Mostrando postagens com marcador Península Balcânica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Península Balcânica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, março 19, 2019

Dubrovnik, a Pérola do Adriático.

Lovrijenac - Fortaleza construída em parede rochosa

Com população ao redor de 50 mil habitantes, a maior parte de origem croata, Dubrovnik é realmente bonita e singular. Pode-se arrivare à cidade de trem, de navio, de ônibus ou de carro - já estive lá em três viagens e em todas elas encantei-me, logo de chegada, com  jardins, flores, estradinhas, pontes, colinas, ilhas, mosteiros, muralhas, portões ... e o azul único do Adriático. Nesta cidade foram gravadas cenas da série Game of Thrones.  Veja : https://www.youtube.com/watch?v=LV1n6WJH7HM 



Bandeira na Torre Minceta

Visitar a Croácia implica, necessariamente, visitar Dubrovnik, cidade costeira,  belíssima, conhecida como Pérola  do Atlântico.           Está localizada na região da   Dalmácia,  na  República   da Croácia. Foi chamada , oficialmente, de   Ragusa, até o ano de 1916.   A Cidade Velha de Dubrovnik, que    inclui    uma grande parte das muralhas antigas,    foi declarada, em 1979, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.



Muralhas e Torres



Solidez, grandiosidade  e história podem ser percebidas, em  toda a extensão das muralhas de pedra, ou muros defensivos, construídos entre os séculos XII e XVII que rodeavam a cidade e que tinham a função de proteger seus habitantes. As muralhas estendem-se ao longo de dois quilômetros ao redor da Cidade Velha. É um lugar perfeito para caminhadas - agradável e encantador.
                        

Solidez e História



Dizem ser essas muralhas as mais bem preservadas da Europa - referência que já ouvi em outras cidades europeias, como Ávila na Espanha.. A altura chega aos 25 metros nas partes mais altas e a espessura varia entre 4 e 6 metros nas partes viradas para terra, sendo mais finas nas partes voltadas para o mar. 


Acessos à Cidade Velha

Inicialmente, havia em Dubrovnik,  distribuídas pela muralhas, quatro portas, sendo que duas delas conduziam ao Porto e duas, fortemente protegidas e com  pontes levadiças, 
que conduziam à cidade nova  e que, a qualquer momento,         poderiam ser erguidas.      No tempo em que o   Império Austríaco    controlou a cidade,    mais duas novas portas foram abertas.Se, por uma fatalidade, invasores atravessassem as pontes,teriam ainda  que percorrer estreitas ruazinhas, guarnecidas de ambos os lados, como é a Stradum.




Arte nos espaços públicos

Além do movimento dos turistas,  das      ruazinhas originais,  dos palácios, das praias e 
tudo o mais que  nos referimos anteriormente, em Dubrovnik  podemos também visitar a farmácia mais antiga da Europa,que ainda atende e faz remédios através de manipulação; ouvir música nas ruas; visitar a  residência do Reitor, designação local do chefe da cidade, daquele que detém a chave do portão que dá acesso à  Cidade Velha; ver a Igreja Ortodoxa e  os gatos que andam pela cidade.








Floriculturas diversas na cidade


Sim! eu vi alguns gatos. Não consegui , entretanto, fotografá-los porque me pareceram "tímidos" ou ariscos.    Perguntei a razão pela  qual eles têm um ar de donos da cidade. Contaram-me  que, em período inicial da história, com a suspeita de que os ratos eram  transmissores de pestes e doenças, os gatos passaram a ser os herois, já que poderiam caçar e matar os ratos, salvando, dessa maneira a população. A partir daí, passaram a ser mimados e protegidos.




Mar Adriático


Não visitamos a Ilha de Lokrum, muito conhecida por seus mistérios e por suas histórias de assombração. Distante de Dubrovnik cerca de 600 metros, Lokrum carrega uma maldição que atinge qualquer pessoa que tenta comprá-la. São conhecidas histórias sobre muitos candidatos a compradores que sofreram estranhos acidentes - alguns dos quais morreram antes de completar a transação. Gostaria de voltar à Croácia, visitar essa Ilha e ouvir muitas causos de assombração.



Passagem de Cable Car


Quem me acompanha no Correndomundo, sabe bem do meu medo de altura, que vai de teleférico, a bondinho,  a avião até cable car - ou qualquer meio de transporte que não esteja na terra. Sabe também que o meu medo só perde para minha curiosidade. Vou...com medo, mas vou. Já inventei rezas e mantras, já me convenci que só é corajoso quem enfrenta o medo ...e vai. Pois bem, esses cabos são de um teleférico - longo!!! - que eu enfrentei em Dubrovnik.



Marina de Dubrovnik


A Cidade Velha é pequena e pode ser percorrida caminhando, quando se pode ver, com mais detalhes e calma,  prédios históricos com  admirável arquitetura.   Grande parte da cidade está fora das muralhas e muitas se espalham pelas colinas.Ficamos hospedadas em um apto, distante uns 300 metros da porta principal de entrada para a Cidade Velha -  lugar tranquilo  e acolhedor.    Três dias serviram  para renovar a admiração pelo país  e pela cidade. Croácia, entretanto,  merece uma visita longa.



Isolda, minha companheira de viagens " aventurosas".

" Quando eu era jovem, eu a mim dizia:
Como passam os dias, dia a dia,

E nada conseguido ou intentado!

Mais velho, digo, com igual enfado:

Como, dia após dia, os dias vão,
Sem nada feito e nada na intenção!
Assim, naturalmente, envelhecido,
Direi, e com igual voz e sentido:
Um dia virá o dia em que já não
Direi mais nada.
Quem nada foi nem é não dirá nada,"

Fernando Pessoa




Ponte Franjo  Tudman
PS. Como já informei em outra postagem, não é confiável a data e a hora que aparecem nas minhas fotos. Sempre esqueço de atualizar ou acertar minhas câmeras. Desculpem.

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

Mostar, antiga capital da Herzegovina.

Mostar - centro histórico
Sarajevo atualmente é a capital da Bósnia e Herzegovina. Mostar, para onde fomos depois de Sarajevo, foi capital de Herzegovina, antes da união dos dois países. Tanto Sarajevo quanto Mostar encantaram - me a ponto de eu pensar em retornar a elas e permanecer por um mês. O transfer entre essas duas cidades foi feito de trem - viagem tranquila, num trem simples e lento. Mostar é uma bela e histórica cidade.

Mostar visto do alto de uma das montanhas próximas à cidade


É uma cidade feita de pedra sobre pedra. Tem clima mediterrâneo, muito verde, muito sol e muitas flores. É o centro cultural, histórico, científico e político de Herzegovina. Desde 1592, a cidade se converteu em sede das altas autoridades religiosas islâmicas. Após, vieram as autoridades da igreja Ortodoxas e , posteriormente, as da igreja Católica. Atualmente. converteu-se num relevante centro universitário  e científico.

Rio Neretva

Certamente a grande atração desta cidade é a Ponte Velha De Mostar, construída sobre o rio Neretva,  no século XVI, onde , no século XV existiu uma Ponte Pênsil. É dos monumentos mais famosos da antiga Jugoslávia - símbolo da época otomana da Bósnia e Herzegovina.


Ponte velha de Mostar

A Ponte Velha, verdadeiro símbolo da cidade, foi construída segundo o projeto de Hairudin, um famoso construtor turco. Tem o comprimento de 28,70m; a largura de 4,49 m e a altura de 21 m sobre o nível das águas. Sobre ela, um belíssimo arco de pedra. Ao redor da ponte, desenvolveu-se historicamente o centro da cidade - seguramente o melhor lugar para encontrar bons restaurantes e fazer algumas comprinhas. A Ponte faz parte do Patrimônio da Humanidade desde 2005.


Ponte Velha

Caracterizam também a cidade de Mostar monumentais e belas Mesquitas com vistosos minaretes; as igrejas ortodoxas com magníficos ícones; a basílica e a catedral católicas e o convento franciscano, famoso por suas coleções e arquivos. Pode-se, ainda, visitar a parte moderna de Mostar, com seus grandes centros comerciais e empresariais. Interessante, mesmo, é o centro histórico, com seus aromas e cores e seus anúncios típicos.


Sons, cores, formas e odores nas proximidades da Ponte de Mostar

Para quem vai a Bosnia e Herzegovina, sugere-se  visitar  lugares agradáveis, bonitos e pitorescos, como Blagaj, uma aldeia do século XVI, situada na nascente do rio Buna. É um espetáculo raro. De uma grande abertura na caverna, sobre a qual se levanta uma parede rochosa de 50 metros de altura. Aos pés do rochedo um antigo templo.


Nascente do rio Buna  junto a Blagaj

Trata-se de um  magnífico monumento natural e cultural, reunindo a força e a beleza  da água com o valor arquitetônico de construções islâmicas do século XVI. É um lugar agradável para, entre verdes e águas, descansar e fazer uma boa refeição. Há excelentes restaurantes no local, a maioria especializado em pescados. Num carro contratado com motorista, nosso dia rendeu, mas deixamos fora Mostar, porque permaneceríamos dois dias lá, a partir do dia seguinte.


Nascente do rio Buna  junto a Blagaj

Sempre bem-vinda uma parada para um café - ainda mais quando se trata de um café turco, que dá a oportunidade de fazer , mesmo que seja de brincadeira,  uma leitura da borra que fica na xícara. Nas cafeterias, novamente se observa a gentileza do povo, que é sofrido, educado e dá muito valor ao turismo.

Café delicioso!

Pociteli é uma fantástica cidade medieval, mencionada já em documentos de 1444. Hoje, uma cidade-museu, que merece ser visitada, em razão de suas peculiaridades, como a mesquita de Hadzi-Alija, que foi construída em 1563, e foi decorada com belas pinturas. Encantaram-me as ladeiras próximas à cidade e ao rio Neretva, com grandes plantações de figos, palmeiras e uvas.


Outra cafeteria próxima ao Neretva

Este é um tour de um dia, partindo de Sarajevo e chegando próximo à pequena saída para o mar Adriático que Bósnia e Herzegovina lutaram para ter. Após essa saída com  cerca de 10 km, a faixa litorânea passa a ser da Croácia. É preciso apresentar passaporte antes e depois de passar essa pequena extensão - travessia estranha!


Antiga fortaleza em histórica aldeia


A igreja de Nossa Senhora de Medugorje é o maior ponto turístico-religioso  da região. Lembra Fátima, em Portugal, e Lourdes, na França. Num lugar inóspito, uma grande igreja, uma bela imagem de Nossa Senhora e um grandioso comércio ao redor. Predominam os peregrinos europeus, que, a noite, fazem parte da legião de turistas que transitam por Mostar, a cidade mais próxima e mais movimentada.
                                                     
Nossa Senhora de Medugorje
Seguramente , de todos os tour de um dia que fizemos, para visitar lugares perto mas não tanto. esto mais interessante e informativo. São belíssimos os rios, as montanhas, os monumentos históricos e até o traçados dos caminhos. Está preparado para que se faça bons e inesquecíveis passeios.




" A água da chuva desce a ladeira.
É uma água ansiosa.
Faz lagos e rios pequenos, e cheira
A terra ditosa."

Fernando Pessoa.



quinta-feira, janeiro 10, 2019

Retomando os relatos sobre a Península Balcânica

Madre Teresa de Calcutá - Centro de Pristina/Kosovo

Em 2018, nos meses de abril e maio, minha amiga Isolda e eu, percorremos a quase totalidade da Península Balcânica. Já no final dessa viagem, um problema familiar nos fez retornar com urgência. Eu havia escrito somente sobre  Eslovênia,  Croácia,  Bósnia Herzegovina e  Sérvia. A partir daí , perdi o " fio da meada". Retorno, neste início de janeiro de 2019, para acrescentar os relatos sobre Montenegro, Macedônia, Albania e Kosovo, países que não seria justo ficarem sem registro.


Sarajevo - Bósnia Herzegovina

É a segunda vez que visito os Balcãs, uma das três penínsulas dessa região do continente europeu. Na  primeira vez, fiz uma viagem de 10 dias, bastante superficial. Na segunda vez, idem. Nesta vez fiz uma visita bem mais longa e planejada, suficiente para perceber as grandes diferenças entre seus diversos países, a ponto de a gente se perguntar como conseguiram coabitar, por tanto tempo, uma mesma república.


Dubrovnik - Croácia

Vivem ali, no mínimo, seis etnias e três religiões fortes e rivais: católica, ortodoxa e islâmica - os templos dessas três religiões constituem belas atrações. Em algumas cidades, para conseguir vencer distâncias e visitar a todos, contratamos carro com motorista -  custa bem pouco em relação a outros países e ganha-se tempo no percurso. Os templos principais geralmente estão no centro das cidades; os conventos e mosteiros, todavia, podem estar até bem distantes - e oferecem muito o que ver.



Budva - Montenegro

Para percorrer a região, precisa-se usar o tempo que  precede a viagem para estudá-la bem. Analise o tempo de deslocamento entre um país e outro, por exemplo,  não esquecendo a demora nos postos de fronteira, que, obviamente, são vários e demorados. Decida, portanto , sobre o meio de transporte, a partir da distância e do tempo a ser percorrido considerando, ainda, esses entraves burocráticos.


Podgorica - Montenegro

O principal meio de transporte que se costuma usar na Europa, é o trem. Nos Balcãs, entretanto, a malha ferroviária é limitada, com pouco conforto e lenta - ser lenta torna-se um up  em razão das belas paisagens com que somos surpreendidas com frequência. O trem, por exemplo, entre Zagreb e Liubliana, mostra cenários belíssimos, já de ônibus esse mesmo trecho e meio sem graça.


Mostar - Bósnia e Herzegovina

Os ônibus são comuns , nada de mais...mas são econômicos e frequentes. Nós os usamos em alguns trechos, como Montenegro/ Macedônia por onde se tem um interessante panorama da Albânia rural. De Zagreb a Belgrado, optamos por ir de avião ( desses que o nome parecia ser Jesus está chamando)O voo, no entanto, foi tranquilo. Também o trecho Belgrado/Sarajevo foi feito por via aérea. Para outros tantos percursos, optamos por contratar carro com motorista. Viagens econômicas e possibilidade de fazer paradas  em sítios históricos e cafeterias - é óbvio!


Albânia

É bastante difícil indicar roteiros para visita à Península Balcânica, no que se refere à chegada e à saída. Depende do projeto total de cada viajante. Isolda e eu, nesta última viagem,  chegamos de avião, vindas de Budapest, diretamente a Zagreb, capital da Croácia. Partimos de Skopye, capital da Macedônia, usando carro contratado, até Thessaloniko, na Grécia.


Skopye - Macedônia

Numa outra viagem,  cheguei pela Eslovênia, a partir de Trieste, na Itália. Ainda uma outra vez, entrei  por Dubrovnik, um dos mais belos lugares da Croácia, vindo de navio pelo Mar Adriático. A saída dos Balcãs vai depender da continuidade do roteiro estabelecido: se forem entrar na Grécia, aconselha-se deixar a Macedônia por último; se forem continuar pela Romênia, melhor partir de Belgrado.


Interior da Bósnia Herzegovina

Não importa, acredito, por onde começa e por onde termina uma viagem a Antiga Yugoslavia. Todos os países de hoje constituem uma grande aula de História. Há sítios incríveis para se ver e sobre eles refletir. Mostar, com sua Ponte Romana,  na Bósnia Herzegovina; Kosovo, com as feridas da guerra tão recente; Croácia, com sua exuberante beleza; Sarajevo com a ponte onde Ferdinando foi assassinado e muito mais.


Sarajevo - Capital da Bósnia

A península Balcânica nos oferece condições para uma viagem econômica, tranquila - muito tranquila  desde que sigamos as orientações para evitar algumas travessias,   como entre a Sérvia e Kosovo. Oferece-nos incrível diversidade de paisagens e de história - dependendo do interlocutor, o fato histórico pode ter interpretações bem diferentes. E oferece, ainda, saborosa gastronomia - do café da manhã ao jantar. É uma dessas viagens que dá vontade de retornar.


No meio do caminho...uma cafeteria!

"Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua.
Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem.
Se onde quero estar é longe, não estou lá num momento.
Sim: existo dentro do meu corpo.
Não trago o sol nem a lua na algibeira.
Não quero conquistar mundos porque dormi mal,
Nem almoçar o mundo por causa do estômago.
Indiferente?


Belgrado

Não: filho da terra, que se der um salto, está em falso,
Um momento no ar que não é para nós,
E só contente quando os pés lhe batem outra vez na terra,
Traz! na realidade que não falta!
Não tenho pressa. Pressa de quê?


Kotor - Montenegro

Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passe adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salte por cima da sombra.
Não; não tenho pressa.



Budva - Montenegro

Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só aonde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.



Skopye - Macedônia
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E somos vadios do nosso corpo.
E estamos sempre fora dele porque estamos aqui."

Fernando Pessoa

Mostar - Herzegovina