sexta-feira, novembro 27, 2020

Memórias em Tempo de Pandemia II - New Orleans

 

quarta-feira, julho 17, 2013

New Orleans : muito além das expectativas


Óleo que bem registra New Orleans

Quando iniciei este blog, há sete anos, escrevi , referindo-me a comparações entre países ou cidades: comparações limitam o olhar. Para se ver é preciso ter olhos limpos, olhos de ver, sem que uma imagem contamine a outra. Quando temos duas imagens sobrepostas, uma deixa de ser nítida - se uma dessas imagens for de lugar muito conhecido ou familiar, esse certamente ganhará em nitidez. De longa data, penso assim e  usualmente  não comparo . O Correndomundo pode provar o que estou afirmando.

A esquina mais fotografada de New Orleans

Nesta viagem, entretanto, precisei, por duas vezes, segurar o ímpeto de comparar New Orleans com uma cidade brasileira, onde já morei e de onde gosto muito. Minha potencial comparação referiria-se aos centros históricos, às cores e à musicalidade das duas cidades que seriam comparadas. Limpei o olho para ver bem está  fantástica cidade.

Ferro trabalhado parecendo renda.
Situada no sudeste da Louisiana,  entre o lago Pontchartrain e uma curva do rio Mississippi, com  cerca de dois metros abaixo do nível do mar, a cidade parece uma ilha com muitas pontes e água por quase todos os lados.  Sua área  é de 516 km. Sua população, que antes do Katrina era de 500 mil habitantes, aproxima-se hoje a 250 mil pessoas.

Árvores grandes e frondosas no Parque das Esculturas

Katrina foi o mais terrível furacão que atingiu a Costa do Golfo, fazendo com que aquele agosto de 2005 se tornasse tristemente inesquecível. Os ventos chegaram a 280 km e destruíram casas e edifícios, derrubaram árvores e postes, provocando quedas do sistema elétrico e causando muitos incêndios. As chuvas inundaram mais de 80% da cidade e deixaram 200 mil casas embaixo d´água. Morreram mais de mil pessoas e metade dos habitantes de New Orleans não retornaram às suas casas. 

Royal Street
Nesta viagem, foi-me possível constatar a decisão de permanecer e de recuperar-se dos habitantes de New Orleans - uma população, composta hoje por 62% negros, 33 % brancos 5% vindos de diferentes países.
A cidade está bonita, bem cuidada, cosmopolita, musical e com muitos turista, que nunca deixaram de visitá-la e que, certamente, com essa atitude, contribuíram para que a cidade se mantivesse em cena.

Centro de New Orleans
É bom lembrar que ,tanto a Louisiana quanto a Flórida foram compradas por Thomas Jefferson , em 1803, pagando o que lhes pediu Napoleão Bonaparte : $ 15 milhões! Mas antes de pertencer à França, esta cidade pertencera à Espanha. De longa data, portanto, diferentes povos contribuíram na sua formação cultural e histórica. Dentre esses povos, podem-se mencionar africanos, franceses, espanhóis, ingleses, irlandeses, eslavos, italianos, gregos e cubanos.

Homenagem ao jazz e a músicos famosos

Não faltam museus e esculturas para lembrar a vocação musical de New Orleans. Berço do Jazz, que veio da música tocada em bailes, desfiles e funerais e da mistura de culturas da região, nele estavam cantos de trabalho, cantos religiosos da África e influências europeias e americanas. Muitos dos primeiros jazzistas começaram a se apresentar na zona de prostituição, a Storyville. A partir daí, desenvolveu-se, cresceu, ganhou mundo e tornou-se a mais importante contribuição americana para a música mundial.



Bonitos e delicados são os trabalhos de ferro que estão por toda a cidade. Muitos parecem rendas, por sua delicadeza e pelas minúcias que podem ser vistas nos detalhes. Os primeiros trabalhos foram feitos por artesãos alemães, irlandeses e afro-americanos. De ferro batido, totalmente feitos à mão, é claro, encantaram as famílias ricas que passaram a encomendá-los para adornar as fachadas de suas casas. Depois, começaram os trabalhos de ferro forjado, que era derretido e colocado em moldes em motivos decorativos diversos. Podemos admirar esses trabalhos principalmente no French Quarter e no Garden District.

Passeio pelo French Quarter

O French Quarter - ou Bairro Francês - é a parte antiga de New Orleans, o seu centro histórico. Encanto dos turistas e viajantes, concentra nele restaurantes, bares, galerias de arte, lojas sofisticadas e antiquários. Por sorte, já no primeiro dia, fomos percorrê-lo no horário que, de fato, é o melhor : de manhã cedinho. Havia pouca gente nas ruas - tanto que foi possível estacionar na frente do Museu do Jazz. É bom lembrar que estacionamento nessa área é bastante difícil encontrar.

Museu do Jazz

Como estava tudo muito tranquilo, podemos observar os detalhes da arquitetura, as casas coloridas, as esculturas, os pátios escondidinhos, os trabalhos em ferro, as plantas, os antigos lampiões ainda acesos. Podemos, ainda,  ler o nome das ruas,escritos em peças de cerâmica, fixadas nas calçadas e ler as placas elucidativas em prédios e locais .  Passeamos - quase com reverência - pela Royal Street, a rua mais bonita do bairro.Quando se intensificou o movimento, apareceram os cantores de rua e ouviu-se  música já saindo dos restaurantes. Precisa-se de tempo para absorver tantas informações e tamanha beleza.

Rio Mississippi
Garden District é a denominação de uma área rio Mississippi acima, em relação ao French Quarter. Foi neste lugar que se estabeleceram os americanos depois da compra de Louisiana e onde os fazendeiros e comerciantes ricos construíram luxuosas e elegantes mansões. Aqui, encantaram-me os jardins, com tantas magnólias, camélias, azaléias, roseiras e jasmins. Tudo com as bênçãos da beleza do rio.

French Market ainda de manhã cedinho
Outrora um lugar mal-falado e mal frequentado; hoje , preferido pelos turistas e pleno de vitalidade, colorido e movimento. Existe por aqui desde 1790 e ,  antes da chegada dos europeus, era um entreposto comercial para os índigenas. No French Market, pode-se comprar de jóias finas a frutos do mar e especiarias; de cerâmicas artísticas a bonequinhas para vodu. Nele, fiz minha primeira compra : vários beads bem interessantes.


Tradicionais Beads

Os tradicionais colares de bolinhas coloridas, com os acréscimo dos mais diversificados temas - carnaval, futebol, frutas, flores, brinquedos - enfeitam a cidade, os habitantes locais e os turistas. São os beads, que dão origem a muitas paqueras. Manda a tradição que uma moça , ao ser presenteada com um beads, em sinal de agradecimento, deve levantar a blusa e mostrar os seios, ao menos um pouco; os rapazes, devem baixar as calças e mostrar o corpo...ao menos um pouco também.

Entrada de grande shopping center em New Orleans

Nem só de comércio para turistas vive a cidade. Há grandes shoppings e muitas galerias, onde qualquer grife pode ser encontrada. No maior shopping, há um Café du Monde, com as mesmas característica do café tradicional que existe no French Quarter há mais de 100 anos. Nele, pode-se experimentar os beignets, bolinhos franceses salpicados com açúcar e tomar um café au lait  - os dois únicos itens oferecidos pelo Café. Pode-se, ainda, experimentar o café de chicória, alternativa para economizar pó de café, criada durante a Guerra Civil. Eu até gostei...mas depois tomei um café - café.

Entrada para o Riverwalk
Área com variadas opções de compra - de que fugi como o diabo da cruz - e magníficas vistas do rio Mississippi ao longo de seu percurso, é excelente alternativa para um final de tarde. Os navios de cruzeiro internacionais e outras embarcações passam por aqui. Muitos atracam ao longo do Market Place. O trânsito fluvial é intenso. Admirei belíssimas esculturas neste lugar e obtive informações nas placas colocadas no caminho que se percorre. Passeio delicioso e interessante.

Escultura no Woldenberg  Riverfront Parque
Difícil selecionar fotos de esculturas em New Orleans. São tantas,tantas ...e muitas de comovente beleza - como esta, um diálogo de gerações. Difícil selecionar sobre o que escrever e o que fotografar,  assim como é difícil não se apaixonar por esta mistura de influências e culturas, pelas lutas duras deste povo - da luta pelos direitos civis à luta pela sobrevivência após o Katrina. Cidade de personalidade forte, que comove e encanta.

Escultura no Jardim das Esculturas do City Park
Uma tarde inteira no City Park, com 607 ha, ainda é pouco. Há muito o que ver. Carvalhos imensos, cheios de barba-de-velho, sombreiam os caminhos por onde se pode passear e , a cada momento, parar e admirar belíssimas esculturas e interessantes monumentos. O New Orleans Museum of Art, criado em 1910,  e o New Orleans Botanical Gardens , de 1930, estão aqui - e são imperdíveis.


Com certeza, eu permaneceria durante um mês nesta cidade e voltaria várias vezes a alguns locais, como o Jardim das Esculturas, no City Park e a Royal Street, no French Quarter. Há o Convento das Ursulinas, uma das construções mais antigas da cidade; o estádio, já recuperado depois do Katrina, quando, apesar dos estragos, abrigou mais de 30 mil pessoas; os cemitérios famosos, os parques e jardins que estão por toda parte. 

Palmeira do City Park
Se eu ficasse mesmo um mês aqui,  faria também mais passeios pelo Mississippi, comeria a comida cajun, ouviria jazz o tempo todo e jogaria moedas no Cassino Harrah´s. Para uma mulher que completa 70 anos em breve, seria perfeito. Vou conversar com Ronald sobre isso. Apaixonei-me por New Orleans.

Iluminação do French Quarter

"Aquilo que a gente lembra
Sem o querer lembrar,
E inerte se desmembra
Como um fumo no ar,
É a música que a alma tem,
É o perfume que vem,
Vago, inútil, trazido
Por uma brisa de agrado,
Do fundo do que é esquecido,
Dos jardins do passado."


Fernando Pessoa

sexta-feira, novembro 20, 2020

Memórias em Tempo de Pandemia - I

 


"...eu ainda creio na bondade humana."



Amanheci deprimida, gripada, triste... sem ânimo e encantamento. Anne Frank me socorre: Apesar de tudo eu ainda creio na bondade humana. Importante isso neste momento. Busco na minha história de vida fatos que, ao comprovarem a afirmação de Anne, podem reanimar-me, comover-me e até me fazerem rir. Muitos, bem distantes no tempo; nítidos, entretanto, na minha memória. 

 
Início dos anos 80, chegava eu em Santa Maria, com filhos pequenos, sem conhecer o trânsito e os colegas da UFSM. Vinha com diferentes e difíceis problemas a resolver. Naquele tempo, conseguir um telefone fixo era quase impossível em pouco tempo - celular, nem existia. Eu necessitava  trabalhar, levar meus filhos ao Centenário e à natação - e ainda levar um deles à fisioterapia, ao médico e ao terapeuta. Precisava muito de telefone. Uma noite, cansada e angustiada, escrevi uma longa carta ao gerente da  Companhia Telefônica, onde eu relatava minha situação. Entreguei-a, na manhã seguinte,  para a secretária dele, dizendo a ela  que não aguardaria uma resposta - queria somente a certeza de que a carta seria lida. Hoje penso que minha tristeza e meu abandono devia ser comovente. Sobrava-me , no entanto, coragem e vontade de acertar. Esperei. Menos de 10 minutos, apareceu o gerente com minha carta na mão, dizendo que meu meu telefone seria instalado imediatamente. Agradeci e acrescentei que meu vizinho de apartamento aguardava instalação há mais de ano - e seria injusto com ele essa prioridade. No outro dia, ao retornar da UFSM, encontrei meu telefone instalado...e o do vizinho também. 




No Mato Grosso do Sul, fui, durante cinco anos, consultora e assessora da SEC/MS e da UFMS em programas de formação de professores para educação indígena. Ao retornar das aldeias, costumava esperar algumas horas, no aeroporto de Campo Grande. Usava esse tempo para escrever aos familiares e amigos distantes. Comprava  cartões e selos ali mesmo. Uma noite,  pus todos os cartões na caixa de correspondência e fiquei com os selos na minha bolsa, dentro de um envelope. Por acreditar na Humanidade, relatei à pessoa do correio,  no lado externo do envelope, o que havia acontecido. Pedi que colasse os selos nos cartões e pusesse-os novamente na caixa coletora. Eram quase 20 cartões....todos chegaram aos destinatários devidamente selados.



Ao entrar num trem, em Paris, pedi a um senhor que me ajudasse a erguer minha mala, que, por eu estar retornando de uma viagem longa, devia estar mesmo com mais de 20 quilos. Ele ,muito tranquilo e educado, respondeu-me que não me ajudaria, porque eu precisava aprender a   levar  bagagem que eu  pudesse carregar sozinha e  precisava também aprender a não molestar pessoas com escolhas que eram unicamente minhas. Senti vergonha. Dei-lhe razão. Ri depois, quando me lembrei de haver lido que muitas vezes é um pontapé na bunda que nos empurra para frente. Valeu a lição. Controlo o peso da mala e penso que não há carrinhos ou carregadores. Aceito ajudas, mas não as peço. Passados alguns anos, aprendi a viajar com bagagem muito pequena. Atualmente viajo somente com bagagem de cabine.



Sinto-me um pouco idiota, como se escrevesse no Meu Querido Diário. Resfriado, gripe e chuva justificam a vontade de escrever reminiscências...Melhor voltar  a ler Fernando Pessoa, de onde transcrevo:

" Há grandes lapsos de memória,
Grandes parábolas perdidas,
E muita lenda e muita história
E muitas vidas, muitas vidas.

Tudo isso, agora que me perco
De mim e vou a transviar,
Quero chamar a mim, e cerco
Meu ser de tudo relembrar.

Porque, se vou ser louco, quero
Ser louco com moral e siso.
Vou tanger lira como Nero.
Mas o incêndio não é preciso."

Fernando Pessoa


terça-feira, setembro 01, 2020

Projetos de Viagem: revisão em tempo de pandemia



Sinaia - Romênia


Não sei se a revisão a que me proponho hoje, tem a ver com real necessidade de organização, ou ter esperança de sobreviver, ou ainda de ver o tempo passar quando já estou em isolamento social há mais de cinco meses.

Assim eu havia começado este texto ... mas fui surpreendida por uma dor maior, muito maior - a dor de uma amiga-irmã cujo filho morreu. Desculpem.Impossível continuar. 

Decidi, portanto, dar um tempo à publicação  de textos, tanto pela solidariedade à dor da minha amiga, como por ser a dor dela um acréscimo às minhas dores dos últimos anos e às dores de novas perdas durante a Pandemia - destaco, entre minhas perdas por covid 19, a morte de quatro professores - índios de quem eu havia acompanhado, em Roraima e no Mato Grosso do Sul, o estudo e o trabalho por vários anos. 

Retornarei a escrever aqui, no Correndomundo - quando a dor da perda se transformar em saudade. Viajar, que para mim é viver, só depois de estar vacinada. Estou no grupo de risco. Preciso ter paciência. Gosto da vida. Nào quero, portanto, correr riscos. Releio, no entanto,  Fernando Pessoa e espero. "Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.O que for, quando for, é que será o que é."  FP




"Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é."

Fernando Pessoa





domingo, agosto 16, 2020

Fernando Pessoa

 

San Antonio/US - Day of the Dead


" Todo o estado de alma é uma passagem. Isto é, todo o estado de alma é não só representável por uma paisagem, mas verdadeiramente uma paisagem. Há em nós um espaço interior onde a matéria da nossa vida física se agita. Assim uma tristeza é um lago morto dentro de nós, uma alegria um dia de sol no nosso espírito. E - mesmo que se não queira admitir que todo o estado de alma é uma paisagem - pode ao menos admitir-se que todo o estado de alma se pode representar por uma paisagem. Se eu disser "Há sol nos meus pensamentos", ninguém compreenderá que os meus pensamentos são tristes."

Fernando Pessoa



Inspiração Mexicana



terça-feira, agosto 04, 2020

Fernando Pessoa e Exposição de Esculturas em Chicago

" Borders "


"Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho."



Escultor Islandês...


"Quando me sento a escrever versos
Ou passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias,
Ou olhando para  as minhas ideias e vendo o meu rebanho.
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende."


Steinunn Thórarinsdóttir.

"Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta 
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-vos e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé de uma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo meus versos.


2014 - Gran Park de Chicago


Ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural
Por exemplo a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças, 
Se sentavam com um baque, cansados de brincar..."

Fernando Pessoa

PS. Visitei, em 2014, em Chicago, essa fantástica instalação - Borders - em Chicago;
      é um  magnífico trabalho do escultor islandês Steinunn Thórarinsdóttir, que estudou na Itália e nos          Estados Unidos;
      lamento a qualidade das fotos, mas foram elas feitas com um celular antigo, bem inferior aos atuais.
PS. Pode ser interessante, agradável e informativa a leitura do seguinte post  : https://correndomundo.blogspot.com/2014/06/chicago-vibrante-e-arrojada-texto-sem.html
Desejo-lhes boa semana, com paciência e resistência para manterem-se em isolamento social.Vai passar!


sábado, julho 25, 2020

Julho de 2020 - A Vida Continua...


                                                        

Quando percebi a gravidade da pandemia e que,  por mim, pelo sistema de saúde e  pela pessoas todas, eu teria de viver um tempo sem mobilidade, mesmo para cidades vizinhas, decidi que procuraria ficar tranquila e que colocaria o 2020 entre distanciados parênteses que eu deixaria abertos. A data e as condições de fechamento  dos parênteses nós continuamos sem saber, já que dependemos da aplicação de vacina ainda em estudo. Pensava ficar sem dor, mas sem euforia. Era toda uma situação desconhecida e eu sou eu e as minhas circunstâcias.






A dor veio com perdas de amigos e companheiros de trabalho atingidos pela Covid -  como acontece usualmente, a alegria pode ser buscada, mas a dor vem sozinha. Não está sendo fácil essa experiência, apesar da situação minha, que reconheço ser bastante privilegiada, bem acolhida por amigos e sem problemas de casa, de alimentação e de saúde. O medo e a insegurança, entretanto, por nós, pelas pessoas que amamos e por aqueles a quem falta condições de mínimas de bem-estar social, é constante e doído. 





Ontem, contudo, foi dia de colocar parênteses dentro do parêntese maior da minha vida e tentar fazer do dia do meu aniversário, um dia normal, com direito a alegrias, emoções, sonhos e desejos para a  nova idade. As surpresas começaram na véspera, com a chegada de presentes pelo correio. À noite, já havia, nas redes sociais e no meu e-mail, mais de uma centena de mensagens. Ao ler cada mensagem, eu pensava na pessoa, desde quando a conhecia, onde eu a encontrara ( se era aluna/aluno eu lembrava até da letra) , de que cidade era - felizmente ainda consigo recordar até detalhes 😁. Sou agradecida a todos por essa realimentação da esperança e da crença na Humanidade...





Foi uma comemoração realmente singular e muito afetiva. Éramos, presencialmente, três pessoas na festa - Maria do Horto, Potiguara Brites e eu, mas sentíamos a participação de muitas pessoas, entre elas Fabiana, minha filha, Paulo de Tarso e Juliano, meus filhos; meus netos, Pedro e Massimo; minhas noras - Adriana e Valéria; meus sobrinhos - Fabricio, Cleber, Clezer, Frederico, Fernando -  e sobrinhas - Fabianinha, Dalvinha, Elaine, Fernanda; minha irmã Alda; minha tão importante família ampliada por escolhas - Rosana, Adriana Wagner, Isolda, Neneca e muitas pessoas mais; meus amigos, ex-alunos, colegas e vizinhos. Gostaria de agradecer pessoalmente a cada um - espero ter vida e tempo para abraçá - los. 






O bolo de aniversário ( fotos acima ) foi uma surpresa de Pedro e Fabiana: "Pensamos muito em um presente pra mãe, é a primeira vez em anos que ela está no Brasil no dia do aniversário!!! Achamos uma artista pra executar nossa ideia !
Aldema Menini Mckinney
e
Pedro Menini
fazendo o que adoram :VIAJAR JUNTOS ! " Foi um sucesso o presente. Agradeço muito.


Comprovante! Pedro, em janeiro, na Áustria.


Meu desejo era postar aqui todas as mensagens recebidas. Na impossibilidade de fazer isso, optei por compartilhar apenas as mensagens das minhas crianças : Fabiana ( acima ) , Patati,  Gugu e Fabianinha. Agradeço, também com muito afeto, a todas as pessoas que, por telefone ou por internet, se fizeram presentes no meu aniversário, neste estranho 2020.





Hoje é aniversário da minha mãe. Estamos perto mas infelizmente com a pandemia não tenho como visitá-la. Mas isso não é um grande problema, a tecnologia ajuda a amenizar a distância nestas horas.
Minha mãe sempre nos preparou para o mundo. Desde pequenos nos tratava como adultos, tínhamos conversas sérias sobre assuntos diversos. Lembro que conversamos muito sobre o meio ambiente e as agressões à floresta amazônica mesmo antes disso se tornar um debate nacional e global. Ela nos possibilitou conhecer e vivenciar coisas que mudaram nossas vidas, nos jogou no mundo muito cedo. Sempre falo que devemos agradecer a mãe por muito cedo nos tirar da nossa cidade natal, depois nos fazer viajar, conhecer o mundo. Minha mãe também nos tornou pessoas curiosas, Graças a ela tivemos oportunidade de conversar com pesquisadores de diversas áreas e aprender muito. Eu também falo que por causa disso tudo, no colégio e na universidade, foram fáceis de viver.
Hoje a mãe está igual a quando eu era criança, adora ver o que tem em cada esquina, de cada cidade deste mundo. Sua mente sábia costuma antecipar acontecimentos e pensamentos dos outros com muita facilidade, adora ler Fernando Pessoa e guias e demais de viagem. Se diz cansada mas não descansa a mente e o corpo por nada neste mundo.
Mãe, feliz aniversário, tenho certeza que ainda comemoraremos muitos outros. E depois que toda essa pandemia passar, faremos uma grande festa.
Te Amo Muito
Gugu



Hoje é o aniversario da MAIOR MAE DO MUNDO! A mae sempre conseguiu ser mae de muitas pessoas, sempre ser o ouvido para escutar, o ombro para chorar, o conselheiro sabio e firme quando necessário. Tambem é mãe de muitos projetos, desde plantar arvores e construir jardins a transformar e construir sistemas e instituições. Fez tudo isto sabendo que o caminho que seus filhos e ideias e projetos vão trilhar vão ser proprios deles, por mais que ela sofra a angustia disto.
Ela faz tudo isto sem por um segundo deixar de ser a minha mãe, a mãe que me escuta, a mãe com quem eu sempre pude contar quando os problemas eram muito grandes para min, a mãe que sempre nos respeitou como gente e deixou que tomássemos nossas decisões sozinhos, por mais que ela nao estivesse de acordo. A mae bonita, inteligente, divertida, de quem eu sinto um enorme orgulho. Mais que tudo a mae lutadora, desbravadora, corajosa, que sempre me deu o exemplo que as barreiras do mundo são superáveis, e que as limitações com que lidamos são quase sempre invenções nossas e não barreiras insuperáveis da realidade.

No fim do ano passado a mãe veio me visitar. Conversamos muito. Ela estava cismada com que está doente e ficando velha, e por isto se esquece das coisas. Eu ria muito de ver, porque para min ela segue exatamente a mesma pessoa bonita, inteligente e interessante de sempre, e essas eram exatamente as reclamações que ela tinha ha 30 anos, quando já as mesmíssimas coisas!
Te amo muito mae, feliz aniversário! Os anos não passam, os anos acrescentam.
Patati



O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
E que se assim é, é porque é assim."

Fernando Pessoa



sábado, julho 18, 2020

Erma Bombeck - chapeus roxos ou vermelhos?


Em Indiana, almoço de  Senhoras do Chapeu Vermelho.


Aos 3 anos: Ela olha pra si mesma e vê uma rainha.

Aos 8 anos: Ela olha para si e vê Cinderela.

Aos 15 anos: Ela olha e vê uma freira horrorosa.

Aos 20 anos: Ela olha e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, cabelo muito liso, muito encaracolado, decide sair mas, vai sofrendo.

Aos 30 anos: Ela olha pra si mesma e vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso muito encaracolado, mas decide que agora não tem tempo pra consertar então vai sair assim mesmo.

Aos 40 anos: Ela se olha e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas diz: pelo menos eu sou uma boa pessoa e sai mesmo assim.

Aos 50 anos: Ela olha pra si mesma e se vê como é. Sai e vai pra onde ela bem entender.

Aos 60 anos: Ela se olha e lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo.

Aos 70 anos: Ela olha para si e vê sabedoria, risos, habilidades, sai para o mundo e aproveita a vida.

Aos 80 anos: Ela não se incomoda mais em se olhar. Põe simplesmente um chapéu violeta e vai se divertir com o mundo.

Talvez devêssemos por aquele chapéu violeta mais cedo!

Erma Bombeck 



Fotografia que me foi permitida fazer


Conhecia , por circular na internet, o texto que transcrevi acima e que foi escrito por  Erma Bombeck  -  escritora e roteirista americana, nascida, em 1927, em Bellbrook e criada em Dayton/Ohio, tendo falecido em  São Francisco, na Califórnia, em 1996. Manteve, durante 30 anos, uma coluna de jornal, com grande sucesso popular, em que escrevia sobre problemas cotidianos de uma dona de casa suburbana. 


 Erma Bombeck

 

Escreveu mais de 4.000 colunas de jornal, narrando a vida comum de uma dona de casa suburbana, com eloquente humor. Na década de 1970, suas colunas foram lidas, duas vezes por semana, por 30 milhões de leitores de 900 jornais dos Estados Unidos e Canadá. Publicou 15 livros e alcançou muito sucesso com alguns.  




Ouvi e muitas vezes referências às mulheres de chapeus roxos - ou de chapeus vermelhos, outro grupo com outros objetivos, nunca , entretanto, havia me deparado com algum desses grupos, até abril de 2011. Ronald e eu, quando íamos de Illinois a Michigan, visitar Nina e Bill, nossos parentes muito queridos, almoçávamos em um restaurante, em Monon,  Indiana, cuja comida era deliciosa e o ambiente muito original. Lá encontramos um grupo de talvez 30 mulheres, a maioria com vestidos longos e todas de chapeu.





Lembrei-me logo do texto de Erma Bombeck e dos grupos de mulheres hoje existentes em mais de 10 países, tendo como objetivo partilhar alegria, companheirismo, convívio prazeroso, fazendo brincadeiras com chepeus e roupas. Aproximei - me de algumas que me pareceram mais simpáticas e receptivas. Pedi para fotografá-las. Autorizaram-me a fazer somente duas fotos e da parte do grupo com quem eu falara. Fiz as duas fotos primeiras que posto aqui e fiquei muito feliz observando a alegria delas. 



  Restaurante Monon - Indiana - US


Erma Bombeck é também a autora das afirmações seguintes: " Maternidade: a Segunda Profissão mais Antiga; Insanidade é hereditária. Você pode pegá-lo de seus filhos; Sonhos têm apenas um dono de cada vez. É por isso que os sonhadores são solitários. É preciso muita coragem para mostrar seus sonhos a outra pessoa. Quando você estiver igual à foto do seu passaporte... é hora de ir para casa."



...quase na hora de ir para casa...

Agradeço às queridas amigas Arlete Oliveira e Eloah Mpr que encontraram o texto de Erma Bombeck para mim, pois eu o havia perdido e queria muito encontrá-lo. Bom domingo a vocês. Cuidem-se. PS. Quando eu fizer 80 anos, para a festa a que vocês já estão convidadas, os chapeus poderão ser roxos ou vermelhos!