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quarta-feira, abril 12, 2017

Alegrete e o "Negrinho do Pastoreio"de Vasco Prado


Foto by Vinicius Marcanth

Negrinho do Pastoreio, a lenda mais conhecida no Rio Grande do Sul, tanto rural quanto urbano, foi muito contada e comentada pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. Meio cristã, meio africana, surgiu e ganhou espaço no século XIX - e nunca mais foi esquecida. Está presente, principalmente, em músicas, esculturas e rezas e promessas quando se procura algo perdido.


Foto by Vinicius Marcanth

É comum no Rio Grande do Sul , principalmente em área rural, pessoas recorrerem ao Negrinho do Pastoreio para encontrar objetos perdidos. Deve - se, para tanto,   acender uma vela, próxima ao moirão de uma cerca ou deixar ali algumas flores para o Negrinho,  acompanhando esse ato com as eguintes palavras: Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi... Afirma-se que, se ele não achar, ninguém mais encontrará o que doi perdido.


Foto by Vinicius  Marcanth


 " Conta a lenda que nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e peões. Em um dia de inverno, fazia muito frio e o fazendeiro mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros que acabara de comprar. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. Disse o estancieiro: "Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece". Aflito, o menino foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou o cavalo pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo. De volta à estância, o estancieiro, ainda mais irritado, bateu novamente no menino e o amarrou nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha. A partir disso, entre os andarilhos, tropeiros, mascates e carreteiros da região, todos davam a notícia, de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, montado em um cavalo baio..." http://www.sohistoria.com.br/lendasemitos/negrinho/


Foto by Vinicius Marcanth
Em 1968, para a cidade de Alegrete, no Rio Grande do Sul, o famoso Vasco Prado esculpiu em bronze o Negrinho do Pastoreio - que Vinicius Marcanth fotografou ( obrigada, Vinicius!). Ao ser colocada no Parque Rui Ramos, despertou a ira de muitos gaúchos, que até cogitaram de laçar a escultura e jogá-la no rio Ibirapuitã. Nesse período, eu morava em Alegrete e já me interessava por arte. Guardei a expressão muitas vezes ouvida com tristeza: " não entendo de arte, mas aquele cavalo parece um porco ( gordo ), e o Negrinho é magro demais, tem a cabeça pequena e vai com os braços levantados - isso não é jeito de montar a cavalo". O tempo, entretanto ,  passou. Novos sentidos foram sendo gerados. Hoje, é um símbolo e uma atração turística da cidade - com razão! 

Foto by Vinicius Marcanth

À esquerda da escultura, uma homenagem a Rui Ramos, famoso político alegretense, onde se lê: "A Rui Ramos, humanista preocupado com a terra e com o homem, a homenagem do povo que luta por um Negrinho do Pastoreio triunfante, sem os grilhões de uma economia atrasada e com a esperança de um mundo livre e sem medo, tal como ele o desejou (20-09-1968)".


Parque Rui Ramos by Vinicius Marcanth

Retornei de Alegrete há três dias. É minha cidade preferida no Rio Grande do Sul. Se você não a conhece,..visite-a  e, se  possível, faça isso na Semana do Gaúcho, em setembro. Assistirá a uma das maiores e mais bonitas  festas tradicionalistas do Sul do Brasil. Se não for em setembro, em qualquer outro mês a cidade estará linda - e a escultura de Vasco Prado poderá  ser admirada.

Autor: Eroni Alves 

Negrinho do Pastoreio
Barbosa Lessa

Negrinho do Pastoreio
Acendo esta vela pra ti
E peço que me devolvas
A querência que eu perdi
Negrinho do pastoreio
Traze a mim o meu rincão
Eu te acendo esta velinha
Nela está meu coração.

Quero ver meu lindo pago
Coloreado de pitanga
Quero ver a gaúchinha
A brincar n'água da sanga

Quero trotear pelas coxilhas
Respirando a liberdade
Que eu perdi naquele dia
Que me embretei na cidade

.............................................................................

https://www.letras.mus.br/barbosa-lessa/212848/


Com meus agradecimentos a Vinicius Marcanth

quinta-feira, março 23, 2017

Cultura Gaúcha: Ritual de Visitas


                                                                     Bela União - todas as fotos

Com ensino, pesquisa e extensão,  atuei em meio rural, principalmente com formação de professores para áreas indígenas e para áreas de fronteira, por mais de 30 anos. Convivi com a realidade de professores leigos, e/ou com classes multisseriadas, ou com o isolamento de escolas bem distantes de centros urbanos. Desenvolvi projetos em seis estados brasileiros e  busquei informações em cinco países de área de fronteira. Realidade dura em lugares lindos.




Fui bastante próxima das comunidades e das famílias - fiz amigos de quem lembro com carinho e saudade. Difícil  separar educação e cultura. Difícil pensar em processos educativos sem considerar a cultura do grupo com que se trabalha. Impossível excluir cultura de qualquer lugar que se visite. Já escrevi que um viajante precisa ter olho limpo para perceber as nuances culturais de diferentes grupos, sem comparar ou sobrepor imagens. Comparações limitam o olhar - muitas vezes disse isso a meus alunos.




Estando agora, por um mês, em casa, na região da fronteira do Rio Grande do Sul - alegretense eu me considero - voltei a pensar sobre aspectos bem particulares da cultura gaúcha, no meio rural em que vivi, localizado entre Rosário do Sul e Alegrete, nas vizinhanças do Uruguai e da Argentina. Optei por escrever sobre o ritual de visitas, que tanto me impressionava na Bela União, antiga propriedade da minha família, lugar onde nasci e onde vivi até 15 anos de idade.





Visitas de parentes ou de amigos consolidavam laços interpessoais e aprofundavam vínculos afetivos. Possibilitavam  troca de informações, relatos de novidades e até confidências e comentários da vida alheia. Caprichavam-se nas roupas, tanto de quem recebia quanto de quem visitava. Arrumava-se a casa para dar boa impressão aos visitantes e desenrolar com bons modos o ritual todo - da chegada à partida.





Os visitantes usualmente chegavam aos domingos, pela manhã, se morassem um pouco longe; ou pela tarde, se fossem de vizinhos de perto. Eram recebidas pelos donos da casa - na falta deles, por algum adulto. Posteriormente, as crianças eram chamadas para dizer adeus - ou dar adeus - aos visitantes. Se fosse inverno, um licor de frutas, caseiro, era servido. Logo depois, fosse calor ou fosse frio, servia-se o chimarrão, que a pessoa tomava e devolvia a cuia, sem agradecer - o agradecimento significava que não queria mais mates.




Lembro-me que, após o chimarrão, vinha o momento em que se levavam as visitas para mostrar o jardim, a horta, o pomar ( arvoredo) e até alguns animais domésticos. Ofereciam-se mudas de plantas, sementes, algumas frutas - em pequenas quantidades, com elegância, para ser gentil, pois não se tratava de matar a fome de ninguém : muitas vezes ouvi essa explicação também na troca de presentes.





Ao retornar desse passeio ao entorno da casa, se fosse à tarde, servia-se  o café, sempre acompanhado de pães caseiros, roscas de farinha de milho, bolos ou bolinhos. Manteiga, mel,  geleias e queijos eram parte desse simples café, que se prolongava bastante, pela comida, que era muita, e pelas conversas bastante animadas.




Tenho bem presente a lembrança do pós-café. Os homens iam para mangueiras ou galpões ver as novidades agropecuárias, e às mulheres, mostravam-se álbuns de fotografia ou compras recentemente feitas na cidade. As conversas adultas aconteciam nesse momento. Era a hora em que as crianças saíam a correr e a brincar.




Nas despedidas, as visitas recebiam algum presente, que podia ser abóboras, mandiocas, batatas, verduras, frutas ou até mesmo charque ou linguiça. Não sei por quê esses presentes maiores eu os chamava  de presentes para estreitar relacionamento...Não sei se era desejo meu de conviver com a pessoa ou uma certa mesquinhez infantil. Sou mais pela mesquinhez - visitas me pareciam opressoras. Era bem mais divertido brincar com minhas irmãs, ainda que fizéssemos às vezes maldades umas para as outras....




Um dia talvez eu escreva sobre rituais de visita em comunidades bem diferentes da minha. Recordo-me, por exemplo, que, em alguns lugares do interior do Mato Grosso, assim que a visita chegava, perguntavam se ela queria tomar  banho - oferta divina naquele calorão! Acostumei-me, por isso , a carregar um vidrinho com shampoo na bolsa. 



Alguém lembra de simpatias para que a(s) visita(s) não demorasse( m ) ? A pequena e fugaz lembrança que tenho disso, faz-me crer que nem toda visita era bem-vinda. 




sábado, abril 02, 2016

Em Alegrete - a cidade que escolhi como minha.


Bela União

Em outros textos, em diferentes publicações, já contei que nasci na Bela União, propriedade de meus pais, localizada entre Rosário do Sul e Alegrete. Saí do meio rural - da campanha ou lá de fora, como se diz na região - com pouco mais de 15 anos. Morei somente 4 anos em Rosário e vim morar em Alegrete, onde vivi durante 19 anos e onde nasceram meus três filhos.


Bela União

A informação sobre minha cidade de origem era ambígua. Faltava-me convicção para dizer que eu era de Rosário; faltava-me legitimidade para dizer que eu era de Alegrete. Um dia, entretanto,tive um insight inteligente - raro certamente! - e assumi que eu era do Alegrete por escolha. Anos depois, já em 1994, recebi, o título de Cidadã Alegretense. Ambiguidade resolvida...


Uma das torres da Igreja Matriz de Alegrete

Com o tempo e as circunstâncias, optei por não ter residência fixa. Moro em muitos lugares, ou, melhor dizendo, não moro em lugar nenhum - transito por eles. Aprendi que necessito somente de um endereço para preencher formulários. Posso viver sem arroz, feijão e carne; dormir sem o meu travesseiro; não ter animais de estimação. Em raros momentos, sinto solidão - felizmente sou bem amiga de mim mesma e tenho belas lembranças para evocar.


Alegrete - trabalho do escultor Chapeu Preto

Felizmente também , ao longo dos meus 72 anos, fui  somando pessoas amadas, formando, assim,  a minha família tentacular. Onde quer que eu esteja, posso interagir com elas, ouvir e contar novidades, amenizar a saudade. Nessas horas, faço um pedido de desculpas em nome da Humanidade e uma reza de agradecimento a  Alan Turing, o inventor do sistema que nos permite hoje vencer barreiras de distâncias e , em tempo real, entrarmos em contato com nossos amores.


Prefeitura de Alegrete

Agendo anualmente parte dos meses de março e abril para organizar minha vida - e essa organização só costumo fazê-la em Alegrete, onde estou nestes dias. Na minha cidade, tudo é mais fácil - renovei minha Carteira Nacional de Habilitação, fui a dentistas , fiz exames médicos e laboratoriais, acertei contas e impostos...Tudo aqui se torna bem mais fácil, tanto pela localização próxima, quanto pela ajuda do Mile e do Fernando - meu irmão e de meu sobrinho.


Bela União

Caminho muito pela cidade, Em todos os lugares, encontro amigos, conhecidos... e detalhes da minha história de vida. Observei diferenças altamente positivas na cidade, como o cuidadoso desenvolvimento no outro lado da ponte. A UNIPAMPA parece-me um sonho...Aposentei-me pela Universidade Federal sempre reclamando do pouco investimento em instituições públicas de nível superior. Com a UNIPAMPA, ganha a cidade e ganha o País.


Visitarei meu neto em Atlanta...
Estou hoje na Bela União, lugar em que nasci e onde sou proprietária de 20% da sede antiga e também dos investimentos que fiz na propriedade. Na próxima semana, penso visitar, em Alegrete , alguns amigos. Depois ,  partir...Torres, Porto Alegre, Atlanta, New York, Philadelphia, Princeton ..... e lá vou eu....usar bem o presente que , a cada dia, o presente me dá. 


Na Bela União



sexta-feira, setembro 28, 2012

" Foi o Vinte de Setembro..."


















Pela primeira vez, escrevo sobre uma festa em que não estive. Mas o Vinte de Setembro, em Alegrete/RS, é festa de todos os anos...e, em outros anos, já assisti a ela. Sei como é - uma belezura! E, em 2013,  prometo a mim mesma estar presente. Consiste, realmente, num dos maiores - até deve ser o maior - desfile de cavaleiros e amazonas que se faz em todo o mundo. E não estou contando grandeza!



















São mais de oito mil cavalos, encilhados e com gente em cima, que desfilam pela cidade, num longo percurso, sendo aplaudidos e fotografados por muitos. Bem... o cheiro que fica na cidade, embora diferente, é tão forte quanto o que fica na Bahia depois do carnaval. Pelas fotos, vi que continuam a desfilar muitos velhos gaúchos, a cada ano mais velhos ( estou me especializando em escrever óbvios) e crianças, que distribuem sorrisos e acenos do alto da passarela que as conduzem com segurança.



















Famílias inteiras desfilam, incluindo jovens criados na cidade  e sem vivência campesina. Bonito de ver a postura deles, tão  certos de que representam um Estado culturalmente muito forte. Desfilam também cenários e cenas do cotidiano rural antigo e/ou atual, como, por exemplo,  o carreteiro - não o arroz, mas o próprio que vai com a carreta , puxada a bois; o bolicho, com seu dono, o bolicheiro, vendendo rapaduras e  alguma bebida leve e branca; as prendas, moças bonitas e já não tão casadoiras como antigamente, mostrando suas roupas tradicionais delicadamente coloridas.




















Não desejo ideologizar essa festa - muito menos construir discursos sobre ela. Por mim , podem  maragatos e chimangos exibirem-se à vontade durante a  Semana Farroupilha, uma semanana de igualdade e fraternidade.  Melhor a confraternização, ainda que passageira,  do que o enfrentamento constante e agressivo. Sou bem brasileira. Gosto do meu País. Sou bem gaúcha. Gosto do meu Estado. Tenho forte identidade regional , principalmente no acento linguístico característico de fronteira e no gosto pelas atividades do campo.



 

















Acredito que as identidades regionais , com o passar dos anos, fortalecem-se, aprofundam-se, reforçam-se  e  modificam-se também. Importante que não se percam e que apareça o sentido de pertencimento e  que ele aflore, mesmo como resistência, neste mundo massificado, onde uma bruma  triste faz com que todos pareçam iguais, em meio a brutais diferenças.



Muito obrigada à familia Marcanth pelas cessão das fotos.



















Aqui, no Rio Grande do Sul, temos muito o que exibir e do que nos exibir : música, culinária, vestuário, paisagens, histórias e História.  E temos o Alegrete, tão particular e tão característico.   As coisas ruins do Estado...bem ...não é hora, nem dia, nem semana de falar sobre elas. Olhando as fotos postadas aqui, feitas por Vinicius Marcanth, filho da Fátima , que é filha do famoso fotógrafo Jorge Marcanth - uma família de gente que tem olhos para ver  e o faz com precisão e sensibilidade - sinto a mais difícil das saudades ,  a saudade da festa que não vi e dos momentos que não vivi e " nada do que for , será...."

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Recortes da Cultura Gaúcha

Esquila na Bela União

As fotos aqui publicadas, eu as fiz em outubro de 2011, no Rio Grande do Sul, na Região da Campanha, nas proximidades do Uruguai e da Argentina. Elas mostram a realidade, ainda existente,  da Tosquia, da Tosa ,da Esquila a Martelo - diferentes nomes para a atividade anual e manual da retirada da lã das ovelhas, em geral nos meses de setembro ou outubro.







Trata-se de um trabalho árduo a que se dedicam os esquiladores que, quando hábeis, conseguem tosar mais de  trinta ovelhas por dia. Telmo de Lima Freitas, conhecido cantor e compositor de música regional  gaúcha, escreveu sobre o Esquilador. Nessa canção, destacam-se vocabulários tipicamente Sul-Riograndenses, descrições do ato de tosar e das condições - social e existencial -  dos antigos tosadores ( http://letras.terra.com.br/telmo-de-lima-freitas/740284/ )



           





"Quando é tempo de tosquia já clareia o dia com outro sabor.
As tesouras cortam em um só compasso enrijecendo o braço do esquilador

Um descascarreia, o outro já maneia e vai levantando para o tosador .

Avental de estopa, faixa na cintura e um gole de pura pra espantar o calor
Alma branca igual ao velo, tosando a martelo quase envelheceu


 Hoje perguntando para a própria vida pr'onde foi a lida que ele conheceu

Quase um pesadelo, arrepia o pelo do couro curtido do esquilador
Ao cambiar de sorte levou cimbronaço ouvindo o compasso tocado a motor

A vida disfarça lembrando a comparsa quando alinhavava o seu próprio chão
Envidou os pagos numa só parada, 33 de espada, mas perdeu de mão.


Nesta vida guapa vivendo de inhapa, vai voltar aos pagos para remoçar
Quem vendeu tesouras na ilusão povoeira, volte pra fronteira para se encontrar
Volte pra fronteira para se encontrar".

http://youtu.be/HvjIqEHQmaQ

segunda-feira, agosto 16, 2010

Festa em Família: Airton Amaral



Airton,Vera, filhos e netos




















Estou convicta de que, na minha idade, a gente tem bem mais de uma família. O tempo, o convívio, o afeto e a própria história de vida nos integram a outra(s) família(s) que passam a ser como nossa(s).
Ontem, estive na festa dos 70 anos do Airton Amaral. Quando foram fazer a foto dele com os seus irmãos , por ordem de idade ( Marcos, no lugar de seu pai Arilde , o irmão mais velho,já falecido, seguido de Airton, Arilton, Altamir, Amilton, Antônio Ângelo, Tudinha, Antonio Augusto e Isaurinha) eu fiquei bastante emocionada, com vontade de chorar.


Meus pais e os pais do Airton ( A menininha sou eu )




Àquela foto, que estava sendo feita, eu sobrepunha outra, feita há 58 anos: casamento da minha irmã mais velha – ela, o marido, eu ( com 8 anos) meus pais e os pais do Airton - uma relação de família, portanto, anterior – eu bem sei - ao nosso nascimento. Rememorei , ainda, duas outras cenas : o pai do Airton chorando no enterro do meu pai e , muitos anos depois, todos os meninos presentes no enterro da minha mãe. Somos , de fato, família.


Meus pais 



















Na casa deles, nasciam mais meninos – somente duas meninas. Na nossa casa, mais meninas – somente dois meninos. Apesar dessa diferença de gênero, brincamos juntos quando criança, nas visitas que se faziam nossos pais ou nas festas em que a gente se encontrava. De minha infância, já tenho lembranças esparsas, como : Arilton , tremendo ao fazer um exame de leitura na escola; Mile e Antônio Ângelo brigando e brincando juntos, muito amigos de pequenos até hoje; eu levando um presente para o Antônio Augusto quando ele nasceu - Toniquinho foi sempre meu baby brother; a minha admiração pela angelical beleza da Isaurinha e pela firmeza e determinaçao da Tudinha...Da minha adolescência , lembro as festas, a alegria dos encontros, as conversas, as risadas, a amizade sempre. Lembro das viagens com nossos filhos pequenos. 


Airton e seus irmãos



















Conhecemos a história de cada um dos integrantes de nossas famílias – que Airton e eu gostamos de relembrar e comentar, ampliando também para as histórias da região. Rimos das mesmas histórias já faz mais de 50 anos, como a dos Tinhecos, meninos terríveis da vizinhança. A Vera, com sua paciência e tranqüilidade, escuta as histórias que já conhece de muito tempo – e ri conosco.Gosto muito dela.

Meus irmãos


Estamos hoje todos entre 50 e 70 anos. Nossos pais têm existência em nossa memória e saudade. Nós temos filhos, netos, sobrinhos, cunhadas, cunhados – gente linda , gente boa , família grande . Como não lembrar da Neneca, da Claide, do Ricardo, do Fábio, do Luciano e dos outros todos ? Interessante e sábia a observação do Ronald quando chegamos em casa: É muito bonita essa outra tua família.


Airton. eu e Ronald



















Continuamos, ainda bem, com a condição de estarmos solidariamente juntos, nas mais diferentes circunstâncias :  em casamentos, aniversários, solenidades e funerais. Continuamos com a condição de rir e de relembrar nossa grande família, composta hoje de várias famílias.


Vera, Airton e filhos


















Airton, meu amigo-irmão, nosso bem mais precioso é a capacidade de amar, “amar uns aos outros...” e nós recebemos esse tesouro. Agradeço aos Céus por termos tido a condição ,a capacidade e a oportunidade de, a cada encontro, não importando o tempo de afastamento, darmos continuidade aos assuntos como se tivéssemos nos encontrado um dia antes - invariavelmente iniciando as conversas com o "tu te lembras...?". Isso é o que importa. Esse é o verdadeiro vínculo familiar.


Vera, Airton e Filhos

ETERNIDADE

Quando os meus filhos
disserem aos meus netos
o quanto eu os amava;
e quando os meus netos
disserem aos meus filhos
que guardam lembranças minhas
e de mim sentem saudade,
não terei morrido nunca:
serei eternidade!

Poema de Maria Gessi Bento,
que transfiro também aos amigos.

quinta-feira, março 26, 2009

" Não me perguntes onde fica..."




















Estou em Alegrete, desde ontem. Tudo me é familiar. Vivi quase vinte anos nesta cidade. Sou do tempo em que o pão era deixado, ainda quentinho, na janela da minha casa e que o leite era entregue, na porta, pelo leiteiro. Meus filhos são alegretenses. Minha vida profissional foi iniciada aqui. Revejo alguns amigos , colegas e ex - alunos. Relembro outros amigos, presentes hoje na minha memória e saudade. Recordo muitas histórias, umas dramáticas, outras divertidas. Percorro ruas conhecidas - e lamento apenas a arquitetura alterada das antigas casas. Gosto das praças, do rio, das árvores frondosas. Gosto das lembranças que tenho daqui , gosto, por isso , do que escreveu José Bicca Larré:
"...Alegrete, patrimônio histórico há muito tombado nos anais da minha saudade e definitivamente catalogado entre os meus afetos! "

quinta-feira, junho 01, 2006

Meus espaços preferidos - Alegrete



São belíssimos o Rio Ibirapuitã e os campos de Alegrete. A cidade é simpática, com cerca de 80 mil habitantes e uma cultura muito própria. Por mim, seria Patrimônio Cultural da Humanidade...





Igreja Matriz e Praça principal de Alegrete. Aqui Iolandinha e Domingos batizaram Gugu. Ao lado desta Igreja, está a Faculdade onde estudei e onde fui professora até minha mudança para Santa Maria.





Ensinei Língua Portuguesa, durante dois anos, na Escola "Divino Coração". Tive alunos maravilhosos aqui. Lembro de cada um deles com muito carinho.Saí dessa Escola quando fiquei grávida de meu filho caçula - depois de ouvir da diretora que " mulher grávida era muito problema para uma escola"...





Aqui, no Instituto de Educação "Osvaldo Aranha", fiz o Curso de Magistério ( o Curso Normal), onde tive alguns professores ótimos, que definiram minha vida profissional, como Enaura, Domingas, Judeth, Elisa, Iolanda e Maria Mota. Aqui também lecionei, no início de minha carreira docente, Língua Portuguesa e Literatura Basileira e Redação e trabalhei na Coordenação, junto com Alzirinha Vargas, uma das pessoas mais inteligentes que eu conheci em Alegrete.


Uma das torres da Igreja Matriz




















No IEOA, convivi com a dura realidade do ensino noturno , o que me levou mais tarde a ter alguns projetos de ensino,pesquisa e extensão para estudar esse tema/problema. Fui do comando da primeira greve de professores do Estado do Rio Grande do Sul ( Luísa,Isar, Isoldinha e eu). Pedi demissão ao final de sete anos de trabalho,em 1979, logo depois do término dessa primeira greve.


Escultura de " Chapeu Preto"


























Comecei como professora de ensino primário, em escolas municipais, depois de passar em concurso público. Fui professora de Língua Portuguesa no IRMA e no "Emílio Zuñeda". Fiz muitos amigos em todos os lugares por onde passei. Ensinei Lingüística, Língua Portuguesa e Metodologia de Ensino na Faculdade de Filosofia,Ciências e Letras de Alegrete. Fui a primeira professora da FAFIAL a fazer mestrado, ainda na década de 70, na Pontifícia Universidade Católica do RGS. Antes, eu havia cursado Letras nessa mesma Faculdade e também cursado alguns semestres de Pedagogia em Uruguaiana.



Escultura na chegada em Alegrete 


























Fui professora e coordenadora pedagógica da Escola Agrotécnica de Alegrete, na época pertencente à Universidade Federal de Santa Maria - UFSM. Em 1982, fui morar em Santa Maria, mas sempre conservei vínculos com esta cidade, através, principalmente, dos meus muitos amigos, como João e Ilka,Domingos e Iolanda, Pithan e Ana,Sílvio e Vera, Ilza Paz, Eleú Menezes, José Romeu e Sandra, Valdemar e Gladys. Creio, entretanto, que meu maior vínculo é o fato de meus três filhos e de meus dois sobrinhos - Fabianinha e Fernando - serem alegretenses. 


Sou muito orgulhosa de ter recebido,numa solenidade linda, na Câmara de Vereadores, o título de "Cidadã Alegretense" - portanto sou hoje também do Alegrete! Tentarei encontrar fotos dessa belíssima solenidade, presidida por Eroni Carus.