sábado, julho 05, 2008

Chandigarh - a "Cidade da Paz"



É preciso conhecer Chandigarh, cidade com 750 000 habitantes, capital de dois Estados, Haryana e Punjab e onde se concentram os seguidores da religião Sikh.

Não se encontra aqui aquela “ exaltação aos sentidos “ que se encontra nas cidades indianas antigas, mas é bonita, limpa , organizada. A mim , ela lembrou muito Brasília.

Em 1950, Le Corbusier recebeu a incumbência de criar uma nova capital para o Punjab, porque a capital antiga passara a fazer parte do Paquistão. Criou, então, a bela Chandigard, que é a primeira cidade moderna da Índia após a Independência.

Le Corbusier a projetou como o desenho de um homem modular. Os prédios públicos constituem a cabeça; uma praça central, onde se localizam os restaurantes e as compras em geral, constitui o coração; jardins imensos constituem os pulmões.
A cidade é dividida por setores – os setores residenciais formam o corpo. As ruas são todas arborizadas, cada uma com espécies diferentes.
Quatro lugares me encantaram realmente: Rose Garden, um grande e belíssimo jardim, com 594 variedades de rosas, em 47 000 plantas, nos 42 hectares do jardim; Rock Garden, com um parque que lembra um pouco Gaudí e que foi criado na década de 70 por um ex-inspetor de estradas, usando muitas sucatas, como pratos quebrados, lâmpadas de néon, cacos de vidro e pedaços de cerâmica; Museu e Galeria de Arte de Chandigarh, onde reencontrei Nicholas Roerich, pintor russo de que tanto gosto, e onde conheci S.G.Thakar Singh, pintor sikh, nascido perto de Amritsia, que é realmente fantástico; Lago Sukhna, artificial, imenso, com jardins lindos, e de onde se pode ver, ao longe, a cidade de Shimla .
Muitas lojas conhecidas e joalherias evidenciam o poder aquisitivo dos moradores. Punjab é um dos Estados mais ricos da Índia.
O emblema de Chandigarh é uma mão aberta, e os pricípios defendidos eu os fotografei para postar aqui.

Realmente, é uma bela cidade. No Orkut, pretendo postar mais fotos, pois tenho muita dificuldade de fazer seleção. Os cenários são belíssimos.
Amanhã, devo sair cedo, de carro, de Chandigarh para Dharmsala. A previsão é de oito horas de viagem. As viagens de carro são muito divertidas pelo caos
do trânsito e acredito que não são perigosas , já que se faz uma média de 30km/h.

sexta-feira, julho 04, 2008

Europa / Índia : Crônica de azares anunciados


Índia

30 de junho - Estou no trem partindo de Napoli para Roma. Estranho que sinto, além da tristeza de deixar este lugar tão bonito, um pouco de medo: medo de perder as conexões, medo de perder a bagagem, medo do calor de Delhi, medo de ficar doente, além do meu natural medo de avião. Aprendi que não se é feliz o tempo todo e que preciso aceitar a tristeza como um estado de alma igual a qualquer outro – que vem e que vai muitas vezes sem motivo único ou determinado. Hoje amanheci triste. Saudades da família.


Índia

30 de junho – verdadeiramente caótica minha viagem Roma – Berlin – Munich. Até Berlin, tudo bem. Fiz a conexão para Munich e, no horário estabelecido, houve o embarque. O avião entrou na pista para decolar, retornou ao ponto de partida e aí ficou cerca de uma hora sem nenhuma informação aos passageiros. Súbito , mandaram todos desembarcar porque, segundo disseram, havia problemas técnicos com a aeronave. Voltamos ao check in....Maior confusão! Entrei em contato com um supervisor da Companhia e informei que tinha vôo para Delhi, às 20:10 e que o tempo de que dispunha já se estava esgotando. Acomodaram-me em outro vôo, mas já me avisaram que a bagagem não chegaria a tempo.
























Estou agora partindo para Munich. Levo a mochila com o computador, I-Pod, câmera fotográfica e , por um sadio hábito de viagem, levo junto algumas roupas e objetos pessoais. Se der tempo , viajo para Delhi sem a bagagem...A bagagem poderei recuperar depois, mas o bilhete, como não é conjugado, eu perco se não viajar.























30 de junho/ 01 de julho - Eu não conhecia o aeroporto de Munich. Estive nessa cidade algumas vezes , mas sempre cheguei e parti de trem. É imenso...ou me pareceu maior ainda porque eu dispunha apenas de uma hora para localizar o terminal 2 (internacional) e fazer o check in para Delhi. Custou-me encontrar o terminal e o box da Lufthansa. Como estava sem bagagem, fiz check in expresso e entrei no gate indicado quando se estava iniciando o embarque.






Avião cheio. Assento horrível, entre uma gorda ( sic!) antipática e um homem que exalava um cheiro horrível ( ainda bem que, quando ofereceram , antes do jantar, as toalhinhas úmidas e mornas para passar nas mãos, ele aproveitou e passou nas axilas também !!!!). Não consegui dormir. Estava tensa e agitada. No vídeo individual, vi o filme sobre Edith Piaf. Uma tristeza! Ou eu não consegui enxergar nada mais do que isso naquele momento. Às 07:10, cheguei em Delhi, onde um amigo me esperava com um colar de flores amarelas( haar, em indi ), muito perfumadas, tradicionalmente oferecido como sinal de boas vindas. 


Chegada em Delhi


Falei por telefone com Fabrício e Krithika e senti-me segura naquela imensa cidade. Fui para um bom hotel e dormi quase toda a tarde. Saí somente para ir à internet e comprar produtos de higiene pessoal. À noite, antes de dormir, repassei a lista do que portava na mochila e a lista do que se perdera na mala. Havia um certo equilíbrio entre o que fora salvo e o que se perdera. Dormi muito bem. Pensei que meus problemas haviam terminado.



Índia


02 de julho – Senti-me na Índia logo ao acordar e tomar café. Tomei um legítimo café indiano e s
aí a passear. Fazia 45 graus! Fui primeiro a um Templo. Fiz todos os rituais. Depois saí a passear. Fiz fotos. Comprei uma echarpe. Almocei num bom restaurante , tomei um copo de lassi ( leite coalhado ) e comi um arroz com vegetais e um paratha (pão semelhante a uma panqueca). Fui à internet e escrevi um relato da perda da bagagem. Mandei -o para a Krithika, que me ajudava a fazer os encaminhamentos. Voltei para o hotel e dormi logo.

Índia




















03 de julho - Acordei -me de madrugada com uma terrível crise de labirinto, tonta e vomitando desesperadamente. Os medicamentos que eu trouxera do Brasil estavam todos na mala perdida. Suportei até o início da manhã. Chamei meu amigo que pediu ao hotel que chamasse um médico. Eu estava passando muito mal. Meu medo inicial se concretizava aos poucos e dolorosamente – intuição DA BRABA, como dizem lá fora. O médico veio logo, portando uma pasta imensa – parecia a caixa de ferramentas do Mile.


Índia

Dos instrumentos que trazia, eu conhecia mesmo o aparelho de medir pressão – a minha estava normal. Ele me fez um exame minucioso e passou a explicar , em INDI, para o meu amigo, o que concluíra. Nesse momento, virou sobre a cama uma caixa de medicamentos e começou a preparar injeções . Perguntei afinal o que eu tinha. Ele respondeu que era uma crise de labirintite ocasionada por alimentos fortes em clima muito quente. Levei fé! Aplicou-me duas injeções, uma sei que era para dormir. Pobre médico indiano!não reconhece quem toma vallium e lexotan desde criancinha . A injeçao não me fez nem cochilar!




















 Explicou que eu devia ficar “clean”, que devia vomitar tudo e me deu, ainda, outro remédio para acelerar a limpeza - esse duplicou meu número de idas ao banheiro. Entendi que a limpeza deveria atingir o outro extremo. Com uma tesoura, passou a separar o número de comprimidos que eu devia tomar. Proibiu-me qualquer alimento sólido durante o dia, apenas devia beber muito líquido. E nada de lassi, nada de tali, nada de paratha - nada que eu não estivesse habituada a comer.



Índia




















Era um senhor muito profissional e que me pareceu honesto. Eu pensava, nesse momento, no entanto, quanto ele iria cobrar : vinda ao hotel para ver turista, consulta, aplicação de duas injeções e todos os medicamentos. Quando disse o valor, fiquei entre surpresa e emocionada: mais ou menos 22 reais. Isso mesmo: o equivalente a 12 dólares. No final do dia, eu estava bem. Consegui ir à Internet e ler uma mensagem da Air Berlin , informando que minha mala chegaria no dia seguinte, no aeroporto de DELHI. Gracias a todos os deuses da Índia.


Índia


04 de julho - Amanheci ótima. Fui ao aeroporto, falei com 8 pessoas, assinei 12 papéis e saí com minha mala, sentindo como se tivesse ganho de presente tudo o que ela continha, inclusive a própria. Almocei com meus amigos e vim para Chandigar - sobre essa cidade escreverei amanhã. Estou em um excelente hotel , que tem internet livre!


Chandigar

quinta-feira, julho 03, 2008

Parque Nacional do Vesúvio : Napoli





















Gynestra é uma planta tipicamente mediterrânea que floresce neste período. Tem um perfume doce e forte que parece impregnar tudo, até a nossa roupa. Ao longo da estrada e cobrindo as montanhas, ela interrompe o verde escuro de outras plantas e produz focos de amarelo-amarelíssimo, como pinceladas ao acaso , mas em profusão. Foi o que vi ontem, ao subir a montanha do Parque Nacional do Vesúvio, num dos passeios mais bonitos que já fiz. Inesquecível mesmo.

sábado, junho 28, 2008

Napoli : " Amanha / Serà outro dia..."





















Amanhã , domingo, será meu último dia em Napoli, pois viajo segunda, muito cedo.
Vou sentir falta:

. dos meus amigos napolitanos;
. da mozzarella di bufala;
. do presunto cozido e assado;








































. do café;
. da pizza margherita;
. da localização do apartamento;
. do funicolare que uso para descer da Colina de Vomero;
. das cerejas e das ameixas;
. da visão do Vesúvio e do mar;
. da proximidade de Caserta, Salerno e Costa Amalfitana;























. das ilhas vizinhas;
. do Parque da Villa Floridiana;
. enfim, desta cidade belíssima, caótica e barulhenta. Maravilhosa.

“L ‘ambiente è l ‘anima delle cose.Ogni cosa há uma própria espressione e questa espressione le vieni da fuori. Ogni cosa è l ‘intersezione di tre linee e queste tre linee formano tale cose: una certa quantità di matéria, il modo in cui la interpretiamo e l’ambiente in cui è inserita.”

Fernando Pessoa


Parabéns, filho.


Hoje é o aniversário do Gugu, meu caçula. Desejo que ele esteja feliz – merece! É uma pessoa generosa, respeitosa com o outro, honesta, íntegra, verdadeira. Amo-o muito. Parabéns, filho.


Tempo,
Distância,
Nada importa.
Importa mesmo
Tua presença na minha vida.
( mamae)

quarta-feira, junho 25, 2008

Novos amigos

Organizo-me para sair de Napoli e ir para a Índia.
Foi uma experiência muito interessante “morar “aqui por um mês.
Conheci muitas pessoas, duas especialmente muito interessantes: uma senhora, proprietária de uma loja de alimentos e um mendigo , que está sempre na via pedonale. A senhora, desde o dia em que cheguei, tornou-se minha amiga, ensinando o que eu devia comprar, o que devia cozinhar e preocupando-se que eu estivesse bem aqui. Quando fui me despedir, presenteou-me com seis copos de vidro , bem bonitos, e um prato para usar no microondas – transferi o presente para meus amigos napolitanos. O mendigo, um senhor paralítico que me parece do leste, tem olhos muito vivos e expressão de profunda bondade e doçura . Quase sempre lhe dou uma moeda e, mesmo quando não o faço, acena-me e me atira beijos. Sorri como a mais feliz das criaturas. Comovente. Um dia me fez chorar porque lembrei de uma história escrita por Patati sobre uma moradora de rua, que ele conheceu em Cruz Alta.
Gosto muito de meus amigos napolitanos, um casal com dois filhos adultos. São atenciosos, afetivos , inteligentes e bem informados. Ajudam-me a decidir o que fazer e como fazer. Acompanham-me pessoalmente ou por telefone. São a minha família aqui.
Aproveitei o tempo aqui no Sul da Itália para , além de passear muito, ler bons livros. Alguns livros , que eu lera em português, voltei a ler em italiano. Hoje estou lendo Fernando Pessoa, Il libro dell’inquietudine, numa tradução italiana muito bem feita.
Continuo com minha decisão inicial: esta é uma viagem para ver pessoas. E está sendo bonita e comovente.

segunda-feira, junho 23, 2008

Apressadinha...Eu??





















Quando eu ensinava Lingüística, não lembro em que faculdade porque fui professora de muitas, um aluno me perguntou , em nome da turma segundo ele, se eu nascera de sete meses. Eu respondi que não, que nascera de nove meses. Ele, então, me disse que ali todos acreditavam que eu não teria paciência de esperar nove meses para nascer porque estava sempre “adiantada em tudo”. Também Odete, minha querida amiga, uma vez me disse que eu poderia morrer cedo, já que trabalhava muito e rapidamente. Deveria, assim, cumprir logo minha missão na terra.






















Hoje é sábado. Lembrei – me dessas duas histórias porque, cedo, saí para a rua e fiz tudo o que precisava fazer antes de viajar. Agora vou arrumar a mala. E faltam ainda nove dias para eu deixar Napoli e viajar para a Índia. Sempre estou “antecipada”.

Passeio a Ischia





















Perto de Napoli, há muitas ilhas. Capri é a mais conhecida. Ischia e Procida são menos conhecidas, mas igualmente belíssimas. Ischia é uma ilha vulcânica, na baía de Napoli, no mar Tirreno. Sua história vem de muito longe. Imaginem que foi citada na Odisseia, poema escrito por Homero, séculos antes de Cristo.

Visitei Ischia  faz poucos dias. Fui de aliscafo, em 40 minutos. Só a viagem já vale a pena. Quando se parte e quando se chega, a vista que se tem de Napoli é estupenda. Pode-se também ficar encantado com a vista de Procida , Capri e Costiera Amalfitana. Chegando a Ischia, fiz caminhando, durante uma hora e pouco, o trajeto Ischia Porto a Ischia Ponte, passando pelo centro, cheio de comércio e de artesanato interessante. E eu não comprei nada!























A Ilha, com cerca de sessenta mil habitantes, é conhecida como lugar onde se pode viver com saúde e bem-estar. Tem ali uma população de velhos, que vieram à Ischia em busca de sossego ou de cura nas suas famosas águas termais - fama que vem do tempo dos romanos. Há inclusive um Centro Termal, administrado pelo Município e localizado num edifício construído em 1736.
Ischia Ponte tem seu nome relacionado à ponte que leva a uma pequena ilha com um imenso Castelo, que deu origem ao povoamento de Ischia, entre 1300 e 1500. Impressionante o número de belas igrejas em Ischia, mais de 200 , disse-me um senhor com quem conversei sobre o que devia visitar. As praias são bonitas, “mobiliadas”com branco e azul nos guarda-sóis e cadeiras de praia. Lugar bonito que vale a pena conhecer. Fui de manhã cedo e voltei ao anoitecer – como sempre, exausta!

Ainda em Napoli / Temporada 2008





















Fiz um passeio bonito e interessante hoje. Saí cedo de Volmero para visitar primeiro as estações novas da linha 1 da Metropolitana (M). A primeira Estação – Vanvitelli - está muito perto do “meu” apartamento : três quadras pela via “pedonale”. Até a Praça Dante, final de linha e onde desço, são seis estações, com características arquitetônicas próprias, denominadas “la metroplitana dell’arte”.


Altar numa esquina de Napoli

























A idéia propagada é a de um museu descentrado, distribuído pelo espaço público, com obras de arte em contínua fruição com os usuários desse meio de transporte. Cada estação teve um arquiteto responsável e , em conseqüência disso, cada estação tem um projeto único e diferenciado. Depois de ver as estações da Metropolitana, revi “Spaccanapoli”, o verdadeiro “coração de Napoli”, como dizem os napolitanos. Sou encantada com as ruas estreitas, as praças e os monumentos desse lugar. Há uma rua com livrarias à direita e à esquerda, onde se podem encontrar livros com edições esgotadas e livros antigos e raros. Fico sempre muito tempo ali. Sou também apaixonada pela Via San Gregório Armeno, que neste período está tranqüilo, mas que eu já visitei no mês de novembro, quando tem ali uma multidão para ver e comprar figuras para os presépios de Natal.



         


















São muitas as igrejas, os palácios, as histórias e as particularidades de Spaccanapoli, incluindo os pequenos altares como esse que fotografei e que são comuns em Napoli ( acredito que o mais original é um para Maradona, ídolo até hoje aqui).    Para a mim, além disso, fica sempre a memória de um dialeto que me custa entender, de um colorido muito próprio em todos os lugares e do gosto de uma genuína pizza margherita.
PS. Algumas pessoas me perguntam sobre o problema do lixo em Napoli. Realmente há um grande problema, que vai muito além do recolhimento do lixo. Sei que é muito grave nos bairros pobres. Em Vomero, Mergellina e Posillipo, não se sente a gravidade dessa situação.

sábado, junho 14, 2008

"Lá vou eu..."





Estou em Canale, 50 km de Roma, na casa de campo da minha amiga Lidia. Vim muitas vezes aqui, mas é a primeira vez que venho na primavera. O verde apossou-se de todo o campo. Faz gosto ver.
Examino atentamente um forno que Lídia tem no jardim, perto da casa. Faço muitas fotos. Confio que Mile e Gildo poderão fazer um semelhante na Bela União. Forno para assar pão e carne lembra minha infância. Tínhamos um na fazenda. Lembro-me bem do dia de cozedura - só não tenho certeza se era assim que se chamava – quando vinham pessoas para ajudar minha mãe a fazer pão, roscas de farinha de milho, pão integral e a assar carnes. Uma festa.
Volto hoje para Roma e amanhã para Napoli. Passei dias muito tranqüilos. Dormi muito. Toda a minha família sabe como sou “dorminhoca”. Durmo com alegria, com prazer. Gosto de cama, de lençol, de travesseiro, de rede, de tudo que me lembra dormir. Acolchoado de pluma me faz delirar de felicidade. Durmo em trem,ônibus, avião. Durmo de dia ou de noite. Acordo feliz porque dormi e feliz porque acordei.