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sábado, outubro 10, 2015

México 2a.parte - por Paulo de Tarso Menini Trindade


Paisagem Mexicana - Patzcuaro
Nos EUA existe toda um movimento "contra o câncer”. Fazem caminhadas, eventos, amarram fitinhas no braço. Há poucos  dias, escutei um pesquisador dizendo que “se fazer caminhada e atar fitinha encontrasse a cura de qualquer coisa, o problema estava resolvido faz tempo”. Também não é por falta de dinheiro para pesquisa: os fundos são enormes. A realidade é que a biologia humana é um sistema extremamente complexo - construir uma estação espacial é fichinha perto disso. O mesmo dá para dizer sobre as “soluções” para os problemas de um país. Não, não é nem simples, nem fácil, e não é só acabar com a corrupção que resolve, é preciso muito mais do que isso.

Paisagem Mexicana - Patzcuaro
Um sintoma da pressão decorrente desse simplismo é o intervencionismo dos governos na economia, com tentativas de administrar tudo diretamente. Essa mão pesada de política econômica sempre foi uma praga no Brasil:  viu-se  muito no governo atual; viu-se mais ainda durante a ditadura militar. Não é um problema ideológico no sentido comum, porque é um erro tanto na esquerda, quanto na direita. Mas é um problema sim (de ideias) porque esse tipo de intervenção tende a desconsiderar os EFEITOS INESPERADOS. 

Paisagem Mexicana - Guadalajara
Um exemplo clássico de efeitos inesperados foi quando o governo colonial da Índia, preocupado com mortes por cobras venenosas, passou a oferecer recompensa para quem trouxesse uma cobra morta. No principio funcionou muito bem, até que as pessoas passaram a criar cobras venenosas para cobrar a recompensa. Quando o governo se enteirou do que estava acontecendo, parou de pagar a recompensa.   Os criadores de cobra, então,  soltaram as que eles tinham porque não valiam mais nada. O resultado final foi um aumento na população de cobras, um gasto público que não chegou a nenhm resultado  e gente que se dedicou a criar cobra quando poderia ter feito alguma coisa mais útil para o bem comum. Quem diz que as coisas são simples é iludido ou ingênuo ou mal-intencionado.

Elementos típicos de paisagens mexicanas
O México passou por uma reforma agrária clássica, das que se falava quando eu era criança. Fizeram exatamente assim: dividiram a terra e deram uma propriedade pequenininha para cada família. Sem entrar no mérito se naquele momento foi a decisão correta ou não, as consequências inesperadas foram duas: a agricultura do México passou a ser muito ineficiente e a pobreza virou endêmica. O que aconteceu foi que cada vez mais a riqueza passou a ser criada por vias intelectuais e não por matérias primas, e a proximidade física das pessoas nas cidades é mais eficientes em disseminar ideias e conhecimento. 

San Miguel de Alende 
As pessoas do campo, gradativamente, foram ficando para trás. A evolução da Agricultura piorou mais isso - é mais eficiente usar uma colheitadeira gigante do que várias pequenas. A agricultura também passou a funcionar como uma indústria, e a economia de escala passou a ser importante, e as pequenas propriedades sairam perdendo. Tudo isto gerou uma enorme população sem dinheiro e sem perspectiva. Triste de ver. ( Continua...)

Paisagem mexicana : Guanajuato
Obs. Este texto é continuação do que foi publicado, pelo Paulo de Tarso ( Patati ), neste blog, em setembro ( http://www.correndomundo.blogspot.com.br/2015/09/mexico-por-paulo-de-tarso-menini.html ) Pouquíssimo entendo do tema, mas continuo curiosa - ainda bem! - e gosto de ouvir e ler opiniões diversas, de diferentes gerações - mais ainda, quando é meu filho que as expõe.Mãe.......

sábado, setembro 26, 2015

Cidade do México e Monumentos de Teotihuacán

Templo do Sol

Pense numa metrópole multifacetada, com vinte milhões de habitantes, caótica, colorida, barulhenta, assustadora num primeiro momento e fascinante logo depois.  Pense numa cidade onde você pode ver as obras de Diego Rivera, entrar na casa em que viveu Frida Kahlo e visitar a Basílica de Guadalupe. Pense na Cidade do México,  integrante da lista de Patrimônios da UNESCO desde 1988.


Coloridos que surpreendem...

Minha primeira impressão só podia ser ruim: do Aeroporto Internacional ao centro da cidade a distância é 13 km....o carro que me esperava, gastou 1h20min até o hotel. Tudo bem...17h - horário sempre complicado para se aportar a qualquer cidade grande. Cheguei um pouco cansada. Perto do hotel, num restaurante excelente, encontrei comida mexicana - uma sopa, onde não economizaram pimenta, salada e café. O preço, menor que nos US. Depois, voltei para o hotel.

Minha primeira refeição....de pimenta!

Dormi cedo ...e dormi bem. Levantei disposta a encarar , sob sol intenso, a Zona Arqueológica de Teotihuacán, especialmente as Pirâmides do Sol e da Lua, o Templo de Quetzalcoati e o Templo Quetzalpapálotl ( Mariposa Preciosa ). Um único problema: esqueci o protetor solar.  Embora tivesse comprado um chapéu, no final de 4h de  caminhadas por esse lugar, chamado em Nahuatl  pelo nome que significa lugar dos deuses - eu era quase um churrasco mal passado.    




Quetzalpapálotl....
Mariposa Preciosa






      

Quetzalpapálotl  é um templo  impressionante .A primeira etapa de sua  construção  deu-se entre os anos 1 a 200 d.C; a segunda, entre 200 e 450 d.C.  Foi durante esse último período que a Cidadela - nome dado ao lugar pelos espanhóis por parecer uma fortaleza  rodeada de muralhas com até 7 metros de altura - foi ampliada ao redor do templo, com o acréscimo de outras construções.

Pinturas multicoloridas no interior do Templo
Investigações mais recentes dizem que as estruturas colaterais do Templo seriam usadas como alojamento para membros da classe governante. Hoje, o tempo máximo de permanência nesse grandioso Templo é de 10 minutos, em grupo de , no máximo, 20 pessoas, que só podem fotografar sem flash.

Pirâmide da Lua
Detalhe da construção da Cidadela
                                                      
Erguida na parte norte de Teotihuacán, a Pirâmide da Lua é a estrutura maior depois da Pirâmide do Sol. Sua construção final foi realizada em frente à Calçada dos Mortos. Na parte superior dela, havia uma plataforma onde se realizavam cerimônias em honra de Chalchiutlicue, a deusa da água relacionada com a lua também. Frente à Pirâmide da Lua, está a Grande Praça, com um altar central, que, ao que parece, eram ali representadas danças religiosas.

Pirâmide do Sol
Pirâmide do Sol



               


A Pirâmide do Sol, construída sobre uma base  com 222 metros de lado, tem 66 metro de altura. Antes era bem mais alta.  No tempo da Colônia, entretanto, um bispo espanhol ordenou que fosse derrubado o templo que rematava a parte superior, porque nele havia um ídolo de pedra...Nos anos 70, descobriu-se, no meio da escada, uma passagem, com cerca de 100 metros, que levava ao centro da pirâmide, finalizando em quatro câmeras, onde diversos objetos arquelógicos ( religiosos) foram encontrados.

A Grande Praça
Somente Teotihuacán já fundamenta e justifica uma viagem ao México. A Pirâmide do Sol é a terceira maior do mundo, Em tamanho só é superada pela de Keops no Egito e pela de Cholula, quase um subúrbio de Puebla. Foi construída ao redor do ano 100 d.C. com três milhões de toneladas de pedra -  e sem uso de ferramentas de metal, animais de carga ou rodas. Se quiserem ter uma bela visão panorâmica do conjunto, basta subir os 248 degraus da Pirâmide. Só isso! Decidi que, se houver outra encarnação, encararei, então,  essa subida...

Pátio do Palácio Quetzal-Papaloti

Convém a pessoa estar atenta aos palácios , muitas vezes ofuscados pela grandiosidade das Pirâmides. O Palácio do Quetzal-Papalotl tem um belo pátio retangular, em seu interior, com pórticos para os quatro lados e todo decorado com relevos; O Palácio dos Jagares é decorado com felinos que têm conchas no lombo; o Templo dos Caracóis Emplumados tem pinturas murais bonitas e curiosas, como a de um pássaro regando , com o bico, uma flor. Há , ainda, um bonito Museu, no centro da zona arqueológica, junto à Pirâmide do Sol. Muito o que ver...com certeza!

Agave: riqueza de utilidadades
Após essas visitas todas, ainda me sobrou um pouco de energia para permanecer, durante uma meia hora, junto a um público que via um senhor explicar as propriedades do agave - conhecido também como maguey...Trata-se de uma planta da mesma famíla  da babosa, com mil e uma utilidades .... 


...fibras de agave 
Artesanatos feito com  fibras...




















Retirando, por exemplo,  o espinho que arremata as folhas, tem-se uma agulha com linha; a cobertura da folha permite fazer pegaminhos; as fibras se usam  para tecer variedade de peças artesanais; com o tronco, prepara-se a tequilla e um licor muito doce. Pode ser usada na elaboração de cremes, shampoos e sabonetes....Tive essa planta na Bela União e não sabia nada disso - como não sabia que se deve cortar o pendão de flores...ao contrário ela morrerá em pouco tempo.                                        

Música típica mexicana no Gran Teocali
Depois de um excelente almoço - grande buffet de comidas mexicanas e internacionais, ao preço de 20 dólares - no Restarante Gran Teocali, voltei para a Cidade do México com o objetivo de  ver a Praça das Três Culturas e visitar a famosa Basílica de Guadalupe. Envolta numa história que remete a 1531, segundo a qual Nossa Senhora aparecera a Juan Diego , um índio convertido, realizando milagres para que nele acreditassem e construíssem para ela um santuário. Espertíssimos...

Novo Santuário de Guadalupe
Em 1970, a antiga Basílica  de cúpulas amarelas, construída em 1700, tornou-se pequena e foi, então, construída esta nova Basílica  de Guadalupe, com capacidade para quarenta mil pessoas. Nas proximidades dela, um complexo religioso imenso, com Museu, Capela, Templo... Impressiona o número de pessoas que transitam por todo esse complexo, incluindo a grandiosa Praça Principal. Os milagres atribuídos a Guadalupe ajudaram muito a adesão dos mexicanos ao catolismo ( uma grande contribuição...) Atualmente é a Patrona do México.

Santuário anterior  à atual Basilica
Impressionante beleza
              





















A Cidade exibe uma variedade de bairros bem distintos entre si. O Centro Histórico tem muitos vestígios das épocas Pré-Colombiana e Colonial; a Zona Rosa, perto de onde me hospedei, é festiva e reduto de pessoas modernas; o bairro Polanco é conhecido como lugar luxuoso; e o Condessa, o bairro da moda. Coyoacán e San Angel - estúdio de Rivera e Kahlo - têm estilo colonial,  e Santa fé é região conhecida como lugar de gente rica.


Santuário de Guadalupe
Ainda nesta cidade, estão ruínas da antiga capital asteca - século XIV ; a Praça Principal que está entre as maiores do mundo; a Catedral Metropolitana, que é a maior da América Latina; o Palácio Nacional com o mural de Diego Rivera: Epopeia do Povo Mexicano em sua Luta por Liberdade e Independência; a famosa Casa dos Azulejos, com mais de 400 anos; o Palácio de Belas Artes, que iniciou sua construção em 1900, foi interrompida pela Revolução de 1910 e só foi concluído 34 anos mais tarde. No Alameda Park, um belo monumento a Benito Juarez, o querido residente dos mexicanos. Tudo isso e muito mais.

Admirável o artesanato mexicano
Estive dois dias na Ciudad del Mexico na chegada, e pouco mais de um dia na partida para Atlanta. Conheci , por isso, muito pouco dessa cidade que luta para apagar sua fama de perigosa e reduto do narcotráfico. Encantei-me com sua gente acolhedora, educada e gentil. Encantei-me com o Muralismo, a Arquitetura, o artesanato e a culinária.  Gostaria muito de a ela retornar. Recomendo.


Beleza em pedras
Variedade e beleza























"Yo Nezahualcóyotl 
lo pregunto:
¿Acaso de veras se vive con raíz en la tierra?
Nada es para siempre en la tierra:
Sólo un poco aquí.
Aunque sea de jade se quiebra,
Aunque sea de oro se rompe,
Aunque sea plumaje de quetzal se desgarra.
No para siempre en la tierra:
Sólo un poco aquí."

Nezahualcóyotl - 1402 - 1472


Artesanato unicamente ...
...com pedras.
                      

quinta-feira, setembro 10, 2015

" Aún hay otras alhondigas por incendiar"

Muitas praças e fontes em Guanajuato - lugar de rãs

Incluída pela UNESCO, em 1988, como Patrimônio Cultural da Humanidade, Guanajuato tem atualmente cerca de 750 mil habitantes. No período colonial , era a segunda cidade mais rica do México, só ficando atrás da Capital, a Ciudad de México. Fundada em 1559, foi favorecida pelos imensos depósitos de ouro e prata da região.


Igreja da Imaculada

Por três séculos, foi a capital mundial das minas de prata, chegando a produzir vinte por cento de toda a produção mundial desse minério. México continua sendo um dos principais produtores de prata no mundo. Usualmente a jóias e objetos têm gravado o número 925, o que indica que contêm 925 de prata em cada 1000 gramas. As joias de prata constituem arte maior no país. Há grande variedade e bons preços em muitas cidades.


Colina do Monumento a El Pipila
Centro de Independência, onde as autoridades espanholas fora atacadas pela primeira vez, em 28 de setembro de 1810. Muitos espanhois, sabendo da  proximidade do cerco a Guanajuato, encerram-se com suas famílias e parte de seus exércitos num antigo granadeiro ( silo ), que é uma verdadeira fortaleza de pedra,  denominado Alhondiga de Granaditas.

Antiga Alhondiga de Granaditas

Houve, inicialmente, muitas mortes de insurgentes, mineiros e cidadãos de Guajuanato, que se haviam unido aos rebeldes e que  não podiam aproximar-se da grande porta de acesso ao granadeiro. Eram sempre atingidos. Um mineiro, conhecido como El Pipita, usando pedras atadas ao corpo para proteger-se, avançou sozinho e ateou fogo à porta. Contam que o Padre Miguel Hidalgo tentou conter a fúria de homens....mas em vão...foi um imenso massacre.


Monumento a El Pipila

Nas proximidades de Guanajuato, quando já se pode ter, do alto de uma colina, um belíssimo panorama da cidade, há uma grande estátua de El Pipita, onde na base se lê : Aún hay otras alhondigas por incendiar. Num outro combate, o Mineiro foi capturado e executado  pelas tropas da Coroa. Sua cabeça foi cortada, colocada numa gaiola, e pendurada numa das esquinas do granadeiro. Ali, juntamente com as cabeças de mais três heróis - um deles, Miguel  Hidalgo - as gaiolas permaneceram por 10 anos. Quando houve a Independência, foram transportadas e colocadas no Panteão dos Heróis da Pátria.


Nesta esquina, ficou a cabeça de Miguel Hidango.

A colorida Guajuanato tem  ruas estreitas que descem por ladeiras, como se cobrissem barrancos, e chegam até os túneis feitos nos vãos dos rios que existiram aí antigamente.Nesse amontado de prédios, encontram-se muitos espaços - teatros, museus e galerias principalmente - onde se podem ver  a produção de arte nessa cidade, que tem 40 mil estudantes na Universidade de Guajuanato.

Teatro Juarez - inaugurado em 1903

Impressiona mesmo essa rede de túneis, onde antigamente eram rios, e agora compoem um sistema de trânsito - com  ruas , que seguem por diferentes direções, e esquinas subterrâneas impressionantes. Não se trata de uma cidade subterrânea, construída embaixo do centro histórico, mas de um conjunto mesmo de ruas estreitas - e até escuras - por onde  carros - e pessoas em alguns espaços - conseguem movimentar-se.

Ruas Subterrâneas
Atrações  magníficas ou mesmo pitorescas são muitas. É preciso escolher o que se vai ver...ou ficar mais tempo na cidade. Relacionaremos, a seguir, algumas delas, como : a Basílica de Nossa Senhora de Guanajuato, que alberga uma estátua de madeira, coberta de jóias , que , conta a lenda, ficou escondida, na Espanha, numa caverna rochosa, durante 800 anos, para que os mouros não a encontrassem. Foi doada à cidade por Felipe II da Espanha.

Basílica vista do Monumento a Pipila

Imprescindíveis as visitas ao Teatro Juarez - obra do mesmo período do Mercado Hidalgo - e ao Teatro Principal. O primeiro, inaugurado pelo ditador Marechal Porfírio Días, é luxuoso e com um toque árabe no seu interior vermelho e dourado. O segundo é sede da Orquesta Sinfônica de Guanajuato e acolhe a maioria dos eventos do  conhecido Festival Internacional Cervantino.


Teatro Juarez : detalhe 

A Rua do Beijo - Callejón del Beso - é a rua mais estreita da cidade. Famosa pela lenda - que poderia chamar-se Romeu e Julieta mexicanos -  que conta a história do amor proibido entre uma  menina rica e um mineiro pobre, que, nos balcões de duas casas, uma defronte a outra, trocavam beijos furtivos. O trágico final ...podem imaginar. Casais costumam ir ao cenário e fazer fotos beijando-se. Quem não tiver parceiro, pode pedir o beijo para qualquer desconhecido(a). Sem o beijo, segundo a lenda, terá sete anos de azar.

El callejón del beso

O centenário Mercado Hidalgo, uma das obras realizadas por Porfirio Dias, que dirigiu o México durante 30 anos, é típico em parte pela arquitetura e em parte pelos produtos encontrados - estão anunciados logo na entrada: artesanato, gastronomia mexicana, doces típicos, frutas, verduras e carnes. 

Mercado Hidalgo
O mercado não é um primor de limpeza e conseuervação. Arrisquei ir ao banheiro porque era pago. Surgiu um problema : era pago somente com moedas. Não encontrei nada na minha bolsa. Perguntei a uma vendedora de frutas se ela podia cambiar uma cédula por moedas. Respondeu-me que não porque ainda não vendera nada...mas podia dar - me uma moeda. Deu-me. Chorei. Solidariedade sempre me comove.

Mercado Hidalgo

Na Praça da Paz - que até 1800 se chamava Praça Maior - está uma das casas mais impressionantes que vi, em se tratando de arquitetura residencial. Dizem ser o exemplo mais puro do estilo neoclássico no México. Denominada Casa do Conde Rul em razão do nome que aparece no escudo existente na parte frontal. Bela visita! 


Casa del Conde Rul
Para a sorte da cidade, Diego Rivera nasceu em Guanajuato , em 1886, na casa onde  está agora o Museu que leva seu nome. A planta baixa recria a casa da família Riviera e está mobiliada com antiguidades. Nas plantas superiores, estão obras concluídas e esboços feito  por Rivera, incluindo um nu de Frida Kahló. Perto da casa, uma escultura de bronze, em tamanho natural, do artista.


Casa Museu de Rivera
O Estado de Guanajato tornou-se o meu preferido, não só por suas cidades, mas também por sua paisagem natural e histórica. Lugar para retornar. Encerro com o poema En Paz do mexicano  Amado Nervo.

"Muy cerca de mi ocaso, yo te bendigo, Vida,
porque nunca me diste ni esperanza fallida
ni trabajos injustos, ni pena inmerecida.

Porque veo al final de mi rudo camino
que yo fuí el arquiteto de mi propio destino;
que si extraje las mieles o la hiel de las cosas
fué porque en ellas puse hiel o mieles sabrosas:
cuando planté rosales, coseché siempre rosas.

Cierto, a mis lozanías va a seguir el invierno;
¡mas tu no me dijiste que Mayo fuese eterno!
...Hallé sin duda largas las noches de mis penas;
mas no me prometiste tú solo noches buenas;
y en cambio tuve algunas santamente serenas...

Amé, fuí amado, el sol acarició mi faz.
¡Vida, nada me debes! ¡Vida, estamos em paz"


Amado Nervo - Poeta Mexicano



Cores da Catedral e da cidade


quinta-feira, setembro 03, 2015

México por Paulo de Tarso Menini Trindade: 1a. Parte




“Pobre México, tan lejanos de Dios, y tan cerca de Estados Unidos”.
- Porfirio Dias, Presidente do México por mais de 30 anos.
“Adelante, adelante, no somos machos, pero somos muchos!”
-Algum Mexicano Infame.




Semana passada fui ao México.Minha mãe tinha pedido que escrevesse sobre esse país. Não é fácil, no entanto,  descrever um país tão grande, diverso, complexo e interessante. Tem certos países que são relativamente homogêneos e, mesmo com pouca experiência,  se conhece tudo. Este é o caso dos Estados Unidos, fora poucos lugares, como Nova Iorque, Boston, Miami e San Francisco, é  muito semelhante. Viajando de carro pelos EUA, às vezes tenho a impressão que são só cinco quarteirões que repetem sempre, a gente passa por um Starbucks, um WalMart, um Burger King, e daí repete, Starbucks, Walmart, Burger King...



Claro que há aqui um exagero, mas descreve 70% do país. Esta homogeneidade não é o caso do México, assim como não é do Brasil. Em muitas partes do Brasil, me sinto em outro país. Claro que aqui vale a explicação de que, quando me perguntam se eu sou Gaúcho, a minha resposta é MUITO! Ser Gaúcho é o que me permitiu manter uma identidade cultural forte mesmo sem morar no Brasil há 18 anos.







A primeira vez que fui ao México foi na minha lua de mel, na ilha de Cozumel. Dizer que foi quando conheci o México é como dizer “conheci o Brasil, estive na ilha de Marajó”. Voltei muitas e muitas vezes, a trabalho ou de férias, percorri muito o país e trabalhei com muitos mexicanos, e agarrei um carinho especial por esse povo. No começo eles não sabiam bem como me classificar. Obviamente não era um gringo, por mais que as vezes pensasse e agisse como tal; falava espanhol com um terrível sotaque porteño (vivi 5 anos em Buenos Aires, de onde é minha esposa), mas não era argentino - e  falava espanhol de verdade e não portuñol, assim que não parecia brasileiro, e daí vai. Com o tempo muitos se tornaram meus amigos. Eles são um povo muito doce, hospitaleiro e acolhedor, ou, pelo menos, têm este espírito - até mais que os brasileiros.





Pensando em como descrever o México, a primeira coisa que me ocorreu, foi a fábula dos quatro  cegos e o elefante.    Um agarra uma pata e diz “é como um tronco de arvore”; outro, o rabo e diz “é como uma cobra”;   etc. Vou tentar descrever alguns aspectos desse país e dessa gente, mas não acho que chegue ao elefante inteiro. Assim, vamos por partes:









- Comida: gosto muito de rir dos meus amigos chineses dizendo que “comida chinesa na China é horrivel, vai na praça de alimentação de um shopping em qualquer lugar e tem melhor que aquilo”. A comida Mexicana também sofre do fato de que existe uma versão “export” que não tem muito a ver com a de verdade, a diferença é que comida mexicana no México é muito melhor (a da China não, a versão export é muito melhor). Sobre comida comecemos com : não existe comida “Mexicana” (assim como não existe comida chinesa). Cada parte do país tem uma culinaria própria e muito distinta. No norte se come muita carne, minha favorita é o cabrito assado, eles trazem um quarto de cabrito na mesa,  crocante por fora e a carne muito tenra. É delicioso. 








Em Puebla - ao norte do DF - se fazem uns pratos elaboradíssimos, meu favorito é pimentão recheado. Tem um prato que eles fazem com muito orgulho uma vez ao ano, que leva 76 ingredientes distintos. No oeste, contra o mar, comem -se muitos frutos de mar frescos. No DF, como em qualquer cidade rica, se come em restaurante francês, italiano, brasileiro etc. A única coisa que eu encontro em comum entre todos, é a tortilla. Imaginem uma massa de panqueca bem fininha, mais firme e fina que as nossas, com uma consistencia de pão. Isso é o arroz deles, é o que faz parte de todas as refeições, é o grande unificador. 








Claro que também tem a pimenta, que é muita e é forte. Tem uma tabela de ajuste, se dizem “un poquito picoso” a expressão correta é “puta que pariu ,  ta me queimando a boca”. Se dizem “picoso” a realidade é “ socorro, está derretendo a minha língua”, “Bien Picoso” é “depois nem caindo de boca num extintor de incêndio”. Com o tempo eu aprendi a dizer “no, sin nada”. Eles me olham desapontados, mas isto também é porque eles gostam de aterrorizar estrangeiros com a pimenta. Os chineses fazem a mesma coisa com as comidas estranhas, pedem as coisas mais escabrosas e ficam te olhando para ver se vais comer. Por isso eu repito, comida chinesa na China é muito ruim.








- Clima: já senti frio no México, em Monterrey e no DF, durante o grosso do inverno, mas geralmente as opções são calor, muito calor, terrivelmente calor, e forno de pão. Este último é onde eu estava semana passada, no deserto da Baja California, 45 graus e seco. Uma vez em um voo de Monterrey a Atlanta fazia tanto calor, que eles tiveram que retirar 24 passageiros do avião, senão não tinha como decolar pela pouca densidade do ar. Várias garrafas de agua mineral são uma compania indispensável por todos os lados.



- Tipos de mexicano, por classe social: generalizações crassas naturalmente, mas de alguns tipos que eu encontrei varias vezes:
                - Mexicano Pobre: eles têm muito medo, e com razão. Andam de cabeça baixa, não olham nos olhos. O poder de negociação deles é muito baixo, a unica coisa que eles tem para barganhar é trabalho braçal, e isso no México sobra. Eles são honestos, trabalhadores, dedicados - dá pena de ver. Tem um fatalismo nos olhos de quem espera que que as coisas saiam mal, e geralmente estão corretos. As moças se casam muito cedo e tem muitos filhos; os pais se viram como podem, mas aos 30 anos parecem velhos.







                - Mexicano de classe profissional:   esses são os que sim foram educados e têm uma vida relativamente confortável. Moram em apartamentos, tem carro, assistem a TV todas as noites, os filhos vão à escola e tem a expectativa de ir à Universidade. A parte difícil para eles é o medo de cair na pobreza. Não por falta de trabalho, há muito trabalho para pessoas qualificadas, o medo deles é violencia, problemas de saúde etc. É bastante possível se tornar pobre, e é muito dificil deixar de ser pobre.







               - Mexicano rico: estes são os todo-poderosos. Se vestem bem, são muito cosmopolitas, são Mexicanos ma-non-troppo, não morrem de patriotismo. Os realmente ricos são cercados por camadas e camadas de pessoas  que dependem deles, e que nunca os desafiam, e sempre os tratam de uma maneira subserviente. Não é que eles escolham que as coisas sejam assim, é como as coisas se dão. Eu faço bons negocios com este tipo de gente, simplesmente porque eu não sou subserviente, não interessa que todos estejam de cabeça baixa ao redor, eu olho no olho, aperto a mão forte, trato como igual e não tenho medo de dizer quando eu acho que eles estão errados. A reação deles a isso? Alívio e felicidade. Eles adoram poder conversar de igual para igual e poderem intercambiar ideias de verdade, sem que as outras pessoas digam somente o que acham que eles querem escutar.  ( Continua )






PS. Patati - como sempre o chamamos - é meu filho do meio. Já escreveu sobre Cuba no Correndomundo. Somos muito amigos e respeitamos, reciprocamente, nossas divergências de opinião - como convém a qualquer mãe e filho. Admiro sua lucidez, sua honestidade e seu senso de humor. Imaginem a saudade que sinto dele...