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domingo, dezembro 06, 2015

Malmö e a Ponte Internacional de Öresund

No centro de Malmo
Malmö, cujo o nome original - Malmhang - significa Monte de Areia, parece ter sido fundado no ano de 1275, como ancoradouro de Lund, cidade distante a 16 km, que era sede do Arcebispado da Escandinávia . Está localizada no extremo sul da Suécia e tem hoje uma população que ultrapassa a 300 mil habitantes, sendo a tercera maior cidade sueca. É limpa, bonita, agradável.


No centro de Malmo
A primeira vez que visitei Malmö, eu fui até lá,  a partir de Copenhagem, como agora. Foi em 1999. Alcançava-se  essa cidade através de barcos ou ferry boats.A ponte Oresund estava em construção. Era verão, encantaram-me as flores, as esculturas - tenho paixão por arte na rua - e a beleza  e amabilidade das gentes. Continua sendo um importante centro comercial, após ter sido um grande centro industrial.

Prefeitura de Malmö - Radhuset

A Ponte Internacional de Öresund facilitou muito a ligação entre Suécia e Dinamarca, tornando a visita a Malmö um bate-e-volta bastante popular e fácil, já que a travessia, feita  em confortáveis trens, leva não mais do que meia hora. Os trens partem da Estação Central de Copenhagem, atravessando a Ponte, que tem dois níveis: na parte superior, transitam os carros; na parte inferior, os trens

Esculturas no Centro Histórico
Bem próximo da Estação de Trens de Malmö está o Centro Histórico , onde um dos edifícios mais imponentes é o da Prefeitura - Radhuset. Construída em estilo gótico, teve alterações e adições que foram do século XVI ao século XVII. A Igreja de São Pedro ( Sankt Petri kyrka)  é  outro edifício interessante nessa área, cuja torre, que aparece, nas fotos, atrás da prefeitura, pode ser vista  em vários pontos da cidade. É agradável percorrer as ruas Stortorget, Lillatorg e a praça principal. Gosto, é claro, das cafeteria dessa área.


Arquitetura e Natureza bem combinadas em Malmö

Mas é a Ponte Internacional de Öresundo, entretanto,  a grande atração de Malmö. Tem cerca de  8 quilômetros de extensão, sendo 4 quilômetros de túnel feito na ilha artificial de Pepparholmen e o restante sobre a água.Sua construção iniciou em 1995 e foi concluída em 14 de agosto de 1999, três meses antes da data prevista.

Natureza e Arquitetura: pontos fortes
Assim que foi concluída a ponte, o príncipe herdeiro Frederico da Dinamarca e a princesa herdeira Vitória da Suécia, encontraram-se  exatamente no meio da travessia, para comemorar  sua conclusão. A inauguração oficial, entretanto, aconteceu em 1 de junho de 2000, com a rainha Margarida da Dinamarca e com o rei Carlos Gustavo da Suécia. Nesse mesmo dia, a  ponte foi liberada para o tráfego. Copenhagem (Dinamarca) e Malmö (Suécia) tornaram-se ainda mais o centro da região.



       


















Visitei Malmö no verão, uma vez. Havia profusão de flores. Lindo de ver. Voltei agora, principalmente para transitar pela Ponte, num período já bastante frio, no final de outono. Havia frutas e flores. Lindo de ver também. Sempre fui atraída por fronteiras, fossem geográficas ou de qualquer outra natureza, como, por exemplo, as  culturais e linguísticas. Também sempre constatei e fui atraída por esse  continuum que as fronteiras representam. Daí por que me é imprescindível, estando na Escandinávia, sair da Dinamarca e entrar na Suécia ou vice-versa. Belo e enriquecedor passeio.


Abobrinhas decorativas

" Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Nao me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada,
Gosto dela porque ela não tem parentesco comigo.
Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço."

Fernando Pessoa

Zeli Menini, minha irmã e companheira nesta viagem.

quinta-feira, outubro 20, 2011

Estocolmo, a capital da Suécia.

Rua mais estreita da cidade







































Pela chegada no Aeroporto de Arlanda , há 42 km ao Norte de Estocolmo e hub da SAS - Scandinaviam Airlines, multinacional da Suécia,Noruega e Dinamarca e um das inventoras do programa de milhagem Star Alliance - já se pode intuir como é a cidade, como tudo funciona bem aqui. Uma curiosidade: o vinho servido pelo grupo SAS é fabricado pelo famoso ator Gerard Depardieu.

O aeroporto é grande, com tráfego aéreo intenso, mas muito bem organizado. As informações são completas e precisas. Há um trem, “Arlanda Express”, que, direto e em 20 minutos, faz o percurso aeroporto/estação central de trens. Por sorte, o hotel que havíamos reservado, estava a 200 metros dessa estação.

De imediato, começamos a traçar o centro da cidade, o que pode ser feito a pé sem problemas – além do cansaço mais tarde.

O espaço ocupado pela capital da Suécia faz com que ela seja uma das mais bonitas cidades da Europa. Estocolmo está construída sobre catorze pequenas ilhas. Pareceu-me, ao primeiro olhar, ser uma cidade que flutuava entre o Mar Báltico e o Lago Mälarem. Ë muito interessante ver, em algumas áreas, separados por calçadas, o estacionamento de carros, por um lado, e de barcos por outro.

São Jorge em Gamla Stan




















No dia seguinte à nossa chegada, percorremos o bairro medieval Gamla Stan, a Cidade Velha , construída no Século XIII, que é geograficamente pequena, mas tem muito o que mostrar. Começamos pela Stortorget - Praça Maior - e , acompanhados de um mapa, fomos descobrindo lugares fantásticos, como a Märten Trotzigs Gränd, a rua mais estreita e com subida maís íngreme de toda a cidade. Percorremos, calmamente, a Prästgatan, rua - somente pedreste - que contorna quase toda a ilha  e que é plena de atrações, como  edifícios históricos, galerias de arte, sofisticadas lojinhas  de artesanato, antiquários e cafeterias. Visitamos o Palácio Real, incluindo seu interior riquíssimo, o Museu do Prêmio Nobel, a Catedral,a Casa da Nobreza e o Parlamento. Admiramos a réplica em bronze de uma escultura de São Jorge e o Dragão, cuja original foi feita, para a Catedral, por um escultor alemão, em 1489.Assistimos à troca de guardas no Palácio , almoçamos, passamos o dia todo em Gamla Stan. Uma bela jornada!


Vista a partir de Djurgärden




















Djurgärden mereceu também um dia inteiro de visita. Chega-se a essa área de lazer , assim indicada desde o século XVIII, cruzando uma belíssima ponte, com muitas flores e ornamentos, de onde já se pode enxergar um  edifício, parecendo uim castelo de contos de fada, onde está o Museu Nórdico, que mostra a cultura popular da região e a forma de viver e trabalhar dos suecos ao longo do tempo. Logo adiante, um interessante espaço dedicado à cultura infantil, cuja temática são os contos da escritora sueca Astrid Lindgren. Foi no Vasamuseet (Museu Vasa) , entretanto , que permanecemos por mais tempo. É um espaço admirável, onde se pode ver um grande barco, com 68 metros de comprimento, que afundou, em 1628, na sua viagem inaugural, e só foi resgatado trezentos anos depois. O processo de recuperação desse barco foi difícil; tornou-o , entretanto, uma das grandes atrações para visitantes e turistas.




Feira de produtos típicos




















Nos outros dois dias, dedicamo-nos a percorrer as ilhas  Skeppsholmen e Kastellholmen principalmente, que se constituem no chamado centro da cidade, e Östermalm-Gärdet, que, a partir de 1885, tomou as características , que mantém até hoje, de bairro de classe alta. A cada pequeno trecho, parávamos encantados com o que víamos, como praças, museus, teatros, palácios , monumentos e edifícios de diferentes estilos arquitetônicos, Percorremos um mercado de rua, com grande variedade de produtos típicos internacionais, como doces franceses, massas italianas e comidas indianas, além de produtos suecos, tanto de alimentos variados ,como de objetos para casa. Muita gente percorrendo a cidade. Viam-se turistas e pessoas da localidade, aproveitando os dias ensolarados , ainda que frios, do outono.

Saímos da Suécia com a decisão de a ela retornar . É muito bonita e dá-nos aquilo que não tem preço: a ausência do medo pelo seu clima de segurança. Daqui , em vôo da SAS, iremos para a Finlândia.

Suécia : o país




















Dizem que a Suécia só tem mesmo três cidades: Malmö, que visitei , faz alguns anos  e que já comentei neste blog; Göteburg, que ainda não conheço ; e Stocolmo , onde estou agora. Fora essas , os demais aglomerados são considerados vilas, que variam bastante de tamanho. Todo o País, porém, possui um dos mais altos Índices de Desenvolvimento Humano ( IDH).




















Neste ano, a população do Reino da Suécia deverá ultrapassar a nove milhões e cem mil habitantes. Sendo o terceiro país de maior área, na União Europeia, pode-se dizer que possui baixa densidade populacional. Apresenta uma expectativa de vida de 78,7 anos para os homens e 83,5 para as mulheres. Sua taxa de alfabetização é de 99,4 %. Desde 1995, é membro da UE, adotando, entretanto, uma política externa não alinhada , em tempos de paz, e de neutralidade  em tempo de guerra.

























Com essa ampla política de bem - estar,  cuida-se atentamente da população. Tanto a ONU quanto o Fórum  Econômico Mundial  apontam o País como um dos melhores para as mulheres. É onde as mulheres têm  maior número com diploma universitário, seguem uma carreira com igualdade de salário em relação aos homens e ocupam  cargos públicos sem discriminação ( explícita ou implícita) de gênero. São realmente apoiadas pelo Estado , visto que podem tirar até dezoito meses de licença-maternidade , e as creches são suficientes e subsidiadas.




























O artesanto sueco encanta pela originalidade e beleza e pelas constantes releituras que combinam as antigas tradições com as novas tendências.Um exemplo disso é o cavalinho vermelho, com origem mitológica e símbolo da Suécia, realizado em madeira, cujo desenho aparece , atualmente, em peças diversas, como o pratinho que comprei (foto). Além do artesanato de madeira, o artesanato em vidro é bastante singular e lindo.

 Apesar do frio e das poucas horas de sol, durante rigoroso inverno, o povo encontra formas muito particulares de criação e desenvolvimento, como ocorre, desde 1990, em Jukkasjarvi, Norrland. Engenheiros, arquitetos e artistas , nacionais e internacionais, reúnem-se para construir um luxuoso hotel ,  utilizando quatro mil toneladas de neve, que levam quatro meses para derreter. O hotel , com decoração rica e variada, incluindo elementos de castelos, chega a receber quinze mil hóspedes, que pagam, entre 400 e 800 dolares, para dormir nesse engenhoso projeto .

Há muito o que descobrir na Suécia, que mantém sua própria moeda ( corona ),não tendo aceitado , em plebiscito, o euro. É fácil viajar  por esse tão belo e tranquilo país. Com o uso do inglês, não se tem a mínima dificuldade de comunicação.

Quem ainda não leu a fantástica trilogia Millennium , fenômeno literário de Stieg Larsson, faça isso que vai gostar. Os livros são ótimos - e , de quebra , tem-se uma visão boa das cidades aqui mencionadas.

terça-feira, outubro 18, 2011

Intervalo


Suécia
 "Quando vier a Primavera,

Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
 A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,

Finlândia

Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Praga
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.











Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for será o que é"

Fernando Pessoa

Suécia - introdução

Uma das salas do Palácio Real
Circulou, há um tempo, na internet, um texto de jovem brasileiro que veio trabalhar em Stocolmo. Ele relatava o seu primeiro dia de trabalho, indo de carona com um colega sueco. Chegaram cedo. Havia muitos lugares para estacionar. O motorista estacionou bem longe do portão de entrada. O brasileiro, então, perguntou-lhe por que não havia estacionado próximo ao portão, já que havia lugar. Surpreso, o sueco respondeu-lhe que deixara o lugar mais perto e de acesso mais rápido para aqueles que chegassem mais tarde, já na hora de entrarem.
Não esqueci esse relato de um gesto de solidariedade e generosidade para com o outro e , acima de tudo, um gesto de boa educação.
Essa foi a Suécia que voltei a ver: limpa, imponente, bonita e muito gentil.

domingo, abril 16, 2006

Faz 7 anos....1999!



















Fiz Porto Alegre / Paris em pleno verão europeu.Quatro dias em Paris, vivendo muito do que a cidade oferece, principalmente o Louvre e os longos passeios a pé. De Paris, para Colônia.Ver a imponente Catedral Gótica de Colônia já vale a visita - acrescente-se, ainda, os parques às margens do rio Reno.
Via Berlim, segui para a Dinamarca, com um objetivo bem definido: o Festival de Jazz daquele País. Estive uma semana em Copenhague. Amei o Nyhavn, o "point" boêmio da cidade, onde assisti a belíssimos concertos de jazz. Amei também ver o monumento que se diz ser o mais amado dos dinamarqueses: a Pequena Sereia, personagem de um dos contos de Andersen, escritor que foi outro dos motivos que me fez conhecer a Dinamarca. O Tivoli, um IMENSO parque com múltiplas atrações, é ida obrigatória.Costumava sair de lá às 23h...quando entrava o sol! Em julho...Visitei Helsingor para ver o Castelo de Kromborg, que inspirou Hamlet.




















Da Dinamarca, de barco, a Malmö , na Suécia. Quantas flores nas ruas dessa limpíssima e cara cidade...mas cara mesmo! Da Dinamarca, entrei na Alemanha por Puttgarden. De Puttgarden a Dortmund.Em Dortmund os colegas da Universidade nos indicaram um hotel maravilhoso, com desconto de 70% para convidados universitarios. De Dortmund a Bonn.De Boon a Luxemburgo. Tanto o que ver.Tantas imagens inesquecíveis dessas cidades.Gosto da Alemanha. Ao contrário do que normalmente se diz, considero os alemães gentis,afetivos e educados.




















De Luxemburgo, vou recordar sempre a beleza dos jardins. Voltei a Paris. Fui a Lourdes. Fui a San Sebastian, " país basco", na Espanha. Fiquei dez dias em Portugal. Voltei ao Norte de Portugal. Muito bacalhau e muito vinho do Porto..no Porto!Um belo passeio à Régua, região produtora de uva. Visitei ainda Braga - encanto de cidade - Aveiro, Coimbra, Fátima, Lisboa e arredores. E, de trem, novamente Paris - de onde retornei ao Brasil.