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quarta-feira, dezembro 25, 2019

Marrocos/Espanha via Estreito de Gibraltar

Ruínas Romanas de Tamuda

Após visitar as ruínas romanas, estivemos rapidamente em Tetuan, cidade fundada no século XIV, que ocupa a localização da antiga Tamuda, e que está a 60 km de Tânger. A medina dessa cidade é Patrimônio da Humanidade  desde 1997. Tetuan é conhecida também pelas suas praias, como  Ksar - es-Seghir, na costa atlântica, e Al Hoceima, na costa mediterrânea. Um bom lugar para ir.



A caminho de Tânger


Tânger se localiza  em frente  do Estreito de Gibraltar, onde está o porto que faz a ligação marítima entre  África e  Europa. Antiga e famosa cidade, com muitas lendas sobre sua origem, dela partiram, no ano de 711, as naus que iniciaram, sob o comando de Tárik, a conquista da Península Ibérica. Foi  a primeira cidade marroquina que eu conheci, há quase 30 anos - pareceu-me, naquele tempo, uma típica cidade de fronteira - uma mescla de culturas.



Local onde almoçamos, antes de  tomar o barco para a Espanha,

Após o almoço, o carro em que havíamos feito toda a viagem, deixou-nos no Porto de Tânger. Compramos nossos bilhetes para o ferry da Companhia Transmediterrânea, que faz dez travessias diárias entre Tânger e Algeciras.  O tempo estipulado para cada travessia é 1h 30min - travessia tranquila e confortável ( dormi...e esqueci de fazer fotos). Cada bilhete custou cerca de cinquenta euros.


Vista da Praia desde o restaurante

Finalizado o circuito  de Marrocos, agradecendo ao Universo  que  transcorrera tudo bem, já fazíamos planos de retornar e ver a cidade de Ceuta, enclave espanhol no território marroquino. Pedro mostrava-se feliz por tudo o que viu nessa sua primeira incursão à África. Nos dias imediatamente seguintes,   nosso projeto contemplava Algeciras e Gibraltar . Como no filme de  Giuseppe Tornatore, "Estamos todos bem..."


Chegada em Algeciras

O Porto de Algeciras - muito funcional - fica bem próximo do centro da cidade e da Estação Central de Trens. Reserváramos, através do Booking.com,  o Hotel Otavio Mir - conhecido somente por Hotel Mir - um quatro estrelas, econômico, agradável e com excelente atendimento. Algeciras era uma cidade a mais no meu projeto de conhecer toda a Andaluzia. Valeu.



Centro  de  Algeciras

" Sigue tu destino,
riega tus plantas,
ama tus rosas.
El resto es la sombra
de árboles ajenos."

Fernando Pessoa


Marrocos, Gracias!

                                                  

domingo, dezembro 22, 2019

Chefchaouen, a Cidade Azul de Marrocos.

Chaouen :  a Cidade Azul

O pouco que vou relatar de Chefchaouen - ou simplesmente Chauoen como a ela se referem os moradores locais - resulta obviamente do pouco que a vi. Famosa cidade turística pela sua vibe e apresentação, fundada nos finais do século XV por Muley Ben Rachid, Chauoen está  localizada a 610 metros de altitude, em meio a imponentes rochedos. Para chegar até ela, vindo de Fez,  percorre-se uma estrada que serpenteia em meio as montanhas.



Uma das primeiras vistas da cidade

Provavelmente a altitude referida, as curvas da estrada e um pouco de cansaço mesmo, já que eu estava viajando há 40 dias, juntaram-se para me deixar muito fragilizada. Sentia-me tonta, com dor de cabeça e sem energia para ver e fotografar a cidade. Eu tentava pressionar a mim mesma, dizendo  que  Chaouen era uma das duas cidades marroquinas que eu não conhecia - a outra era Ouarazazate. Era importante que eu a visse, mas, desta vez, não foi possível.



Proximidades do Hotel

Ao chegar na cidade, ainda  foi preciso vencer uma caminhada de, mais ou menos, meio quilômetro  para alcançar - enfim! - o Hotel onde tínhamos reserva. Foi somente o tempo de fazer check in, tomar um chá de menta, gentilmente oferecido na recepção, e  eu já estava dormindo. Isolda e Pedro saíram para jantar e passear pela cidade. Ao retornar, lembro vagamente de eles terem feito alguns comentários sobre o passeio, em especial sobre a  movimentada praça Uta-el-Hammam.  


....Cidade Azul!


Dormi tudo! Acordei pensando no café e imaginando a parte final da viagem - de Chaouen, passaríamos pelas famosas ruínas romanas próximas a Tetuan e a caminho de Tânger. Nosso destino final era o Porto, de onde partiríamos para Algeciras, atravessando o Estreito de Gibraltar. Eu já havia decidido conhecer bem Chefchaouen... mas em 2020, numa viagem com dois destino somente : Chaouen e Ceuta, está última um enclave espanhol em território marroquino.



Chá na recepção do Hotel

Após o  café da manhã no hotel, voltamos para a cênica e serpenteante estrada de montanha, fazendo stop para ver e fotografar as magníficas ruínas romanas de Tamuda, próximas a Tetuan, cidade que visitamos rapidamente e que tem um centro histórico  declarado Patrimônio da Humanidade, pela Unesco, em 1997.


Predomínio do azul....


Ainda que eu não tenha visto a cidade, principalmente a Grande Mesquita - século XV -gostei de ter chegado até Chefchaouen e de ter avistado a cadeia montanhosa que acompanha o Mediterrâneo e se estende do Estreito de Gibraltar até a foz do Moulouya, na fronteira com a Argélia. Vistas estupendas. Tentarei voltar! In sha allah!


                                             Imponentes montanhas ao fundo



"Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho,
Corre um rio sem fim."

Fernando Pessoa


                                                             Céu azul....

Roupas Azuis


  • Táxi azul...

quinta-feira, dezembro 12, 2019

Ouarzazate, Porta do Deserto ou Hollywood da África

Kasbah Ait - Ben - Haddou -  na rota que leva a Ouarzazate

Esta foi minha primeira visita a Ouarzazate, cuja traducão do nome é  cidade sem ruído!  Gostei dela. Muitíssimo.  Com uma localização privilegiada, já que está no ponto de encontro dos vales dos rios Draa, Dades e Souss e com distância rodoviária  de 200 km de Marraquexe, a cidade recebe  fluxo constante de turistas, que certamente se encantam com suas atrações e com sua arquitetura bastante uniforme em seus tons avermelhados. 


A caminho de Ouarzazate

Ouarzazate é acolhedora e agradável. Pode ser útil saber que é  sede de um aeroporto internacional. Se a viagem, no entanto,  for de carro, nada de euforia com somente 200 km de Marraquexe a Ouarzazate - o estimativa de tempo para fazer esse percurso é de 4 horas...nós, entretanto, percorremos essa distância em mais de 5 horas - e não foi por problemas não, mas pelas muitas atrações que se encontram ao longo da estrada.


Vale de Ounila

A estrada Marraquexe-Ouarzazate é espetacular. Inclui o Vale de Ounila, a rota dos 1000 Kasbás, a Cidade das Rosas, o Kasbá de Taourirt, o Kasbá Ait-Ben-Haddou - este último foi, em 1987, declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO - a cidade de Teloeut,  o Vale do Drá e suas  tamareiras e a visão da Cordilheira do Atlas, com neve nas suas montanhas mais altas e um colorido encantador. 


Cidade das Rosas, onde até os táxis são...cor de rosa!

Para chegar a Ouarzazate - que está do outro lado das montanhas do Atlas - é preciso subir ao Col de Tichka, alcançando 2260 metros de altura, transitando por uma estrada de montanha que serpenteia e, por vezes, assusta. Fizemos muitas paradas pelo caminho  - uma delas foi na cooperativa de mulheres que trabalham com o fruto do arkan, de onde selas obtêm o óleo de arkan, tão valorizado na atualidade e tão usado no preparo de cremes e shampoos.


Cooperativa  - extração do óleo de Arkan

Com população  que ultrapassa 70 mil habitantes, Ouarzazate, capital administrativa da província homônima, tem , nos dois grandes estúdios existentes na cidade, o CLA Studios e o Atlas Studios, ambos localizados na estrada que segue para Marraquexe, e no Museu de Cinema valioso ponto de interesse para seus visitantes.


Pedro no Museu de Cinema

Aqui foram rodados, ainda que parcialmente, filmes como Gladiador,  A Múmia, A Última Tentação de Cristo, O homem que sabia demais. Dias de Glória e Lawrence da Arábia - 1960 em Ait-Ben-Haddou. Algumas séries também se valeram das instigantes paisagens para cenário de Prison Break, Vikings e Jogos de Trono.



                                                              Nas montanhas, as cabras!


Não tivemos tempo de percorrer todo museu de cinema. Em razão das muitas atrações da rota, chegamos tarde e preferimos fazer uma visita panorâmica à cidade, que, já no primeiro contato, agradou-nos muito. Cidade limpa, agradável, bem ordenada, com muita e variada produção de peças lindas de cerâmica e de tapetes com motivos geométricos. Impressiona o Kasba de Taourirt, onde vivia o paxá de Marraquexe - visita muito aconselhada.



                                                                 Museu de Cinema


Ficamos hospedados no Riad Dar Rita. Excelentes instalações, ambiente elegante e agradável, funcionários atentos e gentis,  deliciosos,  tanto o jantar quanto o desjejum. Pertence aos irmãos Rita e João Leitão, portugueses que sabem tudo sobre Marrocos. Com tranquilidade, recomendo-lhes: http://www.darrita.com/hotel-marrocos. No dia seguinte, depois de passearmos um pouco por Ouarzazate, seguimos por Skoura, Boulmane Dades, Gargantas de Todra,  Dunas de erg Chebbi  e chegamos ao acampamento do Saara, onde pernoitamos - esse pernoite será nosso próximo post.




                                                                  Kasbá de Taourirt


" Para ser grande, sé entero: nada
tuyo exageres o excluyas.
Sé todo en cada cosa. Pon cuanto eres
en lo mínimo que hagas.
Así en cada lago la luna toda
brilla, porque alta vive."

Fernando Pessoa

                                                                         Oásis          





quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Sugestão de Roteiro de Viagem 01: Tunísia

Oásis de Montanha na Tunísia

Bem bonita foi uma viagem que fiz - há sete anos, com Ronald  -  pela  Tunísia, país africano, relativamente pequeno, muito fácil de ir pela proximidade dele com a Europa -   1h 30 min de vôo a partir de Roma - e muito interessante pela diversidade histórica, cultural e geográfica.


Sidi Bou Said - próximo a Tunis

Tínhamos contratado  um tour, com motorista e guia, por ser difícil - para motoristas sem experiência no país - de percorrer alguns caminhos, em especial no Saara, onde as estradas, com rapidez,  mudam seu curso, em razão dos ventos nas dunas. Sem ser o motorista, pode-se também, mais comodamente, apreciar a beleza e a variação da paisagem tunisiana.


Cartago

A Tunísia é um pequeno país em extensão, com onze milhões de habitantes, situado entre a Cordilheira do Atlas e o Mar Mediterrâneo. Possui 1300 km de costa e belas praias, frequentadas, principalmente, por europeus. O Saara ocupa 40% de seu solo. A base de sua economia assenta-se na exportação, em escala mundial, de fosfato,  de azeite de oliva e de tâmaras. 



Tapetes tunisianos
Assenta-se , ainda,  no turismo sempre crescente.  Parece-me, no entanto, que o maior tesouro tunisiano é constituído por seu patrimônio histórico, vinculado, entre outros,  a Cartago, que foi declarada Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO, em 1979. correndomundo.blogspot.com.br/search/label/Tunis   


Detalhes de Cartago

Começamos nosso recorrido por Tunis, a cativante capital, bonita com sua antiga medina e sua longa avenida Habib Bourguiba, um político que aprendi a admirar. Bourguiba, laureado em Direito na França, foi Primeiro Ministro, logo depois que a Tunísia se tornou independente da França em 1956. Mais tarde, foi presidente do País, quando  estabeleceu políticas e programas de liberdade, respeito e promoção das mulheres.


Centro de Tunis

Importante para aquele meu Curriculum Religioso, que frequentemente menciono, foi Kairouan, declarada, pela UNESCO, em 1988, como Patrimônio Cultural da Humanidade - e com razão. É a cidade mais antiga da Tunísia , fundada em 670 d.C., e  a cidade muçulmana mais sagrada na África. Oqba Ibn Nafi, fundador da cidade, foi quem a declarou sagrada após "uma inspiração divina que lhe veio através de presságios".


Kairouan - detalhe da Mesquita

Há 43 km ao Sul de Gabes, visitei Matmata. É um vilarejo a 650 metros acima do nível do mar, onde vivem 5 mil berberes em casas trogloditas, e que ficou famoso como cenário do primeiro Guerra nas Estrelas. Distante 15 km dali, está a Nova Matmata que oferece elementares condições de hospedagem e alimentação.



Matmata - casas trogloditas

As casas trogloditas são construídas numa colina de arenito, seguindo o mesmo modelo há quatrocentos anos. Faz-se um buraco arredondado, que será o pátio central da casa – um pátio sem cobertura por onde entrará o sol. Ao redor desse pátio, são escavadas as diferentes partes da casa, como a cozinha e os quartos. Dar-se-á, ali, o controle natural da temperatura , que se manterá constante ao redor de 18 graus – no deserto essa temperatura chega a 50 graus.


Cenário de Guerra nas Estrelas, em Matmata

Chebika, Tamerza e Midès estão entre  os mais famosos oásis de montanha na Tunísia. Os três ficam bastante perto da fronteira com a Argélia e  perto também de Tozeur ( 60 km ). A viagem Tozeur/Chebika , entretanto, parece longa porque as estradas são tipicamente estrada de deserto, inclusive mudando seu traçado, algumas vezes, em função dos ventos. Tamerza é o maior oásis de montanha da Tunísia. Tem um panorama espetacular, que pode ser visto no filme O Paciente Inglês , dirigido por Anthony Minghella.


Oásis de Montanha

Tozeur é uma pequena cidade e interessante cidade próxima do Saara. Surgiu como um oásis de montanha e um ponto de paragem para as caravanas que vinham do subsaara fazer negócios com as cidades da costa do Mediterrâneo. Sua maior riqueza é o palmeiral – visitamos um que tem um milhão de palmeiras. A produção maior é da espécie denominada “ dedos de luz”, uma tâmara muito doce e quase transparente, preferida para exportação. A produção de tâmaras, a produção de fosfato, nas montanhas do Atlas,  e o turismo , principalmente internacional, constituem a base econômica da região.


Mesquita de Tozeur

Situada entre Mahdia e Gabes, na Costa leste , Sfax é a segunda maior cidade da Tunísia. Tem uma Medina impressionante, não só internamente como também externamente , pelo movimento e comércio no seu interior e pela extensão e imponência da muralha que a cerca. A arquitetura é mesclada com  estilos diversos, mas tem prédios interessantes, como o prédio da prefeitura. 



À moda tunisiana, usei proteção para o sol  intenso.

Monastir é uma cidade antiga, fundada pelos fenícios e com um belo passado histórico. Nela, podem-se ver fortalezas, mesquitas, palácios e muitos vestígios das civilizações fenícia e romana. Queria muito conhecê-la por ser a cidade onde nasceu  Habib Bourghiba ( 1903 ) e onde se pode visitar seu impressionante mausoleu.Uma bela visita com certeza. Saindo de Monastir, passamos por Sousse com destino ao Porto El-Kantaoui , o segundo maior porto do País. Kantaoui significa jardim e , de fato, esse porto tem flores, plantas e belezas de um grande jardim. 



Monastir - Mausoleu de Bourghiba



Distante cinco quilômetros do continente e cento e vinte quilômetros da Líbia, Djerba é uma ilha fantástica , situada no Golfo de Gabes. É a maior do Norte da África. Pode-se chegar a ela por barco ou usando Kantara, uma antiga ponte romana, feita para ligar o continente à Ilha. É conhecida por suas praias lindas, seu clima agradável e sua riquíssima história. Celebrada na Odisséia como a Terra dos Comedores de Lótus. Segundo a lenda, Ulisses esteve em Djerba e aqui perdeu parte de sua equipe porque eles, alimentando-se de flor de lótus, oferecida pelos nativos, esqueciam a Pátria Mãe e passavam a desejar viver na ali para sempre. No filme Guerra nas Estrelas, o deserto do planeta Tatooine, ninho de piratas e contrabandistas, teve seu cenário em Djerba - Correndomundo, DJerba



Sinagoga da Ilha  Djerba


A cidade de Sbeitla vive, em grande parte, dos viajantes e turistas que visitam as fantásticas ruínas romano-bizantinas de Sufetula - cujo destino é ser grandiosa em todos os tempos. Perto da moderna cidade de Sbleitla, encontram-se as ruínas dessa cidade romana,que teve grande prestígio, sendo, no seu início , uma cidade independente e tornando-se, depois, colônia romana. Seu início foi nos ultimos anos do século I.


Templos de Sufetula, cidade romana.


O grande interesse dos romanos por Sufetula tinha a ver com a excelente localização para o cultivo de oliveiras. Foi construída com pedras de coloração dourada - que ficam brilhantes ao sol! Depois dos romanos , vieram os bizantinos e, no século VII,  foi tomada pelos árabes.correndomundo.blogspot.com.br/2010/12/sbeitla.html




Detalhes da Mesquita de Kairouan 

El - Djem impressiona  como anfiteatro que está muito bem conservado, já que foi construído entre 230 e 238. Pareceu-me mais bem conservado que o Coliseu de Roma. As tomadas externas do filme O Gladiador foram feitas nele. Com capacidade 35 mil pessoas, era o lugar onde os governantes recebiam seus convidados,especialmente os integrantes das caravanas que cruzavam o deserto para fazer negócios com outros países da região. A fera vinha em jaula, por um sistema de roldanas,  até o palco onde era solta na presença do gladiador que a enfrentava. Há uma pequena porta por onde eram retirados os mortos.



Anfiteatro de El - DJem

Tunísia tem bons hoteis, bons restaurantes e outros lugares que justificam uma visita, como as cidades de Hammamet e Sousse; Douz, onde se pode contratar um passeio de camelo pelas dunas; o deserto de sal, Chott el Jerid, em que se pode assistir ao fenômeno das miragens.


Douz

Para compras, a Tunísia é um país de muitas tentações. Há tapetes lindos, especialmente em Kairouan; há belíssimas reproduções de paineis de mosaico e há cerâmicas  e joias  lindas na Ilha DJerba. Minha compra maior - e mais deliciosa - foram, entretanto,  pacotes e pacotes de tâmaras dedos de luz. Realmente, esta é uma interessante sugestão de roteiro. Boas Viagens!


Fronteiras

"A ideia de viajar seduz-me por translação, como se fosse a ideia própria para seduzir alguém que eu não fosse. Toda a vasta visibilidade do mundo me percorre, num movimento de tédio colorido, a imaginação acordada; esboço um desejo como quem já não quer fazer gestos, e o cansaço antecipado das paisagens possíveis aflige-me, como um vento torpe, a flor do coração que estagnou.
E como as viagens as leituras, e como as leituras tudo... Sonho uma vida erudita, entre o convívio mudo dos antigos e dos modernos, renovando as emoções pelas emoções alheias, enchendo-me de pensamentos contraditórios na contradição dos meditadores e dos que quase pensaram que são a maioria dos que escreveram. Mas só a ideia de ler se me desvanece se tomo de cima da mesa um livro qualquer, o facto físico de ter que ler anula-me a leitura... Do mesmo modo se me estiola a ideia de viajar se acaso me aproximo de onde possa haver embarque. E regresso às duas coisas nulas em que estou certo, de nulo também que sou — a minha vida quotidiana de transeunte incógnito, e aos meus sonhos como insónias de acordado. E como as leituras tudo... Desde que qualquer coisa se possa sonhar como interrompendo deveras o decurso mudo dos meus dias, ergo olhos de protesto pesado para a sílfide que me é própria, aquela coitada que seria talvez sereia se tivesse aprendido a cantar."

Fernando Pessoa


Tradicionais " flores"


sábado, junho 20, 2015

Marrakech : Tradição e Modernidade

Na Medina de Marrakech

Li - e achei curioso - que o nome Marrakech significa, na língua berbere,  Marra Kech! que quer dizer Anda Depressa. A origem do nome seria anterior à fundação da cidade. O local era, então, habitado por bandidos muito perigosos, que costumavam roubar os cavalos dos viajantes que por ali passavam. Para conseguir escapar dos ladrões , gritavam Marra Kech! Marra Kech! Com esse nome, mais tarde, a nova cidade foi batizada.


Produção tradicional de Óleo  de Arkan

Reconhecendo o potencial estratégico do lugar, já que muitas caravanas do deserto o atravessavam, um líder berebere  - Yusuf ibn Tasfin - construiu, em 1062,  muralhas ao redor do   acampamento   e canalizações subterrâneas. Foi também ele que começou a utilizar,  no local , a típica arquitetura de adobe de cor levemente rosada. Desenvolveu-se até que a cidade , outra vez,  foi invadida e parcialmente destruída. 


Medina

Foi recuperada , tempos depois,  por Yacub Al-Mansur, que construiu mercados cobertos, magníficos jardins e uma Porta Triunfal -  e ainda reconstruiu a Mesquita. Com o passar do tempo, entretanto, as atenções reais voltaram-se para Meknés e Fez e só retornaram a Marrakech no século XVI, ao estabelecerem nela um importante ponto comercial na rota de venda de açúcar. Em 1558, foi criado um Mellah, bairro judeu protegido, que muito contribuiu com a cidade.



À espera ...

Por muitos anos, houve idas-e-vindas históricas importantes para /em Marrakech,incluindo a triste retirada de tesouros daqui para levar a outras cidades. Em 1912, o Protetorado francês outorgou ao pachá Glaui poder sobre o sul de Marrocos, enquanto os colonizadores franceses e espanhois construíam a Ville Nouvelle, ampliando,assim, a cidade e melhorando as condições de vida da população.


Detalhes do interior da Medina


Depois da Independência de Marrocos, a cidade ficou sem um projeto definido. Houve, a seguir, um ressurgimento inesperado e sem precedentes: Hippies  impulsionaram a cidade, fazendo dela um mito, durante as décadas de 1960 e 1970. Foram relevantes, nesses anos, as visitas dos Rolling Stones, dos Beatles e de Led Zeppelin. Na década de 90, mansões particulares transformaram-se em B&B e começaram também os voos low cost, em finais de semana, para Marrakech. A situação se manteve boa até 2008, quando a crise mundial atingiu os mercados europeus, responsáveis por 80% dos visitantes.


Artesanato tradicional: luminárias


Em abril de 2011, um militante islamista colocou duas bombas num café, na praça El Fnna, que mataram 17 pessoas. A cidade foi muito prejudicada: turistas cancelaram suas reservas e investidores cancelaram negócios. Em 2013, começou um retorno gradual do turismo e dos investimentos. Para 2016, está prevista a inauguração do maior museu de arte contemporânea da África, aqui em Marrakech. Aposta-se na divulgação da cidade e no consequente aumento do turismo e do crescimento da economia.



Artesanato típico

O artesanato desta região é cuidadosamente feito e de muito boa qualidade. Misturam-se, algumas vezes, elementos inovadores com elementos tradicionais. Surgem galerias de arte que mostram e vendem trabalhos originais, que vão muito além de antigas figuras, como as mulheres de harém. Procurei endereços de galerias novas; faltou-me, porém, tempo para percorrê-las. Informaram-me que a Galeria Rê ( www.galeriere.com) e a Matisse Art Gallery ( www.matisseartegallery.com) têm um acervo bem interessante.


Google + mudou minha foto para P&B.Gostei

Em relação a compras, é um lugar bastante tentador. Gostaria de ter visitado a Assouss Cooperative d`Argane,  a Cooperative Artisanale des Femmes de Marrakech e a L´Art du Bain Savonnerie Artisanale. Mencionando cooperativas,  lembrei-me de ter visto um grande forno comunitário onde as pessoas preparam  o pão e levam ali para assar - parece que a cultura associativista é bem desenvolvida no País.


Interior da Medina


A Medina de Marrakech é a maior do Norte da África. Alberga hoje mais de 250 mil pessoas. As ruas, assim como em Fez, são também um labirinto, embora sejam mais largas e com a luz do sol mais presente. Está dividida em zonas ( ou bairros ) tal como funcionavam as cidades da Idade Média. Em cada zona, há Souks ( mercados) onde predomina a comercialização de um tipo de produtos. No concorrido Souk Smarine ,por exemplo, os tecidos constituem o produto principal à venda.


Ruelas da Medina

Há outros Souks bem  interessantes. O Larzal é o mercado de lãs; o Btana comercializa as peles, principalmente as peles de ovelha de cheiro muito desagradável. Mas eu gostei mesmo foi dos boticários, profissão muito antiga e variada no oriente. Todas as Boticas oferecem cosméticos tradicionais para serem usados nos lábios e nos olhos. A henna , muito procurada, é o único cosmético que as mulheres solteiras podem usar. O óleo de Arkan é a estrela da temporada - faz sucesso entre os estrangeiros.Vendem-se também componentes necessários para os feiticeiros, curandeiros ou magos, indivíduos bem respeitados, já que a magia é parte do cotidiano do país.



Praça de D´jemmaa El Fnna

D`jemma El Fnna, significa Praça dos Mortos. É  assim chamada porque nela, antigamente, eram executados os condenados à morte. Tornou-se um dos lugares mais festivos e movimentados da cidade, que consegue reunir tradição e modernidade - a parte antiga da cidade com a parte nova. No final da tarde, é ponto de encontro entre moradores, turistas e viajantes.É movimentada até a meia-noite.


Feira na Praça D´Jemma El Fnna









Há um grande café e restaurante, onde se pode ficar de frente para a Praça D´Jemma El Fnna e apreciar a diversidade de eventos que  diariamente são oferecidos. As pessoas, por exemplo, formam círculos ao redor de equilibristas e saltibancos, encantadores de serpentes, músicos, contadores de histórias, mágicos, e  lutadores de box. Os vendedores de água são figuras tradicionais também. Todos eles mostram suas habilidades em troca de moedas que esperam receber após o espetáculo ou a fotografia em que apareceram.





Os jardins, que sempre tiveram muita importância na cultura árabe, são locais de reflexão, repouso e tranquilidade.Desta vez, não visitei a nenhum deles. Costumam ter , no seu centro, um pequeno lago ou tanque, como reservatório de água para as plantas. O mais famoso é o da Menara, que tem a extensão de 88 hectares com 88 mil oliveiras, que foram inicialmente plantadas no século XII. O Olival da Menara era reservado para o sultão. Atualmente é um jardim aberto ao público.






Encontrei essas fotos antigas , em Marrocos, que muito bem mostram a minha antiguidade...São do tempo em que eu conseguia carregar, no ombro, em viagens, uma bolsa grande assim. A primeira foto é no majestoso e requintado Palácio da Baía. Desta vez, entretanto, no dia em que o grupo foi conhecê-lo, eu fiz um programa solo, caminhando pela Cidade Nova e vendo suas alterações. Gostei das cafeterias - cafeterias mesmo, onde não se oferece apenas chá de menta ( hortelã ).


Duda, minha amiga,  e eu na represa, a caminho de Marrakech.

Passados quase 20 anos da primeira vez que fui a Marrocos, senti - e vi - que ocorreram algumas mudanças no País. Não estou fazendo juízo de valor, nem consigo opinar sobre países onde não vivo cotidianamente. As mudanças mais simples e aparentes  para mim, no entanto, referem-se às mulheres, frequentando cafeterias, bares e restaurantes - algo que era inadimissível; mulheres dirigindo carros e motos; casais passeando lado-a-lado; além de flexibilização das leis de modo a dar condições e oportunidades a todos. As estradas estão bem cuidadas, há muitos hoteis e restaurantes considerados bons. Marrakech é uma interessante cidade - mas  eu continuo preferindo Fez.



Represa que abastece grande área de Marrocos


Viajei a Marrocos com a parte terrestre comprada na KTOUR, em Santa Maria. Comprei o pacote, que incluía as viagens internas, numa van com motorista e guia turístico: um senhor marroquino, bastante competente, fluente em português, inglês e italiano - as três línguas faladas no grupo, que era composto por 11 pessoas de três nacionalidades. Incluía, ainda, 8 diárias de hoteis 4 ou 5 estrelas e duas refeições por dia - mais os ingressos para todas as visitas e um jantar de encerramento com espetáculo folclórico. Excelente  custo-benefício. A parte aérea fiz pela Ibéria, desde Madrid, em 1h20min de viagem. Considerei boa a exceção de ter viajado com grupo desta vez, já que não costumo viajar empacotada. Gostei. Recomendo.



Feira  à margem da estrada

"O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta...

Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer coisa no sol de modo a ele ficar mais belo..."

Fernando Pessoa

Vista do Médio Atlas a caminho de Marrakech