segunda-feira, dezembro 07, 2020

Memórias em Tempo de Pandemia - VI Sérvia / Belgrado

 



Belgrado, a imponente capital da Sérvia



Primavera na Sérvia

https://correndomundo.blogspot.com/2018/03/belgrado-preparacao-de-viagem.html
https://correndomundo.blogspot.com/2018/04/belgrado-primeiras-impressoes.html
Estão aqui, no Correndomundo, as duas postagens indicadas acima. A primeira, uma leitura prévia, feita ainda quando eu estava construindo o roteiro 2018/1; a segunda, escrita já na Capital da Sérvia, no segundo dia, após minha chegada. 



                                      Muitos restaurantes em ruas abertas somente ao público


De Zagreb a Belgrado viajamos, Isolda e eu,  pela Air Serbia, uma boa companhia low cost, com passagens realmente de custo baixo - e o avião não era uma Kombi Voadora como escrevi no post preliminar.   Mal nos instalamos no hotel e já fomos nos localizar na cidade. Nosso primeiro passeio foi para ver o rio Danúbio.


Danúbio


Já escrevi várias vezes sobre meu encantamento com o Danúbio. Em Belgrado, basta seguir pelo calçadão que  margeia esse rio, para encontrar muita vida na localidade. Restaurantes, sorveterias, cafeterias, gente bonita, pichações, prédios históricos e prédios modernos fazem-se presente em todo o trajeto, até chegar a Cidadela de Kalemegdam.



Rio Danúbio

https://correndomundo.blogspot.com/search/label/Belgrado 
Belgrado é a capital e a maior cidade da Sérvia. Está localizada entre a confluência dos rios Danúbio e Sava, no norte da Sérvia. É uma das maiores cidades cortadas pelo  rio Danúbio - o segundo maior rio , em extensão, da Europa, só perdendo para o Volga. Ele  foi imortalizado por Strauss, na valsa Danúbio Azul - https://www.youtube.com/watch?v=foQpms3L9gU



Arte de Rua


É  indicado percorrer a cidade caminhando e mantendo olhos bem abertos. Muitas surpresas podem estar à nossa espera, sejam prédios históricos belíssimos, sejam prédios funcionalistas que demarcam um certo período do país. Vai-se do bizantino e do otomano aos blocos soviéticos; da serenidade dos parques ao agito da vida noturna; das construções múltiplas à bem preservada natureza.



Da sisudez ao colorido...

Sem querer delimitar arte de rua e pichação, encontram-se das duas diferentes  exposições - algumas de impressionante beleza ( para mim, é óbvio!). Para observá-las melhor, vale fazer o Free Belgrade Walking Tour, caminhada guiada e gratuita pelo centro histórico, que parte diariamente , às 11 horas, da Praça da República, a principal praça da cidade - ao redor dela, estão o Museu Nacional e o Teatro Nacional.


....e, a qualquer hora,  a gente não tem medo de transitar por essas ruazinhas!

Seguindo a tendência mundial, que tanto me agrada,   assim Belgrado é ocupado. Nada de carros no centro da cidade. Do café da manhã ao jantar, pode-se estar nas ruas e calçadas, em meio a muitas pessoas. Em se tratando de comida, já mencionei em outro post que os mais deliciosos patos que comi nos Balcãs, foi na Sérvia.



Sem carros e com muitas atrações ao ar livre....
Há museus muito bons em Belgrado, com destaque para o Museu  Etnográfico, o Museu Histórico da Sérvia, o Museu Nacional e o Museu da Igreja Ortodoxa. Há também a Mesquita Bajraldi e muitas igrejas - para mim, são elas belos e bem cuidados museus - como a Igreja de São Alexandre Nevski e a Igreja de Sveti Marko, ambas ortodoxas. O grande nome, entretanto, continua sendo a Cidadela de Kalemegdan.




Detalhe da Cidadela


A grande atração da capital é mesmo a Cidadela de Kalemegdan, onde, como já escrevi, foram travadas mais de 100 batalhas, e a Cidadela já foi destruída mais de 40 vezes. Belgrado tem mais de 2300 anos de história, mas foi, recentemente, em 1999, que sofreu, durante três meses, o bombardeio das forças da OTAN, quando, então, teve fim um dos conflitos mais sangrentos dos Balcãs. 



Estátua da Vitória


De Belgrado, pode-se ir de trem para  Bucarest, capital da bela Romênia,  Budapest, Liubliana, Moscou, Sófia e Zagreb. Há também ônibus para Viena, Sarajevo e Padgorica. Chegar a Belgrado e descortinar opções de viagem para toda a Europa. Disseram-me que há outros passeios cerca de Belgrado que são muito interessantes. Aconselharam-me a ver a arquitetura de  Subótica, o encanto de Novi Sad, os Mosteiros de Fruska Gora e de Sremski Karlovci  o vilarejo de Zlatibor. Não tivemos, no entanto,  tempo disponível.






Desde 2013, os brasileiros não mais necessitam de visto para este país, que tem  acesso fácil e uma população que ultrapassa sete milhões de habitantes - somente Belgrado tem um milhão e meio. Se um dia eu retornar a Sérbia, será com o objetivo de visitar Voivodina, que tem cerca de dois milhões de habitantes e que, ao contrário de Kosovo, permanece como província autônoma da Sérvia - não se sabe até quando. 






Partimos de Belgrado, novamente pela Air Serbia,  do Belgrade Nikola Tesla Airport, distante 18 km da área central, para o Aeroporto Internacional de Sarajevo, distante 12 km da área central. As lembrancinhas da Serbia, bem guardadas - nada de chegar na Bósnia ou em Kosovo exibindo-as, pois as marcas da guerra são ainda muito recentes e doloridas....






" No todos los dias son de sol,
y la lluvia, quando escasea, se ruega.
Por eso tomo la infelicidad  junto con la felicidad
naturalmente, como quien no se sorprende
de que haya montañas y llanuras.
y de que haya rocas y yerba."

Fernando Pessoa




quinta-feira, abril 12, 2018

Belgrado: primeiras impressões


Belgrado, capital da Sérvia

De Zagreb para Belgrado, fiz um tranquilo vôo low Cost  de 55 minutos, pela Air Sérvia. Pagando cerca de 70 reais, um táxi trouxe Isolda e eu ao Savamala Bed &Breakfast que havíamos reservado através do booking.com . Escolha acertada. Um  B&B bem localizado, confortável, clean e com atendimento excelente.


Igreja Ortodoxa da Sérvia - idosa senhora rezando por longo tempo

A cidade correspondeu ao que dela eu esperava e que havia explicitado, antes de viajar, no post assim indicado : https://correndomundo.blogspot.rs/search/label/Servia. Cidade que cativa, fascina, emociona, notadamente quando se pensa que ela já passou  por mais de 100 guerras e foi destruída cerca de 40 vezes! 




Centro Histórico 


Como  chegamos  cedo, fizemos  nosso primeiro breakfast  no café e restaurante City Garden,  no Rajiceva Shopping Center  -  ambiente e atendimento fantásticos. Escolhi o Nacionalni dorucak -    cardápio nacional - 
que veio com a seguinte seleção de produtos: domaci hleb, cvarci, kajmak, ajvar, pecenica e kiseli krastavac-  desculpem os conhecedores dessa  língua porque meu teclado não acrescenta notações léxicas sobre consoantes.




Cardápio do breakfast



Ajvar é um molho feito com pimentão vermelho, tomate e chilli. Delicioso. Gostei  também do bacon que me pareceu desfiado e bem tostado.Penso que era o mesmo nosso torresmo quebrado, mas que não era moído. Observo, ao longo dos anos, que, ao contrário de nós, os europeus não abandonaram o  consumo de banha
de porco. Ao contrário, os produtos feitos com essa gordura são os mais valorizados.




" Torresmo"

Para encerrar o dia, uma  longa  caminhada  pelo  Centro  Histórico, chegando até a antiga    Cidadela de Kalemegdan, considerada a Joia da Cidade,  onde foram travadas mais de cem batalhas, e a Cidadela  foi destruída mais de 40 vezes. Nossa meta hoje, entretanto,  era  ver o encontro do rio Sava com o Danúbio- visão que valeu cada metro caminhado. Sérvia - e especialmente Belgrado -  serão temas de outros posts.




Rios Sava e Danúbio




quarta-feira, março 14, 2018

Belgrado: preparação de viagem




Na próxima semana, iniciarei uma viagem que tem como foco inicial os sete países da ex - Yugoslávia. Alguns desses países, já os conheço. Outros, é a primeira vez que os visito. De todos esses países, fiz um estudo o mais aprofundado que o tempo disponível me permitiu. Exemplificarei com a Sérvia, país que sempre quis visitar, mais especificamente, com Belgrado, sua histórica capital.






As fotografias que estou usando para  ilustração desta postagem - espero mais tarde substituí-las por fotos que farei na Sérvia - são todas da Rússia, feitas por mim , em 2016, numa viagem a São Petersburgo, Moscou, Vladimir, Susdal e Rostov. 






Continuando, conto-lhes que já tenho bilhetes aéreos para o trecho Zagreb / Belgrado. A oferta de trens não me é muito abundante. Pela primeira vez, experimentarei uma cia. servia - que não me pareceu  uma Kombi Voadora. Feita a viagem, contarei detalhes. O aeroporto está distante 12 km da capital. Certamente o translado aeroporto/centro será minha primeira experiência local de transporte coletivo.






Belgrado é a capital e a maior cidade da Sérvia. Está localizada entre a confluência dos rios Danúbio e Sava, no norte da Sérvia. É uma das maiores cidades cortadas pelo  rio Danúbio - o segundo maior rio , em extensão, da Europa, só perdendo para o Volga. Ele  foi imortalizado por Strauss, na valsa Danúbio Azul - https://www.youtube.com/watch?v=foQpms3L9gU






Com um nome que lhe foi dado pelos Celtas e que significa Cidade Branca, Belgrado é uma das mais antigas cidades da Europa, com uma história de 7 mil anos. Li que Belgrado já passou por mais de 100 guerras, tendo sido destruída cerca de 40 vezes! A  última guerra é bem recente - foi a guerra do Kosovo, em 1999 ( portanto nada de comprar uma camiseta na Sérvia e depois usá-la em Kosovo... portanto nada de um ostensivo I Love Sérvia! rsrs ).






O núcleo histórico de Belgrado é denominado Kalemegdan  e está localizado na margem direita dos rios Danúbio e Sava. Pretendo traçar toda a área - o advil já está na bolsa! A parte mais moderna foi construída na margem esquerda do rio Sava. Há duas pontes ligando esses rios que merecem ser visitadas: a ponte Branko e a ponte Gazela, que fazem a conexão entre o Centro Histórico e a Nova Belgrado.






Em diferentes blogs e guias de viagem, li que os melhores períodos para visitar a Sérvia é de março a maio e de junho a agosto. Òtimo! irei em abril. Não gosto de viajar para país  europeu no verão. Dos meses  de julho e agosto, então, fujo  mesmo:  trens cheios, hoteis e restaurantes com preços mais altos, filas enormes e muitooooos  turistas por toda parte.






Fiz algumas anotações que me podem ser bastante úteis, uma vez que os sérvios usam dois alfabetos ( o latino e o cirílico - e quase nada sei de cirílico ). Por exemplo, preciso saber que  Pékaras - padarias, dizem que os pães são excelentes e variados;  pasulj, prato típico feito com feijão e temperado com muita carne de porco; Burek, torta de carne, queijo ou vegetais servida com iogurte. Penso que vou gostar dessa última opção!





A moeda do país é o Dinar Sérvio. Com 100 dólares, posso comprar mais ou menos 8.500 dinares - DIN.   Não sei o que isso significa...mas dizem que é um dos países mais baratos da Europa. Pelo Booking.com - que abro aqui mesmo no correndomundo - já reservei um hotel, que me pareceu bem localizado, confortável e com preço razoável. Se for bom mesmo, ao retornar darei o endereço.





Muitas  informações de Belgrado, bem como a inspiração para visitá-lo, vieram-me de Claudia Liechavicius, através  do seu excelente blog Viajar pelo Mundo. Meu agradecimento a ela. http://www.viajarpelomundo.com/2009/07/nova-belgrado-em-tempos-de-paz.html O post tem essa interessante denominação : A Nova Belgrado, em Tempos de Paz. Obrigada, Claudia. 





Toda viagem traz surpresas por mais que a gente estude e pense sobre os lugares a serem visitados. Estou curiosa, muito curiosa até mesmo pela cadeia sonora da língua, pois me encantam as línguas eslavas, de conheço um pouquinho, através do slovaco e do tcheco.








































Quero um tempinho a mais disponível para ir a histórica cidade de Nis, onde nasceu Constantino, o Grande.Gostaria também de conhecer Zlatibor. Serei muito grata ao Universo se a viagem for como penso que será. Costumo me sentir em casa,  em qualquer lugar. Enchallad!









































" Bendito seja o mesmo sol de outras terras
Que faz meus irmão todos os homens
Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu...."

Fernando Pessoa




sábado, dezembro 05, 2020

Memórias em Tempo de Pandemia V - Sarajevo, a bela e dramática capital da Bósnia e Herzegovina (BH)

 

Sarajevo, a bela e dramática capital da Bósnia e Herzegovina (BH)

Centro de Sarajevo, à noite,  com seu bonito calçamento irregular

Peço-lhes um favor: antes de ler esta postagem, veja o vídeo a seguir indicado,  que se encontra no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=JhGVgrre390 Nesse vídeo,  poderão observar, com maior abrangência , as  imagens    da   comovente e  dramática Sarajevo,  além de ouvir a  comovente  canção, sucesso de U2, Miss Sarajevo.


                                        Miljacka: conhecido como Rio de Sarajevo



                                                 Ponte Latina sobre o Miljacka



Ao chegar em Sarajevo, a bela e comovente capital da Bósnia e Herzegovina, com população ao redor de 400 mil habitantes, tínhamos hotel reservado, através Booking.com, numa localização que nos pareceu boa - não esperámos, entretanto, que fosse tão boa assim. Estávamos, no Centro,  num pequeno apartamento, de onde se via, quase em frente, a Ponte Latina, a mais famosa e histórica da capital.




                                               Aeroporto Internacional de Sarajevo



                                                          Um dos bons museus do País


A Ponte Latina ( Latin Brigde )  é  encantadora à noite, por ser lugar romântico e agradável, fascinante de dia pela sua localização, arquitetura e história - em alguns períodos, uma História bastante dramática,  pois, sobre ela, foram assassinados, em 1914,  o arquiduque Francisco Fernando da Áustria ( herdeiro ao trono do Império Austro-Húngaro ) e sua esposa Sofia, fato que foi determinante para o início da Primeira Guerra Mundial.





                                      Isolda nas proximidades do Rio de Sarajevo
                             
Cable car - do Centro Histórico para as Montanhas próximas

Um dos  primeiros passeios que Isolda e eu fizemos, foi de  bondinho - cable car - da primeira estação, cujo início  da subida do cable está muito perto da Ponte,  no Centro Histórico,  até o alto da colina mais próxima. Desde o primeiro momento, Sarajevo, a mais populosa cidade da Bósnia e Herzegovina, fundada pelos Otomanos no século XV, pareceu-me tranquila e fácil de traçá-la caminhando. 


Do alto da Colina...


...onde chegamos de bondinho.

Após chegar à estação final - e beber um bom café - fizemos um tour  por  outras colinas que rodeiam a cidade, as mesmas colinas de onde os sérvios, durante a triste Guerra (1992/1996), atiravam e matavam pessoas que simplesmente andavam pela rua. As pessoas, em pânico, corriam para a Ponte, onde se tornavam um alvo mais visível e fácil de ser alvejado. Não chegavam à montanha - eram mortos antes. Impossível não se emocionar.




Vijecnica - o edifício da Biblioteca Nacional às margens do rio Miljacka

Ao retornar do passeio pelas colinas, fomos visitar um dos edifícios mais fantásticos da capital : refiro-me a Vijecnica, a antiga Biblioteca de Sarajevo, que foi incendiada por bombas sérvias, na noite de 24/25 de agosto, no duro período da guerra. No incêndio, foram queimados mais de dois milhões de livros e inúmeros documentos históricos e literários. Vijecnica é hoje  a Prefeitura da cidade. 



Interior da Biblioteca Nacional 

Como acontece em muitos acontecimentos dramáticos e destrutivos, artistas assumem a defesa do patrimônio e o cuidado para que o fato não seja esquecido para que  nunca mais se repita. Também na destruição de Vijecnica isso aconteceu e resultou numa bela e terna-e-eterna  imagem: Vedran Smailovic, violinista de Sarajevo, vinha tocar nas ruínas da Biblioteca ( foto abaixo, retirada da Wikipedia ).



Crédito da foto: Wikipedia - violinista Vedran Smailovic

Muito mais se pode ver em Sarajevo, hoje uma cidade pacífica, que mostra uma mescla de línguas, religiões e culturas. Pode-se ver, por exemplo o histórico Mercado Markale, onde foram assassinadas, durante a guerra, mais de 60 pessoas - ou as Rosas de Sarajevo, com suas pétalas pintadas com tinta vermelha, tenho como centro o buraco de balas assassinas, tristes lembranças da recente guerra.


Religiões que convivem....

....com marcas de de ataques.

Eu gostaria muito de retornar à Bósnia e Herzegovina. Há cenários de brutais acontecimentos que me faltou ânimo e coragem de visitar, como o Túnel da Esperança, única entrada possível de ajuda humanitária, por onde chegavam do exterior alimentos e medicamentos durante o cerco da cidade ou o cemitério das crianças, onde foram sepultados mais de mil pequeninos mortos durante a guerra. 



Café turco

Burek

Outra razão por que eu desejaria voltar: comer  burek de queijo e espinafre, baklava  com nozes e mel e beber um delicioso café turco, em que eu até me arrisco a ler o futuro na borra do café, espalhado a partir do fundo da xícara. Verdade é que eu gostaria mesmo de voltar  para rever este povo que perdeu ao redor de 30% de sua população, superou o ódio e teve força para lutar pela reconstrução do país. 

Sarajevo


quinta-feira, dezembro 03, 2020

Memórias em Tempo de Pandemia IV - Málaga, onde Pablo Picasso " vive ".

 

sábado, setembro 29, 2018

Málaga, onde Pablo Picasso " vive ".

Museu de arte de Málaga
Vim de Granada a Málaga de ônibus, em duas horas de viagem. Na chegada, a Estação Rodoviária - quase junto à Estação de Trens - surpreendeu-me favoravelmente: limpa, bem cuidada, escadas rolantes, ótimas cafeterias. Caminhei até o Hostal que eu reservara - por sorte era um bom lugar para hospedar-se. De posse do mapa da cidade e depois de tê-lo estudado bem, comecei um percurso até o centro histórico , que descobri ser bem longo....

Abundância de flores nas ruas
A Estação de Trens Málaga Maria Zambrano é próxima ao porto, uma área sem atrativos especiais, fora as palmeiras do Passeio Marítimo. A cidade pareceu-me feia no início, .mas, à medida que me aproximava do Centro Histórico, fui descobrindo belezas, a começar pelas muitas flores nas ruas. Depois, vieram as esculturas em lugares públicos e os belos edifícios. Fui, então, conquistada por Málaga. Desta vez, nem precisei de cafeterias para cativar-me.

Visão frequente nas ruas do Centro Histórico
Até então, minha mais forte referência de Málaga era Pablo Picasso, admirável e inovador artista. Picasso nasceu em uma casa na Plaza de Merced, em 1881. Decidi que minha primeira visita seria ao Museu que leva seu nome e que tem um acervo de 204 obras suas. Gostei. Fotos são permitidas somente das áreas externas ou abertas. Bem que eu gostaria de ter fotografado um óleo, ao menos, com temática famíliar. São lindos. Vale conferir no www.museupicassomalaga.org

Um dos jardins do Museu Picasso
Parece mesmo que Pablo Picasso vive em Málaga - cidade com cerca de 600 mil habitantes e capital da província. O aeroporto tem o nome o nome de...Pablo Picasso. Pode - se visitar a igreja de Santiago, onde ele foi batizado; a casa original de sua família; a casa onde ele nasceu; o conservatório em  que recebeu seu primeiro prêmio artístico  e seu valioso museu. Dizem alguns malagueños que, em comum mesmo, Picasso e Málaga têm a alma inquieta.

Catedral de Málaga
O segundo Museu que visitei  - desculpem, mas tenho tendência a chamar as igrejas antigas de museus -  foi a Catedral de Málaga - que,  de fato, incorpora também um belo museu, com acervo de objetos religiosos, que abrange um período de 500 anos. Ocupou o lugar de uma antiga Mesquita, de que restou somente o Pátio das Laranjeiras.

Detalhe da Catedral
A construção da Catedral iniciou-se no século XVI e estendeu-se por 200 anos. Por fora, já impressiona pela delicadeza e beleza impressionantes dos detalhes; por dentro, sua grandiosidade toda impressiona. O teto está a 40 metros do chão. O coro, todo em madeira de cedro, como era usual na época, é esplêndido  Ao todo, nas naves laterais, estão 15 capelas. Pelo custo do projeto, em 1782, as obras foram interrompidas, e um dos campanários ficou inacabado.
Catedral: riqueza nos detalhes
O Convento de San Agustin,  assim como a Igreja do mesmo nome, está localizado na rua que hoje é denominada Calle del San Agustin; antes era chamada Calle de los Caballeros. Foram construídos - convento e igreja - no século XVI. O Convento passou por muitos donos e alguns abandonos. Por último, foi comprado pela Câmara dos Deputados e cedido à Universidade de Málaga. Futuramente, será a sede da Biblioteca Pública do Estado.

Igreja do Convento de San Agustín 
Da minha adolescência, ainda tenho o sonho da arte em espaço público, tornando-a acessível a todas as pessoas. Incluo o acesso à arte como política básica de cidadania. Por isso, as esculturas, entre outras manifestações artísticas, emocionam-me sempre. Em Malaga, há muitas esculturas fantásticas nas ruas - para ver, admirar, refletir. 

Esculturas em espaços públicos
De 16 de abril a 28 de junho deste ano, junto ao Teatro Romano de Málaga, perto da Fortaleza de Alcazaba e do Museu Pablo Picasso, acontece a monumental mostra ao ar livre de seis grandiosas esculturas em bronze, do britânico Henry Moore, como parte do programa Arte na Rua  ( www.laCaixa.es/ObraSocial ) . Sorte  minha conseguir ver essas obras. De Málaga, elas irão para Santander , Burgos e Pamplona.

Escultura de Henry Moore
Conhecido por suas esculturas abstratas de grande tamanho, feitas em bronze fundido ou mármore, Henry Moore ( 1898 - 1986 ) começou, quando ainda era criança, a modelar em argila e a esculpir em madeira. Aos 11 anos, decidiu ser escultor. Tornou-se um dos mais conhecidos artistas britânicos. Fez muitas obras para espaço público - abstrações da figura humana, a maioria representando o corpo feminino. Vivia modestamente. Investia muito na Henry Moore Foundation, dedicada a promover educação e fomento às artes. Fantástica a exposição dele em Málaga.

Peça teatral em espaço público
Infelizmente não consegui sequer identificar o texto desta peça teatral, apresentada no Teatro Romano , junto ao Alcazaba, porque era a minha hora de partir. Impressionante a cústica e o número de participantes, incluindo alunos de escola básica. Lembrei-me de meus queridos amigos baianos, Raimundo Leão e Jorge Mascarenhas. Gostaria muito que eles estivessem neste cenário.

Teatro Romano e Alcázar
Málaga tem mais de 3 mil anos de história. Provavelmente, tenha sido fundada pelos fenícios e daí venha sua vocação para o comércio. Na época islâmica, tornou-se o principal porto do Emirado de Granada. Os Mouros  ocuparam essa cidade até metade do Séc. XV e  a tornaram um dos centros mercantis mais importantes da Península Ibérica. Esse passado deixou  suas marcas no centro histórico de Málaga, em particular nos arredores da Alcazaba, uma fortaleza que data do ano 1065.

Ruas típicas de Málaga
Os moradores de Málaga - os malagueños - podem orgulhar-se de sua história de força e coragem, demonstradas antigamente, nas batalhas e , modernamente, nos pontos de vista que eles defendem. Resistiram até 1487 aos exércitos  invasores cristãos e também, durante a Guerra Civil Espanhola, enfrentaram os fascistas de Franco - e centenas de nacionalistas foram assassinados. Há pouco, fizeram fortes manifestações contra os efeitos negativos do turismo de massa. Orgulham-se de sua riqueza cultural, com razão, face ao número significativo de museus, teatros e monumentos.

Praia no Mediterrâneo
Estou prevendo um retorno a região de Malaga, para visitar Marbella - pelo seu invejável passado histórico, não pelos famosos que têm lá suas casas, como o malagueño Antônio Banderas; Torremolinos -  onde se realizou, em outubro de 2011, a primeira Expo Gays, que atraiu mais de 15 mil visitantes;  Mijas - que era um pueblito humilde, localizado entre o mar e a montanha, e hoje é o município mais rico da Província. Atraiu, na década de 60,  boêmios e artistas de todo o mundo. Famoso pela natureza e por uma cultura muito particular. Agenda para junho...ou para a próxima vinda à Espanha.

Detalhes da Catedral


"Bom vento do mar,bom vento
Que vens de cima do mar,
Vem dizer ao meu pensamento
Que o melhor é não pensar.

Se acreditar no que existe
Faz triste quem  o não é,
Mais vale ninguém ser triste
E não ter crenças nem fé.

Mas tu, bom vento que vens
De cima de ondas sem fim, 
Nem fé nem descrenças tens
Tomara eu ser assim."


Fernando Pessoa


Arte em espaço público - Mostra de Henry Moore