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domingo, janeiro 11, 2015

Cabalgata de los Reyes Magos em Sevilha

Presépio com os Reis se aproximando...

Entre Natal e 8 de janeiro, há férias escolares na Espanha - e mobilidade em todo o País. Para esse período , reservas devem ser feitas com antecedência tanto em aviões, quanto em hoteis. O Día de los Reyes Magos, ou simplesmente Reyes, é 6 de janeiro, mas a grande festa, Cabalgata de los Reyes Magos, costuma acontecer no dia 5, a partir das 16 horas.


Crianças aguardando a passagem da Cabalgata

É a grande festa das crianças espanholas - minha primeira surpresa foi ver tanta criança reunida , em país europeu, onde, equivocadamente, parecia - me haver mais velhos que pequeninos. Surgiu de um propósito solidário: fazer felizes as crianças economicamente pobres. Com o tempo, ganhou amplitude até chegar hoje à festa com grande repercussão social e cultural.


Sacolas para reunir doces...


São de 1855 os primeiros registros  encontrados , que se referem às Cabalgatas, ocorridas em duas cidades de que gosto muito e das quais tenho excelentes recordações : Alcoy e Alicante. É possível que sejam as mais antigas do mundo. A Cabalgata de Sevilha começou em 1918, e hoje é uma das maiores no País.


Bonito trabalho artesanal nas carruagens


A Cabalgata de Sevilha assume tal importância que dispões de uma sede definitiva onde estão guardados os carros antigos - alguns com até 50 anos - e onde se fazem também as montagens, desmontagens e restaurações de outros carros a cada ano. Nesse lugar acontecem ainda atividades de caráter educativo sobre assunto da atualidade e oficinas de trabalho para crianças e jovens.



Distribuição constante de doces


Personalidades ilustres da cidade representam os três reis magos: Gaspar, Melchior e Baltazar, que vêm acompanhados de seus pajens e ajudantes. Os carros dos reis têm estilos definidos e diferentes. Neste ano, Gaspar vinha num carro de estilo barroco; Mechior - interpretado por um dos maiores cardiologistas espanhois - vinha num carro gótico; Baltazar surgiu num belo carro renascentista. Três personagens, três momentos de informar sobre arte.



 Muito colorido nos carros alegóricos




No total, trinta e três carros, com representação de histórias e jogos infantis, percorreram trinta e cinco ruas e praças de Sevilha, num percurso que se iniciou às 16h15 min ( rigorosamente!) e terminou às 22h. Durante todo o trajeto, uma banda de trombetas e tambores acompanhava o cortejo, abrindo-o, intercalando cada carro e fechado-o.









As crianças - e muitos adultos e pessoas bem velhas também - portavam sacolas em que colocariam os presentes, doces e caramelos recebidos. E são toneladas distribuídas , o tempo todo, ao longo do percurso. Até Pedro, com seus 14 anos e quase 1m80cm de altura, começou apenas como espectador. Em pouco  tempo, participava ativamente. E tal como as outras pessoas, retornou trazendo  muitos caramelos e chocolates nos bolsos e na mochila.








Num periódico sevilhano, eu li : El 5 de Enero por la tarde se hace realidad la ilusión de pequeños, y no tan pequeños, con el paso de la tradicional Cabalgata de Reyes Magos por la calles de Sevilla. Carrozas cubiertas de colorido y música, fantasía e ilusión, van dejando a su paso por las calles, lluvia de caramelos, emociones y nerviosismo al estar tan cerca el momento en el que los sueños de los pequeños se harán realidad, recibir con tanta ilusión los regalos que fueron solicitados a sus Majestades, los Reyes Magos.








Faz também parte da tradição, as crianças espanholas escreverem ao Reis Magos, pedindo o presente que gostaria de ganhar e oferecendo-lhes as razões por que os devem receber, como, por exemplo, a dedicação à escola e o bom comportamento. Na véspera de Reis, devem dormir cedo e , ao acordar, buscar os presentes que lhes foram reservados. Na elaboração do Presépio de Natal, os Reis Magos aparecem distantes do Menino Jesus. Dia-a-dia, a família aproxima-os até que, em 5 de janeiro, eles estão juntos ao Menino.










Lamentavelmente, não consegui boas fotos. A razão primeira é a qualidade da minha câmera de cem dólares... mas não só essa. Havia também uma multidão próxima a mim, que às vezes passavam à minha frente e, com minha altura, não conseguia fotografar. Havia, ainda, uma condição muito particular: tentando proteger a câmera, meus dedos ficaram avermelhados de tanto caramelaço que recebiam. Ao meu lado, duas velhinhas não conseguiam dobrar-se e recolher doces que caíam no chão. Há todo momento, pediam - me que fizesse isso. Foi muito festa bem diferente e divertida.









Assim que o cortejo terminou de passar onde estávamos - numa praça , em Santa Maria Branca - começou a limpeza da rua naquele trecho. Inicialmente, varrendo e retirando papeis e restos de doces; depois, máquina pesadas lavando e secando as ruas. Em pouquíssimos minutos, tudo estava bem limpo e ordenado. Esse trabalho de limpeza era feito por trechos, paulatinamente. Ao terminar a Cabalgata, a cidade estava toda limpinha.









Foi a primeira vez que assisti a uma festa de reis com essa magnitude. A Cabalgata de Reyes de Sevilha será uma bela recordação - até que eu perca a memória. Contaram-me que a Cabalgata de Madrid estava belíssima também,  pela temática, pelo colorido e pela musicalidade. Acredito que deve ser bonita e valer a pena ver em qualquer cidade espanhola. Não havia cordas ou cordões de isolamento e havia respeito entre as pessoas e cuidado de todos com os pequeninos. Bonito de ver.




            

sábado, dezembro 27, 2014

Feliz 2015!

Com Fernando Pessoa- final de 2014




No início de janeiro de 2014, estávamos, na Escócia, Ronald, meu marido,Pedro, meu neto,  e eu. Ronald enfartou e morreu no Hospital de Edimburgo. A partir daí, precisei fazer uma escolha: viver ou não viver. No início, o não viver me parecia a melhor opção. Passei por um período duríssimo de tristeza e depressão. 

Mercado de Setúbal
Uma manhã, acordei-me lembrando de um diálogo meu e dele em Paxton, há dois anos. Ao perguntar a Ronald sobre o que faria se eu morresse, respondeu-me que compraria uma nova moto e iria para Nova Iorque, depois percorreria vários estados americanos. Entendendo sua resposta como manifestação de um desejo, disse-lhe, com certa rispidez : Por que não vai viajar agora ? Com toda a delicadeza, que o caracterizava, respondeu-me que eu precisava  entender que a vida continuava para aquele que permanecesse...e que cada dia era uma bênção.

Sintra
Chorei muito naquela manhã... e comecei a reagir pouco-a-pouco...mas com a certeza de que precisava valorizar a bênção de cada dia de vida. Três meses depois, recomecei a viajar. Foram, neste 2014, três viagens à Europa e uma aos Estados Unidos - sem Ronald. Ainda que a dor da saudade seja mais leve que a dor da ausência, procuro pensar , como diz minha querida amiga Adriana , a dor de hoje é consequência da felicidade de ontem. 

Cabo da Roca
Estamos Pedro e eu, há dez dias, traçando Portugal. Iremos hoje, por três semanas, para a Espanha.Brinco que ele está, além de adquirindo conhecimentos, construindo recordações boas da avó - herança maior que se pode deixar aos netos.

Pedro no Cabo da Roca
Estou em paz. Agradeço por continuar curiosa em relação ao mundo e com sede de conhecimentos. Agradeço por conhecer tantas pessoas interessantes, ter familiares e amigos maravilhosos. Desejo-lhes um Ano Novo leve, que as surpresas venham para fazê-los sorrir felizes e - lembrem-se sempre - o presente  é um presente à vida.

Luminária no Palácio da Penha em Sintra
 Feliz 2015.Beijo. Obrigada.