segunda-feira, agosto 06, 2012

O passado no presente: a comunidade Amish nos EUA



Em 2005, visitei Arcola e Arthur em dezembro. Estavam as duas cidades vestidas de branco - muita neve e muito frio. Tenho, ainda, a nítida lembrança das carroças, pintadas de preto e puxadas por fortes e bem nutridos cavalos, passando, com incrível rapidez, pelas camadas de neve. Dentro delas, homens usando trajes e chapéus pretos, camisas e agasalhos brancos.




Voltei, há dois dias, às mesmas cidades. Visitei muitos lugares interessantes, como a escola antiga, o parque e seus jardins, algumas fazendas, o mercado comunitário, o museu e as lojinhas de produtos típicos. Fora a falta de chuva, que amarela as lavouras de milho, e o calor do verão, encontrei carruagens e pessoas iguais como as vi em 2005 - e certamente iguais como eram no século 17, quando vieram para os Estados Unidos em busca de liberdade religiosa. Um grupo que pouco mudou em relação a seus ancestrais.



Há grandes famílias vivendo em grandes casas. As mulheres usam vestidos sempre nas mesmas cores, geralmente cinza ou azul acinzentado. Roupas muito simples, em algodão, lavadas a mão e passadas com ferro de brasas. Participam, ativamente, da vida da comunidade, cuidando da casa e dos jardins; fazendo maravilhosos artesanatos e trabalhando no comércio, nos museu e nas escolas. Todas as mulheres, com quem conversei, foram muito gentis, doces e atenciosas.

 


No inverno, compre frutas secas, como as deliciosas passas de cereja, de damasco e de abacaxi. Agora, no verão, compro frutas frescas - pêssegos, damascos e  cerejas. Compro legumes orgânicos, como tomates, cebolas, pepinos, brócolis e  abobrinhas. Nos mercados comunitários, há uma grande variedade de pães , bolos e biscoitos, com formatos tradicionais, e de geléias de diferentes frutas. Há também doce de leite puro ou com misturas; doces de amendoim e doces de nozes - desses de rezar para fugir à tentaçao de comer um pacote inteiro.




Os Amish têm suas raízes na Suiça, mais especificamente, no movimento anabatista suiço, surgido em 1525, quando um grupo protestante rejeitou a estrutura das igrejas estabalecidas. A Antiga Ordem - menonitas - é a mais conservadora e rejeita tudo aquilo que os aproxima do mundo contemporâneo, como eletricidade, carros e telefones.Há Comunidades Amish, nos Estados Unidos, em Ohio, Indiana, Pensilvânia e Illinois - onde estão nas comunidades de Arcola e Arthur. vivendo em interessantes fazendas.




Aprendi a ler e a escrever no meio rural. De muito pequena, lembro de umas pedras onde era possível escrever com lápis de pedra também. Meu pai as usara para alfabetizar muitos meninos da área onde morávamos. Eu as usei para aprender a fazer contas. Recordo meu pai escrevendo muitas adições, subtrações, multiplicações e divisões para eu as resolver. Quando terminava a tarefa, mostrava o resultado a ele. Se estava certa, a conta era logo apagada. Se estava errada, apagava o cálculo e o resultado para que eu repetisse a operação.....




.....Não era necessário, portanto, usar cadernos, lápis ou borracha. 
Essa lembrança sempre me encantou . por meu pai e pela facilidade com que eu aprendia. Eis que encontro, em Arcola,  na antiga escola da comunidade,  toda ela muito bem preservada, as pedras de escrita da minha infância. Vê-se que era uma escola multisseriada, pelo tamanho e pela posição das carteiras. Fez-me inveja o velho piano. Sou defensora de música, dança e outras manifestações artística em qualquer escolinha. Direito da criança...




No mesmo parque histórico, onde estão a escola, a ferraria, a carpintaria e vários outros antigos espaços, está essa casinha, muito necessária e de arquitetura bastante conhecida antigamente. Na foto seguinte, toda feita com tiras de aço, mais parecendo uma gaiola, está a antiga prisão. Pessoas da comunidade, habilmente, mostram aos turistas como realizar trabalhos com ferro e madeira, usando as ferramentas tradicionais.




Os Amish são bastante conhecidos por seu trabalho em madeira. Fabricam, artesanalmente, móveis fortes, duradouros e , ao mesmo tempo, esculpidos com delicadeza e arte. Encantaram-me os conjuntos de mesas, cadeiras- incluindo cadeiras de balanço - e armários que vi, tanto em uso quanto para venda.Alguém comentou comigo que os preços são muito altos. Penso que o preço corresponde à qualidade e à originalidade.




Há outros trabalhos tradicionais nas comunidades Amish. Além dos móveis e gazebos, são bem conhecidas as colchas ( quilts ) ,as almofadas, as bonecas e outros brinquedos. No Rockome Garden Preservation, está a loja Marcella´s Corner Gift Shop com muitas bonecas e livros de história. Gentilmente, a proprietária deixou-me fotografar suas bonecas, os livrinhos de história infantil que as têm como personagem e o interior de sua loja.Outra loja interessante, no mesmo parque,  é a Sarah´s Gift Shop. Trabalhos artesanais perfeitos.




As colchas são tradicionais na cultura Amish. Os modelos são bastante diversificados, com predominância dos geométricos. As cores, em geral, são delicadas, em tons pastéis. Vi algumas colchas em que os tecidos eram rebordados. Dizem que são muito duráveis, que são para toda a vida. Acredito. Na foto ao lado,  detalhe de uma belíssima colcha, tamanho queen, com as bordas muito bem trabalhadas e forro num dos tons de rosa usados nas estampas. Linda.



                                                                        
 No Rockome Gardens Center, há muitas atrações para adultos e crianças. Todo o dia, um pequeno trem transporta  visitantes por todo o parque - também é possível fazer os passeios de charrete. Há bons restaurantes, sorveterias - com sorvetes artesanais, é claro - e padarias, que produzem os famosos pães e bolos locais.O Amish Museum, pequeno e simples, merece uma visita. Nele, algumas maquetes mostram a estrutura e o modelo das casas da região, casas grandes, para acomodar gerações da mesma família.



Estando na região, não deixe de visitar as fazendas dos Amish. Se estiver aqui no Thanksgiving , é , nessas fazendas,  o lugar onde se compra peru, o prato mais tradicional da festa.Dizem que os Amish são pessoas bastante ricas. Têm hotéis, restaurantes, supermercados e lojas, além de produzirem nas suas fazendas e receberem muitos visitantes e turistas - que já estão sendo,agora, convidados para o 20o. Horse Progress Days, nos dias 5 e 6 de julho de 2013.  Encontram-se, sobre os Amish, muitas informações no http://pessoas.hsw.uol.com.br/amish9.htm


PS.Obrigada, Rosana, pela sugestão de título. A foto seguinte é presente para ti.

sábado, agosto 04, 2012

Salt Lake City

Utah



















De Portland, voamos para a capital de Utah, desde 1858. Na aproximação do avião, uma paisagem interessante se faz ver na minha janela. As Rochosas , que conheço de outros estados americanos, estão ali - imponentes, coloridas, belas. Mais aproximação, e começo a ver as águas do Grande Lago Salgado, perto de Salt Lake City. Em suas margens, está a cidade. Já no aeroporto, surpreendo-me com o recato, a formalidade no vestir e a elegância das pessoas -  homens, mulheres e crianças.



Salt Lake City




















A cidade é famosa mesmo por ser a sede da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, lugar sagrado de nossos conhecidos mórmons, que estão muito presentes na América do Sul. O Templo , iniciado em 1853, e que levou 40 anos para ser construído, num parque de 10 ha, é o ponto de referência para todos os endereços da cidade. Nosso hotel, por exemplo, ficava a Oeste do Templo e um restaurante italiano, onde fomos, ficava ao Sul do Templo.


Templo Mórmon



















Daí já se pode deduzir sua importância para a Salt Lake City. Turista, fora da temporada de esqui, responde sempre à pergunta: Vocês estão aqui por que são da Igreja? A cidade tem cerca 200 mil haboitantes - é a mais populosa de Utah - e 78%  dessa população é adepta da religião mórmon. Em todo o estado, o percentual de adeptos é 60%. Cerca de 20% da população de Utah é composta por latino-americanos: mexicanos, guatelmatecos e brasileiros.



Coro do Tabernáculo Mórmon




















Impressiona muito a grandiosidade da sede do Coro do Tabernáculo Mórmon . O coral é  um dos corais mais bonitos e perfeitos que ouvi ao longo da minha vida - até comprei um CD. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias atrai turistas, emprega pessoas, movimenta a economia e tem antigos laços , desde seu fundador, com a política americana. Tem forte influência na política regional. Nas últimas eleições para presidente, um dos concorrentes de Obama era mórmón.



Capitólio




















Fica difícil separar Salt Lake City dos mórmons, seus criadores. As duas histórias se confundem. A cidade, entretanto, tem mais o que ver além do Templo e adjacências.Foi , por exemplo, sede dos Jogos Olímpicos de 2002 - o que atraiu para ela as atenções e os visitantes. O Capitolio de Utah é belíssimo. Está no alto de uma colina,  circundado por grandioso parque, de onde se vê a estátua do chefe índio Massasoit, numa homenagem aos primeiros moradores do estado.



Primeiros moradores de Utah





















A Universidade de Utah é bastante conhecida pela excelência em algumas áreas. Lembrei-me , ao visitá-la, de duas pessoas muito especiais: Lúcia Matos e Geórgia Benetti. Há , na Universidade, dois Departamentos bastante respeitados: o Departamento de Ballet e o Departamento de Dança Contemporânea. Dia 24 de julho é o Pioneer Day, que celebra o dia em que os pioneiros mórmons entraram no Vale de Salt Lake, fugindo das hostilidades do meio-oeste, especialmente de Ohio e de Illinois.



























Sem ironia, faço duas observações finais. A partir de um sonho em que Deus lhe atribuía uma missão, Joseph Smith Jr. criou uma religião poderosa que não aconselha o uso do álcool, do chá e do café e que defende ou defendia a poligamia.  Estima-se , hoje, que tenha, no mundo, 14 milhões de seguidores dessa religião. Muita fé e persistência!

1 - Eu tenho o pequeno sonho de executar, como trabalho voluntário, em escolas rurais da minha região, um projeto de ensino de bordado, especialmente de ponto-de-cruz , e de carpintaria, construindo casas para passarinhos, tendo como  objetivo o desenvolvimento do pensamento matemático e o gosto pelas artes...e não o executo.  Falta de fé e persistência. Ou seria excesso de café?


























2 - Por essas alturas da vida,  interessa - me , mais que qualquer outro, o meu Curriculo Espiritual - se existir mesmo algo após a morte, quero estar apresentável. Podem ver, neste blog , os muitos lugares sagrados que já visitei - do Candomblé da Bahia aos sítios de Jerusalém, passando por dezenas de outros. Faltava-me Salt Lake City. Fui. Nem preciso voltar.

Como chovia muito nos três dias em que lá estive, não visitei o interior de Utah, que dizem ser belíssimo. Faltaram-me, portanto,  as montanhas - a maior é Twin Peaks , com 3502 metros; faltaram-me as pequenas cidades de que tanto gosto. Por essa vez, paciência!

"Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exacto...."
Fernando Pessoa

sexta-feira, agosto 03, 2012

" Eu também existo nas minhas distrações..."

«Nunca altero o que escrevi», disse-me uma vez o meu mestre Caeiro. «Se o escrevi assim é porque o senti assim, e nada tem para o caso que eu hoje sinta de um modo diferente. Os meus poemas contradizem-se muitas vezes, bem sei, mas que importa, se eu me não contradigo? Há coisas nalguns dos meus poemas, sabe?, que eu não seria capaz de escrever agora, em ocasião nenhuma. Mas escrevi-as então, e essa é que foi a ocasião em que as escrevi. Por isso ficam como estão.»

E, a meu pedido, exemplificou:

«Olhe, por exemplo, várias coisas no poema sobre o Menino Jesus. Eu hoje era incapaz, nem por distração, de dizer que «a direcção do meu olhar é o dedo dele apontando». Eu era incapaz de dizer que «ele brinca com os meus sonhos» e vira uns de pernas para o ar, e põe uns em cima dos outros, e outras coisas assim. Enfim, eu era incapaz de escrever o poema hoje, e afinal isso é que quer dizer tudo.»

Defendi o poema, e as próprias frases que Caeiro nele incriminava.

«Não, não têm defesa. São absolutamente falsas. A direcção de um olhar não é um dedo: é a direcção de um olhar. Não se brinca com sonhos como se fossem pedras ou caixas de fósforos vazias. E tudo aquilo mesmo não é nada. Foi uma distracção minha e eu também existo nas minhas distracções, embora distraidamente."
Fernando Pessoa

quarta-feira, agosto 01, 2012

River Hood : harmonia dos sentidos

Rio Willamette




















De Portland a  Hood River , não é uma viagem: é um longo e cenográfico passeio. Portland está cerca de 80 km da Costa do Pacífico. Pela cidade, entretanto, passam dois rios: Willamette, na primeira foto; e Columbia River Gorge , na segunda foto, que corre na direção leste-Oeste em relação à cidade. Os dois rios são bonitos e  muito bem cuidados.


Rio Columbia 




















Assim que nos afastamos de Portland, começamos a percorrer a estrada que margeia o Columbia River Gorge, enxergando , do outro lado dele, os campos do estado de Washington - também muito verde e com relevo bem acentuado. O Columbia, portanto, corre no vale do mesmo nome, tendo de um lado Oregon e de outro, Washington,  e vai desaguar no Oceano Pacífico.


Campos de Lavanda




















A estrada toda é contornada por grandes árvores, entre elas, muitos pinheiros, mas  permitem ver-se lugares lindos como as  espetaculares Multnomah Falls , com uma queda livre de 180 metros, em duas belas cachoeiras. Nosso objetivo era visitar Hood River,  uma cidade interessante, cuja beleza aumenta à medida em que dela nos afastamos e passamos a percorrer suas pequenas e graciosas fazendas.


Campos de lavanda em Hood River




















Hood River é grande produtora de maçãs , mas produz também peras, ameixas  e frutinhas vermelhas - sempre confundo o nome de todas elas. Minha surpresa foi encontrar nessa área o Lavander Valley, um lugar de sonho! A foto ao lado mostra o que escrevi : picos nevados, montanhas verdes, florestas e ... campos de lavanda, em diferentes tons de lilás e perfume que nos envolve o tempo todo.


Fazenda de flores e frutas





















Na fazenda de lavandas em que estivemos, há uma lojinha encantadora. Com toda a decoração em  lilás, com as mesmas nuances que se vê nas plantações, tem caixas, vidros, sacolas e pacotes elegantes e bonitos. Oferece sal grosso com perfume - de lavanda, é claro; sabonetes de formatos e tamanhos diversos; sachês em delicadas embalagens bordadas; conjuntinhos para viagem, com sabonete, shampoo, gel de banho e creme; buquês de flores secas de lavanda e saquinhos de sementes. Uma lindeza tudo.


Harmonia dos Sentidos




















No final dessa visita, experimentei um momento que me ocorreu denominá-lo de Harmonia dos Sentidos. Um menino - entre dez e doze anos - que estava trabalhando no campo de lavandas, repentinamente, como se lembrasse de algo, abandonou o trabalho e veio a um espaço semifechado do jardim, sentou-se a um piano que estava ali, entre flores, e tocou Chopin durante uns 10 minutos. Agradeci aos céus por esse momento, em que cores, formas, cheiros e sons misturavam-se de forma tão delicada e harmoniosa.

terça-feira, julho 31, 2012

Salem, capital de Oregon

























Há muitos anos, quando comecei a viajar, eu tinha um esquema que, na Europa, funcionava bem. Quando eu ia a  um país pela primeira vez, visitava a sua capital e três ou quatro das cidades maiores. Visitava , a seguir,  três ou quatro pequenas cidades, muito características ou históricas. Depois visitava vilarejos ou lugares típicos de meio rural.

Nos Estados Unidos, esse meu esquema não funcionou bem. As capitais de alguns estados são pequenas e não muito interessantes.  Aqui mesmo, em Illinois, a capital é bonita, mas bem menor e bem menos interessante que Chicago.

Em Oregon, Portland é uma cidade com 600 mil habitantes, enquanto  Salem, a capital, tem pouco mais de 100 mil. No século 19, foi um movimentado porto, no rio Willamette, tornando-se a capital do território de Oregon em 1851.


























É interessante a visita ao Oregon State Capitol , que tem , sobre sua cúpula, a escultura dourada de um Pioneiro. 

A entrada do Capitol é ladeada por esculturas de mármore que retratam passagens históricas do Estado. Dentro dele, murais retratam  cenas da descoberta do rio Columbia, pelo capitão Robert Gray , que cruzou esse rio, pela primeira vez,  em 1765.

Junto ao Capitol, encantou-me ver um belíssimo parque, muito limpo e bem cuidado, com algumas estátuas interessantes,  com muitas e variadas flores e com  com grandes e bonitas  árvores. Não vi guardas nem no palácio, nem no parque que o circunda. Vi, apenas. crianças e adultos em bicicletas ou passeando.

Bonita e tranquila visita - e conheci a capital e o Capitolio.Valeu.

segunda-feira, julho 30, 2012

Portland , Cidade das Rosas




















Já escrevi sobre Oregon, mais especificamente sobre Portland, outras vezes. Por razões afetivas - Kevin, filho de Ronald, vive nessa cidade - todos os anos, a ela retornamos.Portland é uma cidade ao noroeste dos Estados Unidos, perto da confluência dos rios Willamette e Columbia, no estado do Oregon. Fundada em 1843, foi incorporada em 8 de fevereiro de 1851.





















Portland é considerada uma das dez cidades mais ecológicas do mundo, principalmente pelos carros movidos à bateria elétrica, que reduzem uma grande porcentagem de emissão de gás carbônico na atmosfera. Foi classificada como cidade mais verde dos Estados Unidos, e a segunda mais verde do mundo. É, portanto,  uma cidade linda e ecologicamente correta. Muito verde. Muitas flores. Rios bem preservados. Gente bem educada.






















Entre suas atrações, encontram-se:
International Rose Test Garden;
South Park Blocks;
Museu de Arte de Portland;
Jardim Chinês de Portland;
Tom McCall Waterfront Park;
Galeria Blue Sky;
Instituto de Arte Contemporânea de Portland;
Jardim Botânico Berry;
Museu Espacial e
Museu da Criança de Portland.






















Bastante conhecida como a Cidade das Rosas, tem, no Rose Park, invejável coleção dessas flores - razão por que as privilegiei nas postagens hoje. Fiquei deslumbrada com as cores, os diferentes tamanhos e formatos, a ordenação dos canteiros, os equipamentos expostos e o perfume que se podia sentir.Fora a primeira foto, onde a flororo, como dizia uma moça japonesa, amiga da minha irmã, sou eu com meu enteado, as demais são de rosas desse parque.





















Portland possui muitas  pequenas cervejarias e alambiques - nada importantes para mim, porque não gosto dessas bebidas. Há, entretanto , um culto pelo café - mais do que minha bebida preferida, minha dependência total. Uma cidade que tem a maior livraria, que eu conheço, especializada em livros de viagem ; que é muito verde, que  gosta de café e que cultiva roseirais, tem tudo para ser uma das minhas preferidas. .





















"Flor que não dura 
Mais do que a sombra 
dum momento
Tua frescura 
Persiste 
no meu pensamento."

Fernando Pessoa

sábado, julho 28, 2012

Sausalito: " Pequena Notável "




















Pode-se ir de carro, atravessando a famosa ponte,  ou de ferry boat, partindo do Pier 39,  e chegar-se, assim,  facilmente, à pequena e encantadora cidade de Sausalito, que está somente há 8 km da Baía. Fundada em meados do século XIX , essa aldeia de pescadores foi uma das primeiras comunidades a serem estabelecidas ao norte da Baía de San Francisco - o que lhe dá um mérito histórico. O nome Sausalito deriva de Sauce, uma ávore que se desenvolvia bem junto aos poços de água e aos mananciais subterrâneos.























Em seu passado também, aparecem informações sobre sua condição de fazer negócios marítimos, chegando a ser  um importante estaleiro. Durante a Segunda Guerra, esse estaleiro construíram os Liberty Ships, para serem usados nas frentes europeias. Atualmente recebe muitos barcos e iates luxuosos de todo o mundo. Nos anos 60, apareceram as casas flutuantes, construídas por boêmios e artistas e que hoje são pontos turísticos muito visitados. Antes da crise imobiliária dos US , Sausalito estava entre os lugares mais caros para se estabelecer residência, comprando uma área neste lugar.























Podem  também caminhar pela Brigdeway Avenue, que serve de calçadão ( termo bem nosso!) , observando seu aspecto multicolorido; ver a marina com tantos e bonitos iates e barcos; observar a paisagem, que tem ,por um lado a baía, pelo outro, as encostas de  montanha.O clima é agradável ; a cidade tem prestígio como centro residencial e comercial - A Village Fair, um antigo armazém, hoje congrega muitas lojas e atrações.





















Há, ainda, pontos muito especiais que recisam ser mencionados: o Sausalito Art Festival, mundialmente conhecido, e a  vista de San Francisco - quando fiz a foto, havia muita neblina -  que somente ela já vale a visita à pequena e elegante Sausalito, com suas muitas casas encravadas na montanha. É um passeio que pode ser feito na metade de um dia.























PS. Li que San Francisco pode ser visto em quatro dias. Impossível. A cidade precisa - e merece - muito mais tempo que isso. Faltou-me tempo para visitar, entre outros lugares, Castro, o primeiro bairro gay do mundo. Queria visitá-lo como homenagem à opção de maravilhosas pessoas amigas minhas e como homenagem também ao filme Milk, tão sensível e bonito.

Fotos e comentários breves sobre San Francisco

Baía de San Francisco
 Baía de San Francisco.

"Ao longe, ao luar, 
No rio uma vela, 
Serena a passar, 
Que é que me revela ?"

Fernando Pessoa                                                                          

                                                

Famoso Pier 39

Esta área, antigo porto e mercado de pescadores, é uma das principais atrações turísticas de San Francisco. Aqui, encontram-se grandes centros comerciais , como: Pier 39, The Anchorage, The Canery e , ainda, Ghirardelli Square.Do Pier 39, partem os barcos que vão de San Francisco a Sausalito, Tiburon e Six Flags Discovery Kingdom.O 39 é um lugar animado, bonito e agradável para todas as idades.





 
Este é um dos prédios mais antigos e tradicionais de Haight- Ashbury. Por aqui passaram e  viveram os meninos de cabelos longos e idéias revolucionárias; por aqui passou e viveu Janis Joplin , que foi chamada cantora branca de voz negra, que marcou para sempre a história do blues. Vivem nesta cidade gente de muitos países, como China, Coreia, Japão, Vietnã, Camboja, Brasil, Laos, México, Porto Rico, Angola, Miamar e Mongólia . Verdadeira Torre de Babel. O espanhol é o idioma mais falado depois do inglês. Parece, no entanto, que a maioria, independente da língua, consegue uma forma pacífica de convivência. Em San Francisco, o uso do transporte público é feito por 51% dos moradores e as discussões sobre ecologia e aceitação das diferenças já é bem antiga.




Tenho muitas fotos de noivos em diferentes lugares e diferentes culturas. Sou caçadora de fotos de casamento - por duas vezes, dado o meu interesse pela cerimônia, já fui convidada para a festa! No dia em que fomos ao Civic Center, no prédio da municipalidade, registrei esta cena interessante: a noiva precisou tirar os sapatos para ultrapassar o sistema de segurança - ela ficou baixinha sem eles! O noivo precisou submeter-se a um acurado exame, já que o raio x indicou qualquer anormalidade. Será que eram as alianças?





O Asian Art Museum está situado em frente à Civic Center Plaza. É o maior museu dedicado à arte asiática nos Estados Unidos. Estivemos prazerosa tarde lá, onde estão, além das exposições temporárias, as 2500 obras de arte do conceituado acervo permanente do Museum, que oferece aos visitantes uma boa introdução à produção artística das principais culturas asiáticas. Segundo Fernando Pessoa:«Têm que ter qualidades que se dirijam ao melhor público de um grande número de épocas.»





O Twin Peaks , com uma altitude de 280 metros e  situados bem no centro geográfico de San Francisco, possibilitam uma visão panorâmica de 360 graus, mostrando a cidade e a Baía de San Francisco. Não havendo neblina , esses morros gêmeos permitem belas fotos e boa compreensão do espaço geográfico desta bela cidade. Pode-se chegar a eles em ônibus turístico ou de carro, seguindo desde   Market Street até o final de Twin Peaks Boulevard. Passeio obrigatório - quando as condições do tempo permitem, é claro.




Belíssimo tesouro do Art Asian Museum, um museu onde se está autorizado a  fotografar . Fiz muitas fotos de esculturas, pinturas, cerâmicas e porcelanas.Encantei-me com uma coleção de cestaria, com trançados que eu nunca havia visto e peças de rara beleza.






Também no Art Asian Museum, vi esta instalação, na entrada do prédio. Belíssima e  grandiosa, começava no piso, abrangendo uns 5 metros, subia pela parede e contornava grande parte do primeiro andar do Museum. Muito leve, parecendo papel de seda recortado, deixava-se perceber nela figuras mitológicas asiáticas. Com razão, muito fotografada pelos visitantes. Infelizmente, esqueci de anotar informações sobre o autor - e as esqueci. Problemas de velhice!



Fantástica, mas fantástica mesmo,  esta instalação, na praça do Civic Center, em frente à prefeitura, por um lado, e ao Asian Art Museum, pelo outro. Impressionou-me a cor - uma tonalidade de vermelho difícil de descrever; a leveza das folhas, que se balançavam suavemente ao vento; o material utilizado de maneira, parecendo papel crepon. Fiz dezenas de fotos, tentando traduzir meu encantamento. Impossível.



Conhecidas como as Sete Irmãs, essas belíssimas casas vitorianas, construídas no final de 1800, são atrações imperdíveis em San Francisco. Parecem casinhas de bonecas. Elas constituem  os melhores exemplares das chamadas Painted Ladies - Damas Pintadas. Se a gente caminhar por SanFran, encontrará muitas outras casas de supreendente beleza.






Nesta vista do Pier 39, uma escultura bem interessante. Tivemos a sorte de ter um dia claro, bonito, florido. com muitas pessoas na rua, neste San Francisco que não é de Assis e nem de Paula...mas é San Francisco de muitas gentes...de muitos lugares do mundo





No centro de San Francisco, o movimento dos sem casa ocupa alguns prédios da prefeitura. É um movimento pacífico, numa rua onde se pode transitar com tranquilidade.




Para concluir este post , novamente ela, a Golden Gate Bridge, na foto que fiz quando estávamos a caminho de Sausalito.

"As horas pela alameda 
Arrastam vestes de seda,
Vestes de seda sonhada 

Pela alameda alongada"

Fernando Pessoa