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segunda-feira, julho 11, 2016

Moscou : a Fascinante e Histórica Capital da Rússia.


Chuva contínua nos dois primeiros dias de visita a Moscou.  

De San Petersburg a Moscou, viajei no trem expresso Sapsan, durante 3h30min. O tempo todo tentei ver bem os campos da Rússia. Naquela região, realmente, a paisagem não era atrativa, não me parecia europeia, faltava cuidado com a terra - talvez porque território não lhe falta, já que é o maior país do mundo em extensão.


Minha primeira imagem dos jardins de Moscou

Chegada tranquila, com transfer aguardando. O Hotel - Marriott Tverskaya -  um quatro estrelas, com pessoal da recepção bastante solícito e falante de inglês. Permaneci o restante do dia no hotel porque estava cansada e queria dormir um pouco mais. No jantar, experimentei o strogonoff moscovita, com muito funghi e  delicioso sabor picante.


Strogonoff local!

À noite, precisei usar o computador do hotel, já que eu não havia levado note e esquecera de carregar o telefone. Fiquei, assim,  conhecendo uma menina, competente e simpática, que falava várias línguas, inclusive português, e era a responsável pela informática no hotel. Tinha algumas informações do Brasil - admira muito Gisele Bündche. Valorizei esse interesse dela porque estou cansada de parecer idiota por nada saber de futebol...


Não faltou a visita a um Shopping Center imenso ....e muito exclusivo de grandes grifes.

Moscou , mais de 12 millões de  habitantes e mais de 850 anos de história, tem muito a oferecer aos visitantes. Eram , entretanto, dois os pontos que mais me interessavam:  o Kremlin, antiga cidadela murada, e as estações de metrô, que eu sabia serem de ímpar beleza. Os dois corresponderam ao que eu esperava - e outros muitos mais foram acrescentados à minha lista, começando pelas igrejas, das quais acrescento, a seguir, uma pequena amostra.


































































A conversão da Rússia ao Cristianismo aconteceu no ano 988 com Vladimir, o Amado por Deus ,(sic!) , o  rei viking que fundou o primeiro estado russo, a 200 km de San Petersburgo. Segundo as lendas russas, o cristianismo teria chegado ao atual território russo através de Santo André, um apóstolo de Cristo. E, partir daí, ao longo do tempo,  proliferaram as igrejas - ortodoxas é óbvio - todas exageradamente belas e  majestosamente ricas...com destruição de algumas a partir de 1917.





As igrejas estão entre as grandes atrações para os visitantes. Todas são monumentais - a própria visibilidade do superlativo. Os ícones, como as cúpulas, mostram muito colorido e muito dourado. A Catedral de San Basilio ( 1555 - 1561 )  é um exemplo ... com suas cúpulas coloridas , deixa qualquer  pessoa de boca aberta!











Se , ainda hoje, em trocas de governo, anulam-se programas anteriores, abandonam-se projetos em andamento e constroem-se argumentos para destruir ou invalidar o que foi feito, imaginem num câmbio mais radical como mudança de regime. A Catedral de San Petersburg foi transformada em Museu do Ateísmo; outras, usadas como depósitos de ferramentas e de cereais; e algumas tiveram parte de seu patrimônio usado em novas construções...





Costumo ver , em qualquer país, as igrejas como os melhores museus que se pode visitar - independente de religião ou de fé. Daí por que considero justo o pagamento de ingresso em qualquer uma delas  -  assim se faz em museus, e esses  religiosos são muito bem cuidados, bem conservados e com importante viés histórico. Se der sorte, ainda se pode assistir a corais ou a concertos magníficosIndependente de crença, fazer três pedidos à primeira vez que se entra numa igreja, no mínimo, reforça nossos projetos ou evidencia nossos desejos... 





Em Moscou o que não falta mesmo são museus. Pode faltar sim - como me faltou - tempo para visitar até aqueles que me parecem imprescindíveis, como o Museu de Arte Moderna de Moscou, o Museu Estatal de História, a Casa-Museu Górki, o Museu Púchkin de Belas-Artes e o Museu Histórico Nacional. Importante: no interior das igrejas é proibido o uso de câmeras - e eu queria muito fotografar alguns ícones...


Moscou tem também arranha-céus...

Kremlin é o coração medieval da cidade - escuta-se muito isso. Está localizado à margem norte do rio Moscou ( Moskva ) de onde partem os aneis viários, como pode ser observado nos  mapas da cidade. A grande reforma do Kremlin foi realizada  no século 15, por arquitetos italianos, contratados por Ivan III, o Grande. Foi nesse período que se desenvolveram os aneis concêntricos.




Há belíssimas fotos e muitas informações sobre Moscou no imperdível  Blog de Viagem de Claudia Liechavicius:  http://www.viajarpelomundo.com . É ela quem escreve:
"Numa viagem à Moscou não se pode deixar de conhecer dois lugares: o Kremlin e a Praça Vermelha. Só isso já vale a viagem. Eles simbolizam a grandiosidade e o poder de Moscou. É lá que pulsa o coração do país e de onde partem todas as ruas da cidade. A história, os dramas, a política e as memórias do Czar Ivã - o Terrível, de Catarina - a Grande, de Lênin, Stalin e Gorbatchov fazem eco naquelas muralhas. Caminhar pela Praça Vermelha e pelo Kremlin e se deparar com a beleza da Catedral de São Basílio, a imponência do Mausoléu do Lênin, a ousadia do shopping GUM e as cúpulas das igrejas ortodoxas... é de tirar o fôlego.,"      


Estação de Metrô....
verdadeiras galerias de arte.



                                                                   

Seguramente o Metrô de Moscou é o mais bonito do mundo. Tem 177 estações grandiosas, com escadas rolantes de levam à saída em até 2 minutos e meio, tal a profundidade que têm. Várias dessas estações podem competir com grandes galerias de arte - abertas ao público, em tempo integral e todos os dias do ano. Nelas se podem ver, além da arquitetura,  esculturas em bronze ( fotos acima ) , vitrais, mosaicos, murais e lustres magníficos.


Estação de metrô, com destaque para a cor do mármore.

Em países como a Rússia, os metrôs me dão um pouco de medo pela dificuldade de ler ou de pronunciar o nome das estações. Em Moscou, a dificuldade aumenta pela rapidez com que tudo se move. O fluxo de passageiros é intenso : mais de 6 milhões de pessoas, todos os dias, utilizam esse meio de transporte. O nome da Estação aparece somente em cirílico - mesmo que não fosse, seria difícil dizer: Kropotkinskaya ou Komsomolskaya. É , no entanto, um passeio imperdível.Coragem!




A próxima postagem será sobre o inesquecível Anel de Ouro e suas cidades históricas: Vladimir, Suzdal, Rostov e a belíssima Sérguiev Posad. Ao final, farei também algumas observações sobre custos, mobilidade, facilidades e dificuldades encontradas.


O famoso Sino-Czar  de  Moscou e....

...o Canhão-Czar , segundo maior do mundo - 40 toneladas.





segunda-feira, maio 27, 2013

Istambul : fotos e comentários breves


Tulipas em profusão

Já estou nos Estados Unidos e, por engano, deletei o texto sobre Istambul. Sobraram-me breves anotações em papeizinhos avulsos. Decidi, entretanto, postar sobre essa fascinante cidade hoje, de modo a não interromper a sequência cronológica que venho mantendo até agora. Com base nessas anotações e na minha memória, escreverei sobre Istambul, em tópicos, a partir das fotos que felizmente não perdi e de lembranças armazenadas nesta viagem e em viagens anteriores à Turquia.



Pequena Santa Sofia


A Turquia é o sexto país mais visitado do mundo e uma das economias que mais cresce na Europa. Em matéria de turismo, é a bola da vez - e não acredito que, no caso brasileiro, este boom tenha sido determinado pela novela das oito. Desde antes, muitos brasileiros viajavam principalmente para Istambul , cidade belíssima , com muitas atrações, bons restaurantes e hotéis, paraíso de compras - e preços razoáveis em tudo. Uma vez, cheguei nessa cidade, de navio, ao amanhecer. Vi uma das imagens inesquecíveis na minha vida de andarilha : o perfil da cidade com incontáveis minaretes - a cidade tem duas mil mesquitas.Lindo mesmo.



Igreja que foi transformada em mesquita


Pela primeira vez, visitei esta igreja, construída em 527, pouco antes da outra Santa Sofia e transformada em mesquita, depois da tomada de Constantinopla, em 1453. Foi fundada pelo imperador Justiniano e pela imperatriz Teodora. É muito bonita, pequena em comparação com a outra, e parecendo não bem cuidada. Chama atenção, no entanto, pelas colunas de mármore vermelho e verde, pelos capiteis e pelos delicados frisos. Os dois santos que  nominam essa igreja foram centuriões romanos que se converteram ao cristianismo. É interessante visitá-la.



Antigo cemitério junto à Pequena Santa Sofia


Desde adolescente, gosto de cemitérios - observo arquitetura, olho esculturas, analiso fotos, leio textos. Visito-os como a um museu.  Paradoxalmente, não vou a cemitérios onde repousam pessoas que amo e que têm vida na minha memória e saudade. Neste cemitério, junto a Igreja de São Sérgio e São Baco, também conhecida como Pequena Santa Sofia, minha imaginação acelera-se. Diz-se que o tamanho dos ornamentos guardam relação com a altura dos mortos. Haveria, assim, crianças entre os adultos. Os barretes seriam  indicativos de profissão, condição social ou religiosa. Os textos, não os pude ler.



Cidade de duas mil mesquitas


Desta vez, dediquei-me, em especial,  a parte asiática de Istambul, por acreditar que  era o momento de detalhar a cidade. Pouco vi da parte europeia. Arrisco uma sugestão a quem a visita  pela primeira vez e dispõe de dois ou três dias somente. Faça um cruzeiro pelo Bósforo, visite o Palácio Topkapi, a Santa Sofia e a Mesquita Azul . Faça compras no Gran Bazar. Parta com a consciência de que conhece um pouco de Istambul e de que precisa voltar a vê-la. Se retornar, vai gostar mais ainda.



Ponte entre a parte asiática e a europeia de Istambul


O Cruzeiro pelo Bósforo é realizado, no mínimo, em quatro horas e percorre cerca de trinta km do Estreito de Bósforo, canal que liga o Mar de Mármara ao Mar Negro e que divide o lado asiático do lado europeu de Istambul. Considero esse Cruzeiro imprescindível não só porque se pode ver mansões e palácios nas margens, mas também porque, com ele,  pode-se  dimensionar melhor essa vibrante e caótica metrópole com mais de dez milhões de habitantes.



Detalhe da entrada do PalácioTopkapi



Não sei o tempo necessário para visitar todo o Palácio Topkapi. Em três visitas, não consegui visitar nem a metade dele - verdade que tenho (re)visitado alguns espaços e que , todo ele, está distribuído por 700 quilômetros quadrados.Inaugurado em 1459, residência de sultões por 400 anos, espelha o poder otomano em toda sua opulência e grandiosidade. A distribuição de pátios, residências, salões, banhos, jardins pavilhões, bibliotecas, harém e tendas lembram a antiga estrutura de acampamentos de nômades. O harém chegou a ter 700 mulheres e é um dos espaços mais ricos e bonitos. Topkapi foi aberto ao público, como museu, em 1924.



Detalhe dos magníficos jardins do Topkapi


Nesta viagem,  não visitei nem  Santa Sofia, símbolo bizantino e otomano, nem  Mesquita Azul, que tem 20 mil peças de azulejos desenhados a mão, nem  Gran Bazar. Sobre esses três lugares já há postagens aqui, no Correndomundo. Preferi visitar, minuciosamente, o Bazar das Especiarias, também conhecido como Bazar Egípcio - é sensorial, genuíno, pequeno e com menos turistas. Inesquecível passear em meio a cheiros de especiarias, cores exuberantes, formas diversas e diferentes - e ter, ainda, a possibilidade de provar doces de mel, frutas secas, azeitonas e queijos.



Doces com frutas e mel


O Bazar das Especiarias foi construído no início do século XVII, como extensão da Mesquita Nova e com a finalidade de arrecadar dinheiro para suas obras assistenciais.  É conhecido também como Bazar Egípcio por ter sido feito com recursos oriundos de impostos  pagos por importações do Egito. Especializou-se em temperos orientais, tão importantes na culinária local. A localização de Istambul sempre favoreceu a rota de comércio entre o oriente, local onde eram cultivadas a maioria das especiarias, e a Europa. Além de alimentos, podem-se comprar, nesse local, utensilios domésticos, roupas, brinquedos, plantas, perfumes e quinquilharias mil. Não resisti aos doces e frutas secas. Amarguei, depois, carregá-los. Pensava, entretanto, que presentes são atos de amor.



Detalhe das Muralhas de Teodoro


Do Mar de Mármara até o Chifre de Ouro, as Muralhas de Teodósio - fileira de muros duplos - estendem-se por  quase 7 km. Têm elas onze portões fortificados e 192 torres e serviram para proteger Constantinopla, do lado em que era terra, por mais de mil anos. Foram construídas por Teodósio II em 412-422. Resistiram a muitos ataques e só foram vencidas pelos otomanos na Tomada de Constantinopla. Pena que, em 1950, uma secção foi demolida para dar lugar a uma avenida. Para percorrê-la, penso que é melhor usar um táxi coletivo, micro-ônibus, denominado dolmus.



Palácio Dolmabahçe


Construído em 1856 pelo sultão Abdul Mecit, Dolmabahçe é um palácio barroco que ostenta suntuosidade e grandiosidade, como se quisesse disfarçar a decadência do império otomano, já em declínio no período de sua construção. Seus portões, jardins e fontes são exageradamente bonitos e podem ser fotografados pelos visitantes. Internamente, fotografias são proibidas. Lamentei não fazer fotos de uma escadaria, em formato de ferradura dupla, feita de latão e cristal Baccarat , tendo corrimão de mogno polido. Um luxo só!



Fonte do Cisne no Palácio Dolmabahçe


O Palácio só pode ser visitado em um dos dois passeios orientados e explicados por um guia do próprio local. No jardim, muitas flores, estátuas e fontes, como essa do Cisne, de rara beleza e leveza, apesar dos exageros ornamentais. Na entrada do palácio, o maior lustre que já conheci, presente da rainha Vitória ao Sultão. No dormitório, onde morreu, em 1938,  Atatürk - pai dos turcos, como ficou conhecido -  o relógio está parado às 9h5min - hora final de uma vida dedicada à modernização da Turquia.



Fortaleza da Europa vista a partir do Cruzeiro pelo Bósforo


Ainda sobre o cruzeiro pelo Bósforo, penso que o melhor mesmo é comprá-lo no hotel, pois o preço não é muito diferente de ir por conta-e- risco e ganha-se tempo na locomoção. Lembre que o trânsito de Istambul é mais do que caótico! Na Itália, costuma-se dizer que em Milano, dirige qualquer pessoa; em Roma , dirige quem dirige bem; em Napoli, dirigem os napolitanos. Pois bem, acredito que , em Istambul, dirigem os turcos... que sabem dirigir de ré, que descem e trocam sinais de trânsito e entram em ruas com sentido contrário. Chega a ser divertido.



Chifre de Ouro, visto do teleférico



Do alto de uma colina, nas proximidades de um cemitério, admiramos a magnífica vista do Chifre de Ouro - como sou gaúcha, a palavra chifre me faz tremer...mesmo que seja de ouro! Descrito como o maior porto natural do mundo, contribuiu para a riqueza e o poder de Constantinopla. Corre a lenda de que teria águas douradas porque, durante a invasão otomana, os bizantinos ricos jogaram ali muitas jóias valiosas. Para descer até o porto, pode-se usar o teleférico, que não chega a ser assustador (para mim) porque é pequena a distância percorrida.



Minha perdição foi aqui: doces e frutas secas.


Já escrevi que Istambul é excelente para compras e para o exercício da pechincha. O vendedor sempre vai oferecer por 100% do que ele gostaria de vender. Você pode oferecer 25% do valor que lhe foi dado. Vá subindo de 5 em 5 - provavelmente ele fará o mesmo ao baixar o preço. Não se stresse. Faça teatro. Dê a entender que desistiu. É provável que se consolide a compra em 50% do valor inicial : um resultado bom para os dois lados.



Estação Sirkeci


Quem costuma ler livros policiais, certamente já leu Assassinato no Expresso Oriente de Agatha Christie e já ouviu falar no Trem dos Reis ou Rei dos Trens - o Orient Express que, em 1889, começou a interligar Paris a Istambul , numa viagem de três dias e de 2900 km. A Estação Sirkeci foi contruída para receber esse famoso trem. Trabalha-se hoje na recuperação do belo prédio da estação, com portas, janelas, arcos e diferentes trabalhos de pedra, harmoniosamente distribuídas. Edifício interessante de visitar. Se não for tomar um trem para a parte europeia da Turquia...ao menos tome um café no seu bonito restaurante e pense em aventuras e aventureiros. 



Fotografei a foto de outro...

Há muito mais o que ver em Istambul - cidade linda, de gente bonita, de mescla de culturas, de cheiros, formas e cores marcantes. Tem gosto de quero mais. Quero mais é voltar! Quero ver museus e mesquitas que ainda não vi. Quero ver a Europa e a Ásia que vivem e convivem nesta parte tão bonita do mundo.


sexta-feira, janeiro 11, 2013

" Até que a morte os separe" ? Texto I

Minha prima e eu : iniciação ao ritual
Para quem considera o casamento seu ritual preferido, casei poucas vezes - somente duas! A primeira vez, com 20 anos; a segunda, com 65. As duas vezes,  no civil e no religioso, com promessas, aliança, festa e o que mais trabalho me deu : troca de sobrenome. Do primeiro casamento, resultaram três filhos maravilhosos e um aprendizado imenso. O segundo, que aconteceu depois de 15 anos de solteirice, deu-me um maravilhoso companheiro-companheiro  até que "a morte nos separe".

"Chuva" de arroz nos noivos

Como me encantam rituais em diferentes culturas e como gosto de casamento,  esse foi um  ritual, durante anos,  tornou-se  um dos meus focos de viagem. As fotos aqui postadas e as histórias contadas mostram um pouco do que presenciei - antecipo que me diverti muito nessas ocasiões.


Norte de Portugal : noiva criativa, fotógrafo esforçado....

Estando, certa vez, numa ilha, entrei na catedral porque vi  pessoas produzidíssimas ali entrando e logo pensei : é casamento! Era, sim, um casamento, que se me tornou inesquecível . Foi a noiva e o noivo mais feios que vi. Muito feios mesmo. Localizei uma senhora , que pensei ter cara de mãe da noiva, e pedi para fazer umas fotos. E era , de fato, a mãe da noiva. Muito simpática e feliz , autorizou-me a fotografar. Limitei-me, entretanto, a fotografar o altar, os noivos de costa e os bonitos pacotinhos de arroz. Quando terminou a solenidade, fui convidada pela mesma senhora a ir à festa.Aceitei, claro.

Noivo a caminho da solenidade do casamento

A pedido da gentil  mãe da noiva , alguém da família levou-me no carro. Uma recepção fantástica, comida excelente e local muito bem decorado. Gostei mesmo. Horas depois, retornei ao hotel, quando já estava até achando bem bonitos os noivos. Lamento que minhas fotos dessa ocasião, foram roubadas com minha mochila ... e tudo o mais que ela continha.

Muito vermelho nos vestidos das noivas


Acompanhei , em Varanasi, no norte da Índia, um noivo que ia pelas ruas,  num  cavalo branco devidamente adornado, acompanhado de muitas pessoas e de muito barulho. Vi também duas noivas, que eram irmãs e estavam com vestidos iguais - ambos de seda pura, bordados com fios de ouro. São os chamados tecidos eternos, todos de rara beleza.


Cenário de um casamento em Illinois

Casamentos na Índia têm rituais diferentes de acordo com a região, a condição sóciocultural, a crença e a etnia. Encantaram-me as mãos de uma noiva, delicada e trabalhosamente desenhada com henna.O desenho dura , em média, uma semana. Além da beleza, contém símbolos de fertilidade, prosperidade, paz e felicidade. A mãe e as irmãs também usam esse grafismo, que se constitui em manifestação de uma arte milenar, denominada mehndi. Penso que esse respeito as tradições ajuda a construir vivências mais duradouras e harmônicas.



Lugar preferido para fotos na praça central de Kosice
Fui a um casamento, em Kosice, na Slovakia, onde se passou algo particular e interessante. Quando os noivos estavam entrando no salão da festa, pessoas jogaram , na frente deles, pratos brancos de porcelana que se espatifaram. Imediatamente o noivo recebeu uma vassoura, e a noiva, uma pazinha. Ele passou a varrer, e ela, com a pazinha, a juntar os pedaços.Terminada essa tarefa conjunta, os noivos abraçaram-se, sendo aplaudidos pelos convidados. Trata-se de um ritual para trazer boa sorte e evidenciar a solidariedade e o companheirismo na solução de problemas cotidianos. Na hora, pensei que muitos relacionamentos poderiam ser salvos com esse exercício cotidiano de juntar os cacos.



No Castelo de Praga

Em lugares fotogênicos, muitas vezes encontrei recém-casados, acompanhados de fotógrafos e cinegrafistas, registrando o acontecimento. Lembro-me bem de vê-los pelas ruas de Florença, Verona ou Veneza, pela galeria de Milano, por Paris, Catânia, Barcelona, Budapest, Praga e tantas outras cidades. Às vezes, familiares iam juntos; outras vezes, os noivos iam sozinhos.


                                                            Bela noiva  em Guillin , na China


Tradicionalmente, as noivas usam branco. Já, entretanto, encontrei  noiva usando vermelho e, em outra cidade, uma usando preto - com véu preto também. Estranhíssima. mas linda! Linda também essa noiva chinesa, que encontrei na entrada  do Hotel Sheraton, em Guillin, e que gentilmente permitiu que eu a fotografasse  várias vezes. Agradeci e me afastei. Minutos depois, fui surpreendida quando ela e o noivo me chamaram  para, delicadamente, me presentear  com uma bela caixa de doces, Chorei! Delicadeza sempre me comove.


Casamento em Sofia, na Bulgária

O vestido mais surpreendente que vi, era branco, de seda, com véu e cauda longos. De costa, era um vestido tradicional; de frente, apenas uma mini blusa e um sensual shortinho , brancos também. Os noivos estavam sendo fotografados, junto com a família, num histórico casarão, na Estônia.
O véu é uma tradição que tem origem no Antigo Testamento, na história de Rebeca, que se cobriu com um véu quando se aproximou de Isaac, seu futuro marido. Diferentes adereços, no entanto, podem substituir o véu - alguns porque , assim, determina a tradição.


A noiva com seu terceiro vestido de modelo tradicional


Na China, as noivas não usam apenas o vestido de noiva. Tradicionalmente, usam três vestidos. O primeiro, qipao ou cheongsam tradicional, um vestido bordado, em geral vermelho, por ser a cor traz sorte. Em seguida, a noiva pode trocar por um vestido branco, bonito e muito trabalhado. Por último, usa vestido na recepção, modelo tradicional, de seda, na  cor à sua escolha. Nos nossos padrões , seria um vestido alto esporte.



Acompanhei um casamento na Escócia, impressionada com a elegância e a desenvoltura do noivo e de seus convidados, com as tradicionais roupas escocesas. Lamentavelmente, não me foi possível esperar a chegada da noiva. Lindas são as decorações das igrejas. Lindos os buquês das noivas,que remetem à antiquidade, quando eram feitos com plantas aromáticas e enfeitados com alho para dar sorte e afastar mau olhado.


Rumênia 


Na Grécia, vi um casamento onde o noivo entrava com o buquê de flores, com que presenteava a noiva logo que ela chegava ao altar. No Peru, o tradicional lançamento do buquê para as solteiras é substituído por fitas colocadas dentro de um bolo, ficando uma  parte delas para fora. Cada moça puxa uma das fitas: casará primeiro a que puxar a fita que tem , na sua outra extremidade , uma aliança. Há, ainda, uma simbologia nas flores escolhidas para compor o buquê. Rosa vermelha, por exemplo, indica paixão; orquídea, sensualidade; margaridas, virgindade e inocência. Não sei por que margaridas andam pouco utilizadas...

A bonita embalagem da tradicional bomboneira italiana

Uma tradição, que me encanta na Itália, é a de presentear os convidados com um bomboneira, de porcelana ou de cristal, cheia de confeitos. São lindas e vêm em pacotes belíssimos. Tenho várias delas. Contou-me Lídia, minha grande amiga italiana, que, atualmente, por conta do espaço que tomam na casa, as bomboneiras vêm sendo substituídas por outras lembrancinhas, como recipientes com sementes de flores, que nascem assim que são umedecidas. Lamentei. Gosto de ver lojas especializadas em presentes e adereços nupciais e gosto de encontrar nelas as tradicionais bomboneiras.

Nos US, bolo dividido em duas partes.

Lembro-me que escrevi , aqui no Correndomundo, dois posts sobre casamento, sendo um na Itália, com ênfase à festa e ao cardápio, e outro nos Estados Unidos, onde o noivo escolhe uma cor temática, e a noiva escolhe outra e os balões, que os convidados recebem e soltam ao final da cerimônia religiosa, têm essas duas cores. Também , nos US, o bolo da noiva é dividido em duas partes: uma é cortada pelos noivos e servida aos  convidados; a outra, congelada para ser comida no primeiro aniversário de casamento.


A noiva escolheu lilás; o noivo, verde como cores da festa.
Pensei , agora, nos lugares em que encontrei maior número de noivos, posando para fotografias. Foram muitos em Veneza, onde eles fazem ainda um passeio de gôndola, devidamente registrado em fotos e vídeos. Em Firenze, Napoli, Milano e Roma, persegui vários recém casados pelos lugares históricos. Em Praga, especialmente no castelo, também os fotografei várias vezes. A cena, entretanto, que mais apreciei, foi numa praia do Mediterrâneo, lugar onde o jovem casal despia-se das roupas tradicionais, ficando a noiva de biquini e o noivo de short, e jogavam-se na água do mar. As fotos devem ter ficado belíssimas.


Noivos na Polônia - Varsovia

Em 2012, na estação de trens, na Bélgica, roubaram minha mochila. Foi-se meu PC com mais de cinco mil fotografias; meu IPod , com mais de quinhentas. Lamentei, agora, quando senti falta de muitas fotos de noivos, inclusive uma em que o noivo ia bem à frente da noiva, conversando com o fotógrafo, e ela sozinha, descalça, segurando  a cauda do vestido e carregando os sapatos. Por sorte, foi num país onde existe o divórcio!




Você já foi a casamentos que o(a) surpreenderam por ser diferente? Conte-me , por favor.