sábado, novembro 03, 2007

Florianópolis


Também Florianópolis é uma cidade boa de mostrar a turistas estrangeiros. E tem Blumenau e Brusque e ...muitas praias lindas. Estou com Alex, Gisela, Zeli e Cibele num belo apartamento à Beira - Mar. Muitos passeios, coisas lindas para ver. Ontem fomos na FENAOSTRA. Como não gosto de ostra, dediquei-me a visitar os postos de venda de artesanato local. Artesanato criativo e de boa qualidade. Difícil resistir às compras...Ainda bem que a proximidade do Natal me dá um álibi para comprar sem culpa.

quinta-feira, novembro 01, 2007

"...é pedra..."




Oscar Lepikson é um grande amigo que tenho na Bahia. Sensível e inteligente, integra o OPA - Oração pela Arte - e tem , nesse movimento, marcante atuação. Seu trabalho com mosaico é um exemplo de empreendedorismo e sensibilidade social.


Formando e ensinando grupos de mulheres e de jovens de periferia, presídios e ONGs, a trabalhar com mosaicos de pedras, aproveita a riqueza de variedades e de cores das pedras da Bahia e com elas constrói mesas, revestimentos, quadros, tapetes e vasos de qualidade excepcional e de beleza que encanta e emociona. Muitos desses trabalhos podem ser vistos em : http://www.mosaicodepedras.com/


Fotografei dois desses trabalhos , mas são muitos e variados. A linha sacra - especialmente São Francisco, Santa Clara e Santo Antônio - é belissima. Pedras com mais de 80 cores compõem nuances indescritíveis. As cores são as naturais das pedras, pois os artistas e os grupos não trabalham com pedras tingidas.


Trabalho bom o de Oscar. Resultados maravilhosos para se ver. Exemplo do que se pode produzir em beleza e arte, com generosidade, competência e recursos naturais do País.




Retorno à Bahia


Do Rio, vim para Salvador. Foi ótimo encontrar , no aeroporto, Cláudio, Paulo e Rosane que esperavam a mim e a meus amigos. Foi ótimo também voltar ao The Plaza, aparthotel onde eu morei durante sete anos. Comovente a alegria dos funcionários do hotel e da FSBA. Gente boa.

Visitei a Estelinha, a freira minha maior amiga, muito fragilizada em seus 96 anos. Chorei porque ela não me reconheceu desta vez. Conversei muito com a diretora da Faculdade, Ir. Maria Alice, 82 anos, lúcida e vivaz. Contou-me que sempre lembrava das minhas conversas sobre morte, já que eu era uma pessoa que gostava de tratar desse tema e o fazia com bom humor. Recordava ela que eu gostava de dizer que valoriza a vida quem fala naturalmente da morte.É verdade! Aprendi , ainda quando adolescente, lendo Castañeda, que vive bem quem tem a morte como companheira.

Vi muitos amigos queridos, como Lúcia, Giorgio, Nainha, Raimundo, Antônio,Oscar, Sebastião, Valério, Conceição, Albertino, Myriam... Conversei com muita gente.Almocei no Paraíso Tropical ( Cabula) , meu restaurante preferido em Salvador (foto).

Meu filho veio de Fortaleza para Salvador nesse período. Encontrei-o sereno, feliz, bonito. Amo-o muito.

Acompanhei feliz meus amigos gregos aos principais lugares turísticos de Salvador. Sei que gosto muito da Bahia.

"Rio de Janeiro / Gosto de você..."


Não sei se li ou fui eu mesma que escrevi um texto que comparava o Rio àquele irmão com quem a gente briga sempre, mas gosta de exibir para as visitas. Mostrei-o orgulhosa aos meus amigos gregos, Alex e Gisela. Fizemos belos passeios. Como o Rio é fotogênico!

Encontrei Odilon, Suzana e Taiara, amigos carissimos de quem sinto saudades e vontade de ficar com eles mais tempo.

Passei três vezes pela linha vermelha, pois, quando cheguei de Porto Alegre , desci no Aeroporto Santos Dumont e fui de ônibus até o Galeão. Sobrevivi às balas perdidas. Fui à Feira de Ipanema. Comprei alguns presentes de Natal. Passeei durante cinco maravilhosos dias. Gostei muito.


quarta-feira, outubro 10, 2007

Tempestade





Eu dormia tranqüila quando ela me acordou! Estava chegando ....poderosa!

Eram 04h de uma noite sem lua e sem estrelas. Chovia. Relampejava. Trovejava. Até aí, normal.

Mas sentia-se o prenúncio de algo mais. Eu levantei. Abri a janela e fiquei encantada olhando. Os elementos cênicos eram rápida e perfeitamente colocados e encadeados. Eu olhava e pensava no poema de Gonçalves Dias sobre a Tempestade. Aquilo que eu via, entretanto, não era um texto. Era mais...

Dia anterior


Relâmpagos, com intervalos de poucos segundos, quase mantinham a noite iluminada. A chuva foi - se intensificando. Súbito, as árvores começaram a agitar-se... mais exatamente a serem por ela agitadas. O movimento , antes ritmado, me parecia agora enlouquecido, convulsionado. Os sons ganhavam intensidade e perdiam a harmonia. Ou a harmonia era diferente, e eu não a conseguia perceber. Aumentava a intensidade; aumentava o meu fascínio.


A casa, aqui na Bela União, é toda coberta com zinco. Escuta-se bem!

Do rumor contínuo da chuva, passou-se a estouros cada vez
mais fortes. Caiam pedras . Caíam pedras do tamanho de um
ovo ....ok! deixo por um ovo de angulista....

Dia anterior
Quebraram-se vidros. Caíram flores e pequenos galhos. Caíram frutos grandes ou que se estavam formando.

Eu olhava fascinada aquele espetáculo.
Parecia - me uma demonstraçao de poder e grandeza.Um orgasmo da natureza.

E durou seis minutos. Seis longos minutos.

sábado, outubro 06, 2007

Internet ...Aqui???

Aldna, eu, Alda,Beto e Diva

Somos uma família interessada na ampliação de redes de comunicação. Esse interesse começa com meu pai, um dos primeiros ( ou o primeiro) morador desta região a ter rádio em casa. Para ter esse "modernismo", precisava ter um catavento. Se não ventava, não se escutava rádio. O catavento, ao menos na minha imagem infantil, era muito alto - talvez tivesse uns quinze metros. Sobre a "torre"de madeira, havia um suporte de ferro, onde se fixava o gerador do catavento. Esse suporte de ferro está aqui no jardim da Bela União, suportando um refletor. Minha mãe contava que muitas pessoas vinham de longe conhecer o tal de rádio aqui de casa e que essas pessoas chegavam bem vestidas, pois pensavam na possibilidade de serem vistas pelos locutores.


Antigo suporte do catavento pioneiro

Meu irmão ( na foto, experimentando colocações para um micro), o Almir , que chamamos de Mile, herdou esse aguçado interesse por sistemas de comunicação. Tivemos todos os "modernismos comunicativos". Tudo isso seria normal se não vivêssemos entre "serros", pequenas montanhas que circundam a casa e longe - 50 km - da cidade mais próxima. É preciso muito engenho para que se possa alcançar as torres retransmissoras. É preciso experimentar muito para alcançar um bom resultado.


Testando o lugar  para Internet....

Tudo o que escrevi é preâmbulo para a grande notícia: temos internet há uma semana. A internet foi conseguida através de um equipamento que usa a freqüência da telefonia celular. É ainda um pouco lenta , embora seja superior à conexão discada. Mostra-se , entretanto, como um grande sucesso, em se tratando de um lugar onde se pensava ser impossível obter sinal suficiente. Imagino a surpresa dos fantasmas de nossos antepassados vendo, na webcam, as pessoas que se estão falando ou teclando. Quero muito que todos esses avanços contribuam para o bem-estar social e para a generosidade e a solidariedade nas relações interpessoais.

segunda-feira, setembro 24, 2007

"Foi o 20 de Setembro...."


Todo gaúcho que se preza, festeja a Semana Farroupilha . Se não ganhamos a guerra, ganhamos o direito de fazer festa!

Festeja-se essa Semana, em todo o Brasil - onde há gaúcho naturalmente. Gugu e eu , quando morávamos na Bahia, chamávamos outros gaúchos para o almoço: comíamos um "carreteiro" (arroz,é claro!!) , cantávamos o Hino Rio-Grandense, bebíamos vinho e exaltávamos as qualidades do Sul. Quanto mais vinho, mais qualidades! Mas nunca tivemos arroubos separatistas. Amamos o Nordeste.


Agora , morando no Alegrete, onde o Sul é mais Sul, vivo a Semana Farroupilha como a maior festa do ano. Imaginem 10 mil cavalos , com 10 mil pessoas em cima obviamente, desfilando pela cidade, no dia 20 de setembro, encerrando um festerê de oito dias. Bem...alguns, como eu, vão para a campanha ou para fora, como se diz na região, referindo-se ao interior dos municípios.

O nosso lá fora chama-se Bela União, nome dado pelo meu pai, já faz muitos anos. Minha mãe dizia tratar-se de um lugar abençoado, pacífico, sem que nenhuma tragédia ali ocorresse.Um lugar muito bonito, rústico e verde, pleno de lembranças, de história e de afetos.


Lá fora, comemorou-se a data também. Família reunida, churrasco, causos e recordações de infância. Choveu muito, mas valeu o convívio dos mais velhos com os jovens e as crianças. Estava até o Joaquim, de três meses, que fazia sua primeira visita ao locus dos antepassados de seu pai. Nossas crianças cresceram! Logo estarão mostrando a casa que foi nossa, como mostramos nós a casa de nossos avós e nossos pais.


Bem...continuo, por enquanto, cantarolando:


"Como a aurora precursora
do Farol da divindade,
foi o Vinte de Setembro
o precursor da liberdade.


Mostremos valor constância
nesta ímpia e injusta guerra;
sirvam nossas façanhas
de modelo a toda a terra.




Mas não basta p’ra ser livre
ser forte, aguerrido e bravo;
povo que não tem virtude

acaba por ser escravo."

Fotos de:

Aldema e

Almir Menine

sábado, setembro 15, 2007

"...chove sem parar."




Chove muito.


Sinto saudades de pessoas, lugares, momentos, sabores, formas e cores. Saudades dos sonhos, das utopias, das crenças, dos desafios enfrentados, dos problemas solucionados, dos resultados alcançados.
Se a chuva parar, sairei para fora de casa - e essa nostalgia certamente desaparecerá. Dará lugar à euforia pela mudança de estaçao. Já se sente a primavera nas brotaçoes verde-jovem de todas as plantas, nas flores perfumadas das bergamoteiras e laranjeiras, na profusao de cores e formas dos pomares e jardins.

Minha amiga Cleuza Alonso , ao referir-se à experiência de viver no Nordeste, falava da tristeza causada pelas ausência das quatro estações. Sempre calor.Sempre igual. Era como se viver em banho-maria , segundo ela. Durante os anos em que morei na Bahia, também experimentei essa sensação. Talvez por isso me encante tanto a percepção da troca , às vezes lenta, às vezes abrupta, de estações, sentida um pouco pelo clima, muito mais pelas transformações no ambiente.

Planto muito, principalmente árvores. Patati escreveu uma vez que meu grande mérito não era plantar, era jamais perguntar quem comeria os frutos. Verdade. Minha mãe também era assim – nem se perguntava se chegaria ver os frutos. Acredito que a historicidade é componente da alegria de viver: planta-se sabendo que antes de nós alguém plantou e que depois de nós alguém plantará – e mais flores e frutos povoarão o mundo. Beleza e alimento. Fundamentais.
"Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.
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Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não.
E a chuva cai levemente
Dentro do meu coração."
Fernando Pessoa

quarta-feira, agosto 29, 2007

"Tempo Louco "



Estou na "Bela União".
Como dizia minha mãe, o tempo está muito louco! Desde que voltei, suporto intenso frio - ao redor de zero grau. Muita chuva também. Mesmo assim, trabalho bastante: planto árvores, faço podas, semeio flores. Quando o sol aparece, lavo roupas, pinto a casa, caminho pelo campo. E recordo!

Nos próximos dias, previsão de 30 graus!!!Devo ir , no fim - de - semana, a Santa Maria encontrar meus queridos amigos-irmãos para festejar que estamos vivos e que estamos bem, plenos ainda de ânimo e encantamento.
Fotos : Bela União


"Trago dentro do meu coração,
Como num cofre
que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens
que vi através de janelas ou vigias,
ou de tombadilhos, sonhando.

E tudo isso, que é tanto,
é pouco para o que eu quero."
Fernando Pessoa

segunda-feira, agosto 13, 2007

Enfim....

...cheguei!

"Este é o meu primeiro vôo depois do acidente com o avião da TAM , no Brasil. Faço , pela Air Berlin, o trecho Roma/Wien. Farei depois Wien/Frankfurt/São Paulo/Porto Alegre. Estou muito tensa e com medo. Penso no sobrinho da Dinda, minha amiga, que estava naquele vôo fatal. Penso nela e nos pais do menino. Que terrível. Tomara que a solidariedade sentida amenize um pouquinho tamanha dor.
Sinto-me fragilizada, com saudades de meus filhos, irmãos, sobrinhos. Saudades do Pedro, saudades da Cibele. Saudades dos amigos. Brutal medo de perda."

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"Um vôo traqüilo de 1h20min. Em Wien, 2h de espera. Estou agora no avião da NIKI , que fará o trecho Wien/Frankfurt, em 2h25min. O dono da NIKI é Niki Lauda, o piloto de Fórmula 1. Aviões que me parecem novos, bancos de couro na cor cinza. Lindinho!
Depois VARIG, 13h55min. Espero dormir como sempre faço. Mas continuo com medo...escrevo por isso!"
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"Um bom retorno. Em Wien, rigorosa inspeçao na minha bagagem de mao, com dois momentos divertidos: primeiro, quando tiraram tudo da minha mochila que tinha coisas incríveis - medicamentos tibetanos, rosas de Jericó (secas), caroços de damasco, sementes, muitas tornozeleiras indianas, calcinhas, soutiãs e vitaminas. Depois, quando tiraram tudo da minha bolsa, onde só estavam documentos e uns 15 pares de óculos, de cores variadas, a maioria presentes da Lidia para mim e para o Mile. Zeli, Alda, Gugu, Fabricio e Frederico estavam no aeroporto.Alegria! Um fim-de-semana com a família."