Mostrando postagens com marcador India. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador India. Mostrar todas as postagens

sábado, abril 09, 2016

" Tomara eu ser assim"

Agra


"Bom vento do mar,bom vento
Que vens de cima do mar,
Vem dizer ao meu pensamento
Que o melhor é não pensar.



Se acreditar no que existe
Faz triste quem  o não é,
Mais vale ninguém ser triste
E não ter crenças nem fé.




Mas tu, bom vento que vens
De cima de ondas sem fim,
Nem fé nem descrenças tens
Tomara eu ser assim".

Fernando Pessoa





Desejo-lhes um fim de semana  interessante , com tranquilidade, paciência  e  lucidez. Beijo.

sexta-feira, junho 07, 2013

Sobre guerras e monumentos culturais

Reproduzo, a seguir, um texto que escrevi em 2007, aqui mesmo, no Correndomundo. Estabelecerei , depois, a relação entre esse texto e o post seguinte.

Naggar

Estive ontem na pequena cidade de Naggar ( uma hora de carro desde Vashich ). Está a 1760 m de altitude, eh arrumadinha e muito interessante de ser vista. Durante 1500 anos foi a capital de Kullu Valey. Tem dois locais belissimos para serem visitados.

O primeiro eh o Castelo, que foi sede de governo e hoje eh um museu. O Castelo mais parece uma bela casa de fazenda, com uma varanda de madeira em toda a sua volta e de onde se pode ver o Beas Valley. Lindo lugar. Eh todo feito de pedras e madeiras intercaladas, formando barras ao longo de suas paredes. Junto ao Castelo, um pequeno Templo , feito de madeira delicadamente trabalhada , parecendo uma renda.

Templo em Naggar

O segundo ponto eh a Roerich Gallery, antiga casa do pintor russo Nikolai Roerich, que viveu ali muito anos, em companhia da mulher , a escritora e pintora Helena Roerich , e do filho , pintor com trabalhos magnificos ( comprei algumas reproducoes de obras dele). Nikolai, era pintor, designer, cientista e escritor, muito conhecido no mundo todo pela sua obra e pela sua atuacao politica em favor da paz e em defesa da arte e a cultura. Morreu em Naggar, em 1947. Foi o criador de um simbolo da paz e, com esse simbolo e um texto, conseguiu a assinatura de mais de 60 chefes de Estado, num pacto em que se comprometiam a nao atacar monumentos culturais durante as guerras. Vale a pena ver seus trabalhos neste site: http://www.agniart.com/eng/folder-10588-1~Fine-art-posters~Roerich-Nicholas

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Blogagem Coletiva : meus 7 links




















Convidada por Claudia Liechavicius - que tem o fantástico blog  http://www.viajarpelomundo.com/ - e seguindo as regras relacionadas no blog  http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2011/12/03/blogagem-coletiva-meus-7-links-o-post/ que fez a proposta inicial, .enfrentei minhas dúvidas, inseguranças e hesitações , fiz as escolhas e aqui estão os meus 7 links.


1. O post mais bonito:




















A subjetividade da escolha ultrapassou a textualidade. Entre 476 postagens e sem tempo para rever textos e fotos, acabei escolhendo  a Índia  pela recordação de momentos vividos nesse país. Foram duas viagens, num total de sete meses de encantamento e vivências significativas, ainda que não as veja traduzidas em textos - os textos são fraquinhos ; as fotos, idem. Meio aleatoriamente , o link escolhido foi:
http://correndomundo.blogspot.com/2008/07/sobre-fotografias-e-imagens.html

2. O post mais popular:




















A China desperta muita curiosidade, sugere muitas perguntas e , em pessoas que a visitam, gera ambiguidades - o gostar-não-gostar é constante. É de impressionante beleza. Isso é. De tudo o que postei sobre a China, foi Xi ´an o que mais impressionou. Pudera! O Exército de Terracota está entre as coisas mais bonitas que vi nesta vida andarilha.
http://correndomundo.blogspot.com/search/label/China%3AXi%20%27an%20II


3. O post que gerou mais discussão/controvérsia:




















Aluguei um apartamento em Napoli e vivi a experiência de moradora do Volmero - bairro belíssimo - de  conhecer os vizinhos, de fazer compras para casa , de conversar com muita gente e de  ter amigos napolitanos. No entanto, apesar do sobrenome italiano, da semelhança com as mulheres do Norte, de conhecer  bem toda a Itália e de falar italiano, eu era uma estrangeira e , em alguns momentos, isso ficava bem demarcado.
http://correndomundo.blogspot.com/2008/06/quando-cheguei-napoli-decidi-logo.html

4. O post que ajudou/ajuda mais gente:




























Pelo retorno que recebi - incluindo vários e-mails com perguntas sobre o tema - parece que um pequeno post sobre visto para China e Hong Kong foi bem útil.
http://correndomundo.blogspot.com/search/label/China%3A%20tipos%20de%20visto


5. O post que o sucesso me surpreendeu:


























Neste 2o. semestre de 2011, o foco da viagem foram os países balcânicos. Eu desejava conhecer Estônia, Letônia e Lituânia. Fiz o roteiro de modo a ver esses países e  rever outros dos quais sentia saudade. Além disso, queria testar o novo vôo da TAP - POA/LISBOA . Foram dois meses agradáveis e com bom aporte de conhecimentos. As postagens tiveram muito boa repercussão - a escolha da Estônia para ilustrar foi quase aleatória!Poderia ser a Letônia ou a Lituânia, três países muito interessantes de ver.
http://correndomundo.blogspot.com/search/label/Est%C3%B4nia


6. O post que não recebeu a atenção que deveria




























Fiquei dividida entre Israel e Canadá. Considero que os dois não receberam a atenção que deveriam receber. Nem minha! Mesmo tendo sido Israel muito emocionante para mim e eu ter tido a oportunidade de estudar bastante sobre ele,  escolhi o Canadá para lincar aqui pela particularidade da longa viagem de trem - leste a oeste e por ser a primeira vez que o visitava . 
http://correndomundo.blogspot.com/search/label/Canad%C3%A1


7. O post de que tenho mais orgulho




















Paradoxalmente, neste blog de viagens, o post de que mais me orgulho não é de viagem - ou é uma viagem diferente. Em junho de 2009, com 65 anos, depois de divorciada há 17 anos, casei como Ronald Mckinney quis : no civil e no religioso, com festa em família, aliança e tudo o que tradicionalmente se faz.. Contrariei, assim, todos os meus  discursos  modernosos. 
http://correndomundo.blogspot.com/2009/06/que-assim-seja.html


Agradeço, carinhosamente, à querida Cláudia , por quem fui convidada a escrever meus 7 links.  Indico, a seguir,  setes blogs para dar continuidade a esta Blogagem Coletiva.

quarta-feira, março 18, 2009

Nostalgia


Agra
Quando morrem pessoas da nossa geração, morre também um pouco da nossa prepotência, do excesso de importância que a gente se dá. A vida não pode ser levada a sério, quando pode terminar assim, sem aviso prévio, a qualquer momento, sem levar em conta projetos e sonhos. Tenho pensado na relevância que, historicamente, foi dada aos profetas de todo tipo. Medo do futuro, sempre tão misterioso. Necessidade de desvendá-lo antes da hora.
É difícil aceitar o imprevisível. E previsível mesmo só este exato momento.

"Vão breves passando
Os dias que tenho.
Depois de passarem
Já não os apanho."

Fernando Pessoa-1931

sexta-feira, janeiro 02, 2009

É!


Chamba Valley - India




"Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz."
Caetano Veloso

domingo, agosto 17, 2008

Síntese 03



O que muito me impressionou nesta viagem:



















. a beleza e o colorido dos Templos ; 

. o número de trabalhadores, na Índia, para a execução de qualquer tarefa: por exemplo, dois funcionários por guichê, em alguns pedágios. Um recebia o dinheiro e passava para o outro, que emitia o ticket e o entregava para o primeiro, que o entregava para o motorista. A distância entre o carro e o guichê mal permitia ao primeiro funcionário mover-se - mas eram dois;

. o número de pessoas em qualquer meio de transporte: vi um rikishaw transportando 12 pessoas, camadas de pessoas sobre os ônibus e trens com pessoas penduradas nas portas e laterais;
.





















o profissionalismo do “fazedor de pacotes para o correio”, em Pondycherry – além de organizar minhas compras, colocá-las ordenadamente numa caixa, envolver essa caixa primeiro num plástico e depois no pano branco de seda ( obrigatório) , costurava-a com perfeição e escrevia destinatário e remetente com letra perfeita. Cobrou oito reais por tudo;

. o convite, entregue a Fabrício e Krithika por uma mãe, para a cerimônia de recebimento do nome que, no dia do primeiro aniversário, sua filha teria;

. a gruta de Nossa Senhora de Fátima , num estilo ocidental e português, com adereços de flores típicos colocados por indianos;



























. a lindeza da comida, no Sul da Índia, colocada sobre folhas de bananeira – para ser comida com as mãos - não precisando, portanto, lavar pratos e talheres;
.            
todas as histórias de São Tomé , na Índia, inclusive seu assassinato;

. o medo que senti , na Fronteira Índia - Paquistão, quando milhares de pessoas forçaram a passagem por um portão, guardado pela polícia . Eu me senti “prensada” em meio à multidão.Um policial , que retirava dali as mães com filhos no colo, abriu caminho para que eu saísse também;























. a cesta de frutas que comprei e dei, no Chamba Valley, para uma família de macacos – em pouco tempo , havia muitas famílias ali. Todos estavam tranqüilos porque as pessoas não os agridem. Foi uma festa que rendeu fotos para muitos turistas;

. a beleza das inúmeras cascatas nas estradas de montanha do Chamba Valley e o verde exuberante do lugar;

. as pastas e malas "acorrentadas "nos trens;
. as comprinhas em Auroville, Kanchiporan e Mysore;
. a beleza das Montanhas Azuis;

 






















 .como o nosso dinheiro "rende" na Índia : refeições custam três ou quatro dólares - comida indiana naturalmente porque restaurantes internacionais são mais caros;

. a grandiosidade das árvores, especialmente no Sul da Índia, a beleza das flores e a doçura das frutas;

. a gentileza de meus amigos indianos e as boas lembranças que muitos têm do Gugu;

. o quanto me emociona e encanta a Índia.

Bardejov




















. A beleza de Presov e Bardejov  na Slovakia;

. as lavouras de girassol florido;

. como gostei de ter visitado Miskolc ,na Hungria;

. o desejo de retornar sempre à Europa.

Síntese 02





















Tornou-se inesquecível para mim:
. o gosto do doce de leite e do chocolate com figo de Ooty;
. as mangas e as peras do Punjab;
. os turbantes coloridos usados pelos homens, no Rajisthan;
. os textos, em três línguas, encontrados no Sul da Índia ( foto);
. a paisagem dos remansos;
. a cor dos "amontoados "de pedras nas montanhas de Dharmsala;


 .


















. a preparação de Dharmsala e Mc Leod Ganj para o aniversário do Dalai Lama;
. o Chamba Valley e a cidade de Dalhousie;
. a chegada em Pushkar ao anoitecer;
. as redes chunesas de pesca em Kochi;
. as Galerias de Arte de Chandigarh, na Índia, e de Bagheria, na Sicilia;
. o ato de transplantar as mudinhas de arroz no Sul da Índia;
. a chegada do noivo nas festas de casamento;
. o sorriso dos sadus;























. a agilidade com que os velhos se movem;
. as flores de lótus na Índia e os campos cobertos de papoula na Grécia e na Turquia e as lavouras de girassol na Slovakia e Hungria ;
. as estampas e os bordados dos saris;
. a elegância das mulheres;
. o passeio a Auroville, com especial destaque à buzina do Rikishaw : uma bola de borracha verde ( foto);
. a massagem Ayurvédica, a quatro mãos, sincronizadas, simplesmente divina;




























. o encontro do Oceano Índico, Mar Arábico e Baía de Bengala em Kanniyakumari;
. o Fabrício ocupando o lugar de um vendedor de conchas em Kanniyakumari( foto) ;
. as tornozeleiras e as pulseiras de prata;
. a felicidade do carregador de bagagem que aprendeu a carregar minha mala sem colocá-la na cabeça e minha mochila às costas - parecia desfilar;
. a luta contínua de combate ao uso de embalagens e sacos plásticos - parece que só proibindo sua fabricação;
. algumas cidades consideradas "livres do plástico";
. a mãe que pediu para me fotografar junto com cada pessoa da família;
. o ritual que fazia meu amigo indiano antes de uma viagem - incenso e rezas no carro;
. a refeição , gratuita e comunitária , no Templo Sikh, em Amritsia;
. a gentileza e a atenção dos empregados da casa da família da Krithika;
. a minha despedida da vó da Krithika;
. o carinho do Fabrício, da Krithika e das crianças..

sexta-feira, agosto 08, 2008

Partida

Tornou-se inesquecível para mim:
. o gosto do doce de leite e do chocolate com figo de Ooty;
. as mangas e as peras do Punjab;
. os turbantes coloridos usados pelos homens, no Rajisthan;
. os textos, em três línguas, encontrados no Sul da Índia ( foto); 
 . a paisagem dos remansos;
. a cor dos "amontoados "de pedras nas montanhas de Dharmsala;
. a preparação de Dharmsala e Mc Leod Ganj para o aniversário do Dalai Lama;
. o Chamba Valley e a cidade de Dalhousie;
. a chegada em Pushkar ao anoitecer;
. as redes chunesas de pesca em Kochi;
. as Galerias de Arte de Chandigarh, na Índia, e de Bagheria, na Sicilia;
. o ato de transplantar as mudinhas de arroz no Sul da Índia;
. a chegada do noivo nas festas de casamento;
. o sorriso dos sadus;
. a agilidade com que os velhos se movem;
. as flores de lótus na Índia e os campos cobertos de papoula na Grécia e na Turquia e as lavouras de girassol na Slovakia e Hungria ;
. as estampas e os bordados dos saris;
. a elegância das mulheres;
. o passeio a Auroville, com especial destaque à buzina do Rikishaw : uma bola de borracha verde ( foto);
. a massagem Ayurvédica, a quatro mãos, sincronizadas, simplesmente divina;
. o encontro do Oceano Índico, Mar Arábico e Baía de Bengala em Kanniyakumari;
. o Fabrício ocupando o lugar de um vendedor de conchas em Kanniyakumari( foto) ;
. as tornozeleiras e as pulseiras de prata;
. a felicidade do carregador de bagagem que aprendeu a carregar minha mala sem colocá-la na cabeça e minha mochila às costas - parecia desfilar;
. a luta contínua de combate ao uso de embalagens e sacos plásticos - parece que só proibindo sua fabricação;
. algumas cidades consideradas "livres do plástico";
. a mãe que pediu para me fotografar junto com cada pessoa da família;
. o ritual que fazia meu amigo indiano antes de uma viagem - incenso e rezas no carro;
. a refeição , gratuita e comunitária , no Templo Sikh, em Amritsia;
. a gentileza e a atenção dos empregados da casa da família da Krithika;
. a minha despedida da vó da Krithika;
. o carinho do Fabrício, da Krithika e das crianças..

quinta-feira, agosto 07, 2008

Jaipur, capital do Rajisthan






















Algumas cidades são assim: surpreendem mais na segunda vez que as visitamos. Encantei-me com Jaipur, capital do extraordinário Rajisthan. Não vou escrever sobre ela porque já fiz isso no ano passado. Apenas registro o meu desejo de voltar aqui. Cheguei ao anoitecer em Delhi, encantada com tudo o que vira e admirara - um pouco triste porque esqueci de recarregar a bateria e perdi muitas fotos que gostara de ter comigo : elefantes muito enfeitados, muitos camelos puxando carga ou levando pessoas, reuniões de velhos com seus turbantes coloridos, mulheres caminhando pela estrada com a elegância que às vezes falta nas passarelas. Penso retornar!

terça-feira, julho 29, 2008

Pushkar - seus lagos e templos.




















O vôo Bangalore / Delhi foi difícil. Chovia muito – são as “monsoons” nesta região. O avião “tremia “bastante – e eu também. Cheguei com duas horas de atraso. Dormi em Delhi e saí cedo , no dia seguinte, para Pushkar. Estive em dúvida se ia para Nainital ( montanhas) ou Rajisthan. Sorte que decidi pelo Rajisthan, estado de que eu conhecia somente a capital, Jaipur.























A viagem já é fantástica. A maioria das estradas são excelentes . As pessoas que encontrei no caminho, com suas roupas muito coloridas, constituem um belo espetáculo – as mulheres com a cabeça coberta por echarpes lindos; os homens ,com belos turbantes de cores fortes.























Os animais, principalmente os camelos e os elefantes, constituem um outro espetáculo belíssimo. Com muitos enfeites coloridos, alguns puxam cargas em antigas carretas, outros transportam pessoas.Dividem estradas com diferentes veículos.






















Vim de carro – 9 horas de viagem. Quando vi Pushkar, senti-me recompensada. Indescritível. Trata-de de uma cidade – templo, lugar de peregrinação – possui mais de 200 templos. Está cercada por montanhas não muitos grandes , mas com formatos diversos – e sobre algumas dessas montanhas, templos e lagos sagrados. O lago principal, entretanto, está bem no centro de Pushkar, e, ao redor desse lago, distribuem-se 52 “ghats”, por onde os peregrinos alcançam as águas sagradas do lago e se banham para limpar os pecados e purificar o espírito.




                                                       
























Na cidade, é proibido comer qualquer tipo de carne ou ovos e é também proibido o uso de drogas e bebidas alcoólicas - achei muito divertido quando vi um menino do hotel trazer escondida uma garrafa de cerveja comprada no mercado paralelo - detalhe: a cerveja era sem álcool!De manhã cedo, fui até a ghat do principal templo hindu – levada por um amigo de um amigo de um amigo meu...como sempre me acontece. 

























Naquele ghat , fiz todos os rituais, como oferendas de flores (rosas vermelhas e cravos amarelos perfumadíssimos ) e alimentos ao lago, pintura na testa, preces para os antepassados mortos e pedido de saúde, paz , dinheiro aos filhos, parentes e amigos , devidamente nominados – imaginem a extensão da minha lista, embora sintetizada pelo nome da família, por exemplo, os Daudts, os do Canto, os Siqueiras, os Guterres ... 




Em Delhi





















Repeti muitas preces em hindi... que não entendi , mas levei fé! Foi bem bonito e até fiquei emocionada, especialmente quando  pensei em familiares e amigos. Tentei fazer fotografias que dessem conta de um pouco da beleza e da magia deste lugar. Impossível. Vi muitos camelos, um comércio pitoresco principalmente de ornamentos para camelo, ruas apinhadas de gente, muitos sadus ( santos vivos )e cerimônias em diferentes lugares.





























Visitei  templos e ouvi  histórias, como a de Brama e suas duas esposas. Escutei previsões de astrólogos e cartomantes. Mesmo com chuva, fui percorrer a cidade a pé e descalça, pois, sendo lugar sagrado, eu não poderia estar usando sapatos. Voltei com barro até perto do joelho  ( O tempo todo tive medo de pisar em um prego, pedaço de ferro ou lata - até perdi a certeza de que minha vacina antitetânica estive valendo...). 
























Puskar é um dos lugares mais singulares e comoventes que conheci.É um lugar de paz mas de surpresas a todo momento. Daqui a uma semana, parto da Índia para a Europa, onde devo permanecer por mais dois meses. Saio agradecendo ao Cosmos que me permite chegar a lugares inesquecíveis.






















"Louvado seja Deus que não sou bom,
E tenho o egoísmo natural das flores
E dos rios que seguem o seu caminho
Preocupados sem o saber
Só com florir e ir correndo.
É essa a única missão no Mundo,
Essa — existir claramente,
E saber fazê-lo sem pensar nisso."

Fernando Pessoa



Mysore






















De Ooty, carregando muito chocolate, vimos, Fabrício e eu, para Mysore, cidade famosa pelos palácios, tecelagens de seda, produtos de sândalo – principalmente óleos e incensos – e entalhes em madeira.


 


















A cidade tem 750 mil habitantes e muito movimentada e razoavelmente limpa. Foi governada por mais de 500 anos pela dinastia Wodeyar, governo só interrompido pelos 38 anos de regime do muçulmano Haider Ali e de seu filho, o sultão Tipu, com quem eu “simpatizo” bastante. Foi Tipu que , em 1793, fez de Mysore um grande centro cultural, principalmente com a criaçao da maior universidade do Estado de Karnátaka. Li bastante sobre esse período.Só o Amba Vilas Palace compensa a visita à cidade. Estupendo palácio. Estupendos os templos.



 


















Ali , numa parte desse palácio, vive ainda um marajá que conserva até sua criação de elefantes – eu os vi passear tranqüilamente pelos jardins do palácio - os elefantes, é claro. Espetacular e imenso o conjunto! A Catedral de Santa Filomena, construção recente – foi terminada em 1959 - também é interessante de ser vista, bem como os prédios públicos, imponentes e localizados em ruas largas e bem arborizadas. As compras são fantásticas. Comprei alguns saris de seda e outras coisinhas mais. Não consegui resistir – tudo bem... porque esta tem sido uma viagem de resistência às compras.






















De Mysore , vim para Bangalore, onde fiquei hospedada na casa da vó da Krithika. Foi ótimo porque tive três dias a mais de convívio com Fabrício, Krithika, Raven e Raiz. E , ainda, vivi o cotidiano de uma família indiana. Fui muito bem acolhida na casa , que tem , além do motorista, mais quatro empregados. Minha roupa foi lavada e passada, minhas compras , empacotadas - com tecido branco de seda como é obrigatório na India - e mandadas para o Brasil. Fiz yoga com a Krithika e fui ao cinema com Fabrício – vimos um filme de super-herói e tive muita saudade da adolescência de Gugu e Patati. Chorei quando saí de Bangalore para Delhi. Pura saudade.





















"Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!" Fernando Pessoa

Obs. Gostei da foto anterior: quatro budistas e quatro muçulmanos entrando, ao mesmo tempo, no Palácio Amba.

segunda-feira, julho 28, 2008

Ooty ( ou Udhagamandalam)






















Saí do Estado de Kerala e voltei ao de Tamil Nadu. Estou em Ooty, que tem o nome oficial de Udhagamandalam, no alto das Montanhas Azuis – chamadas Nila Giris ou Nilgiris. Faz frio e chove hoje aqui. Pela primeira vez, uso a jaqueta que trouxe porque pensava necessitar dela ao voltar para o Brasil – ainda comprei meias e um estranho pano de lã para cobrir a cabeça e enrolar o pescoço.























Não foi nada fácil chegar aqui : quase cinco horas de trem de Kochi a Coimbatore e outras quatro horas de carro de Coimbatore a Ooty – um táxi com ar condicionado e motorista experiente de viagem em montanha cobra 35 dólares para fazer esse percurso!Custa muito pouco contratar um carro com motorista na Índia.























Logo que se passa por Metupalayam, cidade que fica uns 20 km de Coimbatore, começa-se a subir montanhas. São 14 grampos que precisam ser vencidos. Grampos é o nome usado por semelhança das curvas da estrada com aqueles grampos que se usam – ou se usavam – nos cabelos. São curvas como um U quase fechado, claro que com muitas curvas mais suaves entre um grampo e outro. O percurso é indicado assim 1/14 ou 4/14 e por fim, 14/14 quando as curvas terminam. Essa informação pode ser também repassada nos endereços: posso dizer na 5/14 entrar à direita por exemplo!























Apesar de toda a deslumbrante beleza dos lugares, preciso escrever que eu vinha com um medo desgraçado? Em Ooty, encontram-se muitas casas de chocolate de boa qualidade. Comprei meio quilo de chocolate com figo ! Delícia. E custa menos de dez dólares o quilo. Também se produz e se vende aqui chás de boa qualidade.























Fiz algumas compras: um chalé belíssimo, uma raríssima e minúscula colherinha de prata que serve para limpar o ouvido, uma tornozeleira , um potinho de “vick vaporub” , uma latinha de talco de rosas, um pente fino, daqueles de retirar piolho, todo colorido e enfeitado – e outras coisinhas mais “normais”. Foi muito divertido fazer essas compras.






















Amanhã, também de táxi, devo descer as Montanhas Azuis ( na descida são 18 grampos!) e chegar a Mysore, a cidade dos palácios.


Já em Mysore...