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sábado, agosto 12, 2017

Palermo: Igrejas, Palácios, Mercados e muito mais...

Suntuosidade e beleza na Capela do Palácio Real

"....La pureza del entorno, la suavidad del conjunto, la gradación de los tonos, la armonia del cielo, del mar,  de la tierra / ...moreras de un verde apenas nacido, adelfas siempre verdes, espalderas de naranjales y limoneros/ ...El aire es dulcemente perfumado, el viento tibio.../ Quien ha visto todo esto no lo olvidia..."


 
                    No Centro Histórico, Quatro Cantos é referência de localização.
           

As expressões acima são de Goethe, grande poeta alemão, na sua chegada em Palermo, em 1787. Escreveu-as em sua Viagem à Italia. Palermo, realmente, é a grande metrópole mediterrânea que encanta e seduz. Diz-se que é um caldeirão cultural pela eclética mistura de influências orientais e europeias. Seguramente consta da lista de desejos de turistas do mundo todo.



Cristo : Bienal Internacional de Arte Contemporânea Sacra

Capital da Sicília. com aproximadamente um  milhão de  habitantes,  Palermo é a  maior cidade  
dessa Ilha e a quinta mais populosa da Itália. Em 3 de junho de 2015,o Comitê de Patrimônio da UNESCO, reunido na cidade de Bonn, na Alemanha, incluiu-a na Lista do Patrimônio Mundial.



Palácio Real ( Palazzo dei Normanni )

Na justificativa da UNESCO,  lê-se:  "  .....todos os edifícios que compõem o itinerário arábe-normando representam um valor universal excepcional, como um exemplo da convivência e da interação entre os diferentes componentes culturais, que são  de origem histórica e geográfica heterogênea( sincretismo cultural)...



Palácio Real ( Palazzo dei Normanni )

...Este fenômeno há gerado um estilo de arquitetura original, em que estão reunidos, admiravelmente, elementos bizantinos, islâmicos e românicos, capazes de produzir, muitas vezes, combinações únicas, de extraordinário valor artístico e extraordinariamente uniformes."



Detalhe da Catedral

Com toda essa riqueza artística e histórica, Palermo merece ao menos cinco dias para ver suas principais atrações. Destaco, a seguir, algumas delas, como muitas outras que também podem ser incluídas: a Catedral; o Palácio Real e a Capela Palatina; a igreja de São Domenico; o Museu Arqueológico Regional; a área dos Quatro Cantos; o Mercado Medieval ( Vucciria ); as ruazinhas da cidade toda, os oratórios, as muitas outras igrejas e os muitos e magníficos palácios.


Deixe-se surpreender pelas ruazinhas que descobre...


Para quem planeja visitar outras cidades da Sicília, é interessante buscar acomodação nos hoteis e hostais próximos à Estação de Trens, que está localizada no centro de Palermo e de onde se pode percorrer a pé todo o centro histórico. O Palácio Real pode ser o começo de um estupendo itinerário árabe-normando, pela sua representação de riqueza, de poder político e de cultura. Abriga hoje o governo regional siciliano.



Cristo Pantocrator da Capela Palatina


Contam que Guy de Maupassant, escritor francês admirado inclusive por outros escritores, ao ver a Capela Palatina, declarou que era a mais bela que existia no mundo, a mais estupenda joia religiosa imaginada pelo pensamento humano e executada pela mão do artista. De fato, o projeto  da Capela reuniu especialistas bizantinos, islâmicos e latinos, que criaram uma unidade arquitetônica, reforçada pela decoração em mosaicos.



Catedral - detalhes

 A grandiosa Catedral de Palermo, guarda, em seu interior, os túmulos dos imperadores da Sicilia, a começar por Frederico II e sua mulher Constança de Aragão. Fundada em 1184, mostra , no seu exterior, o desenvolvimento do gótico nos séculos XIII e XIV. Há influências , facilmente identificáveis, de vários estilos arquitetônicos. É grandiosa e requer tempo para vê-la....e paciência com o excesso de turistas no verão.



Catedral

Penso que é relevante incluir nos itinerários uma visita à Igreja de São Domenico de Palermo. Entrei nessa igreja no dia em que relembravam os 25 anos da morte do  Juiz Giovanni Falcone, assassinado, juntamente com sua esposa e três auxiliares, no dia 23 de maio 1992, por decisão da máfia. Pela atualidade e complexidade do tema - para muitos países - sugiro a leitura de:
http://www.elmundo.es/internacional/2017/05/23/59229b3ae2704e50198b4581.html



Igreja de São Domenico de Palermo


Considero obrigatório um passeio, com direito a compras. a Mercados Públicos ou às tradicionais feiras de rua. Em Palermo, Vucciria é um mercado imperdível, o maior da cidade, que lembra todo o passado árabe da Sicilia. Oferece variedade de frutas, verduras, carnes e peixes. Oferece, ainda, utensilhos para casa, roupas, antiguidades e milhares de quinquilharias. Sim! encontrei favas lá. Agora, quando alguém me mandar às favas, virei para Europa - mais elegante do que mandar a pqp...


Vucciria

" Bendito seja o mesmo sol de outras terras
Que faz meus irmãos todos os homens
Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu.
E nesse bom momento
Todo limpo e sensível
Regressam imperfeitamente
E com um suspiro que mal sentem
Ao Homem verdadeiro e primitivo
Que via o sol nascer e ainda não o adorava.
Porque isso é natural - mais natural
Que adorar o sol e depois Deus
E depois tudo o mais que não há."

Fernando Pessoa


RIP

sexta-feira, agosto 04, 2017

Siracusa e suas Grandes Atrações


Siracusa

Acredito que temos - todos nós - um conhecido, ao menos de nome,  cuja cidade natal é Siracusa. Refiro-me ao matemático, astrônomo, físico, engenheiro e inventor grego  Arquimedes, um dos principais cientistas da Antiguidade. Ele morreu numa batalha, entre gregos e romanos, em 211 a.C. Foi pelas ruas de Siracusa que Arquimedes saiu - nu segundo contam - gritando Eureka, Eureka! (Descobri, Descobri!) após decifrar um enigma a pedido do rei.  



Riqueza arqueológica de Siracusa

Hoje, a cidade tem cerca de 130 mil habitantes e turistas que nela transitam o tempo todo - muitos sem imaginar que ela foi fundada por colonos Corintios, em 734 a.C. Siracusa exibe o maior teatro grego da Sicilia, muitos monumentos e muitas lendas e histórias, que se  confundem mutuamente, sendo a Fonte de Aretusa a mais mencionada e conhecida.




Admiráveis colunas
 


Após ter sido uma importante cidade - estado da Grécia, que chegou a competir, na antiguidade, em tamanho e população, com Roma, Cartago e Atenas,  Siracusa, através de conquistas sofridas , passou primeiro para os romanos, depois para os árabes, para os  bizantinos, normanos e aragoneses. Como acontece nessas situações, cada um desses povos deixou sua contribuição na arte e cultura.



Detalhe da Catedral de Siracusa


Fala-se muito, entretanto,  na harmonia de estilos que caracteriza a cidade e que pode ser observada especialmente na Catedral, iniciada em 1728, na ilha de Ortígia, cuja fachada barroca oculta o Templo de Atena ( séc. V a.C.). Siracusa, que é bastante citada como a mais bela cidade do mundo grego, continua belíssima com a visão do mar, do céu e dos restos monumentais que testemunham seu passado.


Encontro frequente com vestígios da História


Ortígia, pequena e charmosa ilha, abriga o centro histórico de Siracusa. Está conectada com a parte continental por três pontes. Tem um quilômetro quadrado pleno de história e beleza - pode ser percorrida na metade de um dia.  Nela estão  as Ruínas do Templo de Apolo ( século VI a.C.) , o mais antigo dos templos dóricos; a  Catedral, iniciada pelo arquiteto Andrea Palma; um pequeno museu que registra a história dos templos; e a Fonte de Aretusa, de que trataremos a seguir.



Fonte de Aretusa

A ninfa Aretusa era uma donzela de Artemis, deusa da caça. Um dia, ao tomar banho nua no rio, ela sentiu-se envolvida e acariciada pelas águas, que se transformaram num belo homem. Era Alfeu, um deus mitológico aquático. Para fugir do amor de Alfeu, Aretusa pede a Artemis que a transforme em fonte. A deusa atende a ela. 



Detalhe da Fonte


Para os gregos, Aretusa é um fio de água que começa na Grécia, atravessa o mar Jônico e ressurge na ilha de Ortígia. Alfeu, porém, não desistiu e a perseguiu pelo mar. Os dois se encontraram em Siracusa. A lenda tem, a partir daqui, diferentes continuidades... mas, em todas elas, Alfeu não consegue seu intento : fazer com que Aretusa se apaixone por ele.


Fonte de Aretusa

No Parque Arqueológico de Neapolis - outra visita importante - está o magnífico Teatro Grego e a caverna artificial, conhecida como Orelha de Dionísio. Foi Michelangelo da Caravaggio que, durante uma visita a Siracusa, em 1586, deu-lhe esse nome. Conta a lenda que foi Dionísio que a mandou construir como cárcere para prisioneiros de guerra. A  caverna é muito particular por sua acústica que amplia qualquer som de seu interior - o que permitia, assim, escutarem as conversas dos prisioneiros.


Já identificado!

Em Siracusa, assim como em Palermo, Noto, Monreale e Catânia, as construções evidenciam a paixão siciliana por ornamentos, herança do envolvimento da ilha com o mundo árabe. A grandiosidade é constantemente observada. Não consigo ver na Sicilia a mesma Itália que conheço tão bem. Há traços italianos, á óbvio, como há traços de tantos outros povos - isso, para mim, só amplia o fascínio desta Ilha, que vejo como nação.


Detalhe da Catedral


" Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...



Siracusa

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa a meio deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram tudo e também não podem olhar
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Fernando Pessoa


"... fecham a vista à chave..."

" ...nossa única riqueza é ver..."

terça-feira, agosto 01, 2017

Bagheria: Cidade Natal de Guttuso e Tornatore


Pintura de Guttuso 

A primeira vez em que estive na Sicilia, há dez anos, um dos meus objetivos era ir a Bagheria, para ver uma exposição de Renato Guttuso - na sua terra natal e  na imponente Villa Cattolica. Ele ( 1911 - 1987 )  foi um dos grandes expoentes do expressionismo e um dos representantes da cultura eurocomunista italiana. Bela e comovente exposição!


Obra de Gottuso com história pessoal bem interessante....

Conversando com minha amiga Isolda Branco, que sabe sobre cinema muito mais do que eu, descubro que o diretor italiano, Giuseppe Tornatore - aquele de Cinema Paradiso e  Estamos Todos Bem , um diretor  de que gosto muito -  também nasceu em Bagheria. E pronto!


Manifestações de fé nas ruas de Bagheria

A cidade, eu passaria a considerá-la famosa : ali nasceram Guttuso e Tornatore e isso me bastava. Mas, por outro lado, Bagheria tem mais atrações, como a Casa dos Monstros, que,  na verdade,  é a Villa Palagonia, um palácio barroco, que teve sua construção iniciada em 1715.


Vila dos Monstros ou Villa Palogonia

A Vila dos Monstros , se não assusta, diverte e informa. É muito interessante a pequena igreja, o palácio, o intorno e o interno, enfim a arquitetura e a imaginação de quem a  concebeu assim: o arquiteto Tommaso Maria Napoli  junto     com o proprietário, Ferdinando Gravina, príncipe de Palogonia. 



Eu teria medo de estar aqui, à noite, numa sexta-feira 13....

Parece, entretanto, que os monstros de pedra foram colocados ali por outro príncipe, proprietário posterior  da Villa Palagonia.   A arquitetura da Villa é bastante singular.     Há  uma escada, com esquinas estranhas, que leva ao primeiro andar,      e as salas principais têm formatos diferentes e raros.Conta-se que Goethe, ao conhecê-la, chamou-a de Manicômio da Palagonia.


Detalhes da escada que leva ao primeiro andar

Com 50 mil habitantes, muito próxima de Palermo - se não fosse sua história e independência, poderia ser um bairro da capital da Sicília. A ela chega-se facilmente de trem, e a estação é próxima das atrações. Tudo é próximo, pois o centro dela é concentrado e não há muito o que ver.


Um dos portões de acesso à Villa

Indico-lhes uma visita ao Museu Guttuso, instalado num edifício do séc. XVIII, outra visita, à curiosa Vila dos Monstros  e uma bela caminhada pela cidade, observando mansões em estilo barroco e neoclássico. Se almoçarem, não se arrependerão, pois se come bem mesmo em restaurantes pequenos e simples dessa cidade.


Bagheria

(....) Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só aonde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E somos vadios do nosso corpo.
E estamos sempre fora dele porque estamos aqui."

Fernando Pessoa

                                                                Contadini al lavoro - Guttuso/1950

sábado, julho 29, 2017

Piazza Armerina - e sua Villa Romana del Casale


Detalhe da Villa Romana del Casale

Uma sala para ginástica. Corpo de meninas bem trabalhado, forte e musculoso. Mãos portando adereços que parecem usados para atividades físicas. Todas elas usando biquini. Até aí nada que hoje não se veja nas muitas academias espalhadas pelo mundo...Por que, então, fiquei surpresa?



Centro da Piazza Armerina


Fiquei surpresa por ter admirado essa cena retratada  em um mosaico romano, na Villa Romana del Casale, na impressionante Piazza Armerina, na Província de Enna, na Sicilia - a ilha mais importante do Mediterrâneo, a região mais vasta de toda a Itália.



Villa Romana del Casale


Com aproximadamente 23 mil habitantes, chega-se a Piazza Armerina de ônibus ou de carro. Muitos turistas circulam pela cidade, que tem prédios históricos imponentes e bem cuidados, como a Catedral, uma construção barroca do século XII, localizada no ponto mais alto da cidade.



Villa Romana del Casale : mosaicos no piso 


A  principal atração desta cidade - que se divide entre medieval e barroca - é esse  achado arqueológico da época romana da Sicília : a Villa Romana del Casale, mais especificamente os seus mosaicos, que foi incluída na lista da UNESCO como Patrimônio da Humanidade.



Mosaicos na decoração do piso da Villa


A descoberta  da Villa começou  quando, em 1820, encontraram algumas colunas e começaram escavações que levaram a descoberta desta morada imperial, possivelmente mandada construir por Maximiano, co-imperador de Diocleciano, ao redor dos séculos III - IV d.C. Teria sido Constantino que finalizara a decoração do local.




Delicadeza dos mosaicos


Após essa descoberta, há um período sem grandes investimentos nas escavações. Nos anos 30, entretanto, as escavações são retomadas e descobrem-se outras habitações com pavimentações de mosaicos. Face a importância das descobertas, novas campanhas são realizadas, dessa vez  com apoio total do Estado.



Mosaicos com quase dois mil anos....


Atualmente, as escavações já descobriram mais de 3500 metros quadrados de pavimentações. De fato, pouco restou da antiga morada imperial. O piso, no entanto, revela belíssimos mosaicos remanescentes da antiguidade romana, destacando-se as cenas mitológicas, domésticas e de caça, em paisagens que se enquadram no cenário natural do espaço ao redor da Villa.



                                                    Mosaicos que mostram cenas de caça


A Villa Romana del Casale está a 6 km da Piazza Armerina. A melhor forma de chegar até ela é mesmo contratar um táxi - se possível, acertem também um horário para o mesmo táxi fazer o retorno à cidade.  No verão, está aberta das 9h às 16h30 min. Acredito ser uma visita que se pode sugerir sem medo de errar.


Cena de caça

"Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua.
Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem.
Se onde quero estar é longe, não estou lá num momento.
Sim: existo dentro do meu corpo.




Mosaicos da Villa



Não trago o sol nem a lua na algibeira.
Não quero conquistar mundos porque dormi mal (...)



Idem

Não: filho da terra, que se der um salto, está em falso,
Um momento no ar que não é para nós,
E só contente quando os pés lhe batem outra vez na terra,
Traz! na realidade que não falta!




Idem

Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passe adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salte por cima da sombra.
Não; não tenho pressa."

Fernando Pessoa


Cenário de Chegada à Villa

quarta-feira, julho 19, 2017

Noto, Joia do Barroco Siciliano

Barroco em varandas de palácios

Localizado na Província de Siracusa, com 25 mil habitantes, Patrimônio da Humanidade na lista da UNESCO desde 1996, Noto é visita imperdível para quem vai à Sicilia, não só pela exuberância do Barroco , como também pela unidade de estilo.


Catedral de Noto

Em 1693, um catastrófico terremoto destruiu quase por completo a Noto Antica . Os moradores sobreviventes decidiram, então,  abandoná-la. Substituíram-na por outra cidade,  que ficou localizada à esquerda do rio Asinares. A planta urbana da Nova Noto foi elaborada por um grupo de arquitetos locais , coordenados por Juan Bautista Landolina. Tal planejamento deu a ela uma unidade de estilo.


Porta Real - entrada da cidade

Para as construções de Noto, foi utilizada tufa branca da localidade - uma pedra calcárea porosa - que adquire , em contato com o sol, uma  tonalidade castanha, meio dourada.  Daí por que Noto também é conhecida como Cidade Dourada. Realmente, obras barrocas douradas constituem uma beleza rara, que me  encantou ver!


Destaque para a cor dourada

Noto tem um traçado muito interessante. A partir da Porta Real, a Avenida Vittorio Emanuele, a artéria principal, com seus 800 metros de comprimento, atravessa , como um eixo, toda a parte monumental, tendo,ao longo dela três praças, que dividem as três partes básicas da cidade.


Prédios religiosos com o mesmo dourado

Parece mesmo que a cidade foi desenhada a partir do poder exercido por grupos sociais. Na primeira parte, estão igrejas, conventos e monastérios, ou seja, está o poder religioso; na segunda parte, estão os nobres, com seus estupendos palácios; na terceira e última parte, separados por uma praça, estão os quarteirões populares - ali vivia o povo. 


Palazzo Viladorata, totalmente barroco

Há que se ter tempo para ver  a representação do poderio da igreja e da nobreza a distribuir-se pela cidade. Ver o Palazzo Trigona ( 1781), localizado na Via Cavour, atrás da Catedral; o Palazzo Viladorata (1730 ), que se destaca pelas muitas figuras esculpidas na sua fachada. Em frente à Catedral, está a Prefeitura atual, em prédio construído em 1740.


Palácio Municipal

O poderio da igreja pode ser facilmente identificado em muitos grandiosos edifícios, como o Seminário San Salvatore, o Mosteiro de Montevergine, o Convento do Santíssimo Salvador e as igrejas de San Domenico, Santa Chiara e San Francisco - todos com fachadas imponentes e cuidadosamente trabalhadas.


Parte religiosa da Cidade

A Catedral, construída na década de 1770, está sobre o alto de uma escadaria de três rampas e domina a Praça da Municipalidade, onde está o harmonioso Palazzo Ducezio, sede atual da Prefeitura. O interior da Catedral é formado por três naves e muitas capelas laterais. Exibe preciosos altares de mármore. Grandiosa e bonita igreja.


Ruas estreitas e prédios dourados.

Em meio à exuberância e quase homogeneidade do Barroco, em meio a tanta pompa grandiosidade, tivemos um tempinho disponível para visitar uma Galeria de Arte, em que estava a Exposição Sogno e Colore - Marc Chagall e Ottavio Missoni. Na entrada, um texto de Chagall onde se lia: " Nelle nostre vita c`è un solo colore che dona senso a alla vita stessa. Il colore dell`amore."  


Cerâmica exposta na Galeria de Arte

"Viajar! Perder países! 
Ser outro constantemente, 
Por a alma não ter raízes 
De viver de ver somente! 

Não pertencer nem a mim! 
Ir em frente, ir a seguir 
A ausência de ter um fim, 
E a ânsia de o conseguir! 

Viajar assim é viagem. 
Mas faço-o sem ter de meu 
Mais que o sonho da passagem. 
O resto é só terra e céu."

Fernando Pessoa

Bella Noto! Ciao! Ciao!