segunda-feira, abril 24, 2017

Sabedoria de Pessoa...


Bloomington - detalhe do conjunto de esculturas numa Escola

"A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.


Bloomington - USA

Ah, como hei de encontrá-lo? Quem errou 
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.



Antiga Escola em Bloomington - Ill

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar.



Conjunto de esculturas na Estação de trens em Champaign, Illinois USA

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim."
Fernando Pessoa



Champaign - Illinois - USA

PS> Para iniciar a semana, meu desejo de bons encontros consigo mesmo - num momento histórico de difíceis encontros com quem nos devia representar.

quarta-feira, abril 19, 2017

Comemorando 11 anos do Correndomundo...

Nas comemorações dos 11 anos deste Blog, incluo alguns dos primeiros textos do Correndomundo.

Eu, em 2006.
"TRANSIÇÕES são dificuldades duríssimas para mim. Abandonar um emprego, trocar de cidade, ser traída por uma amiga, terminar um relacionamento,ver um filho partir, largar tudo, começar tudo de novo, foram passagens doídas, transições sofridas - e sofridas. Nos intervalos dessas transições, já engordei 10 kg em um mês, já fiz pneumonias várias, já tive crises alérgicas terríveis. Mudei. Felizmente mudei. Abandonei as somatizações.Tornei-me mais produtiva. Bordei uma toalha de jantar imensa, em ponto-de-cruz, para a Téssia, em uma semana; em outra crise, teci cinco blusões em dez dias; em outra, viajei durante cinco dias e cinco noites praticamente sem dormir; e, ainda, em uma outra, bordei um tapete de dois metros quadrados em um mês... A transição que faço agora, neste primeiro semestre de 2006, deixando a Bahia depois de sete anos e voltando para o Sul, faz surgir este BLOG...Gugu viajou.Foi para a Alemanha. Depois vai para a Índia. Falo sempre que a vida é isso: uma sucessão de chegadas e partidas. Mas como dói!"

 
Bela União


"...Meu pai, a quem eu era muito apegada, morreu aos 44 anos , de tétano. Eu tinha 11 anos ...paguei muita terapia até compreender bem esse fato. Minha mãe , Anália Pinto Menine, uma mulher forte,inteligente, amorosa e perspicaz, morreu aos 84 anos. Viveu na fazenda até pouco tempo antes de morrer. Levantava bem cedo, de madrugada mesmo , e , quando questionada sobre esse hábito , respondia sempre que era para " aproveitar bem a vida". A maior prova de sua inteligência era o fato de conversar com cada um de seus sete filhos sobre o assunto que interessa a eles. Comigo conversava muito sobre plantas, índios e viagens, embora achasse perigoso esse meu costume de andar sempre "CORRENDO MUNDO" - daí a origem da denominação deste Blog...."


Meus Pais 

No início deste blog, sem pensar ainda na sua continuidade, um lugar já era reservado a Fernando Pessoa.

"Viver não é necessário;
o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida;
nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a minha alma a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso." 

Fernando Pessoa

Valentina, minha quase bisneta.

No Correndomundo, ainda está um pequeno texto que explicita para quem ele é dirigido:

"Este blog destina-se à minha família - restrita e ampliada - principalmente aos pequenos, como Pedro e Massimo, porque talvez eu não os veja adultos. Nele, optei por registrar uma das minhas grandes paixões, que é " andarilhar", e escrever sobre a razão do meu viver, que são os meus espaços e os meus afetos." 


Pedro e eu, no Uruguai, em 2010.

Este Blog foi muito, mas muito além do que dele eu esperava. Serviu como canal para reencontrar amigos, alunos, colegas e parentes; através dele conheci pessoas fantásticas que me possibilitaram valiosas interlocuções; foi não só espaço de registro de memórias, como também um companheiro em horas bem difíceis. Com alegria e gratidão, percebi que sua leitura incentivava algumas pessoas a viajarem - parte da minha utopia de um mundo mais amplo, diverso, acolhedor e fraterno. 

Valeu muito o incentivo para continuar a escrevê-lo. Agradeço-lhes com flores:


quarta-feira, abril 12, 2017

Alegrete e o "Negrinho do Pastoreio"de Vasco Prado


Foto by Vinicius Marcanth

Negrinho do Pastoreio, a lenda mais conhecida no Rio Grande do Sul, tanto rural quanto urbano, foi muito contada e comentada pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. Meio cristã, meio africana, surgiu e ganhou espaço no século XIX - e nunca mais foi esquecida. Está presente, principalmente, em músicas, esculturas e rezas e promessas quando se procura algo perdido.


Foto by Vinicius Marcanth

É comum no Rio Grande do Sul , principalmente em área rural, pessoas recorrerem ao Negrinho do Pastoreio para encontrar objetos perdidos. Deve - se, para tanto,   acender uma vela, próxima ao moirão de uma cerca ou deixar ali algumas flores para o Negrinho,  acompanhando esse ato com as eguintes palavras: Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi... Afirma-se que, se ele não achar, ninguém mais encontrará o que doi perdido.


Foto by Vinicius  Marcanth

 " Conta a lenda que nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e peões. Em um dia de inverno, fazia muito frio e o fazendeiro mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros que acabara de comprar. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. Disse o estancieiro: "Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece". Aflito, o menino foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou o cavalo pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo. De volta à estância, o estancieiro, ainda mais irritado, bateu novamente no menino e o amarrou nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha. A partir disso, entre os andarilhos, tropeiros, mascates e carreteiros da região, todos davam a notícia, de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, montado em um cavalo baio..." http://www.sohistoria.com.br/lendasemitos/negrinho/


Foto by Vinicius Marcanth
Em 1968, para a cidade de Alegrete, no Rio Grande do Sul, o famoso Vasco Prado esculpiu em bronze o Negrinho do Pastoreio - que Vinicius Marcanth fotografou ( obrigada, Vinicius!). Ao ser colocada no Parque Rui Ramos, despertou a ira de muitos gaúchos, que até cogitaram de laçar a escultura e jogá-la no rio Ibirapuitã. Nesse período, eu morava em Alegrete e já me interessava por arte. Guardei a expressão muitas vezes ouvida com tristeza: " não entendo de arte, mas aquele cavalo parece um porco ( gordo ), e o Negrinho é magro demais, tem a cabeça pequena e vai com os braços levantados - isso não é jeito de montar a cavalo". O tempo, entretanto ,  passou. Novos sentidos foram sendo gerados. Hoje, é um símbolo e uma atração turística da cidade - com razão! 

Foto by Vinicius Marcanth

À esquerda da escultura, uma homenagem a Rui Ramos, famoso político alegretense, onde se lê: "A Rui Ramos, humanista preocupado com a terra e com o homem, a homenagem do povo que luta por um Negrinho do Pastoreio triunfante, sem os grilhões de uma economia atrasada e com a esperança de um mundo livre e sem medo, tal como ele o desejou (20-09-1968)".


Parque Rui Ramos by Vinicius Marcanth

Retornei de Alegrete há três dias. É minha cidade preferida no Rio Grande do Sul. Se você não a conhece,..visite-a  e, se  possível, faça isso na Semana do Gaúcho, em setembro. Assistirá a uma das maiores e mais bonitas  festas tradicionalistas do Sul do Brasil. Se não for em setembro, em qualquer outro mês a cidade estará linda - e a escultura de Vasco Prado poderá  ser admirada.

Ignoro o autor desta foto - lamentavelmente!

Negrinho do Pastoreio
Barbosa Lessa

Negrinho do Pastoreio
Acendo esta vela pra ti
E peço que me devolvas
A querência que eu perdi
Negrinho do pastoreio
Traze a mim o meu rincão
Eu te acendo esta velinha
Nela está meu coração.

Quero ver meu lindo pago
Coloreado de pitanga
Quero ver a gaúchinha
A brincar n'água da sanga

Quero trotear pelas coxilhas
Respirando a liberdade
Que eu perdi naquele dia
Que me embretei na cidade

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https://www.letras.mus.br/barbosa-lessa/212848/


Com meus agradecimentos a Vinicius Marcanth

sábado, abril 01, 2017

Bem - Vindo, Abril...

Jardins no Sul da Índia
Abril....
.....um mês excelente para viajar... como qualquer outro...Faça planos, ainda que sejam para visitar uma cidade próxima da sua. Lembre-se da finitude de nosso tempo por aqui.Viva-o intensamente.


Jardins do Sul da Índia

"Ditosos a quem acena
Um lenço de despedida!
São felizes : têm pena...
Eu sofro sem pena a vida.
Dôo-me até onde penso,
E a dor é já de pensar,
Órfão de um sonho suspenso
Pela maré a vazar...
E sobe até mim, já farto
De improfícuas agonias,
No cais de onde nunca parto,
A maresia dos dias."

Fernando Pessoa


Jardins do Sul da Índia

quinta-feira, março 23, 2017

Cultura Gaúcha: Ritual de Visitas


                                                                     Bela União - todas as fotos

Com ensino, pesquisa e extensão,  atuei em meio rural, principalmente com formação de professores para áreas indígenas e para áreas de fronteira, por mais de 30 anos. Convivi com a realidade de professores leigos, e/ou com classes multisseriadas, ou com o isolamento de escolas bem distantes de centros urbanos. Desenvolvi projetos em seis estados brasileiros e  busquei informações em cinco países de área de fronteira. Realidade dura em lugares lindos.




Fui bastante próxima das comunidades e das famílias - fiz amigos de quem lembro com carinho e saudade. Difícil  separar educação e cultura. Difícil pensar em processos educativos sem considerar a cultura do grupo com que se trabalha. Impossível excluir cultura de qualquer lugar que se visite. Já escrevi que um viajante precisa ter olho limpo para perceber as nuances culturais de diferentes grupos, sem comparar ou sobrepor imagens. Comparações limitam o olhar - muitas vezes disse isso a meus alunos.




Estando agora, por um mês, em casa, na região da fronteira do Rio Grande do Sul - alegretense eu me considero - voltei a pensar sobre aspectos bem particulares da cultura gaúcha, no meio rural em que vivo, localizado entre Rosário do Sul e Alegrete, nas vizinhanças do Uruguai e da Argentina. Optei por escrever sobre o ritual de visitas, que tanto me impressionava na Bela União, antiga propriedade da minha família, lugar onde nasci e onde vivi até 15 anos de idade.





Visitas de parentes ou de amigos consolidavam laços interpessoais e aprofundavam vínculos afetivos. Possibilitavam  troca de informações, relatos de novidades e até confidências e comentários da vida alheia. Caprichavam-se nas roupas, tanto de quem recebia quanto de quem visitava. Arrumava-se a casa para dar boa impressão aos visitantes e desenrolar com bons modos o ritual todo - da chegada à partida.





Os visitantes usualmente chegavam aos domingos, pela manhã, se morassem um pouco longe; ou pela tarde, se fossem de vizinhos de perto. Eram recebidas pelos donos da casa - na falta deles, por algum adulto. Posteriormente, as crianças eram chamadas para dizer adeus - ou dar adeus - aos visitantes. Se fosse inverno, um licor de frutas, caseiro, era servido. Logo depois, fosse calor ou fosse frio, servia-se o chimarrão, que a pessoa tomava e devolvia a cuia, sem agradecer - o agradecimento significava que não queria mais mates.




Lembro-me que, após o chimarrão, vinha o momento em que se levavam as visitas para mostrar o jardim, a horta, o pomar ( arvoredo) e até alguns animais domésticos. Ofereciam-se mudas de plantas, sementes, algumas frutas - em pequenas quantidades, com elegância, para ser gentil, pois não se tratava de matar a fome de ninguém : muitas vezes ouvi essa explicação também na troca de presentes.





Ao retornar desse passeio ao entorno da casa, se fosse à tarde, servia-se  o café, sempre acompanhado de pães caseiros, roscas de farinha de milho, bolos ou bolinhos. Manteiga, mel,  geleias e queijos eram parte desse simples café, que se prolongava bastante, pela comida, que era muita, e pelas conversas bastante animadas.




Tenho bem presente a lembrança do pós-café. Os homens iam para mangueiras ou galpões ver as novidades agropecuárias, e às mulheres, mostravam-se álbuns de fotografia ou compras recentemente feitas na cidade. As conversas adultas aconteciam nesse momento. Era a hora em que as crianças saíam a correr e a brincar.




Nas despedidas, as visitas recebiam algum presente, que podia ser abóboras, mandiocas, batatas, verduras, frutas ou até mesmo charque ou linguiça. Não sei por quê esses presentes maiores eu os chamava  de presentes para estreitar relacionamento...Não sei se era desejo meu de conviver com a pessoa ou uma certa mesquinhez infantil. Sou mais pela mesquinhez - visitas me pareciam opressoras. Era bem mais divertido brincar com minhas irmãs, ainda que fizéssemos às vezes maldades umas para as outras....




Um dia talvez eu escreva sobre rituais de visita em comunidades bem diferentes da minha. Recordo-me, por exemplo, que, em alguns lugares do interior do Mato Grosso, assim que a visita chegava, perguntavam se ela queria tomar  banho - oferta divina naquele calorão! Acostumei-me, por isso , a carregar um vidrinho com shampoo na bolsa. 



Alguém lembra de simpatias para que a(s) visita(s) não demorasse( m ) ? A pequena e fugaz lembrança que tenho disso, faz-me crer que nem toda visita era bem-vinda. 




quinta-feira, março 16, 2017

Fernando Pessoa : Adiamento




"Depois de amanhã, sim,só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
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Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo:
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...




Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-se toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semanada minha infância...
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Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.



Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã....
Sim, talvez só depois de amanhã
O porvir....
Sim, o porvir...

Fernando Pessoa




Que o depois de amanhã seja intenso e bonito como o amanhã....e como todo o fim de semana. 

segunda-feira, março 13, 2017

Sugestão de Roteiro de Viagem 05: Andaluzia - 3a.parte

                                                       Andaluzia : proximidade de Jaén


Nesta minha terceira sugestão de roteiro pela apaixonante Andaluzia, indico-lhes um passeio que, se incluir Granada, pode ser feito em torno de oito dias, dependendo - é óbvio -  do meio de transporte e do estilo do viajante. Incluo, nessa sugestão, Granada, Úbeda, Baesa e Jaén + um almoço num povoado de Las Alpujarras e um olhar atento aos campos de oliveira.


                                                                Úbeda :  Centro Histórico

Em Granada, já relacionamos, em postagens anteriores, alguns de seus cantos e encantos, começando sempre pelo maior deles, por Alhambra. Hospedar-se em Granada e fazer um bate-e-volta, de ônibus ou de carro, às gêmeas Úbeda e Baesa, Patrimônios da Humanidade pela UNESCO, é bem interessante - mas saia de manhã cedo e volte à tardinha, com luz suficiente para admirar a beleza dos campos com enormes plantações de oliveira.


                                                                 Andaluzia - Úbeda

Fui a Úbeda de ônibus.Essa pequena e linda cidade está encravada entre os vales dos rios Guadalquivir e Guadalimar. Comecei meu roteiro pelo Hospital Santiago, principal expoente do Renascimento Espanhol, cuja aparência não lembra um hospital, lembra sim um palácio ou fortaleza. Construído entre 1562 e 1575, é hoje um bonito Centro Cultural, com espaços para exposições, feiras e congressos. À frente dele, uma bela torre com detalhes coloridos.


Basílica de Santa Maria em Úbeda

Depois do Centro Cultural, percorri praças e ruas, observando  palácios e casas da aristocracia, que mostram o interesse pela autopromoção e a pompa dos fidalgos e senhores, com destaque para  o Palácio de los Marqueses de la Rambla, o Palácio de los Condes de Guadiana, a Casa-Palácio del Deán Ortega e o Palacio Vela de los Cobos. Visitei a Basílica de Santa Maria e a Praça Central. Em tudo, a influência conjugada de árabes, judeus e cristãos tanto na cultura, quanto na magnífica arquitetura. Com 36 mil habitantes, a pequena-grande Úbeda faz jus ao seu lugar na lista da UNESCO.



Catedral de Jaén

Jaén é o maior produtor mundial de azeite de oliva. É tão bonita a cidade quanto seu entorno. O privilégio de habitá-la pertence a 120 mil pessoas. Está localizada ao pé do Cerro de Santa Catalina, nas proximidades do Castelo, uma fortaleza moura que ocupa o ponto mais alto da cidade. Suas estreitas ruazinhas são realmente encantadoras.

A cidade de Jaén vista do Cerro de Santa Catalina

A Catedral de Jaén - construída como tantas outras no lugar de uma antiga Mesquita - está localizada, no coração do centro histórico, na Praça de Santa Maria, de onde domina o cenário. Grandiosa e imponente, essa igreja foi concluída no século XVIII e nela podem ser observados muitos traços do barroco tardio, embora predomine o renascimento em sua fachada e nos seus interiores. Uma boa compra na cidade é mesmo azeite de oliva em diferentes e bonitos recipientes.


A Catedral parece maior do que  Jaén

Baesa - junto com Úbeda Patrimônio Mundial desde 2003 - é um dos núcleos renascentistas mais importante da Espanha. Esta distante de Granada 145 km  e de Úbeda, 10 km. A Catedral renascentista de Baeza está localizada na Praça de Santa Maria, onde também se encontra a Fonte de Santa Maria. Foi sede do bispado de Jaén durante alguns anos, no século XIII .


                                                         Centro de Baeza - Fonte dos Leões

Como muitas outras catedrais e igrejas famosas, ela foi construída no lugar onde havia uma mesquita. A Fonte de Santa Maria divide a Praça - também de Santa Maria - entre a Catedral e o antigo Seminário de San Felipe Neri, onde hoje está a Universidade Internacional de Andaluzia Antônio Machado - magnífica e tradicional na região.


Ruazinha de Baeza

Em Las Alpujarras, viveram árabes e judeus - hoje muito poucos na região. O que se chama de Las Alpujarras, é um conjunto de vales, com 70 km de comprimento, onde se encontram muitas aldeias brancas, parecendo oásis, já que estão rodeadas por encostas áridas, pedras imensas, profundas fendas, bosques e riachos - riquíssima diversidade! 


                                                     Povoados em Las Alpujarras

Muitos estrangeiros transitam atualmente por essa região, que foi colonizada por bérberes, nos séculos 10 e 11. Foi também uma grande fazenda onde se criavam bichos -da-seda para abastecer as oficinas da cidade de Almeria. Depois da conquista da região por Fernando e Isabel - 1492 - a indústria definhou, e muitas aldeias foram abandonadas. Árabes e Judeus viviam por aqui.



Orgiva - Las Alpujarras


Minha meta era passar o dia em Orgiva. Com seus 6 mil habitantes, é a principal cidade do oeste de Las Alpujarras. Tem um centrinho interessante, onde estava um antigo castelo, transformado hoje no prédio da prefeitura, e onde está uma igreja construída sobre uma mesquita do século 16. Todas essas pequenas são conhecidas pela deliciosas comidas que servem - e o café também e bom.



                                                                                              Jaén

Este roteiro pode ser ampliado, chegando-se até Almeria....ou passando para Marrocos, país que está bastante próximo. A bonita Antequera pode também ser incluída, bem como as praias mais famosas do Sul da Espanha. E para quem se interessa por História e Literatura, Andaluzia é lugar de valioso aprendizado - aqui Lorca viveu e aqui ele foi assassinado.


Universidade Antonio Machado