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sábado, setembro 10, 2011

Portugal: Tejo e Lisboa

"Outra vez te revejo,

Cidade da minha infância pavorosamente perdida...

Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...

Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,

E aqui tornei a voltar, e a voltar.

E aqui de novo tornei a voltar?

Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?
Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.
Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo ."
Fernando Pessoa


PS. Terminei a Leitura de LISBOA: O QUE O TURISTA DEVE VER, livro de Fernando Pessoa, escrito em Inglês/Português, provavelmente em 1925, e que mantém uma atualidade só possível pela  conservação histórica da cidade. Vale a pena ler, antes de ver ou rever Lisboa. É uma publicação da Livros Horizonte
Pessoa inicia seu texto escrevendo:

" Sobre sete colinas, que são outros tantos pontos de observação, de onde se podem desfrutar magníficos panoramas,espalha-se a vasta, irregular e multicolorida massa de casas que constitui Lisboa".

terça-feira, novembro 02, 2010

Toledo

Amo a arquitetura de Toledo: palácios, igrejas, mesquitas, sinagogas. Acima de tudo, como Fernando Pessoa, eu amo o Tejo:

  
"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Tejo , passando por Toledo
 Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele."
Fernando Pessoa

PS. Recebi de Pedro Leal Fonseca, que hoje é médico em Santa Catarina, mas que eu continuo chamando-o de Pedrinho, como quando eu o conheci, criança ainda. Irei postar aqui, com a devida licença dele.

Olá Aldema. Lendo a poesia de Fernando Pessoa que está no seu blog lembrei da "profecia de Serra de Sintra":

Tejo, perto de Toledo


"Patente me farei aos do Ocidente

Quando a porta se abrir lá no Oriente.

Será coisa pasmosa quando o Indo,

Quando Ganges trocar, segundo vejo

Seus espirituais efeitos com o Tejo"