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sexta-feira, novembro 17, 2017

Jerusalém: História, Emoção e Beleza

Introdução


Este post - exatamente como está aqui - esteve perdido durante vários anos, mais precisamente desde 2009. Hoje, numa tentativa meio inútil de me organizar melhor, revisando arquivos e olhando Cd's, por acaso, eu o encontrei e decidi republicá-lo. Gostei de revê-lo. Talvez um dia eu retorne ao Egito e a Israel. Talvez.





















" Não queiras , com submissa segurança, 
Ter saudade de ter esperança...."  Fernando Pessoa


Monte das Oliveiras





















Não tenho vontade de escrever sobre Jerusalém, onde estive durante cinco bem aproveitados dias. É uma cidade indescritível. Toda de pedra, de um bege discreto, ela emociona muito. 










































Cidade sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos, tem, em cada pedacinho seu , uma história para contar. Caminhei muito dentro das muralhas da cidade antiga. 


Muro das Lamentações





















Estive no Muro das Lamentações e deixei lá, nas fendas das pedras, um papel com uma lista de pedidos para a família e os amigos: pedi desde emprego até diminuição da preguiça. 









































Visitei o Monte Scopus e Monte das Oliveiras - extraordinária a vista panorâmica da cidade que se tem a partir desses montes. Fui ao Horto de Getsêmani para conhecer a Basílica da Agonia.










































Percorri as "estações" da Via Dolorosa, visitando a Igreja da Flagelação, a Capela da Condenação, o Calvário e o Santo Sepulcro. Rezei um Pai-Nosso , em espanhol, em cada uma das paradas da Via Crucis, acompanhando uma mexicana fanática.










































Fui ao Monte Sião, ver a Tumba do Rei David , o Cenáculo e a Abadia da Dormição. Rezei em Ein Karen, local de nascimento de São João Batista. Estive em Belém, onde está a Basílica da Natividade, a Gruta de São Jerônimo e a Igreja de Santa Catarina. Penso merecer o céu até pelo cansaço que fiquei!











































Ainda visitei o Museu do Holocausto, o Kneset (Parlamento), a Residência Presidencial, o Teatro Municipal, e, por fim, o Museu de Israel, onde se encontra o Santuário do Livro e a fantástica Maquete de Jerusalém na época de Jesus Cristo.











































E ,ainda, passei pelo assustador muro que separa Israel da Palestina, nas proximidades de Belém. Dormi , depois de três dias assim corridos, como um anjo: dever cumprido e exaustão total - e ainda convicta de que tenho bons créditos no Alto!









































" E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta,
  porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta.
  E nada que se pareça com isso devia ser o sentido da vida...."

Fernando Pessoa




segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Mãos de Fátima

Mãos de Fátima
Uma amiga me perguntou sobre o nome Fátima, que aparece em Mãos de Fátima, talismã que se costuma trazer de Israel ou de países muçulmanos. Conhecido por afastar má sorte ou mau olhado, diz-se ,ainda,  que protege e abençoa a quem o usa. Fátima teria sido a filha mais nova do Profeta Maomé. Ela teria nascido na Meca, ao redor do ano 605.  que dado origem a dinastia dos fatimidios.É considerada símbolo de mãe e de esposa perfeitas. Na tradição judaica, muda a procedência do talismã: Seria de Miriam , irmã de Moisés, igualmente uma mulher exemplar. Aparece em pinturas na entrada das casas, em tapetes e em objetos diversos. Vincula-se a ela uma rica simbologia. Na foto, duas Mãos de Fátima que eu carrego: uma da Tunísia; outra, de Israel. Nada de chance para mau olhado!

quinta-feira, março 12, 2009

Haifa, Cesarea e Jaffa





















Haifa, antiga vila fenícia, é o principal porto de Israel , no Mediterrâneo. Cidade bonita, bem desenvolvida, situada junto ao Monte Carmelo, onde está o Centro Espiritual da Fé Baha‘i. Ao lado do Centro, estão os Jardins Persas, que descem pela montanha com beleza e harmonia( foto 1). Haifa é considerada a cidade santa pelos seguidores da Fé Baha‘i. Do Monte Carmelo, tem-se uma vista fantástica da cidade, do porto e do mar.Aqui também conheci o Mosteiro Carmelita, que é bem bonito.

                                                                                                 

















Cesarea , edificada entre 29 e 22 a.C. , tem esse nome m homenagem a César Augusto – homenagem feita por Herodes, o Grande, que era “chegado” às obras grandiosas e ao puxa-saquismo dos poderosos. Tornou-se capital da Palestina, após a destruição de Jerusalém no ano 70. Um aqueduto (foto 2) com vários quilômetros de extensão, trazia água de Monte Carmelo até Cesarea. Esse aqueduto e o Teatro Romano(foto 3) estão bem preservados. As demais ruínas, entretanto, mostram a grandeza dessa cidade de tantas histórias.





















Jaffa e Tel Aviv estão muito próximas – eu nem conseguia distinguir quando terminava uma e quando começava a outra. Jaffa, Jaffa, Jafa, Jafo ou Jope (hebraico Yafó, árabe Yafa), situa-se num morro à beira – mar e há sinais da sua existência há cerca de quatro mil anos, sendo um dos portos mais antigos do mundo. Ali, conta-se no Livro dos Apóstolos, foi o lugar onde Pedro ressuscitou a Tabita, uma discípula, e onde está hoje o Mosteiro de São Pedro, barroco e de fachada ocre. O Centro Histórico, bem bonito, com ruazinhas estreitas e encantadoras ( foto 4) , é endereço de muitos artistas e algumas lojinhas de antiguidades. Jaffa corresponde ao significado literal , na língua hebraica, de seu nome : Bela.





























Toda a viagem foi muito rica em vivências e conhecimentos. Tenho imagens belíssimas , como da Samaria ( daí o nome Samaritano), região montanhosa , apertada entre a Galiléia e a Judéia; dos oásis e de seus vinhedos e palmeiras; da antiga Acre, com sua imponente mesquita; da sala da Última Ceia, que me pareceu tão autêntica; da passagem pelo Canal de Suez. Tantas imagens. Tanta beleza. Tantas informações. Lamentável as guerras. Recebo, durante a viagem, de meu querido amigo Oscar Lepikson, um e-mail onde ele escreve: " dá um puxão de oreia nos palestinos e nos judeus - fala pra eles que em paz tudo fica melhor."

Deserto da Judéia, Galiléia e Nazareth

Casa de Pedro
"Não jure, nem mesmo pela sua própria cabeça, porque você não pode fazer um só fio de cabelo ficar branco ou preto. Diga apenas "sim" quando é "sim"; e "não" quando é "não".
Sobre compromisso com a verdade, no Sermão da Montanha.

Interessante o Deserto da Judéia, principalmente os oásis, com plantas diversas, predominando as tamareiras - eu comia tâmaras em todas as refeições e nos intervalos também. As hortaliças, cultivadas em estufas com plástico, criam o mesmo problema do mundo inteiro: o que fazer com esse plástico depois de usado.A região da Galiléia está próxima da Síria, da Jordânia ( com mais agricultura porque tem mais água) e do Libano, onde estive a 6 km da fronteira. É uma região muito verde, com vales fértéis e muitas plantações. Essa região é como uma bacia. O Mar da Galiléia - também chamado de Lago Tiberíades - que é a parte mais funda, situa-se a 212 metros abaixo do nível oceânico.                                                        

Igreja de São José
Aqui Jesus , segundo os Evangelhos, acalmou tempestades e caminhou sobre as águas - tive vontade de tentar uma caminhadinha também, mas temi o frio ! Fiz , entretanto, um belo passeio de barco.
Nas proximidades, vi lugares que conhecemos através da Bíblia, como o do milagre da multiplicação de pães e peixes e o Monte das Bem-Aventuranças, onde se realizou o Sermão da Montanha.A maior cidade da costa é Tiberíades, bem bonita, muito procurada não só pelo turismo religioso, mas também por suas termas medicinais e suas possibilidades de esporte aquático. Sua principal fonte de riqueza é a lapidação de diamantes, vindos principalmente da África do Sul. Há um museu muito interessante que mostra como se dá todo o processo de lapidar diamantes e montar com eles jóias diversas.


Basílica da Anunciação
Visitei também Cafarnaum , para ver uma uma antiga sinagoga e uma bela igreja , construída sobre pilotis, onde antes era a casa de Pedro. Bonita Nazaré, com seus 80 mil habitantes e tantos lugares históricos. Diz-se que ali viveu Jesus até mudar-se para Cafarnaum. Venera- se, neste lugar, a Anunciação que um Anjo fez a Maria de que ela seria a mãe do filho de Deus. Visitei a Basílica da Anunciação e a igreja de São José - que está construída no lugar onde seria a carpintara dele.
Belíssima foi a visita a Yardenit, no Rio Jordão, lugar considerado como o do Batismo de Jesus. O vale e o rio nos mostram paisagem inesquecíveis. Não perdi a chance de me rebatizar, como costumam fazer os visitantes que ali chegam. Era a hora mesmo de parar. A hospedagem num Kibutz foi o coroamento das visitas a tantos e tão fantásticos lugares. Há , em Israel , 280 Kibutz, todos ainda com orçamento participativo e seguindo o princípio : a cada um de acordo com as suas capacidades; a cada um de acordo com as suas necessidades.

terça-feira, março 10, 2009

Entrada em Israel


Saindo cedo de um hotel ( foto), próximo à região de Santa Catarina, atravessei a fronteira do Egito com Israel , em Taba. E dali, para o aeroporto de Eilat. Num avião fabricado pela EMBRAER, toda orgulhosa, viajei com destino a Tel Aviv - literalmente "Colina da Primavera" - aeroporto Ben Gurion. A entrada em Israel embora demorada, não foi traumática, apesar do momento ser bem difícil na região. Quando cheguei , nem acreditava que quase havia desistido de ir em razão dos conflitos. Tudo estava muito calmo. Uma visita rápida à cidade e , no dia seguinte, partida para Jerusalém, cidade que mais me interessava.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

2009/1 Egito e Israel





















"O limite da minha linguagem significa o limite do meu mundo."

Estudei Ludwig Wittgenstein, nos anos 70, quando eu fazia Mestrado em Linguística, na PUC/RS. Incorporei que somos do tamanho da nossa linguagem e que a expandimos ao expandir nosso mundo com novas experiências e vivências. Egito e Israel, principalmente, nesta viagem 2009/1, ampliaram minha linguagem, por ampliar minhas fronteiras de mundo. 






















A região é complexa, e a origem de seus problemas remetem ao Antigo Testamento. Dá vontade de vir para casa e ficar muito tempo mais estudando, conhecendo, pensando. Foram 26 dias muito intensos, mas bastante tranquilos. Ainda bem que vim, mesmo contra a vontade de muitas pessoas. Até o Pedro, com seus 9 anos de idade, pedia que eu "não me arriscasse" vindo aqui. Um dia, ele entrou no meu quarto, com a carinha assustada, dizendo: "Esses acordos de paz entre Israel e Palestina são um engodo! Tu vais lá de teimosa."






















Mas foi tudo bem. O único perigo real que corri foi com o motorista da Van que nos trouxe ( éramos 9 pessoas) do Cairo à fronteira com Israel. Por uma estrada simples, sem acostamento, entre as montanhas do Deserto do Sinai, ele mantinha uma velocidade de 150 / 180 km/h. Desta vez , eu não trouxe o notebook. Faço anotações na minha agenda. Já fiz cerca de mil fotos. Meus netos não vão ficar sem saber desta viagem, que foi realmente fantástica.