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quinta-feira, março 10, 2011

Texto

Egito
“A criança que ri na rua,
A música que vem no acaso,
A tela absurda, a estátua nua,
A bondade que não tem prazo .

Tudo isso excede este rigor
Que o raciocínio dá a tudo,
E tem qualquer cousa de amor,
Ainda que o amor seja mudo”.

Fernando Pessoa

terça-feira, março 10, 2009

Monte Sinai e Mosteiro de Santa Catarina








































Depois de Luxor , retornei ao Cairo e , de lá, fui , passando pelo Canal de Suez, para o Sinai, região que combina montanha e mar . A cor de terra da montanha do deserto e o azul turquesa do mar formam um conjunto de inesquecível beleza. A Península do Sinai está situada entre a África e a Ásia. Região de muitos conflitos , tem o domínio dos beduínos e outros povos tribais nômades – e é , por isso mesmo, rica de histórias aventurescas e interessantes. 









































É também uma região de profundo significado religioso, sendo local sagrado para judeus, muçulmanos e cristãos. Foi aqui, no Monte Sinai, que, segundo a tradição, Moisés recebeu as Tábuas da Lei, os Dez Mandamentos. Construído , aos pés desse Monte, está o Mosteiro de Santa Catarina, considerado o mais antigo mosteiro cristão do mundo continuamente habitado, sempre por monges ortodoxos gregos – lembrei-me muito de Gisela e Alex, meus queridos amigos gregos. Esse Mosteiro foi fundado em 527. Atualmente, vivem nele cerca de 20 monges, quase todos da Grécia. Diz-se que o Mosteiro de Santa Catarina é  a “ Bíblia ao Vivo”. Tem sido um grande centro de peregrinação religiosa por mais de 15 séculos. Está ali um arbusto ( salsa ardente) que se acredita ser da mesma cepa do arbusto a partir do qual Deus mandou Moisés liderar seu povo na saída do Egito para a Terra Prometida. As Muralhas de Justiniano cercam o complexo do Mosteiro, onde há uma pequena porta por onde passam os visitantes.







































Os jardins e o entorno dele são belíssimos e muito fotogênicos. Daqui, sobe-se ao Monte Sinai ( 3 700 degraus pela Escada da Penitência ) e ao Monte Catarina , o mais alto do Egito, com 2642 m. No topo deste último, podem ser vistos os golfos de Ácaba e Suez e montanhas da África e da Arábia Saudita. Claro que eu não subi! Bem que eu gostaria de voltar ao Egito e Israel, depois que tivesse mais tempo para estudar sobre esses países. Desta vez, meu tempo foi pouco e não consegui fazer a adequada preparação para a viagem. Sempre penso que eu precisaria de mais vidas para realizar tudo o que desejo . Nesta, vai faltar tempo.Com certeza!



quinta-feira, março 05, 2009

Observações sobre Asia e Africa





















"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse."

Fernando Pessoa






















Fortaleza de Saladino, também no Golfo de Ácaba, no Mar Vermelho, entre o Egito e Israel.




























Amei conhecer a região do Deserto do Sinai. Foi ótimo ver onde se dá a fronteira entre a África e a Ásia.






















Vi, em Istambul, o hotel onde Agatha Christie se hospedou Quanto escreveu o livro Assassinato no Expresso Oriente. Agora, em Assuã, vi este hotel onde ela se hospedou para escrever Morte sobre o Nilo. Bom gosto!





















Fantástico este Obelisco Inacabado. Depois de fazerem os cortes laterais, descobriram fendas na sua parte superior. Foi abandondo sem ser totalmente afastado da rocha-mãe. A cor do granito é linda.






















Alguém duvida de que este barqueiro é um típico egípcio?





















Fiz um passeio de barco ao redor das Ilhas do Jardim Botânico e Mausoléu de Agha Khan. A família dele não permite visitas ao local.





















Pobres cavalos! Carregam até cinco pessoas.






















Cena muito comum tanto aqui, quanto em Marrocos e Índia: amigos encontram uma sombra e ficam a conversar.

Vale dos Reis e das Rainhas


Apesar do sol, que me deixou da cor de uma pimenta vermelha, madura , saudável - e ardendo - amei o Vale dos Reis e das Rainhas.
Esse Vale, que está em local remoto e árido, quase imacessível na época de sua criação, foi necrópole a partir de Tutmés I ( 1500 a.C.). Surgiu do medo dos faraós de que, após a morte, os ladrões roubassem os tesouros enterrados com eles. 
Adiantou pouco. A maioria foi saqueada.



Em 1922, foi descoberta , por um pesquisador inglês, a câmara mortuária de Tutancâmon. Ela continha cerca de 700 itens de tesouros pertencentes a esse rei, que morreu com 18 anos. No Museu do Cairo, vi sua máscara mortuária, belíssima e impressionante, em ouro maciço e pedras preciosas. Muitos objetos e desenhos encontrados nesses lugares deviam servir ao faraó e orientá-lo após a morte.





Impressionante o túmulo de Ramsés VI, ainda com pinturas originais. Impressionantes também os registros dos rituais e das cerimônias fúnebres, que tinham como objetivo proteger os mortos e assegurar-lhes uma jornada tranquila ao além - ou mundo subterrâneo. A máscara mortuária, segundo os antigos egípcios, era colocada sobre a cabeça da múmia para facilitar ao espírito o reconhecimento de seu corpo.
O templo mortuário da rainha Hatshepsut, entretanto, foi o que mais me encantou. É imponente, diferente, belíssimo, feito todo com escavações na rocha. O arquiteto que o projetou - Senenmut - consta que era o amado-amante dessa mulher extraordinária, a única que conseguiu alcançar o trono, apesar a forte oposição que teve por ser mulher.
Fez por merecer esse templo lindo ( foto 3). 

quarta-feira, março 04, 2009

Templos de Luxor e Karnak











































Luxor é uma cidade interessante de conhecer, pois surgiu das ruínas de Tebas,capital do Império, no Egito Antigo (1550 – 1069 a.C. ). Com a Corniche, rua à beira do Nilo, e o movimento turístico constante dos barcos que fazem Cruzeiros , Luxor torna-se ainda mais interessante de conhecer. Mas é com os Templos e a Necrópole de Tebas que se torna imprescindível conhecê-la.  Pode-se visitar a cidade caminhando, de carro ou de caleche, uma charrete, muito enfeitada, puxada por um pobre cavalo. O Templo de Luxor é grandioso.Foi construído por Amenophis e Ramsés II em 1450 a.C. É verdadeiramente grandioso.













































Tem a singularidade de haver uma mesquita construída ( mais tarde, é claro) dentro dele. Antes havia uma avenida de esfinges, com quase dois quilômetros, que o ligava a Karnak. Por sorte, consegui ver esse Templo duas vezes: uma vez de dia; outra, à noite, quando nos oferece uma visão fantástica. No Templo, está um imponente obelisco de granito rosa. Eram dois. O outro foi removido, no século 19, e colocado na Place de La Concorde, em Paris. Foi um presente de um governante egípcio ao povo francês. Lamentável !!!!Os templos emocionam e deslumbram os visitantes, que são muitos. Já atraíam visitantes desde os tempos dos gregos e romanos.O templo de Karnak foi construído em 2000 a.C. em homenagem ao deus Amon-Rá, o rei dos deuses.

























Depois de Gisé, é o sítio faraônico mais importante do Egito. Diz-se que cerca de 80 mil homens trabalharam na sua construção. Era chamado pelos antigos de “o lugar mais perfeito dos lugares”. Foi o mais bonito que vi e o que mais me emocionou.

terça-feira, março 03, 2009

O Deus-Falcão-Hórus






























Um dos mitos egípcios mais conhecidos é o de Isis e Osiris - até os nomes nos são familiares.Segundo a lenda, foi Osiris quem ensinou os egípcios a viver, a cultivar grãos e a rezar. Seth, seu irmão ciumento, assassinou -o, esquartejou seu corpo e espalhou pedaços seus pelo Egito. Sua mulher, Ísis, e sua irmã, Néftis, reuniram os pedaços dele e , com a ajuda dos deuses Anubis e Tot, fizeram dele a primeira múmia.





























Ísis, usando sua magia, fê-lo reviver e teve dele um filho , Hórus, que vingaria a morte do pai, matando, numa batalha, no local onde hoje é seu templo, a Seth , seu malvado tio. Osíris voltou à vida e desceu ao mundo subterrâneo para ser o senhor e o juiz dos mortos.























A construção desse templo começou em 236 a.C. e durou 25 anos. É muito bonito e rico em detalhes. Duas imponentes estátuas de Hórus, de granito preto, ladeam a entrada do Templo. Aqui, celebrava-se, anualmente, o nascimento de Hórus e a sua encarnação como o faraó reinante.





Viagens e leituras

Quando se conhece um lugar ou um povo, as notícias sobre eles ganham mais sentido; as palavras, significado mais aprofundado. Assim, li hoje, no Yahoo, uma notícias que me deixou curiosa e feliz:
"Arqueólogos afirmam ter descoberto uma tumba de mais de 3.200 anos atrás na necrópole egípcia de Saqqara. O Conselho Supremo de Antiguidades do Egito informou que um sarcófago em pedra calcária pertencente a uma nobre foi encontrado em Saqqara, logo ao sul do Cairo. Por meio de um comunicado, a entidade informou que três múmias e diversos fragmentos funerários também foram encontrados na tumba. Não se sabe de quem eram as múmias. O sarcófago foi descoberto em uma área de Saqqara que data da 19ª dinastia. "

Egito II





















Tento escrever ordenadamente, mas não estou conseguindo. São tantas e tão diversas as imagens que não consigo estabelecer uma cronologia entre elas. Era assim também quando eu fazia o Cruzeiro sobre o Nilo. A cada instante , uma nova e belissima imagem sobrepunha-se à anterior ou às anteriores. Era demais.























Desde o momento em que cheguei a Assuã e à ilha onde está o Isis Island em que me hospedei, entendi uma frase que ouvi faz muitos anos: "O Egito é uma dádiva do Nilo". Sei agora que é verdade. O contraste entre as margens verdes do rio e o deserto muito próximo comove por várias razões, entre elas, a econômica e a estética. Contaram-me que, entre Luxor e Assuã, transitam, além das Felucas, embarcações tradicionais com suas velas brancas, mais de 300 barcos de turismo - plenos de gente do mundo inteiro. O Cruzeiro pelo Nilo é a forma melhor de acesso a muitos tesouros arqueológicos do Egito.




























Assuã é uma cidade simpática, antiga e toda fortificada. O comércio de rua, especialmente de especiárias exóticas, é bonito e muito colorido. A temperatura estava agradável - entre 22 e 25 graus - sendo este período o mais aconselhado para visitar a região. Conhecemos as histórias dessa cidade desde os anos 60, quando construíram a imensa represa "Assuã Alta" e fizeram o lago Nasser, com a decisão do então presidente Nasser e o apoio da Rússia - os dois presidentes haviam sido colegas de escola e amigos de longa data. Essa área pertencia ao povo núbio. Era sua terra natal desde antes dos tempos dos faraós. Acredita-se que 800 mil núbios foram reassentados em outras terras ou ficaram vivendo em Assuã. Por ser área militar, as fotografias são proibidas. As imagens,entretanto, ficaram claras na minha mente.























As visitas a Kom Ombo e Edfu valem uma viagem. Kom Ombo tem a particularidade de ser dedicado a dois deuses: a Sobek, o deus crocodilo, e a Hórus, o falcão. Foi construído no século 3 de nossa era. Está situado à beira do Nilo. Edfu é dedicado a Hórus, marido de Hathor, a deusa do prazer e do amor. Conta-se que esses deuses se visitavam anualmente, durante um mês - e esse era um mês de festa para toda a população. Bem sábios eles! Livravam-se do cotidiano.


sábado, fevereiro 28, 2009

Egito I






















"Estou soterrado sob as pirâmides 
a escrever versos à luz clara deste candeeiro
E todo o Egito me esmaga de alto 
através dos traços que faço com a pena..."

Fernando Pessoa
























O vôo pela Air France São Paulo/Paris foi bom, apenas com umas três horas de passagem por área de instabilidade ( leia-se turbulências fortes e frequentes). Uma espera de 5 horas em Paris, seguida de um vôo tranquilo para o Cairo.
Na chegada, o evento já normal para mim: a perda da mala. E só chegou dois dias depois, no hotel, em Assuã. Muito bom o Hotel no Cairo, novo e bem situado, ao lado de um imenso Shopping Center.
























Cedo ainda, para quem chegou tarde , foi a saída para um dia de visitas, incluindo Giza, onde se encontram as três pirâmides – Kéops, Kephren e Miquerinos – construídas a mais de 4.500 anos. Emoção,vontade de chorar, deslumbramento, encantamento, fiquei "tonta" com as Pirâmides, a Esfinge e o Vale dos Templos. Nenhuma fotografia dá conta daquela grandeza - um momento perfeito, só perturbado por vendedores e pedintes de toda ordem.Até Napoleão "deslumbrou"ali : "Do alto desta pirâmide,40 séculos vos contemplam."
Se Kafka teve razão ao escrever "Quem possui a faculdade de ver a beleza, não envelhece", levo fé que vou viver muito.
























A visita ao Egyptian Museum é imprescindível. O trono e a máscara mortuária de Tutancâmon já justificam, não só a ida ao Museu , mas também a viagem ao Cairo. Embora com motivação comercial, a ida ao Museu do Papiro se revelou muito interessante e informativa. Passei a reconhecer o papiro e a admirar a beleza da planta e sua importante contribuição histórica. Visitei a Mesquita de al-Azhar, que não me impresssionou muito, apesar de seus espaços grandiosos, provavelmente porque eu estava cansada da viagem longa e do dia intenso.























Cairo é uma cidade que impressiona pela beleza e pela diversidade. Ao início da noite, a partida de trem para Assuã - 16 horas de viagem! Após o jantar, devo ter dormido uns "700 km" . O hotel em Assuã era bom. Continuei dormindo e, só então, "dormi tudo" e fiquei apta a realmente conhecer um pouco da riquíssima história e da atraente cultura egípcia. Penso retornar. Faltou-me ver Alexandria e Sharm El - Sheikh.


quinta-feira, fevereiro 26, 2009

2009/1 Egito e Israel





















"O limite da minha linguagem significa o limite do meu mundo."

Estudei Ludwig Wittgenstein, nos anos 70, quando eu fazia Mestrado em Linguística, na PUC/RS. Incorporei que somos do tamanho da nossa linguagem e que a expandimos ao expandir nosso mundo com novas experiências e vivências. Egito e Israel, principalmente, nesta viagem 2009/1, ampliaram minha linguagem, por ampliar minhas fronteiras de mundo. 






















A região é complexa, e a origem de seus problemas remetem ao Antigo Testamento. Dá vontade de vir para casa e ficar muito tempo mais estudando, conhecendo, pensando. Foram 26 dias muito intensos, mas bastante tranquilos. Ainda bem que vim, mesmo contra a vontade de muitas pessoas. Até o Pedro, com seus 9 anos de idade, pedia que eu "não me arriscasse" vindo aqui. Um dia, ele entrou no meu quarto, com a carinha assustada, dizendo: "Esses acordos de paz entre Israel e Palestina são um engodo! Tu vais lá de teimosa."






















Mas foi tudo bem. O único perigo real que corri foi com o motorista da Van que nos trouxe ( éramos 9 pessoas) do Cairo à fronteira com Israel. Por uma estrada simples, sem acostamento, entre as montanhas do Deserto do Sinai, ele mantinha uma velocidade de 150 / 180 km/h. Desta vez , eu não trouxe o notebook. Faço anotações na minha agenda. Já fiz cerca de mil fotos. Meus netos não vão ficar sem saber desta viagem, que foi realmente fantástica.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Brasil/França/Egito

India - Agra


























A lista do que levar já está pronta. A cada revisão, ela diminui, embora, desta vez, ela esteja maior, apesar da viagem ser curta : 28 dias. Frio na França; calor no Egito. Vou precisar de um casaco longo e uma jaqueta. Incluo duas calças jeans e duas calças de malha - uma de lã, outra de algodão. Agrego duas blusas de lã , duas camisas de seda e duas blusas de algodão - benditos tecidos indianos , tão leves e tão bonitos. Um conjunto de roupa social , um pijama e uma camisola. Xales, luvas, meias e um boné lindinho, presente da Maria do Carmo Tito. Um sapato, um tênis, uma bolsa e uma bolsinha. Para facilitar as combinações, poucas cores: preto, branco, azul e rosa. Na minha idade, imprescindíveis os remedinhos: vitaminas, antiinflamatório, relaxante muscular.

US - Califórnia





















Levo máquina fotográfica , I-Pod e telefone. Pretendia levar um livro, sugerido, em texto na Zero Hora, por Marcos Rolim, pessoa cuja opinião eu respeito muito. Mas o estou lendo agora. Trata-se de "Os homens que não amavam as mulheres" . Não é auto-ajuda, como se poderia suspeitar a partir do título. É um romance atual e interessante. O autor, Stieg Larsson, jornalista e ativista politico sueco , é um escritor instigante. É impossível deixar essa leitura para depois! Levo, ainda, a única bagagem que não se pode perder ou comprar no caminho : leituras, informações, anotações, curiosidade e desejo de aprender.