sexta-feira, julho 11, 2008

Sobre fotografias e imagens



Foram quatro as fotografias que eu gostaria de ter feito hoje, mas não consegui fazer. E não as fiz porque sempre me sinto constrangida quando vou fotografar pessoas sem lhes pedir licença – para mim , é como lhes roubar a imagem.

As fotos, entretanto, que eu não fiz , estão feitas e gravadas na minha mente. Lamento , apenas, a impossibilidade de compartilhá-las com outras pessoas.
Faço um parênteses para contar , principalmente a Rosana e Fabianinha, o quanto pensei nelas e nas pessoas que fotografam bem, durante a viagem de Dalhousie a Amritsia.Os cenários estão prontos – e são belíssimos. As imperfeições, representadas por plásticos jogados na estrada ou construções feias, são ações do homem e não da natureza.


                       A primeira fotografia era de grupos de crianças que iam para a escola ou voltavam para a casa. Conforme a escola, penso eu, era a cor da roupa que usavam, sempre em tom-sobre-tom – às vezes com a echarpe branca. Vi um grupo com a roupa em tons de violeta : a calça mais escura, a túnica um pouco mais clara e a echarpe mais clara ainda. Belíssima. Vi conjuntos em tons de rosa, outros em tons de verde , azul ou vermelho. Todos lindos. E as meninas caminham com elegância e classe! Os meninos , bem limpos e bem penteados, usavam, em geral, conjuntos em tons de azul ou cinza. Caminhavam em grupos separados, meninos e meninas. Imaginem que o cenário de fundo eram montanhas, com o verde exuberante das árvores, ou rios que descem por entre caminhos de pedras ou cascatas que vêm de montanhas mais altas.Lindo!

A segunda fotografia durou o tempo suficiente para ficar gravada na minha memória. Passei de carro por uma mulher, que pastoreava um rebanho de cabras. Naquele momento, as cabras pastavam tranqüilamente, e a mulher estava sentada à sombra de uma árvore , bordando um pano de seda . Ela , muito concentrada, olhava seu bordado; eu, esteticamente deslumbrada, olhava aquela cena.

A terceira fotografia também foi de uma mulher. Essa caminhava descalça, ao longo da estrada da montanha , com muita beleza e elegância. Usava uma roupa de seda azul – marinho, com duas estampadas florais, uma na calça e outra na túnica, em tons de rosa, e uma echarpe que combinava essas duas estampas. Usava brincos , colares e pulseiras de ouro, como é costume aqui. E na mão direita, levava uma foice! Certamente ia cortar feno para os animais.
A quarta fotografia me mostrava uma cena de trabalho em família. Um homem, duas mulheres e uma menina plantavam arroz em “canteiros” perto de casa. Vi uma mulher portando um pequeno feixe de mudas, parecido com um maço de cebolinha – desses que a gente compra no mercado ou na feira. A outra mulher e a menina plantavam as mudinhas, enquanto o homem preparava o terreno. Todas usavam a roupa tradicional, em cores e estampas diversas, com suas belas echarpes. Estavam descalças e se moviam no alagado espaço da plantação de arroz.
É assim a Índia. A todo momento, surpreende e emociona com “fotografias” lindas – e me deixa hipersensível.