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terça-feira, março 06, 2018

2018 : roteiros e "gente como a gente" ....3a. Parte























O roteiro do meu último mês de permanência na Europa, em 2018/1, está parcialmente aberto. Não consegui entrar em acordo " comigo mesma " sobre o que fazer e o que ver ou rever na Espanha. Decidido  mesmo é que irei a Granada de que tanto gosto e à histórica Antequera. Nessas  duas cidades, permanecerei durante uma semana, fazendo viagens rápidas  a  duas outras  cidades da maravilhosa Andaluzia.






Decidido também está que continuarei a explorar os Pueblos Blancos. Já tenho, por essa razão,  uma reserva de hotel para hospedar-me durante uns 10 dias, em Arcos de la Frontera,   cidade a partir da qual visitarei outros  tantos Pueblos. Como essa permanência será em final de maio e início de junho, terei que considerar a temperatura, já que, nessa região, pode-se chegar facilmente até 45  graus.





Pueblos Blancos são  históricos e encantadores vilarejos ou cidades de montanha, com casas caiadas - todas muito branquinhas é óbvio - no mais tradicional estilo mouro. São muitos, com diferenças e com atrações diversas, o que torna difícil a seleção do que ver. A cada ano, elejo alguns para visitar. Adianto, entretanto, que Ronda continua sendo a minha favorita na região.







Em Arcos de la Frontera,  a mais populosa cidade da Província de Cádiz, será, como escrevi acima, minha base, a partir da qual visitarei outros  tantos Pueblos.   Em Arcos, fundada por romanos,  pode-se visitar, entre outras atrações,  o Castelo dos Duques, famoso pela sua fachada barroca e renascentista, as muralhas e, no centro histórico, os arcos de estilo gótico.






De Arcos de la Frontera, penso fazer um bate-e-volta a El Bosque, que está distante apenas 27 km e localizado ao pé da Sierra de Grazalema. Nesse pueblo, me encantaria ver os moinhos de água e o seu famoso Jardim Botânico.  É um Pueblo Blanco  que está na entrada do Parque Natural dessa Serra. El Bosque pode ser um dos caminhos para se chegar a  outros povoados que me interessam, como Ubrique, Grazalema - no centro da serra do mesmo nome - e Puerto de el Boyar.







Os Pueblos Blancos já por mim selecionados para visitar em 2018, além de Arcos de la Frontera e El Bosque,  são:  Bornos, Ubrique, Grazalema, Olvera, Zahara de la Sierra, Setenil de las Bodegas e Algodonales. Posso, obviamente,  suprimir alguns desses ou trocar por outros, à medida que for fazendo descobertas na região. É importante saber  que não existe uma rota dos Pueblos Blancos. Eles estão dispersos da costa à montanha. A  rota, cabe a cada viajante fazer a sua.





Em Bornos, sei que há uma histórica torre fortificada, construída pelos árabes,  e que  são famosos seus mosteiros, conventos e igrejas, bem como o Castelo/Palácio dos Ribera, que dizem ter um belíssimo jardim renascentista. Ainda não sei em que momento incluirei Vejer de la Frontera neste recorrido - mas quero muito ver essa cidade, que se localiza no alto de uma colina.  







Em Ubrique, o mais rico e maior pueblo da Sierra de  Grazalema,  encontram-se ruínas
da ocupação romana; em Setenil de las Bodegas estão as casas que foram construídas aproveitando a encosta; já Olvera tem fama de ser imponente e bela.     Espero surpresas agradáveis e valiosas descobertas no desenrolar deste roteiro.




   


Percebo que este esboço de roteiro está confuso e talvez sem uma consistente lógica espacial.Isso aconteceu porque me dediquei ultimamente a estudar os países da ex-yugoslávia e mais um pouco da Jordânia e deixei a última parte do meu roteiro para finalizar ainda durante a viagem. Depois de estudar mais e até mesmo depois de percorrer os Pueblos Blancos, farei, com certeza, um texto definitivo e de melhor qualidade. Prometo!

























" E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta,  porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta.  E nada que se pareça com isso devia ser o sentido da vida...."

Fernando Pessoa

Em Darmsala, esperando passar o Dalai Lama.


quarta-feira, janeiro 17, 2018

Amanheci assim...








"O que me doi não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão....





São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.






São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma, 
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma."

Fernando Pessoa




quinta-feira, novembro 09, 2017

Europa 2018/Estudos Preliminares




Sobre a minha mesa de trabalho, um mapa grandão da Europa, meu inseparável companheiro de decisões....



.... alguns Guias de Viagem,




... um Calendário com espaço para anotações,




... observações e lembretes que fiz em viagens anteriores,




... recortes de jornais, revistas e publicações diversas,




... informações que me vêm de amigos viajantes;




... e o note para acessos a fotos, vídeos, notícias, blogs e  google, 




... com isso tudo, mais a experiência e a intuição, construo o Projeto Europa/2018.




A primeira etapa está programada desde que retornei neste 2017  e inclui oito cidades pequenas , localizadas no interior da Espanha, da França e de Portugal. Obs. Aumentei para 11 pois inclui Lugo, Vigo e Ourense.




A segunda etapa, em que estou trabalhando nestes dias,  detalha bem os Balcãs : Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Sérvia, Montenegro, Macedônia e Kosovo....




No Leste Europeu - minha grande paixão - certamente irei a Budapeste. Pretendo, no entanto, logo depois, ver bem a Romênia : do Castelo de Drácula a Bucareste. Estou em dúvida entre visitar novamente a Bulgária ou fazer direto Bucareste/ Madrid.




As definições chegaram até aqui. A última etapa ainda não está delineada. Até final de dezembro, entretanto, deverá estar concluído o projeto todo. 




PS.Ilustrei este post com plantas  para atrair boa sorte! Sugestões e informações são muito bem-vindas. Gracias. Obrigada. Thanks. Grazie.


" Vão breve passando
Os dias que tenho.
Depois de passarem
Já não os apanho."

Fernando Pessoa



segunda-feira, maio 15, 2017

Para Família, Amigos e Leitores do Correndomundo

Áustria - Viena
“Parto com a certeza de deixar para trás motivos suficientes para o não fazer. Mas um sonho tem a força de transformar uma ideia em algo imperativo, inadiável, inquestionável. Aterrorizar-me-ia chegar tarde na vida com a tortura do pensamento: 'quem me dera ter feito aquela viagem…’” 

Alma de Viajante
newsletter@almadeviajante.com



Àustria - Salzburg
PS. Estarei viajando por três meses. Darei notícias assim que chegar e sempre que puder. Beijos. Aldema

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia
Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói

sexta-feira, março 04, 2016

Planejamento - em continuidade...


Todas as fotos deste post,   eu as fiz na China 

Tive ótimas pessoas como companheiras de viagem - especialmente Ronald durante quase cinco anos. A maioria das minhas viagens, entretanto, eu as fiz sozinha. Em razão disso, construí algumas estratégias tranqüilizadoras tanto para mim quanto para minha família. Algumas delas relatarei aqui.




Reafirmo, entretanto, que eu sinto prazer em viajar na companhia de mim mesma. Sou bem minha amiga e tenho belas recordações para evocar. Além disso, viajar sozinha torna-nos mais livres para fazer escolhas, tomar decisões e aproveitar bem o tempo. Sim! Muitas vezes gostaria de ter alguém para comentar, por exemplo, um acontecimento inesperado, comovente ou divertido. Nessas horas, costumo escrever.





Se o planejamento de uma viagem é importante, para quem viaja sozinha, então, torna-se imprescindível. Costumo deixar com minha família e alguns amigos o itinerário que pretendo
fazer. Se o altero, aviso a todos. Se tenho amigo(s) no país em que estou visitando, informo-o(s) por onde ando e quanto tempo pretendo permanecer ali - se bem que hoje, com tantos recursos tecnológicos, tudo nos foi facilitado.




Deixo também cópias do passaporte e dos seguros de viagem. Sempre viajo com reservas de hotel - faço isso desde que tive de dormir numa estação de trem, em plena temporada de ópera, em Verona. Já perdi ou cancelei reservas por mudar roteiro, mas isso foi uma escolha deliberada.





A seleção dos hotéis eu as faço recorrendo a endereços já conhecidos ou a cadeias bem conceituadas - depois de analisar detidamente, no mapa, a localização do hotel. Reservo - os por internet e quase não tive problemas com isso. Somente uma vez debitaram algumas diárias de um desconhecido hotel no meu cartão. Após alguns e-mails e telefonemas para a operadora, o indevido total me foi estornado no mês seguinte. Já faz alguns anos que uso o booking.com para hospedagem. Para tudo o mais, sou fiel cliente da Ktour , em Santa Maria - agência impecável.






Uso mala, devidamente etiquetada, que eu possa carregar sem depender de ajuda. Uma vez pedi a um senhor que me ajudasse a descer uma mala de um trem, e ele me respondeu que não e ainda acrescentou: nunca leve o que você não pode carregar sozinha! Reconheci a razão dele e fiquei com vergonha de ter feito o pedido. Atualmente, já no aeroporto, fotografo minha bagagem - em caso de perda, agiliza as informações.





Já perdi malas muitas vezes. Nem me preocupo quando isso acontece. Faço os registros na companhia aérea e vou para o hotel sem stress.  Sempre as recebi de volta. Aprendi, apenas, a carregar algumas roupas, medicamentos e objetos a que dou muita importância, na mesma mochila em que levo o notebook.



Procuro chegar com antecipação em aeroportos e estações de trem. Não perco de vista, nem por instantes, a minha bagagem. Mesmo assim, uma vez esqueci a mala, na frente do aeroporto, em Israel, em plena guerra, fazendo pessoas e policiais correrem alarmados à procura do dono da mala e dos especialistas em bombas. Um vexame!  Acabei tendo que preencher muitos formulários e responder a uma entrevista, que teria passado sem ela.





Neuroticamente, já dormi com a bolsa embaixo do travesseiro e já construí uma armadilha de
cadeiras e mesas encostadas na porta. Atualmente, não mais me estresso, mas continuo cuidadosa:   meu medo maior é  a perda do passaporte. Para tanto, costumo dizer que não se deve dar chance ao azar.





Apesar desses cuidados todos, já enfrentei alguns problemas. Uma vez, ao sair do hotel para o aeroporto de Delhi, pedi que ao recepcionista que chamasse um táxi, desse meu roteiro, acertasse o preço e, ainda dei-lhe o dinheiro para pagar a corrida – o que foi feito na minha presença. Quando passávamos por um lugar mais deserto, o motorista parou o táxi e me disse que, se eu não desse a ele mais dinheiro, ele me deixaria ali mesmo. Mandou que abrisse minha bolsa e mostrasse o quanto tinha de dinheiro havia dentro dela.....






.......Eu tinha apenas rúpias suficientes para um café no aeroporto – o equivalente a cinco dólares. Entreguei o dinheiro todo, incluindo moedas. Talvez porque eu estivesse muito tranqüila, ele acreditou que meu dinheiro era só aquele. Felizmente salvei alguns euros que tinha numa subdivisão da bolsa. O taxista deu a partida e deixou-me no aeroporto. Quando me vi fora do táxi e de posse da minha mala, pensei em avisar a polícia. Desisti. Eu havia vivido, durante meses, muito bem e viajado por muitos lugares lindos da Índia. Não queria outro mau momento, logo na minha saída. Já me bastava o cretino do motorista!




Os mapas das cidades, que normalmente estudo antes da viagem, eu os olho e analiso novamente ainda no hotel - nada de "dar bandeira" olhando-os na rua e  demonstrando que o lugar me é desconhecido. Evito ficar pedindo informações o tempo todo. Basta também usar o GPS...






Quando quero alguma foto minha, costumo pedir a outro turista que a faça – gosto de pedir para japoneses que são, em geral, muito gentis e conhecedores de câmeras. Não chego a ser tão desconfiada quanto quatro senhoras brasileiras, a quem me ofereci, em Insbruck, para fotografá-las juntas, e elas não só fugiram de mim como saíram gritando: pensa que somos idiotas, sabemos que vocês roubam máquinas fotográficas assim!!! Fiquei mais assustada do que elas! Depois ri muito, rememorando a cena.





Antes de partir, faço uma cuidadosa, mas pequena, aquisição de medicamentos para gripe, alergia e problemas estomacais - resultantes, em geral, de mudanças bruscas na alimentação. Compro, ainda, antibiótico, que as farmácias não vendem sem receita, aqui ou em muitos outros países. A partir dos meus setenta anos, passei a fazer uma consulta antes de partir, ainda que seja só para ouvir o médico dizer que estou ótima. Fico mais tranqüila!




Viajo com tênis, sapatos ou sandálias, todos usados e bem testados. Em geral, abandono sapatos e roupas - também muito usadas - pelo caminho. Assim fazendo, posso carregar algumas comprinhas, embora eu tenha aprendido a comprar muito pouco.




Com câmera, livro, telefone,Ipod e notebook, estou equipadíssima para muitos meses. Atualmente é muito fácil viajar com serenidade. Sabe-se notícias de casa o tempo todo. O retorno já não é cheio de surpresas: as fotografias postadas já contaram quase tudo. Parte do encanto do retorno foi anulado pelo uso constante da internet. 




Considero que ler muito sobre os países a serem visitados, antes e durante a viagem, continua sendo garantia de aproveitamento e tranquilidade - seja viajando sozinha ou acompanhada. Foi ótimo ter lido bastante sobre a Índia e sobre a China, países que considero complexos para o entendimento dos ocidentais. Li, com muito cuidado, a Bíblia, antes de viajar para Egito, Israel e Palestina. Os lugares
visitados adquirem outra dimensão quando se tem um conhecimento prévio. 




É fundamental, ainda, em qualquer viagem, ter o olho limpo, para poder enxergar cada cidade como única. Não compará-la com nenhuma outra. As comparações limitam o olhar.  Ensinei aos meus filhos que o mundo é redondo, bonito e fácil de andar. Estar atento, sim! Ter medo, não. Ou se tiver medo, administrá-lo.




“O meu olhar é nítido como um girassol.

Tenho o costume de andar pelas estradas

Olhando para a direita e para a esquerda,

E de, vez em quando olhando para trás..




E o que vejo a cada momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...




Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,

Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo.”

Fernando Pessoa