quarta-feira, março 11, 2009

Sobre meu Curriculum Religioso

Índia - Golden Temple

Não sou uma pessoa "seriamente" religiosa, mas estou ficando bem informada sobre Religiões. Na Índia, tracei onde nasceu Buda, onde Ele se iluminou e os principais Templos Budistas e Induístas.Como convém , fiz uma refeição no Golden Temple, o locus sagrado dos Sikhs, em Amritzia. Toquei na água de rios sagrados, como Ganges e Caverii, e de lagos sagrados, como o de Pushkar. Vi a estátua Gomateshwara, sagrada para os Jains. Conheci uma parte, ainda que pequena, do Caminho de Santiago...andando....de carro,é claro!


Local de Batismo de Santa Lídia : Grécia
Fui ao Templo de Kanchipuran - verdade que fiquei mais tempo comprando as famosas sedas locais do que orando. (Re)batizei-me no Rio Jordão. Visitei o Vaticano em Roma; a sede da Igreja Ortodoxa Grega em Istanbul; o Templo do Dalai Lama em Darmsala; o Centro Mundial da Fé Baha'i na Terra Santa. Fui a Fátima , a Lourdes, à Aparecida do Norte, à Medianeira de Santa Maria. Só casa da Virgem Maria, visitei três: em Éfesos, na Turquia; em Loretto, na Itália; em Nazareth, na Terra Santa. Fui a Salt Lake City, em Utah, e visitei, até onde me permitiram, o majestoso Templo dos Mórmons. Comprei doces conventuais em Portugal e na Espanha.Acompanhei procissões e romarias.


Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe no México

Andei por onde andou o Apóstolo Paulo de Tarso, no Norte da Grécia e o Apóstolo Tomé, no Sul da Índia. Visitei o Monte Sinai e a Antiga Macedônia, hoje parte do território de vários países: Norte da Grécia, Sul da Bulgária, Iuguslávia e Turquia.  Participei de Romarias da Terra e de procissões católicas no sertão ( Pe. Ramón, meu querido amigo, é testemunha disso!). No 2 de fevereiro , levei flores para Iemanjá. Fui a festas e a rituais de Candomblé durante os sete anos em que morei na Bahia. Visitei Assis, Padova, Ávila, Luján, Santiago de Compostela e dezenas mais de cidades de santas e santos. Comprei olho grego, figa, mão de Fátima e rosário.Li e reli a Bíblia antes de viajar para Egito, Israel e Palestina. 



Igreja das Carmelitas na República de Malta

Visitei centenas de Igrejas, Mesquitas, Sinagogas ,Templos, Terreiros. Fui benzida com brasas, com ramos verdes, com plantas sagradas. Fiz promessas e paguei-as. Inventei orações para turbulências aéreas e aprendi muitas simpatias antigas. Escrevo esse relato para tranquilizar meus netos de que tenho um bom "Curriculum Espiritual" - o único curriculum que me interessa agora, porque pode contar pontos pós - vida na terra. E , se nada existir depois desta vida, fica a certeza de que me diverti muito em todas as viagens.



Catedral de Segóvia - Espanha

PS. Este texto é de 2009. Meu Curriculum Religioso cresceu muito nestes últimos 9 anos - ficou de fazer inveja a muito Curriculo Lattes! Pensei em atualizá-lo;  preferi, no entanto,  deixá-lo como estava naquele ano porque tive medo de ser chamada, urgentemente, para santificação! 

terça-feira, março 10, 2009

Jerusalém, História, Emoção e Beleza.



Monte das Oliveiras




















Não tenho vontade de escrever sobre Jerusalém, onde estive durante cinco bem aproveitados dias. É uma cidade indescritível. Toda de pedra, de um bege discreto, ela emociona muito. Cidade sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos, tem, em cada pedacinho seu , uma história para contar. Caminhei muito dentro das muralhas da cidade antiga. 


Muro das Lamentações



















Visitei o Monte Scopus e Monte das Oliveiras - extraordinária a vista panorâmica da cidade que se tem a partir desses montes. Fui ao Horto de Getsêmani para conhecer a Basílica da Agonia. Estive no Muro das Lamentações e deixei lá, nas fendas das pedras, um papel com uma lista de pedidos para a família e os amigos: pedi desde emprego até diminuição da preguiça.





Fui ao Monte Sião, ver a Tumba do Rei David , o Cenáculo e a Abadia da Dormição. Rezei em Ein Karen, local de nascimento de São João Batista. Estive em Belém, onde está a Basílica da Natividade, a Gruta de São Jerônimo e a Igreja de Santa Catarina. Penso merecer o céu até pelo cansaço que fiquei! Percorri as "estações" da Via Dolorosa, visitando a Igreja da Flagelação, a Capela da Condenação, o Calvário e o Santo Sepulcro. Rezei um Pai-Nosso , em espanhol, em cada uma das paradas da Via Crucis, acompanhando uma mexicana fanática. Ainda visitei o Museu do Holocausto, o Kneset (Parlamento), a Residência Presidencial, o Teatro Municipal, e, por fim, o Museu de Israel, onde se encontra o Santuário do Livro e a fantástica Maquete de Jerusalém na época de Jesus Cristo. E ,ainda, passei pelo assustador muro que separa Israel da Palestina, nas proximidades de Belém. Dormi , depois de três dias assim corridos, como um anjo: dever cumprido e exaustão total - e ainda convicta de que tenho bons créditos no Alto!

Entrada em Israel


Saindo cedo de um hotel ( foto), próximo à região de Santa Catarina, atravessei a fronteira do Egito com Israel , em Taba. E dali, para o aeroporto de Eilat. Num avião fabricado pela EMBRAER, toda orgulhosa, viajei com destino a Tel Aviv - literalmente "Colina da Primavera" - aeroporto Ben Gurion. A entrada em Israel embora demorada, não foi traumática, apesar do momento ser bem difícil na região. Quando cheguei , nem acreditava que quase havia desistido de ir em razão dos conflitos. Tudo estava muito calmo. Uma visita rápida à cidade e , no dia seguinte, partida para Jerusalém, cidade que mais me interessava.

Monte Sinai e Mosteiro de Santa Catarina








































Depois de Luxor , retornei ao Cairo e , de lá, fui , passando pelo Canal de Suez, para o Sinai, região que combina montanha e mar . A cor de terra da montanha do deserto e o azul turquesa do mar formam um conjunto de inesquecível beleza. A Península do Sinai está situada entre a África e a Ásia. Região de muitos conflitos , tem o domínio dos beduínos e outros povos tribais nômades – e é , por isso mesmo, rica de histórias aventurescas e interessantes. 









































É também uma região de profundo significado religioso, sendo local sagrado para judeus, muçulmanos e cristãos. Foi aqui, no Monte Sinai, que, segundo a tradição, Moisés recebeu as Tábuas da Lei, os Dez Mandamentos. Construído , aos pés desse Monte, está o Mosteiro de Santa Catarina, considerado o mais antigo mosteiro cristão do mundo continuamente habitado, sempre por monges ortodoxos gregos – lembrei-me muito de Gisela e Alex, meus queridos amigos gregos. Esse Mosteiro foi fundado em 527. Atualmente, vivem nele cerca de 20 monges, quase todos da Grécia. Diz-se que o Mosteiro de Santa Catarina é  a “ Bíblia ao Vivo”. Tem sido um grande centro de peregrinação religiosa por mais de 15 séculos. Está ali um arbusto ( salsa ardente) que se acredita ser da mesma cepa do arbusto a partir do qual Deus mandou Moisés liderar seu povo na saída do Egito para a Terra Prometida. As Muralhas de Justiniano cercam o complexo do Mosteiro, onde há uma pequena porta por onde passam os visitantes.







































Os jardins e o entorno dele são belíssimos e muito fotogênicos. Daqui, sobe-se ao Monte Sinai ( 3 700 degraus pela Escada da Penitência ) e ao Monte Catarina , o mais alto do Egito, com 2642 m. No topo deste último, podem ser vistos os golfos de Ácaba e Suez e montanhas da África e da Arábia Saudita. Claro que eu não subi! Bem que eu gostaria de voltar ao Egito e Israel, depois que tivesse mais tempo para estudar sobre esses países. Desta vez, meu tempo foi pouco e não consegui fazer a adequada preparação para a viagem. Sempre penso que eu precisaria de mais vidas para realizar tudo o que desejo . Nesta, vai faltar tempo.Com certeza!



quinta-feira, março 05, 2009

Observações sobre Asia e Africa





















"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse."

Fernando Pessoa






















Fortaleza de Saladino, também no Golfo de Ácaba, no Mar Vermelho, entre o Egito e Israel.




























Amei conhecer a região do Deserto do Sinai. Foi ótimo ver onde se dá a fronteira entre a África e a Ásia.






















Vi, em Istambul, o hotel onde Agatha Christie se hospedou Quanto escreveu o livro Assassinato no Expresso Oriente. Agora, em Assuã, vi este hotel onde ela se hospedou para escrever Morte sobre o Nilo. Bom gosto!





















Fantástico este Obelisco Inacabado. Depois de fazerem os cortes laterais, descobriram fendas na sua parte superior. Foi abandondo sem ser totalmente afastado da rocha-mãe. A cor do granito é linda.






















Alguém duvida de que este barqueiro é um típico egípcio?





















Fiz um passeio de barco ao redor das Ilhas do Jardim Botânico e Mausoléu de Agha Khan. A família dele não permite visitas ao local.





















Pobres cavalos! Carregam até cinco pessoas.






















Cena muito comum tanto aqui, quanto em Marrocos e Índia: amigos encontram uma sombra e ficam a conversar.

Vale dos Reis e das Rainhas


Apesar do sol, que me deixou da cor de uma pimenta vermelha, madura , saudável - e ardendo - amei o Vale dos Reis e das Rainhas.
Esse Vale, que está em local remoto e árido, quase imacessível na época de sua criação, foi necrópole a partir de Tutmés I ( 1500 a.C.). Surgiu do medo dos faraós de que, após a morte, os ladrões roubassem os tesouros enterrados com eles. 
Adiantou pouco. A maioria foi saqueada.



Em 1922, foi descoberta , por um pesquisador inglês, a câmara mortuária de Tutancâmon. Ela continha cerca de 700 itens de tesouros pertencentes a esse rei, que morreu com 18 anos. No Museu do Cairo, vi sua máscara mortuária, belíssima e impressionante, em ouro maciço e pedras preciosas. Muitos objetos e desenhos encontrados nesses lugares deviam servir ao faraó e orientá-lo após a morte.





Impressionante o túmulo de Ramsés VI, ainda com pinturas originais. Impressionantes também os registros dos rituais e das cerimônias fúnebres, que tinham como objetivo proteger os mortos e assegurar-lhes uma jornada tranquila ao além - ou mundo subterrâneo. A máscara mortuária, segundo os antigos egípcios, era colocada sobre a cabeça da múmia para facilitar ao espírito o reconhecimento de seu corpo.
O templo mortuário da rainha Hatshepsut, entretanto, foi o que mais me encantou. É imponente, diferente, belíssimo, feito todo com escavações na rocha. O arquiteto que o projetou - Senenmut - consta que era o amado-amante dessa mulher extraordinária, a única que conseguiu alcançar o trono, apesar a forte oposição que teve por ser mulher.
Fez por merecer esse templo lindo ( foto 3). 

quarta-feira, março 04, 2009

Templos de Luxor e Karnak











































Luxor é uma cidade interessante de conhecer, pois surgiu das ruínas de Tebas,capital do Império, no Egito Antigo (1550 – 1069 a.C. ). Com a Corniche, rua à beira do Nilo, e o movimento turístico constante dos barcos que fazem Cruzeiros , Luxor torna-se ainda mais interessante de conhecer. Mas é com os Templos e a Necrópole de Tebas que se torna imprescindível conhecê-la.  Pode-se visitar a cidade caminhando, de carro ou de caleche, uma charrete, muito enfeitada, puxada por um pobre cavalo. O Templo de Luxor é grandioso.Foi construído por Amenophis e Ramsés II em 1450 a.C. É verdadeiramente grandioso.













































Tem a singularidade de haver uma mesquita construída ( mais tarde, é claro) dentro dele. Antes havia uma avenida de esfinges, com quase dois quilômetros, que o ligava a Karnak. Por sorte, consegui ver esse Templo duas vezes: uma vez de dia; outra, à noite, quando nos oferece uma visão fantástica. No Templo, está um imponente obelisco de granito rosa. Eram dois. O outro foi removido, no século 19, e colocado na Place de La Concorde, em Paris. Foi um presente de um governante egípcio ao povo francês. Lamentável !!!!Os templos emocionam e deslumbram os visitantes, que são muitos. Já atraíam visitantes desde os tempos dos gregos e romanos.O templo de Karnak foi construído em 2000 a.C. em homenagem ao deus Amon-Rá, o rei dos deuses.

























Depois de Gisé, é o sítio faraônico mais importante do Egito. Diz-se que cerca de 80 mil homens trabalharam na sua construção. Era chamado pelos antigos de “o lugar mais perfeito dos lugares”. Foi o mais bonito que vi e o que mais me emocionou.

terça-feira, março 03, 2009

O Deus-Falcão-Hórus






























Um dos mitos egípcios mais conhecidos é o de Isis e Osiris - até os nomes nos são familiares.Segundo a lenda, foi Osiris quem ensinou os egípcios a viver, a cultivar grãos e a rezar. Seth, seu irmão ciumento, assassinou -o, esquartejou seu corpo e espalhou pedaços seus pelo Egito. Sua mulher, Ísis, e sua irmã, Néftis, reuniram os pedaços dele e , com a ajuda dos deuses Anubis e Tot, fizeram dele a primeira múmia.





























Ísis, usando sua magia, fê-lo reviver e teve dele um filho , Hórus, que vingaria a morte do pai, matando, numa batalha, no local onde hoje é seu templo, a Seth , seu malvado tio. Osíris voltou à vida e desceu ao mundo subterrâneo para ser o senhor e o juiz dos mortos.























A construção desse templo começou em 236 a.C. e durou 25 anos. É muito bonito e rico em detalhes. Duas imponentes estátuas de Hórus, de granito preto, ladeam a entrada do Templo. Aqui, celebrava-se, anualmente, o nascimento de Hórus e a sua encarnação como o faraó reinante.





Viagens e leituras

Quando se conhece um lugar ou um povo, as notícias sobre eles ganham mais sentido; as palavras, significado mais aprofundado. Assim, li hoje, no Yahoo, uma notícias que me deixou curiosa e feliz:
"Arqueólogos afirmam ter descoberto uma tumba de mais de 3.200 anos atrás na necrópole egípcia de Saqqara. O Conselho Supremo de Antiguidades do Egito informou que um sarcófago em pedra calcária pertencente a uma nobre foi encontrado em Saqqara, logo ao sul do Cairo. Por meio de um comunicado, a entidade informou que três múmias e diversos fragmentos funerários também foram encontrados na tumba. Não se sabe de quem eram as múmias. O sarcófago foi descoberto em uma área de Saqqara que data da 19ª dinastia. "

Egito II





















Tento escrever ordenadamente, mas não estou conseguindo. São tantas e tão diversas as imagens que não consigo estabelecer uma cronologia entre elas. Era assim também quando eu fazia o Cruzeiro sobre o Nilo. A cada instante , uma nova e belissima imagem sobrepunha-se à anterior ou às anteriores. Era demais.























Desde o momento em que cheguei a Assuã e à ilha onde está o Isis Island em que me hospedei, entendi uma frase que ouvi faz muitos anos: "O Egito é uma dádiva do Nilo". Sei agora que é verdade. O contraste entre as margens verdes do rio e o deserto muito próximo comove por várias razões, entre elas, a econômica e a estética. Contaram-me que, entre Luxor e Assuã, transitam, além das Felucas, embarcações tradicionais com suas velas brancas, mais de 300 barcos de turismo - plenos de gente do mundo inteiro. O Cruzeiro pelo Nilo é a forma melhor de acesso a muitos tesouros arqueológicos do Egito.




























Assuã é uma cidade simpática, antiga e toda fortificada. O comércio de rua, especialmente de especiárias exóticas, é bonito e muito colorido. A temperatura estava agradável - entre 22 e 25 graus - sendo este período o mais aconselhado para visitar a região. Conhecemos as histórias dessa cidade desde os anos 60, quando construíram a imensa represa "Assuã Alta" e fizeram o lago Nasser, com a decisão do então presidente Nasser e o apoio da Rússia - os dois presidentes haviam sido colegas de escola e amigos de longa data. Essa área pertencia ao povo núbio. Era sua terra natal desde antes dos tempos dos faraós. Acredita-se que 800 mil núbios foram reassentados em outras terras ou ficaram vivendo em Assuã. Por ser área militar, as fotografias são proibidas. As imagens,entretanto, ficaram claras na minha mente.























As visitas a Kom Ombo e Edfu valem uma viagem. Kom Ombo tem a particularidade de ser dedicado a dois deuses: a Sobek, o deus crocodilo, e a Hórus, o falcão. Foi construído no século 3 de nossa era. Está situado à beira do Nilo. Edfu é dedicado a Hórus, marido de Hathor, a deusa do prazer e do amor. Conta-se que esses deuses se visitavam anualmente, durante um mês - e esse era um mês de festa para toda a população. Bem sábios eles! Livravam-se do cotidiano.