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sexta-feira, julho 10, 2020

Rememorando em Tempos de Pandemia I - Expo Shanghai 2010 - República Popular da China



Identidade visual da Expo/ 2010



"Das minhas remotas lembranças de criança de meio rural, que sonhava um dia "ver o mundo", surge Shanghai como minha única referência à China. Essa cidade aparecia, no meu imaginário infantil, cheia de mistérios, intrigas, crimes, bandidos e ...sem mocinhos (...) Eu não imaginava, realmente, conhecê-la um dia. Quando comecei a ler sobre a China, já com o intuito de visitá-la, constava Shanghai da minha lista, antes mesmo de Pequim. Quando lá cheguei, senti um "respirar difícil", um aperto no estômago, um olhar que não dava conta de enxergar tudo o que eu queria. Encontrava, enfim, a metrópole que eu sonhara ver." Correndomundo, 2010. 



Shanghai / 2010



Com 25 milhões de habitantes permanentes ( em 2019 ) e 5 milhões que, diariamente, movimentam-se ali, apresenta-se até bem organizada, embora eu pense que jamais conseguiria mover-me, dirigindo um carro, naquele trânsito. Shanghai, cujo nome significa acima do mar,  é uma das cidades de maior e mais rápido crescimento no mundo. 



                                          Detalhes do Centro Histórico de Shanghai



Não me decepcionei com Shanghai, mas me assustei um pouco. Tive a certeza de que com ela não estabeleceria laços, mesmo com a tocante beleza do Jardim Yu, com suas árvores, flores, lagos e obras de arte por todo lado. A grandiosidade local, no entanto,  dava-me um certo medo. Decidi que eu apenas  visitaria Shanghai uma vez e por razão muito especial - a Expo 2010.



Inesquecível o grandioso Jardim Yu



Devo contar que Exposições Mundiais me atraem tanto, que as persigo sempre que posso, muitas vezes alterando ou mudando roteiros para visitá-las - assim foi com a Expo Sevilha,  a Expo Lisboa e a Expo Milano. Por essa razão , a Expo Shanghai/2010 muito me impulsionou a visitar essa parte da República Popular da China.  Como Ronald e eu estávamos nos Estados Unidos, partimos de Chicago a São Francisco e de São Francisco  a Pequim. Ainda sinto a lembrança das tantas horas de vôo.,.,l



Pavilhão da China



Qualquer Expo é um passeio pelo mundo, e o passeio de Shanghai foi o mais rico e bonito que fiz. Foram dois dias intensos e ...insuficientes! Cerca de 200 países apresentavam ali sua cultura e seu urbanismo. Desde 2000, na Expo Hanover, os países participantes passaram a criar sua própria arquitetura - o que passou a ser  uma das grandes atrações para os visitantes.



Chegada no Pavilhão da Expo



Rememoro, com nostalgia, o primeiro momento em que me defrontei com Pavilhão do Brasil - era simples, elegante e informativo. Assistimos , Ronald e eu, a um espetáculo em que se informava sobre a cultura brasileira. Cheguei com medo, temendo as apresentações, em geral predominantes , de carnaval e futebol.




                                                                     Pavilhão do Brasil
                                   


Não  foi, entretanto, esse o enfoque  do que vi. Havia carnaval e futebol sim, mas havia bem mais do que isso. Lá estava a culinária - arroz, feijão, churrasco, vatapá, ensopado de peixe; a música, a dança, o artesanato, as pessoas e seu cotidiano.... Tudo tecnicamente apresentado em filmes e vídeos impecáveis. Bonito de ver. Saí comovida e agradecida.




                                                                    Filipinas



Todo o espaço destinado à Expo Shanghai foi preparado e decorado com esmero. Profusão de flores, árvores e objetos decorativos. Pessoal de segurança discreto e bem informados. Havia países que mostravam um exagero de criatividade, beleza e riqueza. Pavilhões magníficos. Montagens funcionais e relevantes. Difícil fazer escolhas do que ver e de que tempo ficar em cada pavilhão.




                                                                    Tailândia



Desde a primeira Expo, realizada em Londres, no Reino Unido, e que foi idealizada pelo Príncipe Albert, marido da Rainha Victoria, até a atualidade, ampliou-se gradativamente, no mundo todo, a repercussão do evento. Seus pavilhões de alto custo e a incorporação de temas atuais mantêm o interesse de nações que, algumas vezes, competem entre si na realização de espetaculares estruturas.




Canadá
                     

Em razão dos custos altos na construção dos pavilhões, a China fez um acordo com  países alguns países da África e construiu uma grande  estrutura que abrigou, neste evento, várias nações como Zambia, Malawi, Uganda, Ruanda, Djibouti, Comoros, Guiné-Bissau, Congo, Camarões, Gabão e Botswana. Havia aqui uma bela amostra de artesanato africano.




                                Detalhe do Pavilhão para algumas Nações Africanas

  

Em 2020, a Expo Mundial deveria estar sendo realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Em razão da Pandemia, foi transferida para o próximo ano. Atualmente, a previsão é que o evento seja realizado de cinco em cinco anos por escassez de recursos. Até o presente tenho me negado a ir a Dubai - só estive no aeroporto uma vez. Em sobrevivendo até o próximo ano, quem sabe não é a hora de ir lá?
 


                                                                       Ronald, em casa!


" Nem sempre sou igual no que digo ou escrevo,
Mudo, mas não mudo muito. 
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem dura
Ou quando fica a noite
E as flores são cor da lembrança."

Fernando Pessoa




sexta-feira, março 04, 2016

Planejamento - em continuidade...


Todas as fotos deste post,   eu as fiz na China 

Tive ótimas pessoas como companheiras de viagem - especialmente Ronald durante quase cinco anos. A maioria das minhas viagens, entretanto, eu as fiz sozinha. Em razão disso, construí algumas estratégias tranqüilizadoras tanto para mim quanto para minha família. Algumas delas relatarei aqui.




Reafirmo, entretanto, que eu sinto prazer em viajar na companhia de mim mesma. Sou bem minha amiga e tenho belas recordações para evocar. Além disso, viajar sozinha torna-nos mais livres para fazer escolhas, tomar decisões e aproveitar bem o tempo. Sim! Muitas vezes gostaria de ter alguém para comentar, por exemplo, um acontecimento inesperado, comovente ou divertido. Nessas horas, costumo escrever.





Se o planejamento de uma viagem é importante, para quem viaja sozinha, então, torna-se imprescindível. Costumo deixar com minha família e alguns amigos o itinerário que pretendo
fazer. Se o altero, aviso a todos. Se tenho amigo(s) no país em que estou visitando, informo-o(s) por onde ando e quanto tempo pretendo permanecer ali - se bem que hoje, com tantos recursos tecnológicos, tudo nos foi facilitado.




Deixo também cópias do passaporte e dos seguros de viagem. Sempre viajo com reservas de hotel - faço isso desde que tive de dormir numa estação de trem, em plena temporada de ópera, em Verona. Já perdi ou cancelei reservas por mudar roteiro, mas isso foi uma escolha deliberada.





A seleção dos hotéis eu as faço recorrendo a endereços já conhecidos ou a cadeias bem conceituadas - depois de analisar detidamente, no mapa, a localização do hotel. Reservo - os por internet e quase não tive problemas com isso. Somente uma vez debitaram algumas diárias de um desconhecido hotel no meu cartão. Após alguns e-mails e telefonemas para a operadora, o indevido total me foi estornado no mês seguinte. Já faz alguns anos que uso o booking.com para hospedagem. Para tudo o mais, sou fiel cliente da Ktour , em Santa Maria - agência impecável.






Uso mala, devidamente etiquetada, que eu possa carregar sem depender de ajuda. Uma vez pedi a um senhor que me ajudasse a descer uma mala de um trem, e ele me respondeu que não e ainda acrescentou: nunca leve o que você não pode carregar sozinha! Reconheci a razão dele e fiquei com vergonha de ter feito o pedido. Atualmente, já no aeroporto, fotografo minha bagagem - em caso de perda, agiliza as informações.





Já perdi malas muitas vezes. Nem me preocupo quando isso acontece. Faço os registros na companhia aérea e vou para o hotel sem stress.  Sempre as recebi de volta. Aprendi, apenas, a carregar algumas roupas, medicamentos e objetos a que dou muita importância, na mesma mochila em que levo o notebook.



Procuro chegar com antecipação em aeroportos e estações de trem. Não perco de vista, nem por instantes, a minha bagagem. Mesmo assim, uma vez esqueci a mala, na frente do aeroporto, em Israel, em plena guerra, fazendo pessoas e policiais correrem alarmados à procura do dono da mala e dos especialistas em bombas. Um vexame!  Acabei tendo que preencher muitos formulários e responder a uma entrevista, que teria passado sem ela.





Neuroticamente, já dormi com a bolsa embaixo do travesseiro e já construí uma armadilha de
cadeiras e mesas encostadas na porta. Atualmente, não mais me estresso, mas continuo cuidadosa:   meu medo maior é  a perda do passaporte. Para tanto, costumo dizer que não se deve dar chance ao azar.





Apesar desses cuidados todos, já enfrentei alguns problemas. Uma vez, ao sair do hotel para o aeroporto de Delhi, pedi que ao recepcionista que chamasse um táxi, desse meu roteiro, acertasse o preço e, ainda dei-lhe o dinheiro para pagar a corrida – o que foi feito na minha presença. Quando passávamos por um lugar mais deserto, o motorista parou o táxi e me disse que, se eu não desse a ele mais dinheiro, ele me deixaria ali mesmo. Mandou que abrisse minha bolsa e mostrasse o quanto tinha de dinheiro havia dentro dela.....






.......Eu tinha apenas rúpias suficientes para um café no aeroporto – o equivalente a cinco dólares. Entreguei o dinheiro todo, incluindo moedas. Talvez porque eu estivesse muito tranqüila, ele acreditou que meu dinheiro era só aquele. Felizmente salvei alguns euros que tinha numa subdivisão da bolsa. O taxista deu a partida e deixou-me no aeroporto. Quando me vi fora do táxi e de posse da minha mala, pensei em avisar a polícia. Desisti. Eu havia vivido, durante meses, muito bem e viajado por muitos lugares lindos da Índia. Não queria outro mau momento, logo na minha saída. Já me bastava o cretino do motorista!




Os mapas das cidades, que normalmente estudo antes da viagem, eu os olho e analiso novamente ainda no hotel - nada de "dar bandeira" olhando-os na rua e  demonstrando que o lugar me é desconhecido. Evito ficar pedindo informações o tempo todo. Basta também usar o GPS...






Quando quero alguma foto minha, costumo pedir a outro turista que a faça – gosto de pedir para japoneses que são, em geral, muito gentis e conhecedores de câmeras. Não chego a ser tão desconfiada quanto quatro senhoras brasileiras, a quem me ofereci, em Insbruck, para fotografá-las juntas, e elas não só fugiram de mim como saíram gritando: pensa que somos idiotas, sabemos que vocês roubam máquinas fotográficas assim!!! Fiquei mais assustada do que elas! Depois ri muito, rememorando a cena.





Antes de partir, faço uma cuidadosa, mas pequena, aquisição de medicamentos para gripe, alergia e problemas estomacais - resultantes, em geral, de mudanças bruscas na alimentação. Compro, ainda, antibiótico, que as farmácias não vendem sem receita, aqui ou em muitos outros países. A partir dos meus setenta anos, passei a fazer uma consulta antes de partir, ainda que seja só para ouvir o médico dizer que estou ótima. Fico mais tranqüila!




Viajo com tênis, sapatos ou sandálias, todos usados e bem testados. Em geral, abandono sapatos e roupas - também muito usadas - pelo caminho. Assim fazendo, posso carregar algumas comprinhas, embora eu tenha aprendido a comprar muito pouco.




Com câmera, livro, telefone,Ipod e notebook, estou equipadíssima para muitos meses. Atualmente é muito fácil viajar com serenidade. Sabe-se notícias de casa o tempo todo. O retorno já não é cheio de surpresas: as fotografias postadas já contaram quase tudo. Parte do encanto do retorno foi anulado pelo uso constante da internet. 




Considero que ler muito sobre os países a serem visitados, antes e durante a viagem, continua sendo garantia de aproveitamento e tranquilidade - seja viajando sozinha ou acompanhada. Foi ótimo ter lido bastante sobre a Índia e sobre a China, países que considero complexos para o entendimento dos ocidentais. Li, com muito cuidado, a Bíblia, antes de viajar para Egito, Israel e Palestina. Os lugares
visitados adquirem outra dimensão quando se tem um conhecimento prévio. 




É fundamental, ainda, em qualquer viagem, ter o olho limpo, para poder enxergar cada cidade como única. Não compará-la com nenhuma outra. As comparações limitam o olhar.  Ensinei aos meus filhos que o mundo é redondo, bonito e fácil de andar. Estar atento, sim! Ter medo, não. Ou se tiver medo, administrá-lo.




“O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de, vez em quando olhando para trás..




E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...




Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo.”

Fernando Pessoa



quinta-feira, dezembro 08, 2011

Blogagem Coletiva : meus 7 links




















Convidada por Claudia Liechavicius - que tem o fantástico blog  http://www.viajarpelomundo.com/ - e seguindo as regras relacionadas no blog  http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2011/12/03/blogagem-coletiva-meus-7-links-o-post/ que fez a proposta inicial, .enfrentei minhas dúvidas, inseguranças e hesitações , fiz as escolhas e aqui estão os meus 7 links.


1. O post mais bonito:




















A subjetividade da escolha ultrapassou a textualidade. Entre 476 postagens e sem tempo para rever textos e fotos, acabei escolhendo  a Índia  pela recordação de momentos vividos nesse país. Foram duas viagens, num total de sete meses de encantamento e vivências significativas, ainda que não as veja traduzidas em textos - os textos são fraquinhos ; as fotos, idem. Meio aleatoriamente , o link escolhido foi:
http://correndomundo.blogspot.com/2008/07/sobre-fotografias-e-imagens.html

2. O post mais popular:




















A China desperta muita curiosidade, sugere muitas perguntas e , em pessoas que a visitam, gera ambiguidades - o gostar-não-gostar é constante. É de impressionante beleza. Isso é. De tudo o que postei sobre a China, foi Xi ´an o que mais impressionou. Pudera! O Exército de Terracota está entre as coisas mais bonitas que vi nesta vida andarilha.
http://correndomundo.blogspot.com/search/label/China%3AXi%20%27an%20II


3. O post que gerou mais discussão/controvérsia:




















Aluguei um apartamento em Napoli e vivi a experiência de moradora do Volmero - bairro belíssimo - de  conhecer os vizinhos, de fazer compras para casa , de conversar com muita gente e de  ter amigos napolitanos. No entanto, apesar do sobrenome italiano, da semelhança com as mulheres do Norte, de conhecer  bem toda a Itália e de falar italiano, eu era uma estrangeira e , em alguns momentos, isso ficava bem demarcado.
http://correndomundo.blogspot.com/2008/06/quando-cheguei-napoli-decidi-logo.html

4. O post que ajudou/ajuda mais gente:




























Pelo retorno que recebi - incluindo vários e-mails com perguntas sobre o tema - parece que um pequeno post sobre visto para China e Hong Kong foi bem útil.
http://correndomundo.blogspot.com/search/label/China%3A%20tipos%20de%20visto


5. O post que o sucesso me surpreendeu:


























Neste 2o. semestre de 2011, o foco da viagem foram os países balcânicos. Eu desejava conhecer Estônia, Letônia e Lituânia. Fiz o roteiro de modo a ver esses países e  rever outros dos quais sentia saudade. Além disso, queria testar o novo vôo da TAP - POA/LISBOA . Foram dois meses agradáveis e com bom aporte de conhecimentos. As postagens tiveram muito boa repercussão - a escolha da Estônia para ilustrar foi quase aleatória!Poderia ser a Letônia ou a Lituânia, três países muito interessantes de ver.
http://correndomundo.blogspot.com/search/label/Est%C3%B4nia


6. O post que não recebeu a atenção que deveria




























Fiquei dividida entre Israel e Canadá. Considero que os dois não receberam a atenção que deveriam receber. Nem minha! Mesmo tendo sido Israel muito emocionante para mim e eu ter tido a oportunidade de estudar bastante sobre ele,  escolhi o Canadá para lincar aqui pela particularidade da longa viagem de trem - leste a oeste e por ser a primeira vez que o visitava . 
http://correndomundo.blogspot.com/search/label/Canad%C3%A1


7. O post de que tenho mais orgulho




















Paradoxalmente, neste blog de viagens, o post de que mais me orgulho não é de viagem - ou é uma viagem diferente. Em junho de 2009, com 65 anos, depois de divorciada há 17 anos, casei como Ronald Mckinney quis : no civil e no religioso, com festa em família, aliança e tudo o que tradicionalmente se faz.. Contrariei, assim, todos os meus  discursos  modernosos. 
http://correndomundo.blogspot.com/2009/06/que-assim-seja.html


Agradeço, carinhosamente, à querida Cláudia , por quem fui convidada a escrever meus 7 links.  Indico, a seguir,  setes blogs para dar continuidade a esta Blogagem Coletiva.

domingo, agosto 08, 2010

Pequenas histórias I


Ela nos recebeu na estação de trens de Shanghai. Demonstrava ser competente profissional e falava o melhor espanhol-chinês que eu encontrei.
Aparentava pouco mais de 50 anos . Era uma pessoa simples e muito elegante. Acompanhou-nos , durante três dias, naquela metrópole. Éramos dois casais: Ronald e eu, Pedro e Maria, uns espanhóis encantadores.
No final do primeiro dia, perguntou , muito formalmente, sobre meus filhos, quantos eram e que idade tinham. Ao responder, acrescentei informações sobre os dois filhos de meu marido. Eu não sabia que estava “dando um nó” na cabeça daquela elegante senhora . A partir daí , sempre que era possível, vinha ter comigo uma conversa particular, à procura de novas informações que a levassem a entender o fenômeno. Meus filhos haviam concordado com esse casamento tardio e com um estrangeiro? E os filhos dele, haviam-me recebido bem? E os demais familiares nossos como reagiram?
Percebi, depois , que a dificuldade maior era a relação minha com meu ex-marido. Quem ficara na casa, perguntava ela? Meu ex-marido concordara com meu casamento? A cada conversa, a situação se complicava mais. Saber que meu atual marido tinha duas ex-esposas e que meu ex-marido era casado , foi um choque para ela. Contou-me que jamais os filhos dela concordariam com uma situação tão extraordinária assim. Dei-me conta que o abismo era muito mais cultural que lingüístico.
A cada intervalo nas explicações sobre Shanghai, novas perguntas e novos comentários. Ela estava sempre ansiosa para saber mais. Discretamente ansiosa. Procurava sempre ser discreta.
No último dia, quando nos acompanhava ao aeroporto, após pedidos de desculpas pelas indagações todas e muitos elogios ao meu espanhol e à minha disponibilidade para conversar, ela fez a mais difícil das perguntas: junto com quem eu seria enterrada quando morresse. Com qual dos meus maridos estaria o lugar para mim. Entendi essa pergunta porque me lembrei da Slovakia, onde ficava pronto, ao lado do cônjuge morto, o lugar do que ficara vivo – na lápide, nome e data de nascimento do sobrevivente , faltando apenas colocar a data da morte!
Depois, já no avião, eu ri muito, imaginando um cemitério estranhamente comunitário, com meu ex-marido, a mulher dele, o ex-marido da mulher dele, meu marido, mais as duas ex –mulheres dele com seus maridos e ...Quanta gente! A pobre senhora chinesa não poderia mesmo entender .

segunda-feira, agosto 02, 2010

Macau, a Las Vegas do Oriente


























Macau é hoje Zona Administrativa Especial da China. Esteve durante 450 anos sob domínio de Portugal - que a devolveu em 1999. É interessante de conhecer. Pode-se ir de ferryboat, a partir de Hong Kong, de Shenzhen ou de Guanzhou. Fui a Macau a partir de Hong Kong, numa viagem com pouco mais de uma hora de duração, com cenários bonitos de ver. 





















A Língua portuguesa é uma das suas línguas oficiais. As indicações de ruas, monumentos históricos e prédios públicos estão em quatro línguas: Português, Inglês, Mandarim e Cantonês. Apesar disso, não encontrei lá falantes da Língua de Camões. Havia até um restaurante simpático chamado "Amigos"; o cardápio, entretanto, estava todo em chinês. Gostei da Rua da Felicidade!






















Usam-se moedas diversas, além da Pataca, moeda local, pode-se usar dólar de Hong Kong, Yuan chinês, euro e dolares americanos. A razão por que circula tanto dinheiro e tão diferentes moedas é o fato de Macau ser a Capital do Jogo na região, conhecida como a Las Vegas do Oriente.




























Vale a pena ver o Centro Histórico, a fachada da Igreja de São Paulo - o que restou do incêndio ocorrido em 1835 - e a fantástica arquitetura de alguns cassinos. O Hotel Lisboa tem, por fora, o estilizado formato de um abacaxi e , por dentro, o mais fantástico estilo de um clube noturno dos anos 70. Um luxo só! 






















Um dos homens mais ricos do mundo mora em Macau. Segundo contam, é proprietário de mais da metade da ilha. O pai desse milionário foi o primeiro chinês a morar na Vitória, parte de  Hong Kong reservada à moradia de ingleses. 





















A comida é boa e tem traços da comida portuguesa. Um prato com vagem e feijão branco e uma galinha assada no forno, depois de marinada em alho, pimenta e leite de coco, foram os melhores pratos que experimentei lá. 





















É interessante comparar a história , os rumos e o desenvolvimento de Macau e Hong Kong - um colonizado pelos portugueses e o outro , pelos ingleses. Um dedicado ao jogo; outro, a indústria de ponta. Os dois , em lugares de privilegiada beleza.