terça-feira, julho 29, 2008

Pushkar - seus lagos e templos.




















O vôo Bangalore / Delhi foi difícil. Chovia muito – são as “monsoons” nesta região. O avião “tremia “bastante – e eu também. Cheguei com duas horas de atraso. Dormi em Delhi e saí cedo , no dia seguinte, para Pushkar. Estive em dúvida se ia para Nainital ( montanhas) ou Rajisthan. Sorte que decidi pelo Rajisthan, estado de que eu conhecia somente a capital, Jaipur.























A viagem já é fantástica. A maioria das estradas são excelentes . As pessoas que encontrei no caminho, com suas roupas muito coloridas, constituem um belo espetáculo – as mulheres com a cabeça coberta por echarpes lindos; os homens ,com belos turbantes de cores fortes. Os animais, principalmente os camelos, constituem um outro espetáculo belíssimo. Com muitos enfeites coloridos, alguns puxam cargas em antigas carretas, outros transportam pessoas.






















Vim de carro – 9 horas de viagem. Quando vi Pushkar, senti-me recompensada. Indescritível. Trata-de de uma cidade – templo, lugar de peregrinação – possui mais de 200 templos. Está cercada por montanhas não muitos grandes , mas com formatos diversos – e sobre algumas dessas montanhas, templos e lagos sagrados. O lago principal, entretanto, está bem no centro de Pushkar, e, ao redor desse lago, distribuem-se 52 “ghats”, por onde os peregrinos alcançam as águas sagradas do lago e se banham para limpar os pecados e purificar o espírito.




                                                       




































Na cidade, é proibido comer qualquer tipo de carne ou ovos e é também proibido o uso de drogas e bebidas alcoólicas - achei muito divertido quando vi um menino do hotel trazer escondida uma garrafa de cerveja comprada no mercado paralelo - detalhe: a cerveja era sem álcool!De manhã cedo, fui até a ghat do principal templo hindu – levada por um amigo de um amigo de um amigo meu...como sempre me acontece. Ali , fiz todos os rituais, como oferendas de flores (rosas vermelhas e cravos amarelos perfumadíssimos ) e alimentos ao lago, pintura na testa, preces para os antepassados mortos e pedido de saúde, paz , dinheiro aos filhos, parentes e amigos , devidamente nominados – imaginem a extensão da minha lista, embora sintetizada pelo nome da família, por exemplo, os Daudts, os do Canto, os Siqueiras, os Guterres ... 



Em Delhi



















Repeti muitas preces em hindi... que não entendi , mas levei fé! Foi bem bonito e até fiquei emocionada, especialmente quando  pensei em familiares e amigos. Tentei fazer fotografias que dessem conta de um pouco da beleza e da magia deste lugar. Impossível. Vi muitos camelos, um comércio pitoresco principalmente de ornamentos para camelo, ruas apinhadas de gente, muitos sadus ( santos vivos )e cerimônias em diferentes lugares.










































Visitei  templos e ouvi  histórias, como a de Brama e suas duas esposas. Escutei previsões de astrólogos e cartomantes. Mesmo com chuva, fui percorrer a cidade a pé e descalça, pois, sendo lugar sagrado, eu não poderia estar usando sapatos. Voltei com barro até perto do joelho  ( O tempo todo tive medo de pisar em um prego, pedaço de ferro ou lata - até perdi a certeza de que minha vacina antitetânica estive valendo...). Puskar é um dos lugares mais singulares e comoventes que conheci.É um lugar de paz mas de surpresas a todo momento. Daqui a uma semana, parto da Índia para a Europa, onde devo permanecer por mais dois meses. Saio agradecendo ao Cosmos que me permite chegar a lugares inesquecíveis.






















"Louvado seja Deus que não sou bom,
E tenho o egoísmo natural das flores
E dos rios que seguem o seu caminho
Preocupados sem o saber
Só com florir e ir correndo.
É essa a única missão no Mundo,
Essa — existir claramente,
E saber fazê-lo sem pensar nisso."

Fernando Pessoa