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segunda-feira, junho 21, 2010

Guilin e seu inesquecível cruzeiro




















Guilin , cujo nome significa “Floresta de Osmanto”, uma árvore perfumada que existe na região, tem sua origem no século 6º. d.C. e foi capital provincial até 1914. Suas belezas naturais atraem turistas do mundo todo, tanto que o turismo tornou-se uma de suas mais importantes fontes de renda. Possui bons hotéis e pareceu-me bem cuidada e organizada. Para os padrões da China, é uma cidade pequena, pois tem cerca de 700 mil habitantes, Está localizada na região autônoma de Guangxim, na fronteira com o Vietnã.






















Penso em Guilin como a cidade do Rio Li, das montanhas de carste e dos mares de bambu. O rio Li (Li Jiang) corre , no sudoeste da China, entre montanhas de carste, com formas belíssimas, trazendo-nos a constante lembrança das tradicionais gravuras chinesas. Sua colina mais famosa é a Colina da Tromba do Elefante, um dos símbolos da cidade. Fizemos um cruzeiro , por esse rio calmo e raso, durante seis horas, sendo, o tempo todo, surpreendidos pela beleza das paisagens e pelos seus nomes peculiares, como: Caverna da Flauta de Bambu, Pico do Porta Canetas, Montanha do Pincel de Escrever, Montanha dos Nove Cavalos, Pico da Beleza Solitária, Montanha que Doma as Ondas, Pico da Cabeça do Dragão e Montanha dos Cinco Dedos.






















As montanhasde carste são formações de calcário, em geral, com muitas cavernas na sua base. Conforme sua formação e conseqüente formato, o carste pode ser Fenglin ou Fengcong. O cruzeiro parte de Guilin com os Fenglins – picos de carste quase verticais, que se erguem até 100 m acima das planícies inundadas – e chega ao seu final com os Fencongs – grupos de picos reunidos por depressões. Muitos picos chegam a 300 metros de altura.Eu olhava para um lado e outro, olhava para frente e para trás e pensava nunca ter visto uma beleza natural tão extraordinária e diferente.





















A expressão “mares de bambu “, muito usada pelos chineses, dá conta do que realmente se vê nas montanhas que acompanham o Rio Li. Eu não sabia que o bambu, na sua fase inicial, chega a crescer 60 centímetros por dia. É uma planta que tem suas hastes muito resistentes. Impressionou-me que, em diferentes lugares do Sul da China, o bambu é utilizado para fazer os andaimes dos arranha-céus. Não se usam tubos de aço como aqui, nos Estados Unidos. Esse mesmo uso do resistente bambu eu vi também por toda a Índia. A pintura que tem como motivo o bambu ( mozhu), é uma arte – assim como a caligrafia O bambu simboliza força, graça e longevidade. Suas hastes representam os passos do longo e reto caminho da iluminação. Assim que eu voltar para Bela União, plantarei muito bambu, sem me importar com o que na região se diz : que bambu atrai cobra, especialmente cruzeiras - bati três vezes numa madeira!

quinta-feira, maio 27, 2010

Rio Li ...e Fernando Pessoa





















"Quando eu não tinha a ti
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo...
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima.
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sent
ado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor...
Tu não me tiraste a Natureza...
Tu não me mudaste a Natureza...























Trouxeste-me a Natureza para ao pé de mim.
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os
meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

Só me arrependo de outrora te não ter amado."

Fernando Pessoa