sábado, julho 06, 2013

A Musical Memphis

Encontro dos rios Mississippi e Ohio
De Paxton, saímos com chuva forte, relâmpagos e trovões - e eu, meio exagerada,  já pensando em como reagir a um tornado. Em Tuscola, pausa para comprinhas no Tanger Outlets , onde encontro sempre velhos conhecidos, como Guess, Gap, Reebok, Nike, Coach, Tommy Hilfiger e Banana Republic. A chuva impediu-nos de visitar Arthur e Arcola, onde estão as comunidades Amishs, sobre as quais já escrevi neste blog.
Mississippi e Ohio - ao fundo, Kentucky
Já referi, no post anterior, ao encontro dos rios Mississippi e Ohio, um lugar muito interessante de ver.  Continuando, após a confluência desses rios, pela interestadual 55, chegamos a Memphis, cidade que me fez lembrar muito de Pedro, meu neto, que, ao redor de 7 anos, gostava de Elvis Presley, o idolo de Memphis, a cidade berço do rock´n´roll, que, segundo dizem,  nasceu dos blues.

Museu do Rock e fábrica de guitarras

Nossa primeira visita foi ao Memphis Rock-´N´- Soul Museum, que está localizado bem em frente à fábrica de guitarras Gibson, bastante conhecida dos amantes desse gênero musical. A exposição do museu é patrocinada pela Smithsonian Institution, o que é uma garantia de qualidade. A visita é guiada por áudio e inclui mais de cinco horas de músicas selecionadas de acordo com as informações que vão sendo dadas.

Quem usou este modelito, Pedro?
Memphis, juntamente com New Orleans e Nashville, constituem as três cidades mais importantes da música norteamericana. A cidade é conhecida também pelas suas lutas em defesa dos direitos civis dos negros - mais de 60% da população - e dos trabalhadores. Enfrentou muitas lutas nos anos 60 e, em 4 de abril de 1968, assassinaram aqui o mais proeminente líder da luta contra o racismo, Martin Luther King Jr.  O Museu Nacional dos Direitos Civis está hoje no prédio do Motel Lorraine, local onde ocorreu o assassinato - o quarto 306 está preservado como era quando o crime aconteceu.

Beale Street
A Beale Street viveu sua melhor fase até os anos 50, entrou, depois, em declínio. Foi o que voltou a ser hoje: o centro animado de um bairro de diversões, com restaurantes, saloons, boates e lojas, entre essas lojas a A.Schawab, um grande armazém daqueles antigos,onde tudo pode ser encontrado. Funciona essa loja desde 1876. Estátuas e esculturas são encontradas ao longo dos quatro quarteirões da Beale. Elvis Presley e W.C. Handy, chamado pai dos blues,   lá estão. A música , nessa rua, parece sair de cada porta.

Elvis Presley na Beale Street
Os amantes de cinema certamente já viram filmes feitos em Memphis, alguns bastante conhecidos, como A Firma, dirigido por Sydney Pollack, com a importante participação de Tom Cruise; Náufrago, filme de Zemeckis, com Tom Hanks no papel de um empregado da FEDEX, empresa multinacional encarregada de enviar cargas e correspondências. Essa empresa, de fato, existe, é a maior dos USA e foi mesmo iniciada em Memphis, onde mantém sua sede principal.

Memphis a partir do Mississippi
A herança musical recebida por Memphis motiva muitos turistas e viajantes a andarilharem pela cidade. Dizem, no entanto, que as melhores datas para visitá-la são aquelas relacionadas aos festivais - de música, é claro. Em 8 de janeiro, por exemplo, festeja-se o aniversário de Elvis; em maio, durante um mês, acontecem concertos no Memphis in May, quando são também tradicionais os churrascos ao ar livre; em agosto e no fim de semana do Labor Day  ocorre o Music and Heritage Festival. Imagino que beleza deve ficar a Beale Street nesses dias todos.


Ponte que separa  Tennessee  e Arkansas
Memphis está localizada na margem leste do rio Mississippi, constituindo-se no centro regional de três estados: Arkansas, Mississippi e Tennessee. É a cidade mais populosa do Tennessee. Com 700 mil habitantes, está entre as 50 maiores cidades dos Estados Unidos. Sua localização estratégica resultou no crescimento industrial e empresarial, com destaque para a indústria naval e aérea.

Passeio pelo Mississippi, com Ronald e Fábio.
Memphis é musical, colorida, vibrante e está às margens de um belo rio por onde fizemos um passeio de barco, com uma hora e meia de duração. A Beale Street é um encanto de rua que bem merece ser percorrida várias vezes. Há música por todo o canto - uma mistura de ritmos africanos, cantigas espirituais e de trabalho - muitos dos sons de hoje se devem aos antigos colhedores de algodão. Vale dois dias de visita.  Se você, entretanto, curte cerveja, pubs, música e comida apimentadíssima , talvez precise de mais tempo.

Pub na Beale Street
 O clima da cidade lembrou-me Fernando Pessoa:

"Às vezes entre a tormenta,
quando já umedeceu,
raia um a nesga no céu,
com que a alma se alimenta.
E às vezes entre o torpor
que não é tormenta da alma,
raia uma espécie de calma
que não conhece o langor.
E, quer num quer noutro caso,
como o  mal feito está feito,
restam os versos que deito,
vinho no copo do acaso."

quinta-feira, julho 04, 2013

Sobre estradas e percursos

Parque em Jakson/Mississippi

O período escolhido para essa viagem de carro - de Chicago ao Extremo Sul dos Estados Unidos - foi perfeito. Ainda estamos no início do verão: poucas chuvas, somente dois dias com calor dos infernos, muitas flores por toda parte e sem feriadão com excesso de gente nas estradas e restaurantes. 

Interestadual 55

De Chicago a Paxton, viajamos de trem - meu transporte preferido. De Paxton a New Orleans e de New Orleans a Paxton, viajamos  de carro. O percurso todo abrangeu cerca de 3 600 km. Estivemos em Chicago, Paxton, Tuscola, Benton, Cairo, Memphis, Oxford, Jackson, Baton Rouge, New Orleans, St. Louis (MO), Champaign e Paxton novamente.

Ponte sobre o rio Mississippi

De Chicago a Cairo, viaja-se pela interestadual 57. A partir de Cairo, vai-se pela interestadual 55 até encontrar a 12 e seguir para Baton Rouge ou a 10 e seguir para New Orleans. Algumas vezes nos afastamos dessas estradas para visitar locais previamente escolhidos, mas a elas retornávamos. As estradas são ótimas. No início, encanta-nos a beleza do verde em ambos os lados. Depois, ficam monótonas, porque são planas...e bonitas sempre!

Ponte sobre o rio Ohio
A monotonia também era quebrada pelas muitas pontes já que acompanhávamos o trajeto do rio Mississippi. Como gosto muito de arquitetura de pontes, fazer fotos delas passou a ser uma distração minha.

Ponte sobre o rio Mississippi

Uma boa escolha - que recomendo - foi passar por Cairo, última cidade de Illinois, e , logo depois, chegar à confluência dos rios Ohio e Mississippi. Lugar bonito, belíssima vista dos rios e , a partir desse último pedacinho de Illinois, pode-se ver os estados de Missouri e Kentucky.

Desjejum básico!

Para café da manhã ou almoço na estrada, por pressão minha, paramos muitas vezes no Cracker Barrel , minha cadeia de restaurantes preferida. Ronald busca sempre um breakfast bem americano, daqueles que só o olhar já multiplica as calorias - e ele não é gordo!!!

Meu restaurante preferido
Foi uma viagem bastante tranquila, com duração de duas semanas, e passagens por seis estados. Visitamos  muitos lugares interessantes. Éramos três : Fábio, meu sobrinho, Ronald e eu. Convivência agradável e companheirismo constante. Nos próximos posts, escreverei, detalhadamente, sobre as cidades visitadas, especialmente New Orleans, que tanto me encantou.

"Não quero a noite
senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir."


Fernando Pessoa

sábado, junho 22, 2013

" Lá vou eu..."


Ponto de Partida : Paxton
Iniciaremos, hoje,  uma viagem de carro,  partindo de Paxton e chegando ao Golfo do México, com visita a várias cidades e locais já selecionados, incluindo uma permanência de quatro dias em New Orleans, de onde começaremos a retornar.  Visitaremos cidades em seis estados americanos. Contarei aqui essa aventura toda, que abre as comemorações dos meus 70 anos.
Obs. A viagem está sendo excelente. Escreverei sobre ela a partir de 5 de julho próximo. 

Royal St. New Orleans

quinta-feira, junho 20, 2013

Chicago, muito além de Al Capone.


Estação de trens em Champaign

A viagem de trem , de Champaign a Chicago, é ótima. São 180 km , percorridos em duas horas de bonitas e tranquilas paisagens. Os trens são bons, confortáveis, mas sem luxo e sem  muitos passageiros; os rituais de embarque e desembarque, bastante  controlados - bem diferentes da Europa onde esse meio de transporte é parte da rotina diária das pessoas. De Champaign a Chicago, para-se somente em quatro estações ferroviárias.

Magnificent Mile
Parece-me que Illinois , sem Chicago, seria um estado nitidamente rural. Com mais de mil cidades pequenas, incluindo a capital, Springfield, Illinois mostra , quase sem interrupções, propriedades rurais com plantações de soja e milho - paisagem linda que , depois de um tempo, começa a ficar monótona. A única alteração que encontro todos os anos é a troca de lugar nas lavouras : onde, no ano anterior, era soja, neste ano é milho e vice-versa.

Magnificent Mile

Venho a Chicago ao menos duas vezes por ano. Ao entrar nessa cidade, vindo da placidez do campo, relembro sempre a mesma história. Morávamos em Alegrete, perto do único cinema da cidade. Aos domingos, quando terminava a sessão da tarde, nossa rua enchia-se de gente. Fabiana, minha filha, ficava encantada com o movimento. Quando ela estava com dois anos, fomos passear na rua da Praia , em Porto Alegre. Ela ia no meu colo, olhando, atentamente, tantas pessoas ao seu redor. Perguntou-me, então, em alto e bom som, denunciando sua condição de criança do interior: Mamãe, terminou o cinema???

Magnificent Mile
Apesar de Chicago ter um sistema razoável de transporte público, convém hospedar-se no centro, tomando como base a Michigan Ave, que tem, no trecho da Magnificent Mile, a minha preferência. No padrão três/quatro estrelas, nossa melhor escolha até hoje foi  Confort Suites. Desta vez, não consegui disponibilidade lá e reservei um hotel da cadeia Best Western , com boa localização ... e pouco mais do que isso.

Centro de Chicago visto a partir do rio

Sempre há algo novo para ser feito em Chicago, ainda que a visitemos muitas vezes. Desta vez, fiz um tour temático , que parte da Avenida Michigan ou do Navy Pier e tem uma hora de duração,denominado Architecture Rivers Tours.  Ao longo da rota, pelo rio Chicago, vão sendo focados edifícios projetados por arquitetos famosos, como Mies van der Rohe, Helmuth Jahn, William Rolabird, Martin Roche e  Frank Lloyd Wright. A cidade é famosa pela sua arquitetura inovadora. Conta-se que, após o grande incêndio de 1871, um grupo de arquitetos, partindo de um desenho feito num quadro-negro, decidiu aceitar o desafio de remodelar a cidade. E conseguiram!

Detalhe da Millenium

Chicago, com aproximadamente três milhões de habitantes, é a terceira maior cidade dos Estados Unidos, logo depois de Nova York e Los Angeles,  Tem muito a oferecer em arquitetura, arte, museus, design, shows, gastronomia, compras, parques e passeios. Marilia Cechela, perspicaz e precisa nas suas observações, ao comentar uma foto que postei no face book, lembrou a frase de Tom Jobim, sobre Nova York:  "Aqueles arranha-céus são tantos que o melhor seria a gente ir deitado no carro!" Afirmação que também cabe para Chicago.


Michigan Avenue
Ao contrário de outras cidades americanas, em Chicago há movimento de pessoas nas ruas, principalmente na Michigan Avenue, onde encontramos muitos conhecidos de vista, como  Cartie, Zara, Louis Vuitton, Coach, Hermes. A parte mais exclusiva  dessa avenida é a “Magnificent Mile” , uma milha  situada na parte norte da Michigan Avenue, entre o rio Chicago e as pistas da Lake Shore Drive. A histórica Tribune Tower e a Water Tower Place, bem como os melhores hoteis e restaurantes estão localizados nesta avenida, que foi quase totalmente destruída por um incêndio, em 1871. Foi reconstruída e tornou-se a rua mais elegante da cidade.

Foto de Fábio Rohde

Situado às margens do Lago Michigan, Chicago oferece vistas belíssimas para todos os lados, especialmente de três lugares - onde nunca fui e tenho medo até de pensar em ir. Uma dessas vistas é da roda gigante imensa que está localizada no Navy Pier. Muitas vezes eu a olhei, mas, por medo de alturas, não a encarei. Outra vista é da cobertura da Sears Tower, prédio com 110 andares, o mais alto de Chicago. A outra, de onde Fábio, meu sobrinho,  fez três das fotos seguintes, é do John Hancock Center, com 94 andares e o segundo edifício mais alto daqui.

Lago Michigan - Foto de Fábio Rohde

A Capital Financeira do Meio-Oeste tem quase 50 km de área à beira d`água e cenários muito diversificados. Basta ver alguns filmes feitos em Chicago para constatar isso. Lembram, por exemplo,  de Curtindo a Vida Adoidado;  Os Intocáveis;  Transformers 3: O Lado Oculto da Lua; O Fugitivo; O Casamento do meu Melhor Amigo; Inimigos Públicos ?

Detalhe do Navy Pier
Quando o Navy Pier foi construído, em 1916, ele era o maior do mundo, com seus 920 metros de comprimento por 120 metros de largura. Mais de vinte mil pilares de madeira foram usados na construção desse pier. Ao longo de sua história, sofreu depredações e reconstruções. Hoje é um  movimentadíssimo centro cultural e de diversões. Fotogênico e agradável, abriga o Chicago Children´s Museum, o Chicago Shakespeare Theater, uma famosa roda gigante e restaurantes, cafeterias, lojinhas e outras atrações típicas de parque. Além disso, ver o mix cultural e étnico que por lá circula, já é um bom divertimento.

O famoso " Feijão Metálico"
É difícil pensar em conhecer Chicago em poucos dias ou numa única visita. Além do John Hancock Center, da Magnificent Mile, da Sears Tower e do Navy Pier, referidos neste texto, há muito, mas muito mais o que ver. Pode-se acrescentar , ainda com várias lacunas, outras atrações como, Chicago Historical Society, a instituição cultural mais antiga da cidade; a Fourth Presbyterian Church; a Water Tower; o interessante Museum of Broadcast Communications - que me fez lembrar da Rosana e da Áurea; o Field Museum ; o Adler Planetarium; os museus de arte e o interessante Museum of Science and Industry.


Ronald no Museum of Science and Industry

No próximo mês , voltarei a Chicago. Certamente irei ao Ghirardelli, a casa do melhor chocolate dos US e que , desde 1852, oferece sua textura e sabor em atrativos arranjos - verdadeira perdição; comerei o tradicional cachorro-quente da cidade, aquele que me faz pensar que a Bahia nem gosta de pimenta; não comerei a tradicional pizza de Chicago por puro conservadorismo - pizza só no sul da Itália. Entrarei em lojas de jazz pelas novidades e clima local. Traçarei a Magnificent Mile como se a percorresse pela primeira vez. E para que este passeio não seja só encantamento, irei ao Consulado do Brasil provar que ainda existo e mereço, portanto, receber uma aposentadoria.







"Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo."

sexta-feira, junho 14, 2013

Atlanta/2013

Massimo I
Desde 2005, venho a Atlanta. Em anos anteriores, já escrevi no Correndomundo sobre essa cidade. Embora goste dela, não venho com a finalidade de visitá-la. Tenho um motivo bem maior para  estar aqui: ver meu filho, minha nora e meu neto. Em geral , permaneço em casa e isso me basta. Estou num bairro muito bonito, com belos jardins, frondosas árvores e família.

Massimo II
Atlanta é uma cidade dinâmica e cosmopolita, que está em quarto lugar, no país,  quanto ao número de turistas - com predominância de turismo de negócios e turismo de compras. Sua vinculação ao progresso pode ser sentida assim que se chega . O moderno Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson, principal hub da Delta Air Lines,  é o primeiro aeroporto em número de passageiros nos Estados Unidos.

Massimo III
Capital dos Estados Confederados durante a Guerra de Secessão ou Guerra Civil Americana (1861-1865 ), ao final do conflito, estava arrasada e havia sido incendiada pelas tropas do Norte. Nesse incêndio, morreram ao redor de dez mil moradores da cidade. Quem assistiu ao filme " E o Vento Levou..." certamente lembra da história. Lançado em 1939, estrelado por Vivien Leigh e Clark Gable,  esse longa metragem foi um sucesso de público e de crítica.

Massimo IV
Lembrando cinema, é interessante destacar a migração das filmagens de Los Angeles para New Orleans e Atlanta nos últimos anos. Por conta dessas cidades serem mais flexíveis em relação a impostos e disporem de maior oferta de créditos para a realização de filmes, produtores e diretores têm assediado Atlanta e New Orleans e têm sido assediados por elas. Conduzindo Miss Daisy , Tomates Verdes Fritos, Tempo de Glória, Um Sonho impossível, Borat e Amargo Pesadelo foram alguns dos filmes feitos em Atlanta.

Verde Atlanta Verde
Há muito o que ver em Atlanta, cidade com 450 mil habitantes, que, para administrá-la, conta com  um prefeito e 15 conselheiros - há 40 anos, seus prefeitos são negros. Além de outlets, parques, museus e galérias de arte, é sede da CNN e da coca-cola, tem o grande Georgia Aquarium, o Martin Luther King Jr. Historic Site, o Olympic Park, o Atlanta Centro Histórico, o Farmers Market e quatro grandes shoppings: Lenox Square, Philipps Plaza, Perimeter Mall, o meu preferido, e o Northlake Mall.

Massimo e Patati
Troco todas essas atrações por um tempo com Patati, com quem adoro conversar. Desta vez, assistimos juntos a vários episódios do excelenteThe Big Bang Theory. Sempre choro ao sair de Atlanta. Saio com saudades. Neste retorno, estando com uma danada crise de bronquite, chorei e tossi até Bloomington.Cheguei cansadíssima. Ronald me esperava com rosas vermelhas. Ainda bem.

Massimo - I miss you!
"Bom vento do mar,bom vento
Que vens de cima do mar,
Vem dizer ao meu pensamento
Que o melhor é não pensar."


Fernando Pessoa

sábado, junho 08, 2013

Idas e Vindas:Europa,USA


Chicago
Retornamos do norte de Portugal , estivemos um dia a mais em Lisboa e fizemos, então, aquele abençoado voo direto Lisboa/Porto Alegre, finalizando, assim, a primeira viagem à Europa em 2013.  Desfazer e fazer malas, em poucos dias, na Bela União,  e fazer novo trajeto - esse bem mais complicado: Porto Alegre/São Paulo/Miami/Chicago. Depois de Chicago, mais duas horas de trem e, finalmente, chegamos em Paxton. Alegria em rever família e amigos. Alegria em planejar novas viagens por aqui.

"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar."

Fernando Pessoa

" Agora Inês é morta..."

Túmulo de Inês de Castro

Na Invasão Francesa de 1810, soldados danificaram e profanaram os túmulos de Inês de Castro e D.Pedro, à procura de tesouros. Impossível recuperá-los totalmente. Por essa razão, lembrei-me da luta incansável do pintor russo Nikolai Roerich para que todos os países assinassem um documento comprometendo-se a , em caso de guerra,  preservar monumentos artísticos e culturais.



Túmulo de Inês de Castro

D. Pedro casou, em 1336, com Dona Constança, uma princesa castelhana, mesmo estando apaixonado por Inês de Castro, filha de ilustre família espanhola e dama de companhia de  sua esposa. Contança morreu após o parto de seu primeiro filho. D. Pedro I passou a viver publicamente com Inês, nascendo dessa relação quatro filhos. O pai , D.Afonso IV, proibiu que se casassem, temendo a influência espanhola. Em 1355, condenou Inês à morte. Ela foi assassinada na frente de suas crianças. Dois anos depois, D. Pedro torna-se rei e vinga a morte da amada, matando seus assassinos e decretando que Inês seja  honrada como rainha de Portugal.

Detalhe do túmulo de Inês
De tocante beleza, é esta cena  presente no túmulo de Inês ,em que um anjo a recebe morta - e coroada rainha. Por ordem de D. Pedro, como rei foi D.Pedro I,  os dois túmulos estão colocados com os pés dele na direção dos pés dela, para que, no dia do Juízo Final, ao levantarem-se, imediatamente um visse o outro. Nos dois túmulos, está a inscrição: Até o fim do mundo.


As imagens dos assassinos de Inês de Castro, aqueles que foram mais tarde assassinados por D.Pedro, constituem suporte para o túmulo e mostram expressões faciais horrendas e próprias de cada um. Cenas da vida de Inês estão detalhadamente representadas, bem como cenas representativas do Juízo Final, com o encontro dos amantes.

Roda da Fortuna na cabeceira do túmulo de D.Pedro
Inês foi assassinada quando D.Pedro I havia saído para caçar, numa excursão com amigos.Segundo a lenda as lágrimas derramadas, no rio Mondego,  pela morte de Inês teriam criado a Fonte dos Amores da Quinta das Lágrimas e as algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado. Em junho de 1360, D. Pedro I legitimou os filhos de Inês de Castro, afirmando que se tinha casado secretamente em 1354 em Bragança em dia que não se lembrava. A palavra do rei, de seu capelão e de um criado foram as provas necessárias para legalizar o casamento e , consequentemente, legitimar os filhos.

Vista parcial do Mosteiro de Alcobaça


Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, Monumento Nacional desde 1910 e uma das Sete Maravilhas de Portugal, o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, também conhecido como Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça, é visita indispensável para quem vai a Portugal - está distante somente 100 km de Lisboa. Lá se encontram os túmulos de Pedro e Inês.

Entrada do Mosteiro de Alcobaça

"Traziam-na os horríficos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade:
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua o persuade.
Ela com tristes o piedosas vozes,
Saídas só da mágoa, e saudade
Do seu Príncipe, e filhos que deixava,
Que mais que a própria morte a magoava”

 Sobre Inês de Castro. Canto III, estrofe 12, Lusíadas,Camões

sexta-feira, junho 07, 2013

Sobre guerras e monumentos culturais

Reproduzo, a seguir, um texto que escrevi em 2007, aqui mesmo, no Correndomundo. Estabelecerei , depois, a relação entre esse texto e o post seguinte.

Naggar

Estive ontem na pequena cidade de Naggar ( uma hora de carro desde Vashich ). Está a 1760 m de altitude, eh arrumadinha e muito interessante de ser vista. Durante 1500 anos foi a capital de Kullu Valey. Tem dois locais belissimos para serem visitados.

O primeiro eh o Castelo, que foi sede de governo e hoje eh um museu. O Castelo mais parece uma bela casa de fazenda, com uma varanda de madeira em toda a sua volta e de onde se pode ver o Beas Valley. Lindo lugar. Eh todo feito de pedras e madeiras intercaladas, formando barras ao longo de suas paredes. Junto ao Castelo, um pequeno Templo , feito de madeira delicadamente trabalhada , parecendo uma renda.

Templo em Naggar

O segundo ponto eh a Roerich Gallery, antiga casa do pintor russo Nikolai Roerich, que viveu ali muito anos, em companhia da mulher , a escritora e pintora Helena Roerich , e do filho , pintor com trabalhos magnificos ( comprei algumas reproducoes de obras dele). Nikolai, era pintor, designer, cientista e escritor, muito conhecido no mundo todo pela sua obra e pela sua atuacao politica em favor da paz e em defesa da arte e a cultura. Morreu em Naggar, em 1947. Foi o criador de um simbolo da paz e, com esse simbolo e um texto, conseguiu a assinatura de mais de 60 chefes de Estado, num pacto em que se comprometiam a nao atacar monumentos culturais durante as guerras. Vale a pena ver seus trabalhos neste site: http://www.agniart.com/eng/folder-10588-1~Fine-art-posters~Roerich-Nicholas

" Mais velho que a Sé de Braga"

Arco da Porta Nova

Fundada pelos celtas, assumida pelos romanos em 250 a.C. - que passaram a chamá-la de Bracara Augusta, denominação dada pelo imperador Augusto -  dominada pelos suevos, saqueada pelos visigodos, tomada pelos mouros, a história de Braga é longa e evidencia muitas disputas por ela. Sua localização , na interseção de cinco estradas romanas, contribuiu para sua prosperidade e  alimentou  a ganância de muitos povos.

Torre de Menagem

Braga é a terceira maior cidade portuguesa  -  com cerca de 180 mil habitantes - e a cidade mais antiga do país, com mais de dois mil anos de história.   É a capital do Minho, famosa pelo seu conjunto arquitetônico barroco, com muitas ruas sem tráfego, o que a torna bastante agradável para passeios. Sua catedral é a mais antiga de Portugal , derivando daí a expressão popular  mais velho que a Sé de Braga.


Braga: Cidade dos Arcebispos e da Juventude


Importante centro universitário, lugar, portanto, de muitos jovens, é uma cidade alegre e movimentada, tendo sido  eleita Capital Europeia da Juventude, em 2012. Possui uma universidade pública - a Universidade do Minho, bastante reconhecida - e três instituições privadas de ensino superior : o Instituto Superior de Ciências da Saúde - Norte;  a Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional de Braga; e a Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão.


Exagero de beleza nessa ruazinha.

Considero os meses de abril e maio, bem como setembro e outubro , os melhores para visitar a Europa. Tanto as flores da primavera, quanto as cores das folhas no outono, são adicionais de beleza. Braga - e o norte todo de Portugal - acentuam essa minha convicção. Neste ano, era a hora e a vez dos amores-perfeitos amarelos e azuis. Havia uma rua em que dois terços dela exibiam um tapete dessa flor. Lindo, lindo!


Salpicão de porco preto??

Come-se muito bem em Braga. Os pratos principais são feitos com bacalhau, é claro. A receita, a seguir e do Bacalhau à Moda de Braga. Frite as postas do bacalhau em azeite, coloque no azeite um dente de alho com a casca só esmagado, dá um gosto especial.Corte as batatas e rodelas não muito finas e frite.No azeite onde fritou o bacalhau( se este for pouco acrescente pois vai servir de molho final), junte a cebola cortada às rodelas e o alho picado, deixe por 1 minuto, junte a polpa do tomate, o alho picado, a salsa o louro e um pouco de pimenta e gotas de vinagre (poucas só para cortar o doce do tomate), deixe refogar.Modo de servir:Numa travessa ponha as postas do bacalhau ao centro e as rodelas das batatas em redor. Regue com o molho de cebola e enfeite com as azeitona pretas e a salsa.


Cruzeiro dos campos das Hortas

Braga, conforme me contaram, é o segundo foco religioso de Portugal, sendo o Santuário de Fátima o primeiro. É chamada muitas vezes de Roma Portuguesa ou Cidade dos Arcebispos por ser o lugar da Europa com maior número de igrejas. A maior parte dessas igrejas são consideradas Patrimônio Nacional. Além das igrejas, destacam-se os Cruzeiros, também considerados monumentos nacionais, que foram todos eles mandados edificar por um arcebispo, no século XVII.


Centro histórico

Os arcebispos, além das funções religiosas, administravam a cidade - e fizeram isso durante 700 anos. Tinham muito poder, já que cobravam impostos e impunham leis. Esse poder todo foi extinto em 1792 por D.Maria I, rainha e mãe de D.João VI. A residência dos arcebispos, um conjunto de três edifícios,   teve sua construção iniciada no século XIV , no Largo do Paço, onde está um belo chafariz , erguido em  1723,  que ajuda a compor a atmosfera medieval.

Largo do Paço
Braga é  destino perfeito para um bate- e - volta por trem,  a partir da Estação Ferroviária de São Bento, no Porto, num recorrido de pouco mais de uma hora. Pode-se ir da Estação Central  ao Centro Histórico , passando pelo Arco da Porta Nova. 

Sede do Conselho Municipal, na Praça do Município
Para quem gosta de Feira, como eu, procure ir no sábado. Caminhe muito, veja as esculturas que estão nas ruas, visite a Praça do Município, observe os detalhes dos edifícios antigos e dos imensos jardins, almoce bacalhau e , se não estiver de dieta, prove os deliciosos doces de Braga. Inesquecíveis!