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quinta-feira, dezembro 08, 2011

Blogagem Coletiva : meus 7 links




















Convidada por Claudia Liechavicius - que tem o fantástico blog  http://www.viajarpelomundo.com/ - e seguindo as regras relacionadas no blog  http://www.aprendizdeviajante.com/index.php/2011/12/03/blogagem-coletiva-meus-7-links-o-post/ que fez a proposta inicial, .enfrentei minhas dúvidas, inseguranças e hesitações , fiz as escolhas e aqui estão os meus 7 links.


1. O post mais bonito:




















A subjetividade da escolha ultrapassou a textualidade. Entre 476 postagens e sem tempo para rever textos e fotos, acabei escolhendo  a Índia  pela recordação de momentos vividos nesse país. Foram duas viagens, num total de sete meses de encantamento e vivências significativas, ainda que não as veja traduzidas em textos - os textos são fraquinhos ; as fotos, idem. Meio aleatoriamente , o link escolhido foi:
http://correndomundo.blogspot.com/2008/07/sobre-fotografias-e-imagens.html

2. O post mais popular:




















A China desperta muita curiosidade, sugere muitas perguntas e , em pessoas que a visitam, gera ambiguidades - o gostar-não-gostar é constante. É de impressionante beleza. Isso é. De tudo o que postei sobre a China, foi Xi ´an o que mais impressionou. Pudera! O Exército de Terracota está entre as coisas mais bonitas que vi nesta vida andarilha.
http://correndomundo.blogspot.com/search/label/China%3AXi%20%27an%20II


3. O post que gerou mais discussão/controvérsia:




















Aluguei um apartamento em Napoli e vivi a experiência de moradora do Volmero - bairro belíssimo - de  conhecer os vizinhos, de fazer compras para casa , de conversar com muita gente e de  ter amigos napolitanos. No entanto, apesar do sobrenome italiano, da semelhança com as mulheres do Norte, de conhecer  bem toda a Itália e de falar italiano, eu era uma estrangeira e , em alguns momentos, isso ficava bem demarcado.
http://correndomundo.blogspot.com/2008/06/quando-cheguei-napoli-decidi-logo.html

4. O post que ajudou/ajuda mais gente:




























Pelo retorno que recebi - incluindo vários e-mails com perguntas sobre o tema - parece que um pequeno post sobre visto para China e Hong Kong foi bem útil.
http://correndomundo.blogspot.com/search/label/China%3A%20tipos%20de%20visto


5. O post que o sucesso me surpreendeu:


























Neste 2o. semestre de 2011, o foco da viagem foram os países balcânicos. Eu desejava conhecer Estônia, Letônia e Lituânia. Fiz o roteiro de modo a ver esses países e  rever outros dos quais sentia saudade. Além disso, queria testar o novo vôo da TAP - POA/LISBOA . Foram dois meses agradáveis e com bom aporte de conhecimentos. As postagens tiveram muito boa repercussão - a escolha da Estônia para ilustrar foi quase aleatória!Poderia ser a Letônia ou a Lituânia, três países muito interessantes de ver.
http://correndomundo.blogspot.com/search/label/Est%C3%B4nia


6. O post que não recebeu a atenção que deveria




























Fiquei dividida entre Israel e Canadá. Considero que os dois não receberam a atenção que deveriam receber. Nem minha! Mesmo tendo sido Israel muito emocionante para mim e eu ter tido a oportunidade de estudar bastante sobre ele,  escolhi o Canadá para lincar aqui pela particularidade da longa viagem de trem - leste a oeste e por ser a primeira vez que o visitava . 
http://correndomundo.blogspot.com/search/label/Canad%C3%A1


7. O post de que tenho mais orgulho




















Paradoxalmente, neste blog de viagens, o post de que mais me orgulho não é de viagem - ou é uma viagem diferente. Em junho de 2009, com 65 anos, depois de divorciada há 17 anos, casei como Ronald Mckinney quis : no civil e no religioso, com festa em família, aliança e tudo o que tradicionalmente se faz.. Contrariei, assim, todos os meus  discursos  modernosos
http://correndomundo.blogspot.com/2009/06/que-assim-seja.html


Agradeço, carinhosamente, à querida Cláudia , por quem fui convidada a escrever meus 7 links.  Indico, a seguir,  setes blogs para dar continuidade a esta Blogagem Coletiva.

sábado, agosto 30, 2008

Coisas de mãe!






















Eu estava , em Napoli, na frente desta estação de trem, onde há uma pequena praça e uma rua estreita. Pára um carro e , de dentro ele, uma mulher grita muito alto, com certo desespero: ANTÔNIO!!!!!
Grita uma vez, duas vezes. Os outros carros não podem prosseguir. Reclamam. Ela precisa ir adiante. Sai gritando!
Eu me viro à procura de algum Antônio. Vejo um rapaz grandalhão, forte, bem vestido, fazendo beicinho e olhando para outro lado. Intuo que é ele o Antônio e intuo a situação. Aproximo-me e digo a ele: não vais responder à tua mãe??? Ele me diz com certa agressividade: não vou responder, não quero saber dela, não vou falar com ela. Uma idosa senhora intervém e manda que ele responda. Noto que outras pessoas se aproximam e também opinam. Ele me retruca que a mãe não o ajuda, que nada faz por ele e que ele nao vai voltar para casa. Aquela pose de menino mimado me cansa. Pergunto, então, quem o criou fortinho assim, onde havia morado e , afinal, o que ele havia feito da sua vida para que sua mãe estivesse assim, tão desesperada. Criou-se , a seguir, uma situação tragicômica , com a intervenção de mais duas mulheres e muita discussão paralela.
A mãe retorna e grita: ANTÔNIO , meu filho!
Eu me afasto, porque agora outras pessoas falam do acontecido e pressionam o rapaz a responder. Antônio demonstra contrariedade e corre....para dentro do carro da mãe.

sexta-feira, julho 04, 2008

Europa / Índia : Crônica de azares anunciados


Índia

30 de junho - Estou no trem partindo de Napoli para Roma. Estranho que sinto, além da tristeza de deixar este lugar tão bonito, um pouco de medo: medo de perder as conexões, medo de perder a bagagem, medo do calor de Delhi, medo de ficar doente, além do meu natural medo de avião. Aprendi que não se é feliz o tempo todo e que preciso aceitar a tristeza como um estado de alma igual a qualquer outro – que vem e que vai muitas vezes sem motivo único ou determinado. Hoje amanheci triste. Saudades da família.


Índia

30 de junho – verdadeiramente caótica minha viagem Roma – Berlin – Munich. Até Berlin, tudo bem. Fiz a conexão para Munich e, no horário estabelecido, houve o embarque. O avião entrou na pista para decolar, retornou ao ponto de partida e aí ficou cerca de uma hora sem nenhuma informação aos passageiros. Súbito , mandaram todos desembarcar porque, segundo disseram, havia problemas técnicos com a aeronave. Voltamos ao check in....Maior confusão! Entrei em contato com um supervisor da Companhia e informei que tinha vôo para Delhi, às 20:10 e que o tempo de que dispunha já se estava esgotando. Acomodaram-me em outro vôo, mas já me avisaram que a bagagem não chegaria a tempo.
























Estou agora partindo para Munich. Levo a mochila com o computador, I-Pod, câmera fotográfica e , por um sadio hábito de viagem, levo junto algumas roupas e objetos pessoais. Se der tempo , viajo para Delhi sem a bagagem...A bagagem poderei recuperar depois, mas o bilhete, como não é conjugado, eu perco se não viajar.























30 de junho/ 01 de julho - Eu não conhecia o aeroporto de Munich. Estive nessa cidade algumas vezes , mas sempre cheguei e parti de trem. É imenso...ou me pareceu maior ainda porque eu dispunha apenas de uma hora para localizar o terminal 2 (internacional) e fazer o check in para Delhi. Custou-me encontrar o terminal e o box da Lufthansa. Como estava sem bagagem, fiz check in expresso e entrei no gate indicado quando se estava iniciando o embarque.






Avião cheio. Assento horrível, entre uma gorda ( sic!) antipática e um homem que exalava um cheiro horrível ( ainda bem que, quando ofereceram , antes do jantar, as toalhinhas úmidas e mornas para passar nas mãos, ele aproveitou e passou nas axilas também !!!!). Não consegui dormir. Estava tensa e agitada. No vídeo individual, vi o filme sobre Edith Piaf. Uma tristeza! Ou eu não consegui enxergar nada mais do que isso naquele momento. Às 07:10, cheguei em Delhi, onde um amigo me esperava com um colar de flores amarelas( haar, em indi ), muito perfumadas, tradicionalmente oferecido como sinal de boas vindas. 


Chegada em Delhi


Falei por telefone com Fabrício e Krithika e senti-me segura naquela imensa cidade. Fui para um bom hotel e dormi quase toda a tarde. Saí somente para ir à internet e comprar produtos de higiene pessoal. À noite, antes de dormir, repassei a lista do que portava na mochila e a lista do que se perdera na mala. Havia um certo equilíbrio entre o que fora salvo e o que se perdera. Dormi muito bem. Pensei que meus problemas haviam terminado.



Índia


02 de julho – Senti-me na Índia logo ao acordar e tomar café. Tomei um legítimo café indiano e s
aí a passear. Fazia 45 graus! Fui primeiro a um Templo. Fiz todos os rituais. Depois saí a passear. Fiz fotos. Comprei uma echarpe. Almocei num bom restaurante , tomei um copo de lassi ( leite coalhado ) e comi um arroz com vegetais e um paratha (pão semelhante a uma panqueca). Fui à internet e escrevi um relato da perda da bagagem. Mandei -o para a Krithika, que me ajudava a fazer os encaminhamentos. Voltei para o hotel e dormi logo.

Índia




















03 de julho - Acordei -me de madrugada com uma terrível crise de labirinto, tonta e vomitando desesperadamente. Os medicamentos que eu trouxera do Brasil estavam todos na mala perdida. Suportei até o início da manhã. Chamei meu amigo que pediu ao hotel que chamasse um médico. Eu estava passando muito mal. Meu medo inicial se concretizava aos poucos e dolorosamente – intuição DA BRABA, como dizem lá fora. O médico veio logo, portando uma pasta imensa – parecia a caixa de ferramentas do Mile.


Índia

Dos instrumentos que trazia, eu conhecia mesmo o aparelho de medir pressão – a minha estava normal. Ele me fez um exame minucioso e passou a explicar , em INDI, para o meu amigo, o que concluíra. Nesse momento, virou sobre a cama uma caixa de medicamentos e começou a preparar injeções . Perguntei afinal o que eu tinha. Ele respondeu que era uma crise de labirintite ocasionada por alimentos fortes em clima muito quente. Levei fé! Aplicou-me duas injeções, uma sei que era para dormir. Pobre médico indiano!não reconhece quem toma vallium e lexotan desde criancinha . A injeçao não me fez nem cochilar!




















 Explicou que eu devia ficar “clean”, que devia vomitar tudo e me deu, ainda, outro remédio para acelerar a limpeza - esse duplicou meu número de idas ao banheiro. Entendi que a limpeza deveria atingir o outro extremo. Com uma tesoura, passou a separar o número de comprimidos que eu devia tomar. Proibiu-me qualquer alimento sólido durante o dia, apenas devia beber muito líquido. E nada de lassi, nada de tali, nada de paratha - nada que eu não estivesse habituada a comer.



Índia




















Era um senhor muito profissional e que me pareceu honesto. Eu pensava, nesse momento, no entanto, quanto ele iria cobrar : vinda ao hotel para ver turista, consulta, aplicação de duas injeções e todos os medicamentos. Quando disse o valor, fiquei entre surpresa e emocionada: mais ou menos 22 reais. Isso mesmo: o equivalente a 12 dólares. No final do dia, eu estava bem. Consegui ir à Internet e ler uma mensagem da Air Berlin , informando que minha mala chegaria no dia seguinte, no aeroporto de DELHI. Gracias a todos os deuses da Índia.


Índia


04 de julho - Amanheci ótima. Fui ao aeroporto, falei com 8 pessoas, assinei 12 papéis e saí com minha mala, sentindo como se tivesse ganho de presente tudo o que ela continha, inclusive a própria. Almocei com meus amigos e vim para Chandigar - sobre essa cidade escreverei amanhã. Estou em um excelente hotel , que tem internet livre!


Chandigar

quinta-feira, julho 03, 2008

Parque Nacional do Vesúvio : Napoli





















Gynestra é uma planta tipicamente mediterrânea que floresce neste período. Tem um perfume doce e forte que parece impregnar tudo, até a nossa roupa. Ao longo da estrada e cobrindo as montanhas, ela interrompe o verde escuro de outras plantas e produz focos de amarelo-amarelíssimo, como pinceladas ao acaso , mas em profusão. Foi o que vi ontem, ao subir a montanha do Parque Nacional do Vesúvio, num dos passeios mais bonitos que já fiz. Inesquecível mesmo.

sábado, junho 28, 2008

Napoli : " Amanha / Serà outro dia..."





















Amanhã , domingo, será meu último dia em Napoli, pois viajo segunda, muito cedo.
Vou sentir falta:

. dos meus amigos napolitanos;
. da mozzarella di bufala;
. do presunto cozido e assado;








































. do café;
. da pizza margherita;
. da localização do apartamento;
. do funicolare que uso para descer da Colina de Vomero;
. das cerejas e das ameixas;
. da visão do Vesúvio e do mar;
. da proximidade de Caserta, Salerno e Costa Amalfitana;























. das ilhas vizinhas;
. do Parque da Villa Floridiana;
. enfim, desta cidade belíssima, caótica e barulhenta. Maravilhosa.

“L ‘ambiente è l ‘anima delle cose.Ogni cosa há uma própria espressione e questa espressione le vieni da fuori. Ogni cosa è l ‘intersezione di tre linee e queste tre linee formano tale cose: una certa quantità di matéria, il modo in cui la interpretiamo e l’ambiente in cui è inserita.”

Fernando Pessoa


quarta-feira, junho 25, 2008

Novos amigos

Organizo-me para sair de Napoli e ir para a Índia.
Foi uma experiência muito interessante “morar “aqui por um mês.
Conheci muitas pessoas, duas especialmente muito interessantes: uma senhora, proprietária de uma loja de alimentos e um mendigo , que está sempre na via pedonale. A senhora, desde o dia em que cheguei, tornou-se minha amiga, ensinando o que eu devia comprar, o que devia cozinhar e preocupando-se que eu estivesse bem aqui. Quando fui me despedir, presenteou-me com seis copos de vidro , bem bonitos, e um prato para usar no microondas – transferi o presente para meus amigos napolitanos. O mendigo, um senhor paralítico que me parece do leste, tem olhos muito vivos e expressão de profunda bondade e doçura . Quase sempre lhe dou uma moeda e, mesmo quando não o faço, acena-me e me atira beijos. Sorri como a mais feliz das criaturas. Comovente. Um dia me fez chorar porque lembrei de uma história escrita por Patati sobre uma moradora de rua, que ele conheceu em Cruz Alta.
Gosto muito de meus amigos napolitanos, um casal com dois filhos adultos. São atenciosos, afetivos , inteligentes e bem informados. Ajudam-me a decidir o que fazer e como fazer. Acompanham-me pessoalmente ou por telefone. São a minha família aqui.
Aproveitei o tempo aqui no Sul da Itália para , além de passear muito, ler bons livros. Alguns livros , que eu lera em português, voltei a ler em italiano. Hoje estou lendo Fernando Pessoa, Il libro dell’inquietudine, numa tradução italiana muito bem feita.
Continuo com minha decisão inicial: esta é uma viagem para ver pessoas. E está sendo bonita e comovente.

segunda-feira, junho 23, 2008

Apressadinha...Eu??





















Quando eu ensinava Lingüística, não lembro em que faculdade porque fui professora de muitas, um aluno me perguntou , em nome da turma segundo ele, se eu nascera de sete meses. Eu respondi que não, que nascera de nove meses. Ele, então, me disse que ali todos acreditavam que eu não teria paciência de esperar nove meses para nascer porque estava sempre “adiantada em tudo”. Também Odete, minha querida amiga, uma vez me disse que eu poderia morrer cedo, já que trabalhava muito e rapidamente. Deveria, assim, cumprir logo minha missão na terra.






















Hoje é sábado. Lembrei – me dessas duas histórias porque, cedo, saí para a rua e fiz tudo o que precisava fazer antes de viajar. Agora vou arrumar a mala. E faltam ainda nove dias para eu deixar Napoli e viajar para a Índia. Sempre estou “antecipada”.

Passeio a Ischia





















Perto de Napoli, há muitas ilhas. Capri é a mais conhecida. Ischia e Procida são menos conhecidas, mas igualmente belíssimas. Ischia é uma ilha vulcânica, na baía de Napoli, no mar Tirreno. Sua história vem de muito longe. Imaginem que foi citada na Odisseia, poema escrito por Homero, séculos antes de Cristo.

Visitei Ischia  faz poucos dias. Fui de aliscafo, em 40 minutos. Só a viagem já vale a pena. Quando se parte e quando se chega, a vista que se tem de Napoli é estupenda. Pode-se também ficar encantado com a vista de Procida , Capri e Costiera Amalfitana. Chegando a Ischia, fiz caminhando, durante uma hora e pouco, o trajeto Ischia Porto a Ischia Ponte, passando pelo centro, cheio de comércio e de artesanato interessante. E eu não comprei nada!























A Ilha, com cerca de sessenta mil habitantes, é conhecida como lugar onde se pode viver com saúde e bem-estar. Tem ali uma população de velhos, que vieram à Ischia em busca de sossego ou de cura nas suas famosas águas termais - fama que vem do tempo dos romanos. Há inclusive um Centro Termal, administrado pelo Município e localizado num edifício construído em 1736.
Ischia Ponte tem seu nome relacionado à ponte que leva a uma pequena ilha com um imenso Castelo, que deu origem ao povoamento de Ischia, entre 1300 e 1500. Impressionante o número de belas igrejas em Ischia, mais de 200 , disse-me um senhor com quem conversei sobre o que devia visitar. As praias são bonitas, “mobiliadas”com branco e azul nos guarda-sóis e cadeiras de praia. Lugar bonito que vale a pena conhecer. Fui de manhã cedo e voltei ao anoitecer – como sempre, exausta!

Ainda em Napoli / Temporada 2008





















Fiz um passeio bonito e interessante hoje. Saí cedo de Volmero para visitar primeiro as estações novas da linha 1 da Metropolitana (M). A primeira Estação – Vanvitelli - está muito perto do “meu” apartamento : três quadras pela via “pedonale”. Até a Praça Dante, final de linha e onde desço, são seis estações, com características arquitetônicas próprias, denominadas “la metroplitana dell’arte”.


Altar numa esquina de Napoli

























A idéia propagada é a de um museu descentrado, distribuído pelo espaço público, com obras de arte em contínua fruição com os usuários desse meio de transporte. Cada estação teve um arquiteto responsável e , em conseqüência disso, cada estação tem um projeto único e diferenciado. Depois de ver as estações da Metropolitana, revi “Spaccanapoli”, o verdadeiro “coração de Napoli”, como dizem os napolitanos. Sou encantada com as ruas estreitas, as praças e os monumentos desse lugar. Há uma rua com livrarias à direita e à esquerda, onde se podem encontrar livros com edições esgotadas e livros antigos e raros. Fico sempre muito tempo ali. Sou também apaixonada pela Via San Gregório Armeno, que neste período está tranqüilo, mas que eu já visitei no mês de novembro, quando tem ali uma multidão para ver e comprar figuras para os presépios de Natal.



         


















São muitas as igrejas, os palácios, as histórias e as particularidades de Spaccanapoli, incluindo os pequenos altares como esse que fotografei e que são comuns em Napoli ( acredito que o mais original é um para Maradona, ídolo até hoje aqui).    Para a mim, além disso, fica sempre a memória de um dialeto que me custa entender, de um colorido muito próprio em todos os lugares e do gosto de uma genuína pizza margherita.
PS. Algumas pessoas me perguntam sobre o problema do lixo em Napoli. Realmente há um grande problema, que vai muito além do recolhimento do lixo. Sei que é muito grave nos bairros pobres. Em Vomero, Mergellina e Posillipo, não se sente a gravidade dessa situação.

sexta-feira, junho 13, 2008

"O que dá pra rir / dá pra chorar..."


Quando cheguei a Napoli, decidi logo viabilizar meu acesso a internet. Como viajo com notebook, precisava somente de uma forma de conexão. Fui a uma loja de telefones e comprei, por 150 euros, um telefone-moden , numa promoção que me disseram permitir o uso da internet , gratuitamente, por um mês. Seria vantajoso já que vou permanecer aqui por esse tempo. Voltei toda contente para casa. Mal sabia que estava entrando num labirinto que faria Kafka se sentir um principiante. Surrealista!
Tentei fazer a conexão de forma intuitiva. Não consegui. Acreditei ser erro meu. Li, então , todo o Manual. Continuei não conseguindo. Voltei à loja e falei com um funcionário. Ele me disse que era muito simples e que eu não devia estar fazendo o certo e que voltasse no dia seguinte, trazendo junto o PC. Voltei. Outro funcionário me veio atender. Contei novamente toda a história. O menino foi muito gentil e bem que tentou ser eficiente. Durante duas horas procurou fazer a conexão sem sucesso. Com ele, descobri que a promoção não era de um mês : era de dez horas que eu poderia usar durante um mês. Quando terminasse esse crédito promocional, deveria recarregar normalmente o telefone - e cada hora de internet custaria quatro euros. O telefone começava a ficar caro.
Estava na hora de fechar a loja. Pediu-me que eu voltasse no dia seguinte, às 9horas, segundo ele, hora de pouco movimento. Voltei. O menino chegou atrasado e continuou não conseguindo a conexão. Concluiu, então, que eu devia recarregar o telefone para ver se funcionava e, depois, usaria a promoção. Concordei em fazer crédito de dez euros. Funcionou. Em casa, consegui conectar-me o notebook. Tudo resolvido, pensei!
Que nada. Três dias depois, após um total de duas horas e meia de funcionamento, bloqueou o acesso. O telefone só estava funcionando com os dez euros que eu havia creditado.Terminara!
Preciso fazer um parêntese. A loja é bem bonita. Na entrada, “prende-se” uma ficha que indica o número de ordem para ser atendido. Um grande mostrador, colorido e luminoso, deveria estampar o número do “paciente” , verdadeiramente um paciente, porque naquele caos precisava-se de muita paciência. Pois bem, o mostrador não mostrava! Uma recepcionista indicava a pessoa a ser atendida, não sem antes opinar sobre o que deveria ser feito antes de ir ali. Essas recepcionistas, entretanto, pareciam odiar a empresa onde trabalhavam. De má vontade , grosseiras, com ar cansado. Um horror.
Volto à Loja. Chego avisando que estou em férias, numa cidade bonita, que não quero me irritar, que só vou comprar créditos sem falar nada mais. Sou atendida, ponho trinta euros de crédito, recebo a nota e a confirmação e volto para casa. Já é noite. Tento conectar o PC. Não conecta. Por intuição do problema, tento fazer uma chamada. Escuto, então , o aviso de que não havia crédito no telefone.
Na manhã seguinte, torno à loja. A recepcionista do dia fez a anterior parecer uma lady. Grosseira e mal-educada. Começou me dizendo que eu telefonasse para o 119, número de informações, e depois me fez contar por que eu estava ali. Contei , omitindo os problemas anteriores. Só falei sobre a recarga. Ela , evidenciando claramente um preconceito, me pergunta para onde eu havia telefonado , se tinha sido para a Ucraina! Sem perder a paciência, informo que não sou ucraniana, que sou brasileira e que não gastei todo o crédito e que só chamei para ver se o crédito feito havia "arrivato". Ela me faz esperar. Sou atendida , a seguir, por um técnico. Descubro, então, que o creditamento pode ser feito até 24 horas depois. Mandam-me retornar no dia seguinte, não sem antes me dizer que , se eu não tiver o comprovante de pagamento, nem adianta voltar. Tenho.
Sim!!! Havia me esquecido dos telefonemas ao 119! Muitos. Todos do tipo que conhecemos quando vamos cancelar um serviço pago. Após muita música e de clicar muitos números, um atendente me diz que a promoção não é bem assim e que eu devo ter entendido mal. Depois de ser tratada como idiota, o técnico me diz para retornar à loja e tentar resolver lá os meus problemas. Tudo bem. Foi ótimo aperfeiçoar meu italiano, escutando dezenas de gravações e ouvindo muitas perguntas e respostas, ainda que imbecis. Até agora, não me irritei nem perdi o bom humor. Penso que perder mesmo só vou perder os duzentos euros! Já estou conformada. Em Vomero, não há nenhum “ponto de internet”, ao contrário de bairros onde há muitos “extracomunitários”. Como estão longe e em lugares onde não me aconselham a andar, permaneço com acesso muito restrito à internet. Mas o labirinto não terminou ainda.
Quando se completam as 24h, torno à loja. Espero 40 minutos. Ao ser atendida, informam-me que , de fato, a recarga foi feita, só não “arrivou” ao meu telefone.Um problema no sistema, segundo o atendente. Começo a rir. Pergunto como será a continuidade da história. Ele me pede o passaporte para encaminhar uma reclamação. Eu havia deixado o passaporte em casa. Vou buscá-lo. Torno à loja. É feito um fax para a empresa. Pedem-me para esperar mais 24 h. Continuo a rir. Conto fatos pitorescos dessa minha “peregrinação”, como a história da recepcionista que havia perguntado se eu gastara os créditos telefonando para a Ucraina. O rapaz ri e diz que ele não cometeria esse erro, apesar de eu ser loira e me parecer com a gente eslava, e que estava certo de que eu era brasileira, porque só alguém do Brasil poderia rir diante de situação como aquela, que eu chamava de “labiríntica”. Não resolveu nada, mas foi gentil e atencioso. Até hoje, não chegou o crédito. Eu desinstalei agora essa "desgraça"de telefone.
Desisti.
Faz de conta que fui assaltada e que , por sorte, só levaram 200 euros.

terça-feira, junho 10, 2008

Napoli II























Um belo final de semana. Lídia chegou sexta e partiu domingo, no final da tarde. De Napoli a Roma e vice-versa, vai-se em menos de duas horas. Encanta-me estar com Lídia. É inteligente, lúcida, sensível e divertida. Ajudou-me a organizar a casa e a entender expressões napolitanas. Traçamos a cidade.























Sábado, fizemos muitos programas típicos de turista : Galleria Umberto I, Piazza Município, Maschio Angioino ( castelo), Piazza del Gesù, Piazza Dante, Museo Archeologico, Capo Posillipo, Castel dell’Ovo, Piazza Vittoria e muitos outros lugares – todos lindos. Fomos ao Museo e Bosco di Capodimonte – belíssimo. Percorremos, detalhadamente, o “coração”do Centro Histórico. Fizemos uma longa caminhada pela Via Toledo, tão característica de Napoli. Jantamos numa pizzaria muito tradicional – uma delícia a pizza frita e a pizza margherita! Não conto calorias aqui. Encontro-me felizmente longe dessa neurótica influência da cultura americana . Como sem preocupação – e nem por isso engordo. A Itália realmente não tem uma população de gordo. A comida é sadia e de aprimorada qualidade.























No domingo, passeamos por Volmero e fomos à Villa Floridiana, distante três quadras “de casa”. A Villa, que Ferdinando IV mandou construir e deu a sua esposa , a Duquesa di Floridia, tem um parque imenso e bonito, de onde se pode ter uma vista panorâmica estupenda de Napoli. Comprada pelo Estado, em 1919, mantém a estrutura original tanto do Palácio quanto do Parque. No Palácio, está hoje o Museu Nacional da Cerâmica e da Porcelana, com peças da Europa e do Oriente e peças belíssimas da cerâmica de Capodimonte.
























Para descer da Colina de Vomero, que é a mais vizinha tanto do mar quanto do Centro Histórico, usamos o funicular, que eu amo de paixão. Hoje, segunda-feira, estou um pouco nostálgica: saudade de família. Apesar disso, logo vou sair e andar por esta cidade , que, para mim, é a mais bonita do mundo – se bem que eu já disse a mesma coisa de Praga, Barcelona, Budapest, Cracóvia, Salvador, Istambul... 

sexta-feira, junho 06, 2008

Napoli - o encanto da diversidade





















Encantam-me as diferenças. Gosto de conhecê-las e reconhecê-las. Penso que foi essa a razão principal por que morei sete anos na Bahia. Conheci um pouco da cultura baiana e , de quebra, entendi melhor a minha cultura do Sul. Como superei a fase de fazer comparações e aprendi que cada lugar é único, transito bem em culturas diversas.
























Faz muitos anos que venho à Itália, principalmente ao Norte. Nos últimos três anos , entretanto, tenho vindo ao Sul, pela mesma razão por que morei na Bahia. Estou agora em Napoli, em Vomero, um bairro de classe alta, num apartamento, no quarto andar de um “palazzo”, na esquina de uma via pedonale, onde está o comércio “chic” da cidade . Importante: pago aqui muito menos do que pagaria num hotel médio, em qualquer capital do Brasil – ou até em Santa Maria.
























Concordo com Lídia, minha amiga de Roma, quando me diz que Napoli se parece com a Bahia, especialmente pela alegria, pela extroversão e pela facilidade com que se expressam . Já estou, como diz a Zeli, minha irmã, “amiga de infância”da senhora da Salumeria. Desde o dia em que cheguei, ela me aconselha e me diz o que devo ou não devo comprar. A cultura alimentar na Itália é muito forte e precisa. E se come muito bem em todas as regiões, mas o tomate do Sul é insuperável. A pizza margherita é uma instituição aqui : é a pizza verdadeira, segundo os napolitanos, feita basicamente com pomodoro, basílico e mozzarella. Em Napoli, tem-se o domínio dos “3 PP”: pasta , pizza e pomodoro ( tomate). Voltei faz pouco das compras - compra de alimentos. Comprei queijos saborosos, pão, salame e um litro de azeite de oliva extra virgem . Ontem o havia comprado errado: pedi azeite de oliva, não dizendo que devia ser extra virgem. Quando o abri, percebi que não tinha aroma nem gosto de oliva. Aprendi, então, uma coisa: o azeite extra virgem é feito com o esmagamento da azeitona natural. É o primeiro azeite que sai. Depois dele, aquece-se a azeitona e retira-se esse outro azeite de segunda mão, ou de segunda qualidade.
























Há bons restaurantes e cafés muito próximos do apto. Mas o que me faz lembrar muito da Cibele, da Zeli, da Alda e de tantas outras pessoas de que lembro sempre, é o comércio de roupas, sapatos, bolsas e acessórios. Alta qualidade – e altos preços naturalmente – em coisas belíssimas, elegantes e muito coloridas, lançamentos para o verão que está chegando. Posso ir caminhando, porque é bem perto, ao Castel Sant’Elmo, na ponta de uma rocha e de onde se tem inesquecível visão panorâmica da cidade; a La Floridiana, um palácio num parque grandíssimo, onde está o Museu Nacional da Cerâmica ( e da porcelana); e a Certosa di San Marino, antigo monastério que abriga hoje o Museu Nacional , com a coleção de presépios napolitanos e a história do teatro local. É muito forte realmente a tradição de cinema e teatro em Napoli, basta lembrar Sophia Loren e Vittorio de Sica. Napoli é , para mim, um mundo a descobrir. Reconheço que é uma fortuna estar numa cidade assim. Pretendo aproveitar bem este tempo e este lugar.



terça-feira, julho 31, 2007

Napoli : uma paixao tardia e intensa

Napoli com Vesuvio ao fundo



















Pensava conhecer bem a Italia. Visitava planejadamente cada regiao e , em cada regiao, cada cidade. Revisitava muitos lugares: em Venezia estive mais de vinte vezes! Tambem em Firenze, Verona…Faltava – me ainda conhecer bem o Sul, que meus amigos do Norte diziam ser perigoso andar sozinha ali. Havia visitado uma unica vez Napoli, Capri , Pompeia, Herculano e Sorrento. Havia passado umas ferias na Costa Amalfitana. Este, entretanto, è o terceiro ano que venho a Napoli – estou apaixonada pela Campania: una terra alla luce del sole! As imagens de Napoli me v^em como um sonho colorido, luminoso, intenso. Centro històrico, antigas ruas estreitas, Castel dell Ovo, Posillipo e Mergelina, Capodimonte, Vomero….Galeria Umberto, Quartieri Spagnoli, praças, teatros , Mercados, Igrejas, Castelos, Palacios, Borgo Marinari….Golfo de Napoli, Vesuvio, Pozzuoli: bradisismo e sitios arqueologicos,,,,San Gregorio Armeno, presepios, pastores, pocelanas , corais…. pizza margherita, cafè, mozzarella di bufala, doces, frutas e frutos do mar e da terra… cores, sons , aromas e movimentos. Tudo distribuido em recortes geograficos que me encantam e emocionam. Neste momento, Napoli è minha grande paixao.