do Correndomundo, constituem a Versão Preliminar de um  livro que ainda vai entrar em processo de edição e cujo  título não está definido; 

tenho planos de revisá-lo, editá-lo  e encaminhá-lo para  publicação  no início do próximo  ano;

as  fotografias que  tenho dos Menini são insuficientes, e muitas necessitam de recuperação - logo as encaminharei para um profissional dessa área;

as fotos, portanto, que estão sendo mostradas nestas postagens, são apenas ilustrativas - poderão ser trocadas;

insisto na solicitação de cópias, tanto de fotos como de documentos - as fotos podem ser fde vocês  ou de seus antepassados da família Menini/Menine. Por favor, enviem-nas para aldemamenini@gmail.com. Acredito que posso agradecer por mim e por aqueles que, futuramente, lerão o Família Menini/Menine.

Desejo-lhes boa semana!   Torres, 18/7/2021.


                                 O do meio é meu pai. Alguém sabe quem são os outros?


Sobre Tobias, assim me contaram:

1 - Tobias Menini  chegou no Brasil vendendo "santinhos ", medalhinhas que trouxera da Itália. Trabalhou muito, fazendo  cercas de pedra e mangueiras também de pedra. Dizem que era muito trabalhador e esperto para negócios. Plantou milho, criou porcos e trocou porcos gordos por banhados, uma terra que não tinha valor, que era imprestável, mas que ele sabia aproveitar - talvez detivesse  técnicas de como drenar esses banhados...

Contaram - me esta outra história:

2 -  ... certa vez, um senhor, antigo morador da região, teria comentado com vizinhos que dera um "clavo" no gringo Tobias... trocara um pedaço de campo, um banhado, que não valia nada, por um porco grande e gordo! 


Tobias ( certamente Tobia sem o  s  ) Menini era filho de  Stefano Menini  e de Costanza Menini, meus bisavós paternos. O nome italiano Stefano foi abrasileirado  para Estêvão, um  nome com  grafia alheia ao sistema de escrita italiano, mas com pronúncia mais acessível na região. Esse  fato pode ser constatado no nome do Tio Estêvão, considerado o primeiro filho de Tobias, que recebeu, portanto, o nome ( modificado ) do avô.  No caso de meu tio, na sua certidão de nascimento, ele ganhou outra forma - ainda mais estranha: EstevoRepito, para que não fiquem dúvidas: Stefano, nome bastante comum entre italianos, era o nome do pai de Tobias, era o nome de meu bisavô, e do trisavô , tetravô ... de quem  os meus netos, Pedro  Menini e Massimo Menini Trindade,  são tetranetos!   

                                                        Nely Ribeiro, filha de Tio Estêvão


A mãe de Tobias chamava-se Costanza, nome que  também foi abrasileirado para Constância, ao ser dado por  meu avô à filha que conhecemos com o apelido de Pina, a Tia Pina, que nasceu  em 1900 - essas informações estão de acordo com a certidão de nascimento dela, feita a partir de declaração do  próprio Tobias Menini. 


                                                                 Itália - Veneza


Pretendo,  logo na próxima vez que eu voltar à Itália, tentar confirmar o exato lugar de origem dos  meus bisavós. Lembrem que eles terão de ser procurados pelos seus nomes exatos, ou seja Stefano Menini e Costanza Menini.   Rezem para ser possivel eu voltar a viajar ainda este ano - per volontà di Dio.


                                                          Um dos tesouros da Bela União


Minha intuição aponta para um determinado município como sendo o local de onde eles eram. Esclareço, entretanto, que intuição para mim é "leitura de sinais sutis, ligação subconsciente dos pontinhos" e , ainda " capacidade de reconhecer padrões" , como escreve o historiador Yuval Harari. 


                                                                 Mapa da Itália


"Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua.
Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem.
Se onde quero estar é longe, não estou lá num momento.
Sim: existo dentro do meu corpo...."

Fernando Pessoa


                                                        Itália - Parque Nacional do Vesúvio
                                  

sexta-feira, julho 16, 2021

Família Menini/Menine - Referente ao Sobrenome/ Texto 3

 

                                                                       " O mundo... "


As variações nos nomes e sobrenomes de italianos que vieram para o Brasil, aconteceram também com imigrantes de outras nacionalidades, como os alemães. O abrasileiramento é fato comum e muitas vezes necessário para se fazer entender, especialmente no interior, pelo desconhecimento, neste caso, da língua italiana, tanto na pronúncia, quanto na grafia. Aconteceu e continua acontecendo, observem-se os nomes próprios, que têm normas vigentes indicando que a escrita deles devem estar de acordo com a ortografia oficial - e, mesmo assim, mostram erros ortográficos que podem trazer problemas ao usuário. Muito me perguntam sobre o certo e o errado em relação à escrita de nosso sobrenome italiano. Parece-me, no entanto, que não se trata de certo e de errado, mas da escolha entre a escrita de acordo com o dono do sobrenome, no caso Tobias Menini, ou o abrasileiramento que se deu em nosso País.



                                                                           Touro Passo


Sofro desse mal, pois, além do Menini, com suas cinco variações, tenho nome e sobrenome considerados difíceis.  Conto-lhes o que me aconteceu há pouco, aqui em Torres. Na caixa de correspondência, encontrei um envelope, com caprichada identificação  do destinatário, onde estava escrito : Sr. Aldemar Maquiné - logo entendi que era eu. De Aldemar eu já havia sido chamada outras vezes;   Maquiné ( nome de uma localidade próxima ) era a leitura feita de Mckinney ( sobrenome de meu marido, americano descendente de escoceses). Também já fui identificada como Adelma Mikinney e outros tantos nomes. Costumo dizer que a todos já atendi, dizendo sou eu...e era! ... Atendo por diferentes  variações -  entre  Aldemar e Alfazema.


                                                                Como se chamam ela e ele?

Fabio Barbiero , no site https://minhasaga.org/nomes-italianos-em-portugues/ ,  exemplifica  a razão por que muitos nomes são abrasileirados, imaginando  lá nos idos de 1890 a conversa entre um italiano recém-chegado ao Brasil e um funcionário de cartório no interior do País. Transcrevo, a seguir, essa parte do texto de Barbiero:

  • Como o senhor se chama?
  • Io mi chiamo Giovanni!
  • Desculpe, como?
  • GIOVANNI!
  • Jovani?
  • Giovanni
  • Joani?
  • GI-O-VA-NNI
  • Ahhh entendi, João…
Tal confusão, na recepção dos sons e na sua forma escrita, foi a geradora, portanto,das variações no sobrenome de nossa família. Assim, a  grafia do sobrenome MENINI aparece com cinco variações: Menini, Menine, Minini, Menin e Meninni. Optamos por usar o sobrenome que usou Tobias - Menini. Meus filhos foram registrados como o  meu avô -  eles são Menini. É bom lembrar que, em caso de requerer cidadania, o sobrenome deve corresponder à raiz do pedido - em nosso caso, Menini com "i "no final.  Se registrados de outra forma , por exemplo Menine , torna-se necessário, então, fazer um processo de retificação, estabelecendo a uniformidade de todos os descendentes interessados no processo com o nome de nosso avô. Ressalto que  essa  retificação  só é importante para requerer cidadania. Fora isso, segue-se o registro de nascimento sem nenhum problema ou necessidade de alteração. 



                                                     Qual o parente entre esses dois gaúchos?



Conforme o pesquisador Ciro Mioranza, no seu Dicionário dos Sobrenomes Italianos, 1997, MENINI vem de MENI + mais a terminação indicativa de plural - INI. É provável que MENI seja uma redução coloquial de Domenico,  nome de cunho cristão. Em italiano, a terminação "I" indica plural ( libro - libri  ). Como curiosidade, acrescento que  Tobias Menini , seguramente, na Itália ou no Cantão Italiano da Suíça, chamava-se Tobia, sem esse S final, que não é  marca de plural na língua italiana e que não o encontro nos nomes próprios  dessa língua. Nomes, por exemplo,  como Mateus e Matias, em italiano, são Mateu  e Matia.



                                                                         Quem são estes?


Lembro-me de ter ouvido , quando criança, que Tobias havia dado a cada filho o nome de um de seus irmãos que ficara na Itália e, para meu pai, que foi o último a nascer, ele deu o nome do seu maior amigo - Abrelino Abreu - já que esgotara o nome dos irmãos que ele deixara no seu país de origem. É interessante notar que Abreu não é sobrenome italiano, mas português,  e significa agradecimento, doação. No caso de meu pai, estou convicta de que não é sobrenome, porque não aparece nos nomes dos seus outros irmãos, e,  entre italianos, é comum registrar-se só com o nome do pai. Portanto. Abrelino Abreu deve ser o nome e sobrenome do agraciado pelo meu avô.  

Sei  hoje que para o filho mais velho e para uma das filhas, Tobias Menini  deu o nome do pai  e o  nome da mãe dele que, obviamente, estavam distantes, e  que eram, portanto, os  meus bisavós  -   Veremos  essa parte  no próximo texto...



                                                 Quem identifica as crianças desta foto?
                                             

Obs. Volto a insistir com meus parentes, pedindo-lhes que enviem para meu e-mail ( aldemamenini@gmail.com)  cópias de fotografias da família Menini/Menine,  ou documentos, como certidões de nascimento, casamento ou atestados de óbito. Com certeza, nossos descendentes agradecerão muitíssimo. 


                                                   E quem sabe o nome destes parentes?

Desejo-lhes um bom fim de semana, pessoas queridas, e ofereço-lhes esta Oração Celta:

"Que eu tenha hoje, e a cada dia
A força dos céus
A luz do sol
O brilho da lua
O resplendor do fogo
A agilidade do vento
A profundidade do mar
A estabilidade da terra
E a firmeza da rocha."



                                               Massimo Menini Trindade e eu há dez anos



quarta-feira, julho 14, 2021

Família Menini/Menine/Menini - Texto 2

                                                                 



Agradeço as generosas manifestações de parentes e amigos referentes à postagem anterior - o que contribuiu muitíssimo  com meu ânimo para que eu continue a escrever. Reconheço que meus textos têm a simplicidade que temos nós, de origem rural, onde a natureza integra o cotidiano e permite a sobrevivência, e onde se economizam até palavras. Foi, entretanto, por escassez de  informações e perspectiva de encontrá-las que os textos estão ainda incompletos ou em processos de construção. Como diz minha querida amiga, Maria Alzira Nobre, estamos numa fase da vida em que o "eu quero", passa a ser substituído "eu posso"... ou se eu ainda puder! Se um dia, no entanto, eu puder  publicar os textos em papel, eu os publicarei, mas obviamente precisarei fazer uma revisão cuidadosa, posto que o caráter de permanência ainda é bem maior nas folhas impressas. Enfim, dando produtividade ao tempo, já seleciono fotografias para uma possível publicação em papel e exponho-as neste espaço, aceitando sempre novas fotos que os parentes me podem enviar por e-mail.  Reitero minha gratidão pela acolhida e pelo estímulo. Grazie!


                                                                    Bela União

TEXTO 2 - Introdução 


A escolha da minha família paterna e não a materna ( Souza Pinto ), para escrever este livro, foi decorrência  - penso eu - do muito que gosto da Europa, especialmente da Itália, e de viajar. Por muito tempo, acreditei que meu avô , Tobias Menini, fosse italiano do norte, posteriormente, como será relatado, essa minha convicção foi abalada.  Andando pela região norte  da Itália e pela fronteira dela com a Suíça, muitas vezes fiquei a imaginar a decisão, a saída, a viagem e a chegada de meu avô Tobias Menini ao Brasil. Partiu ele daqueles lugares com tanta História para chegar neste aqui, tão novo, distante e isolado.


                                                            Itália - Lago de Garda

Do meu avô, Tobias Menini, de quem Abrelino Abreu Menini, meu pai, era o filho caçula, conheço uma  única fotografia -  a que está inserida no texto anterior, cujo original me foi emprestado pela  prima Juraci, filha da Maria e neta do tio Napoleão Menini. As demais fotos são de meus arquivos - muitas delas herdadas da minha mãe e outras enviadas por parentes, atendendo a pedidos que fiz pessoalmente ou nas redes sociais.


                                                         Berna - Capital da Suiça

Na busca de informações, contei com o auxílio de muitas pessoas, como Alberto Pinto Menine e Maria Aldina Menine Severo, meus irmãos mais velhos; João Batista Braccini de Aguiar, neto da tia Pina, filho do Oli Menine Aguiar; Rita Lisandra Doyle Conczviz, neta da tia Antônia, filha de Alberto Menine Conczviz; Erner Freitas Machado, neto da tia Maria Rosa, filho de Napoleão Menine Machado; Bruno Menine, neto de Alberto Menini e filho de Ary Menine; Leia Menine Izaguirre, Filha de Santa Menine Izaguirre e neta de tio João; Elaine Severo Bacchi, filha de Maria Aldina Menine Severo e neta de Abrelino Abreu Menine, Sérgio Ribeiro, filho de Alberi Ribeiro e neto de Tio Estêvão Menini;  Gildo de Ávila Ribeiro, neto do tio Pedro Ribeiro, sobre quem escreverei mais adiante. Agradeço muito às pessoas nomeadas e a algumas outras que contribuíram com fotografias, ou com valiosas informações. 


                                                Cantão Italiano da Suiça - Ticino

      

Nesse processo de construção contei, ainda, com a importante ajuda de um amigo italiano, Franco Perissi, que localizou uma gentil família na Suíça, com ancestrais Menini. Essa família me enviou um precioso livro, Terre della Carnina, publicado em 1991 por Giuseppe Chiesi e Fernando Zappa. Nesse livro - resultado de uma pesquisa bastante rigorosa dos autores -  encontrei, muitas e esclarecedoras observações históricas e geográficas sobre o Cantão Ticino, bem como algumas referências à família Menini -  que  relatarei  posteriormente. Muitos outros textos e fontes foram consultadas com resultados mínimos.


                                    Antiga ponte em Lucerna - Suiça - Cantão Italiano


As dificuldades de encontrar fontes decorreu das distâncias físicas em que a maioria dos familiares e os locais onde documentos poderiam ser localizados, encontram  - se, bem como  o tempo escasso de que disponho. Decidi, por essa razão, tornar este livro realidade com o que eu dispunha no momento, que eram fotografias antigas, alguns documentos e minhas memórias. Responsabilizo-me pelos erros, escolhas  e omissões encontradas aqui, preferindo, no entanto,  expor-me a críticas, mas abrir caminho para que outros familiares também escrevam. Sempre tive a convicção de que só não erram os que nada fazem.


                                                           Milano - Norte da Itália


Na minha infância e parte da minha adolescência, no meio rural, na Bela União, Touro Passo, 6o. Subdistrito de Rosário do Sul, especialmente no inverno de noites longas, tínhamos costumeiras conversas sobre família com minha mãe, Anália Pinto Menine. Mulher sábia e agregadora, ela nos ensinava e fazia mesmo com que seus filhos aprendessem, nossa "árvore genealógica". Repassava conosco os nomes dos avós maternos e paternos, dos tios, que eram muitos e ela incluía os falecidos, e dos primos. Em um período em que muitas famílias tinham mais de dez filhos, imaginem como eram longas essas listas. Era um procedimento muito sábio porque nos dava uma noção de pertencimento. Mais tarde, usei o mesmo recurso - fazer listas agora escritas, com nome de familiares - para trabalhar com crianças de escolas rurais, sob pretexto para ensinar a eles conteúdos  sem muito significado afetivo, como substantivo concreto e abstrato ou substantivo próprio ( sic!),  ortografia, separação de sílabas, sinônimos e antônimos, e outros tantos que constavam dos programas escolares.


                                                                 Itália - Veneza

Como Menini/Menine/Minini é sobrenome de famílias que não a nossa, tanto no Brasil, no Uruguai,  na Argentina, como em outros tantos países, escolhi para este livro um identificador da família a que estou me referindo : a família Menini/ Menine/ Minini, que inicia, no Brasil, com a vinda de Tobias Menini. Também foi impossível eu incluir todos os familiares, em razão do meu tempo...até de vida! Exemplificando, a cronologia ficou assim para todos os familiares: Tobias Menini - Abrelino Abreu Menine - Aldema Menine Mckinney - Fabiana Menini . Como nos demais,  a inclusão se dará até os bisnetos de Tobias, se eu tiver acesso a fotos e informações deles.


                                                       Verona - Norte da Itália


Incluírei neste livro todas as informações de que disponho. Espero receber outras tantas e incluí-las em revisões futuras ou corrigir àquelas que estão sendo agora escritas. Meu objetivo neste momento, volto a afirmar, é socializar as informações e as  fotos a que tive acesso, em especial com gerações além das referidas no parágrafo acima, contribuindo   para que crianças e jovens conheçam mais um pouco sobre suas raízes.

Obs. As fotografias aqui usadas são transitórias. Serão trocadas assim que fotos família da Família Menine/Menini forem recuperadas por laboratório fotográfico.


                                                                Itália - Verona



domingo, julho 11, 2021

Família Menini/Menine/Minini _ Apresentação ( possível ) do Livro

 

Para leitores do Correndomundo, familiares e amigos.

a ) Publico hoje o primeiro texto do livro sobre minha família, impulsionada pela instabilidade do viver neste período, quando mais de meio milhão de brasileiros já morreram por covid19. Estamos em 11 julho de 2021. Apressa-me não só o medo da morte, que se avizinha assustadoramente, com a perda de parentes, amigos e vizinhos, mas também o medo das sequelas - incluindo as neurológicas - que sabemos possíveis;

b )  penso, na sequência, ir postando outros textos que já considero quase prontos, garantindo, assim, a autoria e a divulgação deles;

c )  por essa razão, interrompo a publicação de parte do roteiro que penso fazer quando estiver mais seguro, e passo a postar, no Correndomundo, como um folhetim ou uma novela em capítulos, os textos do livro - ainda sem título - sobre a minha família paterna, desde os meus bisavós até meus irmãos e primos;

d )  agradeço aos leitores do Correndomundo que, de alguma maneira, me cedem espaço para que eu escreva sobre outra viagem, e não àquela que interessa a nós, aventureiros, turistas, viajantes e afins...

e )    deixo-lhes,  com carinho, a sabedoria de uma oração Celta: 

"Que eu tenha hoje, e a cada dia
A força dos céus
A luz do sol
O brilho da lua
O resplendor do fogo
A agilidade do vento
A profundidade do mar
A estabilidade da terra
E a firmeza da rocha."


                                                               Aldema Menini Mckinney


TEXTO 1

APRESENTAÇÃO


                                                                 Tobias Menini


Este livro é dirigido aos descendentes da Família Menine/Minini/Menini, em especial aos meus netos e bisnetos que tenho ou que terei um dia. Está sendo escrito, em março de 2020, durante a quarentena determinada, no mundo, pela pandemia do coronavírus - disseminada, obviamente, por toda parte, até em Torres, cidade litorânea onde estou, na minha casa de praia, em isolamento social por ora  voluntário. 


Foi escrito para ser lido quando a nossa geração for lembrança e saudade como hoje o é para nós a geração de nossos pais e avós.É um livro de família  sobre a minha família. Ao escrevê-lo, cumpro um compromisso assumido principalmente comigo mesma.


Muitas vezes, ao conversar com parentes, crianças,   adolescentes, jovens ou até mesmo adultos, constatei que eles quase nada sabiam sobre nossos ancestrais, os seus antepassados, pois tinham poucas informações sobre seus avós e bisavós; não diferenciavam às vezes se eram parentes maternos ou paternos;  confundiam nomes e graus de  parentesco - mas a todos eles encantava o tema. Ouviam atentamente as histórias que eu lhes contava. Perguntavam muito e me contavam o pouco que sabiam e que oralmente lhes fora transmitido. 


Sempre fui, desde criança, bastante curiosa. Buscava, avidamente, informações da minha família e do mundo ao meu redor. Não entender algo ou não conseguir amarrar as pontas ou não esclarecer o que me parecia  misterioso, passava a ser um problema meu, que devia  ser esclarecido e resolvido. Acumulei , assim, dados e histórias ao longo do tempo. Com o decorrer dos anos, passou a angustiar-me o fato de que eu não estava transmitindo, com um mínimo de organização,  para os mais novos,  as minhas lembranças e  informações. Decidi, por isso, escrevê-las.


Desde muito criança,  tenho  interesse e atração por lugares distantes e diferentes - embora os conceitos de distante e diferente fossem bem limitados para quem só conhecia Rosário do Sul e Alegrete. Algumas pessoas, como Aldina, minha irmã mais velha, e Arnaldo, meu primo, contaram-me, entretanto, que, quando eu era ainda uma menininha, gostava de olhar mapas e revistas, à procura de outros "lugares do mundo" e afirmando que um dia eu ia viajar por todos eles ( ainda não tinha ideia do preço das passagens e das hospedagens!).


Recordo também a atração que sobre mim exerciam as pessoas que eu identificava como vindas de lugares distantes. Assim eu via Gringo Elíseo, mascate que vendia quinquilharias e remédios homeopáticos;Turco Said, que mascateava roupas, perfumes e cortes de  tecido; Dom Manuel, um fotógrafo espanhol que tinha uma câmera igualzinha as que ainda encontro na Praça Principal de Segóvia, na Espanha.Graças a Dom Manuel, tenho fotos minhas, de minha família próxima e de quase todos os parentes. Parece que tudo isso contribui para que eu começasse pelos Menini.


De certa forma, este livro foi escrito coletivamente. Sou a autora do texto final , mas eu o apreendi ao longo da minha vida, nas conversas com a família, que inclui muitos dos meus parentes. Foi uma alegria toda a construção que começou a ser feita, principalmente a partir de 1997 - ano em morreu minha mãe, eu me tornei professora aposentada da Universidade Federal de Santa Maria ( UFSM ) e passei a viver na Bela União.


Tive disponibilidade e tempo de rever muitos de meus primos, conhecer seus filhos e netos, dedicar horas e horas ao fluir das lembranças, aos diálogos sem pressa e aos registros sem pressão institucional, com total ausência de prazos, roteiros e formulários a preencher - como sempre tive na minha vida profissional.


Esse tempo de busca e organização de informações e fotografias foi um longo e bonito encontro com minha infância, com a memória de meus antepassados, com laços familiares e afetivos que se tornam mais fortes à medida que nos tornamos conscientes de que a maior parte de nossa vida já se foi e de que o tempo que nos resta é bem menor do que o tempo vivido.