 |
Prato típico do sul da Índia
Ao longo da minha vida, desenvolvi o gosto pela culinária e somei aprendizados. Desisti dos doces; gosto mesmo das panelas. Grandes amigos fizeram a diferença no meu aprendizado. Eroni Carus, em Alegrete, foi o primeiro a me ensinar segredos culinários. Com ele aprendi pratos típicos gaúchos. Com Ronaldo Mota, em Santa Maria, aprendi deliciosos pratos árabes. Rolando Solis Estrada ensinou-me a preparação de muitos pratos e o gosto por fazê-los cuidadosamente.
|
 |
Panquecas nos USA
|
Segredos para preparar deliciosas massas italianas me foram ensinados na Itália, principalmente por Lídia Marzoto e Cosimo Pesaro. Na referência a esses mestres, o meu agradecimento a todos. No cotidiano, para cozinhar bem, acredito que não preciso saber fazer, por exemplo, pato laqueado. Cozinhar bem inclui saber fazer comidinhas caseiras, do dia a dia, bem gostosas e caprichadas.
 |
| Frutas compradas em Hong Kong |
Minha filha, Fabiana, ensinou-me o segredo para ter um ovo frito inteiro e bonito : quebrá-lo no óleo ainda frio e só depois aquecê-lo. Com Nina, minha cunhada, recebi orientações que me permitem fazer aquela panqueca fofinha, que encontramos nos
breakfasts americanos. Meu marido, que prepara como ninguém o legítimo
breakfast do meio-oeste, faz uma batata deliciosa, ralada, com casca, na parte grossa do ralador e bem fritinha em muito pouco óleo.
 |
| Feira em Drama, norte da Grécia |
Tenho memória de sabores inigualáveis, tanto de doces como de salgados. Impossível esquecer as tortas de
Amelia Benetti , com sabor muito particular e apresentação perfeita, as esfihas feitas por
Cleuza Alonso, inestimável herança de sua família; as tortas de maçã de
Regina Veríssimo e da
Pauline Tallmann,
diferentes entre si, mas realmente muito boas; os quibes de Sônia
Benetti, de impecável formatação e delicioso sabor.
 |
Sopa romana
|
Sei, entretanto, de
talentos culinários não reconhecidos - Mile, meu irmão, afirmava que eu sabia mesmo era preparar
ovos fritos maltratados, com gema furada e clara toda arrebentada. Pura difamação!!! O gosto por comida me leva às feiras e aos mercados públicos, onde é comum encontrar com quem conversar sobre os produtos expostos e sobre os hábitos alimentares do povo. Ali se encontra o mais genuíno da população de um país, com seus cheiros, cores, sons, formas e movimento - um bela expressão da cultura local.
 |
| Tradicional banquete chinês |
|
|
|
|
Considero que nas feiras e nos mercados populares é onde
pulsa a vida, bem ao contrários dos shoppings , tão pouco informativos, tão semelhantes no mundo inteiro, tão padronizados e higienizados. Já estive em feiras e mercados de rua que primam pela estética e qualidade dos produtos expostos. Algumas vezes, entretanto, nos surpreendem pela
originalidade do que é vendido, como no Saara, onde vi , numa feira, um balde de dentaduras - de vários tamanhos e
formatos.
 |
| Especiarias em mercado de Jerusalem |
Lembro-me , em especial, de alguns, como o
Mercado de São José da Boqueria, em
Barcelona, que foi inaugurado em 1840; o mercado de
Marrakesh, em
Marrocos, na praça
Jemaa el-Fna; os mercados de sábado, em pequenas cidades do norte da
Grécia, como
Drama, onde provei muitas e deliciosas azeitonas com diferentes preparos; os mercados de cidades italianas, onde eu comprava pães e queijos deliciosos - e me alegrava com o passeio.
 |
| Waffles do Cracker Barriel |
Quase não vou a restaurantes internacionais - uma vez só, em cada
país , já me basta. Gosto de ir onde vão as pessoas da localidade. Até hoje , tive poucas dificuldades na alimentação durante viagens. A principal delas decorre do fato de eu não comer, por exemplo, carne de cordeiro, de cavalo e de caças. A dificuldade com carne de caças aparecia nas minhas temporadas entre povos indígenas na Amazônia; de cavalo, em restaurantes italianos em que ela eram oferecidas como especialidade da casa; de cordeiro, no Rio Grande do Sul e em países muçulmanos.
 |
Deliciosa comida indiana
|
Gosto da comida indiana, tanto na região tibetanos quanto no norte ou no sul do país.
"Meu prato preferido é “pulao”, um arroz graúdo, feito com “ghee” ( manteiga clarificada) , vegetais ( vagem cortada miudinha, cenoura picada, ervilha, pimentão...), às vezes com queijo de coalho , sempre com muitos temperos. Uma delícia. E as porções são grandes – nunca consigo comer tudo. Como também “biryani”, um arroz com frango, temperado com açafrão e cardamomo" Recorte de um texto meu.

|
Refeição comunitária no Templo Sick em Amritzia
Algumas vezes, eu comi " Thali ": numa bandeija, vem arroz , pão e pequenas tigelas com iogurte, vegetais e molhos – sempre bem apimentado. Iogurte com mel é a minha sobrenesa preferida.Se não fosse minha “eterna dieta”, comeria muito pão : " roti "( pão sem fermento), " paratha" ( pão frito) e " dosa" ( uma panqueca crocante). São deliciosos. Usa-se o pão também como auxiliar da colher, quando se come com talheres ( em restaurantes locais, só vem mesmo uma colher).
|
 |
| Vendedor de frutas no Sul da Índia |
"Grande parte da população é vegetariana, mas encontro pessoas
que comem carne – galinha, cabra e ovelha. São os únicos produtos bem
mais caros do que no Brasil. Bebo muito café – como sempre – e
me dou bem com o café indiano. Gosto também de chá com leite e de “lassi
“ . www.correndomundo.blogspot.com.
 |
| Frutas em Kavala, norte da Grécia |
Quando fui ao
Punjab, foi interessante a experiência de fazer uma refeição no restaurante comunitário do
Golden Templo , em
Amritsia. Ali são servidas, em média, 6 mil refeições – dia, para qualquer pessoa que chegue, inclusive estrangeiros. Serve-se pao, feijao, purê de lentilha e arroz com leite. A comida é feita por voluntários ( sikh) e nao se paga nada. Eu lembrava das mangas de
Roraima como as melhores da minha vida. Foram superadas pelas mangas do
Punjab. Sabor e textura fantásticos.
 |
| Breakfast em York - Inglaterra |
Na China, tive dificuldades ao ser convidada para o tradicional banquete chinês. A declaração
a priori de que eu era vegetariana, afastou de mim um ensopado de carne de cachorro e outras comidas que considerei exóticas. Havia também uma sopa com pequenos pasteis, recheados com ovos de passarinho, ovos inteiros, e uma sopa feita com ninho de andorinhas - uma raridade, caríssima. Nos hoteis, no café da manhã, eu
garimpava café com leite, pão e manteiga, entre dezenas de pratos de vegetais, sopas de peixe e carnes - carnes que eu não sabia exatamente a que animal havia pertencido.
 |
| Bric - pastel tunisiano |
Na
Tunisia,não tive problemas com a comida, salvo com a carne de cordeiro, prato relevante na cozinha árabe. Faltava-me tranquilidade nas refeições porque tinha medo de que me aparecesse cuscuz com carne de carneiro. Descobri um outro prato pelo qual não me interessei : um pastel, recheado com batata amassada, salsinha verde e um ovo cru, que se torna meio - frito- meio - cozido, quando o pastel é mergulhado na gordura quente. Amo tâmaras! Fui salva, o tempo todo, por elas, em especial por uma, tenra e de sabor suave, denominada
dedos de luz.
 |
| Pão e azeite de Matmata |
Ainda na
Tunisia, visitei
Matmata, um vilarejo onde vivem 5 mil berberes em casas trogloditas, e
que ficou famoso como cenário do primeiro
Guerra nas Estrelas. Numa dessas casas , construídas com o mesmo modelo há 400 anos, uma senhora nos ofereceu pão integral e azeite de oliva artesanal, temperado com uma pitada de açúcar. O pão vinha em pedaços e fomos orientados a embeber essas porções no azeite. Foi o melhor pão com o melhor azeite de oliva temperado que comi até hoje.
 |
| Chocolates suiços |
Em
Bracciano, na região do Lácio,
Província de Roma, há um pequeno restaurante que serve somente
porchetta, aquele leitãozinho bem pequeno, desossado e assado inteiro, servido com pão e vinho. Além da localização - o restaurante está nas proximidades do
Castelo Odescalchi, aquele onde casou
Tom Cruise - o pequeno cardápio é inesquecível mesmo. Lembrei-me agora dos figos recheados e cobertos com chocolate que comprei em
Ooty, na Índia, por US 10 o quilo; lembrei também da
Feira Anual de Chocolates que vi em Locarno, na Suiça; das batatas, na Bélgica; da salsicha com mostarda, na Alemanha, da paella na Espanha, dos pescados, na Noruega....
Pensei na dieta que estou tentando fazer e decidi parar de escrever - não sem antes repetir aquela parte do
Pai Nosso que diz:
...e não nos deixeis cair em tentação...