Mostrando postagens com marcador África. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador África. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, dezembro 19, 2019

Fez : minha favorita em Marrocos.

   
Medina de Fez


Recorro a um texto de minha penúltima viagem a Fez, em  2015/1,  para ganhar tempo, já que estou um pouco atrasada com os relatos da  última viagem a Fez  em 2019/2 .  O texto, portanto, é requentado, mas quase todas as fotos são recentes.



Fez vista do alto de uma colina

Não é uma prática usual minha - essa de requentar textos - e prometo não recorrer a ela outras vezes. Desculpem, pessoas que me acompanham e a quem sou grata pelo incentivo para continuar escrevendo, mas três meses andarilhando resultou num acúmulo de textos, anotações e fotos. Junta-se ao longo tempo e às muitas visitas feitas, uma incipiente recuperação que diminui minha disposição a longas caminhadas e ao ato de escrever - mas estou bem viva e lutando sempre para superar problemas. Ao texto, please!


Vista parcial de Fez desde uma colina próxima da cidade

"Amo Fez. Começo, portanto, com uma declaração de amor a mais fascinantes das cidades marroquinas. Encantou-me revê-la:  suas cores, formas, sons , sabores e odores.  Caminhar pela Medina  , dar passagem aos burrinhos transportadores de cargas, observar as roupas elegantes de homens e mulheres, ver artesãos trabalhando, olhar flores e frutas nos mercados, admirar toda sua fantástica arquitetura .... é inesquecível.



Porta no interior da Medina de Fez


Fez é a mais antiga das cidades imperiais. No ano 789, Idris I , fundador da primeira dinastia de Marrocos, considerou que Volubilis era muito pequena e decidiu construir uma capital nova e grandiosa. Mal o projeto foi iniciado, Idris morreu. Sucedeu-o Idris II , seu filho, que realizou a vontade do pai, Hoje a cidade tem mais de um milhão de habitantes, e o número de turistas que a visitam, aumenta a cada ano.


Meu fascínio por portas acentua-se em Fez               





























                               
De fato, o conjunto urbano da Fez atual é composto por três cidades: Fez el Bali ( ou Fez Velha ); Fez el Jedid ( ou Cidade Nova) e a Ville Nouvelle, surgida com o Protetorado Francês no século XX. O núcleo inicial da Fez el Bali era um pequeno grupo berebere, até que chegaram oito mil famílias de muçulmanos andaluzes pricipalmente. 


Prioridade nas ruas da medina : os burrinhos

Os primeiros refugiados vieram de Córdoba e de Granada. Depois, uniram-se a eles famílias árabes de Kairuã - atual Tunísia. Fez el Bali é considerada, desde 1981, pela UNESCO, como Patrimônio da Humanidade.


                                           Conjugação de madeira nobre e cerâmica


Esses grupos aportaram significativo patrimônio a Fez, que formou uma base sólida não só para a riqueza econômica, mas também para a riqueza religiosa, cultural e arquitetônica. 



 Vestes típicas

O movimento de independência de Marrocos nasceu nesta cidade e , até hoje, quando há protestos, a repercussão é mais ruidosa aqui. Trata-se de um lugar com identidade muito definida e personalidade muito forte - interessante é que mantém o seu encantador perfil medieval. 


Novamente, o tansporte mais usado na Medina

Além de ser considerada a capital espiritual de Marrocos, Fez também é uma das cidades mais tradicionais e admiradas internamente. A maior parte da elite intelectual e econômica do país dela provém. Há uma crença de que a pessoa nascida na Medina de Fez é mais religiosa, mais intelectualizada e mais refinada. A esposa do rei de Marrocos é de Fez, e a família real passa muito tempo aqui - o que muito orgulha a população da cidade.


Interior da Medina

Entra - se, preferencialmente,  na Medina - verdadeiro labirinto com 9.400 ruas - pela Bab Boujloud , uma grandiosa porta azul e verde. Acredito que esse passeio deve ser acompanhado por um guia. Imagino-me perdida aqui, numa noite de sexta feira 13 ,e sinto antecipado medo...Algumas ruas, além de curvas e bem estreitas, não têm saída. Terminam abruptamente


                                                    Detalhe da fachada do Palácio Real

Vivem na Medina cerca de 160 mil pessoas. Não se pode distinguir a casa de um bilionário da casa de qualquer outra pessoas. É da cultura árabe não fazer demonstrações de riqueza . O interior da casa pode ser um palácio riquissimo, finamente decorado, com pátio ( jardim) de grande beleza - mas isso somente saberão os familiares e os amigos que nela entram. Ostentar riqueza atrai coisas ruins, inclusive inveja e mau-olhado . A simplicidade é uma virtude muito considerada.






















As portas de Fez el-Bali ( Fez a Velha ) são fotogênicas e curiosamente interessantes. Têm, por exemplo, dois timbres ( duas campainhas ), um para pessoas conhecidas; outro, para estranhas. Mostram muitos adereços tradiconais, como ferraduras, que acreditam trazer sorte e espantar mau olhado, é óbvio. Pelas dúvidas, já vou colocar uma na minha casa...Para quem, como eu, gosta de portas, é um lugar fascinante. Muitas portas belíssimas...nem vou legendá-las. São todas de Fez.






















Há duas visitas imprescindíveis: palácio real, que ocupa 80 hectares, e bairro dos cortumes. E , quando se vai ao palácio real, deve-se - diz a lenda - passar a mão por uma de suas sete portas.Traz sorte! Da primeira vez que fui a Fez, visitei o bairro dos curtumes. Embora levasse um punhado de hortelã junto ao nariz, achei o cheiro insuportável. Desta vez, preferi perambular pelas lojas - especialmente de malas e bolsas , que são líndíssimas - a fazer uma segunda visita aos cortumes.


Mãos de Fátima
Fátima, cujo nome significa Única, teria sido a flha preferida de Maomé. A mão de Fátima é um amuleto contra o mal usado no Islamismo, no budismo e no Judaísmo - embora no Judaísmo mude a procedência: o amuleto estaria ligado a uma irmã de Maomé, igualmente uma mulher e esposa perfeita. Atualmente, pacifistas do Oriente Médio usam-na como símbolo esperança e paz na região. Sem querer dar chance para azar ou mau - olhado, trouxe algumas de diferentes países. As artesanais de Marrocos são belíssimas.


Restaurante no interior da Medina






































Realmente o artesanato de Marrocos é uma de suas grandes atrações. Há muito o que ver. Sempre se acaba comprando alguma coisa - ou coisinha - tanto pela beleza das peças, quanto pela persistência dos vendedores. E há que regatear sempre, um costume que me cansa um pouco. Com o passar do tempo, nota-se uma grande diferença de durabilidade e de qualidade entre o que se compra em lojas bem conceituadas e o que se compra de vendedores de rua. 

Porta-Joias : artesanato marroquino tradicional

Há peças em prata ou em cobre - entre elas , admiráveis filigramas - delicadíssimas e cuidadosamente trabalhadas. As peças feitas com  madeira de cedro , que são vendidas em todo o país, são tão lindas quanto ruins de carregar - o mesmo ocorre com as lindíssimas cerâmicas. As roupas típicas - Chilabas, gandouras e albernozes - são difíceis de resistir. São feitas em algodão ou seda.


Tapetes árabes e beriberes

Por sorte sou alérgica a tapetes, assim fujo das tentações. Além de bonitos, são tantas as variedades quantas as tradições tribais. Os tapetes árabes são mais delicados e próprios para a cidade; os bérberes, chamados Kilims, são mais fortes e feitos com lã de ovelha. O couro, em acessórios diversos, mostra cores vibrantes e bonitas, mas cuidem que alguns têm cheiro nada agradável  e bastante  persistente.


Sobremesa

A gastronomia de Fez é a mais tradicional de Marrocos, com destaque para o couscous e o tarrine.O tarrine é um guizado graúdo, cozido numa panela de barro com tampa cônica que mantém o calor. Pode ser de peixe, frango ou cordeiro, geralmente complementado com amêndoas ou ameixas. Gostei das sopas, com muitas especiarias. Há outros tantos pratos, inclusive da cozinha internacional. Como sobremesa, vem uma fruta da estação,ou um bolo, ou um doce - seguidos sempre por um chá de hortelã.


Muralhas de Fez

A Mesquita e a Universidade - abrigadas no complexo denominado Kairauine - constituem o centro espiritual de Fez e talvez de todo o país. O complexo, fundado em 859 por Fátima el Fihria e ampliado pelos almorávides no século XII, pode receber até 20 mil pessoas durante a oração. Diz -se que a Universidade é a mais antiga do mundo com funcionamento ininterrupto. Kairauine só pode ser visitado por muçulmanos.


                                                 Bela Decoração do Restaurante

Há outra universidade muito prestigiada em Marrocos :  Al Akhawayn, localizada em Ifrane, a 60 quilômetros de Fez, no Médio Atlas. Nessa pequena localidade, que se parece com a Suiça e que no inverno é famoso lugar de esquiar, há mansões luxuosas, com belos jardins. Comenta-se que são resdências de férias, pertencentes , a maioria, a moradores da Medina de Fez.


Artesanato de couro

A Cidade Nova - Ville Nouvelle fundada pelos franceses no inicio do Protetorado -  fica meio sem graça depois da visita à Medina. É como qualquer outra cidade grande, com muitos hoteis luxuosos e muitos restaurantes e cafeterias - adorei as cafeterias: tinham um café bem razoável. 


Vendedor de galinhas...vivas

É interessante observar que os hoteis daqui são bem mais econômicos se comparados com os da parte antiga de Marrocos. A larga e extensa avenida Hassan II , a principal da Cidade Nova, tem canteiros bem cuidados, muitas flores e muitas palmeiras. Pode-se passear tranquilamente por ela, inclusive à noite - o que não é aconselhado fazer na Medina.


Palmeiras e canteiros de flores

Gosto de Marrocos, tanto que voltei a visitá-lo. Verdade que cada visita é única. Nada se repete igual. Não penso, entretanto, retornar, nem mesmo a Fez , cidade de que gosto mais. Fiz uma lista de prioridades e não foi possível colocá-la. Vai faltar vida. Simples assim." 

OBS. E eu não sabia obviamente que, três anos depois, correria real risco de vida com um câncer de pulmão. Sobrevivi e voltei a Marrocos em 2019/2. O homem planeja, e Deus ri, diz o velho ditado.


Ruazinha da Medina

" Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria
Vendo que perdera seu amigo. 
Mas a Primavera nem sequer é uma coisa:
É uma maneira de dizer.

Escola marroquina com nome do fundador de Fez


Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real."

Fernando Pessoa

Paisagem do Médio Atlas

sábado, dezembro 14, 2019

Saara : dormindo no Acampamento Café du Sud,nas Dunas de Erg Chebbi, em Marrocos.

                                                                     Nossa "habitação"


Dormir em um acampamento nômade,  no deserto,  foi uma decisão em favor de Pedro, mas compartilhada por mim e pela minha amiga Isolda. Como eu já havia estado no Saara, tanto em Marrocos, quanto em outros países,  o cenário circundante não me surpreendeu - mas era realmente de emocionante beleza. Estávamos cansados, pois a distância de 560 km, entre Marrakesh e Merzouga, apesar de fantástica, consome em torno de 9 h de carro. Merzouga está a 50 km da fronteira da Argélia. Saliente-se, de início, que a região tem um povo gentil e preparado para o turismo internacional.


Esperando o por do sol...

Na chegada ao acampamento, um perrengue  inesperadoAo fazer a reserva para o acampamento, escolhi uma habitação standard - o normal das minhas escolhas. Quando chegamos - final da tarde se aproximando - verificamos que o calor  era insuportável no apartamento escolhido e que era sem ar condicionado. Imediatamente comunicação ao motorista que  iríamos pernoitar num hotel próximo ao acampamento.


Apartamento Standard

O motorista comunicou nossa decisão ao administrador do acampamento, um senhor  bastante gentil,  que  nos procurou com a proposta de que fôssemos para uma suite, com melhores instalações e ar condicionado, sem alterar o preço já pago.  Prontamente aceitamos. Tudo resolvido - fugimos,  de imediato, do calor que nos assombrava.


Tapetes na areia...para turistas mesmo...

Ao final  da tarde, com o retorno de muitos turistas que, em camelos ou carros especiais, percorriam as dunas altas das imediações, o número de pessoas aumentou bastante no acampamento. Pelas línguas que eram ouvidas, sabiam-se que muitos países do mundo ali se faziam presentes. O anoitecer é um espetáculo único. As areias parecem douradas. O silêncio impressiona.  Agradeci aos céus por haver sobrevivido no ano anterior. Minha vontade era somente agradecer e dormir sem esperar o jantar...


Jantar leve e delicioso!

A curiosidade, contudo, foi mais forte - eu queria saber o que serviriam num jantar preparado  em lugar tão longe de tudo. Assim que um aviso sonoro veio do salão onde as refeições eram servidas, as pessoas se aproximaram da grande mesa em que se via um variado e colorido buffet. Logo fui atraída pela tâmaras,   grandes e doces, parecendo recém colhidas. Lembrei-me logo das tamareiras que eu havia admirado na região. Bastavam-me as frutas, mas havia ainda saladas, tortas e carnes. Delicioso jantar.


Competente a administração e supervisão deste senhor

Após o jantar, com sobremesa e café, as viajantes foram-se acomodando no espaço central, iluminado com pequenas fogueiras. Aos poucos, a música berbere foi tomando espaço e contagiando a todos com seu ritmo - os músicos, pareceu-me ,  eram também funcionários do acampamento. Conto só o início da festa porque dormi logo,logo...e despertei-me na manhã seguinte, pensando em café!


Saara

Percebi que muita gente andava  até as dunas mais altas para ver o nascer do sol... Certamente levantaram de madrugada. Mas eu dormi bem mais. Estava um pouco frio...esfriara durante a noite - estávamos no deserto! E eu estava um pouco cansada. Banho delicioso e revigorante. Café da manhã,  farto e delicioso.  Hora de partir e encarar outra longa viagem em estradas cênicas e  nada monótonas.


Funcionários do acampamento com trajes típicos

Havíamos visitado, em Merzouga, no deserto, as Dunas de Erg Chebbi, consideradas as mais bonitas de Marrocos. Havíamos dormido - e muito bem - em um acampamento bérbere. Preparávamos , então, para vencer os 470 km entre Merzouga e Fez. A estimativa de tempo eram sete horas...porém tínhamos planos de  stop em sítios interessantes.  Estávamos bem e dando : gracias a la vida..."                                                                             

Recomendo este passeio!
E para concluir...

... conta a lenda  que as Dunas de Merzouga são o resultado de um castigo divino, infligido  aos habitantes do antigo povoado de Merzouga,  que estavam celebrando uma festa e , por isso, se negaram a acolher uma mulher e seus filhos, todos cansados e doentes e que morreram por não receber auxílio. Logo depois, uma furiosa tormenta de areia se levantou e cobriu por completo o povoado e seus habitantes. Desde então, ao meio dia, escutam-se gritos saindo das imensas dunas que se formaram por sobre as habitações e as pessoas.


Foto by Isolda Branco



quinta-feira, dezembro 12, 2019

Ouarzazate, Porta do Deserto ou Hollywood da África

Kasbah Ait - Ben - Haddou -  na rota que leva a Ouarzazate

Esta foi minha primeira visita a Ouarzazate, cuja traducão do nome é  cidade sem ruído!  Gostei dela. Muitíssimo.  Com uma localização privilegiada, já que está no ponto de encontro dos vales dos rios Draa, Dades e Souss e com distância rodoviária  de 200 km de Marraquexe, a cidade recebe  fluxo constante de turistas, que certamente se encantam com suas atrações e com sua arquitetura bastante uniforme em seus tons avermelhados. 


A caminho de Ouarzazate

Ouarzazate é acolhedora e agradável. Pode ser útil saber que é  sede de um aeroporto internacional. Se a viagem, no entanto,  for de carro, nada de euforia com somente 200 km de Marraquexe a Ouarzazate - o estimativa de tempo para fazer esse percurso é de 4 horas...nós, entretanto, percorremos essa distância em mais de 5 horas - e não foi por problemas não, mas pelas muitas atrações que se encontram ao longo da estrada.


Vale de Ounila

A estrada Marraquexe-Ouarzazate é espetacular. Inclui o Vale de Ounila, a rota dos 1000 Kasbás, a Cidade das Rosas, o Kasbá de Taourirt, o Kasbá Ait-Ben-Haddou - este último foi, em 1987, declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO - a cidade de Teloeut,  o Vale do Drá e suas  tamareiras e a visão da Cordilheira do Atlas, com neve nas suas montanhas mais altas e um colorido encantador. 


Cidade das Rosas, onde até os táxis são...cor de rosa!

Para chegar a Ouarzazate - que está do outro lado das montanhas do Atlas - é preciso subir ao Col de Tichka, alcançando 2260 metros de altura, transitando por uma estrada de montanha que serpenteia e, por vezes, assusta. Fizemos muitas paradas pelo caminho  - uma delas foi na cooperativa de mulheres que trabalham com o fruto do arkan, de onde selas obtêm o óleo de arkan, tão valorizado na atualidade e tão usado no preparo de cremes e shampoos.


Cooperativa  - extração do óleo de Arkan

Com população  que ultrapassa 70 mil habitantes, Ouarzazate, capital administrativa da província homônima, tem , nos dois grandes estúdios existentes na cidade, o CLA Studios e o Atlas Studios, ambos localizados na estrada que segue para Marraquexe, e no Museu de Cinema valioso ponto de interesse para seus visitantes.


Pedro no Museu de Cinema

Aqui foram rodados, ainda que parcialmente, filmes como Gladiador,  A Múmia, A Última Tentação de Cristo, O homem que sabia demais. Dias de Glória e Lawrence da Arábia - 1960 em Ait-Ben-Haddou. Algumas séries também se valeram das instigantes paisagens para cenário de Prison Break, Vikings e Jogos de Trono.



                                                              Nas montanhas, as cabras!


Não tivemos tempo de percorrer todo museu de cinema. Em razão das muitas atrações da rota, chegamos tarde e preferimos fazer uma visita panorâmica à cidade, que, já no primeiro contato, agradou-nos muito. Cidade limpa, agradável, bem ordenada, com muita e variada produção de peças lindas de cerâmica e de tapetes com motivos geométricos. Impressiona o Kasba de Taourirt, onde vivia o paxá de Marraquexe - visita muito aconselhada.



                                                                 Museu de Cinema


Ficamos hospedados no Riad Dar Rita. Excelentes instalações, ambiente elegante e agradável, funcionários atentos e gentis,  deliciosos,  tanto o jantar quanto o desjejum. Pertence aos irmãos Rita e João Leitão, portugueses que sabem tudo sobre Marrocos. Com tranquilidade, recomendo-lhes: http://www.darrita.com/hotel-marrocos. No dia seguinte, depois de passearmos um pouco por Ouarzazate, seguimos por Skoura, Boulmane Dades, Gargantas de Todra,  Dunas de erg Chebbi  e chegamos ao acampamento do Saara, onde pernoitamos - esse pernoite será nosso próximo post.




                                                                  Kasbá de Taourirt


" Para ser grande, sé entero: nada
tuyo exageres o excluyas.
Sé todo en cada cosa. Pon cuanto eres
en lo mínimo que hagas.
Así en cada lago la luna toda
brilla, porque alta vive."

Fernando Pessoa

                                                                         Oásis          





terça-feira, dezembro 10, 2019

Marraquexe : Pérola do Sul de Marrocos

Marraquexe - Palácio Baía

Como Meknes, Fez e Rabat, Marraquexe ( Marrakesh ) é uma das quatro cidades imperiais de Marrocos, sendo a segunda mais antiga delas. Fundada em 1062 pelos Almorávides, foi capital de Império Islâmico. Está situada na parte meridional do país, ao pé do Atlas, entre ele o Saara. Possui cerca de um milhão, quinhentos e cinquenta mil habitantes. Detém muitas inclusões como Patrimônio da Humanidade nas listas da UNESCO.


Marraquexe - deslumbrante decoração

É realmente uma grande metrópole bérbere, que conserva a estrutura medieval da época de sua fundação. Passear pela cidade já é uma de suas grandes atrações. Há , entretanto, visitas obrigatórias, como a Praça Djemaa el Fna, o coração da cidade; o magnífico palácio da  Baía; o Palácio  Dar Si Said, hoje Museu de Arte Marroquina; a Mesquita La Koutoubia; as Fontes do Mouazin e, ainda, jardins, mercados ( Souks), palácios e avenidas.


Mesquita La Koutoubia vista da Praça Jemaa El- Fna
D`jemma El Fnna, significa Praça dos Mortos. É  assim chamada porque nela, antigamente, eram executados os condenados à morte. Tornou-se um dos lugares mais festivos e movimentados da cidade, que consegue reunir tradição e modernidade - a parte antiga da cidade com a parte nova. No final da tarde, é ponto de encontro entre moradores, turistas e viajantes. É muito movimentada até a meia-noite. https://correndomundo.blogspot.com/2015/06/marrakech-tradicao-e-modernidade.html



Perto da Praça...


"Há um grande café e restaurante, onde se pode ficar de frente para a Praça D´Jemaa El Fnna e apreciar a diversidade de eventos que  diariamente são oferecidos. As pessoas, por exemplo, formam círculos ao redor de equilibristas e saltibancos, encantadores de serpentes, músicos, contadores de histórias, mágicos, e lutadores de box. Os vendedores de água são figuras tradicionais também. Todos eles mostram suas habilidades em troca de moedas que esperam receber após o espetáculo ou a fotografia em que apareceram " https://correndomundo.blogspot.com/2015/06/marrakech-tradicao-e-modernidade.html


Detalhe da Praça Jemaa El Fna

Perto da Praça Jemaa al Fna,  está o Palácio da Baía ( Bahia) , que se  localiza na parte antiga da cidade, no lado norte do Bairro Judeu ( mellah). Foi construído no final do século XIX em estilo árabe-andalusino. Seus  jardins são magníficos. Eles ocupam uma área de oito hectares , onde se podem ver, além da variedade de palmeiras, arbustos e flores, muitas árvores frutíferas.


Detalhe do teto do Palácio Bahia

O Palácio tem salas ricamente decoradas, tetos de impressionante beleza, todos de madeira pintada. Impressionante também a beleza e a riqueza dos azulejos marroquinos coloridos. Precisa-se, ao menos, da metade de um dia para ver esse Palácio - só para ver as portas que ele exibe, eu gostaria de disponibilizar três horas... Deixo-lhes uma pequena amostra!






                                                                  Portas do Palácio da Baía

Numa postagem que fiz em 2015, há um texto sobre Marraquexe bem mais completo do que este . Basta clicar no link a seguir para acessá-lo. https://correndomundo.blogspot.com/2015/06/marrakech-tradicao-e-modernidade.html  As novidades desta viagem a forma de locomoção, a autonomia na escolha das visitas, a noite no deserto, as cidades de Chefchauen e Ouarzazate e, ainda, passeio fantásticos, como, por exemplo,  ao Kasbah do Pacha Glaoui, ao Kasbah de Taourirt, ao Kasbah Ait-Ben-Haddou e às Gargantas de Todra.


Pausa para comprar creminhos de Arkan...

Pareceu-me bem acertada a decisão de voar até Marraquexe e, de lá, ir retornando de carro, com paragens diversas,  até o Porto de Tânger, de onde,  através do estreito de Gibraltar, alcançamos  a Espanha, chegando por Algeciras. É preciosa uma viagem a Marrocos - e bem mais econômica se considerarmos o custo das principais cidades europeias. Pedro, meu neto adolescente, considerou essa uma das viagens mais interessantes que fizemos. Concordo!


Mercado rural
Agradecendo ao meu amigo Cassiano Scherner, indico-lhes este vídeo sobre Marraquexe ( preferi adotar a escrita de Portugal): https://www.youtube.com/watch?v=B7nqEOgV77E