domingo, maio 19, 2019

Portugal : cá estamos!

Lisboa

Pagando uma promessa, feita no ano passado, em momento crítico da minha vida, vim passar um mês na Europa com duas sobrinhas: Dalvinha e Elaine, meninas agradáveis, tranquilas, boas companheiras de viagem. Fizemos, inicialmente, um stop over de cinco dias em Lisboa.



Companheiras de viagem


Costumo viajar pela TAP, no voo direto Porto Alegre / Lisboa  sem a desconfortável conexão em São Paulo. Esta viagem, como outras tantas pela mesma Companhia, foi tranquila, com bom atendimento  tanto no aeroporto quanto no avião - ruim somente a comida. Algumas vezes elogiei as refeições dessa companhia aérea. No momento, retiro os elogios. O café da manhã continua razoável, mas o jantar estava bastante ruim.


Lisboa

Pela primeira vez, fiz reserva pelo  airbnb ( https://www.airbnb.pt/ ) pois os hoteis, em que usualmente me hospedo, estavam lotados. Por indicação de minha querida amiga Lúcia Mattos - atualmente fazendo seu pós doc na Capital Portuguesa - fui para a casa de Rui e Arlete, pessoas agradáveis, gentis e atenciosas, que vivem numa casa confortável, em Oeiras, e dispoem de três habitações para hospedagens temporárias.



Paixão por azulejos - estes são de Sintra, estação de trens.

Faço um parêntese para dar-lhes  uma informação interessante que me foi repassada por Rui. O município de Oeiras trouxe três mil oliveiras das áreas inundadas pela barragem de Alqueva. O objetivo era salvar essas árvores que, cerca de 200 delas, têm mais de 500 anos. O transplante foi realizado com extremo cuidado, todas se adaptaram ao local e agora a Câmara  municipal está tratando da manutenção delas através da poda. Um exemplo bonito de preservação.



Oceanário de Lisboa 

Durante os cinco dias em que estivemos em Lisboa, fizemos muitos passeios, que serão descritos em postagens próprias, e recebemos muitas informações que nos ajudarão a falar sobre Portugal com mais profundidade. 


Alegria de rever o Tejo


Minhas sobrinhas foram a outras cidades e a outros lugares, enquanto eu permanecia em Lisboa, conversando com meus queridos amigos de tantos anos - Lúcia e Guiga - e com meus novos amigos - Rui e Arlete. Como era minha primeira viagem depois de tantos problemas e tristezas, eu sabia que devia recomeçar devagar. Tive, entretanto,  a certeza de que já estava pronta para sair Correndomundo novamente.


Lúcia e eu


Guiga e eu


Elaine e Dalva, minhas sobrinhas e companheiras nesta viagem.

Agradeço a todas as pessoas  que me visitaram no Hospital ou onde eu estivesse, que me enviaram mensagens e que me incentivaram a voltar a viajar. Lembro-me de cada um e fico feliz com a certeza de que todo o bem que me fizeram a elas retornará. Já estou na minha Madrid e tenho muito o que lhes contar...aos poucos...ainda estou meio lerda...


Azulejos em Lisboa


" Sou fácil de definir.
Vi como um danado:
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar,
porque nunca ceguei..."

Fernando Pessoa



Tradicional em Lisboa


quinta-feira, maio 09, 2019

Rio Grande do Sul : pequenas viagens; bons restaurantes.

Igrejinha

Já escrevi em outras postagens o quanto foram  difíceis e dolorosos os dois últimos anos. Acreditei que 2019 seria melhor...mas não foi tanto assim.



Igrejinha

Um dos meus truques para melhorar sempre foi mover-me. Faltava-me , no entanto, ânimo e encantamento. Em razão disso, procurei fazer pequenas viagens, fosse para resolver problemas, fosse para ver amigos ou simplesmente andar, andar,andar.


Santa Maria: queridos amigos

A primeira delas foi a Igrejinha para comprar sandálias e sapatos Usaflex. A decepção foi que a fábrica ali está localizada, mas sem ter postos de venda na cidade. A paisagem é bonita; a comida, excelente. Vale a visita.


Pedro e eu

Injusto não falar em restaurantes sem incluir o Restaurante do Dodô , no Morro da Borussia, perto de Osório. Cenário bonito - no restaurante e ao seu redor. Comida deliciosa. Ir a Torres ou dela  voltar, sem parar no Dodô é realmente perda ou falta de imaginação. Fiquem, entretanto, atentos aos horários de abrir e fechar desse restaurante.


Restaurante Batovi - São Gabriel

Saímos de Torres para Alegrete - uma viagem que nos consola pensar que poderia ser pior se fôssemos para Uruguaiana ou Itaqui. Cerca de 700 km. Jantamos em São Gabriel, no antigo Batovi, um restaurante que prima pelo qualidade e pela honestidade do preço. De Sanga Briel , como ouvi uma vez alguém dizer, chegamos em Rosário do Sul.


Rosário do Sul - Igreja Episcopal

Morei quatro anos nessa interessante cidadezinha, ainda na minha adolescência. Revisitei igrejas, praças, vi casas de pessoas conhecidas e de amigas e amigos meus. Fiquei surpresa quando escutei que alguns já eram finados! O tempo é implacável! Passei na casa assombrada onde morei - juro que era assombrada mesmo. De novidade grande ,nos últimos 50 anos, uma avenida à beira-rio e um agradável   restaurante -  o Mirante.


Borussia - agradável vista; excelente restaurante

Mas a novidade, em bons restaurantes,  encontrei mesmo em Alegrete. Refiro-me ao La Parrilla.  Atendimento impecável e cardápio cuidadosamente planejado e coerente com a denominação e o estilo. Pode-se dizer que é um local com  personalidade e sotaque uruguaio. Há uma bela exposição de fotos próxima ao salão principal. O proprietário pareceu-me muito presente , gentil e conhecedor do ramo. Boa sorte ao estabelecimento.


Rosário do Sul

Estas anotações foram feitas na madrugada do dia em que , pela TAP, saio do Brasil por um mês. O pior que me aconteceu depois do câncer de pulmão, foi a perda de confiança no meu corpo e o medo de que ele apronte outra - inesperadamente.  Elaborei, por isso, vários roteiros para 2019 - todos com pouco tempo em relação ao que eu costumava fazer. Começo por países bem meus conhecidos, onde me sinto em casa e tenho bons amigos. Ainda estou tossindo muito e um pouco debilitada. Penso , no entanto, que tossir em POA, Torres ou Europa, é tossir igual! Agradeço muito aos familiares amigos que me incentivaram a viajar - novamente.


Oceanário de Lisboa

" Não canto a noite porque no meu canto
O sol que canto acabará em noite.
Não ignoro o que esqueço.
Canto por esquecê-lo."

Fernando Pessoa


Inconfundível Calatrava


terça-feira, abril 30, 2019

Torres/RS: a histórica inauguração da Ponte Pênsil

Rio Mampituba RS/SC

Meus vínculos com Torres - a mais bela praia gaúcha -  vão além de 40 anos. Passo de Torres, cidade de Santa Catarina, localizada hoje a 2 km de minha casa, era , então, apenas um distrito de São João do Sul.  Na divisa entre os dois Estados,  rio Mampituba. A travessia era feita por uma barca que transportava carros,  bicicletas, pessoas ... Decidiram construir uma ponte pênsil, que deveria ter sido inaugurada em 1984. Aconteceu, entretanto, um imprevisto, sempre relembrado inclusive pelos poetas e cantadores locais.


Ponte Pênsil  :  Rio Mampituba

Em janeiro deste ano, Zero Hora publicou interessante e informativa  matéria que narra  essa inauguração - não completamente realizada - em trabalho jornalístico impecável de Jéssica Rebeca Weber e Carlos Macedo. Dessa reportagem, transcrevo algumas Trovas da "Tragédia", onde um gaúcho - Janir Silveira da Silva - e um catarinense - Genésio Gomes -  relatam o ocorrido de acordo com o ponto de vista de cada um deles.



Ponte Pênsil  :  Rio Mampituba

A 22 de dezembro, 
um fato foi registrado:
inaugurava-se uma ponte
que  unia os dois Estados.
Ao invés de cortar a fita,
o cabo é que foi cortado.
........................................

O senhor prefeito da cidade,
homem bom e inteligente,
fez de tudo o que podia
pra salvar aquela gente,
que gritava desesperada
naquelas águas correntes.
........................................

O vigário Padre Sérgio, 
homem de Nosso Senhor, 
quando caiu na água,
rezava com todo o fervor.
Perdeu óculos, relógio e rosário,
coisas de muito valor.
.......................................

Janir Silveira da Silva


Torres/ RS 


"Sábado, 22 de dezembro de 84,
foi o dia que Clóvis,
prefeito bom e sensato,
tentou mais não conseguiu
apertar a mão do Renato.


Estava sendo inaugurada
a ponte pênsil do Passo.
As colunas de concreto
sustentavam os cabos de aço.
Seguia uma multidão
marcha lenta, passo a passo.

Umas 50 pessoas
estavam lá reunidas,
pois confiavam que a ponte
fora muito bem construída.
..............................................

O padre veio benzer,
o fotógrafo preparado,
o Renato daqui pra lá,
o Clóvis, do outro lado.
Até eu que assistia,
fiquei emocionado...

Quando no meio da ponte,
separados pela fita
estavam todos chegando
numa alegria infinita
de a ponte estar pronta -
a hora estava predita.
..............................................

Aquele estouro esquisito
aquele barulho estranho,
a ponte que se despenca
com todo aquele tamanho.
Antes que as mãos se tocassem
Foi todo o mundo pro banho.

................................................."

Genésio Gomes


Ponte Pênsil após a reconstrução

Além de trovas como essas, há muitas fotos e reportagens do acontecimento. Lembro-me bem dos comentários nesse dia : quem salvou quem, o pânico de alguns, a correria de outros. Lembro-me das descrições do Padre, após ser salvo,  saindo do rio Mampituba, de batina molhada e colada no corpo, sem sapatos  e lamentando a perda de todos seus pertences religiosos usados em solenidades. Não houve mortes; mas houve muitos comentários sobre a qualidade do material usado na construção. Enfim...passou! Ficou, entretanto, na memória de gaúchos e catarinenses, como um fato pitoresco e inesquecível.

Foto de Giselda Almeida Felício



domingo, abril 21, 2019

Você já ouviu falar em Medugorje?

Nossa Senhora de Medugorje


Distante 29 km de Mostar, a antiga capital da Herzegovina, está a cidade de Medugorje, numa região bastante pobre. O nome da cidade  significa posição entre as colinas. A partir de 1981, a cidade se transformou em lugar de peregrinação, um dos mais conhecidos e frequentados de toda esta parte da Europa. 



                      Primeira Imagem de Nossa Senhora que se visita ao chegar em Medugorje


Com o passar do tempo, a notícia foi-se alastrando e começaram a chegar devotos da região e 
de  outras partes do mundo. Conta-se que, em 24 de junho de 1981, teria aparecido a um grupo 
de crianças, num povoado denominado Bijakovici, num lugar de paragem, chamado Podbrdo. 
Um dos grandes acontecimentos religiosos acontece no mês de junho também, quando se celebra a 
missa sobre o monte Krizevac.



"Entregando" à Virgem o pedido de bênçãos à família de meu amigo Paulo Guerra

A partir daí, as aparições de Nossa Senhora foram-se sucedendo, e Medugorje tornou-se um fenômeno universal único. As peregrinações aumentam a cada ano, são multidões que chegam nos dias 24 e 25 de junho, que é o aniversário da primeira aparição. Mais duas datas propiciam a vinda de muita gente: 15 de agosto e 8 de setembro ( Assunção e Natividade).



É constante a profusão de flores...

Sim ! É constante a profusão de flores e a venda de artigos religiosos. Se você for curioso mesmo, pergunte a um não-religioso  sobre a capitalização dessse lugar. O Santuário da Rainha da Paz, como é conhecido, assemelha-se a Fátima - em Portugal - e a Lourdes - na França. A aparição de Nossa Senhora só a vê quem tem fé...e escutar suas mensagens também é para poucos. A estrada é linda, o fenômeno interessante...o mais fica por conta da fé de cada.



                                       Nossa Senhora de Medugorje - Bósnia e Herzegovina

                                                                   Igreja de Medugorgje

quinta-feira, abril 11, 2019

Correndomundo: 13 anos!



Foto : Isolda Branco 

Quando Correndomundo completou 11 anos, eu escrevi o tópico seguinte. "Este Blog foi muito, mas muito além do que dele eu esperava. Serviu como canal para reencontrar amigos, alunos, colegas e parentes; através dele conheci pessoas fantásticas que me possibilitaram valiosas interlocuções; foi não só espaço de registro de memórias, como também um companheiro em horas bem difíceis..."



Na Croácia, Nossa Senhora de Medugorje


Assim foi! É assim! Nele, escrevi o que sentia e o que sinto; nele, estão minhas dores e alegrias; nele, encontro  acolhimento, solidariedade e partilha; nele, meus netos acessaram minhas memórias . Li, em texto escrito por uma blogueira, que os blogs também reavivam fogueiras de inveja, especialmente de pessoas próximas aos viajantes. Acredito que comigo não aconteceu isso. 



Marcas da Guerra em Sarajevo

Viajar me é tão natural como caminhar, tão necessário como rir ou chorar - seja uma viagem  distante, seja na vizinhança. Busquei explicitar isso nos meus textos - se não o consegui, foi por incompetência minha. As pessoas que me lêem, portanto,  sabem o que vão encontrar.    Quando o abrem, é porque fizeram uma escolha. Quando retornam, é incentivo e carinho que procuro retribuir.       Com alegria e gratidão, percebi que o Correndomundo incentivava algumas pessoas a viajarem   -    parte da minha 
utopia de um mundo mais amplo, diverso, acolhedor e fraterno.


Detalhe de Monastério  Grego - Kavala

Nos últimos anos, tivemos a perda de pessoas muito amadas: Ronald, Cairo, Zeli, Mile e Aldina. Novamente, foi este blog meu lugar de respingar lágrimas e de receber afeto. Quando recebi o diagnóstico de câncer de pulmão, foi ele o espaço de externar meus medos e de relatar os momentos por que estava passando. Meu agradecimento às palavras de esperança e de encorajamento e ao apoio recebidos, em hora tão confusamente dolorida. Retribuo com gratidão e flores.




"Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E da ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu. 
"

Fernando Pessoa

quinta-feira, março 28, 2019

Pocitelj: " Isto é o paraíso sobre a terra"

Pocitelj

Quem disse que Pocitelj era o paraíso sobre a terra, foi Zuko Dumhur, escritor de viagens, cenógrafo, caricaturista e pintor, nascido em Konjic, hoje Bósnia e Herzegovina, em 1920 e falecido em 1989. Ele demonstrava intenso fascínio por esta cidade medieval.


Rio Neretva

É realmente comovente ver esta cidadezinha medieval , que tem construída, sobre  uma  rocha empinada, a sua fortificada torre. Está localizada na costa esquerda do rio Neretva - que corre pela Croácia, Bosnia e Herzegovina, tem 230 km e desemboca no Mar Adriático. Belas as pontes que atravessam esse rio.


Ponte antiga do Neretva

A primeira referência que aparece em documentos antigos e que menciona Pocitelj está datada de 1444. Em 1463, Bósnis  Herzegovina foram ocupadas pelos turcos. Um rei croata tentou salvaguardar algumas cidades, como esta,  construindo fortificações com a ajuda de Dubrovnik, de onde vinham embarcações com armas e materiais de construção.


Caminho para a Torre

As forças otomanos, entretanto, empenharam-se e intensificaram seu assédio a Pocitelj, enviando contingentes de outras regiões.  Em 1471, lograram êxito, pois dobraram a resistência dos habitantes locais, apesar de contarem com a ajuda de um famoso construtor, Paskoje Milicevic.



Escadaria e torre de Pocitelj

Foi uma alegria conhecer a singular Pocitelj, hoje uma verdadeira cidade -museu. Poder chegar até a mesquita Hadzi-Alija, que foi construída em 1563 e foi decorada com belíssimas pinturas.  O que mais me encantou, no entanto, foi um exemplo de arquitetura habitacional, transformada hoje  em Colônia de Artistas, onde se recebem, anualmente, artistas de todo o mundo.



Quantos séculos!

Aqui está também uma Medrasa. que até a chegada as forças austro-húngaras foi uma instuição teológica, onde se copiavam - manualmente  -  os livros religiosos. Em  1664, foi construída a Torre do Relógio. No mesmo século, construíram os Hamamm, banhos públicos. Em Blagaj, vi banhos públicos com belas decorações.


Perto de Pocitelj

Tenho especial interesse por portas, portões e estreitos caminhos, daí  por que fiquei tão deslumbrada com essa região e esses lugares históricos. E quanta história aqui foi vivida, da   entrada dos otomanos e a do império austro - húngaro e algumas bem mais recentes, como a derrubada da ponte sobre o rio Neretva, na Segunda Guerra Mundial - sem falar na dissolução da Yugoslavia e na guerra de 1992 - 1995. 


Para quem, como eu, gosta de portas...

De acontecimentos dolorosos a belezas atuais! São inesquecíveis as vistas que se vêem tanto do lugar mais alto, quanto das ladeiras, sempre com o rio Neretva aos pés da cidade. São também encantadoras as árvores ,  como palmeiras, cítricas, figueiras e vinhedos. Ia esquecendo de mencionar as flores, muitas flores, entre elas as rosas, em especial as vermelhas.


Muitas flores embelezam a cidade...







Neretva

Há uma produção bem bonita em música ( recordam Miss Sarajevo? ) , literatura e cinema sobre  a encantadora e comovente Bósnia e Herzegovina. Alguns filmes que nos mostram aspectos desse país:Bela Aldeia, Bela Chama (Srdan Dragojević, 1996), Terra de Ninguém (Danis Tanović, 2001), e A vida é um milagre (Emir Kusturica, 2004) e Crianças de Sarajevo (Aida Begic ).Boas imagens também no http://memoriaglobo.globo.com/programas/jornalismo/telejornais-e-programas/globo-reporter/globo-reporter-guerra-da-bosnia.htm   Como se tratam de temas recentes, evite discuti-los com os sérvios, por exemplo, ou qualquer dos envolvidos. É interessante buscar informações, mas a dor foi deles.


Portas em Pocitelj


terça-feira, março 19, 2019

Dubrovnik, a Pérola do Adriático.

Lovrijenac - Fortaleza construída em parede rochosa

Com população ao redor de 50 mil habitantes, a maior parte de origem croata, Dubrovnik é realmente bonita e singular. Pode-se arrivare à cidade de trem, de navio, de ônibus ou de carro - já estive lá em três viagens e em todas elas encantei-me, logo de chegada, com  jardins, flores, estradinhas, pontes, colinas, ilhas, mosteiros, muralhas, portões ... e o azul único do Adriático. Nesta cidade foram gravadas cenas da série Game of Thrones.  Veja : https://www.youtube.com/watch?v=LV1n6WJH7HM 



Bandeira na Torre Minceta

Visitar a Croácia implica, necessariamente, visitar Dubrovnik, cidade costeira,  belíssima, conhecida como Pérola  do Atlântico.           Está localizada na região da   Dalmácia,  na  República   da Croácia. Foi chamada , oficialmente, de   Ragusa, até o ano de 1916.   A Cidade Velha de Dubrovnik, que    inclui    uma grande parte das muralhas antigas,    foi declarada, em 1979, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.



Muralhas e Torres



Solidez, grandiosidade  e história podem ser percebidas, em  toda a extensão das muralhas de pedra, ou muros defensivos, construídos entre os séculos XII e XVII que rodeavam a cidade e que tinham a função de proteger seus habitantes. As muralhas estendem-se ao longo de dois quilômetros ao redor da Cidade Velha. É um lugar perfeito para caminhadas - agradável e encantador.
                        

Solidez e História



Dizem ser essas muralhas as mais bem preservadas da Europa - referência que já ouvi em outras cidades europeias, como Ávila na Espanha.. A altura chega aos 25 metros nas partes mais altas e a espessura varia entre 4 e 6 metros nas partes viradas para terra, sendo mais finas nas partes voltadas para o mar. 


Acessos à Cidade Velha

Inicialmente, havia em Dubrovnik,  distribuídas pela muralhas, quatro portas, sendo que duas delas conduziam ao Porto e duas, fortemente protegidas e com  pontes levadiças, 
que conduziam à cidade nova  e que, a qualquer momento,         poderiam ser erguidas.      No tempo em que o   Império Austríaco    controlou a cidade,    mais duas novas portas foram abertas.Se, por uma fatalidade, invasores atravessassem as pontes,teriam ainda  que percorrer estreitas ruazinhas, guarnecidas de ambos os lados, como é a Stradum.




Arte nos espaços públicos

Além do movimento dos turistas,  das      ruazinhas originais,  dos palácios, das praias e 
tudo o mais que  nos referimos anteriormente, em Dubrovnik  podemos também visitar a farmácia mais antiga da Europa,que ainda atende e faz remédios através de manipulação; ouvir música nas ruas; visitar a  residência do Reitor, designação local do chefe da cidade, daquele que detém a chave do portão que dá acesso à  Cidade Velha; ver a Igreja Ortodoxa e  os gatos que andam pela cidade.








Floriculturas diversas na cidade


Sim! eu vi alguns gatos. Não consegui , entretanto, fotografá-los porque me pareceram "tímidos" ou ariscos.    Perguntei a razão pela  qual eles têm um ar de donos da cidade. Contaram-me  que, em período inicial da história, com a suspeita de que os ratos eram  transmissores de pestes e doenças, os gatos passaram a ser os herois, já que poderiam caçar e matar os ratos, salvando, dessa maneira a população. A partir daí, passaram a ser mimados e protegidos.




Mar Adriático


Não visitamos a Ilha de Lokrum, muito conhecida por seus mistérios e por suas histórias de assombração. Distante de Dubrovnik cerca de 600 metros, Lokrum carrega uma maldição que atinge qualquer pessoa que tenta comprá-la. São conhecidas histórias sobre muitos candidatos a compradores que sofreram estranhos acidentes - alguns dos quais morreram antes de completar a transação. Gostaria de voltar à Croácia, visitar essa Ilha e ouvir muitas causos de assombração.



Passagem de Cable Car


Quem me acompanha no Correndomundo, sabe bem do meu medo de altura, que vai de teleférico, a bondinho,  a avião até cable car - ou qualquer meio de transporte que não esteja na terra. Sabe também que o meu medo só perde para minha curiosidade. Vou...com medo, mas vou. Já inventei rezas e mantras, já me convenci que só é corajoso quem enfrenta o medo ...e vai. Pois bem, esses cabos são de um teleférico - longo!!! - que eu enfrentei em Dubrovnik.



Marina de Dubrovnik


A Cidade Velha é pequena e pode ser percorrida caminhando, quando se pode ver, com mais detalhes e calma,  prédios históricos com  admirável arquitetura.   Grande parte da cidade está fora das muralhas e muitas se espalham pelas colinas.Ficamos hospedadas em um apto, distante uns 300 metros da porta principal de entrada para a Cidade Velha -  lugar tranquilo  e acolhedor.    Três dias serviram  para renovar a admiração pelo país  e pela cidade. Croácia, entretanto,  merece uma visita longa.



Isolda, minha companheira de viagens " aventurosas".

" Quando eu era jovem, eu a mim dizia:
Como passam os dias, dia a dia,

E nada conseguido ou intentado!

Mais velho, digo, com igual enfado:

Como, dia após dia, os dias vão,
Sem nada feito e nada na intenção!
Assim, naturalmente, envelhecido,
Direi, e com igual voz e sentido:
Um dia virá o dia em que já não
Direi mais nada.
Quem nada foi nem é não dirá nada,"

Fernando Pessoa




Ponte Franjo  Tudman
PS. Como já informei em outra postagem, não é confiável a data e a hora que aparecem nas minhas fotos. Sempre esqueço de atualizar ou acertar minhas câmeras. Desculpem.