segunda-feira, dezembro 07, 2015

Retornar é Preciso...Lisboa!

Ele e eu...
Há motivos de ordem prática e de ordem afetiva que me fazem retornar tantas vezes a Portugal. De ordem prática, o primeiro deles é o vôo direto da TAP de Porto Alegre / Lisboa - excelente para quem detesta conexão em SP; o segundo refere-se à  minha alegria em mostrar esse país, que conheço tão bem e que nos deu Fernando Pessoa, para as pessoas que eu amo.

Anoitecer no Tejo
Encantam-me os rios. Já chorei de emoçao ao ver a nascente do Amazonas em território peruano. Já chorei de tristeza  ao ver os rios Ibicuí e Santa Maria, enfraquecendo ano a ano, em Rosário do Sul,. Já estive horas admirando o Ganges, em Varanasi, ou encantando-me com o Rio Branco em Roraina. Já passaram muitos rios pela minha vida, e a todos amei e agradeci sua existência. Em Portugal ou na Espanha, comove-me o Tejo - ou Tajo. Beleza inenarrável ao amanhecer e ao anoitecer. Em Lisboa, o Tejo é meu ponto de encontro com a cidade, assim como ele o é em Toledo.

Mosaicos portuguesas
Encantam-me também os mosaicos portugueses - e eles estão por toda parte. Vejo-os na Estação de São Bento, no Porto; na Estação de Trens em Aveiro; na fachado e no interior de tantas casas em Lisboa e no interior de Portugal; em nichos com santos diversos, em escadas, em corredores, em belos murais e ...no Museu do Azulejo. Bem que os empresários do turismo poderiam elaborar o Roteiro dos Mosaicos Portugueses...Seria um sucesso - escolheriam por mim...ando um pouco preguiçosa.


Em Belém...os pastéis.

A foto acima, foi feita nesta última viagem - poderia, no entanto, ter sido feita em qualquer outra viagem minha a Lisboa, pois não há dieta que me segure quando desejo um café com Pastéis de Belém, no único lugar que pode usar essa denominação  - na imensa cafeteria e fábrica, localizada no histórico bairro do mesmo nome. A receita - dizem - foi inventada por um monge e é guardada a "sete chaves" - um segredo muito bem protegido. Se isso não intensifica o sabor, amenta o mistério...


Croquetes: de bacalhau sim...
Pastéis de Belém e bacalhau ... um lembra o outro... os dois lembram Lisboa - ainda que bacalhau lembre o país inteiro. Preparado das mais diversas formas, é impossível pensar numa mesa festiva sem bacalhau - seria como sem churrasco no Rio Grande do Sul. Descolei uma receita de croquetes assados - não são os da foto -  que virá logo depois da foto seguinte.

Queijadinhas e doces pós - bacalhau
Bacalhau dessalgado, cozido e desfiado, cebola ralada, batata cozida e amassada, pimenta do reino, azeite de oliva, um pouquinho de farinha de trigo, salsa bem picadinha e um ovo. Experimentar o sal. Dourar a cebola no azeite, juntar o bacalhau e mexer por 5 minutos.Desligar o fogo e acescentar os demais ingredientes. Passar azeite nas mãos ( ótimo para a pele! rsrs), modelar os bolinhos, por numa assadeira untada, pincelar cada um deles com azeite e assar por, mais ou menos, 30 minutos. Servir e dizer que a receita é sua. Verdade! Você terá que inventar as quantidades....


Igreja do Mosteiro dos Jerônimos

Depois de salvar o corpo com essas comidinhas gostosas, hora de pensar na salvação da alma. Fácil,fácil, pois belas igrejas não faltam em Lisboa. Sempre aproveito o tempo disponível e vou ao Mosteiro dos Jerônimos, cuja obrigação dos monges, que o habitaram durante quatro séculos, era confortar os marinheiros e rezar pela alma do rei. Encontro ali os túmulos de Vasco da Gama e de Luis Vaz de Camões. Valendo-me da memória que ainda tenho, recito versos de Camões - acredito que ele goste mais dessa lembrança do que de rezas que eu poderia recitar ou inventar.

Gosto de árvores desde criancinha...

Portugal e Espanha são países menos caros do que seus vizinhos. A meu ver, somente os países do leste têm menor custo e , algumas vezes, mais benefícios. Raramente uso metrô ou elétrico em Lisboa - parece-me uma cidade feita para se andar muito. É uma festa percorrer Alfama, Baixa, Chiado, Bairro Alto...É imperdível traçar a Avenida Liberdade, o Rossio, o Comércio, o Cais do Sodré, o Parque Eduardo VII...chegar a Estação do Oriente e ver o que se desenvolveu aquela área desde a Expo; comer no João do Grão, no Nicola, no Rei do Bacalhau...


Mosteiro dos Jerônimos
Imperdível , ainda, escutar fados, ainda que dê vontade de cortar os pulsos... mas visitar o Museu do Fado é bastante informativo. Discutir com os taxistas, imitando o falar português - e quando eles perguntar por que o Brasil tem tanto ladrão, lembre-lhes como o Brasil foi povoado...e inicie uma discussão até o final de qualquer trajeto. E, se alguém contar piada de brasileiro, rebata com as muitas que contamos de Joaquim e Manuel. Retorne com saudades até dessas discussoes - e prepare-se para voltar.

Fotogênica Lisboa
Mas, antes de retornar, visite livrarias - maravilhosas as que têm livros usados; visite a Casa de Saramago, a Casa de Fernando Pessoa e , se for quarta ou final de semana, vá a Feira da Ladra para encontrar moradores locais. Não volte sem ver Museus - os de Arte principalmente. Procure lugares históricos, como o Convento do Carmo. Suba no elevador Santa Justa - a reforma está chegando ao fim. E faça muito mais do que foi escrito aqui. Para voltar bem recomendado, reze na Catedral da Sé ou na Basílica da Estrela.

Eu, com alergias já começando...

"A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos,lembrando.

Minha irmã Zeli Menini
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Ingleterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.


Tejo no por-do-sol

Fita, com olhar ´sfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal."

Fernando Pessoa

Belos palácios portugueses