quinta-feira, novembro 22, 2012

Santo Amaro de Caetano,Bethania e Dona Canô

"Adeus, meu Santo Amaro
Que eu dessa terra vou me ausentar
Eu vou para Bahia
Eu vou viver, eu vou morar
Eu vou viver, eu vou morar
Adeus meu tempo de chorar
E não saber porque chorar
Adeus, minha cidade
Adeus, felicidade
Adeus, tristeza de ter paz
Adeus, não volto nunca mais
Adeus, eu vou me embora
Adeus e canto agora
O que eu cantava sem chorar"

Caetano




Santo Amaro teve seu início, como povoado, às margens do rio Traripe, em 1557, sendo, portanto, um dos povoados mais antigos do Brasil.

Em 1837, transformou-se em cidade, com o nome oficial de Leal Cidade de Santo Amaro. Atualmente é conhecida como Santo Amaro da Purificação. 

Distante 70 km de Salvador e com população de 65 mil habitantes, tornou-se importante como produtor de cana-de-açúcar, fumo e mandioca, surgindo daí engenhos, casas de farinha e pequenos beneficiamentos de fumo.






Não foi, entretanto, a agricultura que a tornou cidade famosa. Foram dois irmãos - Caetano Veloso e Maria Bethania - que a projetaram no mundo.
Impossível ir a Santo Amaro sem visitar a casa da família Veloso e o teatro Dona Canô, cidadã baiana, com 105 anos, muito conhecida em todo o Brasil, segundo ela por ter esses dois filhos que nunca esqueceram de onde vieram e de quem era a  mãe deles. Dona Canô ainda participa , no mês de fevereiro, da  organização da tradicional lavagem da escadaria da Igreja  da Nossa Senhora da Purificação( foto ) , que tem a participação de 400 baianas, usando suas belas vestimentas.





Além da Igreja, há três outras  visitas obrigatórias.
Inicialmente, na rua do Amparo,  a casa de dona Canô, que vive ainda lá. Em frente da casa,  uma homenagem onde se lê: "Caetano, poeta da terra, menino da gente, nós amamos você" e "Bethânia, de tuas cordas vocais emerge esta gente bonita, tua voz é a melhor notícia da terra que te gerou"
O Teatro Dona Canô , com 260 lugares , excelente acústica e bela arquitetura e programação frequente. expõe um pouco da história dos Velosos.
Ao lado do teatro, está a Casa de Samba da Nicinha, onde, em especial, cultivam-se as raízes do samba de roda, tradicional no município .

Em toda a cidade, nota-se admiração por Dona Canô, considerada a Embaixatriz de Santo Amaro.
Ela recebe, contam, todas as pessoas que a procuram e participa da vida local. Há pouco tempo, liderou uma campanha de arrecadação de  fundos para a reforma da igreja e mobilizou a população em apoio aos pescadores. Seu aniversário é comemorado com missa   -   na última,Bethania cantou. 
Figura marcante, foi biografada no livro “Canô Velloso, lembranças do saber viver”, escrito pelo historiador Antonio Guerreiro de Freitas

“... Quando eu te encarei
Frente a frente
Não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi
de mau gosto o mau gosto
É que Narciso acha feio
o que não é espelho ...”
Muitas vezes , discuti este texto com meus alunos para tratar da questão do preconceito.
Grande Caetano, orgulho justo de Santo Amaro.