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terça-feira, outubro 17, 2017

Albi, a Cidade da Arte.

Arquitetura arrojada : Teatro dos Cordeliers

Relaciono, de início, algumas razões para conhecer Albi, a Cidade Vermelha, Patrimônio da UNESCO, com cerca de 50 mil habitantes:  a Basílica de Santa Cecília, o fantástico Teatro de Cordeliers,  as obras de  Henri Toulouse-Lautrec,  a Ponte Velha que atravessa o Tarn e a história dos Cátaros, os hereges.


Detalhes da Catedral de Santa Cecília

Em 1281, iniciaram-se os primeiros trabalhos de construção da Catedral ( hoje Basílica ), que só seriam concluídos em 1380. A suntuosa  pintura da bóveda, entretanto, só foi feita em 1512, por pintores italianos. Sofreu ataques durante as lutas religiosas travadas em Albi, quando centenas de estátuas foram destruídas. Sua restauração deu-se entre 1849 e 1898.


Detalhes trabalhados ao longo de séculos...

É a maior catedral de ladrilhos do mundo. Assemelha-se a outras igrejas góticas da região de Toulouse, mas as supera no tamanho. Mede 114 metros de comprimento, 35 metros de largura e suas paredes têm 40 metros de altura. Se campanário mede 78 metros. A Basílica de Santa Cecília pode ser vista de qualquer parte da cidade.


Majestoso trabalho de pintores italianos

Um detalhe interessante é que essa Catedral tem somente duas entradas: uma porta pequena ao Norte e a porta principal ao Sul - é , assim , diferente de muitas outras catedrais, que têm aberturas para os quatro lados. Parece-se mesmo com uma fortaleza. Suas janelas, por exemplo , são estreitas e estão a 20 metros do solo. Essa igreja proclama , desde sua forma, a altivez e a força que o cristianismo queria demonstrar frente ao Movimento Cátaro. 


Impressionante riqueza de detalhes no interior da Basílica

O interior da Basílica de Santa Cecília contraste com seu exterior, não tendo aspecto militar e sendo harmonioso, delicado, mas suntuoso. As suas magníficas pinturas foram executadas por pintores italiano da Bolonha e mostram uma sucessão de santos e santas que rodeiam a Cristo e Maria. O coro, de beleza ímpar, e um imenso afresco, que retrata as penas dos condenados em relação aos sete pecados capitais, comovem e, por vezes, assustam. Visita obrigatória, seja por religião, arte ou história.


Palácio Berbie e Museu Toulouse Lautrec

O núcleo histórico de Albi é integrado pela Catedral Santa Cecilia e pelo Palácio Berbie e seus maravilhosos jardins. O Palácio foi a antiga residência dos bispos, um edifício imenso e majestoso. Construído na época em que os bispos eram os inquisidores, parece mais uma fortaleza militar que um palácio. A cidade se desenvolveu ao redor desse núcleo, em especial da Catedral / Basílica.



Obra de Toulouse - Lautrec

No Palácio de Berbie , século XIII, estão as salas  consagradas a Toulouse-Lautrec, o grande pintor da Belle Epoque, que, no auge do impressionismo, ousou criar uma nova linguagem. Em 1922, chegou a Albi um dos retratos da Condessa Adele, parte de suas pinturas mais importantes. Obras da juventude de Toulouse-Lautrec, como desenhos, retratos, cartazes, podem ser vistos em Albi. São fantásticas as obras que revelam ambiente e pessoas do Moulin Rouge de Paris. Certamente Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901) deu à cidade a visibilidade maior que hoje ela tem.


Teatro de  Cordeliers

Inaugurado em 2014, o novo Teatro de  Cordeliers - conhecido também como Grande Teatro de Albi,  é um dos edifícios mais admirados nessa cidade. Grandioso, com arquitetura arrojada,  abrigando, entre outros espaços,  salas de leitura, bibliotecas, espaço para conferências, cinemas, restaurantes, galerias de arte e teatro, é obra do famoso arquiteto francês, Dominique Perrault, nascido em Clermont-Ferrand, em 1953.


Grande Teatro de Albi

Fascina-me a história do Movimento Cátaro, do qual Albi foi importante centro de disseminação. Julgado herético pela Igreja Católica, foi por ela violentamente reprimido com a Cruzada Contra os Albigenses. O Catarismo apoiava-se em princípios e dogmas que iam contra o catolicismo, como a crença na reencarnação. Eles também não aceitavam o Antigo Testamento, os sacramentos e símbolos como a Cruz. Eram vegetarianos. Menosprezavam os bens materiais. Condenavam a ostentação do clero naquela época  e defendiam que os sacerdotes deviam dar exemplo de bondade e humildade. Foram exterminados cruelmente.


Grande Teatro de Albi

Albi está distante 80 quilômetros de Toulouse. É uma cidade muito interessante de visitar. Nela podem-se ver, ainda, ruazinhas quase intactas desde a Idade Média. Muitas de suas casas constituem um conjunto harmonioso com tijolos aparentes e grafismos com desenhos originais. Contaram-me que o vinho aí produzido é de boa qualidade; a comida, idem. As margens do rio Tarn e a ponte velha incentivam boas caminhadas. Além do francês, que eu não falo, muitos habitantes ainda usam o dialeto occitano, misto de francês e catalão. Falei, entretanto, inglês e espanhol sem ter nenhum problema. Achei as pessoas gentis e educadas. Passeio bastante recomendável.


Rio Tarn e Ponte Velha

" Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o.
Sou místico, mas só com o corpo.
A minha alma é simples e não pensa.

O meu misticismo é não querer saber.
É viver e não pensar nisso."

Fernando Pessoa


Típica ornamentação das casas


sexta-feira, outubro 13, 2017

Carcassone e sua imperdível Cidadela

Cidadela de Carcassone ao anoitecer

Quando vi Carcassone, pensei: Como eu não sabia da existência deste lugar e só o descobri por acaso? E os que não descobri e talvez nunca os descubra? Quantas perdas vou ter? Era início da noite, e a cidadela estava toda iluminada. Parecia gravura de livro de histórias de fada. Para observá-la melhor, caí na realidade e pensei no que havia estudado sobre ela, a começar pela data de sua fundação:  118 a.C.


Cidadela Restaurada

Naquela noite, preferi passear por Carcassone, cidade medieval, que tem atualmente 45 mil habitantes, além dos muitos turistas que por ali transitam. Oferece  bons restaurantes e cafeterias, tem bonitas praças, em que se destacam as esculturas. Foi construída às margens do rio Aude, onde  água e verde abundante conferem à cidade  ainda mais encantamento.


Cidadela

Este monumental conjunto arquitetônico medieval, situado na região de Languedoc-Roussillon,  no Sul da França, integrante da lista de Patrimônios da UNESCO desde 1997, já passou por altos e baixos em sua longa história. Chegou a ser usado como campo para prisioneiros na Segunda Guerra Mundial.


Praça Central

Destaca-se , no Centro Histórico, o Museu de Belas Artes, que ocupa o eclético e imponente prédio do antigo Tribunal da Justiça, criado, em 1558, por Enrique II para administrar a justiça em nome do rei. Na frente do Museu, está Helena, uma escultura em mármore de carrara, que teria sido encomendada pelo imperador Contstantino ( 272 - 337 ) que teria dado a ela esse nome em homenagem a mãe dele. Belíssima.



Helena

A cidade, muito bem restaurada, tem vista estratégica da região, além de estar localizada entre o Atlântico e o Mediterrâneo, num corredor entre a Península Ibérica e o restante da Europa. Essa localização privilegiada foi motivo de cobiça da colônia, fundada por romanos em 118 a.C. e que recebeu a denominação inicial de Narbona  e, posteriormente, de Julia Carcaso.


Rio Aude

Perdeu sua grande importância quando os avanços militares e o Tratado dos Pirineus , em 1659, mudaram a fronteira franco - espanhola, que tornou obsoleta a cidade como ponto de defesa. Perdeu , então, o significado que teve , principalmente no século XII, quando foi governada pelos Trencavel - com quem simpatizo - que construíram o Castelo e a Catedral.


Magníficos vitrais da Catedral

No século XIX, o arquiteto Viollet-le-Duc empenhou-se para que a cidadela fosse restaurada. Parece ter sido uma restauração bastante polêmica, não só pelo custo, mas também porque a teriam deixado nova demais - ou teria sido uma releitura da anterior ? Havia os que prefeririam a aparência anterior das ruínas, como a das muralhas, construídas, no século XIII, pelo rei Luís IX e seu filho Felipe, o Bravo.


Detalhe das muralhas de das torres

Há duas construções que devem ser vistas com atenção: a Catedral ( românica e gótica) e o Chateau Comtal. A Catedral guarda a Pedra do Cerco, muito famosa por retratar o cerco de Carcassone, em 1209,  pelos cruzados. Encantaram-me muito mais, no entanto, os seus vitrais. O Chateau Comtal é um forte dentro do forte, com torres, fosso e muralhas - artifícios para que inimigos a ele não adentrasse.



Detalhes da segurança do forte

Atualmente, no interior da Cidadela, podem ser encontradas lojinhas de presente, restaurantes, docerias, cafeterias, floricultura, artesanatos da regiao...além de tipos humanos diversos, gente, mas muita gente mesmo, de várias partes do mundo. Considero interessante uma visita que inclua um dia e uma noite. Passeios noturnos são maravilhosos aqui. Para a visita diurna, há um tour guiado, com duração de 2h, que mostra a fortaleza e narra fatos históricos locais.


Vigilância nas muralhas



Duas sugestões para quem pretende visitar Carcassone : 1 ) veja o filme Labirinto, baseado no romance da famosa escritora inglesa Kate Mosse; 2) desça com atenção a estrada que leva à porta principal da Cidadela, pois ali consegui reunir pessoas de diferentes nacionalidades, todas atentas ao meu redor - tropecei, me estatelei no chão, dei um grito assustador .... e fiquei entre rir e chorar. Pior que o joelho roxo, foi a vergonha do tombo ridículo.


                     Fascinada que sou por cemitérios, penso que caí porque estava olhando este.
                     

Depois de visitar Carcassone, continuamos , minhas duas amigas e eu, para o sudoeste  francês, na direção de Toulousse, cidade que está a 100 km da fronteira espanhola. Toulousse é bastante movimentada, com muito o que ver. Para 2019, estudo outro roteiro na direção oposta ao deste ano. Quero rever Nice, inspirada por um vídeo e postagem que indico a seguir:  https://malaspraquetequero.com.br/videos/o-que-fazer-em-nice/

segunda-feira, outubro 02, 2017

França: visitando Carcassone, Toulouse e Albi

Carcassone : Cidadela à noite

Na temporada 2017, França, por duas vezes, esteve incluída em nosso roteiro. Viajando de trem, a partir de Madrid, com stops em Barcelona e em Figueres, fomos visitar, durante uma semana, três cidades que estão pertinho da fronteira espanhola: Carcassone, Toulouse e Albi. Posteriormente, em outra viagem dentro da viagem, acompanhei meu neto em Paris. 


Torres da Cidadela de Carcassone

Logo depois de Figueres - impossível andar nas proximidades e não rever Salvador Dalí ao menos por um dia -  fomos, Duda, Isolda e eu,  até Cerbère, cidade em que fizemos conexão para Carcassone,  destino escolhido com a finalidade de traçar a cidade e sua magnífica Cidadela. Escolha que se revelou acertadíssima.


Figueres : Museu Dalí
De Carcassone, viajamos  para Toulouse, a bela Cidade Rosa do Sul da França, a quarta maior do país e, conforme pesquisa publicada há poucos anos, o lugar onde nasceu Carlos Gardel, o famoso cantor de tangos. De Toulouse, fomos a Albi, que é chamada Cidade da Arte.


Toulouse : a Cidade Rosa

Cidade onde nasceu Georges Pompidou ( 1911-1973 ), presidente da República Francesa, e Henri de Toulouse-Lautrec ( 1864-1914 ), conhecido pintor que retratou magnificamente os prostíbulos de Paris, Albi tem estupenda arquitetura e bela localização geográfica, que serão mostradas e descritas em postagem própria.


Albi : a cidade de Toulouse-Lautrec

Visitamos essas três encantadoras cidades francesas - Carcassone, Toulouse e Albi - e retornamos, novamente de trem direto a Madrid. Cada uma delas terá, aqui no correndomundo, um post bem detalhado. 


Barcelona

Penso, no próximo ano, percorrer outras localidades  que estão próximas às já visitadas, como as medievais  cidades de Cordes,  Castelnau de Montemiral e Bruniquel, assim como o povoado fortificado de Puycelsis. Nos meses de outubro e novembro, os roteiros para 2018 estarão sendo elaborados - e pensadas as condições necessárias para a execução deles. 



Madrid

" Bendito seja o mesmo sol de outras terras
Que faz meus irmão todos os homens
Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu..."

Fernando Pessoa


Em Cerbère - conexão para Carcassone


terça-feira, setembro 26, 2017

Antuérpia: muito além dos diamantes...

Belíssima livraria em Antuérpia

Antuérpia é  a segunda maior cidade da Bélgica - tem ao redor de 500 mil habitantes -  só é menor do que Bruxelas. Conhecida como o maior centro mundial de lapidação de diamantes, com 70% de sua comercialização mundial. É também uma cidade portuária internacional - seu porto, um dos maiores do mundo, está localizado às margens do rio Escalda. 



Centro Histórico de Antuérpia

Situada ao norte da Bélgica, na região flamenga conhecida como Flandres, distante 43 km de Bruxelas, a ela se chega de carro, de ônibus ou de trem - trem belga ou holandês. Se a gente chega de trem, já pode fazer, na Estação Central, um fantástico  primeiro tour - interno e externo. É belíssima na sua arquitetura e decoração, onde foram usados 20 diferentes tipos de mármore. Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=bQLCZOG202k



Estação Central de Trens

Mesmo para os visitantes, que não estão viajando de trem, é interessante ver a Estação Central de Antuérpia, incluída, muitas vezes,  entre as 10 mais bonitas do mundo. Construída entre 1895 e 1905, a pedido de Leopoldo II, tornou-se uma das primeiras atrações da cidade. Vejam, neste vídeo, parte de um filme feito no saguão da Estação :  https://www.youtube.com/watch?v=7EYAUazLI9k


Não é palácio ou igreja : é o saguão da Estação de Trens



Apelidada algumas vezes de Catedral Ferroviária, a imponente Estação de Antuérpia tem um saguão central com 185 metros de comprimento e um teto com  44 metros de altura. Sua beleza e imponência surpreende quem desce ali pela primeira vez. Confortável e bem organizada, com as informações de que necessita um viajante, que nela encontra também excelentes restaurantes e cafeterias bem como lojas diversas, incluindo, é óbvio, joalherias com acessórios caríssimos - bonitos de ver.



                                                      Joalheria próxima à Estação


Mesmo quando eu não conhecia a Bélgica e pouco sabia de suas cidades, Antuérpia já estava entre as cidades de que eu mais ouvia falar por ser  polo mundialmente conhecido  nos negócios com diamantes e joias. O mercado emprega diretamente 10 mil pessoas e gera bem mais do que isso em empregos indiretos. Os diamantes são muito caros e difíceis de trabalhar. Necessita - se de mão de obra altamente especializada, que tenha conhecimento, paciência e experiência. Antuérpia conta com esses especialistas - o que é importante na concorrência, especialmente  de indianos e chineses,  que começa a ganhar força. 



                      Rios de dinheiro em joias  ( atualmente usamos  " apartamentos " de $...)


A cidade é cosmopolita. Imaginem que pessoas de 174 nacionalidades vivem em Antuérpia. Não tenho a informação referente ao número de pessoas que passam lá  - tanto turistas quanto negociantes. Muitos eventos são/foram nela realizados. Em 1920, por exemplo,  a cidade organizou  e recebeu os VII Jogos Olímpicos da Era Moderna. Foi nessa Olimpíada que aconteceu a primeira participação de uma delegação brasileira.



                                                 Choveu. Esfriou. Pedro precisou de agasalhos. Fomos às compras...


Ir ao Museu da Moda da Província de Antuérpia  - MOMU - pode ser bem interessante para quem gosta do tema. Seu foco é a História da Moda e do Design. Compõem o acervo do MOMU  25 mil peças que vão do século XVI até os estilistas contemporâneos, incluindo grandes nomes  da Escola de Moda da própria Antuérpia. Nas proximidades do museu, estão as ruas que hospedam grifes famosas e conhecidas. 



                                                    Homenagem a Antoon van Dyck 


Antoon  van Dyck nasceu em Antuérpia, no ano de 1599. Foi um famoso retratista flamengo, que se tornou o principal pintor da corte de Carlos I na Inglaterra. Van Dyck foi bastante influenciado por Peter Paul Rubens, famoso pintor que viveu produtivo período nessa cidade. Rubem a ele se referia como o melhor de meus discípulos. Para Rubens  há também um magnifico monumento - com justiça, homenageado no lugar onde  deixou obras extraordinárias, como as que se encontram na Catedral.



                                                               Centro Histórico
                                                             

O nome da cidade  provém de uma lenda segundo a qual um gigante , denominado Antigoon, habitava e dominava a região, saqueava os barcos e cobrava  pedágio das pessoas que queriam atravessavar o rio Escalda - caso uma pessoa não pagasse o  pedágio cobrado, tinha as mãos cortadas e jogadas no rio.  Um valente guerreiro romano, Silvius Bravo, enfrentou-o, derrotou-o e cortou-lhe as mãos, jogando-as no rio. Antuérpia significaria mãos arremessadas.



                                                             Centro Histórico


Gostaria de retornar a Antuérpia porque chovia muito quando Pedro, Isolda e eu estivemos lá. Não foi uma visita completa como a cidade merece. Não sei se poderei voltar - já não faço planos com prazo maior do que seis meses. Gostaria também de visitar outras cidades da Bélgica, como Mons, Gante, Dinant, Louvain e Liège,,,mas, muitas vezes, a gente faz planos e Deus dá risada...




                                                     Shopping Stadsfeestzaal no Centro 


"... Nem tudo é dias de sol.
E a chuva, quando falta muito, pede-se...."

Fernando Pessoa




                                                             Centro Histórico


" ...E que se assim é, é porque é assim..."

Fernando Pessoa



                                                                            

quarta-feira, setembro 20, 2017

Namur: bela cidade turística e universitária

Centro Histórico de Namur

Namur é uma encantadora cidade da Bélgica, bastante  tranquila, com 106 mil habitantes e localizada a 67 km de Bruxelas, na região da Valônia, na confluência dos rios Meuse e Sambre. É conhecida por sua universidade  - UNAMUR, fundada em 1831 e famosa por seu nível de ensino e  por sua pesquisa inovadora. 


Proximidades do Centro Histórico

Estima-se que Namur tenha surgido durante o período celta ( a.C. ). Na Idade Média, os merovíngios, que dominaram os Países Baixos entre outros, construíram, num rochedo da cidade, um castelo, transformado posteriormente numa fortaleza militar. A Cidadela de Namur é uma das maiores fortalezas da Europa. 


Cidadela

Namur se desenvolveu ao pé de sua Cidadela ou Fortaleza Militar. Hoje, do castelo inicial, destruído no final da Idade Média,  resta pouco mais do que as duas torres. O lugar, entretanto, continua a ter grande importância para a cidade, não só como ponto de interesse turístico, mas  também como local de convívio da população local, notadamente dos jovens. Importante: visitantes podem comprar o Cidadelle Pass que engloba os tours pela Fortaleza.


Um dos acessos à Cidadela ou Fortaleza de Namur

Namur é uma cidade que se pode conhecer caminhando e até caminhando e cantando - baixinho, é óbvio, em homenagem e agradecimento à tranquilidade e à gentileza de seus habitantes. Seguindo tendência que vem aumentando e se consolidando, especialmente na Europa, muitas de suas ruas são somente para pedestres. É ótimo passear por elas.



Elegantes bairros próximos ao centro de Namur

As antigas áreas residenciais da medieval cidade dos condes de Namur foram ocupadas por mansões e prédios públicos nos séculos XVII - XVIII. Tornou-se conhecida como Cidade dos Burgueses pela beleza e elegância de seu centro histórico. Ostentava conforto e prosperidade. Era o oposto de cidades onde vivia a classe trabalhadora, principalmente os obreiros das minas de carvão.



Detalhe da Catedral de Santo Albino

A Catedral de Santo Albino ( Saint Aubain ), em estilo barroco, foi construída entre 1751 e 1767, conforme os projetos de Gaetino Pizzoni. Seu exterior é realmente bonito; seu interior, mais bonito ainda, com destaque para pinturas de Anton van Dyck e Jacob Joedaens, ambos belgas,  nascidos em Antuérpia.


Palácio do Comgresso

Há  admiráveis edifícios históricos em Namur, como o Palácio do Congresso - que já foi um antigo hospício - e a Torre de São Jaques, construída em 1388 como parte das muralhas da cidade. Essa Torre tornou-se, em 1746, no Campanário da Cidade. Hoje ele é parte do conjunto de  56 campanários da Bélgica e da França, que estão na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.



Lojinhas que surpreendem....

Encontrei, bem no centro da cidade, uma loja pequena com riquíssimo mostruário de botões, fitas, rendas e linhas para bordar - mas tudo em grande quantidade e variedade. Encantaram-me de tal maneira que pedi para fazer algumas fotos. Parabenizei-me por nada ter comprado uma vez que sempre compro e depois nada faço com esses acessórios. Namur foi, entretanto, a cidade que eu escolheria, na Bélgica, para fazer compras. Bons preços e bom gosto. 



Do folclore de Namur, apresento-lhes Molon...

Eu havia esquecido de buscar informações sobre Molon. Para obtê-las, recorri a  Ricardo Holderbaum do Amaral, que, por sua vez,  recorreu a Fabrice Deprez, amigo dele e morador de Namur. Fabrice, gentil e prontamente, informou que a estátua representa  personagem bem característica do folclore local, que recolhe dinheiro para doar a pessoas pobres. Ricardo foi quem me sugeriu visitar Namur - agradeço-lhe muito. Pela proximidade com Bruxelas, torna-se medida certa para um bate-e-volta bonito e bem sucedido. Recomendo.


Lindas as cores de Namur

" Se quiserem que eu tenha um misticismo, está bem, tenho-o.
Sou místico, mas só com o corpo.
A minha alma é simples e não pensa.

O meu misticismo é não querer saber.
É viver e não pensar nisso."

Fernando Pessoa


Estação Central de Trens