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terça-feira, setembro 11, 2018

Lago di Garda: como... por quê...

                                                   

                                                                        Comidas do lago

Estive, no Lago di Garda, seis vezes, uma vez cheguei de carro e cinco vezes, de trem. De carro é interessante porque se faz um recorrido bonito e diferente,  incluindo belos  passeios por montanhas. É bem diversa a paisagem  de que se faz pelo interior do lago, indo de barco, embora os cenários também sejam belíssimos.



                                                 Parco Giardino Sigurtà - Tulipas em março


De trem, gastando ao redor de 1h30min, já cheguei  ao Lago  vindo desde Milano - porque desembarcara do Brasil, no Aeroporto de Malpensa, e viera de ônibus até a Estação Central de trens. Outra vez cheguei desde Veneza Mestre, em viagem de pouco mais de uma hora. De Verona, fui outras vezes, gastando  menos de 30 minutos. 



Milano

De trem, uma boa escolha é descer em Desenzano di Garda e daí alcançar a cidade que se escolheu para permanecer e para onde se pode ir de barco, ônibus ou táxi. De táxi, lembro de haver pago 30 euros até Sirmione, minha cidade escolhida para permanecer.



                                                                     Giardino Sigurtà


Há passeios fantásticos na região que favorecem interesses diversos, como práticas esportivas, águas termais, sítios históricos e compras.  Se for na primavera, é imperdivel uma visita ao Parco Giardino Sigurtá, no Valeggio Sul Mincio, na Província de Verona, onde serão recebidos por  um milhão de tulipas, num cenário de sonhos, com a diversificação de outras flores.


                                                                Tulipas em Sigurtà


Se tiverem tempo, usando o funicular, visitem o Monte Baldo ( 2228 metros de altura ), localizado em Malcesine - de onde poderão ver paisagens espetaculares; se gostarem de História, não deixem de ir a Saló,  famosa por ter sido a capital da República Social Italiana de Mussolini, durante um ano e meio, quando a Segunda Guerra Mundial se aproximava do fim. Se o interesse maior forem os esportes aquáticos, reserve tempo para Riva del Garda.



                                                                       Verona em dezembro 


Fora da alta temporada, entenda-se verão, o preço dos hoteis, que são muitos e, no geral de boa qualidade, não se diferencia do praticado nos municípios a que o lago pertence: Verona, Trento e Brescia. Se for para turistar mesmo, procure as hospedagens próximas dos portos para, facilmente, pegar um barco e ir a muitos outros lugares. Recomendação básica: reserve hotel antecipadamente.


                                                                      Chegada em Gardone


Há bons e charmosos restaurantes, com excelente gastronomia italiana  - e muito vinho, é óbvio - localizados na beira do Lago, em todas as cidades. Aconselhável experimentar os sorvetes locais...divinos. E não esqueça de experimentar também o limoncello local.


                                                                       Orvieto


Quando planejo uma viagem para a Itália, minha tendência é incluir  Lago di Garda, ao menos seis cidades da Costa Amalfitana,  Cinque Terre, Napoli e seus arredores, Orvieto,  Tarquinia - joia etrusca - Siena, San Giminiano e Volterra e....tantas outras. Não sei se retornarei a elas. Importa, entretanto, que as visitei tantas vezes que as tenho bastante nítidas na minha memória. Por favor, não deixem viagens para um indefinido depois... 

                                                                          Sigurtà
  "Se eu sentir sono
E quiser dormir,
Naquele abandono
Que é o não sentir,

Quero que aconteça
Quando eu estiver
Pousando a cabeça,
Não num chão qualquer,

Mas onde sob ramos
Uma árvore faz
A sombra em que bebamos
A sombra da paz."
Fernando Pessoa
                                                           Vesúvio - Napoli

segunda-feira, maio 29, 2017

Bella Sicilia! Introdução


Monreale

De Madrid para Sicilia, viajei pela Ryanair, empresa área que tem sido para mim uma roubada na hora do embarque. Atendimento péssimo, com gente grosseira, sem educação e sem treinamento para o trabalho que realiza. O vôo, com duração de três horas, foi bom, ou melhor, tão bom quanto um low cost consegue ser. Estávamos, porém, chegando na Sicilia, onde eu não vinha desde 2008. Estar nesta ilha compensa qualquer dissabor da viagem.


Palermo

Trajeto demorado do aeroporto de Punta Raisi ao centro. Chegamos, minha amiga Isolda e eu, em Palermo no dia em que fazia 25 anos do assassinato do juiz Falcone. Na cidade, trânsito pesado, muitos policiais na rua. Havia sido assassinado um homem, que andava de bicicleta e que ( segundo li em jormais do dia seguinte) era bem conhecido na Sicilia. O assassinato aconteceu em pleno centro da cidade, no meio da tarde. Por sorte, o taxista que nos conduzia, foi bastante hábil em se afastar rapidamente do local onde o crime ocorrera.


Cefalú

Estaremos, na Sicilia, durante 16 dias: metade em Palermo; metade em Catânia. Temos um roteiro bastante denso, que inclui Palermo, Monreale, Bagheria, Cefalú, Trapani, Erice, Agrigento, Catânia, Taormina, Piazza Armerina, Noto, Messina, Ragusa, Siracusa e Enna.  Viajando de trem ou de ônibus, conhecendo ou revendo cidades fantásticas, Estamos todos bem, como diz o título do filme de Giuseppe Tornatore, famoso diretor de cinema, nascido em Bagheria,  cidade em que já estivemos.


Bagheria

Parece-me que vou conseguir escrever diariamente no Correndomundo. Às vezes o sono é mais forte ... e durmo sem postar nada. Mas vou tentar ser pontual. Assim sendo, poderão - familiares e amigos - serem nossos acompanhantes nesta viagens, como aconteceu em outras. A temperatura é perfeita, entre 18 e 24 graus. As frutas, deliciosas. A comida...merece um capítulo só para ela.


De Trapani para Erice
Sicília é a ilha mais importante do Mediterrâneo, muito povoada - mais de 5 milhões de habitantes - e com grande extensão. Está numa encruzilhada, parte da Europa e parte da África. Tem uma superfície de 25.460 km, que se amplia com os arquipélagos vizinhos, incluindo Lampedusa, tão conhecida nossa por tristes acontecimentos ( http://migramundo.com/lampedusa-a-porta-da-europa/ ) 


Trapani

A pergunta recorrente é sobre custos de permanência e tempo necessário para ver ao menos uma parte da ilha. Sicília não é um lugar de custo alto. Há hoteis e restaurantes variados para analisar e escolher. Os preços, a meu ver, rivalizam com cidades médias do continente. O transporte é bem acessível, tanto em trem quanto em ônibus. O tempo necessário para visitá-la depende da disponibilidade, da ansiedade e do desejo de cada. Já estive 20 dias aqui e saí frustrada pelo muito que eu deixara de ver. Ficarei 16 dias nesta viagem e novamente faltará tempo para ir às ilhas. A sugestão é a mesma de sempre: informem-se muito antes de estabelecer um roteiro. Detalharei cada cidade em posts separados.


Erice
"Outrora eu era daqui, e hoje regresso estrangeiro,
Forasteiro do que vejo e ouço, velho de mim.
Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei.
Eu reinei no que nunca fui..."


Fernando Pessoa 



Palermo

quarta-feira, março 08, 2017

Oito de Março de 2017

Cavalinhos de Tarquínia



"O que me doi não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão....


Taormina - Sicilia

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.



Padova

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma, 
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma."

Fernando Pessoa



Verona

quinta-feira, julho 03, 2008

Parque Nacional do Vesúvio : Napoli





















Gynestra é uma planta tipicamente mediterrânea que floresce neste período. Tem um perfume doce e forte que parece impregnar tudo, até a nossa roupa. Ao longo da estrada e cobrindo as montanhas, ela interrompe o verde escuro de outras plantas e produz focos de amarelo-amarelíssimo, como pinceladas ao acaso , mas em profusão. Foi o que vi ontem, ao subir a montanha do Parque Nacional do Vesúvio, num dos passeios mais bonitos que já fiz. Inesquecível mesmo.

quarta-feira, junho 25, 2008

Novos amigos

Organizo-me para sair de Napoli e ir para a Índia.
Foi uma experiência muito interessante “morar “aqui por um mês.
Conheci muitas pessoas, duas especialmente muito interessantes: uma senhora, proprietária de uma loja de alimentos e um mendigo , que está sempre na via pedonale. A senhora, desde o dia em que cheguei, tornou-se minha amiga, ensinando o que eu devia comprar, o que devia cozinhar e preocupando-se que eu estivesse bem aqui. Quando fui me despedir, presenteou-me com seis copos de vidro , bem bonitos, e um prato para usar no microondas – transferi o presente para meus amigos napolitanos. O mendigo, um senhor paralítico que me parece do leste, tem olhos muito vivos e expressão de profunda bondade e doçura . Quase sempre lhe dou uma moeda e, mesmo quando não o faço, acena-me e me atira beijos. Sorri como a mais feliz das criaturas. Comovente. Um dia me fez chorar porque lembrei de uma história escrita por Patati sobre uma moradora de rua, que ele conheceu em Cruz Alta.
Gosto muito de meus amigos napolitanos, um casal com dois filhos adultos. São atenciosos, afetivos , inteligentes e bem informados. Ajudam-me a decidir o que fazer e como fazer. Acompanham-me pessoalmente ou por telefone. São a minha família aqui.
Aproveitei o tempo aqui no Sul da Itália para , além de passear muito, ler bons livros. Alguns livros , que eu lera em português, voltei a ler em italiano. Hoje estou lendo Fernando Pessoa, Il libro dell’inquietudine, numa tradução italiana muito bem feita.
Continuo com minha decisão inicial: esta é uma viagem para ver pessoas. E está sendo bonita e comovente.

terça-feira, junho 10, 2008

Napoli II























Um belo final de semana. Lídia chegou sexta e partiu domingo, no final da tarde. De Napoli a Roma e vice-versa, vai-se em menos de duas horas. Encanta-me estar com Lídia. É inteligente, lúcida, sensível e divertida. Ajudou-me a organizar a casa e a entender expressões napolitanas. Traçamos a cidade.























Sábado, fizemos muitos programas típicos de turista : Galleria Umberto I, Piazza Município, Maschio Angioino ( castelo), Piazza del Gesù, Piazza Dante, Museo Archeologico, Capo Posillipo, Castel dell’Ovo, Piazza Vittoria e muitos outros lugares – todos lindos. Fomos ao Museo e Bosco di Capodimonte – belíssimo. Percorremos, detalhadamente, o “coração”do Centro Histórico. Fizemos uma longa caminhada pela Via Toledo, tão característica de Napoli. Jantamos numa pizzaria muito tradicional – uma delícia a pizza frita e a pizza margherita! Não conto calorias aqui. Encontro-me felizmente longe dessa neurótica influência da cultura americana . Como sem preocupação – e nem por isso engordo. A Itália realmente não tem uma população de gordo. A comida é sadia e de aprimorada qualidade.























No domingo, passeamos por Volmero e fomos à Villa Floridiana, distante três quadras “de casa”. A Villa, que Ferdinando IV mandou construir e deu a sua esposa , a Duquesa di Floridia, tem um parque imenso e bonito, de onde se pode ter uma vista panorâmica estupenda de Napoli. Comprada pelo Estado, em 1919, mantém a estrutura original tanto do Palácio quanto do Parque. No Palácio, está hoje o Museu Nacional da Cerâmica e da Porcelana, com peças da Europa e do Oriente e peças belíssimas da cerâmica de Capodimonte.
























Para descer da Colina de Vomero, que é a mais vizinha tanto do mar quanto do Centro Histórico, usamos o funicular, que eu amo de paixão. Hoje, segunda-feira, estou um pouco nostálgica: saudade de família. Apesar disso, logo vou sair e andar por esta cidade , que, para mim, é a mais bonita do mundo – se bem que eu já disse a mesma coisa de Praga, Barcelona, Budapest, Cracóvia, Salvador, Istambul... 

domingo, junho 01, 2008

Sicilia - Taormina




















Parece mesmo que eu deveria sair da Sicília encantada. Vi lugares lindos durante as duas semanas em que “ tracei “ a Ilha. A última cidade que visitei antes de partir foi realmente para ter vontade de voltar.

























Taormina é fantástica. Um presepinho antigo. Fundada por gregos, provenientes da vizinha Naxos, em 358 a.C. , localizada no alto de uma montanha, por onde se vai através de uma estrada tortuosa e belíssima, Taormina é um desses lugares “onde Deus passa as férias”. Dela se vê a Baía de Schisó, com o vulcão Etna ao fundo. Linda. 
























Há tanto o que se ver nessa cidade que nem sinto vontade de escrever. Queria mesmo era poder mostrar todas as fotos que fiz ou, melhor ainda, trazer aqui todas as pessoas que eu amo e todas as pessoas que eu conheço e que se emocionam com coisas bonitas..

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Recordando 2006...


Gugu e eu em Viena

Vivi bem o ano de 2006 - o primeiro semestre, na Bahia, quando iniciei este blog. O segundo semestre - todo ele - andarilhando...Pedi demissão do trabalho e deixei a Bahia no início de julho, antes do meu aniversário e depois da partida do Gugu. Permaneci na Bela União durante um mês. Plantei ali centenas de novas árvores. Quando viajei, havia muitas flores e frutas. Lindo mesmo!




Zeli, Ary e eu

Logo depois, Zeli, minha irmã, o marido dela e eu viajamos - via VARIG -  para Frankfurt, onde encontramos Gugu, meu filho, que estava morando na Alemanha. Com Gugu, estivemos em Frankfurt, Heidelberg, Ulm, Füssen, Salzburg e Wien. Eu me movi muito bem  na Alemanha, como já o fiz em tantas outras vezes, apesar de não falar a língua alemã. Gostei dessas cidades . Eu tenho o maior carinho pelos "tedescos". Ao contrário do que algumas pessoas dizem,  considero-os um povo muito gentil e educado ( ou dei sorte sempre ) . O Castelo de Heidelberg vale a visita. Imponente e belíssimo.Ulm, às margens do Danúbio, tem uma catedral com uma torre imponente, imensa! O Castelo de Füssen inspirou Walt Disney para a criação do Castelo da Branca de Neve. É bonito mesmo.



Na bela Áustria
Após o passeio pela Alemanha, entramos na Áustria. Em Salzburg , muitas comemorações relativas aos 250 anos de Mozart. Cada  uma dessas cidades, com suas particularidades e seus encantos; em comum, a beleza e o esmerado cuidado com elas. Escrevi num e-mail:
"Neste período, em todo o percurso que faço, fico encantada com os bosques coloridos de outono , entremeados do verde escuro dos ciprestes e com folhas que vão do amarelo claro ao verde escuro. Desisti, faz muito, de fotografar ... as fotografias não conseguem dar conta de tanta beleza". 


Gusti Kalafus e eu em Praga

Ainda na Áustria, em Viena, levei Gugu ao aeroporto, de onde ele partiu para morar um tempo na Índia. Choramos muito ele e eu. Foi muito doloroso para mim vê-lo partir. De Wien, fomos para Bratislava de trem. Lá meu amigo Gusti nos esperava. Passeamos pela cidade e visitamos o Castelo de Bratislava, à margem do Rio Danúbio. No jantar, comemos halusky - prato típico da Slovakia - num pub muito interessante. Acredito que a Slovakia será um boom do turismo internacional muito em breve. Tem um povo muito educado e gentil, montanhas , bosques, lagos, rios belíssimos. Kosice é a segunda maior cidade do país. A primeira é a capital, Bratislava.


Praga

No dia seguinte, fomos para Praga, cidade que eu amo de paixão, e onde ficamos durante quatro dias.Alugamos um apartamento grande. Ali foi possível lavar roupa, fazer comidinhas e fazer de conta que se morava ali. Depois, Gusti retornou para Kosice, e nós fomos, via Munique, que realizava, naquela semana, sua Ocktoberfest, para Innsbruck, passando também por Seefeldt - um encanto de cidade, onde já estive uma outra vez. Innsbruck é o segundo destino mais visitado da Áustria. É uma cidade-jardim. Linda!


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Dee Innsbruck, fomos para Trento. É sempre uma alegria entrar na Itália. É quase como chegar em casa. Impressiona sempre a imponência da Catedral de Trento, histórica também pelo Concílio aí realizado. Depois de  Trento, fomos a Verona, cidade que eu conheço muito bem e que costumo mostrá-la com paixão. Depois de visitar os principais pontos históricos, fizemos uma longa caminhada - da Ponte Romana ao Castelo Vecchio, pela margem do Rio Adige. Gosto muito desse rio e de fazer esse passeio. Terminado o passeio por Verona, fomos para Veneza - dois dias passeando naquela emocionante cidade.Antes disso , visitamos Padova, uma cidade onde se tem muito o que ver.


No Navio  " Costa Mediterrânea "

Da bela Veneza, num deslumbrante cenário, partimos , no navio "Costa Mediterrânea", para um cruzeiro de oito dias, que nos levou a Olimpia( Grécia) , Ismir, Êfeso e Istambul (Turkia) e Dubrovnik ( Croácia). Os navios da Costa são realmente estupendos - um hotel cinco estrelas, com dez andares e tudo que se possa imaginar de lindo e bom. A chegada em Istambul, ao amanhecer, ainda iluminada e com a silhueta das muitas torres de suas mesquitas, é espetáculo grandioso.Imagens para reter!



Zeli e eu em Olímpia, Grécia

Foi linda também  a passagem pelo Estreito de Dardanelli, que separa a Ásia da Europa - parecia-me que aquele enorme navio passava por uma avenida com muitas luzes de ambos os lados. Para minha família, eu escrevi: "Amei Istambul, onde vi o trânsito que me fez considerar Roma e Napoli uma calmaria e onde vi, em ação, numa esquina do GRAN BAZAR, a bolsa paralela, que movimenta altissimas somas e onde se fazem grandes negócios".  Tive a sorte de encontrar, em Istambul, Ângelo, um querido amigo italiano, que facilitou bastante minha estada na Turkia e me fez conhecer melhor aquela cidade. Meus amigos são uma bênçao na minha vida. Graças a eles , aprendi muito e tive a oportunidade de conhecer e conviver com outras culturas e outras pessoas que acrescentaram muito na minha história de vida.



No navio ....

Em Istambul, fizemos alguns passeio  e fomos ao Gran Bazar, onde comprei comprei echarpes lindas, muito coloridas -  presentes para pessoas de quem gosto muito. Neneca, Odete, Claudinha, Diva, Alda, Fabiana, Rosana, Dalvinha, Lídia. Depois da Turquia, atracamos na Marina de Dubrovink , na Croácia. No final do Cruzeiro, voltamos para Veneza e, de imediato, fomos para Firenze, outra cidade de que gosto tanto. Ficamos ali dois dias e faltou tempo para ver algumas coisas.



Em Kavala, Grécia, com minha amiga Gisela

De Firenze, fomos para Arezzo, cenário do filme "A Vida é Bela". Os dias seguintes foram para visitar Roma. De Roma, partimos para Milano e Frankfurt. De lá, Zeli e Ary retornaram ao Brasil, e eu fiquei em prantos no aeroporto.Tivera com eles uma maravilhosa convivência de mais de um mês. Sabia da saudade que eu iria sentir deles. Dormi em Frankfurt e, no dia seguinte, bem cedo, fui para Nuremberg - linda cidade! Fiquei algumas horas ali e segui, em outro trem, para Kosice, via Praga. "Agora estou na Slovakia, em Kosice, onde me sinto em casa. Estudo slovaco, que me será importante para a compreensão de outras línguas eslavas. Hoje ri muito de uma semalhança lingüística: jaqueta ,no slovaco desta região, é BUNDA. Não se escreve assim, mas se pronuncia exatamente assim. Uma amiga me recomendava que eu nao saísse sem bunda, porque eu estava resfriada. Disse- lhe que a levava sempre comigo até no verão. Rimos muito depois que expliquei o sentido da minha resposta".


Em Nouassa , cidade do norte da Grécia

Reencontrei minhas roupas de inverno e meus espaços preferidos em Kosice.Reencontrei meus amigos e, como sempre , senti -me em paz . Para minha família, eu escrevi : "Estou bem, enfrentando com naturalidade o frio e a neve. Lembro-me que, no ano passado, ocorreu a primeira nevada aqui no dia 15 de novembro. Neste ano, antecipou-se para o dia 3". Presenciei, em Kosice, um fato interessante. Fui a um casamento ali. Quando os noivos entraram no salão, muitas pessoas jogaram , na frente deles, pratos brancos de porcelana que, naturalmente, espatifaram- se. Imediatamente o noivo recebeu uma vassoura, e a noiva, uma pazinha. Ele passou a varrer, e ela, com a pazinha, a juntar os pedaços.Terminada essa " tarefa conjunta" , abraçaram-se, aplaudidos pelos convidados e familiares. Trata-se de um ritual para trazer " boa sorte" e evidenciar a solidariedade e o companheirismo na solução de problemas. Na hora, pensei que muitos relacionamentos poderiam ser salvos com esse exercício cotidiano de " juntar os cacos". 


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Escrevi também: "Nesta semana, aconteceu-me um fato curioso: fui almoçar e vi, pela primeira vez, um prato de bacalhau desfiado com batatas.Oba! Imediatamente pedi : "Zemiaky" ( batata) e "toto" ( isto... apontando, já que nao sabia o nome).Recebi o prato e fui direto a uma mesa me deliciando por antecipação.Era batata sim...mas o que eu pensava ser bacalhau , era repolho picado, cozido e temperado com muito vinagre. Sai em dúvida se preciso usar óculos ou se estou tendo " alucinações alimentares" de tanto comer batata e repolho".  Depois de 15 dias em Kosice, já tendo descansado até ficar entediada, resolvi fazer uma viagem pelas "proximidades".


Escultura em Salzburg

Fui à Slovênia e à Croácia. Gostei de Ljubljana...mas é uma cidade que a gente não precisa ir duas vezes. Pareceu-me pequena e sem grandes encantos...portanto, um problema resolvido...Não preciso ir lá novamente. Já Zagreb é uma bela cidade. E é muito interessante ver como aquele povo se reconstrói após a recente guerra. Um casal croata - falante de italiano - conversa comigo e me conta da guerra.Dizem que muitas pessoas ainda têm pesadelos de que suas casas estão sendo bombardeadas. Os croatas terminam sempre dizendo " mas sobrevivemos e precisamos agora reconstruir nosso país". No centro de Zagreb, senti-me uma "tonta"...Por que eu não trouxera uma máquina fotográfica? Vi uma arquitetura muito bonita, mas os imensos canteiros de amor-perfeito, nos diversos tons de azul e violeta, tornaram-se inesquecíveis. Visitei também a Feira Anual de Vinhos da Croácia - e me lembrei muito do Daudt e da Maria. Zagreb é ainda mais interessante que Dubrovnik( embora eu goste dessa cidade). Os croatas com quem entrei em contato,foram muito educados e gentis. Apesar das construções e reconstruções pós - guerra, essas cidades estão limpas e bem cuidadas.


Na Turkia

uando fui à Slovênia e à Croácia, aproveitar para conhecer Udine e Trieste, cidades italianas que eu ainda não conhecia.Udine é uma "gracinha".Visitei ali um mercado na praça principal.Havia flores,frutas, roupas, antigüidades e quinquilharias em geral.Uma senhora me ofereceu salame para experimentar.Comi, elogiei e conversei com ela.Convidou-me ,então, com um copo de vinho, salame, queijo e pão. Contou-me de sua vida no campo.Contei-lhe que também eu era uma campesina. Saí do mercado almoçada e tonta. De Udine, fui para Trieste.Cidade grande,bonita, de hotéis caros! Com um mapa, saí a conhecer a cidade.Caminhei vários quilômetros inclusive pela "lungomare". Vi muitos navios de cruzeiro, uns passando, outros chegando.Vi uma igreja ortodoxa com ícones belíssimos.Encantei-me com a vida ao redor do Canale Ponterosso, que me lembrou Veneza. Para jantar, o recepcionista do Hotel me indicou a Osteria Can&gato. Divina! Bebi 1/4 de litro de vinho tinto ( custou menos que uma coca-cola) e comi uma pasta com funghi - meu prato referido. Festejei o fato de ter onde dormir e de estar sã , salva e lúcida - já faz alguns anos que é esse o principal motivo meu para festejar sempre.





Trieste

Um susto grande em Trieste ( foto ao lado) : fui organizar minha mochila para sair cedo no dia seguinte e não encontrei meu passaporte.Susto!Concluí que o havia esquecido na recepção do hotel.Desci rápido.Estava lá! uuffa...Os italianos são mesmo muito engraçados: um senhor falou comigo e eu parei - pensei que era um turista pedindo informações.Ele só queria me dizer que eu não usasse tênis; usasse sapato de salto alto, que eu era muito bonita para me vestir como um ragazzo. Agradeci e saí rindo sozinha pela rua. De Trieste, via Falcone, fui para Ljubljana. Na Villa Opicina (Slovenia border) , mais um carimbo no meu passaporte e , em menos de três horas, cheguei a capital da Slovênia, que é bonitinha ( mas não é nenhuma Brastemp) e tem 300 000 habitantes. A língua é semelhante ao slovaco.Assim pude ser gentil usando todas as palavras de cortesia na língua deles. Já vi Ljubljana. Problema resolvido.Não preciso voltar aqui. De quebra, descobri como ir a Belgrado: com o mesmo trem que vou a Zagreb, vai-se até lá.


Gisela e eu , representando duas bruxas!

Para minha família também, eu escrevi:
"Depois de amanhã, irei para o Norte da Grécia.Ficarei lá uma semana. Assim não vou assistir ao baile que ocorre aos domingos, das 15h `as 22h, no salão do prédio onde estou. Esse baile é para a terceira idade ( `as vezes me parece quarta ou quinta!) Um encanto de ver. Os homens de terno e gravata; as mulheres, com muitos brilhos e jóias. E dançam.E como dançam bem.A etiqueta se assemelha aos bailes do tempo da minha virgindade.Os homens, após troca de olhares, num ritual de sedução ( Zeli, nada a ver com dança de acasalamento!), levantam e convidam as mulheres para dançar. Como diz o Luisinho Behares " perdem os cabelos, mas nao perdem os cacoetes". É um belo acontecimento em Kosice. Lindo de se ver. Eu só nao vou porque não sei dançar... Era militante na época de aprender!!! Faltou-me tempo!
De Slovakia, viajei para a Grécia. Belo passeio!


Drama - cidade do norte da Grécia

Ao retornar da Grécia ,  fiz Thessaloniki - Budapest; Budapest - Kosice. Então escrevi:
"Pessoas queridas minhas. Estou bem. Estive 10 maravilhosos dias no Norte da Grécia, com Gisela e Alex, meus amigos gregos. Sempre que os visito, eles me fazem um intenso e belíssimo programa. Pensavam, neste ano, irem a Istambul comigo, mas, como eu havia estado lá no início de outubro, optaram por várias pequenas viagens. Lindas!!! Visitei, por exemplo, XANTHI, uma cidade de montanha, com + ou - 50 mil habitantes, 20% muçulmanos . Interessante é que eles não são árabes: são POMAKI. Eh muito interessante ver belas mulheres loiras, olhos azuis, muitas altas e magras, com roupas longas e cabeça coberta. O vestir eh muçulmano; mas a postura, muito diferente.Fui a Xanthi num sábado, quando há um GRAN BAZAR - um mercado de rua imenso, com preços muito baixos ( nao eh lugar turistico) , onde se pode comprar tudo... frutas secas, variedade de azeitonas, verduras, comidas, roupas, sapatos, objetos antigos, panelas...tudo mesmo! Estive, no dia seguinte,em Thassos, uma ilha que tinha como base de sua economia o cultivo de oliveiras.Hoje o turismo também eh importante fonte de renda.Em Thassos, visitamos uma sobrinha de meus amigos, uma grega belissima de 50 anos. Tomamos um café grego. Ela faz a tradicional " leitura" da borra de café, com impressionante precisão, inclusive de datas. Todas as suas previsões nao ultrapassam três meses. Adorei! Também ela soh me disse coisas boas..


Grécia

Percorremos os 100 km do perimetro da ilha ( fomos de carro em ferry-boat), chegando em muitos lugares lindos, como Limena.Encantei-me também com a visão do Monte Athos, onde se pode ver ( de longe porque não é permitida a chegada de mulheres) a República dos Monastérios."
Obs. Na foto acima , estou na entrada da gruta de Drama: uma das mais bonitas que eu já conheci. A primeira exploração oficial desta gruta foi em 1975. Pode-se, comodamente, atravessá-la por meio de uma passarela, çom extensão de 1500 m. A temperatura entro dela oscila entre15 e 19 graus. Ela está 15 m abaixo da superfície. Está localizada em Alistrati, um village de Drama.

Tradicional relogio de Praga
Meus amigos vivem numa casa linda em Krioneri, próximo de Kavala, que é uma bela cidade. Kavala é o segundo maior porto comercial do Norte da Grécia ( o primeiro, é Thessaloniki) e a segunda maior cidade da Macedonia. Está em Kavala, Lidia, um lugar que sempre me comove, e onde São Paulo teria batizado Santa Lidia, a primeira mulher a ser batizada por ele. Distante 17 km de Kavala está Filipi ( Filipi II , pai de Alexandre, o Grande) . Kavala tem cerca de 150 mil habitantes e uma história que remete a a.C ( Neapolis) Foi dominada durante um período pelos turcos. Gosto muito de Kavala e da Grécia toda!


Gisela e eu no Norte da Grécia

"Visitamos ainda Drama, Kavala, Vergina,Thessaloniki e Nouassa...e ainda vi o Monte Olimpo!!! Tenho mil coisas a contar. Penso atualizar meu blog...mas estou sempre muito ocupada...passeando!Amo a Grécia.Eh mesmo um belo pais - e bem mais barato do que outros paises da Europa. E tem uma comida " divina" e um povo maravilhoso...Da Grecia, vim, " rezando" num fokker 70 da Malev Ungarian, para Budapest.Fiquei ali um dia por um motivo justo e relevante: comprar paprika para fazer goulash e cremes HeliaD para mim e para Alda, Cibele e Zeli.Cheguei agora em Kosice. A temperatura estah otima : 8 graus ( chegou ja a fazer menos 6). Comeco a voltar. Na próxima semana, penso estar na Italia".



Famoso rua de Budapest

Depois escrevi:
"Saí da Grécia à tarde. No aeroporto, chorei quando deixei meus amigos. Passei dias maravilhosos com eles.Fiz passeios lindos. Estou em Budapest. Gosto da arquitetura e da comida desta cidade....mas sempre tenho problema com as pessoas. Todas as vezes que estive aqui vivi problemas ocasionados por desonestidade. ..de motoristas, de atendestes de postos de informação, de pessoal de hotel...Agora mesmo a moça do hotel me deu um preço pelo uso da internet por minuto...Carissímo...apenas li alguns emails...fiquei 5 minutos...quando fui pagar, me cobrou meia hora dizendo que era o minimo. Voltei...vou pagar 50 reais...mas vou usar todos os minutos... "



Parque em Kosice
Família,
saí ontem de manhã de Kosice. A tarde fiz Bratislava- Wiena. A noite fiz Wiena- Roma. Lídia, minha amiga, me esperou na estação. Estou agora na fazenda dela a cinqüenta e poucos quilometros de Roma. Estou bem. Saudades e beijos. Já estou com o meu telefone italiano outra vez".
É sempre "uma bênçao" chegar na casa de Lídia, em Canale Monterano, há mais ou menos 50 km de Roma.Com ela, estive em lugares lindos: Terme di Stigliano, Marina de San Nicolau, Campagnono di Roma, Manzana, Calcata e Viterbo (foto). Lídia me acompanhou a Roma Termini para que eu fosse de trem a Napoli. Em Napoli, visitei o Mercado de Natal. Só essa visita valeu a viagem. http://www.bamboleepupi.com/ Olhem minha foto ali! Nesse site, há muitas informações e fotos belíssimas - inclusive duas fotos minhas! O idealizador e realizador do site é um amigo meu, uma pessoa de quem gosto muito.


Em Viterbo

"Parto agora de Napoli – com greve geral de transporte urbano - para Frankfurt...e de Frankfurt para o Brasil.Como sempre acontece, sinto saudades de casa, saudades do que vou deixar, saudades atè do que nao vi e pensava ver - proxima viagem vou à Bulgaria e à Romenia e a muitas pequenas cidades que relacionei para conhecer ...e faltou tempo...Tenho jà " nostalgia" dos aromas e cores da Grecia; dos sons do Sul da Italia, da paz da Slovakia, do gosto da comida úngara,da arte, da arquitetura, da história,dos mitos...Como sempre, aprendi muito.Desta vez, por exemplo, fui a um seminario de " radical chic" ( pessoas " esquerdissimas" , que ganharam dinheiro e que convivem com a ambiguidade entre o que t^em a utopia que lhes falta). O Tema do Seminário era "O Sentido da Vida" . Interessante a metodologia adotada: comunicações ( adorei a de um agricultor), danças (tarantela), música, poesias com participações de pessoas comuns e diversas...qdo era um prof...jà se percebia pelo "tom"...Todos, vegetarianos.Na hora pensei: quem vai admitir que um pedaço de carne possa dar prazer...? rsrs Saí do Seminário já sócia do Círculo Vegetariano daquela região...me diverti muito.Greve geral de transporte em Napoli. Preciso ir cedo para a Estação Central."



Ciao, Napoli!
Adoro o Sul da Itália. Amo ir a Napoli. Sempre saio de lá pensando em voltar. Napoli/Milano/Frankfurt/ São Paulo/ Porto Alegre/ Alegrete....cheguei exausta...mas pensando em voltar...se possível logo,logo!


Centro de Kosice - Slovakia