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sexta-feira, outubro 21, 2016

Esztergom : duas visitas, dois tempos, duas percepções

Basílica de Esztergom - lugar de peregrinações

Capital húngara durante a Idade Média, a cidade de Esztergom, distante de Budapest cerca de 50 km, está à margem direita do rio Danúbio e tem acentuada importância histórica e religiosa para os católicos do País. Integra  o destino  de conhecida rota da peregrinação, com 100 km de percurso , denominada Via Margarida.


Detalhe da Basílica

Nesta cidade, nasceu Santo Estêvão, rei da Hungria, que foi coroado no ano 1000. A constituição húngara de 2011 refere expressamente a Santo Estêvão e declara seu reconhecimento ao cristianismo na integridade e preservação da nação. Dentro da Basílica, está a cruz do juramento, usada pelos reis húngaros durante 900 anos.


Na frente da Basílica, muitos vendedores ambulantes

A Basílica, dedicada a Assunção de Maria e a Santo Adalberto, é a maior da Hungria.. No século XVI, ela foi destruída, tendo sido reconstruída e consagrada no ano de 1856. Franz Joseph Liszt - que era húngaro - compôs músicas para essa solenidade de consagração. Pode-se ver também, no seu interior, um quadro da Assunção de Maria - o maior quadro a óleo do mundo - com 13 X 6,5 metros.


Referência à Missa de consagração da Basílica

Por sorte, chegamos na imponente Basílica, localizada no alto de uma colina, bem no início da Missa, sendo possível ouvir peças musicais magistrais, executadas num órgão de tubos. Consegui, com rapidez, fazer algumas fotos de seu belíssimo interior. Depois, Adriana, Pedro e eu percorremos o entorno próximo à Basílica, quando vimos o Danúbio e algumas de suas famosas curvas e a ponte que o liga à Slovakia.


Ponte Maria Valéria

Danúbio é fronteira com a Slovakia, acessível  por uma ponte denominada Ponte Maria Valéria, nome da filha mais nova de Elizabeth, nossa conhecida Sissi. Essa ponte, que liga Ssztergon a Sturovo, cidade eslovaca, foi destruída pelos alemães, em retirada, no ano de  1944. Em 2001, com apoio da União Europeia, ela foi totalmente reconstruída.


Hungria e Slovakia, acessadas pela ponte Maria Valéria

Este tour de um dia é feito por diferentes agências de Budapest. A ida é toda de ônibus sem paradas. A volta - entre a primavera e o outono - tem parte de seu regresso em barco e faz três stops, todos ainda de ônibus, antes do barco, é óbvio.... As paradas são em Esztergom, Visegrád e Szentendre - essa última, já descrita aqui no Correndomundo. é também  local de embarque no pequeno cruzeiro pelo Danúbio. Um tour bem interessante, disponível nos hotéis e nos pontos de partida do grupo.


Basílica durante a Missa

Há mais de 10 anos, antes de ter blog, eu estive em Esztergom. Eis que encontro agora, numa antiga agenda, um pequeno texto sobre essa visita, que passo a transcrever  fielmente. Vale pelas diferentes percepções, da mesmo pessoa e num espaço de tempo não tão longo. Lamento não ter fotos - as que aparecem a seguir, são desta segunda visita.


Chegando para a Missa....

" Estou em Budapest. Tenho feito lindos passeios, mas ontem foi meu dia de " roubadas"...Ainda na Bahia, li muito sobre os lugares que eu pretendia visitar. Li - e anotei - que Esztergom era uma cidade muito interessante. Cedo, de Metrô, fui a Nyugati Pályudvar ( esse segundo palavrão quer dizer Estação). Um trem estava de partida para Esztergom. Correndo, consegui comprar passagem...( Gugu fala que sou curiosa - desejo sempre saber o que há dobrando a esquina...ou do outro lado do muro, colina, montanha ou moita....e vou atrás ).E me fui toda feliz...



Detalhes da Basílica

Durante 1h30min, pude ver os campos da Hungria - bonitos, mas, nenhuma Toscana! Chegando, começaram as decepções: a estação era longe do centro e nela havia uma placa, com data de 1996, comemorativa dos 100 anos da cidade. Muito nova! O primeiro escudo de Kosice - onde estou passando uma temporada -  data de 1369. Segui, por 2 km, as placas que indicavam "Centrum"....e elas terminaram sem que nada mudasse. Fui até a margem do Danúbio, de onde vi minha amada Slovakia. Vi uma igreja grandiosa...e voltei...sem me encantar com nada...


Interior da Basílica

Penso que todos nós conhecemos um tipo de pessoa " liquida prazer"... Se o assunto é literatura, indica um livro esgotado que só ela leu; se é cinema, disserta sobre um filme de arte, raro, que poucos viram; se é viagem, fala de um lugar ou de um detalhe  que ninguém foi ou ninguém notou...O cara que escreveu que Esztergom era uma maravilha, pensou certamente que ninguém iria conferir ou tem um romance lá, desses que faz qualquer  lugar do mundo parecer um paraíso. Burra fui eu que não conferi a informação. Voltei a Budapest no final da tarde - gripada, cansada e p. da cara. "

Campos da Hungria.

Com este post, encerro os relatos dos meses em que estive na Europa e nos Estados Unidos em 2016. Em breve, outros relatos virão. Ainda tenho um roteiro programado para o mês de novembro - Peru, Colômbia e Equador. Em dezembro, enfrento o período mais difícil do ano - aquele em que as  perdas e danos ressurgem ... ainda mais doloridas - Natal e Ano Novo.  Mas tudo bem... Para 2017, planos e roteiros começam a ser elaborados. Enchallah!


Adri - a quem agradeço a parceria - em Esztergom

"Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia."

Fernando Pessoa


Detalhes do interior da Basílica de Esztergom


quarta-feira, agosto 31, 2016

O Danúbio da Valsa

Danúbio em Budapest

Já escrevi que o Danúbio é um dos meus rios preferidos na Europa, assim como o Mississippi nos Estados Unidos. Johan Straus (filho) compôs  Danúbio Azul, valsa executada pela primeira vez em 1867, e que, na minha adolescência, eu pensava ser o Hino Nacional da Áustria. Quando descobri que não era Hino, descobri que mais pessoas também pensavam isso.


Danúbio na Hungria

Conheço, entretanto, pessoas mais ou menos da minha idade, pés de valsa juramentados, que sonham em assistir os tradicionais Bailes de Viena e dançar o Danúbio Azul - não é meu esse sonho, até porque não uso sapatos de salto alto, vestido longo, adereços...e nem sei valsear . Minha realidade é bem diferente,  Como sonho e realidade tantas vezes se aproximam - e não sou fiscal de sonhos alheios - transcrevo, a seguir, links para o bailes em 2017 ( em que eu , com certeza, não irei):


Danúbio entre Slovakia e Hungria

https://classicworld.at/viena/conciertos/baile-de-johann-strauss-kursalon-de-viena/?p=33&l=3&c=1&d=12&id=248
https://www.vienna-concert.com/events/es/75/Baile-Viena-2016.html
https://www.vienna-concert.com/events/es/75/Baile-Viena-2016.html


Curvas do Danúbio

Danúbio atravessa grande parte do continente europeu no sentido leste - oeste, passando pelo seguintes países: Alemanha, Áustria, Bulgária, Croácia, Hungria, Moldavia, Romênia, Sérvia, Slovakia e Ucrania. É o segundo maior rio da Europa, depois do Volga - quase 3 mil quilômetros de extensão.


Movimento turístico nas margens do Danúbio

Este rio, cuja altitude da nascente é de 1078 metros,  nasce na Floresta Negra, na Alemanha. Sua foz fica no Mar Negro, no Delta, em território da Romênia - país que está no meu roteiro para 2017. Os portos mais importantes do Danúbio são Viena, Belgrado, Budapest e Regensburg.


Ponte sobre o Danúbio, conectando Hungria e Slovakia

É interessante observar que  85 milhões de pessoas moram em cidades localizadas às margens do Danúbio, rio que é fronteira natural entre dez países. Há magníficos castelos às margens do Danúbio, sendo o Castelo de Bratislava, na capital da Slovakia,  o meu preferido. O mesmo rio está entre Buda e Peste, na capital da Hungria.


Budapest

Conforme o país por onde passa, este rio recebe  diferentes denominações, como, por exemplo, Donau, na Alemanha; Dunay , na Slovakia; Duna, na Hungria; Dunav, na Croácia. A raiz de seu nome, no entanto, vem do proto-indo-europeu : Danu, rio ou corrente.


Danúbio em Budapest - Ponte Branca

As cidades mais importantes localizadas em margens do Danúbio são: Ulm, na Alemanha, cidade famosa por ter a Catedral mais alta do mundo; Ingolstadt, Ratisbona e Passau, também na Alemanha; Lins, Krems e Viena, na Áustria; Bratislava, na Slovakia; Budapest , na Hungria; Vukovar, na Croácia; Belgrado, na Sérvia; Braila e Drobeta, na Romênia; Vidi e Ruse, na Bulgária.


Cruzeiro pelo Danúbio - 1994

O meu roteiro para Europa/2017 - com esboço ainda muito inicial - inclui mais algumas vistas do rio Danúbio, como as da Romênia, país que ainda não visitei, mas já iniciei coleta de material para estudá-lo devidamente. Aceito contribuições . Lá vou eu .... If God is willing.  


Castelo de Bratislava - 2006