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domingo, novembro 27, 2011

Os Fantasmas de Cesky Krumlov

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Torre do Castelo


Em Cesky Krumlov, tanto o Castelo quanto a cidade, carregam a fama de abrigarem muitos fantasmas, fazendo com que lendas e histórias circulem pela região.A justificativa para as assombrações parece simples: além do Castelo, são trezentas casas tombadas e preservadas como eram há quinhentos anos no mínimo.Os habitantes da localidade apreciam conhecer e relatar histórias do além.De todas as que eu ouvi, retive algumas, talvez as mais interessantes pelo cenário e pelos estereótipos que sugerem.Uma dessas histórias refere-se a uma mancha, que se diz de sangue e que aparece no centro do palco barroco - perfeitamente conservado - do assombrado castelo.




Casas tombadas


Conta-se que Evelyn , uma jovem bonita e virgem, atuava numa troupe teatral que ia apresentar-se no Castelo. Ela apaixonou-se por David, o galã do grupo. Ele, entretanto, a rejeitou. Evelyn , tomada por imensa dor, resistiu até a apresentação do espetáculo. No final do último ato, em pleno palco, enfiou uma faca no peito e , literalmente, partiu seu coração, já partido pela dor. A mancha de sangue nunca mais saiu do palco e a jovem Evelyn , com os trajes de sua última apresentação, passeia à noite pelo Castelo - podendo-se, às vezes, ver uma faca fincada no seu peito.
Chamarei de A Bela Dama de Branco a esta outra história.



Parede interna do Castelo


Vivia no castelo, no século XV,  Perchta von Rozemberk, uma jovem muito bonita e muito cortejada pelos jovens da região.  Seu pai, entretanto, decidiu que ela se casaria com um lorde da Moravia , Johann  von Lichtenstein. Casou para satisfazer a vontade do pai. Não foi feliz. O lorde revelou-se péssimo marido, tendo sido cruel com a pobre Perchta  ao longo da vida conjugal. Quando Lichtenstein estava no seu leito de morte, chamou a esposa e pediu-lhe  perdão por todos os maus tratos. Com muita mágoa e muitos ressentimentos acumulados, ela não o perdoou. O marido moribundo, então,  amaldiçoou-a , transformando-a na Dama de Branco, que vive vagando pelas salas do Castelo  e que costuma aparecer em festas e eventos importantes.  O Fantasma usa sempre um belo vestido branco e um detalhe premonitório que é bem importante:: tem sempre luvas longas. Se  as luvas forem brancas, é sinal de boa sorte para quem a vê. Se forem pretas, desgraça na certa.




Detalhes do Castelo


Em determinado período , quando ainda não havia geladeira, o sal era um produto bastante valioso e , num país sem mar, mais valioso ainda se tornava..Residências abastadas tinham , no depósito de sal, um de seus espaços mais vigiados. Por essa razão, há , em Cesky Krumlov, uma casa mal assombrada. Dois guardas ali trabalhavam vigiando esse produto raro. O trabalho era bastante monótono e longo. Para passarem o tempo , os guardas costumavam jogar dados.




Pátio interno do Castelo


Certa noite, um deles estava numa incrível maré de sorte e o outro, com muito azar. O azarado, tomado pela fúria, quis reaver o dinheiro perdido. O sortudo negava-se a devolvê-lo. Os dois, então, enfrentaram-se numa batalha feroz, até a morte de ambos. Contam que ainda hoje se ouvem, onde era a casa de sal, barulho de briga, vozes alteradas e gemidos dos guardas moribundos.

PS .Minhas desculpas por faltarem as fotos dos fantasmas  e , assim, dar mais veracidade às histórias,  mas  fantasmas gostam da noite - e eu tenho medo de escuro e não costumo beber.

sábado, novembro 26, 2011

República Tcheca: fotos e comentários breves




Os cristais mais conhecidos e famosos no mundo, desde o século XV, são os cristais da Bohemia, região da República Tcheca. São cristais de uma variedade especialmente clara e sólida.Os tchecos foram os primeiros a inovar, fabicando cristais transparentes ou opacos, pintados ou dourados.Encantam-me as flores de cristal , pela fineza e delicadeza do design e pelas cores com que são apresentadas. Os preços não são altos, considerando a qualidade e a beleza das diferentes peças.



                                      



Os produtos mais tradicionais da República Tcheca são os cristais, já referidos, especialmente os da Bohemia e  de Karlovy Vary, as porcelanas - eu amo as porcelanas de um tom rosa , diferente, único, delicadamente arnamentadas com flores - as joias com granadas tchecas e as marinetes.







A República Tcheca é a principal produtora de granada, seguida da África do Sul. Essa pedra preciosa pode aparecer em diversas cores, sendo a vermelha a mais usada para joias pelos tchecos. Com diversas lapidações e montagens,  especialmente em prata e ouro branco, as granadas, pela sua durabilidade e beleza,  aparecem em colares, braceletes, pingentes, aneis e brincos. 







Sabe-se que é comum, na Europa toda, encontrarem-se noivos, fazendo as fotos oficiais de casamento, em fotogênicos e históricos lugares. Aqui,  no Castelo de Praga, encontrei vários casais sendo filmados e fotografados, com os mais diferentes modelitos.







Depois de passar a Ponte Carlos, na segunda esquina à esquerda, há um restaurante que serve excelente goulash dentro de um pão.

























Estou rindo porque é de dia e tem mais gente  por perto.....Neste Castelo de Cesky Krumlov , as histórias de fantasmas e assombrações são realmente assustadoras. Sobre esse tema, escreverei o post seguinte.

terça-feira, novembro 22, 2011

República Tcheca : Cesk`y Krumlov

                            
      
Há cerca de 15 anos , visitei Karlovy Vary ( Cidade de Carlos) , fundada em 1350 e  localizada a oeste de Praga, a  140 km dela. Conta a lenda que Carlos IV  estava caçando nessa região quando deu pela falta de um de seus cães. Foi procurá-lo e o encontrou caído num poço de água termal. Descobria-se, assim, o que se tornou a grande riqueza da cidade, hoje com pouco mais de cinquenta mil habitantes. Chegou a ter mais de duzentas estações de água, a mais quente delas com água brotando a 72 graus C.



























Karlovy Vary é conhecida também pela porcelana que leva seu nome  e pelos cristais Moser. São realmente muito bonitos.Durante o domínio russo, a cidade teve a preferência dos poderosos do partido, que ali passavam temporadas de descanso e lazer. Após 1989, as belas casas desse bonito lugar foram devolvidas aos seus antigos donos.Eu fiquei de tão impressionada com essa cidade que pensei não ter nenhuma outra com tal exagero de beleza.





















Nesta viagem, descobri que Cesky Krumlov é tão bonita quanto Karlovy Vary e leva sobre esta a vantagem de ter um grandioso castelo do século 13 - Krumlovsky Zamek - situado no imponente bairro Latrán . O castelo,  principal ponto turístico da cidade , apresenta atrações externas - belíssimos jardins - e atrações internas as mais diversas, incluindo uma torre de onde se tem inesquecível vista da cidade. Internamente, é belo sim  , mas assusta um pouco - imenso, paredes de pedra, acústica perfeita, cores ocres, torres, portões e grades...tudo meio fantasmagórico.


                         


A cidade tem suas ruas,  estreitas e formadoras de labirintos,  com calçamento antigo, todo em pedra, o que contribui para a preservação da atmosfera medieval. Restaurantes, cafeterias, hotéis  e lojinhas ocupam prédios antigos e bem cuidados - a cidade só precisou de restaurações mesmo em 2002, após uma grande enchente. Quase abraçada por um braço do rio Vltava , a bem preservada Cesky Krumlov está ali, num ambiente ímpar, demonstrando força e delicadeza, segurança e permanência - realmente uma das apaixonantes cidades medievais da região.





















hoveu chuva mansinha no dia em que lá estive. Isso impossibilitou-nos de fazer um passeio de barco e olhar  a cidade sob outro prisma. Espero que me acompanhe por muito tempo a imagem das paredes e dos muros do castelo, das cores delicadas na forte estrutura da torre, dos campos que vi ao longe e das ruazinhas que partem da praça principal. Uma sugestão para quem planeja visitar a República Tcheca: alugue um carro e visite Karlstein, Kutná Hora , a cidade das pratas, Karlovy Vary e Cesky Krumlov. Para manter seu encantamento, use transporte público ou carro alugado. Evite usar táxi, meu único desgosto nesses anos que frequento a República Tcheca.                                                                                                                                                                        
                                                   

quarta-feira, novembro 16, 2011

República Tcheca: Praga


Encanta-me o Leste Europeu. Sempre que posso , vou até lá. Durante esta viagem, reservei cinco dias para Praga, minha paixão maior no Leste. Não tive, entretanto, vontade de escrever sobre ela. Tomei uma decisão - vou incluir aqui um texto que escrevi há cinco anos. Tal decisào só se justifica porque estou hipergripada, com febre e não encontro as anotações feitas durante a viagem. Praga, no entanto, não vai ser prejudicada. Ela continua assim : linda de chorar. O texto é antigo; as fotos, de agora.



"Se você leu " Metamorfose " e " A Insustentável Leveza do Ser" , está na hora de vir a Praga. Outras expressões, como "Primavera de Praga" e " Revolução de Veludo", podem tê-lo levado a lembrar, pensar e ler sobre esta cidade e, conseqüentemente, desejar vê-la. E se já a viu, voltará...Dá saudades.



Praga tem sua origem num Castelo, erguido sobre uma colina, vizinho a uma curva do Rio Vltava, ainda no século IX. Nos arredores do Castelo, surge o "povoado", elevado à categoria de cidade em 1234. No século XIV, Carlos IV constrói a Universidade de Praga, a mais antiga da Centro-Europa, que deve ter sido " o sucesso da temporada", também pelos muitos estudantes estrangeiros que vieram para cá. Já li que " Praga é Paris que se esqueceu de crescer", e penso : ainda bem...está de bom tamanho assim.




Faz três dias que estou aqui. Apesar dos cinco graus negativos, caminho uns 10 km por dia - e não é a primeira vez que venho a Praga. Caminho mesmo. Não uso metrô. Ando devagar. Prefiro me encantar e surpreender a cada momento. Prefiro me emocionar com as minhas descobertas e com a beleza do que descubro .


Quando passeio pela rua Parizska, por exemplo, que serviu de cenário à Metamorfose, olho para os cantos à procura de uma barata imensa! Depois penso na genialidade de Kafka e, em sua homenagem, caminho pelos lugares onde ele viveu e vou ao café que contam que era o seu preferido. Só não fui ao Cemitério Judaico, em Zizkov, onde ele está enterrado, porque considerei "tietagem exagerada"... 



Caminhando, observo detalhes interessantes tanto na arquitetura quanto no comportamento dos visitantes. Eles, em geral, não portam pacotes imensos de compras... (os "dos pacotes" devem estar em outros países...) Portam sim máquinas fotográficas, filmadoras e , assim como eu, portam olhares deslumbrados.


Conheco bem a Slovakia, tanto a capital quanto o interior, e admiro a tranqüilidade e sabedoria (históricas) com que, quatro anos depois do fim do comunismo, a então Checoeslovakia se dividiu em República Checa e República Slovakia, numa pacífica e decidida mesa de negociação. Não percebo ressentimentos. Eram diferentes, inclusive no dialeto usado. Não foi difícil. E a República Checa ficou com Praga.
Bratislava não tem a imponência de Praga, mas é simpatica, tranqüila, agradável e tem o Danúbio que a envolve e embeleza; tem belíssimos castelos e teatros; tem o povo mais gentil que eu conheço...Cuidem! Posso estar sendo tendenciosa...Amo a Slovakia!




Parece-me muito interessante conversar, com pessoas de ambos países, sobre os " heróis da guerra" e os " heróis da paz". Os anos de silêncio fizeram brotar retratos, como o de John Lennon - e mesmo os muito jovens ainda falam nele. Considere-se, entretanto, que a apoteose da Revolução de Veludo é recente (1989). Em geral, escuto análises respeitosas e tranqüilas, sem os passionalismos que marcam os discursos persuasórios - exceção feita àqueles que perderam o centro do poder.
Saio daqui olhando pra trás...querendo voltar. Como um dos personagens de A Insustentável Leveza do Ser , experimento em Praga o "sentido da beleza que liberta da angústia e traz o renovado desejo de viver".

sexta-feira, julho 06, 2007

A Caminho do Leste Europeu







Sai triste da India. Gostei de la. Per fortuna, nao sou presa a passado e sempre tenho novos projetos. Renu e marido levaram-nos ao aeroporto. A viagem pela Lufthansa foi boa, apesar de, novamente, eu ter de pagar excesso de bagagem - 30 euros cada Kg ....

Chegamos Gugu e eu a Frankfurt e fomos direto ao hotel. Aproveitamos o tempo para rever principalmente o Rio Main. 

No outro dia , bem cedo, fomos para Dresden. Linda cidade. Dormimos no hotel Ibis e , novamente cedo, partimos para Praga, porque Gugu nao a conhecia. Bella Praga!


Em Praga, estamos hospedados na Residencia Bologna, reduto de italianos, num apartamento com sala, quarto, cozinha e banheiro, que tem inclusive maquina de lavar roupa. Um excelente endereco : www.pragaweb.com/bologna.htm 


Hoje aa noite, iremos para Kosice. Deixaremos lah nossas bagagens pesadas e, com nossas pequenas  mochilas, viajaremos domingo para a Polonia. Meu objetivo eh mostrar para meu filho a Centro- Europa , de que gosto tanto.