terça-feira, dezembro 11, 2007

"... chegadas e partidas."



Já escrevi que a vida é isto: uma sucessão de chegadas e partidas. Hoje amanheci pensando em tornar mais prática essa afirmação, algo como "um contínuo fazer e desfazer malas". Arrumar malas é iniciar a viagem. Faço-as e desfaço- as muitas vezes, enquanto leio sobre os lugares que planejo visitar. Leio muito, buscando informações sobre geografia,
história, arte, costumes, lugares , clima, custos , hotéis, tudo. Vejo fotos. Planejo. Escolho. Sonho....

Neste momento, organizo a bagagem para Torres, onde devo permanecer até março. Não é propriamente uma viagem - é uma troca de domicilio. Passarei lá Natal e Ano Novo. E eu amo essas festas de fim-de-ano. Gosto até do "stress"que as antecede. Há muitos anos, minha familia se reúne em Torres. Primeiro, os meus filhos e meus sobrinhos eram as crianças . Hoje, as crianças começam a ser os filhos deles. A cada ano, mais um. Este será o primeiro Natal do Joaquim, filho do Fabrício e da Lu. Primeiro Natal também do Massimo, mas ele estará em Atlanta. Patati e Gugu não virão , mas Pedro deverá ficar suas férias comigo. Aprende-se, a cada ano , a lidar com as ausências e a saudade - e a esperança de reencontros e retornos.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Tributo à Figueira Caída




Vó Balbina que morreu há 50 , com seus 102 anos, contava que a figueira já estava ali quando ela "se deu por gente"... Sempre escutei essa história na família. Sempre a considerei uma árvore sagrada - árvore da sabedoria, árvore mencionada em textos bíblicos e, acima de tudo, para nós, árvore de nossos antepassados e de nossa infância.


Também escutei histórias de fantasmas, sentados à sua sombra - ou almas tranqüilas a mirar seus galhos - e histórias de tesouros enterrados junto a ela. Essas lendas povoaram meu universo infantil.


Nossa Figueira foi sempre muito fotografada , pois , junto a ela, compondo um conjunto e um cenário, com solidez e beleza, estava a "mesa de pedra ", grande, antiga e imponente também. Temos inclusive uma tela, aqui na Bela União, que retrata as duas.


A velha figueira , que devia se chamar Fenix , renasceu grandiosa e produtiva muitas vezes. Somente eu retirei dela mais de 20 outras figueiras , que já estão produzindo frutos. Agora, ela estava com bem mais de um metro de diâmetro e parcialmente oca - mas com muitas folhas muito verdes e muitos figos de tamanhos diversos.
Veio uma tormenta faz 3 dias. Ventos fortes e granizo. Arrancou uvas, pêssegos, ameixas, peras, laranjas... Quebrou árvores. Danificou hortas e jardins. Pior, arrancou a figueira.

( Confesso que algumas vezes pensei em usar o "espaço"da figueira para construir uma Biblioteca, mas não teria nunca coragem para "detoná-la". Ainda bem que tenho álibi : eu estava em Alegrete quando ela foi derrubada pela tormenta!)
Mas, quando a vi no chão,chorei. E meu primeiro pensamento foi para Massimo e Pedro: eles não conheceriam a velha figueira.
Súbito presencio uma cena surpreendente e triste: um beija-flor voa todo o tempo ao redor da árvore caída. Depois pousa em um galhos e fica quietinho, parado. A cena era tocante e impressionante. Imaginei que ele tivesse ninho ali. Busquei a câmera. Fiz fotos. E ele ali. O beija-flor voou quando eu já estava imaginando que era um pássaro machucado que nao se podia mover.Mandei examinar galho por galho da árvore à procura de seu ninho. Não havia nada de ninhos. Até quatro horas depois, quando a Figueira foi arrastada para longe, o beija flor esteve por perto. Creio que lhe prestava uma última homenagem.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Sobre despedidas

Alex e Gisela
Gisela e Alex partiram ontem. Durante 32 dias estivemos viajando juntos. Doces pessoas! Conheço-os de Keioneri, perto de Kavala, Norte da Grécia. Muitos e maravilhosos passeios, por terra, ar e mar, já fizemos juntos. Bons companheiros.


Em Florianópolis

Depois do Rio, de Salvador e de Florianópolis, estivemos em Torres, São Francisco de Paula, Canela, Gramado, Nova Petrópolis, Santa Cruz do Sul e Santa Maria. Por último, quatro dias na Bela União e uma rápida passagem por Alegrete.


Fonte Grega construída por Alex na Bela União

Alex , que é engenheiro, contruiu para nós uma fonte grega, que relembrará a passagem deles pela minha casa. Uma recordaçao muito interessante e duradoura, que se chamará "Fontana di Alex e Gisela". Penso que eles gostaram dessa viagem ao Brasil, pois são inteligentes e curiosos. Sei que gostaram bastante da paisagem do Sul e da música regional - ambos têm muita sensibilidade musical... e vozes lindas. Deixaram saudades e boas lembranças.
"Amigo é coisa pra se guardar...."

sábado, novembro 03, 2007

Florianópolis


Também Florianópolis é uma cidade boa de mostrar a turistas estrangeiros. E tem Blumenau e Brusque e ...muitas praias lindas. Estou com Alex, Gisela, Zeli e Cibele num belo apartamento à Beira - Mar. Muitos passeios, coisas lindas para ver. Ontem fomos na FENAOSTRA. Como não gosto de ostra, dediquei-me a visitar os postos de venda de artesanato local. Artesanato criativo e de boa qualidade. Difícil resistir às compras...Ainda bem que a proximidade do Natal me dá um álibi para comprar sem culpa.

quinta-feira, novembro 01, 2007

"...é pedra..."




Oscar Lepikson é um grande amigo que tenho na Bahia. Sensível e inteligente, integra o OPA - Oração pela Arte - e tem , nesse movimento, marcante atuação. Seu trabalho com mosaico é um exemplo de empreendedorismo e sensibilidade social.


Formando e ensinando grupos de mulheres e de jovens de periferia, presídios e ONGs, a trabalhar com mosaicos de pedras, aproveita a riqueza de variedades e de cores das pedras da Bahia e com elas constrói mesas, revestimentos, quadros, tapetes e vasos de qualidade excepcional e de beleza que encanta e emociona. Muitos desses trabalhos podem ser vistos em : http://www.mosaicodepedras.com/


Fotografei dois desses trabalhos , mas são muitos e variados. A linha sacra - especialmente São Francisco, Santa Clara e Santo Antônio - é belissima. Pedras com mais de 80 cores compõem nuances indescritíveis. As cores são as naturais das pedras, pois os artistas e os grupos não trabalham com pedras tingidas.


Trabalho bom o de Oscar. Resultados maravilhosos para se ver. Exemplo do que se pode produzir em beleza e arte, com generosidade, competência e recursos naturais do País.




Retorno à Bahia


Do Rio, vim para Salvador. Foi ótimo encontrar , no aeroporto, Cláudio, Paulo e Rosane que esperavam a mim e a meus amigos. Foi ótimo também voltar ao The Plaza, aparthotel onde eu morei durante sete anos. Comovente a alegria dos funcionários do hotel e da FSBA. Gente boa.

Visitei a Estelinha, a freira minha maior amiga, muito fragilizada em seus 96 anos. Chorei porque ela não me reconheceu desta vez. Conversei muito com a diretora da Faculdade, Ir. Maria Alice, 82 anos, lúcida e vivaz. Contou-me que sempre lembrava das minhas conversas sobre morte, já que eu era uma pessoa que gostava de tratar desse tema e o fazia com bom humor. Recordava ela que eu gostava de dizer que valoriza a vida quem fala naturalmente da morte.É verdade! Aprendi , ainda quando adolescente, lendo Castañeda, que vive bem quem tem a morte como companheira.

Vi muitos amigos queridos, como Lúcia, Giorgio, Nainha, Raimundo, Antônio,Oscar, Sebastião, Valério, Conceição, Albertino, Myriam... Conversei com muita gente.Almocei no Paraíso Tropical ( Cabula) , meu restaurante preferido em Salvador (foto).

Meu filho veio de Fortaleza para Salvador nesse período. Encontrei-o sereno, feliz, bonito. Amo-o muito.

Acompanhei feliz meus amigos gregos aos principais lugares turísticos de Salvador. Sei que gosto muito da Bahia.

"Rio de Janeiro / Gosto de você..."


Não sei se li ou fui eu mesma que escrevi um texto que comparava o Rio àquele irmão com quem a gente briga sempre, mas gosta de exibir para as visitas. Mostrei-o orgulhosa aos meus amigos gregos, Alex e Gisela. Fizemos belos passeios. Como o Rio é fotogênico!

Encontrei Odilon, Suzana e Taiara, amigos carissimos de quem sinto saudades e vontade de ficar com eles mais tempo.

Passei três vezes pela linha vermelha, pois, quando cheguei de Porto Alegre , desci no Aeroporto Santos Dumont e fui de ônibus até o Galeão. Sobrevivi às balas perdidas. Fui à Feira de Ipanema. Comprei alguns presentes de Natal. Passeei durante cinco maravilhosos dias. Gostei muito.


quarta-feira, outubro 10, 2007

Tempestade





Eu dormia tranqüila quando ela me acordou! Estava chegando ....poderosa!

Eram 04h de uma noite sem lua e sem estrelas. Chovia. Relampejava. Trovejava. Até aí, normal.

Mas sentia-se o prenúncio de algo mais. Eu levantei. Abri a janela e fiquei encantada olhando. Os elementos cênicos eram rápida e perfeitamente colocados e encadeados. Eu olhava e pensava no poema de Gonçalves Dias sobre a Tempestade. Aquilo que eu via, entretanto, não era um texto. Era mais...

Dia anterior


Relâmpagos, com intervalos de poucos segundos, quase mantinham a noite iluminada. A chuva foi - se intensificando. Súbito, as árvores começaram a agitar-se... mais exatamente a serem por ela agitadas. O movimento , antes ritmado, me parecia agora enlouquecido, convulsionado. Os sons ganhavam intensidade e perdiam a harmonia. Ou a harmonia era diferente, e eu não a conseguia perceber. Aumentava a intensidade; aumentava o meu fascínio.


A casa, aqui na Bela União, é toda coberta com zinco. Escuta-se bem!

Do rumor contínuo da chuva, passou-se a estouros cada vez
mais fortes. Caiam pedras . Caíam pedras do tamanho de um
ovo ....ok! deixo por um ovo de angulista....

Dia anterior
Quebraram-se vidros. Caíram flores e pequenos galhos. Caíram frutos grandes ou que se estavam formando.

Eu olhava fascinada aquele espetáculo.
Parecia - me uma demonstraçao de poder e grandeza.Um orgasmo da natureza.

E durou seis minutos. Seis longos minutos.

sábado, outubro 06, 2007

Internet ...Aqui???

Aldna, eu, Alda,Beto e Diva

Somos uma família interessada na ampliação de redes de comunicação. Esse interesse começa com meu pai, um dos primeiros ( ou o primeiro) morador desta região a ter rádio em casa. Para ter esse "modernismo", precisava ter um catavento. Se não ventava, não se escutava rádio. O catavento, ao menos na minha imagem infantil, era muito alto - talvez tivesse uns quinze metros. Sobre a "torre"de madeira, havia um suporte de ferro, onde se fixava o gerador do catavento. Esse suporte de ferro está aqui no jardim da Bela União, suportando um refletor. Minha mãe contava que muitas pessoas vinham de longe conhecer o tal de rádio aqui de casa e que essas pessoas chegavam bem vestidas, pois pensavam na possibilidade de serem vistas pelos locutores.


Antigo suporte do catavento pioneiro

Meu irmão ( na foto, experimentando colocações para um micro), o Almir , que chamamos de Mile, herdou esse aguçado interesse por sistemas de comunicação. Tivemos todos os "modernismos comunicativos". Tudo isso seria normal se não vivêssemos entre "serros", pequenas montanhas que circundam a casa e longe - 50 km - da cidade mais próxima. É preciso muito engenho para que se possa alcançar as torres retransmissoras. É preciso experimentar muito para alcançar um bom resultado.


Testando o lugar  para Internet....

Tudo o que escrevi é preâmbulo para a grande notícia: temos internet há uma semana. A internet foi conseguida através de um equipamento que usa a freqüência da telefonia celular. É ainda um pouco lenta , embora seja superior à conexão discada. Mostra-se , entretanto, como um grande sucesso, em se tratando de um lugar onde se pensava ser impossível obter sinal suficiente. Imagino a surpresa dos fantasmas de nossos antepassados vendo, na webcam, as pessoas que se estão falando ou teclando. Quero muito que todos esses avanços contribuam para o bem-estar social e para a generosidade e a solidariedade nas relações interpessoais.

segunda-feira, setembro 24, 2007

"Foi o 20 de Setembro...."


Todo gaúcho que se preza, festeja a Semana Farroupilha . Se não ganhamos a guerra, ganhamos o direito de fazer festa!

Festeja-se essa Semana, em todo o Brasil - onde há gaúcho naturalmente. Gugu e eu , quando morávamos na Bahia, chamávamos outros gaúchos para o almoço: comíamos um "carreteiro" (arroz,é claro!!) , cantávamos o Hino Rio-Grandense, bebíamos vinho e exaltávamos as qualidades do Sul. Quanto mais vinho, mais qualidades! Mas nunca tivemos arroubos separatistas. Amamos o Nordeste.


Agora , morando no Alegrete, onde o Sul é mais Sul, vivo a Semana Farroupilha como a maior festa do ano. Imaginem 10 mil cavalos , com 10 mil pessoas em cima obviamente, desfilando pela cidade, no dia 20 de setembro, encerrando um festerê de oito dias. Bem...alguns, como eu, vão para a campanha ou para fora, como se diz na região, referindo-se ao interior dos municípios.

O nosso lá fora chama-se Bela União, nome dado pelo meu pai, já faz muitos anos. Minha mãe dizia tratar-se de um lugar abençoado, pacífico, sem que nenhuma tragédia ali ocorresse.Um lugar muito bonito, rústico e verde, pleno de lembranças, de história e de afetos.


Lá fora, comemorou-se a data também. Família reunida, churrasco, causos e recordações de infância. Choveu muito, mas valeu o convívio dos mais velhos com os jovens e as crianças. Estava até o Joaquim, de três meses, que fazia sua primeira visita ao locus dos antepassados de seu pai. Nossas crianças cresceram! Logo estarão mostrando a casa que foi nossa, como mostramos nós a casa de nossos avós e nossos pais.


Bem...continuo, por enquanto, cantarolando:


"Como a aurora precursora
do Farol da divindade,
foi o Vinte de Setembro
o precursor da liberdade.


Mostremos valor constância
nesta ímpia e injusta guerra;
sirvam nossas façanhas
de modelo a toda a terra.




Mas não basta p’ra ser livre
ser forte, aguerrido e bravo;
povo que não tem virtude

acaba por ser escravo."

Fotos de:

Aldema e

Almir Menine