quinta-feira, novembro 23, 2017

Mesquita/Catedral de Córdoba


Detalhes do interior da Mesquita/Catedral de Córdoba

O Sul da Espanha sempre recebeu  visita e  invasão de outros povos, como os fenícios e os gregos que vieram comerciar; os cartagineses que deram continuidade ao comércio e aí se estabeleceram por muitos anos; os romanos que fizeram de Córdoba a capital da região; os visigodos que ocuparam o lugar dos romanos até a chegada dos exércitos islâmicos. Todos esses povos deixaram heranças na linguagem, nos costumes, na forma que têm as cidades, nos edifícios e nas obras de arte.



Junto à Mesquita/Catedral, o Pátio das Laranjeiras

Córdoba, localizada às margens do rio Guadalquivir, é uma das cidades mais antigas da Espanha. A ela chegaram os muçulmanos , conhecidos também como Islâmicos, no ano de 715, após as tropas islâmicas do Califato de Damasco terem conquistado grande parte do norte da África e terem passado para a Península Ibérica.



Zeli, minha irmã, na Mesquita Catedral

Córdoba era cidade geograficamente valiosa por ser uma encruzilhada de vários caminhos. Nela viveram e conviveram pessoas com diferentes religiões e culturas, que a tornaram, no século X , um dos centros mais importantes do mundo. Ali conviviam judeus, árabes e cristãos. A principal parte da cidade era a Medina, a parte murada da cidade.



Torre Principal

Na Medina, encontravam-se , além da mesquita principal, o alcázar, que era a grandiosa residência do califa e de sua corte, outras mesquitas menores, os zocos , um tipo de mercado, e os banhos. Em Córdoba, vale uma visita  - e , havendo tempo, a experiência de um banho árabe -  a um edifício, com belos mosaicos,  que está localizado próximo à Mesquita/Catedral.



Colunas de mármore, granito, jasper  ou onix


A Mesquita de Córdoba começou a ser construída no ano 786, pelo califa Abd al- Rahman, passou por  três grandes ampliações, antes de, no século XVI, construir-se, dentro dela, a Catedral cristã. Ela parece uma fortaleza, com muitas portas. Para dimensionar seu tamanho e grandiosidade, é interessante uma caminhada ao redor dela.



Beleza e grandiosidade

Entra-se no recinto da Catedral pela Porta do Perdão, onde se perdoavam, em público, os pecados dos penitentes cristãos. Por essa Porta, chega-se ao Pátio das Laranjeiras,  onde, algumas vezes, já estive  no período de floração das laranjeiras, que estão por toda parte e, encantadoramente, perfumam a cidade.



Torre da Catedral vista a partir da Juderia

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No centro do Pátio das Laranjeiras, há uma Fonte, com formato quadrado, cuja  água escorre por seus quatro cantos. Uma antiga tradição  diz que a pessoa que beber da água que escorre do único canto da Fonte que está sob uma oliveira, casa-se logo. Quem não quiser se casar, portanto, afaste-se desse lugar, ainda que esteja com sede.



Assim é hoje, com as alterações para ser uma catedral cristã

Por baixo da Torre da Catedral , como a  vimos hoje, havia outra torre, construída, no século X, por Abd al-Rahman III, que foi um governante de grande prestígio em todos os reinos da época. A Torre atual foi construída no século XVII, e restos da Torre Islâmica, como parte das parte das paredes e das escadas, podem ser vistos ainda no seu interior.



Fonte do Pátio das Laranjeiras

Atravessando o Pátio, entra-se, na parte coberta da Catedral, através de um arco, denominado Porta das Palmas, porque era por onde passava a procissão do Domingo de Ramos. Passando essa porta, tem-se um impacto indescritível com a visão  das colunas e dos arcos - um Bosque de Colunas - como já foi chamado -  pois são aproximadamente 900 arcadas. Impactante!



Riqueza interna da  Mesquita/ Catedral


Precisa-se de um tempo não exíguo para acostumar-se com a arquitetura, admirá-la e ver os tantos detalhes do local : as diferentes colunas e capiteis e os diferentes arcos; os magníficos mosaicos, presente do imperador de Bizâncio ao califa de Córdoba; a beleza e o luxo das luminárias que vêm do teto; a Capela Real com seu estilo mudejar; o altar, o coro, as cadeiras talhadas em madeira nobre, o teto... São muitos os detalhes e o espaço é o maior que conheço - nem sei se dá tempo para rezar ali! 




Minúcia e perfeição nos detalhes internos


Embora a tradição e a história  de Córdoba evidencie uma convivência possível de religiões - tanto que a cidade também é conhecida como Cidade das Três Culturas - eventualmente afloram sinais de conflitos e discussões como as que se observam na denominação Catedral...ou Mesquita...ou Mesquita/Catedral ou como  o uso do mesmo espaço para ritos e rezas de fieis muçulmanos. Talvez...um dia...



Altar  todo em mármore vermelha

"Pode-se visitar a Mesquita de Córdoba de 2ª a sábado das 10h às 18h (entre março e novembro, até as 19h). Domingos e feriados religiosos têm horários diferentes: das 8h30 às 10h15 e depois das 14h às 18h (entre março e novembro, até as 19h). A entrada custa €8 e não é vendida por antecedência -- nem precisaria. Basta se dirigir à bilheteria e comprar." https://www.viajenaviagem.com/2012/03/mesquita-cordoba/



Riqueza e variedade de materiais

" La luz que desde la Catedral de Córdoba nos alumbra no es mortecina ni temblorosa. Es intensa, penetrante. Ilumina el camino . Propone el abrazo de las comunidades del mundo." 
Juan Carlos I , Rey de España  28 - 5 - 86



Portas que circundam o edifício. mas não dão acesso aos visitantes.

quinta-feira, novembro 16, 2017

A Berlin, com gratidão!




Berlin é uma cidade que, certamente, plenifica os olhos e a alma de um viajante. Não pretendo hoje escrever um post sobre a capital da Alemanha. Penso, sim, escrever minha declaração de amor a ela. Neste ano de 2017, fiz apenas uma passada de três dias por lá. Estava com o tempo bem limitado e meu objetivo era  estar mais tempo na Noruega.






Respeito intensamente a sensível condição de conviver com a diversidade que tem a capital da Alemanha. Desde 1989, quando a Queda do Muro concretizou a aproximação entre os lados oriental e ocidental, procuro acompanhar o processo de integração dessas duas realidades - diferentes inclusive sociais e economicamente - que, por longos 28 anos, estiveram separadas.






Notam-se diferenças, mas, se existem, não chegam a ser notadas em forma de discriminações. Já faz alguns anos, fui - com Fabricio e Krithika,  a uma festa popular, no espaço de uma antiga fábrica. Ali, vi adultos, jovens e adolescentes que conversavam e dançavam e bebiam cerveja - é óbvio. Não havia policiamento e não se percebia agressividade. A música não era da altura que infelizmente estamos acostumados a ouvir - queiramos ou não.





Gosto muito de Berlin, mas devo declarar que gosto da Alemanha toda. Divirto-me quando pessoas se referem às diferenças linguísticas nesse País. Não as percebo! rsrsrs  Não falo alemão! Isso, entretanto, não foi motivo para que eu desistisse de viajar, muitas vezes sozinha, por dezenas de cidades, em diferentes regiões. 




Já visitei, por exemplo, Bremen, Colônia, Dusseldorf, Munster, Dresden, Frankfurt, Heidelberg, Munique, Nuremberg, Fussen, Stuttgard, Bonn, Ulm, Aachen, Dortmund, Essen, Kiel, Koblenz, Mainz... e muitas outras.   Povo gentil e educado, onde é possível viajar falando inglês, língua dominada pela maioria, ou italiano, ou espanhol... que os alemães  tentarão entender...É assim...ou é sorte minha?




Na viagem deste ano, Isolda, minha amiga, e eu chegamos em Berlin pelo aeroporto Schonefeld, que está distante 20 km do centro.  Pensávamos ir  de metrô ou ônibus ao Hotel. Um acesso de preguiça, confesso que meu, levou-nos a tomar um táxi, pagando mais ou menos 30 euros, até o Art'otel  Berlin Mitte, localizado bem perto da  Alexanderplatz, onde ficamos hospedadas. Esse é um hotel que eu recomendo.




A Alexanderplatz - centro do lado oriental e lugar da famosa Torre de Televisão - é um dos pontos de referência em Berlin, juntamente com o Portão de Brandemburgo e a Wittenbergplatz. Como dispúnhamos de somente três dias, fez-se necessária uma seleção restritiva do que visitar. Optamos pela Ilha dos Museus, o Portão de Brandemburgo, o Memorial do Holocausto, a Catedral e o Memorial aos Judeus Mortos na Europa.







Na Ilha dos Museus,  na  Alte Nationalgalerie ( Antiga Galeria Nacional ), eu fiz todas as fotos publicadas neste post. Essa visita é imprescindível em Berlin,  pois lá se podem ver famosas pinturas impressionistas e também esculturas do século XIX. 





Alte Nationalgalerie  galeria foi aberta em 1876. Seu início vem da doação de 262 pinturas pertencentes ao banqueiro Johann Heinrich Wagner. Apesar de bombardeada na Segunda Guerra Mundial, por sorte teve seu valioso acervo preservado. É um espaço para permanecer ao menos três horas - e vale cada minuto!




Já não faço planos para além de seis meses - tempo que preciso para fazer reservas, obtendo melhores preços. Recordo sempre, no entanto,  o ditado Iídiche : O homem planeja, e Deus ri. Em 2018, Berlin não estará no meu roteiro. Certamente sentirei a falta do tanto de História, Modernidade e Arte que essa vibrante e multiétnica cidade nos oferece. Danke fur alles, Danke! 





" O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa."

Fernando Pessoa




quinta-feira, novembro 09, 2017

Europa 2018/Estudos Preliminares




Sobre a minha mesa de trabalho, um mapa grandão da Europa, meu inseparável companheiro de decisões....



.... alguns Guias de Viagem,




... um Calendário com espaço para anotações,




... observações e lembretes que fiz em viagens anteriores,




... recortes de jornais, revistas e publicações diversas,




... informações que me vêm de amigos viajantes;




... e o note para acessos a fotos, vídeos, notícias, blogs e  google, 




... com isso tudo, mais a experiência e a intuição, construo o Projeto Europa/2018.




A primeira etapa está programada desde que retornei neste 2017  e inclui oito cidades pequenas , localizadas no interior da Espanha, da França e de Portugal. Obs. Aumentei para 11 pois inclui Lugo, Vigo e Ourense.




A segunda etapa, em que estou trabalhando nestes dias,  detalha bem os Balcãs : Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Sérvia, Montenegro, Macedônia e Kosovo....




No Leste Europeu - minha grande paixão - certamente irei a Budapeste. Pretendo, no entanto, logo depois, ver bem a Romênia : do Castelo de Drácula a Bucareste. Estou em dúvida entre visitar novamente a Bulgária ou fazer direto Bucareste/ Madrid.




As definições chegaram até aqui. A última etapa ainda não está delineada. Até final de dezembro, entretanto, deverá estar concluído o projeto todo. 




PS.Ilustrei este post com plantas  para atrair boa sorte! Sugestões e informações são muito bem-vindas. Gracias. Obrigada. Thanks. Grazie.


" Vão breve passando
Os dias que tenho.
Depois de passarem
Já não os apanho."

Fernando Pessoa



domingo, novembro 05, 2017

Alfama: imperdível passeio em Lisboa

Vista do Tejo
Um dos bairros mais tradicionais e pitorescos de Lisboa, é  Alfama,  com seu jeito de medina e com seus varais cheios de roupa. Esse velho bairro de pescadores está constituído por labirintos de ruazinhas estreitas, que partem do estuário do Tejo e chegam ao pé do Castelo de São Jorge - lugar para perder-se sem, entretanto, perder nada do que nos é mostrado e oferecido.


Fique atento às calçadas...

Uma pessoa distraída como eu, que cai com facilidade,  precisa ficar atenta e esperta enquanto recorre Alfama, com suas subidas e descidas e suas ruas escorregadias. Como escreveu alguém ( desculpe não lembro quem!): as pedras das ruas foram sendo polidas pela passagem dos romanos que iam ao teatro, dos mouros, que iam às termas e dos cruzados, em suas peregrinações. 


Habilidade para descer e subir....muito!

Por aqui, não é só a arquitetura - bonita e informativa - que me distrai e me faz ter medo de cair. Gosto também de ler e ver a denominações de espaços da cidade, como o Campo das Cebolas, a Rua da Saudade, a Rua do Limoeiro, a Travessa da Espera, a Rua dos Remédios, as Escadinhas de São Tomé, o Beco do Maldonado...


No caminho do Castelo....
Alfama, como nenhum outro lugar, pode dar-nos a noção de como era a Lisboa no passado, seja pela arquitetura, pelo traçado das ruas, pelos arcos e pelas escadas, pelas varandas, portas e janelas e pelos hábitos do povo, que conversam e comentam, algumas vezes cuidadosamente baixinho, que nos faz pensar em mexericos, histórias de parentes, de vizinhos ou de conhecidos apenas.


Subida para o Castelo de São Jorge

Caminhe sem pressa. Escute o som das conversas enquanto as roupas são penduradas nos varais e os fados que são entoados nostalgicamente por algumas mulheres. Sinta o cheiro das sardinhas que são assadas numa grelha, na rua mesmo. Veja a arte nas ruas, em paredes, muros e portas. Observe os meninos jogando futebol e cedendo lugar à passagem de turistas que descem do ônibus 737 e do bonde 28 ( o Elétrico). Procure mesmo caminhar sem pressa, muito atento e com olhos bem abertos. Há muito o que ver!


Arte na rua

Mesmo sem traçar Alfama, pode-se ver, de diferentes lugares de Lisboa, as fortificações do Castelo de São Jorge. Diz-se que suas pedras já viram visigodos do século V, mouros do século IX, cristãos do século XII, realeza dos séculos XIV e XVI e condenados de todas as épocas. Encantaram-me as muralhas fortificadas, sombreadas com ciprestes e pinheiros, e também as vistas da cidade e do rio Tejo.

Hospedei-me aqui

O Hotel Convento do Salvador fica a uns 7 minutos do Castelo de São Jorge, da Catedral da Sé e do Panteão Nacional. Situado num antigo convento, tem apartamentos com vistas panorâmicas da cidade ou do Tejo. O Elétrico 28 passa quase em frente ao hotel. É um três estrelas que vale em especial pela história e pela localização - privilegiada forma de conhecer Alfama.




" ...Ouço falar onde na rua
Estão parados a falar...
Falem, falem: a fala é sua!
Não sabem que a conversa é nua
Porque a estou a escutar..."

Fernando Pessoa

Amanhecer no Tejo