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terça-feira, outubro 01, 2013

Berne, pedacinho da Suiça em Indiana.

Fazenda em Indiana
A partir da casa de Sam  Bahler, em Bluffton, percorremos, ou melhor dizendo, passeamos por estradas belíssimas em que jardins, cuidadosamente planejados, circundavam fazendas cujas sedes eram bonitas e grandiosas mansões. Estradas tranquilas, bem cuidadas e com pouco movimento. Íamos em direção a Dayton - conforme nos orientava o GPS.

Ponte coberta

Paramos algumas vezes para olhar e fotografar pontes cobertas, que são muitas e muito bem preservadas. O estado de Indiana é conhecido como  capital mundial das pontes cobertas. Quase todas foram construídas ao redor do ano de 1885. Lamentável que a maioria delas se perderam, atingidas por catástrofes naturais, ou desmantelaram-se antes da política de preservação que as protegeu em todo o país.Tornaram-se, atualmente,  importantes pontos turísticos.

Ponte coberta
Usava-se essa cobertura para proteger a madeira e aumentar, assim, a sua durabilidade. Essas pontes, porque se pareciam aos currais, facilitavam a aglutinação dos animais que eram transportados em lotes. Ofereciam, ainda, abrigo a viajantes contra as intempéries. Curiosamente, algumas, as mais longas, eram apelidadas de pontes dos beijoqueiros, pelos minutos de privacidade permitidos aos  casais que viajavam em charretes ou carroças puxadas por cavalos - estamos nos referindo a um período em que beijo era quase perda de virgindade.
Rua principal de Berne
Surpreendeu-nos a passagem por uma cidade bem bonitinha que, mesmo sem ainda saber o nome dela, lembrava lugares bem conhecidos da Europa. Decidimos permanecer ali durante algumas horas e buscar informações sobre sua população e história. Uma cidade, com características europeias e com o nome de Berne, já indicava que seus fundadores eram suiços.

Mennonite Church

Imponente e grandiosa, a First Mennonite Church, próxima ao centro da cidade, confirmava a origem de seus fundadores : pertenciam ao movimento anabatista europeu, surgido em 1525, de onde se originaram as seitas amish, menonita e huterita. Os Amish, predominantes nesta região,  têm suas raízes na Suiça. Vieram para os Estados Unidos em busca de liberdade religiosa.

Muitas flores e arquitetura europeia




A Ordem é  conservadora e rejeita tudo aquilo que os aproxima do mundo contemporâneo, como eletricidade, carros e telefones.Usam trajes simples e escuros, com touca branca para as mulheres e chapeus de palha para os homens. Andam em charretes puxadas por cavalos - muito bem cuidados.Vivem em comunidades, notadamente nos estados de Ohio, Indiana, Pensilvânia e Illinois.

Câmera do Comércio no centro de Berne
Depois de caminhar por essa interessante cidadezinha, ajardinada e florida, seguimos por uma estrada secundária, observando a estrutura típica das fazendas dos amish - com muitas residências, já que os filhos, quando casam, constroem as suas casas próximas às  de seus pais. Essas fazendas são muito procuradas por turistas e visitantes para a compra de móveis, frutas secas, pães, laticínios e quilts ( colchas trabalhadas com tecidos de diferentes cores).

Típica fazenda dos Amish
Após agradável passeio, lanche saboroso e promessa de retorno, deixamos a simpática Berne e as estradinhas panorâmicas da região amish e fomos na direção de Ohio, um dos maiores produtores agrícolas do país. Por sorte, já na saída da cidade,  encontramos um jovem senhor que , gentilmente, permitiu ser fotografado ao lago de sua charrete.

Foto com permissão dada
"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver." Amyr Klink

segunda-feira, agosto 06, 2012

O passado no presente: a comunidade Amish nos EUA



Em 2005, visitei Arcola e Arthur em dezembro. Estavam as duas cidades vestidas de branco - muita neve e muito frio. Tenho, ainda, a nítida lembrança das carroças, pintadas de preto e puxadas por fortes e bem nutridos cavalos, passando, com incrível rapidez, pelas camadas de neve. Dentro delas, homens usando trajes e chapéus pretos, camisas e agasalhos brancos.




Voltei, há dois dias, às mesmas cidades. Visitei muitos lugares interessantes, como a escola antiga, o parque e seus jardins, algumas fazendas, o mercado comunitário, o museu e as lojinhas de produtos típicos. Fora a falta de chuva, que amarela as lavouras de milho, e o calor do verão, encontrei carruagens e pessoas iguais como as vi em 2005 - e certamente iguais como eram no século 17, quando vieram para os Estados Unidos em busca de liberdade religiosa. Um grupo que pouco mudou em relação a seus ancestrais.



Há grandes famílias vivendo em grandes casas. As mulheres usam vestidos sempre nas mesmas cores, geralmente cinza ou azul acinzentado. Roupas muito simples, em algodão, lavadas a mão e passadas com ferro de brasas. Participam, ativamente, da vida da comunidade, cuidando da casa e dos jardins; fazendo maravilhosos artesanatos e trabalhando no comércio, nos museu e nas escolas. Todas as mulheres, com quem conversei, foram muito gentis, doces e atenciosas.

 


No inverno, compre frutas secas, como as deliciosas passas de cereja, de damasco e de abacaxi. Agora, no verão, compro frutas frescas - pêssegos, damascos e  cerejas. Compro legumes orgânicos, como tomates, cebolas, pepinos, brócolis e  abobrinhas. Nos mercados comunitários, há uma grande variedade de pães , bolos e biscoitos, com formatos tradicionais, e de geléias de diferentes frutas. Há também doce de leite puro ou com misturas; doces de amendoim e doces de nozes - desses de rezar para fugir à tentaçao de comer um pacote inteiro.




Os Amish têm suas raízes na Suiça, mais especificamente, no movimento anabatista suiço, surgido em 1525, quando um grupo protestante rejeitou a estrutura das igrejas estabalecidas. A Antiga Ordem - menonitas - é a mais conservadora e rejeita tudo aquilo que os aproxima do mundo contemporâneo, como eletricidade, carros e telefones.Há Comunidades Amish, nos Estados Unidos, em Ohio, Indiana, Pensilvânia e Illinois - onde estão nas comunidades de Arcola e Arthur. vivendo em interessantes fazendas.




Aprendi a ler e a escrever no meio rural. De muito pequena, lembro de umas pedras onde era possível escrever com lápis de pedra também. Meu pai as usara para alfabetizar muitos meninos da área onde morávamos. Eu as usei para aprender a fazer contas. Recordo meu pai escrevendo muitas adições, subtrações, multiplicações e divisões para eu as resolver. Quando terminava a tarefa, mostrava o resultado a ele. Se estava certa, a conta era logo apagada. Se estava errada, apagava o cálculo e o resultado para que eu repetisse a operação.....




.....Não era necessário, portanto, usar cadernos, lápis ou borracha. 
Essa lembrança sempre me encantou . por meu pai e pela facilidade com que eu aprendia. Eis que encontro, em Arcola,  na antiga escola da comunidade,  toda ela muito bem preservada, as pedras de escrita da minha infância. Vê-se que era uma escola multisseriada, pelo tamanho e pela posição das carteiras. Fez-me inveja o velho piano. Sou defensora de música, dança e outras manifestações artística em qualquer escolinha. Direito da criança...




No mesmo parque histórico, onde estão a escola, a ferraria, a carpintaria e vários outros antigos espaços, está essa casinha, muito necessária e de arquitetura bastante conhecida antigamente. Na foto seguinte, toda feita com tiras de aço, mais parecendo uma gaiola, está a antiga prisão. Pessoas da comunidade, habilmente, mostram aos turistas como realizar trabalhos com ferro e madeira, usando as ferramentas tradicionais.




Os Amish são bastante conhecidos por seu trabalho em madeira. Fabricam, artesanalmente, móveis fortes, duradouros e , ao mesmo tempo, esculpidos com delicadeza e arte. Encantaram-me os conjuntos de mesas, cadeiras- incluindo cadeiras de balanço - e armários que vi, tanto em uso quanto para venda.Alguém comentou comigo que os preços são muito altos. Penso que o preço corresponde à qualidade e à originalidade.




Há outros trabalhos tradicionais nas comunidades Amish. Além dos móveis e gazebos, são bem conhecidas as colchas ( quilts ) ,as almofadas, as bonecas e outros brinquedos. No Rockome Garden Preservation, está a loja Marcella´s Corner Gift Shop com muitas bonecas e livros de história. Gentilmente, a proprietária deixou-me fotografar suas bonecas, os livrinhos de história infantil que as têm como personagem e o interior de sua loja.Outra loja interessante, no mesmo parque,  é a Sarah´s Gift Shop. Trabalhos artesanais perfeitos.




As colchas são tradicionais na cultura Amish. Os modelos são bastante diversificados, com predominância dos geométricos. As cores, em geral, são delicadas, em tons pastéis. Vi algumas colchas em que os tecidos eram rebordados. Dizem que são muito duráveis, que são para toda a vida. Acredito. Na foto ao lado,  detalhe de uma belíssima colcha, tamanho queen, com as bordas muito bem trabalhadas e forro num dos tons de rosa usados nas estampas. Linda.



                                                                        
 No Rockome Gardens Center, há muitas atrações para adultos e crianças. Todo o dia, um pequeno trem transporta  visitantes por todo o parque - também é possível fazer os passeios de charrete. Há bons restaurantes, sorveterias - com sorvetes artesanais, é claro - e padarias, que produzem os famosos pães e bolos locais.O Amish Museum, pequeno e simples, merece uma visita. Nele, algumas maquetes mostram a estrutura e o modelo das casas da região, casas grandes, para acomodar gerações da mesma família.



Estando na região, não deixe de visitar as fazendas dos Amish. Se estiver aqui no Thanksgiving , é , nessas fazendas,  o lugar onde se compra peru, o prato mais tradicional da festa.Dizem que os Amish são pessoas bastante ricas. Têm hotéis, restaurantes, supermercados e lojas, além de produzirem nas suas fazendas e receberem muitos visitantes e turistas - que já estão sendo,agora, convidados para o 20o. Horse Progress Days, nos dias 5 e 6 de julho de 2013.  Encontram-se, sobre os Amish, muitas informações no http://pessoas.hsw.uol.com.br/amish9.htm


PS.Obrigada, Rosana, pela sugestão de título. A foto seguinte é presente para ti.