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quinta-feira, maio 03, 2012

Liverpool : Tributo ao Beatles

Catedral de Dublin




















Deixando para trás a República da Irlanda , que se diz um  país com muito craic, uma palavra gaélica que define um estado de espírito, mais ou menos como alegria e diversão, lá vamos nós - Ronald, Mile eu - para Liverpool. Parto comovida com a beleza de tudo o que vi e com a simpatia e gentileza irlandeses . Um belo lugar para ser visto e apreciado. Um lugar a que eu gostaria de voltar. Começo a encarar tosse, dores no corpo e um irritante resfriado. Espero que passe logo.





















De barco, iremos até Holyhead . De Holyhead, um pequeno trem nos levará até Chester, aquela cidade murada da Inglaterra. De Chester, um outro trem nos levará a Liverpool. Acreditem! Eu amo esses programas de branco - como dizia um índio meu amigo, no Mato Grosso. Esses programas sempre me mostram lugares e pessoas interessantes, sempre os vejo como muito informativos. Meu único objetivo, em Liverpool, é dormir. Nem os Beatles vão conseguir me reanimar. A tietagem, desta vez,  ficará por conta do meu irmão.

República da Irlanda: Kilkenny




O Condado de Kilkenny situa-se no sudeste da Irlanda, na Província de Leinster. Sua capital é a cidade de Kilkenny, com uma população ao redor de 25 mil habitantes, que eu jurava ser bem maior, principalmente pelo número de cafeterias, pubs, restaurantes, comércio ativo e  gente circulando.
Considere-se que há muito turismo nessa cidade e que há muitos estudantes de inglês em toda a Irlanda - também aqui.
Kilkenny é a cidade natal de James O´Neill, pai de Eugene O´Neill, o famoso dramaturgo, nascido em New York, que recebeu o Nobel da Literatura em 1936.
Aquela sensação de contrair o estômago e prender a respiração, eu a senti algumas vezes, no caminho para essa cidade  e na entrada dela. Estrada e cidade são realmente muito bonitas.







Kilkenny , que foi capital medieval da Irlanda, possui inúmeros atrativos, sendo um lugar turístico por excelência com diversos locais para visitar,  incluindo lugares de compra bem interessantes. Há um centro de design , onde se pode ver o artesanato típico da região. Encontram-se nele delicadas roupas de cama e mesa, belos casacos de tricô irlandês, objetos, utilitários e decorativos, em cerâmica e vidro, jóias com design de inspiração céltica, roupas bastante originais e elegantes. Para uma cidade turística, os preços me pareceram razoáveis. Imprescindível visitar o Castelo e seus jardins, que são muito extensos e cuidados visível  esmero;  a Abadia fundada em 1255; a Rothe House, datada do século XVI;  a Catedral com mais de 800 anos. Muito agradável caminhar por suas ruazinhas e ver construções e jardins bonitos.








O Castelo de Kilkenny é tão importante para a região que foi o local escolhido para a reunião da Assembléia Geral, ou Parlamento, do Governo Confederado da Irlanda, na década de 1640, e, atualmente,  as cerimônias e premiações dos diplomados do "Kilkenny Campus" da National University of Ireland, Maynooth, ocorrem, desde 2002, no seu interior. 

Sua construção  remonta ao ano 1190, quando William Marshal, conde de Pembroke, lançou a sua primeira pedra no mesmo lugar em que já se erguiam as antigas torres, das quais três chegaram aos nossos dias.








Em 1270, o Castelo passou para Sir Gilberto de Bohun, que o herdou de sua mãe, juntamente com o Condado todo. No ano de 1300, esse nobre foi expulso por Eduardo I de Inglaterra, mas retornou e reinstalou-se, em 1303 no mesmo Castelo, conservando-o até à sua morte, em 1381. A família manteve -o até meados do século XX, quando o vendeu para uma Comissão de Restauração.No ano de 1967, foi transferido para o Estado, remodelado e aberto à visitação pública. Impressionam muito as fontes, esculturas, portões  jardins e  extensas terras pertencentes . Impressiona também nele a parte interna, em que se destacam a biblioteca, o salão, a ala chinesa e a chamada "Long Gallery", onde parte do acervo da National Art Gallery está  em exposição.








O Castelo de Kilkenny  constitui uma das grandes atrações da cidade. Toda a cidade, entretanto, é muito agradável de ser visitada. Em pouco menos de duas horas, retorna-se a Dublin, sempre por estradas com paisagens de sonhar com paraíso.


quarta-feira, maio 02, 2012

República da Irlanda: Glendalough






Na República da Irlanda, distante pouco mais de 50 km,  ao Sul de Dublin, em meio a um vale das montanhas de Wicklow, está Glendalough ( pronuncia-se Glendalók) , pleno de histórias, mistérios e misticismo. Chega-se lá, deixando a estrada principal e seguindo por estradinhas encantadoras. Percorre-se, depois, a pé , caminhos abertos entre florestas densas de indescritível beleza, vendo o Vale dos Dois Lagos, como significa o nome Glendalough ( Os dois lagos aparecem nas duas primeiras fotos).







Das montanhas que cercam o vale, descem grandes e minis cascatas de água límpida e fria. A vegetação é variada e bonita.  Nessas horas, gostaria muito de ter estudado botânica para identificar e apreciar melhor as diversas - e diferentes - árvores, arbustos e flores que vejo. De longe, já se avista a Torre Redonda, muito alta, com mais de 30 metros, construída, assim , para proteger e preservar  escritos estudados ou produzidos pelos 3 mil monges que ali viveram, acompanhando os ensinamentos de São Kevin. As ruínas do Monastério, fundado nos anos 600, estão razoavelmente preservadas, e o local todo  impressiona muito.








São Kevin nasceu em 498, descendente de família nobre. Conta a lenda que, após ter uma visão em que Deus o mandava ir a um vale com dois lagos e lá construir um mosteiro, São Kevin abandonou todo seu conforto e riqueza e foi viver , como eremita,  numa caverna, no lugar que lhe fora indicado. Depois de um tempo, criou um importante centro de aprendizagem e solidariedade, dedicado ao cuidado de doentes e à cópia e iluminação de manuscritos antigos. Muitas são as historias desse santo ,que é celebrado no dia 3 de junho, com a presença de peregrinos de várias partes do mundo.








Outra lenda que se ouve sobre São Kevin é  que , uma vez, ele orava com os braços estendidos e as mãos espalmadas para cima. Um pássaro - um melro -   pôs um ovo em uma de suas mãos estendidas. Ele permaneceu assim, sem se mexer, até que o ovo abriu-se e dele saiu um filhotinho. Parece mesmo que São Kevin fundou, com esses três mil monges,  uma verdadeira universidade do começo da Idade Média.






O mosteiro foi crescendo e até tornou-se uma cidade de peregrinação, considerada a “Roma do Oeste”. No local, está, ainda, um grande cemitério, com cruzes celtas e textos, alguns com leitura possível, de diferentes épocas. Glendalough  resistiu bravamente aos ataques vikings e anglo-normandos. Somente no século XVI é que os monges começam a enfrentar dificuldades para sobreviver, e o mosteiro cai em decadência. Transformou-se, hoje, num lugar de muitas visitas, seja de peregrinos, seja de turistas e curiosos. E com razão!







O vale é realmente encantador. Diariamente, partem de Dublin muitos ônibus a carros, levando pessoas interessadas em conhecer principalmente as ruínas do mosteiro e das igrejas ali erigidas.Glendalough é fantástico. Imprescindível visitá-lo. De um lado  , está o mosteiro, um dos mais antigos do país;  do outro, a parte natural, os dois lagos, muitas  ovelhas, colinas verdes, paisagem inesquecível. Em todo lugar, uma profunda sensação de paz.

segunda-feira, abril 30, 2012

República da Irlanda : Dublin

Estátua de bronze de Molly Malone
É um dos lugares onde Deus passa as férias.

Aprendi, com um amigo nordestino, essa expressão e costumo usá-la quando um lugar me encanta. Dublin encantou-me. Cidade bonita, muitas flores e muito verde, arquitetura surpreendente,  pessoas alegres, educadas e gentis, muito o que visitar e apreciar. Interessante também as manifestações patrióticas, os símbolos próprios ostensivamente exibidos, o declarado, mas polido , afastamento da Inglaterra.

Fundada por Vikings, que a dominaram até 1170, é capital e  maior cidade da República da Irlanda, com cerca de 600 mil habitantes. Inicialmente chamada de Dubh Linn, em gaélico, que para alguns significa Lagoa Negra, encontra-se na foz do rio Liffey, na Baía de Dublin.

Estátua de James Joyce
Há muitos anos, vem investindo em educação e nas pessoas, em vez de auto-estradas e infra-estrutura. Aceitou-se como nação pobre e muito lutou para melhorar suas condições econômicas. Dublin vivenciou um verdadeiro boom econômico.

Apelidada de “o tigre celta” , numa clara  referência aos países ascendentes asáticos, a Irlanda desenvolveu-se  muito, desde meados da década de 90, partindo de um país praticamente agrário para um que se especializou em prestação de serviços. O que ajudou muito neste processo foi a entrada na União Européia. Mais tarde foi, entretanto, atingida pela crise econômica mundial. O investimento em turismo e na recepção aos alunos estrangeiros foi, entre outras,  uma estratégia de superação - ao que parece, com bons resultado.

Entrada da Guinness Store House
Minha inveja decorre, no entanto, da denominação dada a Dublin pela UNESCO: Cidade da Literatura. Pudera! Nascidos ou vinculados à cidade, surgem nomes de escritores mundialmente conhecidos e admirados, Oscar Wilde ( cuja casa era em frente a atual Galeria Nacional de Arte ), James Joyce, Jonathan Swift, George Bernard Shaw, os poetas W.B.Yeats e Seamus Heaney e o fantástico Samuel Beckett, sendo os quatro últimos, ganhadores de Nobel de Literatura. A O´Connell Street , rua principal de Dublin, começa na ponte de O´Connell, mencionada em Ulisses, de James Joyce. É muito talento para exibir mesmo.

A Irlanda exportou mais de um milhão de emigrantes que foram para os Estados Unidos, onde muito trabalharam na construção desse país, e para outros países, durante a crise da Fome do século XVII. Hoje, invertem o fluxo: recebem gente de várias partes do mundo, que buscam estudo e/ou trabalho. Foi o lugar onde mais vi jovens falando português, com sotaque de diferentes estados brasileriros. Diz-se que 10% da população é estrangeira, principalmente polonesa. Nas ruas, tem-se a impressão de estar num campus universitário, tal o número de jovens circulando.
Temple Bar
Visitamos, detalhadamente, a Guinness Store House, vendo todo o processo de fabricação dessa cerveja, escura e forte,  paixão dos irlandeses. Foi uma concessão minha a Mile e Ronald, porque eu detesto cerveja. Todo o tempo , eu pensava na grande quantidade de água utilizada, na renda gerada e nas muitas pessoas ali empregadas.

A entrada custa L14,50 e dá direito a uma cerveja ao final do Tour. Impressionou-me o número de pessoas que por aqui transitam, principalmente de jovens. Na loja, grande variedade de roupas da grife " guinness" , com predomínio das cores verde e amarela, cores nacionais da Irlanda.
A área do Temple Bar é maravilhosa e lembra os portos restaurados de Buenos Aires e Barcelona, lembra o Bairro  Alto de Lisboa e a Plaka de Atenas, lembra festa, passeios, descobertas.  Muito colorida, com ruas estreitas e empedradas,  lojas invulgares,  restaurantes e cafeterias excelentes e  muitos locais de entretenimento e lazer. Um movimento constante.
A melhor época do ano para visitar a Escócia corresponde ao período entre maio e setembro quando os dias são mais longos e as temperaturas, mais agradáveis. A precipitação é abundante durante todo o ano,sendo aconselhável levar na bagagem um impermeável e um guarda-chuva, mesmo nos meses de verão
.
Detalhe da Catedral
Há muito mesmo  o que visitar em Dublin - e para todo  lado, pode-se ir a pé.  O Trinity College é imperdível, foi fundado em 1592, pela rainha Elisabeth I. A maioria dos prédios são do século XVIII. Um dos primeiros prédios a serem construídos foi a Velha Biblioteca ( 1732 ), que conta com 200 mil volumes. A Grafton Street, onde sempre há artistas de rua e músicos, é colorida e festiva. A Catedral  Christchurch, datada do século XII, é solenemente bela . A movimentada O´Connell Street é uma referência na cidade. O obelisco em metal , construído para marcar a passagem do milênio, pode ser visto de diferentes partes da cidade.

Tem , ainda, castelos, pontes antigas, edifícios históricos, museus, galerias de arte, igrejas e muitas esculturas - tudo para ser visitado e admirado. Acrescente-se , ainda, os tocadores de harpa nas ruas e as danças celtas , frequentemente apresentadas. E muito mais certamente, que se precisa de tempo para descobri.
              
Recebi da Carlinha,  querida amiga, um texto sobre sabedoria celta. Ainda emocionada com a beleza e a vida pulsante de Dublin, reproduzo, a seguir,  um fragmento desse texto :
                                                                                    
                                                                             "Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.
Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.
Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne
do assombro.
Que a chuva caía de mansinho em seus campos...
E, até que nos encontremos de novo.
    
Que os Deuses lhe guardem na palma de Suas mãos.
Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa
imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em
celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora."