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segunda-feira, julho 23, 2018

24/07/2018

"Não te rendas, ainda estás a tempo de alcançar e começar de novo, aceitar as tuas sombras enterrar os teus medos, largar o lastro, retomar o voo. Não te rendas que a vida é isso, continuar a viagem, perseguir os teus sonhos, destravar os tempos, arrumar os escombros, e destapar o céu. Não te rendas, por favor, não cedas, ainda que o frio queime, ainda que o medo morda, ainda que o sol se esconda, e se cale o vento: ainda há fogo na tua alma ainda existe vida nos teus sonhos. Porque a vida é tua, e teu é também o desejo, porque o quiseste e eu te amo, porque existe o vinho e o amor, porque não existem feridas que o tempo não cure. Abrir as portas, tirar os ferrolhos, abandonar as muralhas que te protegeram, viver a vida e aceitar o desafio, recuperar o riso, ensaiar um canto, baixar a guarda e estender as mãos, abrir as asas e tentar de novo celebrar a vida e relançar-se no infinito. Não te rendas, por favor, não cedas: mesmo que o frio queime, mesmo que o medo morda, mesmo que o sol se ponha e se cale o vento, ainda há fogo na tua alma, ainda existe vida nos teus sonhos. Porque cada dia é um novo início, porque esta é a hora e o melhor momento. Porque não estás só, porque eu te amo." Autor: Mário Benedetti (1920-2009)

Pensei em postar este texto, que recebi hoje da Adri, e escrever sobre ele um breve comentário, associando-o à travessia que faço nestes dias. Faltam-me, no entanto, forças: concentro-me no desejo de sobreviver. E espero.


Verona

quinta-feira, junho 04, 2015

Shakespeare, Gaudí e Miró : poema e fotos


Gaudí
Arte me sensibiliza. Emoção me fragiliza. Beleza me enternece. Gripe me enfraquece. Precisava  de um evento surpreendente e bonito. Aconteceu. Um amigo - Celso Junior - por quem eu tenho carinho e admiração, enviou-me o Soneto número 12 , de William Shakespeare, com tradução de Ivo Barroso. Era um texto que eu não conhecia e que me fazia falta conhecer. Gracias, portanto, a quem escreveu e a quem me deu a chance de conhecê-lo.

Gaudí
Soneto número 12 (William Shakespeare - tradução de Ivo Barroso)

Quando a hora dobra em triste e tardo toque

E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;

Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;

Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono

Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.



Gaudí
Para quem prefere o original:

When I do count the clock that tells the time,
And see the brave day sunk in hideous night;
When I behold the violet past prime,
And sable curls, all silvered o'er with white; 

When lofty trees I see barren of leaves,
Which erst from heat did canopy the herd,
And summer's green all girded up in sheaves,
Borne on the bier with white and bristly beard, 

Then of thy beauty do I question make,
That thou among the wastes of time must go,
Since sweets and beauties do themselves forsake 

And die as fast as they see others grow;
And nothing 'gainst Time's scythe can make defence
Save breed, to brave him when he takes thee hence.


Miró

quinta-feira, julho 16, 2009

Sobre cartas e amores transatlânticos

"Meu bem-amado está muito longe, mas penso nele todos os dias,o dia todo. E pensarei nele até que o reencontre. Então não terei mais que pensar. Ele me tomará em seus braços, nossos lábios se tocarão, seremos felizes como éramos felizes e mais ainda porque nos amaremos muito. Ele está muito longe, mas ninguém se acha mais perto de mim, já que ele mora em meu coração. Ele se chama Nelson Algren."


O texto acima não foi escrito por mim - quem me dera tivesse sido eu a autora. Foi escrito por Simone de Beauvoir, no livro Cartas a Nelson Algren - Um Amor Transatlântico. Simone estava totalmente apaixonada por esse americano de Illinois, que não sabia francês e para quem ela mandou, de 1947 a 1964, centenas de cartas de amor .
Ao ler o esse texto, relembrei Fernando Pessoa, que escreveu:
"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas."
As semelhanças nossas com o texto de Simone de Beauvoir são apenas aproximações feitas por mulheres e homens apaixonados - e que, por sorte, encontram , no texto de Pessoa, uma bela justificativa.

sexta-feira, abril 24, 2009

Susan Boyle

Recebi de Ronaldo, meu querido amigo, a indicação de http://www.youtube.com/watch?v=j15caPf1FRk . Já havia lido notícias sobre a performance da cantora escocesa, transformada, de imediato, em famosa, principalmente pela internet, após sua apresentação no reality show Britain's Got Talent, em Glasgow. Confio nas informações e escolhas do Ronaldo, por isso fui ao youtube conferir. Emocionou-me muito a canção e a simplicidade de Susan Boyle. A canção, do musical Os Miseráveis, tem uma letra linda e ela, uma voz fantástica. Além de contribuir com a arte, cantando magnificamente, Susan contribuiu com o debate sobre contradições e sofrimentos gerados por uma cultura obcecado pela aparência. Contribuiu , ainda, para divulgar o texto belíssimo de "Sonhei um sonho".
"Sonhei um sonho
num tempo já acabado,
quando a esperança era grande
e viver valia a pena.
Sonhei que o amor
nunca morreria.
Sonhei que Deus perdoaria.

Eu era, então, jovem e destemido
e sonhos eram feitos,
e usados e desperdiçados.
Não havia resgate a pagar,
nenhuma música sem cantar,
nenhum vinho a saborear.

Mas os tigres vêm à noite,
com suas vozes suaves
como trovão.
Eles despedaçam suas esperanças,
e transformam seu sonho em vergonha.

E ainda assim
eu sonhei que ele viria para mim,
que viveríamos os anos juntos.
Mas existem sonhos
que não se realizam
e tempestades imprevisíveis.

Eu tive um sonho
que minha vida seria
Tão diferente deste inferno
em que estou vivendo,
tão diferente do que parecia.
Agora a vida matou o sonho
que eu sonhei ."

segunda-feira, outubro 06, 2008

Depressão transitória

Índia
Gosto deste texto:

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina.

Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo.

Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?"

Charles Chaplin

sábado, abril 29, 2006

VIVER... ANDAR


ANTOINE SAINT EXUPERY
FOTO: KAVALA (Grécia)

De repente descobri que a vida
Exige de mim um passo a mais,
Mais um... e outro mais.
Percebi que ao meu lado alguém me convida para caminhar junto.
Lá longe, alguém me acena para apressar o passo...
Chega a turma de uma caminhada distante
Que me repete
Não pare...
Continue.
Com a vida, recebi uma ordem de nunca me instalar...
Por isso não paro, quero ser fiel à vida.
Caminharei, apesar da chuva e do vento, do calor e do sol.
Se a noite chegar, não importa, trago a luz comigo,
Com serenidade, otimismo e alegria vou andando sem me cansar.
Ao meu lado outros caminham
Não estou só, não posso parar...
Vou continuar dizendo a todos:
Quem vive precisa andar.