Mostrando postagens com marcador Alegrete/RS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alegrete/RS. Mostrar todas as postagens

domingo, outubro 22, 2017

Alegrete: 75ª Exposição Agropecuária/2017

Parque Dr. Lauro Dornelles

" O município de Alegrete possui o maior rebanho bovino do Estado e o segundo maior rebanho de ovinos, sendo que o produto desses animais são apresentados nas cinco feiras oficiais promovidas pelo Sindicato...


Parque Dr. Lauro Dornelles

...É com este cenário que,  há muitas décadas, no mês de outubro, o Sindicato Rural de Alegrete promove a Exposição Agropecuária de Alegrete, marca forte no campo (...) em sua 75ª edição (...), a expofeira representa tradição, inovação e qualidade..."  Reproduzido de material de divulgação do evento.


Parque Dr. Lauro Dornelles

A Exposição Agropecuária de Alegrete, com seus 75 anos de existência, mostrando mais de cinquenta raças criadas na região, é um evento que recebe tradicionalmente a visita de muita gente, mesmo de pessoas como eu, que nada vão expor e nada vão comprar.


Ovelha Crioula

Um passeio bem recomendado, tanto para adultos quanto para crianças, mesmo para aqueles que não tem, diretamente, suas raízes no campo. Para quem é da região, um evento que possibilita encontrar amigos de longa data. Encontrei lá, por exemplo,  Airton e Antônio Ângelo Amaral, Adalberto Brum Siqueira, conceituado professor da Universidade Federal de Santa Maria, de quem fui colega em 4+4 anos na Reitoria da UFSM.


Vestuário típico da Região 


Observei interessante presença de famílias - homens e mulheres,  crianças, jovens, adultos e idosos - participando do trato e do cuidado com os animais de diferentes propriedades. Muitos empregados rurais lá estavam trabalhando, usando suas elegante e tradicionais pilchas ( senti falta dos fofos nas bombachas, artesanato que parece estar desaparecendo no sul).



Aprendendo a laçar - ou começando a  pialar ou pealar..

Pareceu-me um pouco estranha a seleção de artesanatos, exibidos em setor específico da  Feira. Pouca valorização do artesanato gaúcho - pouca ou inexistente presença de tradicionais trabalhos feitos com couro e lã ( se estão desaparecendo, talvez seja o momento de incentivo ou recuperação desse item da genuína cultura gaúcha, seguindo, assim,  uma tendência mundial de valorização das peculiaridades locais. Triste ver cópias de personagens de Walt Disney entre os trabalhos artesanais mostrados.


Queria um desses! Gostei muito.

No site do Sindicato Rural ( www.conexaorural.com.br ), leio que os remates de bovinos e ovinos, realizados, na Expofeira, de 11 a 14 de outubro, já haviam movimentado cerca de 1 milhão e 300 mil reais e que o remate da raça Braford, realizado no dia 14, foi o recordista em números com a venda de 52 touros, totalizando R$ 427.920,00 com uma média de R$ 8.229,23. Não consigo avaliar se foram bons os negócios...Desculpem.


Adalberto Jr. e Simone
Do ponto de vista turístico, considero Alegrete um dos municípios gaúchos com grande potencial. Já há dois eventos que podem atrair muitos visitantes: a Exposição Agropecuária, referida nesta postagem, e a Semana Farroupilha ( penso que se deveria denominar Semana do Gaúcho ), referida em outras postagens, como : http://correndomundo.blogspot.com.br/2012/09/foi-o-vinte-de-setembro.html

Folder da Exposição Agropecuária de Alegrete e mais algumas fotos

Costumo dar indicações de acesso ao lugar indicado nas postagens do Correndomundo. Aqui está!

"Não me perguntes onde fica o alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e de violão
Pra quem chega de rosário ao fim da tarde
Ou quem vem de uruguaiana de manhã
Tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhado no rio Ibirapuitã..."

Nico Fagundes e Bagre Fagundes



Atenção e Cuidados
Atenção e Cuidados 2

quarta-feira, abril 12, 2017

Alegrete e o "Negrinho do Pastoreio"de Vasco Prado


Foto by Vinicius Marcanth

Negrinho do Pastoreio, a lenda mais conhecida no Rio Grande do Sul, tanto rural quanto urbano, foi muito contada e comentada pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. Meio cristã, meio africana, surgiu e ganhou espaço no século XIX - e nunca mais foi esquecida. Está presente, principalmente, em músicas, esculturas e rezas e promessas quando se procura algo perdido.


Foto by Vinicius Marcanth

É comum no Rio Grande do Sul , principalmente em área rural, pessoas recorrerem ao Negrinho do Pastoreio para encontrar objetos perdidos. Deve - se, para tanto,   acender uma vela, próxima ao moirão de uma cerca ou deixar ali algumas flores para o Negrinho,  acompanhando esse ato com as eguintes palavras: Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi... Afirma-se que, se ele não achar, ninguém mais encontrará o que doi perdido.


Foto by Vinicius  Marcanth


 " Conta a lenda que nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e peões. Em um dia de inverno, fazia muito frio e o fazendeiro mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros que acabara de comprar. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. Disse o estancieiro: "Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece". Aflito, o menino foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou o cavalo pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo. De volta à estância, o estancieiro, ainda mais irritado, bateu novamente no menino e o amarrou nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha. A partir disso, entre os andarilhos, tropeiros, mascates e carreteiros da região, todos davam a notícia, de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, montado em um cavalo baio..." http://www.sohistoria.com.br/lendasemitos/negrinho/


Foto by Vinicius Marcanth
Em 1968, para a cidade de Alegrete, no Rio Grande do Sul, o famoso Vasco Prado esculpiu em bronze o Negrinho do Pastoreio - que Vinicius Marcanth fotografou ( obrigada, Vinicius!). Ao ser colocada no Parque Rui Ramos, despertou a ira de muitos gaúchos, que até cogitaram de laçar a escultura e jogá-la no rio Ibirapuitã. Nesse período, eu morava em Alegrete e já me interessava por arte. Guardei a expressão muitas vezes ouvida com tristeza: " não entendo de arte, mas aquele cavalo parece um porco ( gordo ), e o Negrinho é magro demais, tem a cabeça pequena e vai com os braços levantados - isso não é jeito de montar a cavalo". O tempo, entretanto ,  passou. Novos sentidos foram sendo gerados. Hoje, é um símbolo e uma atração turística da cidade - com razão! 

Foto by Vinicius Marcanth

À esquerda da escultura, uma homenagem a Rui Ramos, famoso político alegretense, onde se lê: "A Rui Ramos, humanista preocupado com a terra e com o homem, a homenagem do povo que luta por um Negrinho do Pastoreio triunfante, sem os grilhões de uma economia atrasada e com a esperança de um mundo livre e sem medo, tal como ele o desejou (20-09-1968)".


Parque Rui Ramos by Vinicius Marcanth

Retornei de Alegrete há três dias. É minha cidade preferida no Rio Grande do Sul. Se você não a conhece,..visite-a  e, se  possível, faça isso na Semana do Gaúcho, em setembro. Assistirá a uma das maiores e mais bonitas  festas tradicionalistas do Sul do Brasil. Se não for em setembro, em qualquer outro mês a cidade estará linda - e a escultura de Vasco Prado poderá  ser admirada.

Autor: Eroni Alves 

Negrinho do Pastoreio
Barbosa Lessa

Negrinho do Pastoreio
Acendo esta vela pra ti
E peço que me devolvas
A querência que eu perdi
Negrinho do pastoreio
Traze a mim o meu rincão
Eu te acendo esta velinha
Nela está meu coração.

Quero ver meu lindo pago
Coloreado de pitanga
Quero ver a gaúchinha
A brincar n'água da sanga

Quero trotear pelas coxilhas
Respirando a liberdade
Que eu perdi naquele dia
Que me embretei na cidade

.............................................................................

https://www.letras.mus.br/barbosa-lessa/212848/


Com meus agradecimentos a Vinicius Marcanth

quinta-feira, março 23, 2017

Cultura Gaúcha: Ritual de Visitas


                                                                     Bela União - todas as fotos

Com ensino, pesquisa e extensão,  atuei em meio rural, principalmente com formação de professores para áreas indígenas e para áreas de fronteira, por mais de 30 anos. Convivi com a realidade de professores leigos, e/ou com classes multisseriadas, ou com o isolamento de escolas bem distantes de centros urbanos. Desenvolvi projetos em seis estados brasileiros e  busquei informações em cinco países de área de fronteira. Realidade dura em lugares lindos.




Fui bastante próxima das comunidades e das famílias - fiz amigos de quem lembro com carinho e saudade. Difícil  separar educação e cultura. Difícil pensar em processos educativos sem considerar a cultura do grupo com que se trabalha. Impossível excluir cultura de qualquer lugar que se visite. Já escrevi que um viajante precisa ter olho limpo para perceber as nuances culturais de diferentes grupos, sem comparar ou sobrepor imagens. Comparações limitam o olhar - muitas vezes disse isso a meus alunos.




Estando agora, por um mês, em casa, na região da fronteira do Rio Grande do Sul - alegretense eu me considero - voltei a pensar sobre aspectos bem particulares da cultura gaúcha, no meio rural em que vivi, localizado entre Rosário do Sul e Alegrete, nas vizinhanças do Uruguai e da Argentina. Optei por escrever sobre o ritual de visitas, que tanto me impressionava na Bela União, antiga propriedade da minha família, lugar onde nasci e onde vivi até 15 anos de idade.





Visitas de parentes ou de amigos consolidavam laços interpessoais e aprofundavam vínculos afetivos. Possibilitavam  troca de informações, relatos de novidades e até confidências e comentários da vida alheia. Caprichavam-se nas roupas, tanto de quem recebia quanto de quem visitava. Arrumava-se a casa para dar boa impressão aos visitantes e desenrolar com bons modos o ritual todo - da chegada à partida.





Os visitantes usualmente chegavam aos domingos, pela manhã, se morassem um pouco longe; ou pela tarde, se fossem de vizinhos de perto. Eram recebidas pelos donos da casa - na falta deles, por algum adulto. Posteriormente, as crianças eram chamadas para dizer adeus - ou dar adeus - aos visitantes. Se fosse inverno, um licor de frutas, caseiro, era servido. Logo depois, fosse calor ou fosse frio, servia-se o chimarrão, que a pessoa tomava e devolvia a cuia, sem agradecer - o agradecimento significava que não queria mais mates.




Lembro-me que, após o chimarrão, vinha o momento em que se levavam as visitas para mostrar o jardim, a horta, o pomar ( arvoredo) e até alguns animais domésticos. Ofereciam-se mudas de plantas, sementes, algumas frutas - em pequenas quantidades, com elegância, para ser gentil, pois não se tratava de matar a fome de ninguém : muitas vezes ouvi essa explicação também na troca de presentes.





Ao retornar desse passeio ao entorno da casa, se fosse à tarde, servia-se  o café, sempre acompanhado de pães caseiros, roscas de farinha de milho, bolos ou bolinhos. Manteiga, mel,  geleias e queijos eram parte desse simples café, que se prolongava bastante, pela comida, que era muita, e pelas conversas bastante animadas.




Tenho bem presente a lembrança do pós-café. Os homens iam para mangueiras ou galpões ver as novidades agropecuárias, e às mulheres, mostravam-se álbuns de fotografia ou compras recentemente feitas na cidade. As conversas adultas aconteciam nesse momento. Era a hora em que as crianças saíam a correr e a brincar.




Nas despedidas, as visitas recebiam algum presente, que podia ser abóboras, mandiocas, batatas, verduras, frutas ou até mesmo charque ou linguiça. Não sei por quê esses presentes maiores eu os chamava  de presentes para estreitar relacionamento...Não sei se era desejo meu de conviver com a pessoa ou uma certa mesquinhez infantil. Sou mais pela mesquinhez - visitas me pareciam opressoras. Era bem mais divertido brincar com minhas irmãs, ainda que fizéssemos às vezes maldades umas para as outras....




Um dia talvez eu escreva sobre rituais de visita em comunidades bem diferentes da minha. Recordo-me, por exemplo, que, em alguns lugares do interior do Mato Grosso, assim que a visita chegava, perguntavam se ela queria tomar  banho - oferta divina naquele calorão! Acostumei-me, por isso , a carregar um vidrinho com shampoo na bolsa. 



Alguém lembra de simpatias para que a(s) visita(s) não demorasse( m ) ? A pequena e fugaz lembrança que tenho disso, faz-me crer que nem toda visita era bem-vinda. 




sábado, abril 02, 2016

Em Alegrete - a cidade que escolhi como minha.


Bela União

Em outros textos, em diferentes publicações, já contei que nasci na Bela União, propriedade de meus pais, localizada entre Rosário do Sul e Alegrete. Saí do meio rural - da campanha ou lá de fora, como se diz na região - com pouco mais de 15 anos. Morei somente 4 anos em Rosário e vim morar em Alegrete, onde vivi durante 19 anos e onde nasceram meus três filhos.


Bela União

A informação sobre minha cidade de origem era ambígua. Faltava-me convicção para dizer que eu era de Rosário; faltava-me legitimidade para dizer que eu era de Alegrete. Um dia, entretanto,tive um insight inteligente - raro certamente! - e assumi que eu era do Alegrete por escolha. Anos depois, já em 1994, recebi, o título de Cidadã Alegretense. Ambiguidade resolvida...


Uma das torres da Igreja Matriz de Alegrete

Com o tempo e as circunstâncias, optei por não ter residência fixa. Moro em muitos lugares, ou, melhor dizendo, não moro em lugar nenhum - transito por eles. Aprendi que necessito somente de um endereço para preencher formulários. Posso viver sem arroz, feijão e carne; dormir sem o meu travesseiro; não ter animais de estimação. Em raros momentos, sinto solidão - felizmente sou bem amiga de mim mesma e tenho belas lembranças para evocar.


Alegrete - trabalho do escultor Chapeu Preto

Felizmente também , ao longo dos meus 72 anos, fui  somando pessoas amadas, formando, assim,  a minha família tentacular. Onde quer que eu esteja, posso interagir com elas, ouvir e contar novidades, amenizar a saudade. Nessas horas, faço um pedido de desculpas em nome da Humanidade e uma reza de agradecimento a  Alan Turing, o inventor do sistema que nos permite hoje vencer barreiras de distâncias e , em tempo real, entrarmos em contato com nossos amores.


Prefeitura de Alegrete

Agendo anualmente parte dos meses de março e abril para organizar minha vida - e essa organização só costumo fazê-la em Alegrete, onde estou nestes dias. Na minha cidade, tudo é mais fácil - renovei minha Carteira Nacional de Habilitação, fui a dentistas , fiz exames médicos e laboratoriais, acertei contas e impostos...Tudo aqui se torna bem mais fácil, tanto pela localização próxima, quanto pela ajuda do Mile e do Fernando - meu irmão e de meu sobrinho.


Bela União

Caminho muito pela cidade, Em todos os lugares, encontro amigos, conhecidos... e detalhes da minha história de vida. Observei diferenças altamente positivas na cidade, como o cuidadoso desenvolvimento no outro lado da ponte. A UNIPAMPA parece-me um sonho...Aposentei-me pela Universidade Federal sempre reclamando do pouco investimento em instituições públicas de nível superior. Com a UNIPAMPA, ganha a cidade e ganha o País.


Visitarei meu neto em Atlanta...
Estou hoje na Bela União, lugar em que nasci e onde sou proprietária de 20% da sede antiga e também dos investimentos que fiz na propriedade. Na próxima semana, penso visitar, em Alegrete , alguns amigos. Depois ,  partir...Torres, Porto Alegre, Atlanta, New York, Philadelphia, Princeton ..... e lá vou eu....usar bem o presente que , a cada dia, o presente me dá. 


Na Bela União



quarta-feira, julho 08, 2015

Espanha/Porto Alegre/Alegrete/Rosario do Sul/Porto Alegre

Madrid
Uma amiga me chamava pelo nome de uma florzinha que cria raizes em pouco tempo, em qualquer lugar, porque, segundo ela,  eu criava raízes tal qual essa plantinha. Concordo. Não sinto falta da minha cama, do meu travesseiro, do arroz e feijão, do cotidiano, nada.... E mais, sinto sempre uma certa nostalgia ao retornar ...

Exposição no Museu do Prado
Assim foi, mais uma vez, com a Espanha. Parti pensando em retornar. Vim pela TAP - não gosto de viagens noturnas e prefiro não fazer conexão em Guarulhos ou qualquer outro aeroporto. Sim! precisei fazer uma rápida conexão em Lisboa. Durante as 11 horas de viagem - LIS/POA - assisti a quatro filmes - lançamentos bem recentes - almocei, jantei e cheguei às 19h. Voo muito tranquilo, para alguém- como eu - que ainda tem medo de avião. Foi um feliz retorno, com meu irmão, minha sobrinha e meu filho esperando-me no aeroporto.

Prefeitura de Alegrete
De POA , fui para Alegrete. Difícil o frio, assim, de repente.  Em tão pouco tempo, nem cheguei a percorrer essa cidade que considero minha. Vi poucos amigos. Saí, entretanto, feliz porque a encontrei bem cuidada, com parques e praças bem bonitos, apesar do rigor do inverno, e com muitas obras em andamento. Estive na Feira Anual do Livro, onde vi muitos amigos e encantei-me com o grande número de estudantes que visitavam a Feira.

Uma das entradas da Praça Getúlio Vargas em Alegrete

Alegrete , o maior município em extensão territorial do Rio Grande do Sul, com cerca 80 mil habitantes, é realmente uma bela cidade, para mim, plena de lembranças. Fotografei o Instituto de Educação Osvaldo Aranha e a Faculdade - neles  fui aluna e , depois, professora; o Divino Coração, o Emílio Zuñeda, e as escolas municipais, onde também ensinei. Considero-me alegretense por ter ganho esse título da Câmara de Vereadores, há mais de 20 anos. Orgulho-me de ter essa cidadania.


Trabalho de Ronald Mckinney na Bela União

De Alegrete, vim para Bela União, antiga propriedade de meus pais e  onde nasci há muitooooossss anos. Meu pai nasceu em 1909;  minha mãe , em 1911. Casaram e vieram morar neste lugar,uma parte da fazenda de meu avô italiano. Estava ela com 18 anos; ele, com 21. Tiverm sete filhos, em que  eu sou a do meio! Construíram uma casa com pedras unidas por barro - paredes com 80 cm de largura - num lugar em meio a serras e matos - natureza e beleza agreste e rara.

Entrada da Bela União
Meu pai morreu em 1954. Em 1997, após a morte de minha mãe, que já estava na cidade,  a casa da Bela União e seu entorno foram totalmente reconstruídos por mim, até com resgate de árvores outrora existentes no lugar. Por um acordo feito, a propriedade será administrada pela geração dos herdeiros atuais e só terá  interferência da geração seguinte  - futuros herdeiros - quando os atuais não mais existissem. 

Bela União
Hoje, Bela União tem mais de 400 árvores frutíferas, belos jardins e muitas árvores ornamentais. Produz variedade de frutas, como pêssegos, marmelos, figos, peras, caquis, laranjas, limas, bergamotas, uvas, amoras, pitangas, maçãs e framboesas. Lugar abençoado, como dizia Anália Pinto Menine.
Geada grande - foto às 8h30min
Muitas vezes  ouvi minha mãe - uma mulher bastante lúcida e generosa - dizer: Ai de quem deixar minha velha casa cair. A casa não caiu. O lugar continua muito bonito. Trabalhei e gastei muito para isso.Os herdeiros futuros saberão preservá-la. Acredito ser essa a forma mais efetiva de respeitar e preservar a memória de nossos antepassados.

Renildo  e Mile
Da Bela União, fui a Rosário do Sul, visitar minha irmã mais velha, que fez uma cirurgia bastante delicada. Encontrei-a ativa como sempre foi. Além de atividades da casa, que ela insiste em continuar fazendo, nos intervalos borda e faz crochê. Conserva o senso de humor, valoriza a vida de cada dia, é gentil e atenciosa - um admirável exemplo.

Rio Santa Maria - Rosário do Sul
O trecho Rosário do Sul - Porto Alegre é longo e cansativo : mais de seis horas, numa estrada sem grandes atrativos. Ontem chovia e fazia frio, tornando-o pior ainda. Sobrou-me tempo para pensar e sentir doídas saudades, especialmente de Ronald. Estou, no entanto, tranquila. Foram dias proveitosos, com muitas obrigações  cumpridas. Agora, em Porto Alegre, organizo-me para voltar a Torres. A vida continua - sem pressa, mas sem pausa. 

Anoitecer na Bela União

PS. Alguém pode ajudar-me com informações ( urgentes )sobre visto, hoteis e voos para Cuba, partindo dos Estados Unidos? E Jamaica ? Please!

Camélias antigas na Bela União
"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
Tempo de camélias

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida."
Fernando Pessoa
...camélias de diferentes cores.