domingo, maio 06, 2012

Inglaterra: Stonehenge




Sempre me comovem os lugares onde vejo muitas pessoas visitando e muitas pessoas comovidas com o que estão vendo. Podem ser lugares religiosos, artísticos, históricos ou " de indagação" , como Stonehenge. Comovem-me as pessoas mais do que os lugares. Esse sítio arqueológico pré-histórico, localizado nas planícies de Salisbury, Wiltshire, Inglaterra, há 100 km de Londres, recebe mais de 700 mil visitantes por ano. Está na relação da UNESCO como Patrimônio da Humanidade e muitas elocubrações circulam sobre sua origem e finalidade. Encontram-se divergências inclusive sobre sua data de início - fazendo uma média Stonehenge teria hoje em torno de 5 mil anos.






Sua estrutura teria sido construída em três etapas: o círculo externo, que tem 86 metros de diâmetro; o duplo círculo de pedras, em posição vertical, no centro do monumento; a separação do duplo círculo de pedras e a  construção dos dos trílitos. A arquitetura sugere - dizem alguns estudiosos - estudos sobre o movimento do sol e da  lua. As quatro pedras de estação poderiam ter sido utilizadas como um observatório astronômico . Assim, o objetivo seria observar o nascer e o pôr do sol e da lua, tendo em vista a elaboração de um calendário das estações do ano.






Difícil estabelecer considerações mais objetivas sobre Stonehenge: por que o monumento foi construído, quem participou da construção, com que objetivos, em quanto tempo, com que estratégias...até por que , ao longo do tempo, esse monumento foi saqueado e depredado, pois   pedras foram retiradas para construções ou ornamentações e pedações foram retirados como souvenir. 






O mistério continua. Quem parece pouco se importar com ele são as pacíficas e bonitas ovelhas, que, placidamente,  pastam pelas proximidades ou até entre as diferentes partes do monumento, como vi numa belíssima foto - a foto que eu gostaria de ter feito.



sábado, maio 05, 2012

País de Gales: Cardiff




É pequeno o território do País de Gales - 274 km de extensão e 97 km de largura . A gente se pergunta como cabem  nele tanta diversidade e tanta beleza. Tem montanhas, parques, penhascos íngremes, trilhas para ciclismo, praias com ondas para surfistas, castelos, destilaria de whisky,  museus e tudo o mais que cidades interessantes podem oferecer. Acrescente-se, ainda, os rebanhos de ovelhas, que ocupam campos que mais parecem jardins de tão bonitos e bem cuidados.





Situado numa península , no meio-oeste da Grã-Bretanha, é um país diferente e sedutor. Sua bandeira ostenta um dragão vermelho, forte na cor, forte nos traços, forte como a personalidade marcante desse país. Cardiff é a capital, cidade bonita e agradável. Gostei muito dela . Foi simpatia à primeira vista. Ficamos, Ronald, Mile e eu ,  hospedados perto do Castelo, bem no centro, lugar movimentado e com várias ruas reservadas aos pedestres.





Por sorte, chegamos quando a Royal Horticultural Society realizava sua Mostra Anual, no Bute Park, Cardiff Castel - um evento inesquecível. Patati, meu filho, quando adolescente, disse-me uma vez que, quando eu morresse, lembraria de mim sempre abraçada a flores e galhos verdes. Curto plantas de todo o tipo. Imaginem o que significa para mim ver um evento desse porte e com a variedade que nele encontrei. Camélias de cores que eu nem sabia existir; tulipas, idem. Um pavilhão somente para orquídeas e cactos. Bonsais, que eram verdadeiras obras de arte, como a macieira florida dessa foto Arbustos, árvores ornamentais, árvores frutíferas, hortaliças, tudo organizado com delicadeza e estética. Uma seção somente com arranjos, usando objetos domésticos e flores, onde fotografei a máquina de costura, que mostro aqui.






Havia , ainda, ferramentas, móveis para jardins, esculturas de madeira , de pedra, de ferro batido e de cipós. Havia uma grande livraria com muitos livros e revistas sobre o tema da Mostra. Bares, restaurantes e stands, com venda de produtos de fazenda- somente produtos orgânicos, vindos de todo o País de Gales. Experimentei um suco de maçã delicioso, produzido e processado numa fazenda antiga : Graig Barn Farm ( www.welshfarmhouseapplejuice.co.uk ) Inesquecível textura e sabor. O casal proprietário eram tão simpáticos que fiz dele a foto postada aqui...








No recinto da Feira, assisti - e fiquei profundamente emocionada - à apresentação de um grupo musical local. Um rapaz, que cantava docemente, e uma menina que o acompanhava em alguns trechos da canção. Roupas simples, sem caras e bocas, destaque unicamente para a música e as vozes. No grupo, cinco violinos , um piano um violancelo e outros instrumentos. A canção falava do êxodo rural e da saudade do campo. Muita comovente mesmo. O Castelo de Cardiff está bem no centro da cidade. A cidade, de fato cresceu ao seu redor. A população local orgulha-se dele.Está rodeado por muralhas que , de espaço em espaço, tem parte da figura de um animal , como se o guardasse de dentro para fora. A construção do castelo iniciou ainda durante a ocupação romana, há quase dois mil anos. Dentro das muralhas, uma bonita torre erm estilo normando e um majestoso palácio vitoriano, utilizado como residência real. Há também dois museus militares , no interior do Castelo, abertos à visitação. Durante a guerra civil, foi bastante danificado. A partir de 1865, entretanto, foi restaurado e, agora , é de admirar-se como está bem cuidado.





Bom saber que , em todo o UK , na primavera, é preciso estar preparado para a chuva. Segundo o Ronald, esta região é similar a Oregon: ou choveu, ou está chovendo, ou vai chover. Os meses ideais para visitar o País de Gales parecem ser junho e julho, quando acontecem vários festivais, como o Hay Festival, dedicado às artes e a Literatura e o Festival  Internacional de Música. A cada dois anos, acontece também o Festival de Recitais, que dizem ser muito interessante.






Sonho voltar ao País de Gales para uma longa temporada. Gostaria de fazer, nesse país, o que fiz em alguns outros. Fixar-me numa cidade e percorrer o país inteiro , no mínimo durante um mês, visitando todas as cidades, vilas, lugares históricos e/ou com belezas naturais. Gostaria, por exemplo, de conhecer Swansea, localizada a apenas 50 km de Cardiff e a segunda maior cidade do País. Quem sabe!





sexta-feira, maio 04, 2012

Inglaterra : Liverpool

No Porto de Liverpool
Situada no oeste da Inglaterra, próxima ao mar da Irlanda,  e conhecida por ser a cidade onde, nos anos sessenta, surgiram os Beatles, Liverpool é  bastante conhecida e importante para o país, sendo inclusive o segundo maior porto britânico.

Além dos Beatles, tão famoso grupo de rock , o futebol é outra paixão desse lugar. O Liverpool F.C. é o time inglês com mais títulos e arrasta multidões aos estádios. O Everton F.C. e o Liverpool F.C. fazem um dos clássicos de futebol mais antigos do mundo.

Com mais de 800 anos de existência - seu surgimento como cidade data de 1207 - e cerca de 500 mil habitantes , é a quinta maior cidade da Inglaterra. Em 2008, foi declarada a Capital Europeia da Cultura, tendo recebido, em um ano, trezentos eventos culturais - quase um evento por dia - vinculados, em especial,  à musica, ao teatro, à dança e à literatura .

Ronald e Mile em Albert Dock
De vila de pescadores , no século XII, transformou-se num dos mais importantes centros comerciais e industriais da Inglaterra, prrincipalmente pelo porto, onde as velhas docas foram restauradas e tombadas pela UNESCO, tornando-se elegantes lojas, cafés, restaurantes, bares, museus e galerias. Assim, atualmente, é um fantástico e imenso complexo de entretenimento. Nos fins de semana - e, por sorte, fomos visitá-lo num sábado - a área toda é fechada para carros e milhares de pessoas passeiam  por ali, onde ocorre um conjunto de atrações interessantes, diversificadas e divertidas.

Área do porto em final de semana

Diariamente, partem do Albert Dock, região das docas,  os principais tours por Liverpool. Um deles é o Magical Mistery Tour, que passa por todos os principais pontos temáticos sobre os Beatles. Outra possibilidade é  fazer um  passeio  de barco pelo rio Mersey, de onde se pode fotografar os três edifícios-símbolo da cidade: o Porto de Liverpool, o Cunard, antiga empresa de navios, e o gótico Royal Liver Building. Seu relógio, no topo, é maior que o Big Ben de Londres.
Infelizmente vou lembrar Liverpool como uma cidade que pouco tracei e onde muito dormi - verdade que saí dela bem melhor do que cheguei - ao menos, estava sem febre. Foi pouco o que vi - mas o que vi foi bem interessante.
De Liverpool, fomos de trem  para Chester e , de lá, em outro trem, para Cardiff, no País de Gales.

quinta-feira, maio 03, 2012

Liverpool : Tributo ao Beatles

Catedral de Dublin




















Deixando para trás a República da Irlanda , que se diz um  país com muito craic, uma palavra gaélica que define um estado de espírito, mais ou menos como alegria e diversão, lá vamos nós - Ronald, Mile eu - para Liverpool. Parto comovida com a beleza de tudo o que vi e com a simpatia e gentileza irlandeses . Um belo lugar para ser visto e apreciado. Um lugar a que eu gostaria de voltar. Começo a encarar tosse, dores no corpo e um irritante resfriado. Espero que passe logo.





















De barco, iremos até Holyhead . De Holyhead, um pequeno trem nos levará até Chester, aquela cidade murada da Inglaterra. De Chester, um outro trem nos levará a Liverpool. Acreditem! Eu amo esses programas de branco - como dizia um índio meu amigo, no Mato Grosso. Esses programas sempre me mostram lugares e pessoas interessantes, sempre os vejo como muito informativos. Meu único objetivo, em Liverpool, é dormir. Nem os Beatles vão conseguir me reanimar. A tietagem, desta vez,  ficará por conta do meu irmão.

República da Irlanda: Kilkenny




O Condado de Kilkenny situa-se no sudeste da Irlanda, na Província de Leinster. Sua capital é a cidade de Kilkenny, com uma população ao redor de 25 mil habitantes, que eu jurava ser bem maior, principalmente pelo número de cafeterias, pubs, restaurantes, comércio ativo e  gente circulando.
Considere-se que há muito turismo nessa cidade e que há muitos estudantes de inglês em toda a Irlanda - também aqui.
Kilkenny é a cidade natal de James O´Neill, pai de Eugene O´Neill, o famoso dramaturgo, nascido em New York, que recebeu o Nobel da Literatura em 1936.
Aquela sensação de contrair o estômago e prender a respiração, eu a senti algumas vezes, no caminho para essa cidade  e na entrada dela. Estrada e cidade são realmente muito bonitas.







Kilkenny , que foi capital medieval da Irlanda, possui inúmeros atrativos, sendo um lugar turístico por excelência com diversos locais para visitar,  incluindo lugares de compra bem interessantes. Há um centro de design , onde se pode ver o artesanato típico da região. Encontram-se nele delicadas roupas de cama e mesa, belos casacos de tricô irlandês, objetos, utilitários e decorativos, em cerâmica e vidro, jóias com design de inspiração céltica, roupas bastante originais e elegantes. Para uma cidade turística, os preços me pareceram razoáveis. Imprescindível visitar o Castelo e seus jardins, que são muito extensos e cuidados visível  esmero;  a Abadia fundada em 1255; a Rothe House, datada do século XVI;  a Catedral com mais de 800 anos. Muito agradável caminhar por suas ruazinhas e ver construções e jardins bonitos.








O Castelo de Kilkenny é tão importante para a região que foi o local escolhido para a reunião da Assembléia Geral, ou Parlamento, do Governo Confederado da Irlanda, na década de 1640, e, atualmente,  as cerimônias e premiações dos diplomados do "Kilkenny Campus" da National University of Ireland, Maynooth, ocorrem, desde 2002, no seu interior. 

Sua construção  remonta ao ano 1190, quando William Marshal, conde de Pembroke, lançou a sua primeira pedra no mesmo lugar em que já se erguiam as antigas torres, das quais três chegaram aos nossos dias.








Em 1270, o Castelo passou para Sir Gilberto de Bohun, que o herdou de sua mãe, juntamente com o Condado todo. No ano de 1300, esse nobre foi expulso por Eduardo I de Inglaterra, mas retornou e reinstalou-se, em 1303 no mesmo Castelo, conservando-o até à sua morte, em 1381. A família manteve -o até meados do século XX, quando o vendeu para uma Comissão de Restauração.No ano de 1967, foi transferido para o Estado, remodelado e aberto à visitação pública. Impressionam muito as fontes, esculturas, portões  jardins e  extensas terras pertencentes . Impressiona também nele a parte interna, em que se destacam a biblioteca, o salão, a ala chinesa e a chamada "Long Gallery", onde parte do acervo da National Art Gallery está  em exposição.








O Castelo de Kilkenny  constitui uma das grandes atrações da cidade. Toda a cidade, entretanto, é muito agradável de ser visitada. Em pouco menos de duas horas, retorna-se a Dublin, sempre por estradas com paisagens de sonhar com paraíso.


quarta-feira, maio 02, 2012

República da Irlanda: Glendalough






Na República da Irlanda, distante pouco mais de 50 km,  ao Sul de Dublin, em meio a um vale das montanhas de Wicklow, está Glendalough ( pronuncia-se Glendalók) , pleno de histórias, mistérios e misticismo. Chega-se lá, deixando a estrada principal e seguindo por estradinhas encantadoras. Percorre-se, depois, a pé , caminhos abertos entre florestas densas de indescritível beleza, vendo o Vale dos Dois Lagos, como significa o nome Glendalough ( Os dois lagos aparecem nas duas primeiras fotos).







Das montanhas que cercam o vale, descem grandes e minis cascatas de água límpida e fria. A vegetação é variada e bonita.  Nessas horas, gostaria muito de ter estudado botânica para identificar e apreciar melhor as diversas - e diferentes - árvores, arbustos e flores que vejo. De longe, já se avista a Torre Redonda, muito alta, com mais de 30 metros, construída, assim , para proteger e preservar  escritos estudados ou produzidos pelos 3 mil monges que ali viveram, acompanhando os ensinamentos de São Kevin. As ruínas do Monastério, fundado nos anos 600, estão razoavelmente preservadas, e o local todo  impressiona muito.








São Kevin nasceu em 498, descendente de família nobre. Conta a lenda que, após ter uma visão em que Deus o mandava ir a um vale com dois lagos e lá construir um mosteiro, São Kevin abandonou todo seu conforto e riqueza e foi viver , como eremita,  numa caverna, no lugar que lhe fora indicado. Depois de um tempo, criou um importante centro de aprendizagem e solidariedade, dedicado ao cuidado de doentes e à cópia e iluminação de manuscritos antigos. Muitas são as historias desse santo ,que é celebrado no dia 3 de junho, com a presença de peregrinos de várias partes do mundo.








Outra lenda que se ouve sobre São Kevin é  que , uma vez, ele orava com os braços estendidos e as mãos espalmadas para cima. Um pássaro - um melro -   pôs um ovo em uma de suas mãos estendidas. Ele permaneceu assim, sem se mexer, até que o ovo abriu-se e dele saiu um filhotinho. Parece mesmo que São Kevin fundou, com esses três mil monges,  uma verdadeira universidade do começo da Idade Média.






O mosteiro foi crescendo e até tornou-se uma cidade de peregrinação, considerada a “Roma do Oeste”. No local, está, ainda, um grande cemitério, com cruzes celtas e textos, alguns com leitura possível, de diferentes épocas. Glendalough  resistiu bravamente aos ataques vikings e anglo-normandos. Somente no século XVI é que os monges começam a enfrentar dificuldades para sobreviver, e o mosteiro cai em decadência. Transformou-se, hoje, num lugar de muitas visitas, seja de peregrinos, seja de turistas e curiosos. E com razão!







O vale é realmente encantador. Diariamente, partem de Dublin muitos ônibus a carros, levando pessoas interessadas em conhecer principalmente as ruínas do mosteiro e das igrejas ali erigidas.Glendalough é fantástico. Imprescindível visitá-lo. De um lado  , está o mosteiro, um dos mais antigos do país;  do outro, a parte natural, os dois lagos, muitas  ovelhas, colinas verdes, paisagem inesquecível. Em todo lugar, uma profunda sensação de paz.

segunda-feira, abril 30, 2012

República da Irlanda : Dublin

Estátua de bronze de Molly Malone
É um dos lugares onde Deus passa as férias.

Aprendi, com um amigo nordestino, essa expressão e costumo usá-la quando um lugar me encanta. Dublin encantou-me. Cidade bonita, muitas flores e muito verde, arquitetura surpreendente,  pessoas alegres, educadas e gentis, muito o que visitar e apreciar. Interessante também as manifestações patrióticas, os símbolos próprios ostensivamente exibidos, o declarado, mas polido , afastamento da Inglaterra.

Fundada por Vikings, que a dominaram até 1170, é capital e  maior cidade da República da Irlanda, com cerca de 600 mil habitantes. Inicialmente chamada de Dubh Linn, em gaélico, que para alguns significa Lagoa Negra, encontra-se na foz do rio Liffey, na Baía de Dublin.

Estátua de James Joyce
Há muitos anos, vem investindo em educação e nas pessoas, em vez de auto-estradas e infra-estrutura. Aceitou-se como nação pobre e muito lutou para melhorar suas condições econômicas. Dublin vivenciou um verdadeiro boom econômico.

Apelidada de “o tigre celta” , numa clara  referência aos países ascendentes asáticos, a Irlanda desenvolveu-se  muito, desde meados da década de 90, partindo de um país praticamente agrário para um que se especializou em prestação de serviços. O que ajudou muito neste processo foi a entrada na União Européia. Mais tarde foi, entretanto, atingida pela crise econômica mundial. O investimento em turismo e na recepção aos alunos estrangeiros foi, entre outras,  uma estratégia de superação - ao que parece, com bons resultado.

Entrada da Guinness Store House
Minha inveja decorre, no entanto, da denominação dada a Dublin pela UNESCO: Cidade da Literatura. Pudera! Nascidos ou vinculados à cidade, surgem nomes de escritores mundialmente conhecidos e admirados, Oscar Wilde ( cuja casa era em frente a atual Galeria Nacional de Arte ), James Joyce, Jonathan Swift, George Bernard Shaw, os poetas W.B.Yeats e Seamus Heaney e o fantástico Samuel Beckett, sendo os quatro últimos, ganhadores de Nobel de Literatura. A O´Connell Street , rua principal de Dublin, começa na ponte de O´Connell, mencionada em Ulisses, de James Joyce. É muito talento para exibir mesmo.

A Irlanda exportou mais de um milhão de emigrantes que foram para os Estados Unidos, onde muito trabalharam na construção desse país, e para outros países, durante a crise da Fome do século XVII. Hoje, invertem o fluxo: recebem gente de várias partes do mundo, que buscam estudo e/ou trabalho. Foi o lugar onde mais vi jovens falando português, com sotaque de diferentes estados brasileriros. Diz-se que 10% da população é estrangeira, principalmente polonesa. Nas ruas, tem-se a impressão de estar num campus universitário, tal o número de jovens circulando.
Temple Bar
Visitamos, detalhadamente, a Guinness Store House, vendo todo o processo de fabricação dessa cerveja, escura e forte,  paixão dos irlandeses. Foi uma concessão minha a Mile e Ronald, porque eu detesto cerveja. Todo o tempo , eu pensava na grande quantidade de água utilizada, na renda gerada e nas muitas pessoas ali empregadas.

A entrada custa L14,50 e dá direito a uma cerveja ao final do Tour. Impressionou-me o número de pessoas que por aqui transitam, principalmente de jovens. Na loja, grande variedade de roupas da grife " guinness" , com predomínio das cores verde e amarela, cores nacionais da Irlanda.
A área do Temple Bar é maravilhosa e lembra os portos restaurados de Buenos Aires e Barcelona, lembra o Bairro  Alto de Lisboa e a Plaka de Atenas, lembra festa, passeios, descobertas.  Muito colorida, com ruas estreitas e empedradas,  lojas invulgares,  restaurantes e cafeterias excelentes e  muitos locais de entretenimento e lazer. Um movimento constante.
A melhor época do ano para visitar a Escócia corresponde ao período entre maio e setembro quando os dias são mais longos e as temperaturas, mais agradáveis. A precipitação é abundante durante todo o ano,sendo aconselhável levar na bagagem um impermeável e um guarda-chuva, mesmo nos meses de verão
.
Detalhe da Catedral
Há muito mesmo  o que visitar em Dublin - e para todo  lado, pode-se ir a pé.  O Trinity College é imperdível, foi fundado em 1592, pela rainha Elisabeth I. A maioria dos prédios são do século XVIII. Um dos primeiros prédios a serem construídos foi a Velha Biblioteca ( 1732 ), que conta com 200 mil volumes. A Grafton Street, onde sempre há artistas de rua e músicos, é colorida e festiva. A Catedral  Christchurch, datada do século XII, é solenemente bela . A movimentada O´Connell Street é uma referência na cidade. O obelisco em metal , construído para marcar a passagem do milênio, pode ser visto de diferentes partes da cidade.

Tem , ainda, castelos, pontes antigas, edifícios históricos, museus, galerias de arte, igrejas e muitas esculturas - tudo para ser visitado e admirado. Acrescente-se , ainda, os tocadores de harpa nas ruas e as danças celtas , frequentemente apresentadas. E muito mais certamente, que se precisa de tempo para descobri.
              
Recebi da Carlinha,  querida amiga, um texto sobre sabedoria celta. Ainda emocionada com a beleza e a vida pulsante de Dublin, reproduzo, a seguir,  um fragmento desse texto :
                                                                                    
                                                                             "Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.
Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.
Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne
do assombro.
Que a chuva caía de mansinho em seus campos...
E, até que nos encontremos de novo.
    
Que os Deuses lhe guardem na palma de Suas mãos.
Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa
imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em
celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora."

domingo, abril 29, 2012

Irlanda do Norte : Belfast

Escultura à beira do rio.






































A Irlanda - uma ilha dividida em Irlanda do Norte, nação constituinte do Reino Unido, e República da Irlanda, país independente e soberano - tem uma longa e dolorosa história de enfrentamentos e lutas internas, que conhecemos através das notícias internacionais.

As principais cidades da Irlanda do Norte são Londonderry , a única cidade amuralhada das Ilhas Britânicas , com 1450 anos de história , e Belfast. Optamos por deixar  Londonderry - que os nacionalistas preferem chamar de Derry simplesmente - para uma outra viagem.

De barco, é claro, chegamos ao Porto de Belfast e , de táxi, fomos direto ao hotel. Faço um parêntese para acrescentar que os taxistas da Irlanda me fizeram lembrar os taxistas de Praga e de Budapest - tinhosos, como diz uma amiga minha , que gosta muito desse adjetivo.

Escultura próxima ao Titanic Quarter







































A bandeira irlandesa tem as cores verde e amarela.Vi, numa camiseta com essas cores, o texto seguinte: Não sou do Brasil. Sou da Irlanda do Norte.

Belfast não me impressionou favoravelmente à primeira vista. Pareceu-me  mesmo uma cidade sofrida que está tentando recuperar-se.

Há, entretanto, alguns lugares interessantes para visitar, como o Castelo de Belfast, o Castelo Canickfergus , Titanic Quarter, Odyssey Complex, City Hall e Queen´s University Belfast e a Grand Opera House. Os castelos são sempre interessantes de ver e de apreciar. O Odyssey é um grande centro cultural e de eventos, com muitos cinemas e restaurantes. O City Hall é bem bonitinho, com seus edifícios vitorianos e seus muitos pubs. A Universidade é imponente e tem bela arquitetura. A Grand Opera House , abriu suas portas em 1894, exibindo todo o seu luxo e suntuoso interior.



Mile e Ronald ( ao fundo, Titanic Quarter )




















O Titanic Quarter é bem interessante de ser visitado. Trata-se do maior centro interativo do mundo sobre o famoso navio,no lugar onde ele foi contruído, aqui, na Irlanda no Norte, em Belfast, nos estaleiros da Harland&Wolff. A construção do Titanic foi iniciada em março de 1909 e concluída 27 meses depois. Nessa construção do mais luxuoso e maior navio da época, trabalharam 1700 homens. Titanic partiu dia 10 de abril de 1912, com destino a New York, levando a bordo 2208 pessoas. Afundou dia 14 - 4 dias depois da partida - determinando , com isso, a morte de 1500 pessoas.


City Hall




















Ao contrário da República da Irlanda, cuja moeda oficial é o euro, na Irlanda do Norte, a moeda oficial é a mesma da Inglaterra. Uma vez tentei efetuar um pagamento com euro; além de o euro não ser aceito, parecia até que eu estava fazendo , com isso, uma declaração ideológica, tal a rejeição demonstrada. Apesar dos conflitos do passado e das posições diferentes que prevalecem, não se tem problema de mobilidade. Vai-se de uma Irlanda para a outra com bastante facilidade e passando por campos de emocionante beleza.








































Ensinei Pedro, meu neto, então com 6 anos, a rezar antes de dormir. Era uma oração simples que pedia ao Anjo da Guarda para protegê-lo. Na noite seguinte, Pedro acrescentara : Protege a mim, a minha mãe e a minha avó. A cada dia, passou a acrescentar mais pessoas, pedindo proteção ao anjo. Uma noite, surpreendeu-me acrescentando nomes de desafetos, seguidos da expressão não precisa. Dizia ele:  protege a Fabianinha; o Fernando, não precisa!  Lembrei-me dessa reza do Pedro, quando alguém me perguntou se devia ir a Belfast e eu respondi: Belfast, não precisa.


sábado, abril 28, 2012

Irlanda do Norte


Ao entrar na Irlanda do Norte, lembrei-me deste fragmento de uma antiga bênção celta:

"Que teus vizinhos te respeitem, os problemas te abandonem,
os anjos te protejam, e o céu te acolha.
E que a sorte das colinas Celtas te abrace.
Que as bênçãos de São Patrício te contemplem.
Que teus bolsos estejam pesados e teu coração leve".

domingo, abril 22, 2012

Glasgow


Rio Clyde
Embora não tenha o charme de Edimburgo, Glasgow é uma cidade bonita. Eu não a colocaria, entretanto,  como primeira opção em um programa de viagem. Glasgow não me surpreendeu, nem me encantou. Fora a Catedral e a área da cidade que a circunda, incluindo o cemitério antigo, é uma cidade como tantas outras de diferentes países. Como estava em nosso caminho para ir à Irlanda do Norte, decidimos fazer um stop de dois dias e resolver um problema, ou seja, ir uma vez para não precisar ir mais. É interessante salientar que , em Glasgow, nasceu o economista Adam Smith, mundialmente conhecido.

Portal de Glasgow
A grande Glasgow tem cerca de dois milhões de habitantes - a cidade propriamente tem cerca de 600 mil. É a maior cidade escocesa e a terceira maior do Reino Unido, depois de Londres e Birmingham. Foi fundada por São Mungo, um missionário cristão, no século VI. Tem  indústrias,   comércio intenso,  transporte público eficiente e alguns lugares históricos bem interessantes, incluindo uma universidade, fundada em 1451, através de uma bula papal. Está situada  nas terras baixas, no centro - oeste da Escócia, às margens do rio  Clyde - de onde bonitas pontes e construções podem ser vistas.

Detalhe do portão da Catedral
Sua Catedral Medieval, entretanto, é que rouba a cena. É mesmo impressionante e,  há mais de 1500 anos,  reconhecida como lugar sagrado - mesmo quando ainda não era, formalmente, uma igreja. Nesse lugar, inicialmente, foi plantada uma cruz por São Ninian, e o lugar foi , então, considerado sagrado e destinado aos enterros cristãos. A primeira construção como Catedral deu-se no ano de 1136,quando  foi também dedicada ao Rei David, que, naquele período,  visitava o local. Pode-se visitar , na parte baixa da igreja, o túmulo de São Mungo, que morreu no ano 603. O lugar assustou-me um pouco , pois me lembrou alguns filmes de terror ou de assombração.  A nave, por onde se entra na catedral e uma das suas cinco partes mais importantes,  tem 32 metros de altura. O telhado medieval, de madeira, impressiona pela arquitetura e durabilidade. Impressionam muito também a coleção de vitrais que se pode ver e fotografar à vontade.

Como se não bastassem as pombas...
De Edimburg a Glasgow, pode-se ir de trem , em uma hora de viagem. Para ir à Irlanda, toma-se um trem na Glasgow Central e vai-se a Ayr em 47 minutos. Em Ayr, de ônibus, em 1h10min,vai-se a Cairnryan, de onde se pega um barco e, 2h15min depois, chega-se a Belfast.
Na estrada, belíssimas paisagens da Escócia rural. Casas de pedra, pequenos castelos, campos limpos e, agora , na primavera, muito verde e muitas flores. Estou saindo da Escócia um pouco triste.
Foram muitos os lugares que eu gostaria de ter visitado; muito mais tempo eu gostaria de ter permanecido e andarilhado por aqui. Queria  retornar para ver, especialmente, as terras Altas. Como sempre falo, no final, vou precisar de mais vidas! Pena que a vida não é um game...