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sexta-feira, dezembro 12, 2014

Fechando relatos de 2014: Minas Gerais

Centro de Mariana

Fiz muitas viagens em 2014 - em parte, procurando sobreviver à perda de Ronald, na Escócia, bem  ao iniciar o ano; em parte...porque há muitos anos viajo mesmo. Além das viagens internacionais,fiz , com minha irmã Zeli, uma leve e agradável viagem a Minas Gerais. Já escrevi sobre Ouro Preto e Inhotim ( http://www.correndomundo.blogspot.com.br/search/label/Minas%20Gerais).

Desfile de 7 de Setembro em Ouro Preto
Escrevo, agora, resumidamente, sobre as demais visitas às cidades históricas e sobre a capital,  Belo Horizonte. Escrevo um pouco desordenadamente, porque tenho pressa - estou de partida para outra andarilhada, incluindo Natal , Ano Novo e Dia dos Reis.

Praça central de Mariana
Estive diversas vezes , sempre a trabalho, em Minas Gerais. Conheci todo o Estado - superficialmente. Estou convencida, entretanto, que é um passeio indispensável na história de qualquer viajante e que todos os pais - que podem fazer isso - deveriam levar seus filhos aos menos nas Cidades Históricas; no mínimo ,  àquelas três que a UNESCO reconheceu como Patrimônio da Humanidade: Ouro Preto, Congonhas e Diamantina.

Prontos para o desfile de 7 de Setembro...uai!
Começo por Mariana, a cidade colonial mais antiga de Minas. Foi um grande centro de mineração de ouro, riqueza ostentada, ainda hoje, pela presença de casarões e jardins magníficos que cercam a praça Gomes Freire, no centro da cidade. Interessante visitar a Catedral Basílica da Sé,  com seus lustres de cristal da Boêmia,  que foi concluída em 1760.
Mariana - foto by EMBRATUR
Capital do Estado, na metade do século XVIII, era mais importante que Ouro Preto e forneceu toneladas de ouro para os ingleses - a estimativa é de 35 toneladas desse minério! Ainda hoje abriga a Mina de Ouro da Passagem, uma das maiores do mundo aberta à visitação. O tour pela Mina é feito num trole aberto através de 300 metros de trilhos. Um dado importante: vivem , nesta cidade, os maiores entalhadores de santos barrocos do País.

Zeli, minha irmã e companheira nesta viagem.
As igrejas gêmeas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo, ambas do fim do século XVIII, mostram obras de Aleijadinho e Mestre Ataíde - Manuel da Costa Athayde, cuja sepultura está numa dessas igrejas . Pode-se também ver obras desses dois grandes artistas no Museu de Arte Sacra de Mariana.

Principal igreja e  Solar dos Neves
São João Del Rei tem um pequeno centro histórico bem bonitinho.  O destaque fica por conta da Igreja de São Francisco de Assis, que tem um belo jardim com palmeiras imperiais. Para comprar, algo muito particular na região: peças de estanho, bonitas, originais e de boa qualidade. Para quem gosta - como eu -  de arte- funerária , a cidade pode ser bem interessante.

Detalhe da Igreja de São Francisco
Bonitos os túmulos de Tancredo Neves e Risoleta Neves, no Cemitério da Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Assis, junto à Igreja, com uma bela imagem de São Francisco de Assis e um epitáfio onde se lê: Terra minha amada, tu terás os meus ossos o que será a última identificação do meu ser com este rincão abençoado.Muito mineiro.Muito maneiro.

São Francisco de Assis no túmulo de Tancredo
Em frente ao Largo da Igreja, o solar dos Neves, onde Tancredo morou alguns anos e que hoje pertence à família, não deixa de ser um estímulo ao turismo. Um prédio magnífico. Note-se a  diferença entre solar e sobrado. O primeiro é apenas residência ( só lar ); o segundo tem comércio no térreo e residência em cima.

São João Del Rei
Pode-se ir de São João Del Rei a Tiradentes - e vice-versa - num interessante trenzinho, que passa pelo Rio das Mortes e de onde se pode ter uma amostra das paisagens da região. Trenzinho antigo, lento, mas limpo e bem cuidado.

Trenzinho Tiradentes / São João Del Rei
Tiradentes tem o nome de um antigo residente: Joaquim José da Silva Xavier ( 1746 - 1792 ) - um dos líderes do primeiro movimento pela independência do Brasil. Fundada, em 1702, por paulistas que descobriram ouro nas encostas da Serra de São José. Passou a cidade em 1860.

Da janela do trem....
Com casas portuguesas multicoloridas, tem ainda para ver igrejas - a Matriz de Santo Antônio tem fachada de Aleijadinho  - uma bela praça principal e um chafariz de pedra sabão azul - século XVII.

Móveis com madeira de demolição
A cidade é famosa como polo gastronômico, especializado na culinária mineira. Os doces típicos, como ambrosia e canudos de doce de leite, são deliciosos. O artesanato inclui belos móveis feitos com madeira de demolição.
Estação Ferroviária de Tiradentes

A última cidade que visitamos foi Sabará. Distante 12 km de Belo Horizonte, deve ser visitada, entre outros motivos, pela magnífica igreja Nossa Senhora do Ó. Aparentemente ,  uma pequena igreja , que se torna  grandiosa ao revelar seu interior, com muito ouro e muita riqueza. Sempre falo que as igrejas são  bons museus para se visitar e, na maioria das vezes, gratuitamente. A foto abaixo é de divulgação;  as minhas, eu as perdi...


Surpreendeu-me Belo Horizonte, cidade que se deve incluir em qualquer visita a Minas Gerais. Foram dois os itens de que eu não lembrava e que me fizeram gostar mais dessa capital: o Centro Cultural do Banco do Brasil e a produção variada de roupas - e eu não costumo gastar nesse item, além do estritamente necessário ( preciso fazer opções...e opto por gastar em viagens). Admiro, no entanto, o design, as cores, os  estilos de vestuário - e BH tem muito a oferecer nesse sentido. 


Para 2015, meu projeto nacional contempla retornar a Roraima e ao Amazonas. Que os Anjos digam Amém! E que meu Anjo da Guarda diga Amém com muita convicção... Feliz 2015 a todos nós.






domingo, outubro 19, 2014

Inhotim: natureza, cultura e sensibilidade.

Bromélias gigantes

Senhor - sinhô - nhô, forma reduzida do tratamento que os escravos usavam para referir-se aos patrões, como ao britânico Senhor Tim - Inhotim - antigo dono da fazenda em que está hoje um grandioso jardim-museu-parque-galeria de arte ou ... a denominação que o visitante, certamente fascinado, surpreso e encantado, decidir dar-lhe.

Inesquecíveis recantos....em todos os cantos

Localizado no município de Brumadinho, 60 km a sudoeste de Belo Horizonte, Inhotim tornou-se de tal maneira uma visita imprescindível que, no último ano, foi visto por 350 mil turistas. E não é fácil vencer esses 60 km e chegar até ele. Leva-se cerca de duas horas de carro, partindo da capital. Enfrenta-se uma estrada tortuosa, estreita e com asfalto muito ruim - a beleza do que se vê desde a chegada, entretanto, realmente compensa .

Informações básicas na chegada
O jardim botânico de Inhotim, com cem hectares, não é um desses jardins que usualmente se denomina botânico ...apesar de fazer realmente jus a essa denominação.  Pelas muitas obras de arte espalhadas entre as plantas, pensa-se numa mescla de galeria de arte com jardim ou vice-versa.A propriedade toda tem 20,23 km2 e a maior coleção de palmeiras do mundo. Acrescente-se, ainda, outra coleção: 4500 espécies nativas e exóticas,  a maior  de espécies vivas do Brasil.

Surpresas a cada instante...
Por toda a área, esculturas de grandes dimensões estão instaladas ao ar livre e perfeitamente integradas à natureza - como só Roberto Burle Marx consegue fazer. O famoso paisagista é o consultor informal de Inhotim. Interessante saber que o grande acervo de obras de arte desse local está comprado, mas não está ali porque está sendo produzido. Isso faz do local um centro de arte contemporânea em constante ampliação e construção.

Escultura mobiliária de Hugo França
Originalíssimos os grandes bancos  distribuídos pelos jardins. Cada um com forma própria, eles são muitos e são belíssimos. Esculpidos por um designer gaúcho, Hugo França, nascido em Porto Alegre, em 1954. Mudou-se, entretanto, para Trancoso, na Bahia, para viver mais próximo da natureza. Percebendo o desperdício na extração e uso da madeira, no final dos anos 1980, passou a desenvolver, com esses restos de madeira, suas fantásticas  esculturas mobiliárias.

 
Outra escultura mobiliária de Hugo França
No www.hugofranca.com.br , conheci mais desse artista e de suas obras. De lá, copiei o texto seguinte: As peças criadas pelo designer nascem de um diálogo criativo com a matéria-prima: tudo começa e termina na árvore. Ela é a sua inspiração; suas formas, buracos, rachaduras, marcas de queimada e da ação do tempo provocam sua sensibilidade e o conduzem a um desenho cuidadosamente escolhido, uma intervenção mínima que gera peças únicas.

Típica residência do interior mineiro
Entre os equipamentos, integrados perfeitamente à paisagem, está esta pequena casa, onde a cozinha é o espaço maior e por onde se entra na casa. Criações como essa, surpreendem - nos a todo o momento. A arquitetura orgânica é ponto forte também, pois reflete a sensibilidade na relação natureza-arte-cultura. Além de tudo isso, mantém uma programação regular de artes performativas - dança, teatro e música- um projeto de desenvolvimento social e territorial, visando à promoção da memória e do artesanato locais.

Escultura integrante de um grupo conjugado de três

Já conheci outros locais como esse - lembro de um na Ilha da Madeira - que têm como proprietário, um homem rico o suficiente para bancar o projeto todo e sensível e culto o suficiente para formatar-lhe dessa maneira. Bernardo Paz comprou a antiga fazenda do senhor Tim, pensando em usá-la nas férias e em alguns fins de semana. 

Orquídeas do Brasil e do mundo
Depois, em parte pela influência de amigos, como o próprio Burle Marx, tornou-a um projeto grandioso e abriu-a ao público em 2006. Sucesso total. Hoje Bernardo tem 64 anos, fama de culto, sensível e solitário - apesar de seus seis casamentos e de sete filhos. 

Bom gosto até nas informações

No local, também harmonicamente distribuídos, há restaurantes, com especialidades e preços diversos, cafeterias e uma belíssima Loja Botânica. Na Estrada Real,em Brumadinho, muito perto de Inhotim, há diversas pousadas e pequenos hotéis. Encontram-se, ainda, nas proximidades, hospedagens em fazendas e pousadas, alguns com vistas privilegiadas para vales  e Serras. No interior de Inhotim, está sendo construído um luxuoso hotel cinco estrelas.

Muitos lagos com cisnes e patinhos: alegria da criançada
Inhotim é , com certeza, um programa para todas as gentes... românticos namorados, velhos casais, adolescentes inquietos e crianças sedentas de natureza e novidades. Há transporte interno, embora o bom mesmo sejam as longas caminhadas, que não se tornam monótonas pela diversidade e variedade das visões oferecidas. As descobertas e reflexões, proporcionadas pelas esculturas gigantes, surpreendem e emocionam. Longa vida ao Senhor Tim - o nosso Bernardo Paz. Tim-Tim!

Parede inteira de arte e cultura local

" Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
......
Jardim de cactos e suculentas
.....
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela."

Fernando Pessoa


sábado, outubro 18, 2014

Em casa - finalmente!

Em Inhotim - meu próximo texto

Após retornar dos Estados Unidos, onde havia participado , em  Paxton, de uma cerimônia em memória de Ronald, estive uns dias em Atlanta com meu filho, minha nora e meu neto, procurando refazer-me emocional e fisicamente. Estes meses me foram tão tristes e doloridos, que ainda não quero falar sobre eles. 

Sete de Setembro em Ouro Preto
Já em casa , em Torres, mesmo sentindo, de forma intensa e contínua, a dor da ausência que começava a transformar-se numa saudade sem esperança, decidi construir um plano para minha vida, até janeiro de 2015 - embora eu saiba que, tantas vezes, o homem planeja e Deus dá risada, como diz o provérbio ídiche.

Zeli, minha irmã.
O primeiro projeto , apenas assumido por mim já que foi construído pela Zeli, minha irmã, foi o de conhecer as cidades históricas de Minas Gerais. Eu já as visitara, muito rapidamente, quando ia participar de reuniões de trabalho em universidades. Dessa vez, entretanto, o nosso objetivo era mesmo o de conhecer bem as cidades que visitaríamos. 

Cleber, meu sobrinho, em Orvieto.
Sobre Ouro Preto já escrevi aqui no Correndomundo, ainda quando estávamos em Minas. Sobre as demais cidades, recomeço a escrever a partir de hoje -  sem ordem cronológica e intercaladas com outras cidades da viagem seguinte, realizada com meu sobrinho Cléber Menine Severo, durante um mês, por alguns países europeus. 

Outono, nos jardins de Monet.
Prometo - mais a mim mesma que a meus possíveis leitores - que , antes da próxima viagem, na metade de dezembro, escreverei sobre as cidades históricas de Minas e sobre as cidades europeias visitadas.Prometo!

Outono !
"Toda a paz da natureza sem gente
Vem sentar-se ao meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
............................................................
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso."

Fernando Pessoa

sábado, setembro 13, 2014

Ouro Preto, visita recomendada sempre (texto sem revisao)


Igrejas-museus

Estivemos, Zeli, minha irmã, e eu, durante três dias em Ouro Preto, bela e histórica cidade mineira. Tempo insuficiente para todos os olhares que a cidade proporciona...e merece. Para convencer-me de que conheço um sítio histórico, preciso também conhecer - ao menos um pouco - de seu entorno. Gosto de saber o rumo que a cidade tomou ao longo do tempo, para onde cresceu, como se desenvolveu...ou não, como foi seu processo de migração. A curiosidade me torna ansiosa. As perguntas surgem e, para a maioria delas, não tenho respostas.


Ouro Preto está declarada pela UNESCO como Patrimônio Histórico da Humanidade. É a mais famosa das cidades coloniais mineiras, embora eu tenha escutado que Diamantina -  que também é  parte da lista da UNESCO - está mais bem preservada e cuidada. Essas duas , juntamente com Tiradentes, Mariana, Congonhas e São João del-Rei abrigam as melhores construções eclesiásticas, bem como o melhor entalhe barroco do Brasil.
 

O registro de Ouro preto como vila, iniciou-se   em 1698, com a chegada do bandeirante Antônio Dias, que ficou enlouquecido ao ver as pepitas de ouro escuro, facilmente encontradas nas minas em torno do vilarejo. Daí a origem de seu nome. Cresceu rápido - a ganância pelo ouro é antiga e chama muita gente. Em 1711, o povoado foi elevado à categoria de vila - com o nome de Vila Rica. Em 1823, tornou-se cidade, com o nome de Ouro Preto.  Prosperou, enriqueceu e demonstrou isso com o luxo e a beleza de suas  construções.


Entre 1721 e 1897, foi a capital de Minas Gerais.Construída entre montanhas, é óbvio que com  descidas e subidas, ruas íngremes e confusas, nos primeiros passeios a gente se sente espacialmente confusa, mas, pouco a pouco, vai -se acostumando ao traçado e descobrindo verdadeiras joias arquitetônicas, como as casas do século XVII, os chafarizes e as igrejas. O centro histórico está bem conservado e cuidado, incluindo o calçamento das ruas, as fontes e a iluminação.


Pelo número e bela suntuosidade das igrejas, pode-se pensar no quanto de ouro e dinheiro rolou por ali. A riqueza precisou de artistas também. Precisava-se, além da opulência, de bons artistas e bons artesãos para que a beleza fosse inigualável e de forte presença. Ouro Preto revelou ao mundo figuras extraordinárias como o pintor eclesiástico Mestre Athayde e o grande escultor Aleijadinho.

 Trabalhos em crochê preservavam a intimidade das casas
A Inconfidência Mineira, liderada por Tiradentes - Joaquim José da Silva Xavier - teve sua base em Ouro Preto. Hoje , a  praça principal da cidade chama-se Praça Tiradentes e está localizada no antigo Morro de Santa Quitéria. Ali está o Museu da Inconfidência , que já foi prédio público da Coroa, Palácio dos Governadores, Câmara e até cadeia. No centro da praça, está o monumento a Tiradentes, no mesmo lugar em que foi colocada sua cabeça - ele foi o único rebelde contra os colonizadores portugueses a ser executado.

Monumento a Tiradentes
Tive um diálogo interessante com um taxista ao indicar-lhe o caminho da pousada onde estávamos. Como não lembrei o endereço, tentei fornecer-lhe indicações do local. Falei que era uma descida depois de uma subida forte. Ele me respondeu que, em Ouro Preto, essa era a indicação de qualquer lugar...Acrescentei que estava próxima a uma grande igreja...Ele acrescentou que era, portanto , como todas as outras pousadas...Felizmente lembrei que era próxima a um museu, restringindo,assim, o número delas. Por sorte, lembrei-me o nome - com a ajuda de minha irmã. Digamos que eu estava tonta de tanta beleza.

Ao fundo, Igreja de São Francisco de Assis

A Igreja de São Francisco de Assis ( 1766-1802 ) é a obra-prima de dois grandes mestres do Barroco: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e Manoel da Costa Athayde. É uma das mais importantes do rococó latino-americano e talvez a que conjugue a maior harmonia no trabalho desses dois grandes artistas. Na frente dessa igreja, está localizada uma grande feira de artesanato, com o predomínio de objetos feitos em pedra-sabão - peças lindas, preços convidativos e boa oportunidade de pagar pecados... carregando-as.

Ladeiras
Famoso pelo número de peças que esculpiu e pela qualidade de seu trabalho, Aleijadinho ( 1738-1815 ) sofreu terríveis deformações em consequência da lepra que o atingiu. Conta-se que, quando ele esculpiu as estátuas de Bom Jesus de Matosinhos, não conseguia mais caminhar e havia perdido totalmente o movimento das mãos.Continuava, no entanto , a trabalhar, com a ajuda de seus discípulos que o carregavam morro acima e amarravam martelos e cinzeis às suas mãos. Há lugares quer preservam materiais do Aleijadinho, como o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra. Lamentavelmente, estão proibidas as fotografias, mesmo sem flash, na maioria dos espaços internos.


Além da Igreja de São Francisco de Assis, cujo teto impressiona pela sua leveza e grandiosidade, visite a Matriz de Nossa Senhora do Pilar, que, para sua construção, foi usada quase meia tonelada de ouro e mais meia tonelada de prata. Na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, foram enterrados Aleijadinho e seu pai, Manoel Francisco Lisboa , arquiteto e mestre de obras.Na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, há uma fonte rococó belíssima e uma estátua de Santa Helena, obra de Aleijadinho também. Sem exagero, há tantas igrejas em Ouro preto que, se você for fazer os tradicionais três pedidos em cada uma delas....vai precisar de uns três dias...
Saudades de Alegrete......
Assistimos, inicialmente em Ouro Preto e, posteriormente, em Mariana, as festividades alusivas à Independência do Brasil. O cenário contribuía para a beleza do evento. Uma simples banda escolar, frente a um solar, sobrado ou igreja, comovia pelo conjunto que formava. Como gosto muito de cavalos, encantei-me com o desfile dos (poucos) cavaleiros, usando apeiros e trajes tão diferentes do sul. Realmente diversidade e diferença é riqueza cultural de qualquer país.

.....comemorações do Sete de Setembro.
As igrejas são realmente fabulosas, mas há outros lugares que merecem uma visita, como a Casa dosContos, antiga fundição de ouro, hoje local de exposição de mobiliário dos séculos XVIII e XIX; o Museuda Inconfidência, na Praça Tiradentes, onde está a estátua de Tiradentes; o Teatro Municipal, antiga Casa da Ópera; e a Rua Direita, por onde caminham - deslumbrados - turistas e viajantes brasileiros e estrangeiros.


Há muito o que contar de Ouro Preto e das demais cidades históricas mineiras. O intervalo entre a viagem a Minas e a viagem seguinte, entretanto,  foi pequeno - menos de uma semana. Embora quebrando a cronologia, ao retornar da Europa, em outubro, continuarei escrevendo sobre a bela Minas Gerais. Agradeço a Zeli, minha irmã caçula, a alegria compartilhada nesta viagem mineira e maneira. Sem o estímulo dela, eu não teria ido - e não teria (re)visto tanta grandiosidade e beleza, que nos remete a um período histórico riquíssimo. Brigadim, Zeli!


Minha irmã Zeli
"Que lindo dia o que vemos!
Mas, como estes tempos vão,
É bom que não confiemos....
É melhor dizer que temos,
Não um dia de verão,
Mas um dia de veremos."

Fernando Pessoa