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sábado, novembro 05, 2011

Letônia : cemitérios e memoriais




















Letônia  também tem, nos seus cemitérios, locais interessantes de visitar. No Cemitério dos Irmãos , as esculturas mais famosas são Dois irmãos, O Cavaleiro Perdido e Mãe Letã, trabalhos do escultor Kärlis Zäle. Nele, estão enterrados os letões que morreram em defesa do País na Primeira Guerra Mundial e na Guerra da Independência. No Cemitério Rainis, estão enterrados, entre outras pessoas, escritores, escultores, artistas plásticos e músicos.




















No Cemitério Florestal, iniciado em 1913, a escultura mais famosa é Mãe Chorosa, que assinala a morte de um ministro das relações exteriores do País, ocorrida em 1925, em circunstâncias nunca esclarecidas. O autor dessa escultura – Janis Rozentäls - também está aí sepultado. Eu queria muito ver o Memorial do Holocausto , na Floresta Bikernieki. Por sorte, depois de visitarmos o Museu do Automóvel, chamamos um táxi para retornar ao centro e, ao comentar com o motorista minha vontade de ver o Memorial, ele imediatamente prontificou-se a levar-nos, já que íamos passar perto, e esperar-nos na estrada próxima à Bikernieki. Assim fez, demonstrando emoção com o nosso interesse.






















Caminhamos uns cem metros para dentro da Floresta e lá estava esse Memorial, inaugurado em 2001, no lugar onde os nazistas executaram e enterraram quarenta mil judeus, trazidos da Alemanha e de outros países europeus ocupados entre 1941 e 1944. No centro do pavilhão, na entrada do Memorial, numa grande pedra escura, está escrito ( tradução): “Ó terra, não cubras o meu sangue, e não haja lugar em que seja abafado o meu clamor.” ( Jô 16: 18).





















Esta foi a visita que mais me abalou emocionalmente na Letônia. Eu via setores com o nome de cidades que conheço, como, por exemplo, Brno, Praga, Frankfurt e Colônia, e que considero pacíficas e bonitas e pensava no que o ser humano é capaz quando encontra um grupo e um ambiente afins com suas idéias – ainda que de destruição, morte e dor. Nessas horas sempre penso na dor de pais que perdem filhos, dor maior que alguém pode ter.

quinta-feira, novembro 03, 2011

Letônia: Museu do Automóvel





















Não me considero turista; sou mesmo andarilha, viajante. Tenho a vital necessidade de mover-me pelo mundo, um mundo que é redondo, bonito e fácil de andar. Gostaria que todas as pessoas pudessem viajar – e tivessem o gosto de fazer isso – mesmo que fosse para as cidades próximas de sua casa. O limite espacial é de cada um, assim como o tempo e o dinheiro disponível .Gosto muito de dar informações sobre os lugares que conheço, sobre coisas que vi, sobre experiencias que tive. Leio muito sobre os lugares que planejo – ou sonho - conhecer. Estudo-os antes, durante e depois de viajar. Considero-me razoavelmente informada sobre viagens – oposto total quando a informação é sobre carros.





















Consigo distinguir ônibus de caminhão; kombi de carro; ambulância de táxi! Não vou muito além. Sim!!! Distingo marcas, quando as consigo ler.... Identifico, às vezes , meu próprio carro, embora já tenha tentado abrir carros alheios pensando que era o meu...e achando que a chave estava “errada”... Como sou curiosa, entretanto, visitei, na bela Riga, o Museu do Motor ( Motormuzejs). O prédio, moderno e de interessante arquitetura, tem o formato de um grande galpão e abriga ali perto de 250 veículos, tanto da Letônia quanto de outros Países. Gostei das cores vibrantes usadas nos carros de antigamente : amarelo, laranja, rosa, lilás, além de todas essas que permaneceram e que conhecemos.






















Gostei das histórias relacionadas a alguns dos modelos expostos. Lá está um Rolls Royce, 1966, chiquésimo, prateado, que foi do ex-presidente da Rússia, Leonid Brezhnev , um apaixonado por carros, tanto que ele mesmo costumava dirigi-los. O curioso é que , com esse carro, ele colidiu em Moscou, destruindo uma das laterais. O carro está como ficou após a batida e , na direção, um modelo de cera, muito semelhante a Brezhnev – parece que até se pode sentir o cheiro de vodca! Que maldade dizer isso!






















No mesmo Museu, encontra-se  uma limusine blindada , que foi usada por Stalin. Painéis , junto a cada carro, identificam o modelo, indicam o ano de fabricação e , na soma de todos esses painéis, tem-se um resumo da história da indústria do automóvel na região.Lembrando as guerras , lá estào veículos militares de diferentes tamanhos e para diferentes funções. Para mim, um museu diferente que valeu a pena visitar. Imagino, entretanto, o que seria de interessante essa visita para uma pessoa que gosta e que realmente conhece automóvel - como Fabrício , meu sobrinho, e Mile, meu irmão..


quarta-feira, novembro 02, 2011

Fotos e comentários sobre Riga




















A Cidade Velha  – centro histórico de Riga – é circundada por dois rios. Um deles teve uma de suas margens transformada em parque , pleno de árvores, flores, esculturas , monumentos históricos e lugares para muita gente estar. Lugares pacíficos, limpos e bonitos.





















Num restaurante, em Riga, comi uma salada fantástica, feita com  filé de frango , grelhado e cortado em pedaços; omelete fininha, enrolada e cortada em rodelas; azeitonas pretas; pedaços de abacate; cogumelos; alfaces de diferentes cores , rasgadas em pedaços; molho rose com uma pitada de conhaque.



























Na mesma quadra do hotel onde estamos hospedados, está o prédio da Academia de Ciência, o maior edifício de Riga quando de sua construção. Obra polêmica pela mistura de estilos e de símbolos, ganhou logo o apelido de Bolo de Aniversário de Stalin.






















Comovente o monumento dedicado a todas as crianças que foram deportadas para a Sibéria , no período de 1941 a 1949.



























Seria isso um “puxadinho”medieval?




























No Centro Antigo de Riga, vi a estrutura de uma grande árvore de Natal , toda com pedaços retangulares de espelho. Além de produzirem um som interessante , refletem diferentes cores durante o dia , de acordo com as cores usadas por quem a está olhando e as cores das árvores e dos edifícios próximos.





















Dizem que a melhor maneira de conhecer Riga é caminhando ou pedalando. Há bicicletas disponíveis em vários pontos. Como não sei andar de bicicleta, porque, quando criança, só aprendi a andar a cavalo, caminho por todas as cidades...e caminho muito.




























A Igreja Anglicana, bem localizada, demonstrar precisar de mais cuidados, a começar pela escada que dá acesso à porta principal. É, entretanto, muito bonita.























O outono é uma estação muito especial : as folhas caem parecendo dançar ao som da brisa suave; os pinheiros parecem aumentar seu verde forte para receber a neve; a água, os caminhos escuros de asfalto e a superfície da água ficam enfeitados por folhas de diferentes formatos e tons, do amarelo claro ao vermelho.





Visitamos , na praça da Cidade Velha, a uma exposição de animais e frutas, feitos com pedra bruta e ferro  batido. Muito bonita mesmo.

Letônia ou Latvija




















Conheci,na Letônia, - em letão, Latvija -  apenas Riga,sua capital e maior cidade da região dos Bálcãs.Viajei pelos campos letões, de ônibus, vindo da Estônia e indo para a Lituânia. O que vi , foram "campos europeus ": limpos,bonitos, produtivos, com muitas florestas e lagos. Li comentários sobre o futuro turístico do País, que apontam para o ecoturismo , nas antigas fazendas, como uma realidade próxima.










































Há investimentos no turismo, primeiro na capital, depois em áreas ao seu redor e, agora, em área mais distantes. Os grupos de turista, que a todo momento encontramos nas ruas de Riga, prova que esse investimento está dando certo . Que bom que o ampliasse mesmo, já que dizem ser a fronteira com a Rússia, no extremo oeste, uma área bonita, mas pouco desenvolvida. Quero muito visitá-la.









































Mesmo antes de 1200, ou seja, da chegada dos cruzados germânicos, a Letônia já dava mostra de sua existência, negociando com mercadores de lugares distantes. Em tempos bem mais próximos, sofreu a ocupação da Alemanha nazista e da Rússia soviética. Fez-se livre a partir de 1991 e procurou, então, acelerar sua modernização, perseguindo, assim, qualidade de vida para seus três milhões de habitantes, a maioria letões ( 60%) e russos ( 30%).





















iga é uma cidade admirável. Tem-se nela todos os estilos arquitetônicos : do gótico ao neoclássico. Possui um Centro Histórico - Cidade Velha -  que é considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, em especial pelos seus edifícios em estilo Art Nouveau.Percorremos essa cidade a pé. A maior parte das suas atrações estão dentro das " muralhas", á margem direita do rio Daugava.Muitas igrejas, museus,torres,prédios e monumentos tornam o passeio inesquecível.
























O Castelo de Riga, onde assistimos à troca de guarda,  e a Casa dos Cabeças Pretas merecem um tempo especial de visita.São, de fato, muito bonitos.Também um tempo especial deve ser dedicado à Praça da Prefeitura,que foi o centro do poder em Riga, juntamente com o Castelo e a Catedral, para discutirem negócios e fazerem festas. A Casa dos Cabeças Pretas foi construída, originalmente, em 1334. Ao longo do tempo, passou a pertencer aos comerciantes estrangeiros, solteiros e ricos,que aí se reuniam para fazer festas e discutir negócios. Hitler iniciou a destruição delas em 1941. A fantástica recuperação se deu em 1999.























Ficamos hospedados fora da Cidade Velha, há quatro quadras do centro, perto do imenso Mercado Central, que ocupa cinco hangares, no Subúrbio ( Bairro) Moscou. Muito próximo ao hotel, um prédio marcante, que foi o maior de Riga, a Academia de Ciências, chamado , ironicamente, de Bolo de Aniversário de Stalin. Foi construído entre 1953 e 1957, em estilo falso-barroco, com uma mistura de símbolos que lhe valeram muitas críticas. Região bonita e tranquila, gostei de ficar ali.























Num mesmo dia, fizemos duas visitas importantes, ainda que em lugares bem diferentes: fomos ao Museu do Motor, um pouco longe do centro e, perto dele, ao Memorial do Holocausto, na Floresta Bikernieki. Esses dois lugares, um de rir e outro de chorar, eu os comentarei em post separado. Quero muito retornar à Letônia. Há muitos lugares que eu gostaria de conhecer ou de rever.

terça-feira, outubro 25, 2011

Os Países Bálticos - introdução

Tallin



















Nos três Países Bálticos, reside o núcleo desta viagem. Aos países visitados, antes e depois deles, fui somente rever lugares e amenizar saudades, especialmente da República Checa e da Suécia. A viagem foi precedida de muita leitura - o que considero imprescindível para desfrutá-la mais. Estava certa de que iria gostar desses países.  Não foi, portanto, amor à primeira vista, mas amor às primeiras leituras. Encantou-me a história da Estônia, da Letônia e da Lituânia - suas conquistas,ocupações e lutas por uma independência que só viria em 1991. Encantava-me saber que essa história tinha suas raízes nas tribos bálticas, 2000 a.C.



Letônia: as três nações




















Havia lido sobre o âmbar dos Bálcãs, sua beleza e as lendas  que o cercam, e havia já recebido de Edith, mãe da minha nora, um adereço de âmbar. Havia lido também sobre as capitais e por isso sabia que, apesar das afinidades históricas, possuíam características distintas, como o esplendor medieval de Tallin, o interessante Art Nouveau de Riga e a elegância Barroca de Vilnius. Estava muito curiosa para ver Tallin, Riga e Vilnius.Gosto de visitar cidades bem diferentes das nossas, pois, como escreveu Fernando Pessoa:
Quanto mais diferente de mim alguém é, mais real me parece, porque  menos depende da minha subjetividade.

quinta-feira, agosto 04, 2011

Plano de Viagem




Com tempo ruim - frio , chuvoso, nublado, com geada e vento – e gripe e bronquite, preciso de um plano de dias melhores. Não vale pensar unicamente na primavera nossa que se aproxima. Quero mais. Andarilha que sou, projeto, com detalhes, uma viagem ao outono europeu.

Além de lugares já conhecidos, que sempre dá prazer revê-los, incluo outros não muito conhecidos:  três Países Bálticos. Planejo usar trem para percorrer as distâncias entre cada um deles, com a finalidade de melhor conhecê-los. Outros trechos, em outros países,  serão feitos de avião – com o aumento dos vôos low cost ficou mais barato usar avião do que trem.

Saindo da Escandinávia, devo chegar primeiro na capital da Estônia. Tanto quanto eu sei, Tallin é uma bela cidade medieval, com grandes parques nacionais, excelentes museus e vida cultural intensa. É o país de origem da família de meu grande amigo Oscar Lepikson – já comecei a sentir-me em casa!

Depois vem Riga, a capital da Letônia, a maior e a mais cosmopolita das cidades do Báltico. É Patrimônio Mundial da UNESCO e terra natal de Edith, minha amiga e mãe de Valéria, minha nora –o que me torna  mais íntima da região! Quero muito visitar a cidade Velha de Riga,com igrejas,monumentos,museus, parques, palácios , que dizem ser fantásticos.

Antes de entrar na Polônia, alguns dias em Vilnius completarão a visita aos Países Bálticos. Li sobre a arquitetura barroca típica da Lituânia e que a diferencia das demais cidades européias. Na agenda, reservei um dia para ver Trakai e seu curioso castelo, construído numa ilha , no meio de um lago.

Decidido o roteiro, tenho lido muito sobre os estilos arquitetônicos, a geografia, a cultura, e as atrações dessas três capitais. Estou ansiosa para aportar lá. Antes disso, urge livrar-me desta gripe e desta desestruturante tosse. Preciso de chá,aspirina, mel,  limão,rezas e promessas.

“Não sabia por caminho tomar

Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e
assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva .... “

Fernando Pessoa